domingo, 3 de janeiro de 2010

Hospitality: será a peça que faz falta?

Conceito de Hospitality, será que vale a pena pensar?

Os meus amigos dizem que eu tenho a melhor profissão do mundo, pois ando a comer, beber e dormir praticamente todos os dias em locais diferentes, a conhecer conceitos diferentes, e sei lá, mais um conjunto de “diferentes...”. (garanto que estão enganados, tenho que me habituar a muitas fronhas diferentes todos os dias.)

A realidade é que esta vida leva-nos a ser todos os dias mais exigentes, pois é impossível não comparar estrelas, garfos, rodas ou outra classificação que os meios tendem a utilizar.
Quanto a mim, desde há uns tempos que gosto de classificar os locais que visito primeiramente pelo contacto inicial que partilhamos com os nossos anfitriões, e cheguei à conclusão que os primeiros minutos desta relação são os mais importantes.

Pois se eu chego a um restaurante, hotel, bar ou tasco, e a pessoa que me recebe não me provoca empatia, ou a porta por onde devo entrar não inspira desejo de a atravessar, fico logo desconfiado e a relação tende a piorar, pois se a ferida não é sarada rapidamente, não há pó de sulfamida que a sare.

Penso que as pessoas que estão a receber, sejam os donos, o chefe de sala, recepcionista ou os famosos “RPs” (gostava de deixar aqui um aparte, pois até a minha cunhada que tem 17 anos é RP - o conceito é conhecer muitos amigos e ter os números no telemóvel, e basta criar uma ‘guest list’ e enviar uns 300 sms para garantir o titulo), têm de fazer com que os primeiros segundos sejam o prognóstico do tempo passado sobre a sua tutela: simplesmente magnífico.
Mas será que em Portugal vamos começar a perceber que temos de melhorar a Hospitality?
Querem as empresas assim tão desesperadamente fazer dinheiro, que se esquecem que, se não criam laços, afinidades, os clientes não voltam? Ou sou eu que estou errado?

Quando sou maltratado, ou indiferentemente recebido não tenho vontade de voltar, e penso que quase todas as pessoas pensam assim.

Caros empresários, pensem bem nos vossos negócios do turismo e invistam na boa disposição e relação com os clientes, porque de carrancudos e mal dispostos já estamos nós fartos.

Queremos um Portugal mais hospitaleiro e mais bem-disposto!

6 comentários:

Anónimo disse...

Devia é ser mais rigoroso, mais exigente, mais diferenciador entre o muito bom, o bom e o mais ou menos. Quando leio os seus textos vejo tudo cor de rosa, só com palavras simpáticas. Depois as notas nem sempre são boas mas os textos são sempre pela positiva.
Para ser mais credível devia ser mais sincero. Eu sei que o país é pequeno, que , que , que mas assim só andamos como o carangejo.

EuSouGourmet disse...

Olá Anónimo,
Os texto do EuSouGourmet como mostra a minha carta de intenções são um rerato das minhas visitas a restaurantes e hoteis que mais gostei.
Claro que há vários locais onde vou que não gosto, mas não é isso que as pessoas que lêm o meu blogue (ou pelo menos parte) procura.
No entanto a minha opinião é sempre sincera e honesta, o que eu não gosto digo logo que não gosto.
E do que gosto dou a mesma atenção.
Penso que se mostrar o que se faz de bem neste país, aqueles que fazem mal podem retirar informações e mudar o rumo para um melhor serviço.
Mas a seu pedido todos os meses vou publicar aqui no blogue aquele que eu achei o pior local que visitei (nesse mês).
Obrigado pelas sugestões.
Vicente

Cão Traste disse...

Claro que queremos melhorar hospitalidade. Ou aquele sentimento bem portugues de entrar num cafe e ja nem precisamos de pedir pois ja nos conhecem e sabem o que queremos. Tendo vivido em Bruxelas posso dizer-te Portugal nao esta assim tal mal, mas temos de ambicionar sempre melhor. Na Belgica cliente nao e rei. Eles nao sabem o que e ser hospitaleiro. Ja em Londres ou Sao Paulo, onde tambem vivi, a historia e bem diferente. E a luta constante por clientes.

cbatista disse...

Não sei porquê, mas a minha parca experiencia de restaurantes por Portugal vai-me mostrando mais ou menos isto:
- restaurantes mais populares/castiços e económicos: serviço informal, atencioso, carinhoso
- restaurante mais caros, "fashion": serviço demasiado formal, sério, onde o conceito de hospitalidade parece ser educação e dedicação extrema, o que pode ser até incómodo para o cliente

é como se nos restaurantes mais elegantes tivessem roubado a naturalidade dos empregados

a desvantagem para os restaurantes finos/caros é que só lhes resta que a comida seja mesmo excelente, enquanto que nos outros restaurantes somos tentados, de maneira inconsciente, a aceitar um possível falho na comida porque sentimos que fomos bem tratados

aproveito para agradecer os seus posts. não concordo com a ideia de publicar o "pior restaurante do mes", acho desmotivador e humilhante e se foi realmente muito mau, seguramente teve oportunidade de dar uma palavrinha ao gerente ;-). prefiro as critícas positivas e a indicação dos pontos a melhorar. além disso ao dar a pontuação o proprietario pode tirar as suas conclusões

cumprimentos
cátia

EuSouGourmet disse...

Olá CãoTraste realmente nem 8 nem oitenta Bruxelas tem provavelmente um dosi piores serviços do mundo, no entanto tem restaurantes que se comem muito bem. Londres, NY, Frankfurt, Oslo, Riga, e outro utilizam a hospitality como uma arma. Cada vez mais é dificil arranjar e manter a clientela, com tanta variedade as pessoas por vezes querem ir a outro sitio. Devemos é pensar que esse outro sitio por vezes é o nosso e para isso temos de criar laços.

cbatista, esta ferramente mal utilizada e implementada de forma dificiente pode provocar esse mesmo sentimento, mas o porblema é que normalmente os restaurantes mais baratos não têm tentos porblemas porque são "amigos" de todos os clientes, oproblema está mesmo em restaurantes mais caros em que a nossa visita não é tão regular.
Durante estes ultimo anos fui almoçar a um tasco mesmo perto do escritório que já nem me perguntava o que eu comia ou bebia, melhor serviço não poderia haver. E por vezes arriscavam em suprender com algumas receitas novas, isto é criar afinidades.
Há um restaurante +/- caro em cascais que é o panoram onde costumo ir com frequeência, cada vez que lá vou todos os empregados dirigem a minha familia para comprimentar e pergustar como tem sido a nossa vida.
São duas visões diferentes mas o conceito é o mesmo hospitality.
Obrigado pelos comentários-

Anónimo disse...

Não defendo o destaque do negativo só por si. Infelizmente temos a restauração que temos, sem expressão, sem visibilidade e com muitos encerramentos desnecessários.

Lendo os seus comentários vemos a parte cor-de-rosa da restauração. Acredito que interessea muitos (eu incluído). Mas penso que seria interessante em mostrar os pontos cinzentos ou negros ou mesmo brancos que existem em todos os restaurantes, que ajudaria os clientes a escolher melhor, a tomar melhor as decisões. Mesmo para os restaurantes ajudava a melhorar a dita Hospitality.