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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Salicórnia

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
Há centenas de produtos que nascem por todo o país, que para muitos são considerados pragas, e para quem dá um pouco mais de atenção, descobre que está sobre uma verdadeira pérola.

A salicórnia, também conhecida por sal verde ou espargos do mar, é uma erva halófita que cresce normalmente nos sapais (salinas), sendo altamente tolerante ao sal, e com uma particularidade e singularidade única: é salgada.

Para muitos é uma desconhecida, e quem a vê associa mais rapidamente a uma erva daninha, ou uma erva para as larvas, antes de pensar em apanhá-la e levar para casa para a utilizar na sua cozinha.

O que é certo é que esta erva suculenta, verde e pequena tem uma textura intrigante e um sabor a sal curioso, sendo mesmo utilizado como substituo do cloreto de sódio (sal) em saladas, ou mesmo em pratos mais complexos.

Segundo alguns médicos, a salicónia além de ser abundante em vitaminas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é altamente aconselhada para os hipertensos, uma vez que pode ser um substituto do sal na cozinha.

Apesar do desconhecimento na cozinha dos portugueses, não passou despercebida aos grandes chefes de cozinha que adoram criar pratos utilizando este produto, principalmente como um substituto salgado, mas também pela sua curiosa aparência e textura.

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
A Salicórnia é apanhada fresca entre Março e Agosto, (às vezes aparece em Fevereiro ou estende-se até Setembro) e após Setembro até Outubro é apanhada seca e triturada para se vender em pó. Curiosamente, é o Brasil que fica com grande fatia desta variante.

O José João da Casa do Sal, proprietário da Salina Figueira Foz, Eiras Largas – Margem sul da Figueira na zona da Gala, além dos cristais, apanha regularmente esta erva, e distribui e vende para vários pontos do país a €20 o quilo, e também pode ser comprada através do site www.casadosal.pt.

O meu conselho é que arrisque na sua saúde e acredite que é luso e é bom. 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Setembro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mercado La Boqueria em Barcelona

Estive recentemente num dos mais animados, e com produtos de fazer salivar qualquer um: La Boqueria em Barcelona.
Estava repleto de pessoas e turistas, que compravam, olhavam e degustavam, com uma apresentação e animação assim é impossível resistir.


Comecei pelos enchidos e claro o presunto.

Mais uns,,,,,


Alguns fungos!


Uns ovos para uma omolete, ou talvez uns revueltos com os cogumelos.


Para o refugado


Os peixes.


Frutas de todas as cores.


E ainda mais frutas.


Montanhas de morangos.


Para os mais gulosos.


E para terminar um chocolate.

Mercado La Boqueria
Rambla, Barcelona

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Na terra do Whisky

Das vezes que fui à Escócia, aterrei sempre no aeroporto de Aberdeen de noite, seguindo directamente para a região de Speyside para o hotel.

A única forma de me aperceber que estava num outro país foi, quando entrei no carro, ter pensado, num primeiro impulso, que o motorista estava louco, porque entrou na estrada fora de mão. Nada disso: estávamos no Reino Unido!

Mas a vantagem de chegar no breu nocturno é que temos o primeiro contacto com o verde pela manhã e, esteja chuva ou escasso sol, é sempre impressionante e cativante.
Tudo o que imaginou da Escócia é verdade: campos e bosques verdes a perder de vista, ovelhas, ovelhas e mais ovelhas, castelos impressionantes e muita, mas mesmo muita, cevada.

Na minha última viagem, tinha uma intenção: visitar a destilaria da Glenfiddich, perceber um pouco melhor como são feitos os whisky de malte e quais os programas gastronómicos e culturais desta zona.

Na manhã seguinte, faço a minha rotina de abrir a janela e contemplar a paisagem do último andar do Hotel The Dowans em Aberlour
www.dowanshotel.com.

Esqueça as tecnologias e modernidades. Quem vai para esta região do mundo, quer ir para uma antiga casa senhorial ou para um dos remodelados castelos, e este em Aberlour é um belo exemplo.

Aqui estamos a meros 20 minutos da destilaria e os 11km que separam ambos os pontos estão repletos de destilarias e tanoarias espalhadas pelas planícies e montanhas de Speyside.

Chegado à destilaria, está na hora de fazer a visita de "Connoisseurs", que tem obrigatoriamente de ser marcada com antecedência e custa €22.

Uns minutos antes da hora marcada para o início da visita, há uma espécie de "check-in" numa sala de projecção onde, durante 10 minutos, assistimos a um pequeno filme que resume o trajecto do clã Grant.

Finda a sessão, o grupo de "portugueses" é chamado por um rapaz chamado Bert - este vai ser o nosso guia durante as próximas duas horas e meia.

Como o processo do whisky, iniciamos este tour no "Malt Bar" onde é feita a maltagem - aqui prepara-se a cevada, transformando o amido em açúcar.

Saltamos para a moagem e maceração e aceleramos virtualmente três dias ao processo. Nestas salas trituram-se os grãos de cevada que depois são depositados num tanque com água quente e inicia-se o processo de extracção do açúcar, criando um líquido açucarado que se chama "wort".

Avançamos mais umas horas e chegamos à sala com os tanques de fermentação, onde se adicionam leveduras ao líquido açucarado e, miraculosamente, num processo natural, o açúcar transforma-se em álcool e numa espécie de cerveja também conhecida por "wash".

Segundo Bert, o guia, esta é a mais pura das cervejas que ele já bebeu. Quanto a mim, se viesse gelada era bem melhor!

Avançamos mais três e, umas salas depois, já num armazém diferente, dou de caras com um armazém repleto de alambiques de cobre, aqui apelidados de Wash Still.

Chegamos então à destilação!

Aquilo que, no tempo de Merlin, era considerado bruxaria, é simplesmente um processo onde se separam os alcoóis e os seus aromas das matérias indesejáveis, através do aquecimento.

Nesta sala, o "wash" vai para os alambiques, que são aquecidos por fogo de lenha, e onde, durante seis horas, é sujeito a temperaturas próximas do ponto de ebulição, criando a evaporação.

Os líquidos evaporados são recolhidos num pequeno depósito conhecido por "low wines receiver". Nesta fase, há um líquido com 21% de álcool que volta para os alambiques, estes mais pequenos, chamados de "spirit still".

Nesta fase da destilação, assim que os álcoois chegarem aos 70% a 65%, o whisky está pronto e segue para a fase final do processo: a maturação.

A visita está a chegar ao fim e, como é evidente, o processo também!

Agora o whisky vai para as barricas, onde descansa durante vários anos, e o papel do Malt Master é crucial para acompanhar e criar aromas ricos e intensos com os quais só contactamos depois de abrirmos a garrafa.

Aliás, falta aqui uma parte muito importante da visita - a prova! Estava a ver que, depois de duas horas a aprender tudo sobre o fabrico, ficava a seco.

A visita terminou com uma prova de algumas das variedades de Glenfiddich - 12, 15, 18 e 21 anos -, e agora despeço-me da destilaria passando pela gift shop para comprar alguns presentes para a família e, claro, umas garrafinhas para mim.

Ainda tenho umas horas, pelo que decido explorar um dos famosos castelos da região, o Ballindalloch Castle, em Banffshire.

Pertencente à família Macpherson-Grants desde 1546, ano em que foi construído, espelha bem o que era a vida na época. Muitas salas cheias de quadros com familiares, reis, príncipes e outros notáveis. Mobílias pesadas cheias de embutidos e brasões. Gostei especialmente das camas, que evidenciavam muito mais estilo e conforto do que as que vejo nas grandes superfícies comerciais.

Alguns dedos de conversa com a família que faz questão de receber todos os convidados, seja para dormir, jantar ou simplesmente visitar as paredes com cinco séculos de história.
www.ballindallochcastle.co.uk

Não parti da Escócia sem antes ter uma refeição excelente. Para falar com franqueza, tive de experimentar vários locais para poder finalmente recomendar um restaurante. No entanto este, após 675gr de carne, conquistou um grande adepto.

É em Craigellachie, mesmo no centro da vila, e serve desde os tradicionais "haggis" com o néctar da região, vieiras com o tradicional "black pudding", cogumelos selvagens, carnes e peixes frescos e fantásticos, um bife do lombo de carne local maturada com 225gr, verdadeiramente fantástico.


Além de restaurante, é um hotel e um bar onde poderá encontrar todos os whiskies possíveis, até japoneses!
www.whiskyinn.com

Ir à Escócia é uma experiência verde, onde as tradições ainda são vividas como antigamente.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Janeiro de 2011

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Finalmente sexta-feira

Com tantas novidades, não sei por onde começar, mas como vou ter que começar por um ponto, inicio-me numa região que, apesar de todos conhecermos o nome, são poucos os que a visitam e usufruem de um dos mais fantásticos locais do país.

Falo do Douro.
Aqui vai mais uma excelente razão: o chefe Paulo Matos é um dos novos inquilinos desta região, assumindo a responsabilidade de chefiar os restaurantes Almapura e Vale Abraão do hotel Aquapura Douro Valley.

Assim, vá até à Régua, junte o útil ao agradável, e depois de um belo repasto descanse, dê um mergulho na piscina, e durma nesta jóia do Douro: www.aquapurahotels.com, Tel.: +351 254 66 06 00.

Dos sólidos passo para os líquidos, mas sem nunca sair do Douro, e recomendo o fresco e aromático Terras do Grifo Porto rosé.

A pensar no tempo quente e querendo quebrar o estereótipo que um Porto é uma bebida invernosa, a Rozés aposta numa bebida de Verão. No nariz apresenta-se frutado, revelando na boca os doces aromas das cerejas e romãs frescas.

Pode encontrar este vinho na Garrafeira do Tio Pepe no Porto, na Garrafeira Dom Vinho em Coimbra e na Garrafeira Wine & Flavours em Lisboa, a rondar os 11€.

Descendo um pouco, descobrimos uma outra alternativa para o seu fim-de-semana (ou semana), e mais uma boa refeição.

Em Óbidos pode encontrar um projecto único em Portugal: desafiaram 23 arquitectos a construir 601 moradias, um campo de golfe, vários courts de ténis, e mais um punhado de actividades desportivas.

O resultado está a vista, e os 157ha revelam o melhor da arquitectura contemporânea lusa num único empreendimento. Para alugar casa para este Verão deve contactar o Tel.: +351 262 965 320 ou vá ao site www.bomsucesso.com.pt.

Ainda dentro deste empreendimento não pode deixar de visitar o restaurante Viva Maria que apresenta uma cozinha moderna e descontraída, revelando alguns pormenores locais.

A decoração é agradável e confortável, resultando no melhor dos dois mundos.

Vá lá e coma as vieiras de entrada, ou a sopa de laranja para sobremesa, que não se arrepende.

Tel.: +351 262 112 340.

Já em Cascais, uma das melhores novidades do Verão, o chefe Igor Martinho, que no ano passado foi o vencedor do galardão Chefe Cozinheiro do Ano, deixou a Quinta dos Frades em Lisboa e mudou-se para a Marina de Cascais.

O restaurante chama-se Hemingway, e abre hoje a sua ementa e portas ao público. Pode contar com boa gastronomia a preços bastante acessíveis.

Se estiver lá perto ligue para o número 916 224 452 e renda-se aos encantos gastronómicos de Igor Martinho.

Termino com a novidade mais fresca de todas: os famosos gelados Santini já estão em Lisboa, mais precisamente no Chiado, na rua do Carmo.

Lisboa agora ganha um novo sabor! www.santini.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?
Por Vicente Themudo de Castro
Fotografias cedidas pela Cooking.Lab
(Fotografa Rita Silva)

Muito se fala na cozinha molecular, da sua espectacularidade, dos malefícios que faz à saúde, mas no fundo muito se especula e pouco se sabe.

O problema é que a falta de conhecimento começa nos chefes, reflecte-se nos jornalistas, e acaba por chegar com várias imagens e interpretações ao público final.

Quanto a mim, já ouvi tantas histórias diferentes que decidi averiguar de forma intensa e profunda. Primeiro ponto, e que deve ser a reflexão deste texto: a cozinha molecular é o uso de novas e mais modernas técnicas, possibilitando um diferente manuseamento dos alimentos.

Depois temos a gastronomia molecular: ciência que estuda os processos e as mutações que ocorrem quando se cozinha, bem como novas técnicas científicas para melhorar essas condições.

Outro facto interessante é que a cozinha molecular já existe há vários anos, mas é nos anos 90, pela mão de Heston Blumenthal e Ferran Adrià, que ganha o seu maior protagonismo, principalmente com as criações "Avant Garde", naquela altura.

O azoto líquido, muito popular neste tipo de cozinha pela sua espectacularidade, e fortemente criticado pelo seu efeito nocivo à saúde, não é nada mais do que 78% de um elemento gasoso que todos nós conhecemos bem: o ar.

Isso mesmo, o ar que todos nós respiramos!

Este é utilizado no seu estado líquido a -198ºC, e faz uns gelados sobre um efeito de fumo que faz lembrar os vídeo clips dos anos 80, cheios de fumo e mistério.

Técnica moderna? Não me parece. No séc. XIX, Agnes Marshall já a utilizava e explicava nos seus livros de culinária. Quem mais os usa?

Toda a indústria alimentar, para congelar os alimentos de forma mais célere, e assim preservar melhor as suas características, diminuir a perda de água e, principalmente, para garantir a qualidade da congelação.

Mais complexo de executar, mas também fácil de explicar, são os destilados: uma água a saber a chocolate não é algo que as pessoas compreendam, mas se já beberam aguardentes ou whisky, não estranham.

O processo não é nada mais que um líquido aromatizado em malte, frutos, e outros. Aí já ninguém estranha.

De facto não é fácil fazer em casa, pois o aparelho mais habitual para este processo é um evaporador rotativo, que custa uma pipa de massa.

Poderá tentar com uma bomba de vácuo e material de vidro de laboratório, novamente difícil, mas um pouco mais económico que o anterior.

Resumindo, a destilação é um processo no qual várias substâncias são separadas através do aquecimento.

Agora vamos falar num palavrão: os hidrocolóides. Estes sim, revolucionaram a "cozinha molecular". São a origem do espanto e deslumbre quando são apresentados nos pratos.

Gelatinas quentes, espumas, ares, café sólido, esferificações e muitos outros são os resultados.

No fundo, a palavra resume-se a água (hidro) e substâncias semelhantes a cola (coloides).

Os dois elementos combinados ligam-se criando diferentes texturas de gelatinas ou gel (conforme a aplicação e preparação).

Os mais populares são o amido, as pectinas, o agar, os alginatos e o carraginatos (extraídos de algas), e se pensa que são produtos raros de encontrar, também se engana, pois poderá encontrá-los em diversos supermercados, mas normalmente têm os seus nomes técnicos.

"Que coisa horrível!" poderá pensar agora, mas na realidade são usados num produto muito popular que certamente já entrou em sua casa - as azeitonas recheadas com pimentos. O pimento, depois de preparado e cozinhado, recebe a mistura de um coloide.

Depois é criado um longo tubo, cortado de forma uniforme e introduzido como recheio na azeitona e em muitíssimos outros alimentos basta ler os rótulos.

Frequentemente, aqueles que são considerados produtos tabu, estão dentro das nossas casas há anos e nem damos por eles. Fica a pergunta: serão assim tão perigosos como as histórias que pintam?

A ciência e os cientistas só vieram para ajudar aquelas imperfeições e parâmetros que os chefes não entendiam, sendo uma cozinha simplesmente mais tecnológica e mais curiosa.

Se quiser distinguir uma cozinha, não a rotule de molecular ou natural, regional ou moderna, dê-lhe o apelido que ela merece: BOA ou MÁ!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 5 de Julho de 2010

Transformar a casa em restaurante

Transformar a casa em restaurante
Por Por Vicente Themudo de Castro

É cada vez mais uma tendência do mercado e das exigências dos portugueses, servir uma refeição em casa.

Deixou de ser apenas um conceito de ir às compras, chegar cedo, investir horas na cozinha, receber os convivas, mas sempre preocupado com o forno, e depois ficam pilhas de pratos e horas de limpeza pela frente.

É giro, todos nós gostamos de receber, mas é extremamente cansativo e extenuante.

Um dia procurei opções para tornar esse dia de festa mais ligeiro e falei com um chefe altamente recomendado, chamado José Serrano. O conceito era simples. Primeiro ele vem a casa fazer um reconhecimento do local, ver as cozinhas, o serviço de pratos, talheres, copos e outros. Depois, faz a sua avaliação e apresenta os menus. Com estes, além de deliciosos pratos, vêm as opções para uma apresentação mais cuidada e, se for o caso, ainda pode incluir talheres e copos.
De repente, e depois de ver os alimentos necessários para o menu, volta o stress.

Mas rapidamente somos acalmados, quando o chefe nos explica: "Faço as compras, cozinho, emprato, coordeno o serviço à mesa e depois trato da limpeza. E, em casos especiais poderei ajudar na decoração com a consultadoria de um decorador!"

Maravilha, depois desta frase nunca mais poderei pensar em dar um jantar sem pensar no trabalho que vou ter!

E, mais importante, vou poder estar à mesa a socializar com os meus convidados. Não é esse o ponto mais importante destes eventos?

A empresa de José Serrano chama-se The Personal Chef e, no seu site www.thepersonalchef.pt, explica tudo o que pode fazer.

Paulo Corte-Real cozinha na sua casa - é o lema deste chefe que diariamente é requisitado para servir caterings personalizados por todo o país.

Desde o mais romântico jantar para namorados, até uma festa personalizada para 20 pessoas, tudo é possível, dependendo apenas dos valores que se pretende gastar.

Há de 27€, 32€ e 37€ em tabela e por pessoa e ainda inclui a compra, preparação e limpeza!

Nunca utilizei o serviço deste chefe, mas várias pessoas já me privaram rasgados elogios. Poderá ser contactado através do site www.paulocortereal.com, ou pelo telefone 919 208 702.

Apenas há três anos em Portugal, o chefe Victor Felisberto chegou da Catalunha, em Espanha, onde regularmente visitava a casa dos melhores clientes dos restaurantes que chefiava no Grupo Travi, para preparar repastos de sonho.

Em Portugal, a procura não é a mesma, mas está sempre disponível para quem quiser alta gastronomia francesa em casa.

Já trabalhou com chefes como Marck Verat, Bernard Loiseau, e agora está disponível para fazer o seu jantar através do número 912 657 240.

Já no Porto, a empresa mais conhecida é a ConfortChef, um grupo de cozinheiros que se juntou para criar experiências únicas e desafiantes a todos os seus clientes: desde cozinhar em casa, a lições de cozinha (na preparação dessas mesmas refeições), consultadoria gastronómica - ajudando a preparar o melhor menu possível e adequado à ocasião.

Assim os chefes Gonçalo Costa e Rodrigo Garrett, entram pela sua casa e tornam os aromas mais interessantes e apelativos. Basta verificar no site www.confortchef.com, ou através do número 937 367 064.

Depois de ler isto tudo, cozinhar em casa é só para quem tempo e esse tempo só mesmo os chefes é que têm.

Torne o seu jantar com amigos numa experiência gastronómica de alto nível!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Ir para fora cá dentro

Ir para fora cá dentro
Por Vicente Themudo de Castro


Subir a rua Pau da Bandeira é uma viagem aos sonhos, pois são as casas onde todos ambicionávamos viver ou ter vivido, agora transformadas em Embaixadas, Fundações, Provedorias, algumas particulares e uma que todos podemos e devemos visitar: o Olissipo Lapa Palace.

A entrada é em calçada portuguesa, com uma trança azul a entrelaçar um sol “LAPA”, e protegida por um portão metálico, que em grades finas revela a fachada de um palácio do Séc. XIX.

Depois de uma história de tristezas entre pai e filhos, o Visconde de Porto Covo decidiu vender a sua casa ao Conde de Valenças em 1877, que transformou uma bela casa num esplendoroso palácio.

Com uma vista privilegiada sobre a cidade velha e o rio Tejo, tudo foi pensando nestes dois elementos como fundo, a decoração aristocrata e linda contou ainda com as pinturas de Rafael Bordalo Pinheiro e o seu irmão Columbano.

As salas repletas de azulejos, madeiras, pinturas e pormenores de encher o olho foram preservadas, e algumas das obras foram substituídas por cópias que nada ofendem a história ou a técnica.

Assim, e depois de entregar as chaves ao porteiro que prontamente tratou das minhas malas e arrumação do veiculo, iniciei a minha viagem pelas histórias que o palácio vai revelando.

O lobby de cor dourada, chão em mármore e tectos trabalhados, é o primeiro a revelar um segredo, pois foi por aqui que muitos aristocratas e nobres pessoas passaram para dar vida ao palácio.

Fico impressionado com a simplicidade luxuosa desta primeira sala.

A frente revela uma porta de vidro, onde um biombo protege e dá privacidade ao restaurante Lapa, a esquerda tem um longo corredor que vai até ao fim da ala nova construída em 2002.

A direita divide-se entre a sala do piano, transformada em bar, e a sala dos fumadores, com uma televisão para quem não gosta de perder os jogos do mundial.

Iniciei a minha viagem para o quarto, foi-me atribuído o 550, um piso acima do lobby. Uma sala e um quarto, e uma varanda que se estendia pelos dois. A vista não poderia ser melhor, abrangendo desde um bom bocado da esquerda do castelo, ao prolongamento dos estaleiros do grande Alfredo da Silva (antigo proprietário Lisnave).

Os quarto decorado de forma sóbria, com apontamentos de época e os luxos da era actual, era mais espaçoso que os standard, mas a decoração e luxos era igual para todos.

Assim, que pude dei um passeio pelos jardins, desci ao 4ª andar, e passando pelos corredores com algumas lojas, encontrei uma porta que me dava passagem para a varanda, mesmo abaixo do meu quarto.

É fantástico o facto de, no centro de Lisboa, haver um jardim tão bonito. Ultrapassada a varanda e descidas as escadas, encontro uma sorridente pata e a sua cria, que fizeram deste paraíso a sua casa temporária. O tempo não criou vontade de dar um mergulho na longa piscina, de qualquer forma não impediu os marrecos de lá se refrescarem.

O relvado e o perímetro do palácio ainda albergam um pequeno lago em forma de riacho, cheio de tartarugas e peixes laranjas.

Ainda é cedo, vou dar um mergulho na piscina interior e fazer uma massagem no SPA.
Agora no 3º andar dou dois passos de saída do elevador e entro no local onde o físico e o espírito são tratados e acarinhados de forma agradável.

Um ginásio, 3 salas de massagens, uma dupla e outra para shiatsu. Além destas ainda tem uma para tratamentos estéticos faciais e outra que alberga o Jet Wash, equipamento que permite fazer vários tratamentos com água, incluindo o tão Cobiçado duche vichy.

Está quase a chegar a hora de jantar, e a minha mulher ficou feliz de poder usar o cabeleireiro do hotel, nem sempre está lá, mas com um telefonema e uma reserva, a cabeleireira aparece, abre a porta e faz a sua magia.

A nossa mesa estava reservada, e era mesmo ao lado do biombo, metade em sofá, metade em cadeiras - optámos por sentar na metade com mais almofadas.

O restaurante Lapa tem uma carta que se divide em quatro especialidades mediterrânicas, 6 entradas, 6 sopas e pastas, 4 peixes, 4 carnes e uma grande variedade de sobremesas. A carta de vinhos é adequada, havendo respostas e harmonizações para todos os pratos.

Do que provei e degustei, rendi-me ao gaspacho do Lapa Palace com gambas (€16), muito suave e com uma acidez bem controlada; Sopa de ervilhas da época com lavagante (€16), esta quente mas igualmente suave e o lavagante fantástico, o lombo de borrego com abóbora e aroma de café (€27), verdadeiramente fantástico, e por fim o meu preferido, o atum fresco marinado com abacate picante, crocante, salada de ervas e clementina fresca (€14).
O jovem chefe Hélder Santos com a colaboração do chefe Pimenta estão de parabéns, e penso que uma vista a este restaurante só vai beneficiar e alargar os conhecimentos gastronómicos dos comensais nacionais e internacionais.

No dia seguinte e depois de uma fantástico dia na piscina, optei não almoçar no bar de apoio à piscina, e subir as escadas, para um novo e magnifico repasto na varanda do restaurante Lapa.

Repeti o gaspacho, e comi as gambas “al allijo” (€14), que novamente eram uma ode à boa gastronomia, terminei doce com um belo tiramisú, herança certamente do anterior chefe italiano.

Deu tempo para visitar mais uns quartos, e dos 109 que compõem o hotel, além do que fiquei, mais dois ficaram para a memória: o Royal Room e a famosa Tower Room. Ambos decorados com peças de época e diferentes estilos, desde o Sec XVIII, passando pela arte Deco, e algumas raras peças dos dias de hoje.

O primeiro praticamente todo em madeira e verdadeiramente espaçoso, retrata os encantos dos tempos palacianos, com os seus altos e trabalhados tectos. O segundo, mais romântico, com acesso directo ao torreão do palácio, onde a vista se confunde com os sonhos.

Fazer férias é uma opção, mas este hotel oferece muito mais, experimente dar um presente ao seu estado de espírito e reforce as suas energias, procurando algo mesmo ao lado de casa.

Porque mesmo dentro da cidade, está muito longe do stress que rotulamos numa capital.
Eu fui, descansei e sai reforçado, e a semana até foi mais fácil.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Contactos:
Olissippo Lapa Palace
www.olissippohotels.com
Rua Pau de Bandeira, 4, 1249 - 021 Lisboa
W 9º 9' 52'' N 38º 42' 28''
Telf. Geral: (+351) 213 949 494
E-mail Geral: www.olissippohotels.com
E-mail Reservas: reservations@lapa-palace.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 21 de Junho de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Novidades gastronómicas

OJE - Lifestyle - 2010.05.17

Este é um ano que deve ser visto com muita atenção, pois a palavra crise deixou de ser moda para passar a ser quotidiano.

Frequentemente vemos as empresas a fechar, desempregados a marchar em frente a edifícios patronais e governamentais, impostos a aumentar.

A tragédia é de tal forma que nem a mãe natureza ajuda, pois o vulcão islandês ainda não se fartou de roncar e os céus da Europa ficam intransitáveis.

Curioso é que toda esta leitura da crise parece estar a passar ao lado do sector da restauração. Ora vejamos, ainda só passaram quatro meses desde o início do ano e a troca de cadeiras dos chefes está uma verdadeira loucura.

Aimé Barroyer, o famoso chefe francês, abandona o Pestana Palace e o restaurante Valle Flor, muda-se para Cascais. Aqui prepara a abertura do Hotel de Oitavos da Quinta da Marinha e o seu novo restaurante.

Vítor Claro seguiu a mesma rota, e partiu da Herdade da Malhadinha Nova, com as suas penetrantes paisagens alentejanas, rumo ao mar, assentando arraiais no Hotel Albatroz.

Rui Paula abre um novo restaurante no Porto, o DOP.

Luís Américo abre o seu primeiro restaurante próprio, oferecendo no Mesa uma carta criativa e gustativa. Ricardo Costa larga a Casa da Calçada e a sua recente estrela Michelin, e prepara-se para abrir o Hotel da Taylors, o The Yeatman.

O jovem Rodrigo Garret troca o Buhle por novas ambições, passando este restaurante a contar com a cozinha do Chefe Carlos Duran Herrera.

Henrique Mouro prepara-se para abrir, nas próximas semanas, o seu novo restaurante. Assinatura foi o nome escolhido, e todos os dias anuncia, via Facebook, a evolução das obras. Uma forma interessante de publicitar e criar afinidades ao seu novo filho.

Quanto às novidades, no que respeita a aberturas, são tantas que vai ser difícil listar todas, mas como nada é impossível aqui vai uma pequena amostra.

O Chefe Miguel Castro Silva, depois de assinar a carta da genial tasca gourmet: De Castro Elias, na Elias Garcia 190, em Lisboa, voltou a surpreender os alfacinhas agora com um novo projecto: O Largo.

A decoração de Miguel Câncio Martins é uma caixa de surpresas onde os magníficos aquários com medusas com policromia na iluminação, criam um efeito fantástico nos seus residentes.

A traça do edifício mantém-se inalterável, evidenciando os bonitos claustros, que vivem em harmonia com uma decoração moderna.

A moda também chega à restauração. Vem pela mão da estilista Fátima Lopes, que recentemente inaugurou, também no Chiado, um espaço moderno e urbano.

Muito à imagem da sua personalidade, trabalhou todos os elementos no sentido estético: desde a decoração do espaço à linha das fardas, sem esquecer os pratos e copos, criou um ambiente muito chic e urbano.

A gastronomia está a cargo do jovem chefe João Simões, que troca o Hotel Altis de Belém pelo seu primeiro projecto a solo. A sua mestria na confecção já lhe trouxe prémios, como ser campeão do mundo júnior da alta cozinha na Nova Zelândia.

No Bairro Alto, a Associação Nacional de Farmácias abre a porta do A Ver Navios, e deixa de ser exclusivo para os farmacêuticos a fantástica vista sobre o Tejo e a margem que o Miradouro de Santa Catarina oferece. Aqui podemos deliciar-nos com a cozinha do Chefe Pedro Duarte que, discreta e elegante, se afirma pelo sabor. Outro ponto interessante é a carta de vinhos e os seus preços bastante apelativos.

O Chefe Paulo Morais, incansável nos seus projectos de cozinha asiática, abre um novo restaurante entre São Bento e o Príncipe Real, o UMAI. Decorado de forma ligeira e descontraída, aponta todos os seus atributos na forma eficaz do serviço e a excelência da melhor cozinha asiática de Portugal.

O problema é arranjar mesa ao fim-de-semana, mas, se ligarmos cedo, pode ser que a sorte nos acompanhe.

Já no Algarve a surpresa reside no restaurante do clube de golfe de Monte Rei. Jaime Perez é o chefe que assina a carta do fantástico Vistas.

Discípulo e protegido do mais famoso chefe do mundo Ferran Adriá, mudou-se para o Algarve e deslumbra o palato dos mais variados comensais com as suas criativas produções gastronómicas. O espaço, decorado de forma clássica e bonita, tem uma vista verdadeiramente fantástica, ideal para um jantar romântico numa noite amena.

Dispensando apresentações, pois a sua cozinha fala mais alto que a sua voz, o Chefe Rui Paula duplicou os seus restaurantes ao abrir um novo espaço no centro histórico do Porto. O DOP é um pouco a imagem do seu irmão DOC em Armamar, cozinha regional contemporânea de sabor e mestria.

Produtos sempre frescos e, para o provar, tem uma zona de show cooking para mostrar e ensinar os seus segredos gastronómicos.

A decoração moderna, com linhas simples onde o branco e o castanho claro imperam, cria um ambiente fantástico num espaço onde o cabrito é de sonho!

O texto vai ter de terminar por aqui. Os espaços novos não, porque esses são muito mais que as linhas permitidas neste artigo. Fico convencido de que a crise não passa por este sector, pois a qualidade aumenta, a variedade é cada vez maior e, acima de tudo, a procura da excelência é cada vez mais popular.

Portugal e os seus comensais estão mais exigentes e o mercado é um espelho dessa procura.

RESTAURANTES NOVOS

Largo
Rua Serpa Pinto, 10A Lisboa (junto ao teatro São Carlos)
Tel: +351 213 477 225 / info@largo.pt
www.largo.pt







Unique de Fátima Lopes
Largo do Picadeiro, 8-B Chiado, Lisboa (junto ao teatro Mário Viegas)
Tel: +351 213 460 000 /reservas@chiadounique.com
www.chiadounique.com






A Ver Navios
Rua Marechal Saldanha,1 Lisboa
Tel: +351 213 400 600
www.avernavios.com.pt








Umai
Rua Cruz de Poiais, n.º 89 Lisboa (Miradouro Santa Catarina)
Tel: +351 213 958 057 - 919 858 680 / umairestaurante@gmail.com
restauranteumai.blogspot.com

Vistas
Monte Rei golf Club - Sitio do Pocinho – Vila Nova de Cacela
Tel: +351 281 950 950 / info@monterei.com
www.monterei.com




DOP
Palácio das Artes - Largo de S. Domingos, 18 Porto
Tel: +351 22 20 14 313 – 910 014 041 / dop@ruipaula.com
www.ruipaula.com


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 17 de Maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Facebook em prol da gastronomia

OJE - Lifestyle - 2010.05.03

O Facebook nasceu a Fevereiro de 2004, apresentando-se como uma rede social que facilitava a conversação entre amigos, família e colegas de trabalho. O seu estilo de apresentação simplista e de fácil utilização fez com que o seu crescimento, desde o dia de arranque, tivesse proporções imensuráveis, juntando os seus criadores e fundadores à lista dos mais ricos do mundo.

Hoje conta com mais de 400 milhões de utilizadores activos, no qual 50% ligam-se pelo menos uma vez por dia, cada um tendo uma média de 130 ligações e representando 500 mil milhões de minutos de ligação por mês.

Em Portugal os números são menores, mas não deixam de ser impressionantes - 1.2 milhões de utilizadores - mais de 10% da população está ligada a esta rede social.

Os valores estatísticos são tão impressionantes, que já quase ninguém pode ignorar que ela existe e que é útil para todos os sectores, quando bem manuseada.

Entre as várias aplicações, gestores de eventos, links e outros, houve uma que também teve um crescimento muito interessante - o das “páginas”.

Basicamente qualquer pessoa, empresa, entidade, marca ou comunidade pode criar de forma gratuita a sua própria “página”, com direito a uma apresentação, foto e depois começar a angariar fãs.

Esses fãs terão assim acesso a toda a informação que for disponibilizada na página, podendo não só consultá-la, comentar e ainda partilhar essa informação sem desvirtuar o autor.

Entre este grupo de pessoas e empresas, encontramos frequentemente várias ligadas à gastronomia, tornando-se não só uma fonte de pesquisa para os utilizadores, como uma forma de partilha das empresas e de promoção de pessoas e entidades. Restaurantes, chefes de cozinha, produtores de vinho, críticos, jornalistas, revistas, comensais ou apenas curiosos estão lá todos os dias, e é impossível rejeitar esta aplicação como uma nova forma de negócio.

Pedro Lemos é chefe e proprietário de um restaurante no Porto com o mesmo nome, e recentemente criou a sua página “Restaurante Pedro Lemos”.

Em pouco tempo reuniu 1.200 fãs, e massa crítica suficiente para não só ter um feedback mais imediato, como também chegar a novos tipos de clientes que só tiveram conhecimento dos seus pratos e preços através deste meio.

“O investimento é menor, não preciso de pagar por pop-ups no meu site sempre que tenho algo para anunciar, e as respostas são muito mais rápidas”, confessa o proprietário.

Já em Lisboa, o restaurante Gemelli, com 2.150 fãs, anuncia na sua página, logo que esteja decidido, os seus menus alterados semanalmente, bem como os jantares vínicos e aulas de cozinha.

Para José Caetano “esta é uma forma de divulgação muito mais actualizada e frontal. Curiosamente, o que disparou desde que começamos a usar esta forma de comunicação, foram as aulas de cozinha.

Os alunos, depois de terminarem o curso, partilham as suas experiências em forma de comentário, o que faz com que outros leiam, sintam curiosidade e adiram às aulas do Chefe Gemelli”.

Publicações especializadas e cronistas de cozinha e de vinhos com sites, blogues ou simplesmente a página, utilizam frequentemente o Facebook para chegar a mais pessoas (fãs): Time Out - 27.400, Revista Wine – 3.700, EuSouGourmet – 3.300, Revista de vinhos – 1.500, Maria João Almeida – 1.200.

Já Teresa Vivas e a sua empresa World Chefs Agency – 1.800 fãs, gere toda a vida profissional de um chefe, excepto a sua habilidade para cozinhar.

Na sua página partilha diariamente informação relevante com a área, tornando-se um local de contacto e partilha de ideias e projectos.

“Recentemente, um rapaz chamado André Azeda, chefe de um restaurante de cozinha típica portuguesa de bacalhau na Noruega, postou a anunciar este restaurante, e também arranjou uma forma de poder comunicar com os seus parceiros e compatriotas.

É uma forma não só de divulgação, mas também de partilha, e principalmente, uma forma de se mostrar e apresentar ao mundo”, revela Teresa.

Voltando aos chefes e restaurantes, Luís Américo, chefe e proprietário do restaurante A Mesa – 2.700 fãs, e Pedro Sommer do restaurante Sommer – 1.200 fãs, partilham da mesma opinião “Estas páginas trazem muitos clientes, e massa crítica ao nosso trabalho, mas é essencial que sejam mantidas vivas não só com a informação que disponibilizamos, mas respondendo a todos os comentários e perguntas deixadas no mural”.

Muitos utilizadores confessam que a manhã não é a mesma sem ouvir o “Bommmmmm Diaaaaaaaaaa” do José Tomaz, que antecede a apresentação da ementa, ou de um prato especial que a York House, com 4.000 fãs, preparou ou vai preparar para o almoço ou jantar. As suas fotos do jardim, pratos, ou restaurante são algumas que se juntam às 3 mil milhões de fotografias que mensalmente são carregadas na aplicação.

Outras empresas, como o Grupo Quinta das Lágrimas, com 7.000 fãs, anunciam regularmente descontos em produtos, ementas dos diversos restaurantes, pacotes especiais para os fãs do Facebook, maximizando esta plataforma em proveito do seu negócio.

Contabilizando, são 1.2 milhões de portugueses que em média dedicam mais de 55 minutos ao Facebook, procurando informação, interagindo com diversas pessoas e entidades, lendo e comentando quase tudo o que passa pelo mural.

Sejamos práticos: são 2.4 milhões de refeições que se podem divulgar diariamente no Facebook. Será esta uma ferramenta de negócio, ou uma rede social?

Outras páginas
Food Network – 444.444
Ferran Adriá – 24.500
Wine Spectator – 18.000
World Wide Wine Network – 11.120
Pousadas de Portugal – 10.700
Vinhos do Douro e do Porto – 4.400
Flagrante Delícia – 3.600
Restaurante Buhle – 3.250
Tivoli Hotels & Resorts – 3.150
StarChefs.com – 3.000
Restaurante Monte Mar – 1.400
Quinta do Crasto – 1.300
Garrafeira Nacional - 900

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 3 de Maio de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Alta Cozinha no Funchal

OJE - Lifestyle - 2010.04.26
Fotografia de Henrique Seruca

Foi no Il Galo D'Oro, no hotel Cliff Bay, na Madeira, que foi servido o primeiro de uma série de 12 jantares espalhados pelo país.

Durante anos, sempre que me desloco à Madeira, ouço que finalmente vão organizar um festival gastronómico, em que os planos são muitos, mas a acção é nula.

Farto de ver as coisas a não acontecerem, um grupo privado do Funchal iniciou contactos e, através de um conjunto de intenções e boa vontade, chegou-se a uma ideia. Era tão simples e dinâmica que não foram necessárias muito mais do que umas escassas dezenas de horas para se reunir um conjunto de sins e transformar dezenas de reuniões goradas em algo prático.

Foi no Il Galo D'Oro, restaurante galardoado com uma estrela Michelin, no hotel Cliff Bay, que se serviu, nas passadas quinta e sexta-feira, os dois primeiros de uma série de 12 jantares espalhados pelo país.

Os Chefes que prepararam o fantástico repasto foram os estrelados Benoît Sinthon, anfitrião e Chef da casa, e os convidados Joachim Koerper do Eleven e a jovem estrela nacional José Avillez do Tavares.

Ao programa deram o nome "Na Rota das Estrelas" e o conceito é inovador, arrojado e, no entanto, simples.

Seis restaurantes galardoados com estrelas Michelin uniram-se em prol da gastronomia e convidaram a juntar, em cada uma das suas cozinhas, outros dois Chefes para assim elaborarem um menu único, juntando, na mesma ementa, as suas diferentes criações, através das quais ganharam o tão prestigiado "macarron" do guia vermelho.

O impacto deste evento não vai ser apenas para o público, que poderá usufruir, numa só ementa, de vários pratos elaborados por três dos melhores Chefes a trabalharem em solo luso.

Também os Chefes aqui ganham, pois têm não só a oportunidade de conferenciar e trocar técnicas e experiências diferentes, como de descobrir um pouco dos produtos regionais e as suas formas de confecção.

Na passada quinta-feira, na Madeira, fui um dos privilegiados a ter a oportunidade de assistir à reunião, confecção e posterior degustação de uma ementa de sonho.

O primeiro prato era o amouse bouche preparado pelo Chefe Benoît - uma pequena mousse com sabores do mar, em que a fresquidão dos mariscos revelava-se bastante interessante a cada garfada. Seguiu-se a entrada - foie gras com pêra quase bêbada e espuma de torradas com manteiga do Chefe Avillez.

Depois foi o Chef Koerper que brilhou com a sopa de lavagante assado com alcachofras em espelho de vinho do douro.

A supresa de limão com pimentos vermelhos, o carré de borrego em crosta de ervas e jarret confitada, moussaka de legumes e alho recheado, e finalmente a sinfonia de chocolate: souflé tainori, sorvete de framboesa e chocolate branco "ivoire", mini mil-folhas choco-laranja, "coulis" de framboesas foram todas confeccionadas pelo Chef Benoît, apesar de, na sobremesa, contar com a ajuda do seu Chef pasteleiro Yves Michoux.

Após todas estas referências, aposto que o senhor leitor está à procura do telefone para fazer a reserva para o próximo jantar, que está agendado para o restaurante Tavares nos dias 29 e 30 de Abril, e posso adiantar que os convidados do Chef Avillez são os Chefes Albano Lourenço, das Arcadas no Hotel Quinta das Lágrimas, e o Hans Neuner, do Ocean no Hotel Vila Vita.

Voltando ao jantar que eu tanto gostei, gostaria de realçar o excelente trabalho que o multi-premiado enólogo da Madeira e de vinhos da Madeira, Francisco Albuquerque, teve na escolha de vinhos para este repasto.

As mesas repletas de comensais não disfarçavam o ar de prazer e de deslumbre, não só visual como gustativo. Sejamos francos, não é todos os dias que se pode ter acesso a tão alta e variada gastronomia num só jantar.

Dessas caras encontravam-se ilustres comensais, como o Presidente do Governo Regional, a Secretária Regional de Turismo e Transportes, e o Presidente da Câmara do Funchal, que tiveram direito a uma pequena homenagem e tributo pelo excelente trabalho realizado após a tragédia de 20 de Fevereiro.

Para António Trindade, CEO do grupo Porto Bay, "este é um momento muito importante, não só para a gastronomia portuguesa, como uma lição de que, quando há vontade, as barreiras tornam-se de algodão. Seis empresas do sector privado juntaram-se e, sem qualquer investimento a não ser o da boa vontade, criou-se um evento sem precedentes que garantidamente vai ter continuidade nos anos vindouros".

Os Chefes José Avillez e Joachim Koerper foram da mesma opinião: "É uma oportunidade única de aprender com os meus colegas, de conhecer um pouco mais da cozinha praticada na Madeira. E, de certa forma, conhecer um pouco melhor esta ilha que tanto encanta os seus visitantes"

Já Benoît Sinthon revela: "Não posso esconder a emoção com que recebo os meus colegas na minha casa, bem como da importância que este evento tem para a minha equipa. Há pessoas que foram comprar roupas novas para se apresentarem no seu melhor. É algo de diferente, e todas as equipas precisam de algo de novo para motivá-las"

Agora é só ver o que vem a seguir na rota das estrelas - http://rotadasestrelas. blogspot.com/.

CALENDÁRIO
29 e 30 de Abril
Tavares
Rua da Misericórdia 37 - 1200-270 Lisboa
+351 213 421 112 www.restaurantetavares.pt
W 9º 8' 34,7'' N 38º 42' 40,5''

13 e 14 de Maio
Arcadas
Rua António Augusto Gonçalves Apartado 5053, 3041-901 Coimbra
+351 239 802 380 www.quintadaslagrimas.pt
W 8º 25' 56,6'' N 40º 11' 55''

23 e 24 de Maio
Ocean
Alporchinhos 8400-450 Lagoa
+351 282 310 100 www.vilavitaparc.com
W 8º 22' 45'' N 37º 6' 6''

27 e 28 de Maio
Fortaleza do Guincho
Estrada do Guincho 2750-642 Cascais
+ 351 21 4870491 www.guinchotel.pt
W 9º 29' 0'' N 38º 42' 32''

3 e 4 de Junho
Eleven
Rua Marquês da Fronteira Jardim Amália Rodrigues - 1070 Lisboa
+351 213 862 211 www.restauranteleven.com
W 9º 9' 22,7'' N 38º 43' 50,2''


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 26 de Abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Peixe já está em Lisboa

OJE - Lifestyle - 2010.04.13

Foi no passado sábado que teve início a 3ª edição do evento Peixe em Lisboa. As honras de abertura foram atribuídas ao Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que ao chegar e acompanhado pelo director do evento, Duarte Calvão, não dispensaram a visita completa a todo o espaço cumprimentando e felicitando todos os expositores.

A ideia desta festa da gastronomia é simples. Ao adquirir a entrada (€15) tem direito a um copo de vinho "tescoma" e ainda a uma ou duas senhas de degustação consoante a hora ou dia.

Inicie o seu percurso numa prova de vinhos, e daqui pode seguir para os restaurantes para acamar o estômago. Mas a tentação do corredor seguinte é forte, primeiro dá de caras com a Açucena e o seu peixe e marisco sempre frescos, depois pode perder-se no meio dos presuntos, queijos, azeites, doçaria nacional, utensílios de cozinha e uns fantásticos chocolates da NewTree que fazem as delícias dos mais gulosos.


Seguem-se os primeiros restaurantes e chefes: Spazio Buondi/Nobre da Justa Nobre, o Tavares de José Avillez que não pára de espantar, o Ramiro e as suas fantásticas gambas à la guillo, a York House e o Nuno Diniz com uns espantosos pastéis de lampreia, a Tasca da Esquina de Vítor Sobral e uns cuscuz fantásticos, a Fortaleza do Guincho de Vicent Fargés a apresentar um cheviche de sonho, terminando a ronda com o Eleven e o Joachim Koerper que têm um risotto de vieiras de chorar por mais.


Os preços das degustações começam em €5, e terminam nos €8, e as senhas podem ser compradas em diversos pontos do evento.


Segue-se caminho e enche-se o copo de vinho no José Maria da Fonseca. Aqui a gama está toda presente e o preço começa nos €1,50 podendo aumentar com as reservas e espirituosos.

Depois de degustar e beber um vinho, ou mais, é tempo de mudar de piso. Subindo e depois de passar pelas águas das pedras e algumas cervejas dá de caras com o Paulo Morais e o seu novo restaurante UMAI, que promete abrir portas no dia 23.

Segue-se o mercado de Santa Clara, o Panorama do Sheraton e Leonel Pereira com uma moqueca de cortar a respiração, o Ribamar do Helder Chagas e as suas criações do mar e, por fim, um espaço rotativo entre A Travessa, Padaria e Altis Belém.

Ao canto avistamos o espectáculo dos cocktails: garrafas, copos e shakers pelo ar, muita animação e cor e um dos mais fantásticos cocktails de todo o país.

Quanto a workshops, já por lá passaram vários e outros virão, o chefe Claude Troisgros já encheu o auditório, mas também outros fizeram furor: António Nobre, Rui Paula, e outros como Alex Atala, Bel Coelho, Hans Neuner prometem dar espectáculo.

Hoje pode contar com as apresentações dos chefes Miguel Castro e Silva (18h), e Bel Coelho (19h30), Aulas de cozinha asiática com o Paulo Morais e ainda outras actividades.

Não fique em casa e vá ao peixe. Para motivá-lo a ir, os primeiros 20 e-mails que chegarem à caixa postal gourmet@live.com.pt, recebem uma entrada dupla gratuita, bastando para isso que o o titulo diga: "Eu Quero Ir ao Peixe em Lisboa". (atenção já foram todas atribuídas!)

PASTÉIS DE NATA
Amanhã é dia da prova do Pastel de Nata. São 14 os pasteleiros que apresentam e sujeitam à apreciação centenas de pastéis de nata ao público presente, e para isso basta estar por lá às 15h. Vêm da Casa Suíça, Cristal, Chique de Belém, Versailles, Hotéis Altis, Ritz e Palácio, Prisão do Linhó e muito mais.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vinho do Porto 100% Biológico

OJE - Lifestyle - 2010.04.12

Beber o vinho para degustar, ver a vinha para acreditar.


Nos anos oitenta, quando ouvi o meu pai a falar pela primeira vez em agricultura biológica, fiquei um bocado céptico, pois falava-se num conceito que estava a ficar muito na moda no centro da Europa e na América do Norte e pouco mais. Mas para mim era uma conversa de moda e não de conceito.

Com o passar dos anos, segui com muita atenção a evolução do biológico, e pouco a pouco tive que mudar mesmo a minha opinião, pois era frequente começar a ver as prateleiras dos grandes hipermercados a vender um ou outro produto com essa certificação.

Hoje, quando entro numa grande superfície vejo corredores dedicados ao tema, lojas em que a única venda é o produto biológico, e frequentemente nos restaurantes vemos na lista num parêntesis já com destaque “Certificação de Produto Biológico”.

É certo que os produtos inicialmente eram muito mais caros, mas a garantia de ausência de pesticidas e herbicidas, não só no produto, mas também na terra de onde foram produzidos, fizeram as pessoas pensar de uma forma mais ecológica.

Das cebolas, batatas, tomates e outros que inicialmente deram os primeiros passos, começou-se a ver a entrar para o lote um novo conjunto de produtos, um dos quais a vinha, a uva e o vinho.
Pois pela primeira vez na vida, bebi um vinho do porto 100% orgânico e totalmente certificado, e de uma viticultura que, além de estar na região demarcada do Douro, é agora sustentável.

Fico contente por poder divulgar aqui que a Fladgate Partnership, proprietários de vinhos como os muiti-premiados “Fonseca”, as eternas referências “Taylors”, e a sua mais recente aquisição “Croft”, criou uma politica para uma região demarcada do Douro sustentável e segue-a à risca.
Certo que os custos de produção aumentaram em valores muito acima da média, e os resultados da exploração diminuíram 15%, mas na realidade ainda é algo que se está a estudar e com o tempo certamente que esses valores inverterão.

Para já, podemos ver que a natureza e as margens do Douro estão a responder positivamente, pois o aspecto paisagístico está visualmente mais alegre e com um ar mais “sustentável”.

O resultado foi um vinho Fonseca que nada deve aos mais de 300 anos de tradição desta empresa, chama-se “TERRA PRIMA PORTO RESERVA ORGÂNICO”, e já recebeu os melhores comentários da imprensa internacional e nacional.

A explicação pode ser complexa mas assenta num estudo do passado, nos erros dos últimos vinte anos, e num estudo diário para descobrir uma melhor forma, mais rentável, mais ecológica de produção, sem nunca perder as qualidade principais a que este vinho licoroso se obriga.

Pois se acha que a conversa é muita e a explicação é pouca, faço o desafio de ir lá e ver com os seus próprios olhos aquilo que vou descrever nas próximas linhas.

A viagem até ao Pinhão pode ser de carro de Lisboa (A1, A4 e A23), Porto (A4 e IP4, A7, A25 e A24), de avião de Lisboa ou Bragança, ou então faça a fantástica viagem subindo o Douro de barco e pare no cais do Vintage House Hotel (www.csvintagehouse.com) para pernoitar e descansar.

O Eng. António Magalhães, responsável pela manutenção da vinha, e o enólogo David Guimarens responderam ao apelo do pai do David – Bruce, e meteram mãos à obra, iniciaram na quinta do Panascal, depois na de Santo António e agora também a Roeda, criando um espectáculo económico, paisagístico, e acima de tudo, vínico sem precedentes.

Quem conhece o Douro e as suas margens sabe bem a dificuldade que é trabalhar esta região, mas difícil não é impossível. Tiveram de enfrentar os grandes inimigos desta região como os socalcos e os seus patamares, o calor intenso do verão, a erosão constante das chuvas, as doenças, as pragas, sem usar qualquer herbicida, pesticida ou qualquer composto químico que destrói a terra, e certamente não fará bem à saúde.

As propostas foram: na vinha ao alto em encosta com declive de 35% a 40% criaram desnivelamentos dos talhões de vinha, com comprimentos úteis de plantação de 50 a 80 metros, e estradas de trabalhos com declive longitudinal de 2% a 4%, relvamento semeado temporariamente de aveia e ervilhaca para conservar a humidade do solo e defender da erosão; nos patamares estreitos em encostas com declive superior a 40%, criaram linhas de 2,5 metros de largura e só uma linha de videiras (oposto ao aconselhado no programa de 80 que recomendava 2), patamares com inclinação longitudinal de 3% (a inclinação é garantida por equipamento laser que controla os bulldozers na preparação do solo), e deixam que aconteça o relvamento espontâneo dos taludes (controlado mecanicamente) para controlar a erosão.

Facilmente vemos uma “erva daninha” a conviver com a videira, deixando de ser considerada um inimigo mas sim um aliado, não obrigando o uso dos tais químicos que já tanto descrevi.

Outro pormenor delicioso é o local onde são plantadas certas castas, as mais resistentes como a touriga francesa necessitam de menos preocupação e vão para solos mais baixos, a tinta roriz, que é talvez a mais sensível e delicada, tem como sulfato natural do oídio o vento, logo é plantada nas zonas de maior altitude para aumentar a exposição, a escolha de solos pobres também é importante para controlar o excesso de produção de certas castas. Pontos fortes, pontos fracos são história e a linguagem é ecossistema, paisagem, vinha, e claro um melhor vinho.

“A viticultura biologia é uma prática importante sobre espaço em courela de forma a entenderem a sua importância na natureza e para se caminhar para uma cultura sustentável nas restantes vinhas.”, confessa David Guimaraes.

“O vinho do porto é mais do que uma indústria vínica, é a sustentabilidade económica de mais de 100.000 famílias na região do Douro, e é tempo de pensar que se ela desaparece, não é só o vinho do porto que se vai, é toda uma região que entra em colapso económico.”, refere Adrian Bridge CEO da Fladgate Partership.

Depois do que vi acredito que este é o caminho do futuro, pois o desenvolvimento da viticultura biológica sustentável, é de certa forma abraçar o passado, reconhecer os erros do presente, e começar a pensar no futuro.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Peixe Volta a Lisboa

Começa já no próximo sábado, dia 10 de Abril, no Pavilhão de Portugal em Lisboa, a 3ª edição do evento gastronómico Peixe em Lisboa.

Este ano, além das apresentações dos grandes chefes a trabalhar em solo luso, em que se incluem Alexandre Silva do Bocca, António Nobre do M'Ar de Ar, Hans Neuner do The Ocean, Leonel Pereira do Sheraton, Vitor Sobral da Tasca da Esquina, o evento vai dar um ênfase especial ao Brasil, convidando alguns dos nomes mais sonantes da cozinha brasileira e internacional.

Alex Atala, Bel Coelho, Claude Troigos, Beto Pimentel, Mara Salles e Tsuyoshi Murakami são nomes que vão marcar presença no auditório central, fazendo show cookings demonstrando toda a sua técnica, criatividade e arte.

O chefe catalão Joan Roca, distinguido com três estrelas Michelin no restaurante Celler de Can Roca, é um dos convidados que também mostrará ao público português a sua destreza culinária. Marco Canora é também convidado e promete originalidade na sua apresentação de cozinha ao vivo.

São doze, os restaurantes permanentes e três rotativos que diariamente, das 12 às 24 horas, vão estar em serviço contínuo, apresentando as suas melhores criatividades em torno do peixe e marisco, sendo uma oportunidade única de degustar as criações de alguns dos melhores chefes nacionais a partir de €5 por degustação.

Este ano, entre vários poderá contar com a presença de restaurantes como o Eleven, Fortaleza do Guincho, Tavares, York House, Cervejaria Ramiro, entre outros. As entradas têm preços diferentes se compradas para um dia: €15 com uma degustação de €5, fim-de-semana €25, cinco dias úteis €60, nove dias €100, e ainda há preços especiais para grupos acima de cinco pessoas.

Além dos shows cookings e dos restaurantes presentes, pode assistir a cursos de cozinha para adultos ou crianças, workshops de gastronomia e vinhos, provas com especialistas, espectáculos de cocktails, degustação de vinhos, cervejas, espirituosos, águas e cafés, música ao vivo e muito mais.

No dia 13 de Abril às 15h, será prestada uma homenagem à grande referência da crítica gastronómica portuguesa, David Lopes Ramos, pelo seu excelente e valioso contributo na imprensa generalista e especializada, bem como nos diversos livros publicados.

"Não querendo parecer um falso modesto, sinto-me honrado pelo reconhecimento, mas sou uma pessoa que recorre mais à descrição. Esta vai ser, sem dúvida, uma boa oportunidade de reunir a família e os amigos e poder estar com quem gosto", confessa o crítico.

Duarte Calvão vai, assim, novamente dirigir um evento de nove dias, em que o peixe e a gastronomia nacional são vividos intensamente e já se tornaram uma referência internacional.

Quer peixe? Então vá ao Pavilhão de Portugal entre os dias 10 e 18 de Abril.