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domingo, 18 de dezembro de 2011

Finalmente é Sexta-feira


Dar um pulinho à outra margem, aprender a cozinhar de uma forma divertida, ouvir um concerto exclusivo do Tiago Bettencourt num hotel de charme, diversificar o cozinheiro amador que está dentro de si ou apreciar um fantástico tinto, são algumas das minhas sugestões para este fim-de-semana.

Niguém pára o Chefe Cordeiro


Depois do sucesso do Masterchef, onde foi o presidente do júri, e de ter recebido uma estrela Michelin para o restaurante Feitoria em Lisboa (sendo a segunda vez que é distinguido com este galardão), é agora tempo de publicar o seu livro de receitas. 

Querendo distinguir-se um pouco do que já se vê muito pelas livrarias, a proposta é simples, mas inovadora: receitas para os cozinheiros amadores. "O meu livro nasce da vontade de partilhar um pouco do que sei, mas, sobretudo, o que me delicia na cozinha. Sendo transmontano, sou naturalmente um bom garfo com especial apreço pelo que é português", esclarece Cordeiro que, depois de estar diariamente a gravar com vários cozinheiros amadores no Masterchef, inspirou-se, fazendo um livro para aqueles que adoram cozinhar e têm paixão pela cozinha, os quais apelida de cozinheiros amadores.
 

PVP: €19,90
 

Restaurante Atira-te ao Rio
 

Há restaurantes no nosso país que são verdadeiramente fascinantes, e o "Atira-te" é um desses fenómenos! 

No Cais do Gingal, sentado na esplanada ao som do rio "mixado" com os ritmos alegres do Brasil, a vista sobre a cidade de Lisboa é verdadeiramente apaixonante. 

Na mesa, os sabores têm uma forte veia canarinha e, para quem gosta de uma boa feijoada à brasileira, aos sábados há sempre muita e boa, e só param de servir quando estiver satisfeito. 

Mas, para quem prefere outros sabores, a carta oferece muita variedade, desde os bolinhos de bacalhau ou aos mexilhões à la moqueca, passando pelos compostos pratos de peixe e carne com um gostinho ao Brasil.
 

Cais do Ginjal 69/70, Almada
T: 212 751 380
www.atirateaorio.pt
Preço médio €23

Convento do Espinheiro e a Tasca do Chefe
 

Não há nada como simplificar e voltar às origens de uma forma educativa, e foi isso mesmo que aconteceu em Évora, no Covento do Espinheiro. 

A formula é simples e bastante atraente: convidar os cliente a petiscar os sabores do Alentejo, cozinhando com o chefe Mourão. 

O forno é de lenha, a mesa corrida de madeira, o ambiente é informal, e todos podem cozinhar uns ovos mexidos com farinheira, uns cogumelos salteados com ervas, muita caça, sempre a conversar e aprender como fazer na companhia do chefe. 

Para tal, quando chegar ao hotel ou na altura da reserva, mencione a tasca do chefe e divirta-se a comer e a aprender.
 

Convento do Espinheiro Hotel & SPA 
7002-502 Évora
T: 266 788 200
www.conventodoespinheiro.com

Abandonado 2005
 

Produzido das castas Tinta Amarela, Touriga Franca, Tinta Nacional, outras de vinhas com mais de 80 anos, é um vinho único e verdadeiramente extraordinário. 

Estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho português e francês, seguido de um estágio em garrafa de 12 meses, tendo um potencial de envelhecimento de mais de 20 anos. Poderia estar aqui a falar de aromas, persistência ou outras notas técnicas, mas vou resumir tudo a um parágrafo. 

É um vinho macio, elegante e apaixonante, sendo excelente hoje, amanhã ou daqui a vários anos, estando pronto para beber, seja para apreciar de forma isolada ou a acompanhar pratos robustos de carne ou de caça. 

Sirva entre os 17ºC e os 18ºC e decantado pelo menos com uma hora de antecedência.
PVP: €45,00

Unique Stays e Tiago Bettencourt
 

Aqui está uma ideia diferente, onde se combina uma escapada, um jantar, um serão com concerto e ainda o contributo para uma campanha de beneficência Ajudar a Ajudar. 
Os hotéis escolhidos são a Quinta da Palmeira, em Arganil; o Imani Country House, em Évora; e Memmo Balieira, em Sagres, todos com um programa de estadia, jantar e um concerto do Tiago Bettencourt exclusivo, onde o músico vai apresentar o seu novo trabalho. 
Trata--se de um livro e CD lançado pela primeira vez numa forma original em três pequenos hotéis de charme. 
Os preços variam entre os €102 e os €197, dependendo de se pretende só jantar e serão, ou alojamento e serão ou o mais completo alojamento, jantar e serão.
 

As reservas podem ser feitas através do site www.uniquestays.pt/concertos-unicos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Dezembro de 2011 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ainda sobre as estrelas Michelin…

Estive uns dias fora e tive tempo de pensar melhor em todo este espectáculo triste que é a atribuição de estrelas Michelin! Já passou o tempo em que olhávamos para o guia vermelho e tínhamos a certeza de que os que por lá vinham distinguidos eram os melhores entre os melhores, se faltava algum era porque ainda não tinha sido visitado – um azar!
Outro ponto que era sempre certo era que, como os inspectores são todos espanhóis, havia sempre uma maior tendência a distinguir os restaurantes dos nuestros hermanos preterindo os nossos.
Nos últimos anos tenho assistido ainda a um decréscimo maior em relação à nossa alta gastronomia vista pelos olhos dos tais inspectores – sendo os pontos de cocção um dos temas mais controversos! 
Lá porque do outro lado da fronteira gostam de comer o peixe cru, num estilo muito estranho de sashimi, não quer dizer que aqui também se coma da mesma forma. Aliás, só mesmo em Espanha é que se aceita alguns pontos de cocção, seja em que alimentos for, e acha-se o máximo. 
Nós e o mundo gostamos dos nossos pontos de outra forma e lá porque esteja na moda comer quase cru muitas das proteínas, não quer dizer que seja sempre agradável.
Este ano o guia conseguiu a proeza de acertar em cheio em algumas das estrelas, falhar redondamente naqueles que mereciam e catastroficamente em alguns que mantiveram.
Começo pelas injustiças: se a terceira estrela para o Vila Joya e a segunda para o Fortaleza do Guincho já são merecidas, a estrela que ainda não foi dada ao Panorama do Sheraton Lisboa e ao chefe Leonel Pereira é perfeitamente absurda!
Será que estes senhores têm alguma coisa contra este talentoso chefe? Não há justificação para não distinguir um dos mais talentosos chefes lusos da actualidade.
Tenho de dar os parabéns ao Guia porque deu uma estrela ao Feitoria e uma nova ao Ocean, passando assim para duas!
Outra situação que não se percebe é a manutenção das estrelas do Tavares em Lisboa e do Willies em Vilamoura. O Tavares baixou o standard, criando menus económicos, o que não abona em seu favor, e depois mudou de chefe e de rumo – quem ganhou a estrela foi a criatividade do chefe José Avillez e não o conservadorismo do francês Aimé Barroyer, que apesar de todo o seu mérito como grande mentor de muitos chefes da nossa praça, não há razão para manter a estrela. 
Depois o Willies, esse leva-nos a pensar se os inspectores vão mesmo lá! Além de uma cozinha que me agrada e não me desaponta, não me deslumbra certamente, e para rematar a negatividade, o serviço de sala é tão medíocre que não me leva a perceber a escolha neste espaço. 
Posso apontar vários no Algarve que fariam o guia ter muito mais credibilidade, como o Pequeno Mundo em Almancil, o Vistas em Cacela Velha, Ou o Emo em Vilamoura – francamente não consigo perceber.
O São Gabriel apesar de mudar de chefe como quem muda de carta, tem mantido o alto padrão de gastronomia, e apesar de por vezes manter a porta fechada por muito tempo, quando a abre, fá-lo em estilo!
Depois a novidade, uma estrela para o Yeatman, pouco mais de um ano de trabalho e já dá direito a estrela, se é merecida? Isso nem contesto, porque o trabalho do chefe Ricardo Costa já é conhecido e reconhecido pelos inspectores, mas se 14 meses de vida são suficientes para não terem dúvidas, porque será que alguns com mais de 36 meses de excelência não o merecem? Qual será o critério?
Vou dar o benefício de mais um ano ao guia Portugal & Espanha da Michelin, se para o ano não assistir a justeza e honestidade, banirei a menção ao guia vermelho em todos os meus escritos a partir dessa data. Haja honestidade e, acima de tudo, integridade. 
As pessoas não são estúpidas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As estrelas michelin 2012

Hoje em Barcelona foram reveladas as novidades do Guia Michelin Portugal e Espanha para 2012, e como eu já tinha previsto anteriormente, este seria um ano de mudança em Portugal, principalmente para melhor! Não só ganhamos duas novas “uma” estrela Michelin, como o guia vermelho estendeu para dois, os restaurantes com “duas” estrelas Michelin. 

Assim para novidades e com uma estrela Michelin, temos o restaurante Feitoria – Hotel Altis Belém sob o comando do meu amigo e talentoso Chefe Cordeiro, e o restaurante do Hotel Yeatman com o jovem e talentoso Ricardo Costa. Facto curioso é que em ambos os casos é a segunda vez que são galardoados e distinguidos pela Michelin. Já com duas estrelas, houve mais uma entrada e desta feita foi para Porsches no Algarve e para o restaurante Ocean – Hotel Vila Vita Park, onde o comando das tropas recai sobre o talentoso Hans Neuner.

Se para estes não havia dúvidas, ficaram para mim duas lacunas na reduzida lista: restaurante Panorama do Hotel Sheraton Lisboa onde o trabalho do Chefe Leonel Pereira mereciam e merecem a distinção, e para o restaurante do Hotel Fortaleza do Guincho onde a segunda estrela teima em aparecer, e para mim a equipa comandada pelo Chefe Vincent Farges já mais do que merece – tem direito "a"!

Como seria de esperar o restaurante Amadeus em Almancil perde a estrela, mas com as portas fechadas não há milagres!

A lista complecta para 2012 e Portugal: Duas estrelas – “Ocean” (Porshes), “Vila Joya” (Albufeira); Uma estrela - ”Feitoria” e "Tavares"(Lisboa), "Willie's" (Quarteira),  "São  Gabriel" e "Henrique Leis" (Almancil), "Il Gallo d'Oro"(Funchal),  "Arcadas da Capela" (Coimbra), "Casa da Calçada" (Amarante), "Fortaleza  do Guincho" (Cascais) e “The Yeatman” (Vila Nova de Gaia).

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Uma varanda para a cidade

Quando alguém me envia para um restaurante e eu vejo, na morada, que é num sétimo andar, associo logo o espaço a um hotel, pois é comum estes aproveitarem os últimos pisos, principalmente se for em Lisboa, para assim poderem usufruir de uma vista sobre a cidade.

Cheguei e fui logo recebido por um senhor que se encarregou de encaminhar-me, a mim e ao meu carro, para o estacionamento reservado ao "União", na rua Castilho. À hora do almoço, este tipo de iniciativa é sempre bem-vinda.
 

Uma subida de alguns segundos até ao topo do edifício, alguns metros de corredor e entro na sala de jantar.
 

A vista não podia ser melhor, o Castelo de São Jorge como pano de fundo, a cidade de Lisboa a completar o cenário e uma cara sorridente a dar as boas-vindas. Cara essa que pertence ao proprietário Antero Jacinto, homem com muita sabedoria no métier, depois de vários anos no mítico e já saudoso Bachus (agora Bistro 100 Maneiras), o grandioso Alfa (agora Hotel Corinthia), que já conta com quase 13 anos no Varanda de União.
 

No Varanda, o estilo que Antero sempre abraçou foi a cozinha tradicional portuguesa de sabor e rigor, e, quem lá vai, sabe bem o que procura e sai sempre com as expectativas cumpridas.
 

Sentei-me à mesa perto da janela (que mais parece um miradouro) e iniciei a minha degustação. O primeiro a chegar foi um prato que muito nome deu a várias casas de Lisboa: Ovos à professor.
 

Rigor e consistência saltaram-me logo à memória! Ovos no ponto, enchidos a enriquecer o sabor, o suficiente para agradar o mais exigente dos gastrónomos. O que é bom normalmente é simples e eficaz.
 

Apesar de a carta ter muitos clássicos da nossa gastronomia, como Sapateira Recheada, o Bacalhau à Varanda, os Filetes de Linguado à Castilho e, nas carnes, Arroz de Pato à Antiga, Rim de Vitela com molho de mostarda ou os Nacos de Vitela com Lagosta à Varanda, optei pelos pratos do dia.

Primeiro, chegaram os filetes de polvo, acompanhados por um arroz guarnecido com o próprio molusco. Tenros, com um polme adequado às expectativas e um arroz quase malandrinho, em perfeita harmonia com o prato.
 

De seguida, veio o cabrito com batatas em cebolada e arroz de miúdos, mais uma vez a respeitar as tradições, bem temperado, carne macia e o arroz de miúdos muito aromático - um regalo ao palato.
 

E porque tanta comida não poderia dispensar um vinho, escolhi de uma carta interessante, onde os Douros e Alentejanos estão em maior quantidade e diversidade perante as restantes regiões. A escolha recaiu num Douro, o Maritávora Tinto, que se fez acompanhar bem durante toda a refeição.
Para as sobremesas, as opções eram entre o Papão de anjo, um bolo de chocolate, uma salada de frutas, tarte de limão merengada e um toucinho-do-céu. Optei pelo último, e não me arrependi!
 

Ministros, advogados e diplomatas eram vários ao almoço. Segundo me apercebi, é costume aparecerem por lá, e é fácil perceber por quê.
 

Lisboa tem muitas preciosidades gastronómicas e a Varanda da União é certamente uma das que merece ser a sua próxima visita.
Detalhes

Restaurante Varanda da União
Rua Castilho, 14 - C 7.º
1250-066 Lisboa
N 38º43'13'', W 9º08'58''
+351 213 141 045
varandadauniao@sapo.pt
Horário: Encerra aos domingos o dia todo e Sábados e Feriados ao almoço. Aberto das 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 23h30
Preço médio: €30
Tipo de Cozinha: Tradicional
Cartões: Todos


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 23 de Novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Portugal é um grande país! 

Podem vir crises, sejam elas económicas, políticas ou desportivas que, por piores que sejam, damos sempre a volta por cima.

Eu tenho orgulho em ser português e não renego as minhas origens. 
Poderão estar a pensar a razão desta introdução, mas, a menos de uma semana da saída do tão cobiçado guia Michelin 2012 para Portugal e Espanha, sei que, qualquer que seja a decisão, devemos sair sempre de cabeça erguida.

Depois do desaire do ano passado, em que perdemos um dos nossos estrelados e não ganhámos nada em troca, este tem de ser o ano da reviravolta.
Acredito que, este ano, anunciem a perda de uma estrela, dois restaurantes ganhem uma, e dois dos estrelados poderão e têm qualidade para receber a segunda.

Em forma de sugestão, aqui ficam os restaurantes que merecem a atenção do senhor leitor e do guia Michelin. Faça o seu próprio juízo de estrelas.

Panorama (Lisboa)

Ninguém tem dúvidas de que, no último andar do Hotel Sheraton de Lisboa, reside o mais provável candidato a uma estrela do guia vermelho. 
O chefe Leonel Pereira e o seu gastronómico Panorama há anos que trouxeram, à capital, a criatividade e a alta gastronomia, sempre com um twist de influências algarvias. 
Nas suas recentes criações está uma canja de galinha de chorar por mais. 
Em tudo o que cria há sempre um pouco da sua infância
e origens espelhadas nos pratos.

Rua Latino Coelho 1 1069-025 Lisboa
T: 213 120 000
www.sheratonlisboa.com
Yeatman (Vila Nova de Gaia)


Desde que abriu o seu primeiro projecto hoteleiro, a companhia de vinhos do Porto Fladgate nunca escondeu as suas ambições de sere a referência hoteleira e eno-gastronómica do Norte. 
Para consolidar o projecto, foram buscar o já estrelado chefe Ricardo Costa à Casa da Calçada e, juntos, abraçaram esta causa ambiciosa. 
Uma sala bonita com um serviço exemplar, uma cozinha de excepção que poderá ter o seu único handicap na rudeza da sommelier da casa.

Rua do Choupelo (Sta. Marinha), 4400-088 Vila Nova de Gaia, Porto
T: 220 133 199
www.the-yeatman-hotel.com

Fortaleza do Guincho (Guincho-Cascais)

Há quem apelide este local de clássico, e não há nada de mal nessa observação. 
Este restaurante é um verdadeiro clássico da cozinha francesa e, apesar de ter a colaboração do três estrelas Michelin Antoine Westerman, a responsabilidade máxima deste feito cabe ao chefe Vincent Farges, que diariamente comanda a cozinha que deslumbra o nosso palato. 
Para acentuar o facto de grandeza, temos de incluir o exemplar serviço de mesa, uma das mais diversificadas cartas de vinhos em Portugal e uma vista sobre o Oceano de cortar a respiração. 
Muitos clássicos franceses, mas muito produto da nossa costa - uma simbiose perfeita. 
Venha lá essa segunda estrela.

Estrada do Guincho
2750-642 Cascais
T: 214 870 491
www.guinchohotel.pt

Ocean (Porches-Algarve)

Já começam a faltar-me adjectivos para descrever não só o restaurante como o seu serviço de sala, de loiça e de copos, a fantástica carta de vinhos, a forma exemplar de como os néctares são tratados e servidos e, claro, a admirável cozinha do chefe Hans Neuner. 
Aqui não há espaço para errar, pois tudo é pensado, executado de forma repetitiva até chegar ao padrão mínimo: a perfeição! 
Não tenho dúvidas em apontar o Ocean como o mais forte candidato à segunda estrela Michelin.

Rua Anneliese Pohl, Alporchinhos   8400 - 450 Porches
T: 282 310 100
www.vilavitaparc.com
 
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 18 de Novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira


Nos últimos dias tenho andado pelo Oriente, mais precisamente em Macau e Hong Kong, para assistir ao bom trabalho que os nossos produtores de vinho têm feito nesta região do globo.

Macau até se pode imaginar como um mercado fácil para os portugueses, mas a realidade é que não o é, e Hong Kong, sendo uma porta para o Oriente, ainda mais difícil se supõe.

O que é certo é que o sucesso é muito e os compradores de vinhos de todo o mundo provam desconfiados e saem maravilhados!

Já em Portugal, há muito para fazer este fim-de-semana, e para que seja em grande aqui estão algumas sugestões...

Concurso Gastronomia com Vinho do Porto

É já a sétima edição e conta com 100 restaurantes participantes das várias regiões do país. 

A organização é da responsabilidade do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e da Inter Magazine e pretende divulgar os vinhos daquelas regiões com o melhor que se faz na gastronomia nacional.

Assim, os restaurantes participantes têm de elaborar um menu com entrada, prato principal e sobremesa e "casar" com os vinhos. Entretanto, os menus estão disponíveis ao público durante, pelo menos, o tempo em que decorrem as avaliações do júri, que terminam a 9 de Novembro, havendo alguns que se prolongam por todo o ano.
A entrega de prémios será no dia 26 de Novembro, no Convento do Beato em Lisboa, onde se esperam muitas e fortes emoções. 
Preços das ementas entre os €22 e os €80, já com vinhos incluídos.

Para mais informações www.gastronomiacomvinhodoporto.com

31º Festival Nacional de Gastronomia (Santarém)

Começou há já alguns dias e termina no próximo domingo, 6 de Novembro, na Casa do Campino, em Santarém.

É o maior festival gastronómico de Portugal e reúne à mesma mesa várias iguarias de todo o país, sendo uma viagem aos sabores e aromas de Norte a Sul, ilhas e ainda com um cheirinho da Galiza.

Além dos vários restaurantes e casas de petiscos que estão residentes, hoje a região é a da Serra da Estrela.

Amanhã, sábado, chegam à mesa as iguarias do Algarve e no domingo é a cozinha duriense que vai brilhar.

Campo Infante da Câmara, Casa do Campino, Santarém. www.festivalnacionaldegastronomia.com. Entrada €2,50.

Cozinha com Ciência e Arte
 
Para quem considera que a Gastronomia Molecular é um bicho de sete cabeças, tem agora uma oportunidade única de aprender várias técnicas de vanguarda de uma forma (quase) fácil e divertida.

Esta edição, publicada pela Bertrand, da autora Joana Moura, além de explicar algumas das técnicas, mostra passo a passo a forma de executar várias receitas "moleculares", e com o livro vem um kit com vários utensílios indispensáveis para a correcta execução das várias receitas.

Agora já pode surpreender os seus convidados fazendo algo como uma cereja de foie, uns caviares de azeite ou um esparguete de fruta.

168 páginas
PVP €24,95

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Novembro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Ferrugem que Encanta

Fachada do Restaurante Ferrugem
Depois de duas tentativas falhadas, a primeira pela minha fraca capacidade de me desenrascar sem GPS e a segunda por um infortúnio pessoal, finalmente, e quando menos esperava, fui visitar aquele de que já tantas elogios mereciam dos seus visitantes. E apesar de já conhecer a comida (em feiras e congressos), os proprietários e cozinheiros, nunca os tinha visto a trabalhar no seu habitat natural.

Eram sensivelmente dez horas da noite quando olhei pela primeira vez para o edifício (antigo estábulo do inicio do sec XVIII), suspense quebrado, expectativas consolidadas, pois era exactamente o que eu imaginava, uma fantástica e bem executada recuperação de um edifício em ruínas, traduzindo-se num palco único e perfeito para a arte da gastronomia.

Ultrapassadas as portas de vidro, regozijo os meus olhos com o espaço: um pé-direito altíssimo, paredes de pedra, apenas escondidas por alguns quadros, uma garrafeira repleta de néctares (lusos), uma lareira que nos dias frios deve ser o alvo das reservas, e um tecto em madeira cativante.

Dei inicio ao meu trabalho de investigação gastronómica, as opções dividiam-se em três momentos: o primeiro mais inspirado nas entradas, o segundo nos principais e o terceiro nos que adoçam a boca. 

Assim, pode-se escolher o menu de Outono (€28), optando por um prato por momento, degustação em 4 momentos (€32) e em 6 momentos (€40), com o complemento de vinhos sendo €15 e €20 respectivamente.

Dispensei o pastel de nata de bacalhau que tanta fama dá à casa, pois apesar de gostar e achar incrível, é tempo de ver o que mais se confenciona na cozinha da Dalila e do Renato.

O primeiro a chegar foi o cumprimento do chefe, composto por um caldo verde e a broa de milho tostada com azeite. Bom, mas era apenas para abrir o palato, mantenho a ânsia por algo mais interessante. 

Chega então o Crocante de alheira de caça, puré de maçã reineta e compota agridoce de tomate-cereja, um best-seller segundo a casa. 

Compreendo, pois tem tudo o que é necessário para agradar, a crocancia da massa, os sabores fortes do enchido, o ácido da maçã e o adocicado da compota. Gostei!

Caso sério foram as Lascas de bacalhau com azeite transmontano e coral de azeitona, legumes salteados e crocante de pão com chouriço, que além de aromas fortes e atractivos, tinha uma apresentaçao que apelava ao uso do garfo. O nível aumentou e a vontade de continuar também.

Chega agora à mesa a Cabidela de polvo, basicamente é o polvo acompanhado por um arroz feito na tinta de choco, dando ares visuais a cabidela. Neste, o octópode estava tenro e saboroso e a mistura invulgar do arroz pintado dava um gosto único.

Ainda houve tempo para um lombo de veado, terra de cogumelos, puré de frutos, flores e frutos silvestres, apelidado internamente de Floresta de Outono. Gostei, carne no ponto correcto, texturas diferentes que elevavam o nível sensorial e uma mistura de sabores a terra, e agridoces diferentes e bem conjugados.

Terminei com dois doces, a Pêra rocha do oeste em geleia de porto vintage sobre tarte de queijo fresco e o Tributo ao “abade de priscos” numa mousse de Outono, ambos na toada dos anteriores, boa execução técnica, alma e inovação.

Os vinhos foram todos a copo e estavam todos disponíveis na carta: comecei no Afros Vinhão, passei pelo Soalheiro Alvarinho e Cottas Reserva e terminei com o Porto Andresen Branco 20 anos e o DSF Colecção Privada Moscatel Roxo 2001 para os doces.

Referencie-se que a carta é bem elaborada, bem dotada e a preços adequados, longe da exploração que vemos por este país fora.

Fiquei apaixonado pela cozinha da Dalila e do Renato, que conseguiram em 2006 realizar o sonho de abrir o “Ferrugem”, e que certamente vão ser os responsáveis de muitos e agradáveis sonhos gastronómicos de quem visita a sua casa.

Aqui transpira carinho, paixão e o saber, e sai-se com o estômago cheio, a alma contente e a pensar já na próxima visita.

Detalhes
Restaurante Ferrugem
Rua das Pedrinhas, 32
4770-379 Portela - Vila Nova de Famalicão
N 41º27’41,8’’, W 8º26’53,6’’
+351 252 911 700
www.ferrugem.pt
Horário: Encerra aos domingos ao jantar e segundas o dia todo. Aberto das 12h00 às 14h30 e das 20h00 às 22h30
Preço médio: €35
Tipo de Cozinha: Criativa portuguesa contemporânea
Cartões: Todos

Lascas de Bacalhau com azeite transmontano
Pêra Rocha do Oeste em geleia de porto vintage
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Desde há uns dias que tenho estado em Espanha na região da Cantábria a procurar e experimentar restaurantes e ontem,  depois de vários restaurantes sofisticados e outros mais tradicionais, decidi dar um passeio nocturno em Santander, onde guarneci o meu já penado estômago com um "picoteio".
É uma tradição que em Portugal se perdeu (mantém-se ainda nas feiras) e em Espanha se cultiva: saltar de porta em porta, comer pequenas tapas, pedir um vinho ou uma imperial e depois seguir para a freguesia seguinte. Divertido, económico e um evento social.
 

 
Mas, voltando a Portugal, este fim-de-semana a festa está programada para Beja, com o evento da Vinipax e Olivipax, que começa já hoje, pelas 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. 

Além de se poder fazer várias provas de inúmeros produtores de vinhos e azeites nacionais, este ano conta também com o Beja Gourmet, Kids e Brava com várias degustações de restaurantes e wine bars (bom para o "picoteio"), espectáculos e animação para crianças e muitas actividades ligadas à tauromaquia. Certamente que vai ser um programa para famílias, ou para os apaixonados do vinho e gastronomia. Este evento, que termina apenas no domingo,  conta ainda com espectáculos musicais e actuações dos Sonido Andaluz e do fadista  Marco Rodrigues.
 

Já se pretende ficar por Lisboa ou Porto, aqui estão duas novidades fresquíssimas e bastante apetitosas.
 

Restaurante Book (Porto)
 

Fica na rua de Aviz, precisamente na antiga livraria com o mesmo nome, sendo a mais recente aposta do grupo Lágrimas. O espaço é descontraído, bem como a sua ementa, oferecendo uma comida de conforto, onde se destacam as criações do chefe Pedro Mendes, como o Creme de ervilhas com almôndegas de morcela ou o Bife de vitela Arouquesa com molho de vinho da Casa de Eça. A acompanhar a refeição tem sempre a companhia do DJ residente, que nos dias mais movimentados se prolonga pela noite fora, e depois poderá continuar a noite nas "Galerias" do Porto.
 

Rua de Aviz, 10
T: 917 953 387
 

Pizzaria Passaparola (Lisboa)
 

É um dos mais recentes espaços das Docas (Alcântara) e da família Moia, que pretende trazer à cidade um espaço moderno, inspirado nos sabores de Itália, descontraído, despretensioso e, acima de tudo, a preço justo. O ex-líbris da casa é a variedade de massas para pizzas, onde em muitos casos pode optar entre a fina, crocante, normal e integral. O espaço, além do edifício de dois pisos bastante desafogado, conta ainda com uma esplanada (vista Tejo e Ponte 25 de Abril) e um parque infantil, ideal para famílias.
 

Doca de Santo Amaro Armazém 8
T: 218 232 470


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

4th Floor, O primeiro "serão"

4th Floor in action!
Foi ontem que aconteceu o primeiro jantar do 4th Floor, e que maneira de começar, foi um verdadeiro estrondo!

Começou como uma ideia engraçada, que rapidamente se transformou num desafio, nunca chegou ao pesadelo, porque a vontade transformou o cansaço em realização, e o sonho em paixão.

O mentor e anfitrião foi o Alexandre Silva, chefe do prestigiadíssimo restaurante Bocca em Lisboa. 

A sua criatividade, técnica e paixão já lhe valeram vários prémios, louvas e elogios dos seus parceiros e clientes.

Mas a ambição de fazer algo novo e diferente levou-o a transformar a sua casa num “loft gastronómico” criando para isso o 4th Floor. 

A ideia é simples: pensar na criatividade sem limites, juntar um grupo de oito pessoas com uma mente aberta à novidade, e deixar o limite sem limites, e o resultado foi verdadeiramente fantástico.

Apenas alguns minutos antes da hora marcada para o dia 25 de Setembro, 20h certas, a cozinha do quarto andar, num edifício recuperado no Bairro dos Anjos em Lisboa, está repleta de técnicos, criativos e principalmente cozinheiros. Eram eles o Alexandre Silva (anfitrião e chefe), Francisco Gomes (pasteleiro), Bernardo Agrela e o Tó Zé (cozinheiros), ainda a ajudar estavam a Alexandra e a Francisca (anfitriã) que preparavam as mesas, e o Ricardo que escolhia os vinhos! 

Sandwiche com crocante de galinha e ovas
O jantar prometia.


Mas nada do que se via na cozinha apareceu lá por milagre, e nos dias anteriores já tinha havido visitas e compras em vários locais, como no mercado Biológico no Príncipe Real ou o tão conhecido mercado da Ribeira em Santos.

Às 20h só uma pessoa faltava, mas os cocktails foram servidos na varanda, onde ainda havia alguns raios de luz, que desvendavam o verde da bebida: era uma mistura de espinafres e limão.

Atrasos à parte, os sete que chegaram sentaram-se e as hostes deram inicio ao serão gastronómico!

A sala decorada com sobriedade, musica ambiente, a mesa com porcelanas bonitas, talheres adequados e copos a preceito, eram o prognóstico de uma noite fantástica.

(Vou só dizer os nomes dos pratos, pois foi um jantar de amigos e não há espaço para a critica, apenas para as louvas)

Ostras, a meloa e o pepino
  1. (amuse bouche) - Sandwiche com crocante de galinha e ovas, acompanhado pelo Herdade da Ajuda Rosé 2010;
  2. Ostras, a meloa e o pepino e o Rieseling da Quinta de Sant’Ana 2010;
  3. Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate, harmonizado com o Lavradores de Feitoria Três Bagos Sauvignon Blanc 2010;
  4. Camarões “raw” e Julia Kemper Branco 2009;
  5. Falso escabeche de mexilhões e Vale D’Algares Branco D – Alvarinho 2010;
  6. Percebes, algas e caldo casado com o Quanta Terra Branco Grande Reserva 2009;
  7. Corvina em para quedas sobre puré, Alves de Sousa Abandonado 2007;
  8. (amuse bouche) - Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira, e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã;
  9. (pré desert) - Panacotta de chocolate com café crocante;
  10. Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela, falso guimaves de frutos vermelhos, salsa de chocolate quente, acompanhado por um apaixonante LBV de 1974;
  11. Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys, biscoito de pistáchio, película de laranja, crocante de amêndoa e falso puré de laranja.
Ainda ouve direito a Mignardises, como macarrons e chupas de chocolate e peta zetas para acompanhar o café.

Apesar de todos estarem bons, destaco as ostras e o riesling de Sant’Ana, o falso escabeche de mexilhões e a fantástica corvina cozinhada a baixa temperatura.

Nas sobremesas, o Francisco excedeu-se, e os seus globos de chocolate eram  uma verdadeira maravilha. E dos macarrons ….

Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate
Bem, infelizmente agora só me restam as memórias, porque estes momentos podiam durar um pouco mais!

Mas garanto que os oito comensais que tiveram o privilégio de estar sentados no 4th Floor e degustaram estes 11 pratos, saíram todos com um sorriso na cara, e principalmente sem precisar de sais para ajudar a digestão de quase uma dezena de pratos, foi uma refeição equilibrada, num crescendo de intensidade de texturas e sabores.




Resta-me um obrigado pelo momento, e um até já replecto de saudade!

As fotografias foram retiradas com o telemóvel, sem qualquer tipo de pretensões, simplesmente para imortalizar o jantar!

Para quem quiser ir aos próximos, aqui vai o link:
http://www.facebook.com/4thFloorCozinhaExperimental

Camarões “raw”
Falso escabeche de mexilhões
Percebes, algas e o caldo
Corvina em para quedas sobre puré
Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira,
e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã
Panacotta de chocolate com café crocante
Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela,
falso guimaves de frutos vermelhos,
salsa de chocolate quente
Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys,
biscoito de pistáchio, película de laranja,
crocante de amêndoa e falso puré de laranja
Macarron (framboesa, chocolate e laranja sanguínea)

domingo, 18 de setembro de 2011

Finalmente é Sexta-feira

Em Portugal, há um grande estigma quando se fala de restaurantes de hotéis.
 

Na realidade, há muita tinta que se pode gastar falando negativamente destes espaços, mas a verdade é que também há muita para gastar para realçar as qualidades gastronómicas dos mesmos.
 

Além de cozinha de hotel, os restaurantes têm agora uma nova nuance: a cozinha de autor, ou a cozinha de chefe, perdendo-se assim muita daquela que era a cozinha clássica destes espaços, os cabritos, os bifes tártaros, as grandes costeletas, os flamejados, entre outros.
 

Mas a verdade é que ainda há muito espaço onde podemos gabar essa cozinha, e aqui destaco alguns que, nos últimos tempos, visitei, onde comi, e adorei.

A Viscondessa (Palácio da Lousã)

 
Fica no fantástico palácio da Viscondessa do Espinhal, do séc. XVII, com uma decoração clássica e bonita. Na cozinha, é o clássico que novamente vem à memória, revelando muitos dos sabores da cozinha regional, oferecendo uma gastronomia com produtos da mais alta qualidade, resultando em pratos como: Creme de Castanhas, Cabrito assado no forno, o Bife do lombo com murrilhas e o delicioso Pudim maravilha.
 

Largo Viscondessa do Espinhal, Lousã
T: 239 990 800
www.palaciodalousa.com


Dona Belinha (Hotel Meira)



Infelizmente, a dona Felisbela (Belinha) já cá não está para cozinhar, mas a sua herança ficou e o rigor da altíssima gastronomia rústica ainda por lá está. Se tem dúvidas, prove a Torta de camarão, Sardinhas de rabo ao alto ou o Peru estufado e recheado, e depois renda-se às evidências. 

Rua 5 de Outubro 56,
Vila Praia de Âncora
T: 258 911 111
www.hotelmeira.com

Aviz (Hotel Aviz Lisboa)
 

O famoso flambeado do Aviz
Já andou a passear por Lisboa, e até fora dela, mas agora assentou arraiais junto ao Marquês e não se esqueceu de nenhuma das receitas. 

A Santola recheada à Aviz, o Bacalhau à Aviz,
as coxas de rã, a perdiz à Convento de Alcântara e os crepes flambeados Aviz são verdadeiros deleites gastronómicos.
 

R. Duque de Palmela 32, Lisboa
T: 210 402 000
www.hotelaviz.com

Reserva Online (gratuito)

Grill D. Fernando (Hotel Altis - Castilho)
 

A cozinha de sala do Altis
Fica escondido no último andar do Hotel Altis, mas quem lá vai não se esconde à cidade de Lisboa, pois a vista é verdadeiramente impressionante, e a comida não lhe fica atrás. 

Da carta destacam-se o Creme Frio Aveludado de Agriões com Amêndoa Torrada, o Bisque de Lagosta traçado com Ginja de Óbidos, o Tornedó da Casa, o Bife Tártaro e o fantástico Flamejado de Ananás ao Cognac... 

....e nunca esquecer o Pastel de Nata!
 

Rua Castilho 11, Lisboa
T: 213 544 735
www.hotel-altis.pt

Reserva Online (gratuito)

Gourmet (Pousada do Convento de Belmonte)
 

O Creme Brûlée servido numa pedra trabalhada
É um espaço lindíssimo na Serra da Esperança e, da sala de jantar, a vista é de cortar a respiração. Da cozinha saem verdadeiros acepipes, numa mistura entre o clássico, o rústico, mas com uma apresentação contemporânea. 
O chefe Valdir Lubeck tem no sangue uma grande mescla de nações e continentes, mas adaptou-se perfeitamente ao local, trazendo à mesa os mais nobres produtos da região, onde se inclui o cogumelo, que já tem direito a festival. 
Quando visitar, perca-se primeiro no Capuccino de cogumelos, o Aveludado de ervilhas e não deixe de provar o Creme Brûlée servido num "prato" muito singular.
 

Serra da Esperança, Belmonte
T: 275 910 300
http://www.conventodebelmonte.pt/

Salsa & Loureiro (Hotel Porto Palácio)
 

Tem a assinatura do chefe Hélio Loureiro, mas a tónica não está na criatividade, mas sim na simplicidade. 
Aqui, a ordem da casa é respeitar o receituário tradicional e elevar a nossa gastronomia através do orgulho de fazer bem o que é bom. 
Arroz de polvo no forno com filetes, um Bacalhau com migas de broa e grelos e uns belos Rojões à moda do Minho com papas de sarrabulho fazem parte daqueles de que não prescindo.
 

Av. da Boavista 1277, piso -1, Porto 
T: 226 086 704
www.hotelportopalacio.com
 

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Do mar ao prato, com rigor e excelência

Reza a história que o topónimo Cascais deriva do plural de cascal (monte de cascas), que se relacionava com a abundância de moluscos marinhos aí existentes.

Vila situada a ocidente do estuário do Tejo, entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, o espaço ocupado pelo Concelho é limitado, a norte, pelo Concelho de Sintra, a sul e a ocidente pelo Oceano e a oriente pelo Concelho de Oeiras. Com mais de 200 000 habitantes, já podia adquirir o estatuto de cidade, mas é como vila que se quer manter, apostando seriamente no turismo e na cultura. Um desses pontos de interesse já conta quase com 65 anos, e opera na estrada do Guincho, em frente à praia da Cresmina. Falo no já mítico restaurante Porto de Santa Maria.

Os anos conferiram-lhe várias distinções pela sua localização, rigor do serviço, qualidade de confecção e, principalmente, pela excelência da matéria-prima, e por tão próximo do mar estar, o peixe e o marisco são as matérias nobres da casa.

Recentemente, foi alvo de mudança de gerência, cabendo a empresários locais o novo rumo do Porto de Santa Maria. As mudanças são ténues, no entanto, para o mais atento, distinguem-se bem.
Primeiro, a indumentária da casa foi aprimorada e, dos coletes e camisas esgarçadas, passou-se para camisas brancas de gola francesa e aventais pretos com o logo da casa; o exterior ganhou um gigante toldo, faltando apenas o pano para finalmente haver uma esplanada para os mais encalorados; e, por último, a carta também ganhou novas linhas!
A decoração não foi tocada, mantendo-se sóbria, discreta e acolhedora, quanto às mesas ganharam novos e merecidos copos da Schott e Riedel, aumentando a qualidade de serviço, e dignificando os fantásticos néctares que residem na espantosa garrafeira da casa.
Mas é na carta e nos novos pratos que se centrou a minha atenção!
Depois das nunca recusadas entradas (queijos frescos, rissóis de camarão e pataniscas), passei para as novidades, e iniciei-me na sopa fria de lagosta. 

Apreensivo com o que viria, uma vez que a primeira associação é a um creme de marisco, que frio se tornaria pesado e grosso, chegou-me algo completamente diferente: textura aveludada, sabor rico ao crustáceo e com pequenos lombos que criavam textura e fascínio ao prato - seguramente, um dos pratos mais interessantes que provei nos últimos tempos. 
Seguiu-se o carpaccio do mesmo crustáceo que, apesar de não espantar como o anterior, não desiludiu. 
Já no campo da internacional estava o fettucine de lavagante, uma massa fresca al dente muito bem confeccionada, um molho de cogumelos e natas equilibrado e uma grande e voluptuosa dose de lavagante, mais uma boa aposta.
Terminei os salgados com o surf and turf (bife do lombo com lagosta grelhada), carne do lombo super macia, lagosta fresca, tudo num ponto excelente, acompanhado por uma salada, arroz e batatas fritas, um verdadeiro regalo ao palato.
Da carta nova, provei praticamente todas as novidades e com todas elas me deliciei; em dias anteriores, provei as que transitaram e nada negativo posso apontar - apenas que, com matéria-prima assim, só falha quem não sabe, e o cozinheiro de serviço, o Carlos, não está ali para desiludir ninguém.
Há que destacar também a longa e apaixonante carta de vinhos, apesar de precisar de uma organização no papel pois, com tantos rótulos datados em diversos anos, é difícil uma escolha rápida, pois lembrar das diferenças entre os Reserva Ferreirinha Especial (84 a 01), os Barca Velha (83 a 00), Maria Teresa (05 a 07), Colares Viúva Gomes (65 a 87), Mouchão Tonel 3-4 (99 a 03) não é fácil. Nos Porto, a lista é ainda mais viciante, Vintages Barros (70, 80, 94), Borges (58 a 94), Burmester (63 a 95), Ferreira (60 a 03).
Seja qual for o rótulo, há a possibilidade de o beber no restaurante ou metê-lo numa caixa e levar para casa, pois a garrafeira do Porto de Santa Maria é tão extensa que criaram uma Enoteca para os clientes levarem os seus néctares preferidos para casa, e a preços bastante interessantes.

Não é um restaurante moderno, não é um restaurante ultrapassado, é um local onde as tradições se mantém e, com um serviço correcto e exemplar, proporcionam uma refeição de alta qualidade.

Para comentar este artigo ou sugerir temas, contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Detalhes
Restaurante Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho
2750-640 Cascais
N 38º43'28,1'', W 9º28'31''
+351 214 879 450
www.portosantamaria.com
Horário: Encerra às segundas. Aberto das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
Preço médio: €65
Tipo de Cozinha: Internacional à base
de Marisco e Peixe
Cartões: Todos
Reserva Online

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Setembro de 2011