
Curioso é o facto de quase todas essas refeições terem sido na rua das Trinas ou nas ruas paralelas ou perpendiculares.
Desta vez, subi a rua até quase ao fim e, no lado esquerdo, no 129, fui encontrar o Clube dos Jornalistas.
A sala não é uma nem duas, são várias e todas diferentes, umas com azulejos, outras com móveis antigos, espelhos e pianos, e outras com de tudo um pouco, mas todas diferentes e apaixonantes.
A sensação é a de que não estou num restaurante, mas sim em casa de um amigo.
Estamos na hora do almoço e até nem está mau tempo. Por isso, vou para a esplanada.
Assim, desço o pequeno lanço de escadas de pedra que separam as salas da esplanada e rapidamente alcanço a minha mesa.
Nada de espampanante: arranjos simples, toalhas na mesa, guardanapos de pano e um serviço de copos eficiente são o que basta para uma boa refeição.
A carta divide-se em sete entradas, entre os €7 e os €12, duas sopas de €5, seis peixes dos €15 aos €25, alguns pratos para vegetarianos, seis pratos de carne de €14 a €19 e seis sobremesas €5,50 aos €6,50.
Contas feitas, entrada, prato principal e sobremesa rondam os €25 - estou a gostar dos preços.

Depois chegaram as vieiras em cama de açafrão e alho francês, uma combinação bem executada, onde a vieira é chapeada em manteiga de cacau para ficar no ponto perfeito.
Não há tempo a perder e passo para o robalo com arrozinho e amêijoas, o peixe muito bem confeccionado fazia-se acompanhar de um carolino preparado à moda do risoto, mas num formato muito mais nacional - um verdadeiro acepipe.
Perdizes e castanhas sobre uma tosta, floreada com salsa - tenho de confessar que eu rendo-me a uma boa perdiz e, neste caso, as castanhas acentuavam o sabor da ave, conferindo-lhe um adocicado ligeiro e muito agradável.
Ainda houve espaço para um rabo de boi com um puré de batata com trufa acompanhado de boletos frescos.
Não foi o meu preferido, mas confiro-lhe o mérito de estar muito bem confeccionado.
Infelizmente, risotos e rabo de boi estão na moda e proliferam por todas as casas.
A sobremesa de gelado de caramelo com manteiga da Bretanha e flor de sal (affogato) é provavelmente uma das mais simples e mais saborosas sobremesas que provei na minha vida.
O crocante do caramelo em camadas, separado pelo cremoso gelado e o fresco paladar da manteiga enchiam a boca, a este juntava-se o café que lhe dava a acidez e o amargo, tornando a sobremesa perfeita.
A carta dos vinhos é bastante boa, havendo opções para espumantes, champagnes, brancos, tintos e roses, bem como portos, madeiras e moscatéis - a copo e a garrafa, nada foi deixado ao acaso.
Termino congratulando o chefe André Magalhães e o seu sócio Pedro Vasconcelos por tão nobre projecto. Sendo ou não sendo jornalista, com certeza que vou pedir a minha ficha de admissão ao clube!

Restaurante O Clube dos Jornalistas
Rua das Trinas 129, 1200-857 Lisboa
W 9º 9' 34'' N 38º 42' 46''
+351 213 977 138
Horário: Encerra ao domingo. Aberto das 13h às 15h30 e das 19h30 às 23h30. Brunch de sábado
das 10h às 16h.
Preço: €30
Tipo de Cozinha: Autor
Cartões: Todos
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 10 de Novembro de 2010
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