quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Compre o que é nosso: Pêra Rocha

A Pêra Rocha ou a Pêra de Portugal, como é conhecida pelo mundo fora, deve o seu nome e existência à gabarolice e vaidade de uma pessoa. 

Estávamos no ano de 1836, em Sintra, quando o senhor Rocha ostentava aos seus amigos e vizinhos um fruto tão delicioso e crocante que todos se apaixonavam. Não tardou que a inveja levasse não só ao roubo de tão deliciosa pêra como a pequenos ramos da pereira para depois ser enxertada nas árvores nos quintais dos rapinadores, e foi assim que ela cresceu na área plantada. Quanto ao nome, sempre que alguém provava o fruto de outro pomar, perguntava sempre "O que é isto?", a resposta era contundente "É a pêra do senhor Rocha". Com os tempos perde o "do" e o "senhor" e acaba por ficar apenas Pêra Rocha".
 

O seu crescimento foi de tal forma que o seu consumo é de sensivelmente sete quilos por pessoa, havendo uma área plantada de 10 000 ha, para uma produção total de 200 000 toneladas, sendo mesmo o único fruto que é mais exportado do que importado, com Portugal como o quinto maior produtor do mundo.
 

Nasceu em Sintra, mas é o Oeste que lhe dá fama, e, em visita à Fábrica Frutos no Cercal (Oeste), percebo agora o porquê de haver sempre pêra fresca 12 meses por ano. É que, depois de apanhada, a que não vai directamente para embalamento ou venda directa, é guardada numas grandes arcas frigoríficas, com uma temperatura constante de 1ºC, e nas quais é retirado grande parte do oxigénio, levando as pêras a hibernar. Assim, por cada mês, só envelhecem entre seis a sete horas.
 

Um dos grandes compradores é a Sumol-Compal, em Almeirim, que faz o único sumo de Pêra Rocha do mundo, comprando, anualmente, entre 5000 a 6000 toneladas de fruta exclusivamente portuguesa, para produzir a gama Clássica (1l, 330ml e 200ml) e a Essencial (110ml).
 

Em ambos os casos, não há adição de açúcar e, no caso do Essencial, a sua dose é o equivalente nutricional ao consumo da pêra inteira.
 

Sendo este um produto de excelência, e principalmente um produto de Portugal, não perca escolhendo algo menor e compre o que é nosso.
 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Terminou ontem o Congresso Nacional de Cozinheiros 2011 e, apesar de haver muitas apresentações culinárias, debates sobre diversas cozinhas e algumas demonstrações de produtos, em conversa com os vários cozinheiros, principalmente os proprietários, denotei uma preocupação comum: "O que vai ser o dia de amanhã? Será que vou sobreviver a esta crise?". A preocupação é legítima, com a situação económica a degradar-se, o poder de compra a diminuir e os impostos (IVA) a aumentarem, a perspetiva é simples: para manter a qualidade e os padrões que os clientes exigem será obrigatório subir os preços ou fechar as portas.
Espero que o público perceba e aceite este novo cenário, ou então iremos perder muitos e bons restaurantes no nosso país!
E agora, aqui vai um conjunto de sugestões que poderão alegrar o seu fim-de-semana:
 

Ypsilon Restaurante (Cascais)
 

É provavelmente um dos locais mais bonitos de Cascais, combinando a paisagem rica dos areais de Oitavos e a sua fauna singular, e a imensidão do infinito Oceano Atlântico, a uma cozinha e pastelaria de excepção. 
No comando dos tachos está o francês Cyril Devilliers, que todos os dias prepara com a sua equipa um menu de degustação diferente, inspirando-se com a chegada dos produtos frescos. Já nas formas e doçaria, o comando pertence ao melhor pasteleiro luso, Joaquim Sousa, que tudo o que faz é um deleite para os olhos, nariz e boca - um verdadeiro artífice do chocolate. 
Além do menu do restaurante, pode optar pela carta do Lounge, com um conjunto alargado de opções, onde o hambúrguer no pão ganhou em mim um forte adepto.
 
Rua de Oitavos,
Quinta da Marinha,
2750-374 Cascais,
Tel: 214 860 020
www.theoitavos.com
Preço médio: €60 com vinhos

Restaurante Flor de Sal (Mirandela)

Não sei se preparam um menu para o dia de São Martinho, mas posso garantir que nesta casa não há falta de castanhas, seja nos salgados, nos doces ou avulso, haverá certamente muito por onde escolher. 
É um restaurante em Mirandela, e apesar de moderno e sofisticado, integra-se bem à paisagem e ao modo de viver e respeita as tradições e saberes da gastronomia local. 
O menu de degustação nunca desilude, mas se pretende “à la carte”, entre as entradas quentes ou frias, carne ou peixe, as opções são muitas e de muita qualidade. 
E para acompanhar a refeição apaixone-se pela garrafeira e escolha o seu néctar preferido, ou deixe-se aventurar nas sábias sugestões da casa. 

Parque Dr. José da Gama – Mirandela. 
T: 2782 030 63 
www.flordesalrestaurante.com
Preço menu de degustação 35€

François Couturier - Tarkovsky Quartet

Hoje, pelas 21h, no Centro Cultural de Belém, o pianista francês François Couturier, integrado no Tarkovsy Quartet, subirá ao palco da Sala Eduardo Prado Coelho para um concerto já há muito esperado em Portugal.
Este quarteto, que fez a sua estreia internacional no Festival de Bérgamo em Abril de 2006, tem sido muito bem recebido pela crítica com o seu álbum Nostalghia - Song For Tarkovsky - uma mistura do rigor clássico com a improvisação formal e livre.
 
Praça do Império, 1449-003 Lisboa
www.ccb.pt. Preço - Plateia: 12,50€, Laterais: 10€



Lisboa à Mesa - Guia Onde Comer. Onde Comprar

Há já vários anos que acompanho o trabalho do crítico gastronómico Miguel Pires, primeiro com a sua coluna no OJE e agora noutras publicações de igual prestígio.
Agora, e acrescento finalmente, lançou o seu primeiro guia de restaurantes, cafés e tascas.
Mas não se ficou apenas pelas mesas, procurou também os melhores produtos para a gastronomia, alargando o seu guia a várias lojas gourmet, mercados, mercearias entre outros.
Vi, li e aconselho a todos o que querem viver melhor a Lisboa gastronómica.

200 páginas
PVP €15,95

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Douros que encantam

Do Douro vêm sempre surpresas interessantes, seja pela sua paisagem, a sua gastronomia, as suas gentes, ou principalmente pelos seus arrojados e apaixonantes néctares.
Três produtores completamente distintos apresentaram as suas novas colheitas e histórias, e cada uma reza a sua narrativa.
Da encosta de Adorigo, no concelho de Tabuaço, chegam-nos os "Pôpa": Um touriga nacional - TN tinto 2008, um tinta roriz - TR tinto 2008, um blend de vinhas velhas VV tinto 2008 e um doce - Vinho Doce tinto 2010. E a diferença e curiosidade é que são produzidos por um dos mais conhecidos e reconhecidos enólogos de Portugal, mas da região da Bairrada, o Luís Pato. Muda a região, mantém o seu perfil e, acima de tudo, a qualidade.
Já de uma quinta em que a história não precisa de relato, a Casa Burmester, também chegaram várias novidades, que começam nos vinhos tranquilos produzidos pelo enólogo Francisco Gonçalves, como o Casa Burmester Touriga Nacional 2009, e o Porto Vintage 2009 Burmester Quinta do Arnozelo produzido pelo enólogo Pedro Sá.
Termino com o sempre apaixonado João Brito e Cunha, que depois da sua passagem por várias casas e projectos, lusos e não só, decidiu apostar na sua própria marca, criando não só vinhos tranquilos, como um Porto Vintage com muito caracter. A referenciar as etiquetas Ázeo branco 2010, os Quinta de São José (tinto 2009, reserva 2009 e grande reserva 2009), bem como a sua recente proposta de Porto Quinta de São José Vintage 2009. 

Passo agora a destacar os que mais gostei nas várias provas:


Pôpa TR 2008 

Vinificado e produzido exclusivamente da casta Tinta Roriz, teve um estágio diferente, em pipas de primeiro ano de 650L durante seis meses, que devido ao seu grau de maturação apresenta uma cor vermelha bastante carregada. 

No nariz, bastante carregado e complexo, apresenta notas de chocolate, e na boca mantém a sua complexidade, bastante encorpado, no entanto de taninos macios. 

O final é bastante prolongado e diria mesmo apaixonante. 

Experimentei-o em harmonia com um lombo de bacalhau escalfado, suas línguas e batata olho de perdiz em puré. 

Foi um casamento perfeito e uma boa sugestão para a sua refeição. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP: 19€.
 


Burmester Quinta do Arnozelo Porto Vintage 2009 

Quando se fala de um Porto é difícil identificar todas as castas, mas neste caso apercebemo-nos da predominância da touriga nacional, sendo que o blend é feito de castas de vinhas velhas com mais de 50 anos. 

O perfil é um pouco diferente de um vintage clássico, estando pronto para beber ou, para quem prefere, aguardar uns anos por uma evolução, que certamente beneficiará o seu caracter. 

A sua cor violeta opaca combina com um nariz exuberante, onde sobressai a fruta negra do bosque. 

Já a boca é gulosa e redonda, terminando longo e frutado. 

Teor Alcoólico 20%. 
PVP: 42€.
 

Quinta de S. José Reserva 200

Produzido da casta touriga nacional (45%), juntamente com uvas de vinhas velhas (55%), situadas no Cima Corgo, estagiou em barricas de carvalho francês usadas de 225L e 400L. 

O resultado foi um vinho de cor purpura carregado, com aromas muito complexos, onde a predominância é de fruta madura, algumas flores e especiarias. 

Já na boca, a exuberância é fantástica mostrando frescura e elegância, com uns taninos que lhe conferem um fantástico e longo final de boca. 

Este é um vinho que certamente daqui uns anos beneficiará do estágio em garrafa. 

Teor Alcoólico 14,5%. 
PVP: 23€.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Flavours alentejanos

Há já vários anos que acompanho o progresso e evolução do produtor alentejano de Arraiolos Monte da Ravasqueira.

Quem só apenas conhece a marca, provavelmente não associa o produtor a uma das famílias mais influentes de Portugal, os Mello!
 

Conhecidos por negócios como a CUF, Brisa, José de Mello Saúde e Imobiliária, EDP e a Efacec, dedicam o seu tempo e paixão ao vinho, onde garantidamente não há tanto retorno financeiro, apenas o orgulho de fazer algo que dá prazer.
 

O Monte, que já está ligado à família há vários anos, só em 2001 é que viu os seus investimentos enológicos a dar frutos, tendo sido este o ano da sua primeira vindima.
Curiosas são as condições climáticas desta região.
 

No Verão, e durante a luz do dia, as temperaturas podem ser abrasadoras e insuperáveis, enquanto ao escurecer, o calor esvanece.
 

O capote alentejano poderá ser um amigo nestas alturas. No Inverno chega a registar por várias vezes e por dias consecutivos temperaturas negativas, imprimindo a este Monte um terroir diferente e uma identidade única.
 

Com o passar dos anos, além dos mais conhecidos Monte da Ravasqueira (Tinto, Branco e Rosé), Fonte da Serrana (Tinto e Branco) e Calântica (Branco e Tinto), lançou em 2007 o Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Tinto 2005, apostando num vinho mais fino, requintado e alargando a sua carteira para os clientes mais exigentes.
 

A crítica aceitou e gostou bastante do que provou, dando-lhe várias medalhas, e não foi com o sucesso que a sua equipa baixou os braços à novidade, desafiando a dupla de enologia que conta com os enólogos Paulo Peças (residente) e o Rui Reguinga (consultor) a criar uma nova gama, e assim nasceram os Flavours!
 

Neste momento há dois no mercado, um rosé de Touriga nacional e um tinto Petit Verdot, e dentro de dias e apenas nas lojas do El Corte Inglès (exclusivos da linha Flavours) irá aparecer uma referência branca, desta feita produzida da casta Viognier.
 

Na minha última visita a este monte, ainda tive a oportunidade de provar algumas castas supresa para os próximos lotes ou mono castas. Entre estas conta-se a Marsanne, a Nerro d'Avola e a Sangiovese, sendo as duas últimas em blend. 

Mas essas ficam para se falar mais para a frente, agora ficam as notas de prova da linha Flavours:

MR Flavours Touriga Nacional 2010


Produzido e vinificado exclusivamente da casta Touriga Nacional.

Este é um vinho diferente do habitual, pois é ligeiramente mais escuro, com uma estrutura mais pesada, sendo mais um parceiro da gastronomia do que um dia de calor, mas serve bem os dois cenários. 

Tem aromas a fruta madura, cerejas no nariz e na boca revela corpo, algum açúcar, enche a boca e termina com alguma persistência. Provavelmente um bom companheiro de saladas ricas e carnes brancas com relativo tempero como a galinha. 

Teor Alcoólico 13%. 
PVP ainda por estabelecer.

MR Flavours Viognier 2010


Vinificado daquela que tem sido a casta que nos últimos tempos tenho visto ser adoptada por vários produtores alentejanos, a viognier, e fermentou na totalidade em barricas novas de carvalho francês, dando um carácter especial ao néctar. 

Com uma cor límpida, num amarelo palha, revela um nariz bastante intenso e deveras complexo com diversos tipos de fruta, desde as de Verão às tropicais, resultando certamente do contacto com a barrica. 

A boca é também ela complexa, bastante volumosa e encorpada e com uma acidez bastante equilibrada, casando bem com a madeira, terminando fresco e persistente. 

Acompanha pratos de peixe com sabores suaves e tostados e com legumes salteados (gordura). 

Teor Alcoólico 13,2%. 
PVP €17

MR Flavours Petit Verdot 2008


Como os outros anteriores, este vinho é vinificado apenas de uma casta e, como o nome indica, é o Petit Verdot. Faz um estágio de 16 meses em barrica de carvalho francês, resultando num vinho fino de cor granada. 

No nariz revela grande complexidade, com notas de frutas vermelhas e pretas como as cerejas. 

Depois na boca revela frescura, uma boa estrutura com taninos suaves e polidos e com boa persistência. Bom para acompanhar grandes assados e estufados, com carnes gordas e pratos com alguma acidez. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP €38

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 02 de Novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira


Nos últimos dias tenho andado pelo Oriente, mais precisamente em Macau e Hong Kong, para assistir ao bom trabalho que os nossos produtores de vinho têm feito nesta região do globo.

Macau até se pode imaginar como um mercado fácil para os portugueses, mas a realidade é que não o é, e Hong Kong, sendo uma porta para o Oriente, ainda mais difícil se supõe.

O que é certo é que o sucesso é muito e os compradores de vinhos de todo o mundo provam desconfiados e saem maravilhados!

Já em Portugal, há muito para fazer este fim-de-semana, e para que seja em grande aqui estão algumas sugestões...

Concurso Gastronomia com Vinho do Porto

É já a sétima edição e conta com 100 restaurantes participantes das várias regiões do país. 

A organização é da responsabilidade do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e da Inter Magazine e pretende divulgar os vinhos daquelas regiões com o melhor que se faz na gastronomia nacional.

Assim, os restaurantes participantes têm de elaborar um menu com entrada, prato principal e sobremesa e "casar" com os vinhos. Entretanto, os menus estão disponíveis ao público durante, pelo menos, o tempo em que decorrem as avaliações do júri, que terminam a 9 de Novembro, havendo alguns que se prolongam por todo o ano.
A entrega de prémios será no dia 26 de Novembro, no Convento do Beato em Lisboa, onde se esperam muitas e fortes emoções. 
Preços das ementas entre os €22 e os €80, já com vinhos incluídos.

Para mais informações www.gastronomiacomvinhodoporto.com

31º Festival Nacional de Gastronomia (Santarém)

Começou há já alguns dias e termina no próximo domingo, 6 de Novembro, na Casa do Campino, em Santarém.

É o maior festival gastronómico de Portugal e reúne à mesma mesa várias iguarias de todo o país, sendo uma viagem aos sabores e aromas de Norte a Sul, ilhas e ainda com um cheirinho da Galiza.

Além dos vários restaurantes e casas de petiscos que estão residentes, hoje a região é a da Serra da Estrela.

Amanhã, sábado, chegam à mesa as iguarias do Algarve e no domingo é a cozinha duriense que vai brilhar.

Campo Infante da Câmara, Casa do Campino, Santarém. www.festivalnacionaldegastronomia.com. Entrada €2,50.

Cozinha com Ciência e Arte
 
Para quem considera que a Gastronomia Molecular é um bicho de sete cabeças, tem agora uma oportunidade única de aprender várias técnicas de vanguarda de uma forma (quase) fácil e divertida.

Esta edição, publicada pela Bertrand, da autora Joana Moura, além de explicar algumas das técnicas, mostra passo a passo a forma de executar várias receitas "moleculares", e com o livro vem um kit com vários utensílios indispensáveis para a correcta execução das várias receitas.

Agora já pode surpreender os seus convidados fazendo algo como uma cereja de foie, uns caviares de azeite ou um esparguete de fruta.

168 páginas
PVP €24,95

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Novembro de 2011