quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Douros que encantam

Do Douro vêm sempre surpresas interessantes, seja pela sua paisagem, a sua gastronomia, as suas gentes, ou principalmente pelos seus arrojados e apaixonantes néctares.
Três produtores completamente distintos apresentaram as suas novas colheitas e histórias, e cada uma reza a sua narrativa.
Da encosta de Adorigo, no concelho de Tabuaço, chegam-nos os "Pôpa": Um touriga nacional - TN tinto 2008, um tinta roriz - TR tinto 2008, um blend de vinhas velhas VV tinto 2008 e um doce - Vinho Doce tinto 2010. E a diferença e curiosidade é que são produzidos por um dos mais conhecidos e reconhecidos enólogos de Portugal, mas da região da Bairrada, o Luís Pato. Muda a região, mantém o seu perfil e, acima de tudo, a qualidade.
Já de uma quinta em que a história não precisa de relato, a Casa Burmester, também chegaram várias novidades, que começam nos vinhos tranquilos produzidos pelo enólogo Francisco Gonçalves, como o Casa Burmester Touriga Nacional 2009, e o Porto Vintage 2009 Burmester Quinta do Arnozelo produzido pelo enólogo Pedro Sá.
Termino com o sempre apaixonado João Brito e Cunha, que depois da sua passagem por várias casas e projectos, lusos e não só, decidiu apostar na sua própria marca, criando não só vinhos tranquilos, como um Porto Vintage com muito caracter. A referenciar as etiquetas Ázeo branco 2010, os Quinta de São José (tinto 2009, reserva 2009 e grande reserva 2009), bem como a sua recente proposta de Porto Quinta de São José Vintage 2009. 

Passo agora a destacar os que mais gostei nas várias provas:


Pôpa TR 2008 

Vinificado e produzido exclusivamente da casta Tinta Roriz, teve um estágio diferente, em pipas de primeiro ano de 650L durante seis meses, que devido ao seu grau de maturação apresenta uma cor vermelha bastante carregada. 

No nariz, bastante carregado e complexo, apresenta notas de chocolate, e na boca mantém a sua complexidade, bastante encorpado, no entanto de taninos macios. 

O final é bastante prolongado e diria mesmo apaixonante. 

Experimentei-o em harmonia com um lombo de bacalhau escalfado, suas línguas e batata olho de perdiz em puré. 

Foi um casamento perfeito e uma boa sugestão para a sua refeição. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP: 19€.
 


Burmester Quinta do Arnozelo Porto Vintage 2009 

Quando se fala de um Porto é difícil identificar todas as castas, mas neste caso apercebemo-nos da predominância da touriga nacional, sendo que o blend é feito de castas de vinhas velhas com mais de 50 anos. 

O perfil é um pouco diferente de um vintage clássico, estando pronto para beber ou, para quem prefere, aguardar uns anos por uma evolução, que certamente beneficiará o seu caracter. 

A sua cor violeta opaca combina com um nariz exuberante, onde sobressai a fruta negra do bosque. 

Já a boca é gulosa e redonda, terminando longo e frutado. 

Teor Alcoólico 20%. 
PVP: 42€.
 

Quinta de S. José Reserva 200

Produzido da casta touriga nacional (45%), juntamente com uvas de vinhas velhas (55%), situadas no Cima Corgo, estagiou em barricas de carvalho francês usadas de 225L e 400L. 

O resultado foi um vinho de cor purpura carregado, com aromas muito complexos, onde a predominância é de fruta madura, algumas flores e especiarias. 

Já na boca, a exuberância é fantástica mostrando frescura e elegância, com uns taninos que lhe conferem um fantástico e longo final de boca. 

Este é um vinho que certamente daqui uns anos beneficiará do estágio em garrafa. 

Teor Alcoólico 14,5%. 
PVP: 23€.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Flavours alentejanos

Há já vários anos que acompanho o progresso e evolução do produtor alentejano de Arraiolos Monte da Ravasqueira.

Quem só apenas conhece a marca, provavelmente não associa o produtor a uma das famílias mais influentes de Portugal, os Mello!
 

Conhecidos por negócios como a CUF, Brisa, José de Mello Saúde e Imobiliária, EDP e a Efacec, dedicam o seu tempo e paixão ao vinho, onde garantidamente não há tanto retorno financeiro, apenas o orgulho de fazer algo que dá prazer.
 

O Monte, que já está ligado à família há vários anos, só em 2001 é que viu os seus investimentos enológicos a dar frutos, tendo sido este o ano da sua primeira vindima.
Curiosas são as condições climáticas desta região.
 

No Verão, e durante a luz do dia, as temperaturas podem ser abrasadoras e insuperáveis, enquanto ao escurecer, o calor esvanece.
 

O capote alentejano poderá ser um amigo nestas alturas. No Inverno chega a registar por várias vezes e por dias consecutivos temperaturas negativas, imprimindo a este Monte um terroir diferente e uma identidade única.
 

Com o passar dos anos, além dos mais conhecidos Monte da Ravasqueira (Tinto, Branco e Rosé), Fonte da Serrana (Tinto e Branco) e Calântica (Branco e Tinto), lançou em 2007 o Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Tinto 2005, apostando num vinho mais fino, requintado e alargando a sua carteira para os clientes mais exigentes.
 

A crítica aceitou e gostou bastante do que provou, dando-lhe várias medalhas, e não foi com o sucesso que a sua equipa baixou os braços à novidade, desafiando a dupla de enologia que conta com os enólogos Paulo Peças (residente) e o Rui Reguinga (consultor) a criar uma nova gama, e assim nasceram os Flavours!
 

Neste momento há dois no mercado, um rosé de Touriga nacional e um tinto Petit Verdot, e dentro de dias e apenas nas lojas do El Corte Inglès (exclusivos da linha Flavours) irá aparecer uma referência branca, desta feita produzida da casta Viognier.
 

Na minha última visita a este monte, ainda tive a oportunidade de provar algumas castas supresa para os próximos lotes ou mono castas. Entre estas conta-se a Marsanne, a Nerro d'Avola e a Sangiovese, sendo as duas últimas em blend. 

Mas essas ficam para se falar mais para a frente, agora ficam as notas de prova da linha Flavours:

MR Flavours Touriga Nacional 2010


Produzido e vinificado exclusivamente da casta Touriga Nacional.

Este é um vinho diferente do habitual, pois é ligeiramente mais escuro, com uma estrutura mais pesada, sendo mais um parceiro da gastronomia do que um dia de calor, mas serve bem os dois cenários. 

Tem aromas a fruta madura, cerejas no nariz e na boca revela corpo, algum açúcar, enche a boca e termina com alguma persistência. Provavelmente um bom companheiro de saladas ricas e carnes brancas com relativo tempero como a galinha. 

Teor Alcoólico 13%. 
PVP ainda por estabelecer.

MR Flavours Viognier 2010


Vinificado daquela que tem sido a casta que nos últimos tempos tenho visto ser adoptada por vários produtores alentejanos, a viognier, e fermentou na totalidade em barricas novas de carvalho francês, dando um carácter especial ao néctar. 

Com uma cor límpida, num amarelo palha, revela um nariz bastante intenso e deveras complexo com diversos tipos de fruta, desde as de Verão às tropicais, resultando certamente do contacto com a barrica. 

A boca é também ela complexa, bastante volumosa e encorpada e com uma acidez bastante equilibrada, casando bem com a madeira, terminando fresco e persistente. 

Acompanha pratos de peixe com sabores suaves e tostados e com legumes salteados (gordura). 

Teor Alcoólico 13,2%. 
PVP €17

MR Flavours Petit Verdot 2008


Como os outros anteriores, este vinho é vinificado apenas de uma casta e, como o nome indica, é o Petit Verdot. Faz um estágio de 16 meses em barrica de carvalho francês, resultando num vinho fino de cor granada. 

No nariz revela grande complexidade, com notas de frutas vermelhas e pretas como as cerejas. 

Depois na boca revela frescura, uma boa estrutura com taninos suaves e polidos e com boa persistência. Bom para acompanhar grandes assados e estufados, com carnes gordas e pratos com alguma acidez. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP €38

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 02 de Novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira


Nos últimos dias tenho andado pelo Oriente, mais precisamente em Macau e Hong Kong, para assistir ao bom trabalho que os nossos produtores de vinho têm feito nesta região do globo.

Macau até se pode imaginar como um mercado fácil para os portugueses, mas a realidade é que não o é, e Hong Kong, sendo uma porta para o Oriente, ainda mais difícil se supõe.

O que é certo é que o sucesso é muito e os compradores de vinhos de todo o mundo provam desconfiados e saem maravilhados!

Já em Portugal, há muito para fazer este fim-de-semana, e para que seja em grande aqui estão algumas sugestões...

Concurso Gastronomia com Vinho do Porto

É já a sétima edição e conta com 100 restaurantes participantes das várias regiões do país. 

A organização é da responsabilidade do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e da Inter Magazine e pretende divulgar os vinhos daquelas regiões com o melhor que se faz na gastronomia nacional.

Assim, os restaurantes participantes têm de elaborar um menu com entrada, prato principal e sobremesa e "casar" com os vinhos. Entretanto, os menus estão disponíveis ao público durante, pelo menos, o tempo em que decorrem as avaliações do júri, que terminam a 9 de Novembro, havendo alguns que se prolongam por todo o ano.
A entrega de prémios será no dia 26 de Novembro, no Convento do Beato em Lisboa, onde se esperam muitas e fortes emoções. 
Preços das ementas entre os €22 e os €80, já com vinhos incluídos.

Para mais informações www.gastronomiacomvinhodoporto.com

31º Festival Nacional de Gastronomia (Santarém)

Começou há já alguns dias e termina no próximo domingo, 6 de Novembro, na Casa do Campino, em Santarém.

É o maior festival gastronómico de Portugal e reúne à mesma mesa várias iguarias de todo o país, sendo uma viagem aos sabores e aromas de Norte a Sul, ilhas e ainda com um cheirinho da Galiza.

Além dos vários restaurantes e casas de petiscos que estão residentes, hoje a região é a da Serra da Estrela.

Amanhã, sábado, chegam à mesa as iguarias do Algarve e no domingo é a cozinha duriense que vai brilhar.

Campo Infante da Câmara, Casa do Campino, Santarém. www.festivalnacionaldegastronomia.com. Entrada €2,50.

Cozinha com Ciência e Arte
 
Para quem considera que a Gastronomia Molecular é um bicho de sete cabeças, tem agora uma oportunidade única de aprender várias técnicas de vanguarda de uma forma (quase) fácil e divertida.

Esta edição, publicada pela Bertrand, da autora Joana Moura, além de explicar algumas das técnicas, mostra passo a passo a forma de executar várias receitas "moleculares", e com o livro vem um kit com vários utensílios indispensáveis para a correcta execução das várias receitas.

Agora já pode surpreender os seus convidados fazendo algo como uma cereja de foie, uns caviares de azeite ou um esparguete de fruta.

168 páginas
PVP €24,95

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Novembro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Douro Boys mostram-se em Lisboa

O mercado dos vinhos em Portugal pode ser bastante assustador para os produtores, pois além de criarem um bom vinho, precisam de criar marca, notoriedade, meios de distribuição e de controlo de qualidade, tendo sempre a preocupação de apresentarem um vinho excelente.


Foi assim que cinco produtores do Douro decidiram unir-se com uma missão: pôr o Douro no mapa mundi. Foram eles a Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta do Vale D. Maria, Quinta do Vale Meão e a casa de vinhos do Porto, Niepoort.


Pode parecer estranha esta conversa, mas a realidade é que o Douro é mais conhecido pelos vinhos do Porto, e os "Douro Boys" pretendem estender a notoriedade aos vinhos não licorosos desta região.


O projecto já conta com oito anos de vida, e com muitos sucessos, pois além de conseguirem sem grande dificuldade meter o Douro no mapa, criaram uma fama invejável por muitas e importantes regiões vitivinícolas do mundo. Certo que o trabalho não foi só deles, mas são também uns dos grandes responsáveis por este feito. 


Uma das datas mais esperadas pelos críticos, restauradores, garrafeiras e concorrência, é o jantar dos "Douro Boys", que anualmente se reúnem para apresentar as suas novidades. Este ano foi no Pestana Palace em Lisboa e estas são algumas das novidades que gostaria de destacar.
 

Crasto Superior 2009
 
Produzido de uvas de vinhas velhas e de várias castas como Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Souzão, entre outras, provenientes do Douro Superior da Quinta da Cabreira, resultando num vinho fino e fresco. 


Estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês, originando um nariz aromático e expressivo de frutas silvestres e especiarias. 

Na boca é fresco, muito volumoso e com taninos maduros e elegantes, terminando agradável e com boa persistência.
 






  

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2009
 

Mais uma vez é difícil descrever todas as castas utilizadas para vinificar este vinho, mas a idade destas é certamente superior a 70 anos. 

O resultado é fascinante. Estagiou em barricas de carvalho francês (85%) e carvalho americano (15%), durante 16 meses. 

O resultado é um nariz forte em notas de frutos silvestres, especiaria e esteva, colmatando numa boca fresca, com taninos extremamente elegantes, e um final complexo e uma persistência acentuada.
 









Meandro 2009
 

Confesso que este é um vinho que sempre me encantou desde a minha primeira prova deste néctar. Os anos passam e o feitiço permanece. 

Produzido das castas 35% Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 25% de Tinta Roriz, 5% de Tinta Barroca e 5% de Sousão, estagia em barricas de primeiro e segundo ano. 

A madeira integra-se perfeitamente no néctar, que apresenta um nariz encorpado de frutas vermelhas maduras, depois na boca tem bom volume e estrutura, sendo um excelente companheiro para pratos de caça estufados.
 







 
Robustus 2007
 

Salto de um grande néctar para um outro poderosíssimo, mais um grande trabalho da casa Niepoort! 

A inspiração do Robustus 2007 veio dos grandes vinhos velhos em que a ideia é prolongar o estágio em madeira para suavizar os taninos, criar grande estrutura, e fazer um vinho encorpado. 

Assim ficou em estágio em tonéis durante 4 anos, criando um néctar singular, onde a fruta preta e vermelha casam com notas de café e algum tabaco. 

A boca é apaixonante e vibrante, terminando longo e persistente. Para guardar ou beber já, eu optei pela segunda!
 

  


Quinta do Vale Meão 2009
 

Um verdadeiro colosso produzido das castas 57% Touriga Nacional, 35% Touriga Franca, 5% Tinta Barroca e 5 % Tinta Roriz, estagiando em barricas (80% novas e 20% de 2º ano) de 225 litros de carvalho francês (Allier) e engarrafado no passado mês de Agosto. 

Ainda está novo e um pouco duro para se beber, por isso o potencial de guarda é altíssimo, onde certamente daqui a dois anos mostrará a sua exuberância de frutas silvestres e grande frescura típica deste grande néctar.
 









Quinta do Vallado Adelaide Douro 2009
 

É um vinho que dispensa apresentações, pois a sua exuberância e qualidade reservam-lhe o apelido de "uma pomada". 

As vinhas têm mais de 90 anos e as castas seleccionadas são várias, e entre elas está a Tinta Roriz, Tinta Amarela e a Touriga Franca. 

O resultado é um vinho muito concentrado, com notas de madeira, tabaco, e ameixas, já na boca é bastante encorpado e maduro, com taninos muito amaciados. 

Já o final é bastante complexo, persistente e fino.
 




 
VZ 2010 Douro Branco
 

Confesso que a primeira vez que o provei não fiquei convencido, mas numa segunda tentativa, com mais alguns dias de garrafa, mostrou um potencial diferente. 

Produzido das castas Viosinho, Rabigato, Codega e Gouveio, misturadas ainda durante a vindima, de vinhas com idades entre os 20 e os 50. Estagiou em barricas de carvalho francês durante 9 meses, resultando num branco encorpado, com boa estrutura. 

Penso que é um vinho que vai envelhecer bem em garrafa, mas que já está bom para se beber.






Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Ferrugem que Encanta

Fachada do Restaurante Ferrugem
Depois de duas tentativas falhadas, a primeira pela minha fraca capacidade de me desenrascar sem GPS e a segunda por um infortúnio pessoal, finalmente, e quando menos esperava, fui visitar aquele de que já tantas elogios mereciam dos seus visitantes. E apesar de já conhecer a comida (em feiras e congressos), os proprietários e cozinheiros, nunca os tinha visto a trabalhar no seu habitat natural.

Eram sensivelmente dez horas da noite quando olhei pela primeira vez para o edifício (antigo estábulo do inicio do sec XVIII), suspense quebrado, expectativas consolidadas, pois era exactamente o que eu imaginava, uma fantástica e bem executada recuperação de um edifício em ruínas, traduzindo-se num palco único e perfeito para a arte da gastronomia.

Ultrapassadas as portas de vidro, regozijo os meus olhos com o espaço: um pé-direito altíssimo, paredes de pedra, apenas escondidas por alguns quadros, uma garrafeira repleta de néctares (lusos), uma lareira que nos dias frios deve ser o alvo das reservas, e um tecto em madeira cativante.

Dei inicio ao meu trabalho de investigação gastronómica, as opções dividiam-se em três momentos: o primeiro mais inspirado nas entradas, o segundo nos principais e o terceiro nos que adoçam a boca. 

Assim, pode-se escolher o menu de Outono (€28), optando por um prato por momento, degustação em 4 momentos (€32) e em 6 momentos (€40), com o complemento de vinhos sendo €15 e €20 respectivamente.

Dispensei o pastel de nata de bacalhau que tanta fama dá à casa, pois apesar de gostar e achar incrível, é tempo de ver o que mais se confenciona na cozinha da Dalila e do Renato.

O primeiro a chegar foi o cumprimento do chefe, composto por um caldo verde e a broa de milho tostada com azeite. Bom, mas era apenas para abrir o palato, mantenho a ânsia por algo mais interessante. 

Chega então o Crocante de alheira de caça, puré de maçã reineta e compota agridoce de tomate-cereja, um best-seller segundo a casa. 

Compreendo, pois tem tudo o que é necessário para agradar, a crocancia da massa, os sabores fortes do enchido, o ácido da maçã e o adocicado da compota. Gostei!

Caso sério foram as Lascas de bacalhau com azeite transmontano e coral de azeitona, legumes salteados e crocante de pão com chouriço, que além de aromas fortes e atractivos, tinha uma apresentaçao que apelava ao uso do garfo. O nível aumentou e a vontade de continuar também.

Chega agora à mesa a Cabidela de polvo, basicamente é o polvo acompanhado por um arroz feito na tinta de choco, dando ares visuais a cabidela. Neste, o octópode estava tenro e saboroso e a mistura invulgar do arroz pintado dava um gosto único.

Ainda houve tempo para um lombo de veado, terra de cogumelos, puré de frutos, flores e frutos silvestres, apelidado internamente de Floresta de Outono. Gostei, carne no ponto correcto, texturas diferentes que elevavam o nível sensorial e uma mistura de sabores a terra, e agridoces diferentes e bem conjugados.

Terminei com dois doces, a Pêra rocha do oeste em geleia de porto vintage sobre tarte de queijo fresco e o Tributo ao “abade de priscos” numa mousse de Outono, ambos na toada dos anteriores, boa execução técnica, alma e inovação.

Os vinhos foram todos a copo e estavam todos disponíveis na carta: comecei no Afros Vinhão, passei pelo Soalheiro Alvarinho e Cottas Reserva e terminei com o Porto Andresen Branco 20 anos e o DSF Colecção Privada Moscatel Roxo 2001 para os doces.

Referencie-se que a carta é bem elaborada, bem dotada e a preços adequados, longe da exploração que vemos por este país fora.

Fiquei apaixonado pela cozinha da Dalila e do Renato, que conseguiram em 2006 realizar o sonho de abrir o “Ferrugem”, e que certamente vão ser os responsáveis de muitos e agradáveis sonhos gastronómicos de quem visita a sua casa.

Aqui transpira carinho, paixão e o saber, e sai-se com o estômago cheio, a alma contente e a pensar já na próxima visita.

Detalhes
Restaurante Ferrugem
Rua das Pedrinhas, 32
4770-379 Portela - Vila Nova de Famalicão
N 41º27’41,8’’, W 8º26’53,6’’
+351 252 911 700
www.ferrugem.pt
Horário: Encerra aos domingos ao jantar e segundas o dia todo. Aberto das 12h00 às 14h30 e das 20h00 às 22h30
Preço médio: €35
Tipo de Cozinha: Criativa portuguesa contemporânea
Cartões: Todos

Lascas de Bacalhau com azeite transmontano
Pêra Rocha do Oeste em geleia de porto vintage
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Koschina e Vila Joya já têm programa para 2012!

Depois de alguns minutos onde as câmaras cor-de-rosa não paravam, tentando apanhar o melhor ângulo do Michael Imperioli (Sopranos) e da Diane Neal (NCIS), actores bastante famosos na outra costa do atlântico e de uma popularidade um pouco mais modesta em Portugal, deu-se inicio à ordem de trabalhos - a conferencia de imprensa do Festival Gourmet Internacional (Tribute do Claudia).

Gebhard Schachermayer (Embaixador do Evento) e
José Avillez (chefe de cozinha)
As novidades são muitas e não ficam apenas pelos jantares no luxuoso restaurante gourmet do Vila Joya. Pois é, este ano parece que vai haver passagens por Beja (Herdade da Malhadinha) e Lisboa (ainda por definir).


Outra, como já devem ter reparado, é a vontade de internacionalizar e mediatizar este evento de forma mais global, mudando o nome de Tribute to Claudia para International Gourmet Festival, e claro, convidando várias estrelas das séries americanas e alguns actores de Hollywood, pois a mim cativaram-me assim que anunciaram o nome da Eva Longoria!


Já por Albufeira a história é outra - começando no dia 13 de Janeiro e prolongando-se até dia 23, este ano abre novamente com as “estrelas” Michelin de Portugal, sendo o cartaz embelezado com vários três estrelas Michelin como o francês Alain Passard do L’Arpege em Paris, ou o Laurent Gras do L20 em Nova Iorque, ou ainda Joachim Wissler do Vendome em Colónia, entre outros!


O elenco é extenso e há certamente muito por onde escolher. Este ano é composto pelos chefes: April Bloomfiled, Albano Lourenço, Vincente Fargé, Hans Neuner, Jose Avillez, Benoit Sinthon, Henrique Leis, Vitor Matos, Hans Välimäki, Koschina & Friends, Norbert Niederkofler, Mario Lohninger, Jonnie Boer, Jacob Jan Boerma, Peter Knogl, Joachim Wissler, Magnus Nilsson, Alain Passard, Normand Laprise, Shaun Hegartt, Laurant Gras e Massimo Bottura.

Michael Imperioli (Sopranos) e Diane Neal (Lei e Ordem/NCIS)
e Christopher Raphael (RP Internacional de celebridades)
Os preços por pessoa e por jantar variam entre os €350 a €400, e os pacotes, para quem quiser ficar lá para todos os jantares e dormir sobre o mesmo tecto, prepare-se para investir €8.900 por pessoa e poderá ter acesso a tudo, incluindo a cozinha, privar com os chefes e jantar na “mesa dos chefes”. 

Um privilégio só alcance de algumas e recheadas bolsas.

Para mais informações por favor consultar o site : 
www.internationalgourmetfestival.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Desde há uns dias que tenho estado em Espanha na região da Cantábria a procurar e experimentar restaurantes e ontem,  depois de vários restaurantes sofisticados e outros mais tradicionais, decidi dar um passeio nocturno em Santander, onde guarneci o meu já penado estômago com um "picoteio".
É uma tradição que em Portugal se perdeu (mantém-se ainda nas feiras) e em Espanha se cultiva: saltar de porta em porta, comer pequenas tapas, pedir um vinho ou uma imperial e depois seguir para a freguesia seguinte. Divertido, económico e um evento social.
 

 
Mas, voltando a Portugal, este fim-de-semana a festa está programada para Beja, com o evento da Vinipax e Olivipax, que começa já hoje, pelas 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. 

Além de se poder fazer várias provas de inúmeros produtores de vinhos e azeites nacionais, este ano conta também com o Beja Gourmet, Kids e Brava com várias degustações de restaurantes e wine bars (bom para o "picoteio"), espectáculos e animação para crianças e muitas actividades ligadas à tauromaquia. Certamente que vai ser um programa para famílias, ou para os apaixonados do vinho e gastronomia. Este evento, que termina apenas no domingo,  conta ainda com espectáculos musicais e actuações dos Sonido Andaluz e do fadista  Marco Rodrigues.
 

Já se pretende ficar por Lisboa ou Porto, aqui estão duas novidades fresquíssimas e bastante apetitosas.
 

Restaurante Book (Porto)
 

Fica na rua de Aviz, precisamente na antiga livraria com o mesmo nome, sendo a mais recente aposta do grupo Lágrimas. O espaço é descontraído, bem como a sua ementa, oferecendo uma comida de conforto, onde se destacam as criações do chefe Pedro Mendes, como o Creme de ervilhas com almôndegas de morcela ou o Bife de vitela Arouquesa com molho de vinho da Casa de Eça. A acompanhar a refeição tem sempre a companhia do DJ residente, que nos dias mais movimentados se prolonga pela noite fora, e depois poderá continuar a noite nas "Galerias" do Porto.
 

Rua de Aviz, 10
T: 917 953 387
 

Pizzaria Passaparola (Lisboa)
 

É um dos mais recentes espaços das Docas (Alcântara) e da família Moia, que pretende trazer à cidade um espaço moderno, inspirado nos sabores de Itália, descontraído, despretensioso e, acima de tudo, a preço justo. O ex-líbris da casa é a variedade de massas para pizzas, onde em muitos casos pode optar entre a fina, crocante, normal e integral. O espaço, além do edifício de dois pisos bastante desafogado, conta ainda com uma esplanada (vista Tejo e Ponte 25 de Abril) e um parque infantil, ideal para famílias.
 

Doca de Santo Amaro Armazém 8
T: 218 232 470


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Vinhos Alentejanos no CCB


Não, não é um novo espetáculo, mas sim um encontro de vários produtores que dão a provar as suas novas colheitas, ou seja passo o comunicado:

Os Vinhos do Alentejo vão estar em prova livre nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no âmbito do evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, dirigido a todos os consumidores e organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), com produção da Essência do Vinho.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” conta com a presença de dezenas de produtores e mais de 300 vinhos da região do Alentejo. Durante dois dias irão decorrer provas temáticas, sujeitas a inscrição e orientadas por alguns dos mais conceituados especialistas, como Aníbal Coutinho (enólogo e crítico de vinhos), Rui Falcão (crítico de vinhos) e Manuel Moreira (sommelier e crítico de vinhos). No sábado, pelas 19h30, os visitantes poderão ainda assistir a um showcase exclusivo da banda sensação ‘Os Azeitonas’, que irá apresentar ao vivo alguns dos temas mais conhecidos do seu reportório.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” pode ser visitado dia 30, sexta-feira, das 16h00 às 21h00, e dia 1, sábado, das 15h00 às 21h00.

Informações adicionais estão disponíveis no sítio da CVRA www.vinhosdoalentejo.pt

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

200 anos de história(s)

Eram seis da manhã de sexta-feira e alterei a minha rotina habitual, acordando ligeiramente mais cedo para fazer uma viagem de mais de 300 quilómetros, que separam a minha casa de Gaia.
 

Mas a ânsia de chegar ao destino traduziu o esforço em prazer, pois era para fazer uma das provas vínicas mais fantásticas da minha vida.
 

Os quilómetros da estrada eram poucos, tendo em consideração os anos de história que iria ter o prazer de conhecer. 

A festa era de dois séculos e, para celebrar, foram abertos seis vintages muito especiais, colmatando com um tinto comemorativo do bicentenário: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008.
 

Mas voltando aos vintages, coube ao enólogo da casa, Luís Sottomayor, abrir e comentar a prova, começando nada mais nada menos do que com o Ferreirinha 1851.
 

O 1851 era um verdadeiro estrondo no nariz e cor, revelando, apesar dos 160 anos, um aroma intenso, muito complexo, e um ligeiro vinagre habitual neste tipo de vinhos. 

As supresas não pararam por aqui, pois a boca era marcada pelos taninos e uma acidez apaixonante, terminando muito intenso, longuíssimo e, acima de tudo, em grande! 

Confesso que este foi o meu preferido.

Seguiram-se os de 1847 e 1840, não sei se foi porque ainda estava deslumbrado pelo primeiro, mas estes foram os que menos me fascinaram, não que os tenha considerado maus, simplesmente não foram tão arrebatadores. 

 
O primeiro era um pouco mais doce, com notas de baunilha e especiaria, e, no ano do seu lançamento, foi considerado um dos melhores. 

O segundo, muito complexo e intenso, revelou notas de figos e alguns frutos secos, mas o final era muito persistente e um pouco forte para o meu gosto.
 

Ainda houve tempo para provar alguns dos anos trinta, ora foram os anos 1834 e 1830 que tive o privilégio de levar ao nariz e boca, e ainda apaixonarem os meus olhos com as suas cores vivas douradas, duas verdadeiras pérolas. 

Em 34, o resultado foi um vinho muito apaixonante, com notas fortes de madeira, frutos secos e algumas notas ligeiras de especiarias, boa acidez e frescura, terminando muito longo. 

Já o 30, manteve a toada do 34, com alguma complexidade e um nariz rico em notas aromáticas, destacando-se a fruta seca, especialmente pinhões, na boca revelando boa acidez, frescura, muito equilíbrio e paixão.
 

Se pensarmos em Portos, raramente pensamos em mais de 40 anos, e muito menos acima dos 100 anos, mas pensar próximo dos duzentos é que é verdadeiramente único, e foi assim que pensei antes de me iniciar no verdadeiro ex-líbris da prova, o Ferreirinha Vintage de 1815!
 

São tantos os factos históricos a que este vinho pôde assistir, que não há linhas suficientes para o resumir, mas um sobressai: a Dona Antónia Ferreira tinha apenas 4 anos de idade quando este vinho veio ao mundo.
 

É o famoso Vintage de Waterloo, com aromas ricos e intensos a madeiras exóticas, especiarias de todos os tipos, cera, e um conjunto de mais centos de aromas apaixonantes e fruto de um envelhecimento contínuo. 

A boca revela uma frescura fantástica, viva, apaixonante, com uma acidez equilibrada pelo seu perfil único. E, rematando com as palavras do enólogo Luís Sottomayor, "Um vinho apaixonante".
 

Foram seis provas inesquecíveis, infelizmente apenas partilháveis pelas palavras, pois a escassa quantidade não permite que estes se comercializem. 

Do Vintage 1815, apenas ficaram 50 garrafas para história, havendo a possibilidade de alguns privilegiados acompanharem a biografia da sua evolução. Espero ser um deles.
 

Mas como nem tudo ficou apenas resumido a estas linhas, volto ao início e ao vinho da comemoração: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008, que vai ser comercializado já a partir de Novembro, e quem quiser comprar uma (ou mais) das 3500 garrafas produzidas, terá de guardar pelo menos €45. 

As uvas foram seleccionadas das melhores barricas de cada uma das várias quintas do produtor, representando o Douro nas suas diferentes regiões, altitudes e exposições.


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 28 de Setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Salicórnia

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
Há centenas de produtos que nascem por todo o país, que para muitos são considerados pragas, e para quem dá um pouco mais de atenção, descobre que está sobre uma verdadeira pérola.

A salicórnia, também conhecida por sal verde ou espargos do mar, é uma erva halófita que cresce normalmente nos sapais (salinas), sendo altamente tolerante ao sal, e com uma particularidade e singularidade única: é salgada.

Para muitos é uma desconhecida, e quem a vê associa mais rapidamente a uma erva daninha, ou uma erva para as larvas, antes de pensar em apanhá-la e levar para casa para a utilizar na sua cozinha.

O que é certo é que esta erva suculenta, verde e pequena tem uma textura intrigante e um sabor a sal curioso, sendo mesmo utilizado como substituo do cloreto de sódio (sal) em saladas, ou mesmo em pratos mais complexos.

Segundo alguns médicos, a salicónia além de ser abundante em vitaminas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é altamente aconselhada para os hipertensos, uma vez que pode ser um substituto do sal na cozinha.

Apesar do desconhecimento na cozinha dos portugueses, não passou despercebida aos grandes chefes de cozinha que adoram criar pratos utilizando este produto, principalmente como um substituto salgado, mas também pela sua curiosa aparência e textura.

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
A Salicórnia é apanhada fresca entre Março e Agosto, (às vezes aparece em Fevereiro ou estende-se até Setembro) e após Setembro até Outubro é apanhada seca e triturada para se vender em pó. Curiosamente, é o Brasil que fica com grande fatia desta variante.

O José João da Casa do Sal, proprietário da Salina Figueira Foz, Eiras Largas – Margem sul da Figueira na zona da Gala, além dos cristais, apanha regularmente esta erva, e distribui e vende para vários pontos do país a €20 o quilo, e também pode ser comprada através do site www.casadosal.pt.

O meu conselho é que arrisque na sua saúde e acredite que é luso e é bom. 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

4th Floor, O primeiro "serão"

4th Floor in action!
Foi ontem que aconteceu o primeiro jantar do 4th Floor, e que maneira de começar, foi um verdadeiro estrondo!

Começou como uma ideia engraçada, que rapidamente se transformou num desafio, nunca chegou ao pesadelo, porque a vontade transformou o cansaço em realização, e o sonho em paixão.

O mentor e anfitrião foi o Alexandre Silva, chefe do prestigiadíssimo restaurante Bocca em Lisboa. 

A sua criatividade, técnica e paixão já lhe valeram vários prémios, louvas e elogios dos seus parceiros e clientes.

Mas a ambição de fazer algo novo e diferente levou-o a transformar a sua casa num “loft gastronómico” criando para isso o 4th Floor. 

A ideia é simples: pensar na criatividade sem limites, juntar um grupo de oito pessoas com uma mente aberta à novidade, e deixar o limite sem limites, e o resultado foi verdadeiramente fantástico.

Apenas alguns minutos antes da hora marcada para o dia 25 de Setembro, 20h certas, a cozinha do quarto andar, num edifício recuperado no Bairro dos Anjos em Lisboa, está repleta de técnicos, criativos e principalmente cozinheiros. Eram eles o Alexandre Silva (anfitrião e chefe), Francisco Gomes (pasteleiro), Bernardo Agrela e o Tó Zé (cozinheiros), ainda a ajudar estavam a Alexandra e a Francisca (anfitriã) que preparavam as mesas, e o Ricardo que escolhia os vinhos! 

Sandwiche com crocante de galinha e ovas
O jantar prometia.


Mas nada do que se via na cozinha apareceu lá por milagre, e nos dias anteriores já tinha havido visitas e compras em vários locais, como no mercado Biológico no Príncipe Real ou o tão conhecido mercado da Ribeira em Santos.

Às 20h só uma pessoa faltava, mas os cocktails foram servidos na varanda, onde ainda havia alguns raios de luz, que desvendavam o verde da bebida: era uma mistura de espinafres e limão.

Atrasos à parte, os sete que chegaram sentaram-se e as hostes deram inicio ao serão gastronómico!

A sala decorada com sobriedade, musica ambiente, a mesa com porcelanas bonitas, talheres adequados e copos a preceito, eram o prognóstico de uma noite fantástica.

(Vou só dizer os nomes dos pratos, pois foi um jantar de amigos e não há espaço para a critica, apenas para as louvas)

Ostras, a meloa e o pepino
  1. (amuse bouche) - Sandwiche com crocante de galinha e ovas, acompanhado pelo Herdade da Ajuda Rosé 2010;
  2. Ostras, a meloa e o pepino e o Rieseling da Quinta de Sant’Ana 2010;
  3. Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate, harmonizado com o Lavradores de Feitoria Três Bagos Sauvignon Blanc 2010;
  4. Camarões “raw” e Julia Kemper Branco 2009;
  5. Falso escabeche de mexilhões e Vale D’Algares Branco D – Alvarinho 2010;
  6. Percebes, algas e caldo casado com o Quanta Terra Branco Grande Reserva 2009;
  7. Corvina em para quedas sobre puré, Alves de Sousa Abandonado 2007;
  8. (amuse bouche) - Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira, e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã;
  9. (pré desert) - Panacotta de chocolate com café crocante;
  10. Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela, falso guimaves de frutos vermelhos, salsa de chocolate quente, acompanhado por um apaixonante LBV de 1974;
  11. Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys, biscoito de pistáchio, película de laranja, crocante de amêndoa e falso puré de laranja.
Ainda ouve direito a Mignardises, como macarrons e chupas de chocolate e peta zetas para acompanhar o café.

Apesar de todos estarem bons, destaco as ostras e o riesling de Sant’Ana, o falso escabeche de mexilhões e a fantástica corvina cozinhada a baixa temperatura.

Nas sobremesas, o Francisco excedeu-se, e os seus globos de chocolate eram  uma verdadeira maravilha. E dos macarrons ….

Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate
Bem, infelizmente agora só me restam as memórias, porque estes momentos podiam durar um pouco mais!

Mas garanto que os oito comensais que tiveram o privilégio de estar sentados no 4th Floor e degustaram estes 11 pratos, saíram todos com um sorriso na cara, e principalmente sem precisar de sais para ajudar a digestão de quase uma dezena de pratos, foi uma refeição equilibrada, num crescendo de intensidade de texturas e sabores.




Resta-me um obrigado pelo momento, e um até já replecto de saudade!

As fotografias foram retiradas com o telemóvel, sem qualquer tipo de pretensões, simplesmente para imortalizar o jantar!

Para quem quiser ir aos próximos, aqui vai o link:
http://www.facebook.com/4thFloorCozinhaExperimental

Camarões “raw”
Falso escabeche de mexilhões
Percebes, algas e o caldo
Corvina em para quedas sobre puré
Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira,
e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã
Panacotta de chocolate com café crocante
Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela,
falso guimaves de frutos vermelhos,
salsa de chocolate quente
Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys,
biscoito de pistáchio, película de laranja,
crocante de amêndoa e falso puré de laranja
Macarron (framboesa, chocolate e laranja sanguínea)