terça-feira, 11 de outubro de 2011

Koschina e Vila Joya já têm programa para 2012!

Depois de alguns minutos onde as câmaras cor-de-rosa não paravam, tentando apanhar o melhor ângulo do Michael Imperioli (Sopranos) e da Diane Neal (NCIS), actores bastante famosos na outra costa do atlântico e de uma popularidade um pouco mais modesta em Portugal, deu-se inicio à ordem de trabalhos - a conferencia de imprensa do Festival Gourmet Internacional (Tribute do Claudia).

Gebhard Schachermayer (Embaixador do Evento) e
José Avillez (chefe de cozinha)
As novidades são muitas e não ficam apenas pelos jantares no luxuoso restaurante gourmet do Vila Joya. Pois é, este ano parece que vai haver passagens por Beja (Herdade da Malhadinha) e Lisboa (ainda por definir).


Outra, como já devem ter reparado, é a vontade de internacionalizar e mediatizar este evento de forma mais global, mudando o nome de Tribute to Claudia para International Gourmet Festival, e claro, convidando várias estrelas das séries americanas e alguns actores de Hollywood, pois a mim cativaram-me assim que anunciaram o nome da Eva Longoria!


Já por Albufeira a história é outra - começando no dia 13 de Janeiro e prolongando-se até dia 23, este ano abre novamente com as “estrelas” Michelin de Portugal, sendo o cartaz embelezado com vários três estrelas Michelin como o francês Alain Passard do L’Arpege em Paris, ou o Laurent Gras do L20 em Nova Iorque, ou ainda Joachim Wissler do Vendome em Colónia, entre outros!


O elenco é extenso e há certamente muito por onde escolher. Este ano é composto pelos chefes: April Bloomfiled, Albano Lourenço, Vincente Fargé, Hans Neuner, Jose Avillez, Benoit Sinthon, Henrique Leis, Vitor Matos, Hans Välimäki, Koschina & Friends, Norbert Niederkofler, Mario Lohninger, Jonnie Boer, Jacob Jan Boerma, Peter Knogl, Joachim Wissler, Magnus Nilsson, Alain Passard, Normand Laprise, Shaun Hegartt, Laurant Gras e Massimo Bottura.

Michael Imperioli (Sopranos) e Diane Neal (Lei e Ordem/NCIS)
e Christopher Raphael (RP Internacional de celebridades)
Os preços por pessoa e por jantar variam entre os €350 a €400, e os pacotes, para quem quiser ficar lá para todos os jantares e dormir sobre o mesmo tecto, prepare-se para investir €8.900 por pessoa e poderá ter acesso a tudo, incluindo a cozinha, privar com os chefes e jantar na “mesa dos chefes”. 

Um privilégio só alcance de algumas e recheadas bolsas.

Para mais informações por favor consultar o site : 
www.internationalgourmetfestival.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Desde há uns dias que tenho estado em Espanha na região da Cantábria a procurar e experimentar restaurantes e ontem,  depois de vários restaurantes sofisticados e outros mais tradicionais, decidi dar um passeio nocturno em Santander, onde guarneci o meu já penado estômago com um "picoteio".
É uma tradição que em Portugal se perdeu (mantém-se ainda nas feiras) e em Espanha se cultiva: saltar de porta em porta, comer pequenas tapas, pedir um vinho ou uma imperial e depois seguir para a freguesia seguinte. Divertido, económico e um evento social.
 

 
Mas, voltando a Portugal, este fim-de-semana a festa está programada para Beja, com o evento da Vinipax e Olivipax, que começa já hoje, pelas 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. 

Além de se poder fazer várias provas de inúmeros produtores de vinhos e azeites nacionais, este ano conta também com o Beja Gourmet, Kids e Brava com várias degustações de restaurantes e wine bars (bom para o "picoteio"), espectáculos e animação para crianças e muitas actividades ligadas à tauromaquia. Certamente que vai ser um programa para famílias, ou para os apaixonados do vinho e gastronomia. Este evento, que termina apenas no domingo,  conta ainda com espectáculos musicais e actuações dos Sonido Andaluz e do fadista  Marco Rodrigues.
 

Já se pretende ficar por Lisboa ou Porto, aqui estão duas novidades fresquíssimas e bastante apetitosas.
 

Restaurante Book (Porto)
 

Fica na rua de Aviz, precisamente na antiga livraria com o mesmo nome, sendo a mais recente aposta do grupo Lágrimas. O espaço é descontraído, bem como a sua ementa, oferecendo uma comida de conforto, onde se destacam as criações do chefe Pedro Mendes, como o Creme de ervilhas com almôndegas de morcela ou o Bife de vitela Arouquesa com molho de vinho da Casa de Eça. A acompanhar a refeição tem sempre a companhia do DJ residente, que nos dias mais movimentados se prolonga pela noite fora, e depois poderá continuar a noite nas "Galerias" do Porto.
 

Rua de Aviz, 10
T: 917 953 387
 

Pizzaria Passaparola (Lisboa)
 

É um dos mais recentes espaços das Docas (Alcântara) e da família Moia, que pretende trazer à cidade um espaço moderno, inspirado nos sabores de Itália, descontraído, despretensioso e, acima de tudo, a preço justo. O ex-líbris da casa é a variedade de massas para pizzas, onde em muitos casos pode optar entre a fina, crocante, normal e integral. O espaço, além do edifício de dois pisos bastante desafogado, conta ainda com uma esplanada (vista Tejo e Ponte 25 de Abril) e um parque infantil, ideal para famílias.
 

Doca de Santo Amaro Armazém 8
T: 218 232 470


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Vinhos Alentejanos no CCB


Não, não é um novo espetáculo, mas sim um encontro de vários produtores que dão a provar as suas novas colheitas, ou seja passo o comunicado:

Os Vinhos do Alentejo vão estar em prova livre nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no âmbito do evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, dirigido a todos os consumidores e organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), com produção da Essência do Vinho.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” conta com a presença de dezenas de produtores e mais de 300 vinhos da região do Alentejo. Durante dois dias irão decorrer provas temáticas, sujeitas a inscrição e orientadas por alguns dos mais conceituados especialistas, como Aníbal Coutinho (enólogo e crítico de vinhos), Rui Falcão (crítico de vinhos) e Manuel Moreira (sommelier e crítico de vinhos). No sábado, pelas 19h30, os visitantes poderão ainda assistir a um showcase exclusivo da banda sensação ‘Os Azeitonas’, que irá apresentar ao vivo alguns dos temas mais conhecidos do seu reportório.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” pode ser visitado dia 30, sexta-feira, das 16h00 às 21h00, e dia 1, sábado, das 15h00 às 21h00.

Informações adicionais estão disponíveis no sítio da CVRA www.vinhosdoalentejo.pt

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

200 anos de história(s)

Eram seis da manhã de sexta-feira e alterei a minha rotina habitual, acordando ligeiramente mais cedo para fazer uma viagem de mais de 300 quilómetros, que separam a minha casa de Gaia.
 

Mas a ânsia de chegar ao destino traduziu o esforço em prazer, pois era para fazer uma das provas vínicas mais fantásticas da minha vida.
 

Os quilómetros da estrada eram poucos, tendo em consideração os anos de história que iria ter o prazer de conhecer. 

A festa era de dois séculos e, para celebrar, foram abertos seis vintages muito especiais, colmatando com um tinto comemorativo do bicentenário: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008.
 

Mas voltando aos vintages, coube ao enólogo da casa, Luís Sottomayor, abrir e comentar a prova, começando nada mais nada menos do que com o Ferreirinha 1851.
 

O 1851 era um verdadeiro estrondo no nariz e cor, revelando, apesar dos 160 anos, um aroma intenso, muito complexo, e um ligeiro vinagre habitual neste tipo de vinhos. 

As supresas não pararam por aqui, pois a boca era marcada pelos taninos e uma acidez apaixonante, terminando muito intenso, longuíssimo e, acima de tudo, em grande! 

Confesso que este foi o meu preferido.

Seguiram-se os de 1847 e 1840, não sei se foi porque ainda estava deslumbrado pelo primeiro, mas estes foram os que menos me fascinaram, não que os tenha considerado maus, simplesmente não foram tão arrebatadores. 

 
O primeiro era um pouco mais doce, com notas de baunilha e especiaria, e, no ano do seu lançamento, foi considerado um dos melhores. 

O segundo, muito complexo e intenso, revelou notas de figos e alguns frutos secos, mas o final era muito persistente e um pouco forte para o meu gosto.
 

Ainda houve tempo para provar alguns dos anos trinta, ora foram os anos 1834 e 1830 que tive o privilégio de levar ao nariz e boca, e ainda apaixonarem os meus olhos com as suas cores vivas douradas, duas verdadeiras pérolas. 

Em 34, o resultado foi um vinho muito apaixonante, com notas fortes de madeira, frutos secos e algumas notas ligeiras de especiarias, boa acidez e frescura, terminando muito longo. 

Já o 30, manteve a toada do 34, com alguma complexidade e um nariz rico em notas aromáticas, destacando-se a fruta seca, especialmente pinhões, na boca revelando boa acidez, frescura, muito equilíbrio e paixão.
 

Se pensarmos em Portos, raramente pensamos em mais de 40 anos, e muito menos acima dos 100 anos, mas pensar próximo dos duzentos é que é verdadeiramente único, e foi assim que pensei antes de me iniciar no verdadeiro ex-líbris da prova, o Ferreirinha Vintage de 1815!
 

São tantos os factos históricos a que este vinho pôde assistir, que não há linhas suficientes para o resumir, mas um sobressai: a Dona Antónia Ferreira tinha apenas 4 anos de idade quando este vinho veio ao mundo.
 

É o famoso Vintage de Waterloo, com aromas ricos e intensos a madeiras exóticas, especiarias de todos os tipos, cera, e um conjunto de mais centos de aromas apaixonantes e fruto de um envelhecimento contínuo. 

A boca revela uma frescura fantástica, viva, apaixonante, com uma acidez equilibrada pelo seu perfil único. E, rematando com as palavras do enólogo Luís Sottomayor, "Um vinho apaixonante".
 

Foram seis provas inesquecíveis, infelizmente apenas partilháveis pelas palavras, pois a escassa quantidade não permite que estes se comercializem. 

Do Vintage 1815, apenas ficaram 50 garrafas para história, havendo a possibilidade de alguns privilegiados acompanharem a biografia da sua evolução. Espero ser um deles.
 

Mas como nem tudo ficou apenas resumido a estas linhas, volto ao início e ao vinho da comemoração: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008, que vai ser comercializado já a partir de Novembro, e quem quiser comprar uma (ou mais) das 3500 garrafas produzidas, terá de guardar pelo menos €45. 

As uvas foram seleccionadas das melhores barricas de cada uma das várias quintas do produtor, representando o Douro nas suas diferentes regiões, altitudes e exposições.


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 28 de Setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Salicórnia

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
Há centenas de produtos que nascem por todo o país, que para muitos são considerados pragas, e para quem dá um pouco mais de atenção, descobre que está sobre uma verdadeira pérola.

A salicórnia, também conhecida por sal verde ou espargos do mar, é uma erva halófita que cresce normalmente nos sapais (salinas), sendo altamente tolerante ao sal, e com uma particularidade e singularidade única: é salgada.

Para muitos é uma desconhecida, e quem a vê associa mais rapidamente a uma erva daninha, ou uma erva para as larvas, antes de pensar em apanhá-la e levar para casa para a utilizar na sua cozinha.

O que é certo é que esta erva suculenta, verde e pequena tem uma textura intrigante e um sabor a sal curioso, sendo mesmo utilizado como substituo do cloreto de sódio (sal) em saladas, ou mesmo em pratos mais complexos.

Segundo alguns médicos, a salicónia além de ser abundante em vitaminas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é altamente aconselhada para os hipertensos, uma vez que pode ser um substituto do sal na cozinha.

Apesar do desconhecimento na cozinha dos portugueses, não passou despercebida aos grandes chefes de cozinha que adoram criar pratos utilizando este produto, principalmente como um substituto salgado, mas também pela sua curiosa aparência e textura.

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
A Salicórnia é apanhada fresca entre Março e Agosto, (às vezes aparece em Fevereiro ou estende-se até Setembro) e após Setembro até Outubro é apanhada seca e triturada para se vender em pó. Curiosamente, é o Brasil que fica com grande fatia desta variante.

O José João da Casa do Sal, proprietário da Salina Figueira Foz, Eiras Largas – Margem sul da Figueira na zona da Gala, além dos cristais, apanha regularmente esta erva, e distribui e vende para vários pontos do país a €20 o quilo, e também pode ser comprada através do site www.casadosal.pt.

O meu conselho é que arrisque na sua saúde e acredite que é luso e é bom. 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Setembro de 2011