sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Desde há uns dias que tenho estado em Espanha na região da Cantábria a procurar e experimentar restaurantes e ontem,  depois de vários restaurantes sofisticados e outros mais tradicionais, decidi dar um passeio nocturno em Santander, onde guarneci o meu já penado estômago com um "picoteio".
É uma tradição que em Portugal se perdeu (mantém-se ainda nas feiras) e em Espanha se cultiva: saltar de porta em porta, comer pequenas tapas, pedir um vinho ou uma imperial e depois seguir para a freguesia seguinte. Divertido, económico e um evento social.
 

 
Mas, voltando a Portugal, este fim-de-semana a festa está programada para Beja, com o evento da Vinipax e Olivipax, que começa já hoje, pelas 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. 

Além de se poder fazer várias provas de inúmeros produtores de vinhos e azeites nacionais, este ano conta também com o Beja Gourmet, Kids e Brava com várias degustações de restaurantes e wine bars (bom para o "picoteio"), espectáculos e animação para crianças e muitas actividades ligadas à tauromaquia. Certamente que vai ser um programa para famílias, ou para os apaixonados do vinho e gastronomia. Este evento, que termina apenas no domingo,  conta ainda com espectáculos musicais e actuações dos Sonido Andaluz e do fadista  Marco Rodrigues.
 

Já se pretende ficar por Lisboa ou Porto, aqui estão duas novidades fresquíssimas e bastante apetitosas.
 

Restaurante Book (Porto)
 

Fica na rua de Aviz, precisamente na antiga livraria com o mesmo nome, sendo a mais recente aposta do grupo Lágrimas. O espaço é descontraído, bem como a sua ementa, oferecendo uma comida de conforto, onde se destacam as criações do chefe Pedro Mendes, como o Creme de ervilhas com almôndegas de morcela ou o Bife de vitela Arouquesa com molho de vinho da Casa de Eça. A acompanhar a refeição tem sempre a companhia do DJ residente, que nos dias mais movimentados se prolonga pela noite fora, e depois poderá continuar a noite nas "Galerias" do Porto.
 

Rua de Aviz, 10
T: 917 953 387
 

Pizzaria Passaparola (Lisboa)
 

É um dos mais recentes espaços das Docas (Alcântara) e da família Moia, que pretende trazer à cidade um espaço moderno, inspirado nos sabores de Itália, descontraído, despretensioso e, acima de tudo, a preço justo. O ex-líbris da casa é a variedade de massas para pizzas, onde em muitos casos pode optar entre a fina, crocante, normal e integral. O espaço, além do edifício de dois pisos bastante desafogado, conta ainda com uma esplanada (vista Tejo e Ponte 25 de Abril) e um parque infantil, ideal para famílias.
 

Doca de Santo Amaro Armazém 8
T: 218 232 470


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Vinhos Alentejanos no CCB


Não, não é um novo espetáculo, mas sim um encontro de vários produtores que dão a provar as suas novas colheitas, ou seja passo o comunicado:

Os Vinhos do Alentejo vão estar em prova livre nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no âmbito do evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, dirigido a todos os consumidores e organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), com produção da Essência do Vinho.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” conta com a presença de dezenas de produtores e mais de 300 vinhos da região do Alentejo. Durante dois dias irão decorrer provas temáticas, sujeitas a inscrição e orientadas por alguns dos mais conceituados especialistas, como Aníbal Coutinho (enólogo e crítico de vinhos), Rui Falcão (crítico de vinhos) e Manuel Moreira (sommelier e crítico de vinhos). No sábado, pelas 19h30, os visitantes poderão ainda assistir a um showcase exclusivo da banda sensação ‘Os Azeitonas’, que irá apresentar ao vivo alguns dos temas mais conhecidos do seu reportório.

O evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa” pode ser visitado dia 30, sexta-feira, das 16h00 às 21h00, e dia 1, sábado, das 15h00 às 21h00.

Informações adicionais estão disponíveis no sítio da CVRA www.vinhosdoalentejo.pt

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

200 anos de história(s)

Eram seis da manhã de sexta-feira e alterei a minha rotina habitual, acordando ligeiramente mais cedo para fazer uma viagem de mais de 300 quilómetros, que separam a minha casa de Gaia.
 

Mas a ânsia de chegar ao destino traduziu o esforço em prazer, pois era para fazer uma das provas vínicas mais fantásticas da minha vida.
 

Os quilómetros da estrada eram poucos, tendo em consideração os anos de história que iria ter o prazer de conhecer. 

A festa era de dois séculos e, para celebrar, foram abertos seis vintages muito especiais, colmatando com um tinto comemorativo do bicentenário: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008.
 

Mas voltando aos vintages, coube ao enólogo da casa, Luís Sottomayor, abrir e comentar a prova, começando nada mais nada menos do que com o Ferreirinha 1851.
 

O 1851 era um verdadeiro estrondo no nariz e cor, revelando, apesar dos 160 anos, um aroma intenso, muito complexo, e um ligeiro vinagre habitual neste tipo de vinhos. 

As supresas não pararam por aqui, pois a boca era marcada pelos taninos e uma acidez apaixonante, terminando muito intenso, longuíssimo e, acima de tudo, em grande! 

Confesso que este foi o meu preferido.

Seguiram-se os de 1847 e 1840, não sei se foi porque ainda estava deslumbrado pelo primeiro, mas estes foram os que menos me fascinaram, não que os tenha considerado maus, simplesmente não foram tão arrebatadores. 

 
O primeiro era um pouco mais doce, com notas de baunilha e especiaria, e, no ano do seu lançamento, foi considerado um dos melhores. 

O segundo, muito complexo e intenso, revelou notas de figos e alguns frutos secos, mas o final era muito persistente e um pouco forte para o meu gosto.
 

Ainda houve tempo para provar alguns dos anos trinta, ora foram os anos 1834 e 1830 que tive o privilégio de levar ao nariz e boca, e ainda apaixonarem os meus olhos com as suas cores vivas douradas, duas verdadeiras pérolas. 

Em 34, o resultado foi um vinho muito apaixonante, com notas fortes de madeira, frutos secos e algumas notas ligeiras de especiarias, boa acidez e frescura, terminando muito longo. 

Já o 30, manteve a toada do 34, com alguma complexidade e um nariz rico em notas aromáticas, destacando-se a fruta seca, especialmente pinhões, na boca revelando boa acidez, frescura, muito equilíbrio e paixão.
 

Se pensarmos em Portos, raramente pensamos em mais de 40 anos, e muito menos acima dos 100 anos, mas pensar próximo dos duzentos é que é verdadeiramente único, e foi assim que pensei antes de me iniciar no verdadeiro ex-líbris da prova, o Ferreirinha Vintage de 1815!
 

São tantos os factos históricos a que este vinho pôde assistir, que não há linhas suficientes para o resumir, mas um sobressai: a Dona Antónia Ferreira tinha apenas 4 anos de idade quando este vinho veio ao mundo.
 

É o famoso Vintage de Waterloo, com aromas ricos e intensos a madeiras exóticas, especiarias de todos os tipos, cera, e um conjunto de mais centos de aromas apaixonantes e fruto de um envelhecimento contínuo. 

A boca revela uma frescura fantástica, viva, apaixonante, com uma acidez equilibrada pelo seu perfil único. E, rematando com as palavras do enólogo Luís Sottomayor, "Um vinho apaixonante".
 

Foram seis provas inesquecíveis, infelizmente apenas partilháveis pelas palavras, pois a escassa quantidade não permite que estes se comercializem. 

Do Vintage 1815, apenas ficaram 50 garrafas para história, havendo a possibilidade de alguns privilegiados acompanharem a biografia da sua evolução. Espero ser um deles.
 

Mas como nem tudo ficou apenas resumido a estas linhas, volto ao início e ao vinho da comemoração: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008, que vai ser comercializado já a partir de Novembro, e quem quiser comprar uma (ou mais) das 3500 garrafas produzidas, terá de guardar pelo menos €45. 

As uvas foram seleccionadas das melhores barricas de cada uma das várias quintas do produtor, representando o Douro nas suas diferentes regiões, altitudes e exposições.


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 28 de Setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Salicórnia

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
Há centenas de produtos que nascem por todo o país, que para muitos são considerados pragas, e para quem dá um pouco mais de atenção, descobre que está sobre uma verdadeira pérola.

A salicórnia, também conhecida por sal verde ou espargos do mar, é uma erva halófita que cresce normalmente nos sapais (salinas), sendo altamente tolerante ao sal, e com uma particularidade e singularidade única: é salgada.

Para muitos é uma desconhecida, e quem a vê associa mais rapidamente a uma erva daninha, ou uma erva para as larvas, antes de pensar em apanhá-la e levar para casa para a utilizar na sua cozinha.

O que é certo é que esta erva suculenta, verde e pequena tem uma textura intrigante e um sabor a sal curioso, sendo mesmo utilizado como substituo do cloreto de sódio (sal) em saladas, ou mesmo em pratos mais complexos.

Segundo alguns médicos, a salicónia além de ser abundante em vitaminas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é altamente aconselhada para os hipertensos, uma vez que pode ser um substituto do sal na cozinha.

Apesar do desconhecimento na cozinha dos portugueses, não passou despercebida aos grandes chefes de cozinha que adoram criar pratos utilizando este produto, principalmente como um substituto salgado, mas também pela sua curiosa aparência e textura.

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
A Salicórnia é apanhada fresca entre Março e Agosto, (às vezes aparece em Fevereiro ou estende-se até Setembro) e após Setembro até Outubro é apanhada seca e triturada para se vender em pó. Curiosamente, é o Brasil que fica com grande fatia desta variante.

O José João da Casa do Sal, proprietário da Salina Figueira Foz, Eiras Largas – Margem sul da Figueira na zona da Gala, além dos cristais, apanha regularmente esta erva, e distribui e vende para vários pontos do país a €20 o quilo, e também pode ser comprada através do site www.casadosal.pt.

O meu conselho é que arrisque na sua saúde e acredite que é luso e é bom. 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

4th Floor, O primeiro "serão"

4th Floor in action!
Foi ontem que aconteceu o primeiro jantar do 4th Floor, e que maneira de começar, foi um verdadeiro estrondo!

Começou como uma ideia engraçada, que rapidamente se transformou num desafio, nunca chegou ao pesadelo, porque a vontade transformou o cansaço em realização, e o sonho em paixão.

O mentor e anfitrião foi o Alexandre Silva, chefe do prestigiadíssimo restaurante Bocca em Lisboa. 

A sua criatividade, técnica e paixão já lhe valeram vários prémios, louvas e elogios dos seus parceiros e clientes.

Mas a ambição de fazer algo novo e diferente levou-o a transformar a sua casa num “loft gastronómico” criando para isso o 4th Floor. 

A ideia é simples: pensar na criatividade sem limites, juntar um grupo de oito pessoas com uma mente aberta à novidade, e deixar o limite sem limites, e o resultado foi verdadeiramente fantástico.

Apenas alguns minutos antes da hora marcada para o dia 25 de Setembro, 20h certas, a cozinha do quarto andar, num edifício recuperado no Bairro dos Anjos em Lisboa, está repleta de técnicos, criativos e principalmente cozinheiros. Eram eles o Alexandre Silva (anfitrião e chefe), Francisco Gomes (pasteleiro), Bernardo Agrela e o Tó Zé (cozinheiros), ainda a ajudar estavam a Alexandra e a Francisca (anfitriã) que preparavam as mesas, e o Ricardo que escolhia os vinhos! 

Sandwiche com crocante de galinha e ovas
O jantar prometia.


Mas nada do que se via na cozinha apareceu lá por milagre, e nos dias anteriores já tinha havido visitas e compras em vários locais, como no mercado Biológico no Príncipe Real ou o tão conhecido mercado da Ribeira em Santos.

Às 20h só uma pessoa faltava, mas os cocktails foram servidos na varanda, onde ainda havia alguns raios de luz, que desvendavam o verde da bebida: era uma mistura de espinafres e limão.

Atrasos à parte, os sete que chegaram sentaram-se e as hostes deram inicio ao serão gastronómico!

A sala decorada com sobriedade, musica ambiente, a mesa com porcelanas bonitas, talheres adequados e copos a preceito, eram o prognóstico de uma noite fantástica.

(Vou só dizer os nomes dos pratos, pois foi um jantar de amigos e não há espaço para a critica, apenas para as louvas)

Ostras, a meloa e o pepino
  1. (amuse bouche) - Sandwiche com crocante de galinha e ovas, acompanhado pelo Herdade da Ajuda Rosé 2010;
  2. Ostras, a meloa e o pepino e o Rieseling da Quinta de Sant’Ana 2010;
  3. Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate, harmonizado com o Lavradores de Feitoria Três Bagos Sauvignon Blanc 2010;
  4. Camarões “raw” e Julia Kemper Branco 2009;
  5. Falso escabeche de mexilhões e Vale D’Algares Branco D – Alvarinho 2010;
  6. Percebes, algas e caldo casado com o Quanta Terra Branco Grande Reserva 2009;
  7. Corvina em para quedas sobre puré, Alves de Sousa Abandonado 2007;
  8. (amuse bouche) - Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira, e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã;
  9. (pré desert) - Panacotta de chocolate com café crocante;
  10. Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela, falso guimaves de frutos vermelhos, salsa de chocolate quente, acompanhado por um apaixonante LBV de 1974;
  11. Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys, biscoito de pistáchio, película de laranja, crocante de amêndoa e falso puré de laranja.
Ainda ouve direito a Mignardises, como macarrons e chupas de chocolate e peta zetas para acompanhar o café.

Apesar de todos estarem bons, destaco as ostras e o riesling de Sant’Ana, o falso escabeche de mexilhões e a fantástica corvina cozinhada a baixa temperatura.

Nas sobremesas, o Francisco excedeu-se, e os seus globos de chocolate eram  uma verdadeira maravilha. E dos macarrons ….

Sashimi de corvina, com geleia da cabeça e tomate
Bem, infelizmente agora só me restam as memórias, porque estes momentos podiam durar um pouco mais!

Mas garanto que os oito comensais que tiveram o privilégio de estar sentados no 4th Floor e degustaram estes 11 pratos, saíram todos com um sorriso na cara, e principalmente sem precisar de sais para ajudar a digestão de quase uma dezena de pratos, foi uma refeição equilibrada, num crescendo de intensidade de texturas e sabores.




Resta-me um obrigado pelo momento, e um até já replecto de saudade!

As fotografias foram retiradas com o telemóvel, sem qualquer tipo de pretensões, simplesmente para imortalizar o jantar!

Para quem quiser ir aos próximos, aqui vai o link:
http://www.facebook.com/4thFloorCozinhaExperimental

Camarões “raw”
Falso escabeche de mexilhões
Percebes, algas e o caldo
Corvina em para quedas sobre puré
Shot de tomate e baunilha, shot ananás e flor de laranjeira,
e colher de cremoso de guanaja e crumble de avelã
Panacotta de chocolate com café crocante
Esfera de framboesa, geleia de chocolate e citronela,
falso guimaves de frutos vermelhos,
salsa de chocolate quente
Pêssego a baixa temperatura, mousse de opalys,
biscoito de pistáchio, película de laranja,
crocante de amêndoa e falso puré de laranja
Macarron (framboesa, chocolate e laranja sanguínea)