terça-feira, 13 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Flor de Sal

Há anos que este é um dos bastiões dos produtos de excelência de Portugal e é da região de Castro Marim, que se gaba a fama de ser o seu o melhor do mundo. Se é não sei, mas tive a oportunidade de o experimentar e comparar com o de outras regiões do nosso país, e, apesar de todos serem, de forma generalizada, de excelente qualidade, os de Castro Marim eram especiais.

Curioso que, apesar da tradição e da excelência da salicultura em Castro Marim, ela estava praticamente extinta e esquecida, e apesar de, nos últimos anos, ter ganho um novo fôlego e ânimo com a recuperação das salinas por vários produtores, apenas 10% destas estão a produzir, havendo ainda muito espaço para evoluir, crescer na sua produção e, principalmente, desenvolver um produto de excelência.

A extracção da flor de sal já tem muita história, mas a realidade é que, se se podem aligeirar alguns processos com o passar dos tempos, o método é praticamente o mesmo há várias centenas de anos. Primeiro, limpam-se as lamas das marinhas e fazem reparações aos desgastes do tempo, potenciando a quantidade e a qualidade de sal recolhido. Depois, enche-se de água salgada depositada em "tejos", circulando através de um sistema de viveiros.

A seguir, é o marnoto que controla a circulação, bem como a saturação da água nos cristalizadores, onde se forma o sal. De seguida, o sal é retirado das marinhas e colocado nas barachas, onde fica cinco dias ao sol para perder o excesso de humidade, seguido do seu armazenamento e embalamento.

A recolha é manual e diária, retirando-se a flor de sal com extrema perícia e cuidado da fina película de cristais de sal que se formam à superfície da água, devido à evaporação, utilizando-se um instrumento apropriado que permite não tocar no fundo do tanque e extraindo-se um produto 100% natural que retém todos os benefícios do mar, sem agentes branqueadores e antiaglomerante.

Um dos produtores que conheci foi o Filipe e a Sandra da Sal Marim, que posicionaram o seu produto na nobreza da qualidade e imagem, associando-se ao chefe Henrique Mouro e às cozinhas criativas lusas e criando uma embalagem moderna, bonita e acima de tudo cativante para o consumidor.

Na sua gama de produtos artesanais, pode contar com a linha natural, pimentão, aromática, limão e azeitona, e, se for ao site, poderá descobrir deliciosas receitas do chefe Henrique Mouro, que explica como usar este produto nas nossas cozinhas. www.salmarim.com

E agora não se esqueça: o que é nosso é melhor. Ao preferir o que é luso, está a ajudar a nossa economia.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

7 Maravilhas Gastronómicas, É esta a nossa identidade?

Ontem fui a Santarém assistir à entrega de prémios das 7 maravilhas gastronómicas portuguesas, e da terceira fila pude assistir a sensivelmente uma hora e meia de espectáculo antes de efectivamente ver alguma coisa de concreto.

A televisão é assim, ou vai como notícia, e tem direito a uns escassos minutos de ar, ou vai como entretenimento e dá-se ao direito de quase três horas de transmissão.

Na realidade se me pedissem para reduzir o nosso património cultural e gastronómico a 7, eu teria certamente muitas dificuldades, mas na minha lista reduzida dos 21 teria certamente retirado a inclusão do Caldo Verde, Coelho do Porto Santo à Caçador, Leitão da Bairrada e o Pastel de Belém e incluiria certamente o Pastel de Nata, a Perdiz à Convento de Alcantra, o Arroz de Lampreia a Muxama de Atum, bem a lista continuava…

O povo é quem manda e a força popular diz que os preferidos são o Caldo Verde (Entre o Douro e Minho), Queijo da Serra da Estrela (Beira Litoral, Beira Interior – Serra da Estrela), Alheira de Mirandela (Trás os Montes e Alto Douro - Mirandela), Arroz de Marisco (Estremadura e Ribatejo – Praia da Vieira – Marinha Grande), Sardinha Assada (Lisboa e Setúbal - Setúbal), Leitão da Bairrada (Beira Litoral - Bairrada) e por fim o Pastel de Nata de Belém, também conhecido pela marca registada Pastel de Belém (Lisboa e Setúbal - Lisboa).

Tenho que dar os parabéns a todos os vencedores, e principalmente à fábrica de Pasteis de Belém (vulgo Pastel de Nata) que apenas com €500 conseguiram uma publicidade de milhares de euros, e provaram que com pouco se pode fazer muito!

Para quem quiser saber mais pode consultar o site da organização: www.7maravilhas.sapo.pt

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Os últimos anos têm sido definitivamente os da viragem gastronómica em Portugal.

Primeiro, os restaurantes deixaram apenas de ter um prato referência para passarem a ter uma fama; depois, o nome não chegava e passaram a ser o restaurante com a assinatura de um chefe; e, mais recentemente, muito à custa da diminuição do poder de compra, passámos a ter tascos e cantinas "gourmet" assinadas pelos chefes mais mediáticos.

Tendência ou simplesmente adaptação, é indiferente - quem ganha é o comensal, que paga menos por melhores refeições.

Eis aqui as mais recentes novidades, no campo gastronómico, de refeições de alta qualidade a baixo custo.

Cantinho Avillez


Depois de ter ganho a tão cobiçada estrela Michelin no restaurante Tavares, o Chefe José Avillez sai e abraça dois novos projectos: o Belcanto, que vai ser o seu restaurante mais criativo e mais cuidadoso, com abertura prevista para breve, e o Cantinho Avillez, onde abraça a tendência mais descontraída e muito procurada pelo público português.
Petiscos, pregos, entradas, pratos e sobremesas, com uma forte influência nacional, e, claro, as suas diversas viagens fazem parte de um menu que, segundo o chefe, é "uma cozinha simples, sofisticada, que nos faz querer voltar muitas e muitas vezes".

Rua dos Duques de Bragança 7, Lisboa
T: 211 992 369
Bistro 100 Maneiras

Muitos poderão achar que me baralhei neste momento e que, por aqui, não há novidades, mas o certo é que o Chefe Ljubomir Stanicic está sempre irrequieto e a palavra "parado" não consta do seu dicionário.
De Cascais passou para o Bairro Alto, e depois do primeiro veio o segundo, com o segundo veio a sua participação no programa Masterchef, e não parou!
Agora abriu uma "padaria" de rua ao lado do seu Bistro, onde, além de pão, poderá comprar umas deliciosas sanduíches; arranjou um espaço de catering e contratou o Chefe João Simões para liderar as suas cozinhas.
Assim, de cozinheiro passou a chefe, e agora troca os tachos pela folha de Excel, tornando-se um Chefe Cozinheiro Empresário.

Largo da Trindade 9, Lisboa
T: 910 307 575

Buhle

É um dos espaços mais bonitos do Porto, na sofisticada avenida Montevideu!
Conhecido pela sua cozinha Noveau Gastronomic, também aqui se adaptaram às novas tendências, praticando uma cozinha mais na forma de tapas, petiscos e um pouco de oriental com sushi.

Av. Montevideu 810, Porto
T: 220 109 929

Sommer

É um espaço fantástico, situado no bairro de São Paulo, em Lisboa, recentemente alterou a sua cozinha e disposição para uma confecção mais descontraída, mas sem nunca descurar o principal: a qualidade gastronómica.
O Chef Pedro Sommer percebeu que, sempre que criava pratos num estilo mais "tapas" e "petiscos", tinha mais adesão, e, na altura, chamava-os de "petit sommers".
Agora, os "petit sommers" passaram a ser a ementa, e os preços baixaram, as porções também diminuiram um pouco, a qualidade mantém-se e a vontade de visitar o espaço aumentou.

Rua da Moeda 1K, Lisboa
T: 213 905 558

Prego Gourmet

É uma das mais recentes novidades de Lisboa e, pela afluência que tem tido, parece-me condenado ao sucesso.
A ideia é simples: criar pregos simples, com boa carne ou peixe, e, principalmente, apetitosos.
Não é fast food, apesar de se prestar a ares disso, é simplesmente mais uma forma dinâmica e saborosa de transformar um prato banal numa boa e rápida refeição.

Amoreiras Plaza loja 8, Lisboa
T: 213 879 004

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Setembro de 2011

Petiscos A Portuguesa -


Ano da Edição: 2007
Editora: CASA DAS LETRAS
Autor: João Carlos Rodrigues
Prefácio: David Lopes Ramos
PVP: €8

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da uva ao vinho

A família Marcolino Sebo há mais de trinta anos que se dedica à viticultura, remontando ao ano de 75, onde tudo o que produziam era entregue à Adega Cooperativa de Borba, mas desde sempre que o sonho era criar a sua própria adega e vinificar o seu próprio vinho.

A ambição era grande e, para suportar esta frase, estão os mais de 130 ha que, durante quase quatro dezenas de anos, acumularam em terrenos entre Borba a Estremoz, com vinhas plantadas em terrenos que se caracterizam pelo seu solos argilo-xistosos e argilo-calcários.

Mas foi apenas em 2000 que o sonho se transformou em realidade e, com a adega edificada, começaram a produzir a sua própria marca que, no ano de 2001, é selada com o seu primeiro rótulo: Visconde de Borba.

Houve mesmo um pequeno conflito de nobreza, ou antes de marcas, mas depois de sanado, o título é menor em linhagem nobiliárquica, mas a qualidade dos néctares manteve-se.
Rapidamente este pequena empresa familiar transforma-se numa grande empresa. No entanto, o familiar não é deixado e são os filhos que se juntam ao pai (Marcolino Sebo), apaixonando-se também eles pelo "métier", e garantindo o presente, o futuro e o sonho de Marcolino Sebo.

As uvas chegam de sete propriedades distintas: a Herdade da Pinheira, na freguesia dos Arcos - Estremoz e onde reside a Adega, com Verdelho e Syrah; Monte da Vaqueira, na freguesia da Matriz - Borba, que foi a primeira propriedade adquirida pela família, e com as castas Touriga Nacional e Tinta Caiada; Monte do Estevalinho, na freguesia de Rio de Moinhos - Borba, sendo esta a propriedade de maior dimensão, alvo de um micro clima específico, com um terroir único na Serra D'Ossa, e alberga as casta Roupeiro, Tamarês e Trincadeira; além destas propriedades, conta ainda com mais quatro herdades, onde tem vinhas com as castas Antão Vaz, Chardonnay, Aragonês e Alicante Bouschet.

Além da já referida família, a ajuda externa especializada é bem-vinda e, para o controlo da enologia, contrataram o engenheiro Jorge Santos, que, além de se preocupar com o trabalho das vinhas, tem a árdua tarefa de manter, ou mesmo elevar, a qualidade dos néctares que aqui se produzem.

Da adega, saem os seguintes rótulos: D.O.C. Alentejo (cerca de 65% da produção), dividido em três marcas: o Visconde de Borba (Garrafeira, Reserva, Tinto, Rosé e Branco), o Quinta da Pinheira Tinto, e ainda as Monocastas Marcolino Sebo Aragonês, Castelão e Trincadeira. No que respeita aos Regional Alentejanos, há uma marca única, o Monte da Vaqueira, com um tinto e um branco.

Assim, a família Marcolino Sebo conseguiu realizar um sonho e construir um projecto sólido, onde os néctares produzidos acompanham a dimensão do protagonizado, havendo vinhos para todas as carteiras, gostos e, acima de tudo, um produto de qualidade.

Aqui ficam algumas fichas técnicas daqueles que destaco:
Quinta da Pinheira Colheita Seleccionada - Produzido das castas Tricadeira, Aragonês e Castelão, estagia em barricas de carvalho francês e americano durante seis meses, seguindo-se de oito meses em garrafa. Deve ser servido a 17ºC e acompanha pratos de caça. PVP 9€
Visconde de Borba Garrafeira - Vinificado das castas Castelão e Alicante Bouschet, estagia durante 12 meses em barrica de carvalho francês e depois fica 14 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Servir a 18ºC ou 19ºC a acompanhar pratos complexos de carne. PVP 20,00 €
Visconde de Borba Reserva - Produzido das castas Castelão, Aragonêz e Alicante Bouschet e produzido em processo tradicional de pisa em lagar. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais tarde descansa em garrafa durante pelo menos 12 meses, e só após este período está pronto para encher as prateleiras da sua garrafeira. Servir entre os 18ºC e os 19ºC. PVP 11€

Preços dos restantes Visconde de Borba
Visconde de Borba Tinto - 4€
Visconde de Borba Branco - 2,90€
Visconde de Borba Rosé - 2,95€

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Setembro de 2011

Compre o que é nosso: Uvas sem grainha

Sempre que viajo pelo nosso país descubro produtos, gentes e empresas de um valor tal que tenho a certeza que, devidamente apoiados e divulgados, poderão ajudar a tirar Portugal desta desesperante crise que enfrentamos.

O produto que vou destacar no meu primeiro artigo dedicado a esta matéria vem do Alentejo e além de chegar diariamente à mesa de milhares de portugueses, está garantidamente na mesa de muitos europeus, principalmente dos ingleses, que através de empresas como a Harrods ou a Marks & Spencer, provam e apreciam as famosas Uvas Sem Grainha da Herdade Vale da Rosa.

São 230 hectares de área dedicada às uvas de qualidade e, apesar da sua dimensão, os projectos futuros são para ampliar e crescer, não só na área de plantação e produção, como na descoberta de novos e mais amplos mercados, sendo ainda de forma reduzida uma das empresas portuguesas que contribui para o mercado interno e, responsavelmente, equilibra a balança comercial no que respeita a exportações.

Aqui se produzem 13 variedades de uvas, das quais seis são sem grainha, dividindo-se equitativamente entre brancas e tintas e, apesar de haver algumas diferenças entre cada uma destas variedades, há pontos comuns a todas: os bagos são de pele espessa (quase crocante), são doces e de baixa acidez, tornando-se num produto irresistível e viciante.

Em Portugal podemos descobrir em praticamente todas as grandes superfícies.

Além da rosa que distingue visualmente o produto, há várias bandeiras vermelhas e verdes, bem como a palavra Portugal escrita em diversos locais. Como há algumas dezenas de anos se ouvia numa campanha fabril: "O que é nacional é bom!"

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Setembro de 2011