sexta-feira, 29 de julho de 2011

Finalmente é sexta-feira

O Verão este ano anda a trocar as voltas a muitos portugueses, pois, quando se esperava que o sol abundasse e o vento amainasse, só tivemos direito a metade, dado que horas de sol, todos tiveram, mas debaixo de algum frio e de um vento deveras irritante!

O prognóstico para os próximos dias é de melhoria, aliás, é de muito calor, seja dia ou seja noite. Por isso, a vontade vai ser de muita praia durante o dia, petiscos e um bom branco no fim da tarde, jantares em esplanadas no início da noite e, quem sabe, um pé de dança antes de ir para a cama. Mas afinal onde podemos fazer todos estes programas? Provavelmente, em locais diferentes e, como nem sempre são fáceis de encontrar, andei a pesquisar alguns dos "spots" de Verão.

  • Purpura Beach & Brahmi

    Aqui está uma combinação pouco habitual, mas fadada ao sucesso: juntar alguns dos melhores terapeutas de medicinas orientais e transformar uma das praias mais fantásticas de Portugal, em Tróia, num enorme e relaxante SPA. Quem não conhece esta praia deveria conhecer, pois, além de uma areia branca e limpa e uma água e paisagem convidativa, tem, até ao dia 15 de Agosto, a presença diária, entre as 12h e as 19h, dos massagistas do Brahmi Oriental Wellness. E se na noite anterior a festa durou mais horas, recupere-as em apenas 30 a 60 minutos com a massagem relaxante da Brahmi

    (30 minutos: 45€, 60 minutos: 65€).

  • Side Bar (Hotel Tivoli Marina)

    Para quem gosta de um almoço, jantar ou simplesmente um snack ligeiro ao fim da tarde, não precisa de procurar mais - este é o local certo. Fica no deck suspenso do Hotel Tivoli Marina, com vista sobre os fantásticos veleiros e iates que pernoitam no porto seguro da Marina de Vilamoura. Hambúrgueres, saladas e muitas outras opções que podem ser acompanhadas de uns divertidos e saborosos cocktails como o "Lilly Ice Tea", o "Mojito on the side" ou o "Spicy bloody Mary". A noite e o jantar têm uma carta mais elaborada a cargo dos chefes da casa. Vá lá dar um saltinho, coma um petisco e veja o pôr-do-sol ao som do DJ da casa.

    Marina Vilamoura - Algarve.
    T: 289 303 303.
    www.tivolihotels.com
  • Pousadas de Portugal

    Esta é sempre uma boa combinação da oferta gastronómica com a oferta de locais únicos históricos, em contacto com natureza e perto de muitas praias, sejam elas marítimas ou fluviais. A par desta recomendação, vem uma campanha bastante apetecível até dia 15 de Setembro, de preços a partir dos €85 por quarto, desde que pernoite de 3 a 5 noites, e, para juntar a estes preços bastante mais económicos, oferece-se a estadia aos seus filhos (até duas crianças com um máximo de 12 anos de idade), bem como descontos que vão proporcionar umas férias em família bastante mais em conta.

    T: 218 442 001.
    www.pousadas.pt
  • Restaurante Eleven no T-Clube

    Aqui está uma combinação de que ninguém estava à espera: a união de um dos mais conceituados restaurantes de Lisboa com uma das mais animadas discotecas do Algarve. A Quinta do Lago ganha, assim, um dos mais prestigiados chefes mundiais, Joachim Koerper, que promete ser o primeiro animador de uma noite que pode ser extensa e muito divertida, mas a sua animação vai certamente provocar mais ênfase ao palato. O serviço funciona em buffet todas as noites até ao fim de Agosto.

    C. C. Buganvilla Plaza, Quinta do Lago - Algarve.
    T: 289 396 751.
    www.tclube.com
  • Terra a Terra Reserva 2010

    Produzido das castas Gouveio, Viosinho e Rabigato, fermentou e estagiou em cubas de inox inicialmente, passando depois para barricas usadas. O vinho é bastante fresco, muito aromático, revelando uma boa acidez, sendo um vinho que vai acompanhar não só o calor do Verão, mas também pratos que habitualmente são preferidos durante esta estação, como os peixes e mariscos grelhados.

    Teor Alcoólico 13,76%.
    Sirva entre os 12ºC e os 13ºC.
    PVP: €10,00.
Esteja quase no fim, a meio, a iniciar ou de volta ao trabalho, tenha um bom Agosto, pois as minhas crónicas e o OJE vão de férias. Em Setembro, cá estaremos para o informar e acompanhar no seu dia-a-dia

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Julho de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um segredo a desvendar

Foi em 1999, há precisamente uma dúzia de anos, que a dupla Guy Doré e Joaquim Vilela abriu a porta do sonho já há muito tempo idealizado: O Pequeno Mundo.

Amigos e parceiros de trabalho de longa data decidiram arriscar num restaurante seu e, desde o primeiro cliente até aos que saíram de lá ontem, houve sempre algo em comum: a satisfação de um momento bem passado e uma refeição de proporções épicas.

Nunca escrevi sobre este local com medo de me tornar parcial, pois nunca aqui tomei uma má refeição, mas, com o passar dos tempos, e ouvindo os elogios de quem foi ao Pequeno Mundo, percebi que é tempo de alertar para a existência deste local e descrever a minha última (mas a repetir) refeição.

Atravessar os portões que separam a casa e o estacionamento do mundo é, por si só, uma experiência, pois as longas e coloridas buganvílias, as alfarrobeiras e outras plantas e árvores escondem surpresas de encantar.

O primeiro a aparecer é o pátio, as mesas e cadeiras de palha debaixo do céu estrelado e o simpático Joaquim Vilela, que nos dá as boas vindas e simpaticamente nos encaminha à mesa.

As salas, nobremente decoradas, separam-se da principal, discreta e mais escolhida nos dias de Inverno, a da lareira com um longo banco, ideal para uma bebida quente nos dias frios, mas, atravessando esta e o bar, temos novamente uma esplanada, onde a companhia das alfarrobas e buganvílias mantêm-se, e aqui é um champagne, gin ou imperial que fazem as honras nos dias de calor.

Por aqui bebo um copo, antes de atravessar todas as salas, para voltar à esplanada inicial, na companhia da noite, da fonte e da minha família.

Chegam as entradas e temos direito a umas tostas de brioche e uma pequena terrina de foie, pães da casa e uma manteiga juntaram-se a estes, mas só mesmo para enfeitar, pois a terrina estava soberba.

Fui para a sugestão do dia - o folhado de foie gras com vinho da Madeira. Parece excessivo pedir "dois do mesmo", mas a realidade é que o primeiro era de galinha e o seguinte de pato. Folhado estaladiço e com a gordura a aguentar-se bem à do fígado, e o adocicado bem como a acidez do molho a enaltecerem e equilibrarem as gorduras.

Ainda houve tempo para dar uma dentada no estaladiço de camarão, salada e molho de iogurte, que nunca desilude e tem sempre algo da estação - neste caso, foram uns maduríssimos figos.

No principal, partilhámos a sugestão do dia, era uma dose para dois: Pato lacado e assado com batatas fritas, salada, legumes e um molho de carne e vinho simplesmente fantástico.

O ponto da carne exactamente como foi pedido, e tudo funcionava. Parcial? Talvez, mas não vi nenhuma das mesas a privar-se dos elogios.

Com tanta fartura, não consegui arriscar numa sobremesa. No entanto, o chefe enviou um pré-desert, um crumble com panacota e fruta de Verão, que também cumpriu o seu papel de excelência.

Boa carta de vinhos, uma sommelier que sabe o que diz, um serviço de sala sempre atento e simpático, boa cozinha e disposição é tudo aquilo de que um restaurante precisa, nada mais!

Fico espantado sempre que lá vou porque, tirando as pessoas que ali trabalham, só mesmo eu e as minhas companhias é que falam português. Será este um segredo escondido dos portugueses? Ou simplesmente não têm conhecimento?

Fica aqui o relato de, provavelmente, um dos mais fantásticos restaurantes de cozinha francesa simples e saborosa, onde a paixão por servir aparece em cada prato do chefe Guy Doré.

Detalhes

Restaurante Pequeno Mundo
Caminho de Pereiras
8135-022 Almancil - Pereiras
N 37.09096º, W 8.03090º
+351 289 399 866
www.restaurantepequenomundo.com / info@restaurantepequenomundo.com
Horário: Encerra aos domingos. Aberto das 19h00
às 22h00 (das 19h30 às 22h00 no Verão)
Preço médio: €60
Tipo de Cozinha: Francesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Revista GO #2

LinkTodos os dias acordamos com expectativa para o que aí vem. E, às vezes, são as próprias notícias negativas que nos influenciam e nos deixam numa melancolia tantas vezes escusada. Não venho aqui anunciar uma solução para todos esses problemas e muito menos dizer que os devemos ignorar. O que garanto, isso sim, é que daqui para a frente a boa disposição reina e nada do que irá ler causará uma indigestão.

Mas não esconda já os sais de frutos... é que esta edição está totalmente focada nos momentos de prazer.

Ora repare: Mostramos-lhe quais os brancos que poderá comprar para os próximos dias, com boas sugestões de pratos para os acompanhar.

Sugerimos-lhe uma viagem pelo mundo para descobrir quais os melhores restaurantes onde poderá comer. E, aqui, saímos de Portugal e levamo-lo a passear pela Europa, Brasil e Hong Kong.

Voltando aos vinhos, e dentro de uma opção verdadeiramente diferente, apresentamos aqui uma ideia: sinta-se bem com muito, mas mesmo muito vinho e tome um banho hidratante e esfoliante num SPA em que tudo gira em torno deste néctar sagrado.

Da Suíça para Portugal temos um empresário que, depois de ter ganho nome e fortuna nas artes da relojoaria, vendeu o negócio e acreditou em Portugal, investindo e acreditando no potencial do nosso terroir. A Ideal Drinks e o Carlos Dias apostaram em regiões como o Dão, Bairrada e Verdes e já há dez vinhos fruto da sua dedicação.

Ainda houve tempo para falar com o CEO da Quinta das Lágrimas, Miguel Júdice, que se confessa um apaixonado por viagens e turismo.

Agora, coloque o cinto, endireite a cadeira, desligue os aparelhos electrónicos e parta connosco nesta viagem de sugestões.

Ready, Steady, GO!

Descarregue em baixo a versão em PDF da revista número 2 da GO.

Texto publicado originalmente na revista de Lifestyle GO do diário OJE a 26 de Julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Em modo biológico

Cada dia que passa, o "movimento" biológico ganha mais adeptos.

Coloquei os parêntesis porque não é nada organizado - as pessoas têm cada vez mais preocupações, usando a palavra biológico como mote.

Há quem defenda que a redução de processos químicos faz, paralelamente, com que os produtos tenham um sabor mais orgânico (menos químico) e, ao mesmo tempo, não destrói de forma agressiva os solos e os terrenos onde são cultivados e produzidos.

Na minha opinião, há ainda muitos mais factores a acrescentar a esta reduzida lista, mas o principal é fundamentar o equilíbrio entre o homem e a natureza, e reduzir a influência nociva dos processos químicos no meio ambiente.

Uma das empresas que faz deste movimento um porta-estandarte é a Casa Agrícola Reboredo Madeira (CARM). Há muito tempo que esta empresa familiar, situada no Alto Douro vinhateiro, fez com que os seus 130 hectares(ha) de vinha, 220ha de olival e 60ha de amendoais estejam em modo biológico, ajudando a preservar de forma sustentável a fauna e a flora.

Animais em extinção como a águia-real, a águia pesqueira, o grifo e a perdiz selvagem, ou plantas como a esteva, zimbro, funcho, rosmaninho, azedas e muitas outras são avessas ao processo químico e, não sustentando este, as plantas florescem, os animais ficam e o Douro ganha em diversidade.

Nos lagares, que, segundo a história, já produzem desde o século XVII, houve inovações, tendo sido construída uma nova unidade de produção, mas mantendo as tradições. Foi em 1999 que edificaram o novo lagar, com a particularidade de manterem o moinho de pedra tradicional, fazendo com que o processo de moer a azeitona seja de um modo mais natural e suave.

Os rótulos variam entre os CARM (Clássico, Grande Escolha e Premium), os da Quinta das Marvalhas e o da Quinta do Bispado. Mudam as marcas e os rótulos, mas a qualidade é sempre assumida, fazendo mesmo parte dos melhores azeites do mundo, e a corroborá-lo estão as várias medalhas de ouro e os centos de menções que os vários especialistas nacionais e estrangeiros lhe atribuíram.

Nos vinhos, também foram pioneiros e não se contentaram em ser biológicos no campo, criando o rótulo SO2, um vinho tinto da casta Touriga Nacional sem qualquer adição de enxofres. Este químico, dióxido de enxofre (vulgo sulfuroso), é quase sempre usado pelos produtores na vinificação pela suas propriedades anti-oxidantes ou de desinfectante, daí ser comum ver impresso nos rótulos "contém sulfitos".

Assim, o CARM Touriga Nacional SO2 é um caso de sucesso recente, mas ainda com alguns descrentes, principalmente no que toca a longevidade. No entanto, o certo é que, ainda há poucos dias, abri uma garrafa de 2009 e estava excelente.

Da sua prova, destaco o nariz muito aromático, onde as cerejas são as primeiras a aparecer, mas que depois evolui para fruta mais maturada, e na boca é fresco e guloso com notas de morangos, chocolate e especiaria e com um final persistente, longo e muito interessante, pois a fruta perdura num sabor muito orgânico.

Se a família Reboredo Madeira consegue viver em harmonia e sustentabilidade com o ambiente, em harmonia e sustentabilidade na gestão, é porque o modo biológico funciona, é rentável e, principalmente, é amigo do nosso ambiente.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Finalmente é Sexta-feira

Estava muito céptico em relação à versão portuguesa do programa de gastronomia Masterchef, mas a inclusão no júri da Justa Nobre ou do conceituadíssimo chefe Cordeiro, deram-me logo um certo alento. Na sua primeira emissão assisti do princípio ao fim sem dar pelo tempo passar, e até bastante animado com o desenvolvimento.

Depois pensei quais foram os pratos confeccionados e as suas receitas, e aí nada me vem à memória! Digamos que é mais uma versão de entretenimento do que de gastronomia, mas a televisão é isso mesmo.

Amanhã há mais a partir das 21h30 na RTP1, e muitas sacas de cebola irão trazer lágrimas e risos aos Masterchefs.

Largo agora um pouco o mundo televisivo para abordar as minhas sugestões para esta semana, onde destaco três restaurantes, um vinho e um livro:

Restaurante EMO

Fica integrado na luxuosa e fantástica unidade de cinco estrelas do Tivoli Victoria, em Vilamoura no Algarve, a região preferida de férias dos portugueses.

Tive a oportunidade de ir experimentar a nova carta do chefe Bruno e fiquei deveras impressionado: uma cozinha consistente, onde podemos perceber bem não só por onde este chefe andou pelo mundo, como a sua grande qualidade técnica e, acima de tudo, uma criatividade ponderada, onde o importante é a opinião do cliente.

Na sua visita recomendo que escolha uma mesa na varanda e experimente as “Vieiras e wasabi, sapateira e arroz de sushi” ou o “Filete de pregado em pele de pão, arbóreo de lima, alho selvagem” ou qualquer uma das saborosas sobremesas.

T. 289 317 000
www.tivolihotels.com

Restaurante Clube dos Jornalistas

Foi uma das minhas visitas desta semana e desde já revelo que também ela muito positiva.

Não é muito normal, mas é uma agencia de Brand Culturing™ (transformar negócios em fenómenos culturais) que explora o espaço: Norma Jean.

Mas o importante é a escolha do chefe Ivan e da sua cozinha de expressionismo sentimental, que ainda não são marca, mas é uma cozinha acima de tudo saborosa.

O risoto de moqueca está lá para o provar!

Rua das Trinas 129, Lisboa
T. 213 977 138

Restaurante Yo! Sushi

Fica situado no Fórum Sintra, e quem me conhece sabe bem que não sou adepto de centros comerciais, principalmente dos restaurantes no seu interior, pois há uma associação rápida a comida de plástico, mas neste caso tenho de me render às evidencias.

Primeiro porque o Yo! Sushi consegue criar um ambiente próprio dentro de um ambiente comercial, e segundo porque a comida é bastante boa e a preços verdadeiramente convidativos (pratos de €1,5 a €5).

Um dos responsáveis é o SushiMan Miguel Oliveira, que já passou por locais como o AYA ou o Go Natural.

Ao almoço há um menu Super! Sumo onde come o que quiser por apenas €12,90, com as bebidas à parte.

Quando lá for não se esqueça de tocar nas campainhas à mesa e espere pelo “japonês”.

T. 935 705 730

Herdade das Servas Branco 2010

É o primeiro ano que esta herdade lança um branco vinificado através das castas roupeiro, verdelho e viognier, de vinhas plantadas em Estremoz.

Curioso é que uma das vinhas, a da Judia, tem mais de 60 anos, imprimindo características singulares a este néctar já vencedor de prémios.

O vinho é bastante agradável, revelando boa estrutura e complexidade, e principalmente um simpático equilíbrio da acidez dando-lhe frescura.

Sirva entre os 13ºC e os 14ºC.
PVP: €8,75

Justa Nobre, Paixão pela Cozinha

Já não era sem tempo!

Finalmente podemos ter acesso à vida e receitas desta simpática e talentosa cozinheira e chefe, que há mais de 30 anos nos encanta com a sua cozinha tradicional portuguesa.

São cerca de 240 páginas com histórias, aromas, receitas e acima de tudo uma experiência de vida que mostra bem o que é a “paixão pela cozinha” da Justa Nobre.

O livro custa €35 e conta com prefácios do cineasta José Fonseca e Costa e o jornalista António Salvador.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Julho de 2011