sexta-feira, 8 de julho de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de assistir a vários e animados debates na Assembleia da República, denotei uma tendência clara em utilizar os dados estatísticos, então dei por mim a fazer pesquisas e deparei com estes números: as receitas brutas no negócio directo no turismo em 2010 foram de 7.631,2 mil milhões de euros, bastante acima dos 10% do PIB. Acho que está na altura de criar um Ministério do Turismo, as receitas já o merecem.
Já no que respeita a novidades gastronómicas há muito para falar, não no que respeita a novas aberturas, mas cartas e caras novas.

Panorama

Com nova carta e uma criatividade sem limites está o novo menu do restaurante Panorama do Hotel Sheraton de Lisboa. Afirmo com segurança que o chefe Leonel Pereira é provavelmente o melhor chefe português da actualidade, e para sustentar a minha afirmação está a "capoeira".

Uma interpretação muito singular da canja, onde os sabores estão lá todos, e o pormenor do ovo em crescimento.

Bem, é melhor passar por lá para compreender o que eu digo. Este chefe algarvio cheio de memórias gustativas, consegue transpor para os seus pratos os valores e sabores dos pratos tradicionais portugueses, de uma forma criativa, palativa e muito visual.

T: +351 21 3120000
www.sheratonlisboa.com

Bairro Alto Hotel e o restaurante Flores em Lisboa

O Bairro Alto Hotel e o restaurante Flores em Lisboa apostaram no chefe Vasco Lello para reestruturar a carta e dinamizar gastronomicamente o restaurante.

Ponto positivo para o esforço, e depois de duas visitas, uma para o almoço e outra para o jantar, destaco pratos como o bacalhau confitado com "ras-el-hanout", grão, harira, briouat e óleo de argan com muitas influências marroquinas e asiáticas, e a sela de coelho braseada e recheada com os "miúdos", a perna assada e desfiada com tomate, azeitonas e manjerona.

Apesar da forte influência na sua cozinha de um dos seus mentores, Aimé Barroyer, já dá para notar alguns traços da sua personalidade.

É certamente uma experiência a repetir.

T: +351 21 3408252
www.bairroaltohotel.com

KOI Sushi

Em Portugal, o Sushi veio e tende a ficar e um dos exemplos mais fulgurantes é o Restaurante KOI Sushi, que no próximo dia 15 de Julho celebra o seu aniversário.

O chefe e sushiman Japonês Kazunori, preparou para este dia várias supresas que vão muito além das suas iguarias!

Entre as 18h e as 20h do dia 15 vai haver muita música na esplanada com um DJ, um concurso de Cosplay (máscaras de super heróis de Manga Japonesa), escrita no nome em Kanji (caracteres Japoneses), prova de sakê, prova de cerveja japonesa Kirin e uma prova de Sushi.

T: +351 21 3640391
www.koilisboa.com

Hard Rock Café

Termino com uma sugestão diferente: uma visita ao Hard Rock Café!

Para quem não sabe, esta casa mítica já festejou os seus 40 anos de idade, e oito em Portugal.

Em Lisboa é um espaço fantástico, repleto de verdadeiras peças de culto, como o Caddilac colado no tecto, as guitarras e fatos de vários famosos como Elton John , Xutos e Pontapés e dezenas de outros.

É um local que tanto dá para uma refeição divertida em família, um encontro de empresários, ou simplesmente um jantar a degustar o fantástico HRC Legendary burger!

T:+351-21 3245280
http:// www.hardrock.com

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 08 de Julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Reestruturar para inovar

O vinho tornou-se um fenómeno que passou, há muito, a fronteira do copo e da garrafa - agora, as pessoas querem saber mais, não só do néctar produzido, como também da história que levou à sua produção e, mais recentemente, o seu habitat natural.

Os enoturismos portugueses deixaram de ser uma loja pobre com algumas garrafas do produtor e umas compotas feita pela mãe ou amiga, para passarem a ser grandes salas de prova devidamente preparadas, não só para enaltecer as características do vinho, como também verdadeiros museus e plataformas de explicação da arte de transformar a uva numa memória para a vida.

Mas perante o cenário de crise e de um futuro social e económico incerto, a Symington Family Estates não deixou de acreditar no potencial destes mercados e vai investir na renovação das Caves do Vinho do Porto Graham's, em Vila Nova de Gaia.

Este edifício histórico, datado de 1890, recebe anualmente mais de
60 000 visitantes de todo o mundo, que vêm cá para provar, conhecer e apreciar um dos melhores e mais genuínos produtos nacionais: o vinho do Porto.

São sensivelmente dois milhões de euros que serão investidos para criar melhores condições aos seus visitantes. Para quem não sabe, a Graham's tem mais de 6700 pipas de vinho do Porto dentro das suas caves, que se encontram em maturação nos famosos cascos e tonéis de carvalho. Além das diversas pipas, estagiam aqui milhares de garrafas que esperam pelo seu ponto de perfeição, para chegarem ao mercado no seu melhor estado. São projectos como este que fazem com que os vários apreciadores e curiosos aprendam mais e melhor sobre um dos mais importantes ícones de Portugal.

Haja mais projectos desta dimensão para criar e sustentar a credibilização não só na área enogastronómica, como na necessidade de acreditar que o futuro pode ser mais risonho.

Mudando de assunto, e do Norte para Lisboa, e porque o tempo está quente, aqui fica uma sugestão de um branco bastante enogastronómico:

Quinta do Gradil Viognier Branco 2010

Produzido e vinificado apenas da casta Viognier, da região em grande crescimento de Lisboa, apresenta uma cor cristalina límpida.

O seu nariz é bastante aromático, com aromas de alperce e alguns toques florais, ambos intensos, mas de certa forma elegantes, que se resumem numa boca delicada com boa acidez, num final que se prolonga de forma agradável.
Teor Álcool 13,5%.
Vinho regional de Lisboa.


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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Julho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Saborear as tradições algarvias

Sempre que pensamos em Algarve, vem-nos à memória as praias, o sol, as bebidas frescas e, para quem vai em Agosto, um irritante e desconcertante trânsito veraneante.

Mas a verdade é que a costa é apenas parte de uma região imensa em que há mais terra que areia, e é pelo interior que andei a passear na demanda dos sabores regionais.

Lanço-me à estrada e, depois de alguns quilómetros da "125", apanho a já chamada estrada antiga para Lisboa. Depois de passar a bomba de gasolina da BP, na saudosa estrada nacional, (bomba que, para muitos da minha geração, era o prelúdio de mais alguns minutos para chegar ao "Algarve das praias"), viro no cruzamento que indica Messines e, ao chegar à rotunda que tem Messines à direita, viro à esquerda e ,alguns centos de metros após, vejo a placa que anuncia: Restaurante Mussiene.

Parque privativo com sombra debaixo da latada, esplanada montada, mas a minha opção recai no interior - o calor do dia obriga ao aconchego fresco do ar condicionado, mas, com o fresco das estrelas, este promete ser um local mais apetecível e romântico.

Lá dentro, a decoração simples, mas não chocante, é acolhedora, com alguns pormenores interessantes, como a garrafeira que ocupa a parede de fundo, um bar com várias garrafas expostas e uma sazonal exposição fotográfica. Hoje a artista era da terra e o tema são imagens locais.

Sento-me à mesa e inicio logo os meus trabalhos com uns carapaus alimados sobre umas migas, tapenade de azeitonas e tomate - boa combinação, apenas uma pequena distracção no alho, que por vezes se sobrepunha aos outros sabores.

A seguir, a espetada de polvo com batata de Aljezur - mais uma vez, tudo bem confecionado, havendo uma boa combinação entre o doce da batata e o salgado do polvo, dispensava a pimenta rosa fresca, mas acredito que muita gente gostará.

Numa combinação mais séria, veio o robalo com espargos verdes e batata sauté. Quando os produtos são bons, dificilmente se consegue estragar e, neste caso, até enalteceu as qualidades frescas do robalo à linha.

Ainda houve espaço para umas costeletas de borrego (carré) com um ratatui de legumes da região e fundo de carne! Carne rosada, saborosa e exactamente no ponto em que foi pedida - nada a apontar, a não ser uma salva de palmas.

Não sei como, mas ainda dei umas dentadas nas bochechas de porco preto com puré de batata e brócolos, carne macia bem confecionada, mais uma vez, sem remates negativos - talvez fosse importante cuidar um pouco mais a apresentação deste prato.

Terminei com duas sobremesas: um bolo quente de chocolate com gelado e coulis de frutos silvestres e uma pêra bêbada com cama de baunilha.

O primeiro estava demasiado doce e o chocolate era banal, não elevando nada para as memórias; a segunda já era o oposto: a pêra estava bem cozinhada os sabores fortes do vinho e da canela não abafavam o "doce" da pêra - pelo contrário, harmonizavam muito bem e a baunilha dava um toque exótico ao prato.

Fiquei fascinado com a cozinha simples do chefe David Coelho: sem grandes pretensões, honesta nos produtos, simples na apresentação (por vezes demasiado simples) e forte em tradições e aromas.

O Algarve e o seu interior ganham por ter locais como estes e, quem por lá passa, ganha uma recordação do que melhor a região tem para oferecer.

A boa comida por um bom preço, nunca se nega uma visita.

Detalhes
Restaurante Mussiene
Monte de São José
8375-052
São Bartolomeu de Messines
N 37º14'52.9, W 8º17'04.98
+351 282 339 357 / 918 831 456
mussiene.restaurante@gmail.com
Horário: Terça a Domingo 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 22h30 Preço médio: €25 Tipo de Cozinha: Regional Algarvia Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Altas Quintas - Um projecto sólido

Recordo com certa facilidade a primeira vez que tive a oportunidade de provar um néctar das Altas Quintas: o momento ficou marcado e registado em 2006.

Estava eu no restaurante de um amigo que não se calava a falar de um novo "alentejano" que tinha recebido e que era bastante diferente do perfil tradicional desta região!

Era o Altas Quintas Colheita de 2004 e depois de o provar fiquei entusiasmado e pedi logo para me reservarem uma caixa. Passaram alguns anos e tive a oportunidade de provar esse mesmo néctar, e apesar de estar ausente dos taninos, e apesar da cor tijolo - factor da idade - continua um vinho muito interessante e bem agradável.

O segredo deste produtor está na forma como é encarado o projecto: "Os vinhos fazem-se na vinha, não na adega".

As vinhas, essas, são todas na região demarcada de Portalegre, junto à Serra de São Mamede, representando 48 hectares numa propriedade com uma área total de mais de 250 hectares. Plantadas a uma altitude que varia entre os 500 e 650 metros de altitude e com orientação de norte-sul, está povoada principalmente com castas da região como a Trincadeira , Aragonez e Alicante Bouschet nos tintos, e Verdelho e Arinto nos brancos.

A adega é uma simbiose entre o moderno e o tradicional, havendo desde os lagares de granito e os fantásticos balseiros da Seguin Moreau, às modernas e refrigeradas cubas de inox, vinimatic, de onde saem os vários néctares directamente para as garrafas ou em alguns casos para estágio em barricas de carvalho que nunca excedem os três anos de idade.

O enólogo dispensa apresentações, e é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do projecto - Paulo Laureano , que sabe o que faz, e o que faz, faz bem.

Os resultados práticos para 2011 já foram apresentados: um branco e um tinto, ambos "colheita", ficando a faltar o "reserva", que se espera no mercado ainda antes do fim do ano.
Aqui ficam as notas de prova dos novos lançamentos:

Altas Quintas Colheita Branco 2010

Produzido das castas Arinto e Verdelho e fermentado em barricas novas de carvalho francês.
Apresenta uma cor citrina límpida e fortes aromas a fruta tropical, bastante fresco e no nariz distingue-se de forma equilibrada o contacto com a madeira, através das notas especiadas e fumadas.
A boca é uma boa revelação, fresco, bastante untuoso onde a fruta tropical se revela interessante, o final é longo, persistente e cativante.
Grau alcoólico; 13º.
PVP €12.

Altas Quintas Colheita Tinto 2007

Vinificado das castas Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, fermentou em balseiros de carvalho francês e, depois da fermentação malo-láctea repartida entre os balseiros e barricas, partiu para um estágio de 18 meses em barrica, seguindo para as garrafas onde ficou durante um largo período a procurar equilíbrio, antes de ser lançado para o mercado. Esta forma ponderada de produzir resultou num vinho com uma cor jovem, granada, apesar dos quatro anos de idade.
Os aromas de fruta compotada, bem como alguns toques mentolados, e bastante especiaria e tosta (resultado do estágio na barrica), remetem-se para uma boca equilibrada, elegante e bastante fresca.
Um vinho distinto e cativante e bastante gastronómico.
Grau alcoólico: 14º.
PVP €19,5.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 22 de Junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Segredos Algarvios

Quem não arrisca não petisca!"

Este é o meu lema de vida, pois só assim posso fazer novas e interessantes descobertas por este país fora e o mais extraordinário é que muitos desses segredos são destino comum de vários "internacionais". Nós, quando não queremos ir, temos sempre o cliché "Isso é um sítio só para estrangeiros".

Pois foi por curiosidade, e ultrapassada a barreira do cliché, que decidi conhecer o Monte do Casal e o seu restaurante, um pequeno boutique hotel escondido sobre uma intensa e belíssima vegetação na estrada que separa Estoi de Moncarapacho, mais precisamente no Cerro do Lobo.

Depois de uma pequena visita ao jardim, paisagisticamente preenchido com árvores exóticas, lagos, quedas de água, repuxos, rãs, sapos, carpas koi e até um coelho, decido ficar para comer uma salada.

Ao chegar ao restaurante, não tenho dúvidas em optar pela esplanada virada para o relvado e a riqueza de sons e cores já descritos anteriormente.

Uma salada era a minha intenção, mas rapidamente rendi-me à carta e decidi pegar nos talheres, encher os copos e partir para a aventura.

Como cortesia, o chefe enviou o seu amuse bouche, um pequeno shot de gaspacho, muito suave, devidamente condimentado e suficientemente fresco para ser um bom prognóstico de uma bela refeição.

Para entrada chegou um belíssimo e apelativo parfait de fígado de galinha ao Porto, com geleias de figo e tostas quentes - notei alguma semelhança com um já provado em Londres no restaurante do Heston Blumenthal (The Fat Duck), e a curiosidade levou-me a perguntar.

Para surpresa minha, o chefe George Tanock trabalhou por lá durante dois anos e nota-se muito a influência da sua passagem por um dos locais considerado, por muitos, o melhor restaurante do mundo.

Sem desrespeitar a receita original, deu a este prato um toque pessoal estilo "Tanock", tornando-o fantástico: o parfait a lembrar um pouco uma mousse, bastante cremoso, as geleias com toques doces, o Porto ligeiro, mas presente, e outros elementos que, parecendo muitos, combinavam, no seu todo, de forma harmónica e viciante.

Para principal, pediu-se o camarão tigre salteado com risotto de ervilhas e barriga de porco preto confitada, tudo muito bem confeccionado, revelando boa técnica.

No entanto, o risotto estava um bocado sensaborão, precisando de uma revisão, ao invés da barriga de porco que estava macia, saborosa, levando certamente várias horas de cozedura para poder atingir tal macieza.

Terminei com um doce: ananás caramelizado, merengue e gelado de lima. Confesso que não sou apaixonado por esta área gastronómica, mas soube-me bem.

A textura do ananás ficou mais macia no seu interior e crocante no exterior com a caramelização, e o gelado de lima cortava o excesso de doce da fruta e do merengue.

Este chefe tem apenas 30 anos, mas já demonstra muita segurança na arte dos tachos e panelas e, para rematar, estamos a falar de um local lindo com uma paisagem apaixonante.

Aqui está um bom exemplo de que "quem não arrisca não petisca!"

Detalhes
Restaurante do Monte do Casal
Monte do Casal, Cerro do Lobo, Estoi
8005-436 Faro (Algarve)
07° 52' 19.7" W, 37° 05' 04.1" N
Telefone: +351 289 990 140
www.montedocasal.com / reservations@montedocasal.pt
Horário: Aberto todos os dias das 12h30 às 15h00
e das 19h30 às 23h00
Preço médio: €35 (€54 Degustação, €79 com vinhos)
Tipo de Cozinha: Internacional Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vamos a provas?

Não é novidade para ninguém que vivemos tempos difíceis, sendo que uma das áreas mais penalizadas é a da agricultura.

Além, do decréscimo das vendas, sofre com a baixa dos preços, a falta de mão-de-obra devido à desertificação da camada jovem para os grandes centros urbanos e a que pode ser a maior inimiga: as intempéries.

A produção de vinhos e os seus produtores, apesar da constante e progressiva melhoria da qualidade dos nossos néctares, podem-se gabar do produto mas nem sempre das vendas!

Comprar grandes campanhas de publicidade está fora de questão, pois poucos são os que têm facturação suficiente para poder fazer investimentos na casa dos dois dígitos de milhar, principalmente se o da esquerda for superior a “um”.

Facto extraordinário ainda é a presença de alguns produtores em algumas feiras onde o espírito comercial é zero, mas a desculpa é sempre a mesma: “Se não estamos presentes podemos correr o risco de ser esquecidos!” Enfim, cada um tem o seu orçamento e saberá melhor qual a estratégia para penetrar mais eficazmente no mercado.

O método mais popular é investindo nas provas internacionais e nacionais: medalhas de platina, ouro ou prata são mato, mas o que é certo é que ajudam a vender.

Nas últimas duas semanas houve pelo menos três de que eu tivesse conhecimento: Vinhos do Tejo, Alvarinhos do Mundo e o Concurso de Vinhos Douro e Porto.

Do concurso realizado sobre os vinhos do Tejo, uma região que nos últimos tempos tem dado cartas fortes na área vitivinícola, destacaram-se três vinhos com medalhas de excelência: Conde de Vimioso Reserva Tinto 2008, Vale D'Algares Selection Branco 2010 e pela primeira vez um rosé, Quinta da Alorna Touriga Nacional Rosé 2010.

Uma nota especial para o Enólogo do Ano, Nuno Falcão Rodrigues, que já há vários anos tem vindo a surpreender pela positiva com o trabalho feito na sua adega no Centro Agricola do Tramagal, com marcas como o Mythos ou o Casal da Coelheira.

Num concurso muito arriscado, o dos Alvarinhos do Mundo, poderia haver surpresas negativas e o júri internacional escolher e preferir os Alvarinhos de fora aos nacionais, mas os lusos destacaram-se e receberam as mais altas notas possíveis.

Havendo 10 medalhas de ouro para Portugal numa contagem total de 14, sendo a lista composta por: Soalheiro, Alvarinho QM, Dona Paterna Reserva, Dona Paterna, Aveleda Alvarinho, Quinta do Regueiro, Quinta das Alvaianas, Castrus de Melgaço, Alvarinho QL e Soalheiro Reserva.

Já em terras de Douro, mais precisamente na Régua, houve o primeiro concurso de Vinhos do Douro e Porto, e apesar de terem sido distribuídas 15 medalhas de ouro, apenas duas foram de excelência.

Uma para um Douro - Castelinho Premium Tinto 2007 e uma para um Porto - Messias Porto 1966.

Mais provas como o Encontro dos Vinhos e Sabores em Outubro, realizado pela revista dos Vinhos, a Essência do Vinho organizada pela Essência do Vinho, ou as diversas provas e concursos organizadas pelas diferentes CVR, são os locais perfeitos para os produtores mostrarem os seus produtos e o publico provar o que melhor há por este país.

Agora não se esqueça de ter orgulho nos nossos produtores e no dia 10 de Junho comemore o dia de Portugal brindando com um vinho “Produzido em Portugal”!

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 6 de Junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Brancos para todos os dias

Sempre que começam a chegar os dias mais quentes do ano, chegam também as novas garrafas dos néctares brancos de 2010 ou os reservas de 2009.

Coincidência ou política comercial? Bem, na realidade não sei dar essa resposta, mas penso que o mais acertado é combinar os dois, pois agora há um esforço maior para a entrada do mercado preceder os dias quentes de Verão.

Longe vão os tempos em que os brancos eram fortemente penalizados por conotações como refrescos ou sumo de uva. Agora há um merecido respeito sobre os brancos e, acima de tudo, há grande qualidade na sua produção. Outro estereótipo que também se perdeu foi o de associar estes vinhos apenas aos dias de calor, ou a pratos de peixe.

Na realidade já se bebem durante todo o ano, e acompanham carnes brancas, saladas, bifes e até caça! Aqui vai um conjunto de "Brancos" que recentemente chegaram às prateleiras das lojas e que merecem alguma atenção:

CARM Maria de Lurdes Branco 2009

Produzido de uvas vindimadas na Quinta do Coa, resultou num vinho distinto, complexo e muito fresco.
As notas cítricas destacam-se, mas numa análise mais cuidada podemos distinguir aromas florais e alguma mineralidade.
Nota-se alguma madeira, mas bastante equilibrada, terminando longo, persistente, mineral e acima de tudo fresco. Faz uma boa maridagem com marisco e peixe grelhado.

Álcool 12,5%.
Servir entre 12º a 14ºC.
PVP €18


Fiuza Chardonnay 2010

Apesar do nome, este vinho é vinificado 85% da casta Chardonnay e 15% Arinto, bastante aromático, onde a sua tropicalidade é expressiva.
A sua estrutura é interessante e complexa, resultando num vinho macio, mas com um final bastante persistente e untuoso.
Acompanha bem grelhados.

Álcool 13%.
Servir entre 12º a 14ºC.
PVP €5,50


Fiuza Sauvignon 2010

100% Sauvignon Blanc, é um monocasta com uma cor bonita cítrica e alguns laivos esverdeados.
O nariz bastante tropical contrasta de forma suave com as notas herbáceas, e na boca revela uma boa acidez (marcada) onde as notas de maracujá e toranja se destacam, terminando bastante fresco.
Bom para acompanhar saladas e pratos leves.

Álcool 12,5%.
Servir entre 11º a 13ºC.
PVP €4


Herdade do Peso Vinha do Monte Branco 2010

Agora com uma nova imagem e uma nova abordagem sobre o tratamento da vinha e vinificação, produziram este branco das castas Antão Vaz, Roupeiro e Arinto.
Resultou num vinho muito frutado, onde as notas cítricas, tropicais e algum floral estão bem equilibradas.
A boca é fresca e com alguma estrutura. Bom para assados de peixe e saladas.

Álcool 12%.
Servir entre 10º a 11ºC.
PVP €3,79


Prova Régia 2010

Vinificado apenas a partir de uvas da casta Arinto da região de Lisboa, mais propriamente Bucelas, foi uma agradável surpresa para mim.
O nariz muito aromático tropical, cítrico, alguma fruta verde e mineralidade, bem como a boca fresca, com boa acidez e o final muito longo e agradável, tornam este vinho muito interessante para o seu preço.
Aconselhável para peixe e marisco.

Álcool 12,7%.
Servir fresco a 8ºC.
PVP €2,6


Prova Régia Premium 2010

Também este Prova Régia foi vinificado apenas a partir de uvas da casta Arinto, mas com a diferença de estagiar 4 meses em barricas.
O nariz muito aromático tropical, com ananás, limão e maçã e alguma mineralidade, reflectem-se numa boca muito fresca, com boa estrutura e o final bastante prolongado.
Para acompanhar com comida, escolha carnes brancas ou uma salada bem temperada.

Álcool 13,3%.
Servir fresco a 9ºC.
PVP €4,3

Tons Duorum Branco 2010

Aqui está um interessante blend entre várias castas: 30% de Viosinho, 30% de Rabigato, 20% de Verdelho, e 20% de Arinto, que revelam uma cor amarela translúcida muito citrina.
Os aromas exuberantes de lima e limão e ananás são os primeiros a revelar-se, seguido de alguns aromas florais e alguma mineralidade.
A boca é bastante equilibrada, boa estrutura, boa acidez e um final elegante, fresco e persistente.
Mais uma vez os mariscos e peixes grelhados irão fazer sucesso com este néctar.

Álcool 13%.
Servir entre 10º a 12ºC.
PVP € 3.99

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 6 de Junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O novo Paradigma de Cascais

Não é minha politica visitar os restaurantes logo na sua abertura, pois normalmente ainda estão em fase de ajustes, não só a nível gastronómico, mas também em relação ao serviço.

Mas na realidade, uma vez que estão abertas as portas, qualquer restaurante está sujeito a críticas e opiniões.

Na passada segunda-feira quando subia a D. Carlos I em direcção à Cidadela de Cascais, ainda inebriado pela fantástica vista da baía, deparo com algumas pessoas sentadas à mesa nas varandas do primeiro piso do número 48, e pensei, porque não aclamar esta vista por um pouco mais tempo.

Este é um daqueles espaços que tem tudo para funcionar, pela sua localização privilegiada não só pela vista, mas também pelo vasto numero de passantes que diariamente vagueiam ofuscados pela beleza desta Riviera lusa.

O seu interior é parcialmente denunciado pelas longas janelas envidraçadas (normalmente abertas) que revelam uma decoração despretensiosa, moderna e um bar bonito e chamativo.

As cores escuras e a decoração formam uma simbiose entre o clássico e o moderno calmo, criando um ambiente urbano cool, suficiente moderno para a camada jovem e sobriamente clássico para os menos jovens.

Ao subir para o primeiro piso, apressado para garantir a mesa que namorei da rua, deparo com um belíssimo candeeiro preto sobre o bar, creio que vai ser referencia forte para futuros artigos sobre o espaço.

Já sentado, analiso a lista: para quem abriu no mês passado não está nada mau, uma dúzia de entradas, cinco peixes, nove carnes e sete sobremesas.

Já no que respeita a vinhos a escolha é mais pobre e um pouco confusa, precisando de um pouco mais cuidado.

Além da possibilidade à la carte, há ainda um menu do dia ao almoço, composto por um prato (carne, peixe ou salada), uma bebida, uma sobremesa em shot e um café por apenas €9,50.

No meu caso, e depois de um couvert com várias manteigas, optei pelo creme de espargos, bastante cremoso, com alguns pedaços de presunto para salgar, era boa, mas penso que faltava o efeito explosivo, talvez pudessem desidratar o presunto, dando um efeito crocante e salgado mais acentuado.

Como era segunda, dispensei o peixe e saltei logo para a carne: Vazia charolesa com oito cepes flamejados, seguido do rosbife à inglesa com oito pimentas - em ambos os casos a carne era de bastante qualidade e as guarnições muito idênticas com batata “a murro”.

No primeiro caso a carne vinha ligeiramente acima do ponto.

Terminou-se com a trouxa de arroz doce com gelado de canela e mel: aqui o arroz vinha também ele ligeiramente acima do ponto de cozedura, nada de grave, mas a parelha com o gelado tornava a sobremesa muito interessante, leve, fresca e nada enjoativa.

Alguns apontamentos técnicos a corrigir na confecção, mas o serviço foi sempre atencioso e correcto, o que demonstra uma gerência com algum know-how.

Depois do jantar, e como já era habitual no anterior espaço (Foral da Vila), a noite prolonga-se ao som de new jazz e aos diferentes sabores dos cocktails coloridos até às duas da manhã, não sendo obrigatório acabar a refeição e seguir directo para casa, ou mudar de local para um pouco de animação.

Resta-me agora esperar que o “Paradigma” seja sempre a subir e que Cascais ganhe um pouco mais de vida com este espaço.

Detalhes
Restaurante Paradigma
Avenida D. Carlos I, 48
2750-310 Cascais
09° 25' 13" W, 38° 41' 46" N
+351 214 822 265
www.restauranteparadigma.com
Horário: Encerra ao domingo, Aberto das 12h30 às 15h00 e das 08h00 às 02h00 (cozinha fecha às 11h00)
Preço médio: €25 (sem vinhos)
Tipo de Cozinha: Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 1 de Junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vinhos da Comporta

Depois do desaire da semana passada, em que Portugal foi preterido pela França na realização da Ryder Cup 2018, e assim perdendo um grande investimento numa região que para mim é um filão de ouro do nosso país: A Comporta.

Não digo que gostaria de ver os longos areais, os campos verdes de sobreiro e pinheiro, ou os longos arrozais decorados com prédios e resorts de luxo, mas nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Quem nunca deixou de acreditar nesta região e aposta fortemente no seu desenvolvimento é a Herdade da Comporta, desenvolvendo o seu projecto no turismo, imobiliário, restauração, golfe, sustentabilidade paisagística e aquele que me levou a pensar neste texto: o Vinho.

Foi em 2001 que começaram a plantar uma vinha num terreno que à primeira vista parece um areal, e com a sua proximidade ao mar, presumo que deve ter havido muitas dúvidas em relação ao projecto, mas a realidade é que este conjunto de factores unidos à sua forte exposição solar criaram um micro clima muito propício ao crescimento, desenvolvimento e produção de vinho.

Em 2003 foi o primeiro ano de produção e desde então já plantaram e enxertaram mais vinha, tendo neste momento 30ha de área plantada e já havendo projectos para crescimento desta vinha.

O processo de vindima é manual e, depois de seleccionada, a uva chega a adega em caixas de 20kg onde é novamente escolhida, esmagada e desengaçada, fermentando em lagares de inox.

Já nos depósitos e depois dos melhores lotes estarem escolhidos, passam para a fase de estágio numa sala equipada com os mais modernos equipamentos de refrigeração e humidificação, criando as melhores condições para uma evolução correcta e exemplar.

A adega, além de estar equipada com o mais moderno equipamento para a produção e vinificação de vinho, é um edifício bonito de arquitectura arrojada, o que incentiva muitos dos passantes a fazer uma paragem, arriscar numa prova e no final levarem para casa algumas garrafas compradas na loja.

Aqui está um bom exemplo de como se podem vender bastantes vinhos sem o custo da distribuição.

Focando-me apenas nos vinhos que o enólogo Francisco Pimenta e a Herdade da Comporta produzem, estes dividem-se entre Herdade da Comporta, Parus e Chão de Rolas. Dentro dos que tive acesso, aqui vão algumas notas de prova.

Herdade da Comporta Rosé 2009
Produzido das castas Castelão e Touriga Franca, tem uma cor salmão escura.
O nariz revela framboesas e muita frescura.
Já a boca é um pouco doce, macia e bastante fresca.
Teor Álcool 12,5%.
Preço: €4,80

Herdade da Comporta Branco 2010
Produzido das castas Arinto e Antão Vaz, é bastante tropical e com notas cítricas, revelando-se aromático, estruturado e persistente.
Teor Álcool 13,5%.
Preço: €7,5

Herdade da Comporta Tinto 2007
Produzido das castas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca, tem uma cor romã viva, revelando muita fruta madura e alguma madeira no nariz e depois uma boca bastante estruturada com os taninos bastante presentes. Boa persistência e acidez.
Teor Álcool 13,5%.
Preço: €7,5

Parus Branco 2009
Produzido exclusivamente da casta Antão Vaz, revela logo notas de ananás e limão no nariz, e na boca os sabores mantêm-se de forma suave, mas rapidamente transformam-se num vinho fresco, mineral e com uma persistência muito apaixonante.
Teor Álcool 14%.
Preço: €10

Parus Tinto 2008
Produzido das castas Alicante Bouschet (80%), Aragonez (10%) e Touriga Nacional (10%).
A sua cor granada e o nariz onde a fruta vermelha madura, juntamente com as notas de madeira, revelam um vinho cuidado onde a oxigenação vai alterando beneficamente a sua evolução.
A boca revela taninos firmes (um pouco duros ainda), boa acidez e um bom equilíbrio das notas de madeira.
Teor Álcool 14,5%.
Preço: €12

De realçar que são vinhos equilibrados com preços justos e que demonstram uma boa solidez da equipa e do projecto de enologia da Herdade da Comporta.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Budapeste, do comunismo ao capitalismo

Longe vão os tempos que, para chegar a Budapeste, teríamos que fazer uma viagem sem fim, com escalas, e perdia-se um dia inteiro entre aeroportos e aviões.

Hoje a TAP já tem voos directos para a Hungria praticamente todos os dias, sendo agora apenas uma viagem de três horas e meia.

Depois de chegar a esta linda cidade, andar por cá é bastante fácil, pois cada bairro tem um número e as moradas evidenciam sempre essa catalogação.

A rede de transportes interna também é bastante simples e muito boa, desde os eléctricos que percorrerem a cidade em linhas rectas, os autocarros (um pouco envelhecidos), ao metro, e se não quer mesmo nada andar a pé, pode sempre optar pelos táxis (evite apanhar os de rua, peça sempre para chamar do hotel ou restaurante, sai sempre mais em conta).

Lá estou eu a falar em passear e ainda não disse onde dormir, na realidade aqui a oferta é muito vasta havendo alguns 5 estrelas e muitos de 4 com qualidade, o importante é que estejam o mais possível perto do centro.

Uma das avenidas mais populares e centrais é a Erzsébet, e aqui a opção mais sólida é o Corinthia Hotel Budapest, com 414 quartos, 31 suites e ainda vários apartamentos para quem pretende ficar um pouco mais tempo, ou então mais reservado.

Este hotel, que abriu em 1896 como Grand Hotel Royal, sobre muito luxo, foi sempre considerado um emblema da cidade. Depois de esquecido e quase a cair, este grupo em 2003 voltou a recriar o charme que sempre lhe foi gabado.

Alem dos vários quartos, este hotel tem um SPA com uma piscina fantástica, um piso executivo (com internet, jornais, salas de reunião e snacks, tudo oferta para os empresários), vários restaurantes, onde se destaca o asiático Rickshaw e a famosa pastelaria e casa de marcipan: Szamos Marcipan Café.

Corinthia Hotel Budapest
Erzsébet körút 43-49 Budapest H-1073.
Tel: +36 1 479 4000.
www.corinthia.com

Noutra zona, um pouco mais afastado do centro, mas suficientemente perto para se demorar apenas 5 minutos até chegar a um ponto de visita importante, está um dos mais bonitos hotéis da cadeia da Four Seasons - o Gresham Palace.

Com uma arquitectura Art Noveau, combina a excelência de um serviço de cinco estrelas com uma decoração e arquitectura únicos e uma vista de sonho sobre o Danúbio e a zona de Buda. Mesmo que não se pernoite aqui, vale a pena visitar não só o lobby e o seu bar, como experimentar o restaurante com porta para a rua e muito bem conduzido pelo chefe italiano Simone Cerea, e por fim terminar relaxado no fantástico SPA.

Four Seasons Hotel Gresham Palace,
Roosevelt tér 5-6, 1051 Budapest.
Tel: +36 1 268 6000.
www.fourseasons.com/budapest

Saindo agora do espectro da dormida, vou retomar ao passeio, pois esta cidade tem tantos locais para visitar que não há tempo para ficar no quarto a fazer ronha.

A basílica de San Stefano (Szent István-bazilika), terminada em 1905 e dedicada ao primeiro rei da Hungria, Szent István(975–1038), é baseada no estilo neoclássico.

Os museus também são muito interessantes, havendo de todos os estilos, de arte, de história da guerra, etc. Dos que visitei, o Museu Nacional Húngaro foi o que revelou as mais interessantes peças da história deste país, remontando mesmo a vários séculos a.C.

É comum, para quem anda a passear pela rua, encontrar em todos os cantos e recantos vários prédios com fachadas lindas, muitos jardins no meio da cidade, e um longo Danúbio que, não só embeleza Budapeste, como tem um conjunto de histórias românticas, dramáticas e de outros géneros sem fim.

Muito importante é o espírito de aventura, e sempre que há uma entrada para o interior de um prédio, não deixe de entrar, pois nunca se sabe o que este pode esconder: uma loja de bugigangas, um café romântico, um antiquário, há sempre algo novo para explorar.

Outro ponto interessante é o bairro judeu e a sua sinagoga: a segurança é apertada, como não poderia deixar de ser, mas o seu interior é fascinante e bastante revelador da história deste povo.

Todos os dias entre as 18h e as 19h, os locais juntam-se no Centro Cultural de Erzsebet e pelo jardim há vários músicos a tocar os seus instrumentos juntos ou isolados, e a estilos diferentes, o que demonstra bem a herança musical que este povo já nos deixou.

Muito populares e já com longa fama, são os famosos banhos e aqui poderá optar pelos do Gellert ou do Rudash mas aviso desde já que são mais interessantes no inverno, mas é algo a não perder.

Termino com alguns locais para jantar: para se comer a típica comida húngara é imprescindível ir ao Bock Bisztró na rua Erzsébet, mesmo junto ao Corinthia.

Aliás, partilham paredes. Aqui poderá passear por toda a Hungria sentado à mesa, não é um restaurante rústico como os do interior, mas o sabor está lá todo.

Bock Bisztró
1073 Budapest, Erzsébet körút 43, Hungary.
Tel: +36 1 321 0340.

Popular nesta zona é o caviar, e para experimentar o melhor que nesta terra se faz não há nada como ir ao Arany Kaviár Étterem, cozinha russa, muitos blinis e caviar ao melhor preço.

1015 Budapest, Ostrom utca 19.
Tel: (+361) 201 6737.
www.aranykaviar.hu

Mas a paragem obrigatória é no restaurante Costes na Raday, uma das mais animadas ruas de Budapeste, pois no número 4 vai encontrar nada menos, nada mais do que o português Miguel Rocha Vieira, que desde 2008 está a chefiar este restaurante, tendo já valido uma estrela Michelin e muitas louvas de todos os seus clientes.

É um espaço que não pode perder, e não se esqueça de dizer em português “Posso falar com o Chefe?”, pois ele concerteza vai ficar feliz de o receber.

Costes Restaurant
1092 Budapest, Ráday utca 4.
Tel: +36 1 219 0696.
www.costes.hu

Agradecimento a TAP (Transportadora Aérea Portuguesa), pela colaboração na reportagem.

www.flytap.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Finalmente é sexta-feira

Nas últimas semanas, tenho andado num virote, saltando de país em país que nem caixeiro-viajante, não estando assim apto para falar das mais recentes novidades no que respeita a aberturas de restaurantes em Portugal. Assim, e para não deixar o senhor leitor desamparado, vou sugerir alguns espaços que devem ser fantásticos para os dias de sol que o fim-de-semana tem para oferecer (isto segundo o Instituto de Meteorologia). Deixe-se guiar...

Praia do Peixe

Fica na praia do Pego, perto do Carvalhal e da Comporta, na região onde para mim começam as melhores praias de Portugal.
Fica debruçado sobre o areal, por isso a vista não pode ser melhor, e depois da cozinha vêm várias iguarias totalmente irrecusáveis.
É claro que a proximidade ao mar e o nome evidenciam o produto nobre da casa: o peixe!
Mas o marisco também ganha destaque e os arrozes têm lugar especial na ementa.

Praia do Pego
7570-783 Carvalhal
Tel.: +351 913 061 256
www.praiadopeixe.com

Pico do Refúgio

Este é um local lindo na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde outrora foi uma casa do século xvii, bem como uma fábrica de chá, transformada e remodelada nas Casas de Campo. Um verdadeiro refúgio das pressões citadinas e apenas a 15 minutos do aeroporto de Ponta Delgada.
Além dos 8 partamentos/lofts decorados de forma agradável e confortável, todos com kitchenette, há um relvado imenso em redor da casa onde as mesas de pedra são o local ideal para uma longa e animada refeição sob o céu estrelado dos Açores.

Roda do Pico 5, Rabo de Peixe
Ribeira Grande, São Miguel
Tel.: +351 296 491 062

UVA, Divine dinning

Confesso que não é um hotel (The Vine) de que tenha ficado fã, pois fica no centro do Funchal, ou, segundo os próprios, por cima de um centro comercial e a vista de grande parte dos quartos é para o vizinho da frente.
Na Madeira queremos ver mar ou serra, janelas nunca! Mas um facto inegável é a vista única e fantástica do terraço deste hotel, e é neste andar que encontra um bar, uma piscina e o restaurante UVA. A cozinha é assinada pelo chefe francês e detentor de 3 estrelas Michelin Anthoine Westermann, o que dá uma sólida garantia gastronómica. A garrafeira também é excelente, por isso deixe-se levar pelas sugestões do chefe e sommelier.

Rua dos Aranhas, 27, Funchal
Tel.: +351 291 009 000
www.hotelthevine.com

Cais da Vila

Este é daqueles locais por que qualquer pessoa se apaixona à primeira vista.
Primeiro, pelo facto de ter sido a antiga estação de comboios de Vila Real, e eu não conheço ninguém que não goste de comboios e das suas estações, há algo de melancólico e ao mesmo tempo romântico nestes locais.
Segundo, está principescamente recuperada num wine bar, restaurante de tapas, esplanada e restaurante de fine dinning, havendo um pouco de tudo para cada gosto ou carteira.
Para petiscar, comer um prato principal ou simplesmente um branco para a noite mais quente.

Rua Monsenhor Jerónimo do Amaral (Estação de Comboios Vila Real)
Tel.: +351 259 351 209
www.caisdavilla.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

E agora com uma nova Alma

Há vícios que, por mais que passem os anos, nunca conseguimos largar, e um dos meus é, enquanto desço a Calçada Marquês de Abrantes, estar que nem lince à espera de um movimento suspeito de outro automóvel, e assim que sentir movimento, saltar com as garras afiadas para o lugar que vagou.

Agora já há por aqui vários parques (largo Vitorino Damásio), mas vícios não se largam.

O destino é o restaurante Alma de Henrique Sá Pessoa, para verificar a evolução da sua ementa, carreira e criatividade.

Desde Maio de 2009 que não visitava esta casa a não ser para apresentações de vinhos, e como sabia que havia carta nova dou por mim a bater à porta do número 92.

Confesso que este é um espaço que sempre me fascinou, pois a sua decoração “clean” onde o branco prevalece, não só nas paredes como nas mesas, cadeiras, serviço, ementas e até no fantástico candeeiro de algodão que paira pela sala, dá uma sensação de limpeza que me dá confiança.

Pormenores como o facto de podermos ver a traça da parede antiga nos pontos de luz e o pequeno vidro ao nível dos olhos que nos permite verificar os trabalhos que se efectuam na cozinha, são muito interessantes.

Não me vou perder em grandes pormenores técnicos pois a comida que o chefe Henrique Sá Pessoa prepara, é simples sem ser banal, fácil de provar e principalmente é uma comida com sabor e requinte.

As opções são várias, com uma carta bastante interessante e variada, só peca pela pouca variedade de sobremesas, mas porque um prato não chega para avaliar o trabalho deste chefe, optei pelo menu de degustação (€39).

Como é habitual neste tipo de restaurantes, comecei com a surpresa do chefe, servido numa chávena de café vinha um cappucino de espargos muito suave, um bom mote para o inicio do que se revelou uma bela refeição.

As vieiras sobre uma cama de couve-flor em puré e ovas de salmão, também se revelaram muito felizes, estando muito bem cozinhado e as ovas deram-lhe uma textura de explosão à boca, bastante relevante.

A cavala em água de tomate era interessante, diferenciador jogando muito bem a acidez deste vegetal com o peixe (por muitos considerado menor, mas nesta combinação ganho o estatuto de rei).

O camarão, as ervilhas (puré e grão) e a gema de ovo a baixa temperatura, foi o que se seguiu, respeitoso e interessante, mas foi o atum com a água de galinha (caldo) com os cogumelos shitaki e enoki que me deixou completamente rendido.

O caldo da galinha cozido com vegetais e os cogumelos não era demasiado gorduroso e enaltecia a graciosidade do atum, é nestes momentos que diferenciamos um bom chefe com técnica e conhecimento, daqueles que simplesmente copiam.

A procissão não ficou por aqui, e ainda houve tempo para o lombo de novilho com macarrão recheado com requeijão de Seia e pesto, acompanhado por tomate cherry confitado, confesso que não foi o meu preferido, pois não achei grande graça ao macarrão, mas no entanto notava-se que havia técnica e o prato estava bem pensado no que respeita ao sabor e texturas.

Terminei com um sopa de frutos silvestres e gelado de balsâmico envelhecido, novamente um prato interessante e irreverente, mostrando que o chefe Sá Pessoa trabalha bem diversos produtos.

O serviço foi sempre correcto e atencioso, fazendo do Alma um local onde se está bem, e a graciosidade da cozinha do chefe Henrique é a mais-valia de uma casa que merece ser visitada.

Detalhes
Alma de Henrique Sá Pessoa
Calçada Marquês de Abrantes, 92 – 94
1200 Lisboa (Santos-o-Velho)
09° 09' 18" W, 38° 42' 28" N
+351 213 963 527 / +351 910 535 610
www.alma.co.pt
Horário: Encerra ao domingo e segunda aos jantares, Aberto das 19h30 às 23h00
Preço médio: €45
Tipo de Cozinha: Autor
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Finalmente é sexta-feira

Ontem, durante a curta viagem que separa Lisboa de Almeirim e a troco da gentileza do meu colega jornalista Eduardo Miragaia, folheei e li alguns artigos de duas revistas muito interessantes, mas houve algo que me despertou a atenção.

Alguém, grande conhecedor da vida, apelidado de “bom vivant” relatava a história triste e macabra de uma tentativa de refeição num restaurante “Dantesco”*1.

Reforço o “tentativa”, porque a experiência pouco passou do insulto, desaforo e tudo o que não se deve fazer na arte de receber – saíram ainda antes de começarem a comer! E depois fala-se em crise financeira!

Ou seja, enquanto tivermos locais com gente mesquinha e agraciada por uma estupidez incontornável, optaremos sempre pelo conforto de caselas.

Curiosamente, na próxima segunda-feira dia 16, vai decorrer no Hotel Altis Belém o segundo encontro das Artes na Mesa.

É um fórum realizado pelas Edições do Gosto e direccionado para os chefes de sala (restaurantes), e todos os hoteleiros e restauradores que queiram saber um pouco mais do bicho de 7 cabeças que se chama “hospitality”.

No programa estão grandes figuras como o sommelier Johannes Hartmann, do restaurante Petrus de Gordon Ramsay; tem também intervenções do gastrónomo Virgílio Gomes e do enólogo Mário Louro, e muitos mais temas ligados à industria da restauração.

Não diria que é um programa para toda a família, mas é, concerteza, um tema onde todos podem opinar e debater para melhorar aquela que é uma das principais fontes de rendimento dos portugueses.
www.e-gosto.pt

Voltando ao inicio do texto e da viagem, estava eu a caminho de Almeirim, mais precisamente da Quinta da Alorna, para verificar e comprovar a qualidade dos novos néctares Premium desta casa: O Marquês da Alorna (reserva).

Apesar do calor e do tinto estar um pouco acanhado no inicio, revelou-se um grande pomadão.

O branco no inicio fez o seu papel de fresco, pois em terras de Ribatejo, quando aquece, só a bebida arrefece, e depois numa análise mais ponderada revelou os seus aromas de frutas brancas como pêssegos, nêsperas e uma mineralidade e frescura muito interessantes.

O preço ronda os €15 e só foram produzidas 3.000 garrafas.

Quanto ao tinto, um pouco mais discreto, no entanto ao fim de umas horas depois de aberto e de uma carga de oxigenação no copo, lá revelou os aromas de fruta escura do bosque madura, alguma madeira, no entanto não excessiva, e boa acidez.

Penso que ainda precisa de tempo em garrafa para evoluir, mas já é uma boa promessa. O preço ronda os €19 e foram engarrafadas 5.000 unidades.

Facto curioso de não terem sido reveladas as castas, se a moda pega, poupa-nos o texto e dificulta-nos a análise.

*1 – Depois da análise ao texto, consegui apurar que o restaurante em causa é a Adega do Dantas - Rua Marechal Saldanha 15 Lisboa

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alentejanos para os dias quentes

Finalmente, temos tido a companhia do nosso tão desejado sol, e com ele a vontade é de largar os pratos quentes e pesados como as feijoadas, cozidos ou ensopados, e o desejo é de comer muito peixe grelhado, muito marisco na praia e escolher um bom branco ou rosé.

Não sei se são da mesma opinião, mas o calor obriga a uma opção mais fresca e, como tal, aqui fica um conjunto de opções de alentejanos para aumentar a sua garrafeira, ou simplesmente para acompanhar a sua refeição no seu restaurante preferido para os dias mais quentes:

Esporão Duas Castas 2010

Produzido pela Herdade do Esporão, sob a tutela dos enólogos David Baverstock e Sandra Alves, este branco é vinificado a partir das castas Gouveio e Verdelho.

Cor citrina límpida, revela aromas finos com notas minerais e frutadas de tangerina e frutos tropicais.

Já na boca é interessante e elegante, com boa estrutura e persistência.
PVP: 6,99 €;



Esporão Verdelho 2010

Vinificado apenas com a casta Verdelho de uma selecção manual, resultou num vinho de cor citrina com laivos esverdeados, no entanto cristalino.

O seu nariz muito cítrico e tropical é bastante intenso e complexo, já na boca revela muita frescura e mineralidade, boa acidez e termina com boa persistência.
PVP: 8,99 €;



Monte da Ravasqueira Branco 2010

Com uma cor muito citrina, límpida e bonita, foi produzido a partir das castas Alvarinho, Viognier e Arinto.

Este alentejano, com a assinatura dos enólogos Rui Reguinga e Paulo Peças, é bastante aromático, principalmente frutado, evidenciando-se e destacando-se as suas notas cítricas.

Na boca é equilibrado, revelando boa estrutura, e termina fresco e mineral.
PVP: 6,50 €;



Monte da Ravasqueira Rosé 2010

Produzido das castas Alfrocheiro, Aragonês e Touriga Franca, é um rosé de cor rosada, quase salmão, que revela um nariz muito fresco, onde notas de fruta vermelha como os morangos e framboesas são bastante evidentes.

Na boca é ligeiro, equilibrado, com boa acidez, sendo também mais seco e interessante que o irmão de 2009.
PVP: 4,50 €;



Paulo Laureano Premium Rosé 2010

Mais uma das novidades deste enólogo alentejano, agora um rosé de cor muito bonita, um salmão quase groselha, muito vivo.

Na boca e no nariz o que sobressai logo são as frutas como as ameixas e groselhas, e é um pouco especiado.

O "blend" das castas Aragonez, Alfrocheiro e Tinta Grossa deram ainda uma característica mais seca, com uma acidez muito elegante, fazendo deste um vinho muito gastronómico e uma excelente companhia para uma refeição.

PVP: 8,50 €.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Maio de 2011