quarta-feira, 1 de junho de 2011

O novo Paradigma de Cascais

Não é minha politica visitar os restaurantes logo na sua abertura, pois normalmente ainda estão em fase de ajustes, não só a nível gastronómico, mas também em relação ao serviço.

Mas na realidade, uma vez que estão abertas as portas, qualquer restaurante está sujeito a críticas e opiniões.

Na passada segunda-feira quando subia a D. Carlos I em direcção à Cidadela de Cascais, ainda inebriado pela fantástica vista da baía, deparo com algumas pessoas sentadas à mesa nas varandas do primeiro piso do número 48, e pensei, porque não aclamar esta vista por um pouco mais tempo.

Este é um daqueles espaços que tem tudo para funcionar, pela sua localização privilegiada não só pela vista, mas também pelo vasto numero de passantes que diariamente vagueiam ofuscados pela beleza desta Riviera lusa.

O seu interior é parcialmente denunciado pelas longas janelas envidraçadas (normalmente abertas) que revelam uma decoração despretensiosa, moderna e um bar bonito e chamativo.

As cores escuras e a decoração formam uma simbiose entre o clássico e o moderno calmo, criando um ambiente urbano cool, suficiente moderno para a camada jovem e sobriamente clássico para os menos jovens.

Ao subir para o primeiro piso, apressado para garantir a mesa que namorei da rua, deparo com um belíssimo candeeiro preto sobre o bar, creio que vai ser referencia forte para futuros artigos sobre o espaço.

Já sentado, analiso a lista: para quem abriu no mês passado não está nada mau, uma dúzia de entradas, cinco peixes, nove carnes e sete sobremesas.

Já no que respeita a vinhos a escolha é mais pobre e um pouco confusa, precisando de um pouco mais cuidado.

Além da possibilidade à la carte, há ainda um menu do dia ao almoço, composto por um prato (carne, peixe ou salada), uma bebida, uma sobremesa em shot e um café por apenas €9,50.

No meu caso, e depois de um couvert com várias manteigas, optei pelo creme de espargos, bastante cremoso, com alguns pedaços de presunto para salgar, era boa, mas penso que faltava o efeito explosivo, talvez pudessem desidratar o presunto, dando um efeito crocante e salgado mais acentuado.

Como era segunda, dispensei o peixe e saltei logo para a carne: Vazia charolesa com oito cepes flamejados, seguido do rosbife à inglesa com oito pimentas - em ambos os casos a carne era de bastante qualidade e as guarnições muito idênticas com batata “a murro”.

No primeiro caso a carne vinha ligeiramente acima do ponto.

Terminou-se com a trouxa de arroz doce com gelado de canela e mel: aqui o arroz vinha também ele ligeiramente acima do ponto de cozedura, nada de grave, mas a parelha com o gelado tornava a sobremesa muito interessante, leve, fresca e nada enjoativa.

Alguns apontamentos técnicos a corrigir na confecção, mas o serviço foi sempre atencioso e correcto, o que demonstra uma gerência com algum know-how.

Depois do jantar, e como já era habitual no anterior espaço (Foral da Vila), a noite prolonga-se ao som de new jazz e aos diferentes sabores dos cocktails coloridos até às duas da manhã, não sendo obrigatório acabar a refeição e seguir directo para casa, ou mudar de local para um pouco de animação.

Resta-me agora esperar que o “Paradigma” seja sempre a subir e que Cascais ganhe um pouco mais de vida com este espaço.

Detalhes
Restaurante Paradigma
Avenida D. Carlos I, 48
2750-310 Cascais
09° 25' 13" W, 38° 41' 46" N
+351 214 822 265
www.restauranteparadigma.com
Horário: Encerra ao domingo, Aberto das 12h30 às 15h00 e das 08h00 às 02h00 (cozinha fecha às 11h00)
Preço médio: €25 (sem vinhos)
Tipo de Cozinha: Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 1 de Junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vinhos da Comporta

Depois do desaire da semana passada, em que Portugal foi preterido pela França na realização da Ryder Cup 2018, e assim perdendo um grande investimento numa região que para mim é um filão de ouro do nosso país: A Comporta.

Não digo que gostaria de ver os longos areais, os campos verdes de sobreiro e pinheiro, ou os longos arrozais decorados com prédios e resorts de luxo, mas nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Quem nunca deixou de acreditar nesta região e aposta fortemente no seu desenvolvimento é a Herdade da Comporta, desenvolvendo o seu projecto no turismo, imobiliário, restauração, golfe, sustentabilidade paisagística e aquele que me levou a pensar neste texto: o Vinho.

Foi em 2001 que começaram a plantar uma vinha num terreno que à primeira vista parece um areal, e com a sua proximidade ao mar, presumo que deve ter havido muitas dúvidas em relação ao projecto, mas a realidade é que este conjunto de factores unidos à sua forte exposição solar criaram um micro clima muito propício ao crescimento, desenvolvimento e produção de vinho.

Em 2003 foi o primeiro ano de produção e desde então já plantaram e enxertaram mais vinha, tendo neste momento 30ha de área plantada e já havendo projectos para crescimento desta vinha.

O processo de vindima é manual e, depois de seleccionada, a uva chega a adega em caixas de 20kg onde é novamente escolhida, esmagada e desengaçada, fermentando em lagares de inox.

Já nos depósitos e depois dos melhores lotes estarem escolhidos, passam para a fase de estágio numa sala equipada com os mais modernos equipamentos de refrigeração e humidificação, criando as melhores condições para uma evolução correcta e exemplar.

A adega, além de estar equipada com o mais moderno equipamento para a produção e vinificação de vinho, é um edifício bonito de arquitectura arrojada, o que incentiva muitos dos passantes a fazer uma paragem, arriscar numa prova e no final levarem para casa algumas garrafas compradas na loja.

Aqui está um bom exemplo de como se podem vender bastantes vinhos sem o custo da distribuição.

Focando-me apenas nos vinhos que o enólogo Francisco Pimenta e a Herdade da Comporta produzem, estes dividem-se entre Herdade da Comporta, Parus e Chão de Rolas. Dentro dos que tive acesso, aqui vão algumas notas de prova.

Herdade da Comporta Rosé 2009
Produzido das castas Castelão e Touriga Franca, tem uma cor salmão escura.
O nariz revela framboesas e muita frescura.
Já a boca é um pouco doce, macia e bastante fresca.
Teor Álcool 12,5%.
Preço: €4,80

Herdade da Comporta Branco 2010
Produzido das castas Arinto e Antão Vaz, é bastante tropical e com notas cítricas, revelando-se aromático, estruturado e persistente.
Teor Álcool 13,5%.
Preço: €7,5

Herdade da Comporta Tinto 2007
Produzido das castas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca, tem uma cor romã viva, revelando muita fruta madura e alguma madeira no nariz e depois uma boca bastante estruturada com os taninos bastante presentes. Boa persistência e acidez.
Teor Álcool 13,5%.
Preço: €7,5

Parus Branco 2009
Produzido exclusivamente da casta Antão Vaz, revela logo notas de ananás e limão no nariz, e na boca os sabores mantêm-se de forma suave, mas rapidamente transformam-se num vinho fresco, mineral e com uma persistência muito apaixonante.
Teor Álcool 14%.
Preço: €10

Parus Tinto 2008
Produzido das castas Alicante Bouschet (80%), Aragonez (10%) e Touriga Nacional (10%).
A sua cor granada e o nariz onde a fruta vermelha madura, juntamente com as notas de madeira, revelam um vinho cuidado onde a oxigenação vai alterando beneficamente a sua evolução.
A boca revela taninos firmes (um pouco duros ainda), boa acidez e um bom equilíbrio das notas de madeira.
Teor Álcool 14,5%.
Preço: €12

De realçar que são vinhos equilibrados com preços justos e que demonstram uma boa solidez da equipa e do projecto de enologia da Herdade da Comporta.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Budapeste, do comunismo ao capitalismo

Longe vão os tempos que, para chegar a Budapeste, teríamos que fazer uma viagem sem fim, com escalas, e perdia-se um dia inteiro entre aeroportos e aviões.

Hoje a TAP já tem voos directos para a Hungria praticamente todos os dias, sendo agora apenas uma viagem de três horas e meia.

Depois de chegar a esta linda cidade, andar por cá é bastante fácil, pois cada bairro tem um número e as moradas evidenciam sempre essa catalogação.

A rede de transportes interna também é bastante simples e muito boa, desde os eléctricos que percorrerem a cidade em linhas rectas, os autocarros (um pouco envelhecidos), ao metro, e se não quer mesmo nada andar a pé, pode sempre optar pelos táxis (evite apanhar os de rua, peça sempre para chamar do hotel ou restaurante, sai sempre mais em conta).

Lá estou eu a falar em passear e ainda não disse onde dormir, na realidade aqui a oferta é muito vasta havendo alguns 5 estrelas e muitos de 4 com qualidade, o importante é que estejam o mais possível perto do centro.

Uma das avenidas mais populares e centrais é a Erzsébet, e aqui a opção mais sólida é o Corinthia Hotel Budapest, com 414 quartos, 31 suites e ainda vários apartamentos para quem pretende ficar um pouco mais tempo, ou então mais reservado.

Este hotel, que abriu em 1896 como Grand Hotel Royal, sobre muito luxo, foi sempre considerado um emblema da cidade. Depois de esquecido e quase a cair, este grupo em 2003 voltou a recriar o charme que sempre lhe foi gabado.

Alem dos vários quartos, este hotel tem um SPA com uma piscina fantástica, um piso executivo (com internet, jornais, salas de reunião e snacks, tudo oferta para os empresários), vários restaurantes, onde se destaca o asiático Rickshaw e a famosa pastelaria e casa de marcipan: Szamos Marcipan Café.

Corinthia Hotel Budapest
Erzsébet körút 43-49 Budapest H-1073.
Tel: +36 1 479 4000.
www.corinthia.com

Noutra zona, um pouco mais afastado do centro, mas suficientemente perto para se demorar apenas 5 minutos até chegar a um ponto de visita importante, está um dos mais bonitos hotéis da cadeia da Four Seasons - o Gresham Palace.

Com uma arquitectura Art Noveau, combina a excelência de um serviço de cinco estrelas com uma decoração e arquitectura únicos e uma vista de sonho sobre o Danúbio e a zona de Buda. Mesmo que não se pernoite aqui, vale a pena visitar não só o lobby e o seu bar, como experimentar o restaurante com porta para a rua e muito bem conduzido pelo chefe italiano Simone Cerea, e por fim terminar relaxado no fantástico SPA.

Four Seasons Hotel Gresham Palace,
Roosevelt tér 5-6, 1051 Budapest.
Tel: +36 1 268 6000.
www.fourseasons.com/budapest

Saindo agora do espectro da dormida, vou retomar ao passeio, pois esta cidade tem tantos locais para visitar que não há tempo para ficar no quarto a fazer ronha.

A basílica de San Stefano (Szent István-bazilika), terminada em 1905 e dedicada ao primeiro rei da Hungria, Szent István(975–1038), é baseada no estilo neoclássico.

Os museus também são muito interessantes, havendo de todos os estilos, de arte, de história da guerra, etc. Dos que visitei, o Museu Nacional Húngaro foi o que revelou as mais interessantes peças da história deste país, remontando mesmo a vários séculos a.C.

É comum, para quem anda a passear pela rua, encontrar em todos os cantos e recantos vários prédios com fachadas lindas, muitos jardins no meio da cidade, e um longo Danúbio que, não só embeleza Budapeste, como tem um conjunto de histórias românticas, dramáticas e de outros géneros sem fim.

Muito importante é o espírito de aventura, e sempre que há uma entrada para o interior de um prédio, não deixe de entrar, pois nunca se sabe o que este pode esconder: uma loja de bugigangas, um café romântico, um antiquário, há sempre algo novo para explorar.

Outro ponto interessante é o bairro judeu e a sua sinagoga: a segurança é apertada, como não poderia deixar de ser, mas o seu interior é fascinante e bastante revelador da história deste povo.

Todos os dias entre as 18h e as 19h, os locais juntam-se no Centro Cultural de Erzsebet e pelo jardim há vários músicos a tocar os seus instrumentos juntos ou isolados, e a estilos diferentes, o que demonstra bem a herança musical que este povo já nos deixou.

Muito populares e já com longa fama, são os famosos banhos e aqui poderá optar pelos do Gellert ou do Rudash mas aviso desde já que são mais interessantes no inverno, mas é algo a não perder.

Termino com alguns locais para jantar: para se comer a típica comida húngara é imprescindível ir ao Bock Bisztró na rua Erzsébet, mesmo junto ao Corinthia.

Aliás, partilham paredes. Aqui poderá passear por toda a Hungria sentado à mesa, não é um restaurante rústico como os do interior, mas o sabor está lá todo.

Bock Bisztró
1073 Budapest, Erzsébet körút 43, Hungary.
Tel: +36 1 321 0340.

Popular nesta zona é o caviar, e para experimentar o melhor que nesta terra se faz não há nada como ir ao Arany Kaviár Étterem, cozinha russa, muitos blinis e caviar ao melhor preço.

1015 Budapest, Ostrom utca 19.
Tel: (+361) 201 6737.
www.aranykaviar.hu

Mas a paragem obrigatória é no restaurante Costes na Raday, uma das mais animadas ruas de Budapeste, pois no número 4 vai encontrar nada menos, nada mais do que o português Miguel Rocha Vieira, que desde 2008 está a chefiar este restaurante, tendo já valido uma estrela Michelin e muitas louvas de todos os seus clientes.

É um espaço que não pode perder, e não se esqueça de dizer em português “Posso falar com o Chefe?”, pois ele concerteza vai ficar feliz de o receber.

Costes Restaurant
1092 Budapest, Ráday utca 4.
Tel: +36 1 219 0696.
www.costes.hu

Agradecimento a TAP (Transportadora Aérea Portuguesa), pela colaboração na reportagem.

www.flytap.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Finalmente é sexta-feira

Nas últimas semanas, tenho andado num virote, saltando de país em país que nem caixeiro-viajante, não estando assim apto para falar das mais recentes novidades no que respeita a aberturas de restaurantes em Portugal. Assim, e para não deixar o senhor leitor desamparado, vou sugerir alguns espaços que devem ser fantásticos para os dias de sol que o fim-de-semana tem para oferecer (isto segundo o Instituto de Meteorologia). Deixe-se guiar...

Praia do Peixe

Fica na praia do Pego, perto do Carvalhal e da Comporta, na região onde para mim começam as melhores praias de Portugal.
Fica debruçado sobre o areal, por isso a vista não pode ser melhor, e depois da cozinha vêm várias iguarias totalmente irrecusáveis.
É claro que a proximidade ao mar e o nome evidenciam o produto nobre da casa: o peixe!
Mas o marisco também ganha destaque e os arrozes têm lugar especial na ementa.

Praia do Pego
7570-783 Carvalhal
Tel.: +351 913 061 256
www.praiadopeixe.com

Pico do Refúgio

Este é um local lindo na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde outrora foi uma casa do século xvii, bem como uma fábrica de chá, transformada e remodelada nas Casas de Campo. Um verdadeiro refúgio das pressões citadinas e apenas a 15 minutos do aeroporto de Ponta Delgada.
Além dos 8 partamentos/lofts decorados de forma agradável e confortável, todos com kitchenette, há um relvado imenso em redor da casa onde as mesas de pedra são o local ideal para uma longa e animada refeição sob o céu estrelado dos Açores.

Roda do Pico 5, Rabo de Peixe
Ribeira Grande, São Miguel
Tel.: +351 296 491 062

UVA, Divine dinning

Confesso que não é um hotel (The Vine) de que tenha ficado fã, pois fica no centro do Funchal, ou, segundo os próprios, por cima de um centro comercial e a vista de grande parte dos quartos é para o vizinho da frente.
Na Madeira queremos ver mar ou serra, janelas nunca! Mas um facto inegável é a vista única e fantástica do terraço deste hotel, e é neste andar que encontra um bar, uma piscina e o restaurante UVA. A cozinha é assinada pelo chefe francês e detentor de 3 estrelas Michelin Anthoine Westermann, o que dá uma sólida garantia gastronómica. A garrafeira também é excelente, por isso deixe-se levar pelas sugestões do chefe e sommelier.

Rua dos Aranhas, 27, Funchal
Tel.: +351 291 009 000
www.hotelthevine.com

Cais da Vila

Este é daqueles locais por que qualquer pessoa se apaixona à primeira vista.
Primeiro, pelo facto de ter sido a antiga estação de comboios de Vila Real, e eu não conheço ninguém que não goste de comboios e das suas estações, há algo de melancólico e ao mesmo tempo romântico nestes locais.
Segundo, está principescamente recuperada num wine bar, restaurante de tapas, esplanada e restaurante de fine dinning, havendo um pouco de tudo para cada gosto ou carteira.
Para petiscar, comer um prato principal ou simplesmente um branco para a noite mais quente.

Rua Monsenhor Jerónimo do Amaral (Estação de Comboios Vila Real)
Tel.: +351 259 351 209
www.caisdavilla.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011