quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alentejanos para os dias quentes

Finalmente, temos tido a companhia do nosso tão desejado sol, e com ele a vontade é de largar os pratos quentes e pesados como as feijoadas, cozidos ou ensopados, e o desejo é de comer muito peixe grelhado, muito marisco na praia e escolher um bom branco ou rosé.

Não sei se são da mesma opinião, mas o calor obriga a uma opção mais fresca e, como tal, aqui fica um conjunto de opções de alentejanos para aumentar a sua garrafeira, ou simplesmente para acompanhar a sua refeição no seu restaurante preferido para os dias mais quentes:

Esporão Duas Castas 2010

Produzido pela Herdade do Esporão, sob a tutela dos enólogos David Baverstock e Sandra Alves, este branco é vinificado a partir das castas Gouveio e Verdelho.

Cor citrina límpida, revela aromas finos com notas minerais e frutadas de tangerina e frutos tropicais.

Já na boca é interessante e elegante, com boa estrutura e persistência.
PVP: 6,99 €;



Esporão Verdelho 2010

Vinificado apenas com a casta Verdelho de uma selecção manual, resultou num vinho de cor citrina com laivos esverdeados, no entanto cristalino.

O seu nariz muito cítrico e tropical é bastante intenso e complexo, já na boca revela muita frescura e mineralidade, boa acidez e termina com boa persistência.
PVP: 8,99 €;



Monte da Ravasqueira Branco 2010

Com uma cor muito citrina, límpida e bonita, foi produzido a partir das castas Alvarinho, Viognier e Arinto.

Este alentejano, com a assinatura dos enólogos Rui Reguinga e Paulo Peças, é bastante aromático, principalmente frutado, evidenciando-se e destacando-se as suas notas cítricas.

Na boca é equilibrado, revelando boa estrutura, e termina fresco e mineral.
PVP: 6,50 €;



Monte da Ravasqueira Rosé 2010

Produzido das castas Alfrocheiro, Aragonês e Touriga Franca, é um rosé de cor rosada, quase salmão, que revela um nariz muito fresco, onde notas de fruta vermelha como os morangos e framboesas são bastante evidentes.

Na boca é ligeiro, equilibrado, com boa acidez, sendo também mais seco e interessante que o irmão de 2009.
PVP: 4,50 €;



Paulo Laureano Premium Rosé 2010

Mais uma das novidades deste enólogo alentejano, agora um rosé de cor muito bonita, um salmão quase groselha, muito vivo.

Na boca e no nariz o que sobressai logo são as frutas como as ameixas e groselhas, e é um pouco especiado.

O "blend" das castas Aragonez, Alfrocheiro e Tinta Grossa deram ainda uma característica mais seca, com uma acidez muito elegante, fazendo deste um vinho muito gastronómico e uma excelente companhia para uma refeição.

PVP: 8,50 €.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Rota das Estrelas

O restaurante Il Gallo D'Oro, no Funchal, teve o privilégio de iniciar mais uma edição, desta feita a segunda, do festival gastronómico Rota das Estrelas.

O que começou por ser uma ideia extravagante, arrojada e arriscada, rapidamente se transformou em algo importante e sem precedentes em Portugal, só ultrapassada em notoriedade pelo famoso Tribute to Claudia, na Vila Joya.

A ideia é simples e eficaz: em primeiro lugar, aproximar todos os restaurantes e seus chefes com estrelas Michelin em Portugal, criar ementas conjuntas e, principalmente, juntar estes profissionais para que partilhem ideias e conhecimentos para que possam evoluir gastronomicamente, e com isto Portugal e os portugueses ganham não só à mesa, mas pela notoriedade que estas iniciativas trazem.

Chave de Ouro para o começo e os privilegiados que puderam degustar uma das três refeições servidas na Madeira, em que os intervenientes foram os chefes Benoît Sinthon (Anfitrião, Il Gallo D'Oro, Funchal, * Michelin), Dieter Koschina (Vila Joya, Praia da Galé, ** Michelin), Michel Roth (Hotel Ritz, Paris, ** Michelin), Diego Guerrero (El Club Allard, Madrid, * Michelin) e ainda os pasteleiros Gilles Marchal (La Maison du Chocolat, Paris, considerado um dos melhores do mundo) e Yves Michoux (Il Gallo D'Oro, Funchal, * Michelin), que confeccionaram pratos como: medalhões de lavagante, trilogia de tomate, abacate, aipo e vinagrete de tapenade; ovo surpresa com pão e pancetta sobre creme ligeiro de batata; filete de salmonete, ragoût de polvo da costa e raviolli de alho negro; sinfonia de porco preto, maçã, morcela de Monchique, sabor de aipo.

O próximo jantar é já nos próximos dias 28 e 29 de Maio, em Porches, no restaurante com uma estrela Michelin - The Ocean. O seu chefe, Hans Neuner, já tem como convidado o Albano Lourenço (Arcadas, Coimbra, * Michelin), mas são esperadas mais surpresas para estes dias!

Já na calha estão marcados mais eventos, 22 e 23 de Junho em Coimbra, no restaurante Arcadas, sob a tutela do chefe Albano Lourenço; 8 e 9 de Julho em Amarante na Casa da Calçada, sendo o residente o chefe Vítor Matos; 28 de Outubro no Algarve no restaurante da Vila Joya, único com 2 estrelas Michelin em Portugal, sob a mestria da cozinha do chefe Dieter Koschina, e termina com os últimos jantares nos dias 18 e 19 de Novembro em Cascais na Fortaleza do Guincho, na respeitável cozinha do chefe francês Vincent Fargés.

Poderá recolher mais informações através do blogue rotadasestrelas.blogspot.com.


Medalhões de lavagante, trilogia de tomate, abacate, aipo e vinagrete de tapenade
Michel Roth (Hotel Ritz, Paris, ** Michelin)


Ovo surpresa com pão e pancetta sobre creme ligeiro de batata
Diego Guerrero (El Club Allard, Madrid, * Michelin)

Filete de salmonete, ragoût de polvo da costa e raviolli de alho negro
Dieter Koschina (Vila Joya, Praia da Galé, ** Michelin)



Sinfonia de porco preto, maçã, morcela de Monchique, sabor de aipo
Benoît Sinthon (Anfitrião, Il Gallo D'Oro, Funchal, * Michelin)Gilles Marchal (La Maison du Chocolat, Paris)

Saint honoré de framboesa
Yves Michoux, (Anfitrião, Il Gallo D'Oro, Funchal, * Michelin)


Agradecimento a TAP (Transportadora Aérea Portuguesa), pela colaboração na reportagem.

www.flytap.pt


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 05 de Maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A arte de bem criar champanhe: Ruinart

Há muitos anos que o champanhe é alvo de paixão ou de rancor, bebida agradável que não é indiferente a ninguém.

Uns gostam de beber acompanhada de frutos, sendo o mais popular o morango, visto que activa as propriedades de acidez e a adstringência, mas na realidade quando o champanhe é bom, simples é como se aprecia melhor.

Uma das casas mais conhecidas e afamadas pela sua qualidade é a francesa Ruinart, em Reims, que desde 1729 produz os seus néctares.

Não vou estar aqui a explicar os métodos técnicos de trabalho, como o tratamento da uva e das vinhas no campo, a sua apanha, vinificação e engarrafamentos.

Vou saltar todas estas linhas e falar do que é mais interessante: o produto final!

Não fique o leitor a pensar que não é importante a produção, que é bastante interessante até, mas o prazer está em beber, degustar e apreciar - o resto é história.

Vou começar pelo Blanc des Blanc, feito exclusivamente da casta Chardonnay: tem uma cor amarela-dourada perfeita, mas quando o pomos a dançar no copo, podemos ver alguns laivos esverdeados, distintivos pela sua acidez.

As bolhas são finas e elegantes, elevando ao topo aromas primaveris e frescos, como os frutos vermelhos, morangos, cerejas num "bouquet" extraordinário.

Na boca, o prazer amplia-se ao demonstrar um enorme equilíbrio, estrutura e, principalmente, um final muito persistente. Preço 62 €.

Um dos mais populares é o Rosé, produzido das castas Chardonnay (45%) e Pinot Noir (55%): revela-se num rosa-dourado ao olho, e com uma bolha muito delicada e expressiva.

O nariz é um estrondo, muito floral, frutado e fresco, dando vontade de o beber logo.

Na boca, mantém a firmeza e a delicadeza do nariz sobre boa estrutura, revelando a fruta vermelha e os morangos em cada golo. Termina longo. Preço 62 €.

Já na gama de topo estão o Dom Ruinart e o Dom Ruinart Rosé: o primeiro foi lançado recentemente no mercado português, sendo um "vintage" de 1998, produzido somente com a casta Chardonnay, verdadeiramente fantástico e que poderá encontrar nas principais garrafeiras por volta dos 185 €.

O segundo, o Rosé, é de uma fineza e elegância de que poucos produtores se podem orgulhar. É, para mim, "la crème de la crème".

Produzido com as castas Chardonnay (84%) e Pinot Noir (16%), revela-se ao olho num rosa com laivos dourados e cobre, e bolha muito fina e delicada.

O nariz muito opulento, mas a revelar de forma subtil as fragrâncias, só é superado pela boca cítrica e de frutos do bosque, muito equilibrada e elegante.

Uma verdadeira bomba de prazer no palato. O preço assusta, mas a qualidade paga-se: 315 €.

Não fiz harmonizações com nenhum prato ou sobremesa, porque o champanhe dá bem com tudo e tudo se dá bem com um Ruinart!

*Preços retirados da Garrafeira Internacional.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Finalmente é sexta-feira

Na semana passada, tive a oportunidade de participar num congresso muito diferente e interessante:

  • O Algarve Chefs Fórum!

Em traços largos, o que este evento pretende é reunir cozinheiros de diferentes pontos do País (sendo mais fácil, por questões geográficas, para os que vivem no Algarve) e trocar ideias sobre técnicas e produtos.

Este ano, o tema foi o atum e a ria Formosa - assunto pertinente, pois nos últimos anos aumentou drasticamente o consumo, principalmente nos apelidados japoneses e, da mesma forma gradual que aumentou o consumo e diminuiu o respeito a este peixe.

O ponto alto do fórum foi o desmanche ao vivo de um atum albacora com mais de 80 quilos; outros momentos como a apresentação dos chefes Sá Pessoa (Alma), Cordeiro (Feitoria, Altis Belém), Hans Neuner (The Ocean, Vila Vita) e Miguel Vieira (Costes, Budapeste) entre outros, também retiveram a atenção dos presentes.

De lamentar a ausência das escolas de turismo da região e muitos dos chefes locais.

Nas mais recentes novidades na restauração que tive oportunidade de experimentar está o Sol e Pesca na Rua Nova do Carvalho, 44, em Lisboa.

Sinceramente, fiquei fascinado com este espaço, uma volta atrás no tempo, revivendo os enlatados de qualidade e pensando na conserva como um produto de excelência.

Ambiente descontraído, decorado com vários elementos do mar, fez renascer a vontade de comer conservas, divulgando os produtos da Fábrica de Conservas da Murtosa, a Conserveira de Santa Catarina e a Fábrica de Conservas Pinhais. Peixes, moluscos, mariscos, e outras iguarias são os ex-líbris da casa.

www.solepesca.com
Tel.: 213 467 203

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Abril de 2011

Adeus David RIP

(David Lopes Ramos, @Revista dos Vinhos)

Noticia triste e trágica no mundo da gastronomia, morreu o jornalista David Lopes Ramos!

Durante anos agraciou-nos com a sua prosa, critica e conhecimentos gastronómicos no Jornal o Publico, Diário de Noticias, na Revista Vértice, e na Revista de Vinhos.

Um grande profissional, um colega e um amigo.