sábado, 23 de abril de 2011

Voltando ao World's 50 Best Restaurants

Sempre fui muito céptico em relação a esta lista, onde havia e há grandes marcas a “financiar” os resultados! Para mim esta lista deveria ser elaborada por um meio de comunicação social idóneo e sem qualquer tipo de interesse comercial.

San Pellegrino e Electrolux são dois dos mais conhecidos, mas o Cacao Barry, Lavazza, Silestone, Veuve Clicquot, Birra Moretti e Foods & Wines from Spain também se juntam aos “mecenas”.

Penso que uma lista destas ganhava muito em primeiro lugar, anunciar quem são os coordenadores de cada uma das 15 regiões e responsáveis pela escolha dos mais de 900 votantes. Pois se são sempre os mesmos, certamente que serão sempre os mesmos votantes, e como os que “votam” são jornalista, chefes e gastrónomos (profissionais ou simplesmente amigos do oficio) facilmente se monta uma cabala.

Faço estas acusações porque este ano a lista parece-me demasiado estranha, não conheço pessoalmente os 100 restaurantes, mas tenho o privilégio de conhecer bastantes de países como o Brasil, Espanha, Hong Kong, França, U.K, Itália, Holanda, USA, Alemanha, Suíça e felizmente Portugal (o restaurante Vila Joya este ano figura o 79º lugar), o que não me faz um “expert”, mas pelo menos dá algum valor há minha palavra.

E este ano fiquei escandalizado com o que vi, não vou individualizar o nome de restaurantes que acho que deveriam estar em melhores lugares, ou outros que nem ali deviam estar, mas está na hora de revelar o suco da lista.

Aqui estão algumas das criticas proferidas pelos nosso vizinhos:


The World's 50 Best Restaurant Awards

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pastel de Nata versus Pastel de Belém

Eu há anos que afirmo que o pastel de nata e o de Belém são o mesma produto: Pastel de Nata, a única diferença é que o de Belém é uma marca registada.

Outras diferenças qualitativas também se podem descobrir, pois continuo a achar que a fabrica de Belém mete um microchip de autodestruição dentro dos pasteis, pois mal passam a porta, ficam impróprios para consumo. Ou aliás, podem-se comer mas perdem toda a graça!

Anualmente organizo durante o festival do Peixe em Lisboa uma prova que pretende não só destacar os melhores pasteis de nata e suas pastelarias, bem como, voltar a criar burburinho sobre um dos mais importantes embaixadores de Portugal.
Este ano os eleitos foram as pastelarias Chique de Belém (1º), Cristal (2º) e Alcoa (3º).

Mas voltando ao dilema nata versus Belém, curiosamente, não sou o único com esta opinião, e desta feita foi o conhecido jornalista e gastrónomo Dias Lopes (Revista Gosto) que deixou opinião similar no Jornal Estadão (São Paulo).

Vale a pena ler!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Em terras do Cartaxo

Nas viagens que faço pelo nosso país, vou tentando conhecer um pouco melhor os nossos produtos, produtores e, principalmente, aquele "je ne sais quoi" que faz a diferença.

Quando fui visitar a Quinta da Fonte Bela, que pertence à DFJ vinhos, não estava preparado para o que ia ver, e a surpresa foi imediata.

Ao chegar àquela zona recôndita do Cartaxo, fiquei apaixonado pelo edifício principal (utilizado há uns anos para gravar umas das mais famosas telenovelas portuguesas: a "Vila Faia").

Edifício centenário do século XIX, exemplar da chamada "Arquitectura de Ferro", foi desenhado e projectado pelos alunos de Eiffel.

Apelidada de Catedral do Vinho, relembra muito as grandes destilarias escocesas, longos e bonitos pés-direitos e as típicas chaminés das destilarias.

A verdade é que aqui se fez muita aguardente, antes de se dedicar apenas ao vinho!

Agora os edifícios estão repletos de barricas, muitas e grandes, depósitos de vinhos com capacidade para 2,8 milhões de litros, uma tanoaria onde se recuperam as antigas barricas, um laboratório e uma sala de visitas e provas.

A produção deste ano ascendeu a mais de seis milhões de garrafas e para o ano já se pensa em duplicar.

Ainda dentro dos números impressionantes estão os mais de 400 hectares de vinha que controlam nas regiões vitivinícolas de Lisboa, Tejo, Douro, Terras do Sado e Alentejo, que se traduzem em mais de 30 referências de vinhos varietais e bivarietais.

Dos três sócios fundadores, Dino, Fausto e José Neiva Correia, só o último é que permanece à frente dos destinos da empresa, sendo não só o administrador como o enólogo-chefe.

Para Neiva Correia, a solução é simples: faz os vinhos que o consumidor e os mercados desejam, com o preço e a qualidade de mãos dadas.

Prova viva de que a solução funciona são os já falados seis milhões de garrafas produzidos para mais de 30 países, sendo o mercado externo representativo de 90% das vendas, que atingem os 10 milhões de euros anuais.

Verdadeiramente impressionante!

Recentemente, José Neiva Correia chegou à conclusão de que, para continuar com uma empresa moderna e pronta para enfrentar os efeitos nocivos da crise financeira, tem de pensar muito no preço, mas como a qualidade é imprescindível, estudou a melhor forma de conseguir baixar os custos de produção, mantendo um patamar elevado da marca e produto, e apercebeu-se que é na uva da região de Lisboa que consegue tirar melhor partido, estando mesmo a pensar abandonar outras regiões para se centrar numa única.

O reconhecimento internacional e nacional mais uma vez é o reflexo de quem soube tomar as medidas correctas.

Desde 1998 a DFJ ganhou mais de mil prémios, medalhas e "Best Buy", 112 só no ano de 2010.

Para se perceber um pouco melhor o resultado, há que provar e apreciar alguns destes vinhos.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Abril de 2011

Algarve Chefs Fórum - As Fotos

Foi ontem que decorreu o Algarve Chefs Fórum em Tavira e contou com as presenças de : Henrique Sá Pessoa (Restaurante Alma), Nuno Diniz (York House Hotel), Miguel Rocha Vieira (Restaurante Costes, Budapeste, 1* Michelin), Joaquim de Sousa (Hotel The Oitavos), João Simões (Restaurante Unique), Hans Neuner (Hotel Vila Vita Parc) e Chefe Cordeiro (Altis Belém Hotel&Spa) que fizeram demonstrações de cozinha e pastelaria inspirados no atum e nos produtos da Ria Formosa.

Bertilio Gomes, programador Gastronómico do ALLGARVE Gourmet conduziu todas as demonstrações, juntamente com o jornalista Vicente Themudo de Castro.

O momento alta foi certamente o desmanche ao vivo de um atum Albacora-

Clique aqui para ver as fotos!

Le Chef: Lombo de Borrego com abóbora recheada

Por Nuno Diniz
Chefe executivo da York House

O lombo de borrego fica sempre contente quando na companhia de legumes.

Aqui combinámos alguns sabores tradicionais (borrego com alho e tomilho) com a tantas vezes desprezada abóbora (neste caso, uma excelente hokaido bebé, ou abóbora-menina), que foi cozinhada no forno a vapor, e a que juntámos diversos legumes, todos preparados de forma diferente e que, com as suas texturas específicas, contribuirão para a elevação da experiência gustativa.

De notar que tudo foi aproveitado: ossos e cascas de legumes para o caldo, pele e gordura do borrego tratada de forma a ficar crocante, e até as pevides, que foram salteadas com azeite e sal e comidas... na cozinha...

Lombo de Borrego com Abóbora recheada

Abóbora
Cozer a vapor uma abóbora pequena até uma faca entrar facilmente (20 minutos a 150 0C)
Cortar a tampa, retirar a polpa e reservá-la.

Legumes
Branquear em separado, em água a ferver com sal: 2 espargos (4 minutos), 5 ervilhas tortas (1 minuto), 1 cenoura (5 minutos), 2 ocas (5 minutos), 1 curgete (2 minutos) e meio alho-francês (1 minuto).
Ao retirar da ebulição, pôr em água gelada.
Grelhar as cenouras pinceladas com banha.
Saltear as ervilhas numa colher de azeite com um dente de alho.
Saltear os espargos e a oca numa colher de manteiga.
Fatiar a curgete e colocar numa mistura de 1 dl de água gelada e 1 dl de vinagre de vinho branco. Deixar marinar durante 1 hora.
Fatiar os legumes e rechear a abóbora. Juntar folhas de chicória e salsa frisada previamente passadas numa vinagreta de 2 colheres de azeite, 1 colher de vinagre de vinho tinto, 1 colher de água e flor de sal.

Borrego
Fatiar uma cenoura na mandolina e cozer durante 5 minutos numa mistura de 1 copo de sumo de cenoura, uma pitada de cominhos, sumo de meio limão e 2 colheres de sopa de mel. Temperar com flor de sal.
Tirar a gordura a 200 g de lombo de borrego e pô-la no forno a 150 0C, durante 1 hora até ficar crocante.
Saltear o lombo numa colher de azeite, 1 pé de tomilho e 1 alho esmagado com casca, até estar bem dourado. Temperar com flor de sal.
Colocar no forno a 160 0C durante 7 minutos.
Enrolar as fatias de cenoura confitadas no mel à volta do lombo de borrego.

Molho
Saltear a polpa da abóbora em manteiga, uma folha de salva, e uma chalota picada.
Juntar 1 dl de caldo de borrego (feito com 500 g de ossos de borrego, as aparas dos legumes, 1 dl de vinho branco, 1 ramo de cheiros e 3 dl de água) e cozer durante 10 minutos.
Retirar a chalota e a salva, emulsionar com uma varinha e juntar 30 g de manteiga fria.
Rectificar temperos.



Quinta da Bacalhôa Tinto 2007
Península de Setúbal

É um vinho muito macio, apesar da sua estrutura complexa, equilibrando muito bem com este borrego isento de gorduras fortes.

A cenoura e a abóbora e as suas notas doces tendem a fazer uma boa paridade com os aromas e sabores silvestres maduros como as amoras e os morangos.

Termina longo e persistente, mas com bastante veludo, não se sobrepondo aos sabores do prato.

Castas Cabernet Sauvignon (90%) e Merlot (10%).
Teor alcoólico: 14%.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 19 de Abril de 2011