segunda-feira, 18 de abril de 2011

Futre e Licor Beirão

O tema não pode ser mais actual!

A Uzina e os seus criativos conseguiram aproveitar bem dois grandes momentos da nossa actualidade desportiva e política.

Aqui está o making off.

The World's 50 Best Restaurants 2011

Todos os anos as águas da S. Pellegrino juntamente com outros parceiros divulgam uma lista bastante contestada dos 50 melhores restaurantes do Mundo!

Hoje é o dia em que a tal lista é divulgada, e ainda não saiu e já ganhou uma rebelião de contestatários e de inimigos (onde me incluo), pois gosto de listas como a Michelin e a Gault & Millau que não dão números de 1 a 50, mas sim agrupam categorias.

Estrelas ou toques, talheres, é o que quiserem, mas acho demasiado pedante dizer que o Nome é melhor que o El Bulli, ou o Celler San Roca abaixo do The Fat Duck, diria mesmo que é simplesmente ridículo!

Mas mesmo assim aqui vai a página oficial dos “The World’s 50 Best Restaurant Awards“.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Finalmente é sexta-feira

Ontem fizeram-me uma pergunta muito simples, mas de resposta muito complexa: “Na restauração a quantidade de clientes é sinónimo de qualidade?”.

É uma pergunta traiçoeira, mas, se analisarmos bem, o sinónimo de qualidade está inteiramente ligado à procura, se as pessoas gostam, procuram e querem, quem sou eu para contestar o gosto?

A qualidade é muito importante, mas a sobrevivência ainda mais, e se a comida “menor” enche salas, então há que repensar um pouco e perguntar: “Será que a quantidade de clientes é sinónimo de sucesso?”.

A resposta é mesmo simples: “SIM!”.

Voltando aos assuntos felizes, na passada quarta-feira realizou-se a terceira prova do concurso “O Melhor Pastel de Nata”, durante o evento Peixe em Lisboa, e já temos novo vencedor: a pastelaria A Chique de Belém, na rua da Junqueira 524, junto ao Museu dos Coches.

Em segundo ficou a pastelaria Cristal (vencedora de 2009) e em terceiro a pastelaria Alcoa em Alcobaça.

O júri, presidido pelo gastrónomo Virgílio Gomes, teve de provar e avaliar as 11 amostras que este ano foram a concurso, e no final a opinião foi consensual entre os jurados: “Este ano foi muito difícil porque todos os concorrentes trouxeram pastéis de grande qualidade, dificultando bastante o trabalho do júri”.

Agora que temos mais um representante da mais mediática peça de pastelaria nacional, não seria altura dos nossos representantes estatais pensarem além da fábrica de Pasteis de Belém e apresentarem, nos diversos eventos de estado, os nossos melhores produtos?

O chefe Vítor Sobral voltou a surpreender Lisboa, abrindo mais um restaurante.

Desta feita, é uma cervejaria que se situa na Rua Correia Teles, n.º 56, Campo de Ourique em Lisboa. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a cozinha do chefe Vítor Sobral renova-se e inventa-se no tacho, e a sua Tasca da Esquina e agora a Cervejaria da Esquina são representadas por essa vertente da cozinha.

O espaço é bonito, a fachada foi renovada, mas manteve os letreiros e traça do antigamente, vendo-se ainda o nome do antigo estabelecimento que ali operava.

O seu interior é simples, com muitas madeiras, mesas simples com toalhas de papel, um longo balcão onde se prepara a comida, um bico de cerveja, muitos aquários cheios de marisco e um forte espírito do que eram as tradições de uma cervejaria.

Preço médio por refeição:€25 a €45.
Tel: 213 874 644

O mediático e sempre à frente Olivier também abriu um novo espaço, privilegiando a comida mais simples, mas mais calórica das pizzas, massas e hambúrgueres!

Chama-se Guilty by Olivier, e é um local giro, muito cosmopolita e, principalmente, muito animado.

Os valores médios de refeição andam abaixo dos €20, mas depende muito do vinho que possa pedir.

O meu conselho é que experimente os rolinhos de pizza, acompanhados por uma fantástica sangria de champagne e frutos silvestres.

A decoração foi feita pelo Olivier, havendo uma parede forrada a caixas de vinhos, ao fundo um grande balcão e dois grandes fornos de lenha, um longo balcão a albergar os bartenders, e um púlpito com um DJ incansável.

Rua Barata Salgueiro, 28ª – Lisboa.
Tel: 916 593 494.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O melhor pastel de nata 2011

Ontem, foi a terceira edição do concurso "O Melhor Pastel de Nata", durante o evento Peixe em Lisboa, e o vencedor foi a pastelaria "A Chique de Belém".

A prova realizou-se no Auditório do Peixe em Lisboa e os pasteis foram avaliadas por um júri constituído por Virgílio Gomes (Presidente do Júri e crítico gastronómico), o enólogo Domingos Soares Franco, o escanção Manuel Moreira, o chefe de cozinha André Magalhães e Rita Cupido, das Edições do Gosto.

Em 2.º lugar, ficaram as pastelarias Cristal (vencedora em 2009) e em 3.º, a Alcoa de Alcobaça.

Além dos premiados, participaram ainda Hotel Altis, Pastelaria Aloma, Casinha do Pão, Pastelaria Suiça, Hotel Palácio, Hotel Ritz, Estabelecimento Prisional do Linhó e o Restaurante Casa da Comida.

Em 2009, os vencedores haviam sido a Pastelaria Cristal (1º), secundada pela Pastelaria Chique de Belém (2º) e o Hotel Ritz (3º), e em 2010 foram Pastelaria Suiça (1º), Casinha do Pão (2º) e Hotel Altis (3º).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Da adega ao espaço gastronómico

Évora é uma cidade que só não encanta quem ainda não a visitou.

Recheada de monumentos que enchem o olho, tem tanto para ver e visitar que um dia é escasso, uma semana não chega e uma vida inteira provavelmente não é suficiente para conhecer todos os seus tesouros.

Assim, e para poder dizer que já tinha um pouco mais de Évora no meu hard drive, faço malas, junto a família no carro e após uma hora e alguns minutos estava a circundar as muralhas, passar por baixo do aqueduto, e seguir a estrada que indicava canaviais - desta vez o meu destino é o belíssimo e totalmente reestruturado Convento do Espinheiro, agora transformado num belo hotel histórico de luxo.

Segundo a lenda, por aqui houve a aparição da Virgem por volta do início do século xv, alguns anos após foi edificada uma ermida e, depois de se tornar um ponto de peregrinação, no ano de 1458, D. Afonso V ordenou a construção da igreja e mais tarde do convento.

A história prolonga-se por muito mais linhas e todas elas impressionantes e deveras curiosas, mas a razão da minha visita foi para conhecer um conto mais recente - a arte por detrás da cozinha.

Confesso que quando entrei para almoçar na antiga adega do convento, onde hoje é o restaurante Divinus, o chão de pedra, os vários arcos e abóbadas do tecto e a iluminação delicada quase toda artificial prenunciam que o ambiente está mais propício para o jantar do que para o almoço, mas o estômago não vê luz, por isso mãos à obra.

A ementa está dividida entre uma variedade de 6 petiscos alentejanos, 3 sopas e caldos, 3 entradas, 5 peixes, 5 carnes e 5 sobremesas. Além destas, pode optar por um menu de degustação com 6 experiências por 45 €, e foi mesmo esta a minha opção para o almoço.

Depois da surpresa do chefe, iniciei-me nas vieiras crestadas em azeite de alecrim, numa bisque de mar sobre cuscuz de coentros - o molusco bem cozinhado no ponto, exterior ligeiramente crocante e as guarnições a favorecerem em sabor enaltecendo o bivalve.

O peixe-galo braseado sobre um creme de aipo e emulsões de azeite em diferentes texturas estava um pouco seco na ponta, merecia maior cuidado.

O melhor da tarde foi o carré de borrego envolto em sementes de sésamo e papoila numa inspiração mediterrânea, em que a carne chegou à mesa num ponto rosé perfeito, enaltecendo a graciosidade do bicho, onde se notava a ausência dos sabores a sebo muitas vezes associados à peça.

Terminou-se com duas sobremesas: a tarte de requeijão e maçã numa redução de Mouchão e com gelado de rosa e uma fantástica subtilezas conventuais em três texturas.

À noite, como eu já esperava, o ambiente era mais favorável ao espaço e decoração, e as confortáveis cadeiras encarnadas de costas altas criavam uma simbiose agradável entre o clássico e o moderno.

À la carte iniciei a refeição nocturna com o escalope de fígado de ganso braseado com uma compota de tomate verde e cebola roxa - mais uma vez os pontos correctos denotavam coerência e técnica na cozinha, deste prato retirava a guarnição da pêra bêbada em massa brick, que de forma correcta equilibrava a gordura do foie, embora não me pareça uma boa combinação de palato.

O dueto de robalo e carabineiros corado sobre um risotto de amêijoa cristã ficou pela banalidade do certinho e terminei com a pedra de queijos alentejanos com uma gelatina de maçã e um gelado de mel.

Resta dizer que a carta de vinhos é excelente, havendo uma maior propensão, como não poderia deixar de ser, para os alentejanos.

O serviço de mesa foi sempre simpático e afável, apesar de algumas distracções momentâneas, facilmente corrigíveis.

Não tenho dúvidas em afirmar que fui, gostei e voltarei, para comer, dormir e viver o que o Convento do Espinheiro tem para oferecer.


Detalhes
Divinus
Convento do Espinheiro Hotel & Spa
Canaviais, Apartado 594
7002-502 Évora - Portugal
N 38.60077º, W 7.88841º
+351 266 788 200
www.conventodoespinheiro.com
reservas@conventodoespinheiro.com
Horário: aberto todos os dias das 12h30 às 14h30
e das 19h30 às 22h30
Preço médio: 55 €
Tipo de cozinha: regional alentejana contemporânea
Cartões: todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Abril de 2011