quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cervejaria da Esquina - Chefe Vitor Sobral

Parece que o Chefe Vitor Sobral, abriu hoje um novo espaço para os lados de Campo de Ourique. Quando apareci por lá ao principio da tarde, ainda estavam em arrumações e preparos para o jantar, mas pelo livro de reservas já não havia volta a dar. É mesmo hoje!

Vi por lá vários aquários, uma decoração minimalista e interessante, um longo balcão a lembrar as cervejarias de outros tempos, e muita vontade de fazer algo novo, de algo antigo. De destacar a fachada que foi apenas reparada e ainda mantém os letreiros e nomes da antiga casa. "BONINA"


Comunicado integral:
A Cervejaria da Esquina procura reinventar o conceito e a tradição da clássica cervejaria lisboeta. Tem como ponto de partida a oferta de uma carta que valoriza os mariscos, os bifes e os enchidos e avança para novos horizontes onde potencia toda a riqueza do marisco cozinhado em açordas, saladas, arrozes, massas, um sugestivo caril ou um creme de camarão. A «cozinha de tacho» será um dos pontos de destaque deste novo espaço de Vitor Sobral, situado na Rua Correia Teles, 56, Campo de Ourique, em Lisboa, que abre as portas ao público amanhã, terça-feira, 12 de Abril.

Ostras, amêijoas, lagostim, lagosta, sapateira, lingueirão, búzios, canilhas, percebes, burriés, camarão da costa, tigre ou de Moçambique, gamba branca, caranguejo real são alguns dos mariscos que constam do menu da Cervejaria da Esquina. Não podemos esquecer o tradicional Prego à Casa e Bife à Casa, ambos de vaca ou de atum. Para acompanhar uma boa carta de vinhos e a finalizar sobremesas com sabores da gastronomia portuguesa – Arroz Doce, Flan de Chá Verde da Gorreana, entre outras; e para terminar um lote de café especial.

Como não poderia deixar ser, a cerveja estará também em evidência. Vitor Sobral apresenta um novo conceito, pensado para aqueles que gostam de acompanhar a refeição com uma cerveja gelada, a «esquininha». Esta mais não é do que uma imperial, mas servida num copo mais pequeno, levando a que esta se beba mais rapidamente e sempre fresca.

Toda a concepção do espaço foi da responsabilidade da arquitecta Paula Moura, que nos presenteia com um design moderno e confortável, preenchido por mesas isoladas, divididas por duas salas, fumadores e não fumadores, com cerca de 50 lugares no total e uma esplanada com lugares para 25 pessoas.

A Cervejaria da Esquina quer que ao prazer da gastronomia se associe um envolvimento visual que complete e enriqueça a experiência de se ir almoçar, jantar ou simplesmente petiscar algo. Não só através das texturas e cores dos materiais empregues, como na integração harmoniosa de uma cozinha assente no show cooking, que valoriza a exposição das matérias-primas, a sua preparação e transformação. Criou-se um ambiente que cria proximidade e transparência acentuada pelo conjunto de aquários que envolvem as pessoas.

O facto de estar num prédio antigo de Campo de Ourique, faz com que se respire a ainda presente memória dos antigos bairros de Lisboa, em que o convívio e a familiaridade pautava as relações entre as pessoas e nos quais os espaços de restauração eram prolongamentos naturais das casas de cada um. Na Cervejaria da Esquina podemos encontrar essa tradição, o que torna o espaço mais acolhedor e apelativo, ainda que seja moderno e inovador.

A Cervejaria da Esquina estará aberta de Terça a Domingo e irá oferecer a cada pessoa uma experiência que estimule e envolva os sentidos, os afectos e, principalmente, o prazer de estar à mesa.

Preço médio por refeição: 25€ a 45 €

sábado, 9 de abril de 2011

Finalmente é sexta-feira

7 Maravilhas Gastronómicas

Ontem foi apresentada a lista reduzida dos 70 pratos que constituem a primeira seleção de mais de 400 propostas para a eleição das 7 Maravilhas da Gastronomia.
O tema é polémico e pouco consensual, uma vez que é difícil reduzir a nossa riqueza gastronómica apenas a sete!

Mas para a organização a crítica é bem vista, e o presidente da organização Luís Segadães afirma que é mais importante gerar interesse e manifestação do que indiferença.

Estranho é a ausência do mítico arroz-doce, mas só foram a votos os propostos e parece que ninguém se lembrou desta pérola.

De destacar o bolo do caco da Madeira, pezinhos de coentrada do Alentejo, o caldo de cascas de Trás--os-Montes, as amêijoas à Bulhão Pato de Lisboa e Setúbal, que se juntam aos outros 66 que completam a lista.
(Lista completa em www.7maravilhas.pt)

Best Tables

Outro tema que deu muito furor esta semana foi a aparição do site Best Tables.

A ideia é melhorar o sistema de reservas de restaurantes em Portugal, bastando apenas três cliques para se confirmar uma mesa no seu local preferido (ou apenas um que queira conhecer).

Começaram com 50 espaços, onde a maior concentração é para Lisboa, mas Coimbra e Sintra também estão representados, tendo já confirmado, neste curto espaço de vida, mais de 1000 pedidos.

Basta entrar no site (já estão a desenvolver a versão para iPhone que vai para o ar antes do fim do ano), pesquisar o restaurante, localização ou tipo de comida, selecionar e depois preencher um número reduzido de dados, e p
assados uns segundos recebe via SMS ou email a confirmação da sua reserva, sendo fácil, cómodo e contrariamente ao que todos possam pensar, gratuito.
www.BestTables.com


Peixe em Lisboa

Os próximos dias vão ter a sua atenção máxima no evento Peixe em Lisboa, que começou ontem no Pateo da Galé, no Terreiro do Paço, em Lisboa, que além de se representar com 13 fantásticos restaurantes, abertos diariamente das 12 às 24 horas, conta ainda com vários acontecimentos paralelos, como aulas de cozinha, cursos de vinhos, apresentações de chefes, e muita animação.

Os preços das entradas variam entre 15 € (semana) e 25 € (fim-de-semana), e dá direito a pelo menos uma degustação num dos restaurantes.
www.peixemlisboa.com

Cinco Montes

Termino com um vinho, Cinco Montes tinto 2009, produzido pela casa alentejana Monte do Alámo, que transformaram as uvas das castas Alicante Bouschet, Aragonez e Alfrocheiro num néctar bastante interessante.

Estagia seis meses em carvalho francês, de onde sai com aromas balsâmicos e especiados.

Na boca é bastante macio e fácil de beber, ideal para qualquer dia da semana, fruto do equilíbrio transmitido por uns taninos muito suaves.

Teor alcoólico: 14%.
PVP: 4,65 €.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 08 de Abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Festival do Peixe anima Lisboa


Três anos depois do primeiro Peixe em Lisboa, o evento volta ao Pateo da Galé no Terreiro do Paço, devolvendo a aristocracia ao local, agora não por monarcas, mas pelos produtos-rei do Mar.

As portas abrem hoje, às 18 horas, numa cerimónia apadrinhada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, estando reservado para este primeiro dia apenas a abertura dos 13 restaurantes: 100 Maneiras, Arola, Assinatura, Eleven, Fortaleza do Guincho, José Avillez, Manifesto, Ribamar, Spazio Buondi, Sol e Pesca, Tasca do Joel, Umai e a York House.

Diariamente, os espaços de restauração vão estar abertos e a servir menus dedicados ao peixe e ao marisco, com preços entre os €5 aos €8.

Integrado no festival, que dura até ao dia 17 de Abril, ainda há várias apresentações de chefes, que são 23 este ano, e na longa lista destacam-se nomes como os multi-estrelados Michelin Sergio Arola e Gennaro Esposito, como os luso-descendentes George Mendes, Nuno Mendes e Serge Vieira.

No programa ainda há outras pérolas, como a 3ª edição do concurso “Melhor Pastel de Nata” no dia 13 às 15h e “A Grande Caldeirada” reservada para o almoço do ultimo dia.

Para aqueles que ainda estão chocados com as constantes mutações das “estrelas”, podem assistir ao debate com o diretor do Guia Michelin para Espanha e Portugal, Fernando Rubiato, que poderá esclarecer quais os critérios utilizados para a atribuição dos tão cobiçados galardões.

Para finalizar, pode ainda contar com vários cursos de harmonizações enogastronómicas, cursos de culinária, provas temáticas com especialista, área gourmet com vários produtos a serem apresentados e comercializados, sessões de sensibilização com crianças, animação e música ao vivo.

Os preços das entradas variam entre os €15 durante a semana e os €25 no fim-de-semana (De segunda a sexta, entre as 12h às 15h, oferta de duas degustações de 5; ao jantar e ao fim-de-semana inclui uma degustação de 5€), há preços especiais para grupos e de ingressos para 5 ou 11 dias. O horário é das 12h às 24h, com exceção no dia 17 que encerra às 16h.

Para mais informações pode consultar o site www.peixemlisboa.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Jantares Vínicos

Todos os dias, quando ligo o computador, sou confrontado com diversos correios eletrónicos de jantares vínicos, encontros de Baco e uma grande panóplia de acontecimentos em torno do vinho.

As ofertas são de tudo um pouco, havendo uma grande escolha: tradicionais, contemporâneos, italianos, franceses, etc… e como os restaurantes, também eles chegam de destinos diferentes, sendo os mais comuns, claro, os portugueses, mas os italianos e franceses também têm o seu espaço.

A fórmula que parece que todos adotaram é simples, o restaurante vai ter com o produtor, ou distribuidor (este segundo é preferível pois pode ter diferentes marcas e rótulos), pede para oferecer o vinho a troco de algumas refeições e tempo de antena, e dá-se inicio à coisa.

Estes jantares normalmente têm um menu cuidado e elaborado, depois de uma conversa entre o chefe e o produtor/enólogo e chega-se à harmonização correta (nem sempre é assim e por vezes as harmonizações são catastróficas, mas os restaurantes que organizam muitos destes eventos já os fazem quase de olhos fechados).

Antes do jantar faz-se uma pequena apresentação da escolha do menu e da paridade com os vinhos, e depois, prato a prato apresenta-se o(s) vinho(s) e as suas características técnicas, bem com a descrição de prova.

Goste-se ou desgoste-se, o que é certo é que este formato tornou-se muito popular e cada vez tem mais adeptos, e acima de tudo criou uma empatia e conhecimento por este meio como nunca houve, e aproximou de forma muito apaixonante o produtor/enólogo do consumidor final.

Posso garantir que depois destes jantares as pessoas chegam às grandes superfícies e já não olham só para o preço, mas sim conjugam o valor do vinho à sua qualidade, e às características da sua preferência.

Algumas recomendações para esta semana:

• Churchill’s Reserve Port

Este foi um vinho a que tive acesso há pouco tempo e achei muita piada por duas razões: primeiro porque é uma garrafa de 20cl e podemos pedir uma só para uma sobremesa, ou para o final da refeição.

Segundo porque é um Porto jovem de apenas quatro anos bastante aromático, com boa estrutura, produzido apenas dos melhores lotes de uvas (Letra A), resultando num vinho fácil de beber e fácil de se gostar.

• Loios Tinto 2010

Já começaram a aparecer bastantes vinhos da vindima do ano transato, e o J. Portugal Ramos não foi exceção e já meteu no mercado o seu Loios.

Produzido das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão resultou, como já tem vindo a ser habitual nos anos anteriores, num vinho muito aromático, com a fruta a assumir a sua predominância.

Muito fácil de beber e bastante gastronómico.

P.V.P €4,5

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Histórias do Azeite

Até há uma boa de dezena de anos, o simples ato de esticarmos o braço para pegar no galheteiro e retirarmos a garrafa de azeite para temperar o nosso prato era quase instintivo. Um curto comando cerebral que se refletia num movimento e num posterior aumento gustativo vegetal no prato. Agora, como no vinho, todos somos eruditos e questionamos antes de nos servir: “qual é a acidez deste azeite?”, “é virgem, ultra virgem ou pornograficamente refinado?”.

A origem da oliveira, segundo alguns cientistas, remonta à Era Terciária, mas a primeira aplicação que se conhece foi há mais de 6000 anos, quando então os guerreiros da Mesopotâmia se untavam para se proteger do frio. De acordo com a bíblia e alguns achados arqueológicos, as oliveiras já eram cultivadas em solo fértil desde o Século XXX a.C.. Mas foi apenas no século VII a.C. que os gregos e romanos começaram a utilizar este produto na sua dieta. Agora é tão comum que é impensável entrar numa cozinha sem uma garrafa de azeite.

Benéfico para a saúde, visto que reduz o risco de enfarte ou AVC – a sua grande quantidade de gordura monoinsaturada pode reduzir o mau colesterol (LDL), tornou-se o melhor aliado na cozinha. Na realidade, há alguns factores que são importantes na escolha do azeite, um dos principais é a acidez, quanto menor provavelmente melhor é. A luz é um dos piores inimigos: o contacto com esta acelera o processo de oxidação, logo a deterioração do mesmo.

O calor também não ajuda: evite os locais quentes, mas não guarde no frigorífico. Tenha também atenção aos períodos de validade, pois dificilmente podem durar mais do que um ano após a produção. E por último, é o ar. Recentemente, várias marcas introduziram os bicos doseadores, que são proporcionalmente negativos ao efeito prático, pois estes aceleram muito a oxidação.

Digamos que a garrafa ou embalagem ideal seria em vidro escuro temperado, ou mesmo tapado, ou uma embalagem em alumínio totalmente opaca, e o néctar teria de ter baixa acidez e ser bastante aromático para facilitar a sua vida.

Aqui vão algumas sugestões de alguns dos melhores que poderá encontrar no “mercado”:

• Acushla

É um azeite biológico certificado, extra virgem, DOP, com uma acidez inferior a 0,1% produzido pela Quinta do Prado em Vila Flor no Douro.

Além da sua imagem contemporânea, bonita, a embalagem foi desenhada e criada pensando nas questões ambientais, sendo totalmente reciclável.

Quanto às propriedades do produto, em copo próprio apresenta-se amarelo esverdeado, com aromas e sabores frutados, tendo uma longa persistência final com notas apimentadas.

(€9,90 - 500ml)
www.acushla.pt

• CARM

Tem uma gama muito extensa, desde a seleção CARM, Quinta do Bispado, do Côa, da Calábria e das Marvalhas todos com processo muito parecidos, no entanto de olivais distintos, de azeitonas de variedades diferentes, havendo espaço para cada um ter a sua identidade, mas a qualidade é comum a todas.

O Premium das Madural e Verdeal é talvez o mais expressivo, com aromas fortes e apaixonantes e apesar de uma acidez de 0,1% é bastante saboroso e encorpado na boca.

(€6,40 – 500ml)
www.carm.pt


• Gallo Azeite Novo

Extraído a frio de azeitonas que são colhidas entre os meses de Outubro a Dezembro, é o mais requintado de toda a gama Gallo.

O formato é tipicamente igual a quase todas as garrafas do mercado, mas esta tem a particularidade de ter um revestimento dourado que não só protege da oxidação como lhe confere um design distinto.

Já recebeu o primeiro prémio Mário Solinas, sendo considerado o melhor azeite do mundo.

Muito frutado, intenso e ligeiramente picante.

(€4,50 - 500ml)
www.gallo.pt


• Oliveira Ramos Premium

Produzido das azeitonas galega, cobrançosa e picual tem uma identidade muito própria e complexa.

A sua extração e conservação bastante técnica e cuidado permitem uma boa armazenagem de aromas e sabores resultando no azeite fresco e elegante, muito frutado, no entanto a revelar outros frutos como maçã, amêndoas e frutos secos.

É ligeiramente picante mas de forma graciosa e interessante.

Não há uma ciência para a utilização desde azeite, mas serve para temperar, cozinhar e guarnecer.

Muito boa proposta da João Portugal Ramos

(€8,90 - 500ml)
www.jportugalramos.com


• Quinta do Vale Meão


Curiosamente o nome já está bem conotado, pois o vinho é considerado um dos melhores de Portugal, o que pouca gente sabe é que o azeite também é excelente.

Azeitonas de Trás-os-Montes de um olival que foi plantado pela Dona Antónia Adelaide Ferreira, é produzido em modo de Agricultura biológica e atinge a acidez máxima de 0,2%.

Bom aroma herbáceo e fruta, ligeiramente especiado na boca. É mesmo uma agradável surpresa.

(€11,50 - 500ml)
www.quintadovalemeao.pt


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Abril de 2011