quinta-feira, 7 de abril de 2011

Festival do Peixe anima Lisboa


Três anos depois do primeiro Peixe em Lisboa, o evento volta ao Pateo da Galé no Terreiro do Paço, devolvendo a aristocracia ao local, agora não por monarcas, mas pelos produtos-rei do Mar.

As portas abrem hoje, às 18 horas, numa cerimónia apadrinhada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, estando reservado para este primeiro dia apenas a abertura dos 13 restaurantes: 100 Maneiras, Arola, Assinatura, Eleven, Fortaleza do Guincho, José Avillez, Manifesto, Ribamar, Spazio Buondi, Sol e Pesca, Tasca do Joel, Umai e a York House.

Diariamente, os espaços de restauração vão estar abertos e a servir menus dedicados ao peixe e ao marisco, com preços entre os €5 aos €8.

Integrado no festival, que dura até ao dia 17 de Abril, ainda há várias apresentações de chefes, que são 23 este ano, e na longa lista destacam-se nomes como os multi-estrelados Michelin Sergio Arola e Gennaro Esposito, como os luso-descendentes George Mendes, Nuno Mendes e Serge Vieira.

No programa ainda há outras pérolas, como a 3ª edição do concurso “Melhor Pastel de Nata” no dia 13 às 15h e “A Grande Caldeirada” reservada para o almoço do ultimo dia.

Para aqueles que ainda estão chocados com as constantes mutações das “estrelas”, podem assistir ao debate com o diretor do Guia Michelin para Espanha e Portugal, Fernando Rubiato, que poderá esclarecer quais os critérios utilizados para a atribuição dos tão cobiçados galardões.

Para finalizar, pode ainda contar com vários cursos de harmonizações enogastronómicas, cursos de culinária, provas temáticas com especialista, área gourmet com vários produtos a serem apresentados e comercializados, sessões de sensibilização com crianças, animação e música ao vivo.

Os preços das entradas variam entre os €15 durante a semana e os €25 no fim-de-semana (De segunda a sexta, entre as 12h às 15h, oferta de duas degustações de 5; ao jantar e ao fim-de-semana inclui uma degustação de 5€), há preços especiais para grupos e de ingressos para 5 ou 11 dias. O horário é das 12h às 24h, com exceção no dia 17 que encerra às 16h.

Para mais informações pode consultar o site www.peixemlisboa.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Jantares Vínicos

Todos os dias, quando ligo o computador, sou confrontado com diversos correios eletrónicos de jantares vínicos, encontros de Baco e uma grande panóplia de acontecimentos em torno do vinho.

As ofertas são de tudo um pouco, havendo uma grande escolha: tradicionais, contemporâneos, italianos, franceses, etc… e como os restaurantes, também eles chegam de destinos diferentes, sendo os mais comuns, claro, os portugueses, mas os italianos e franceses também têm o seu espaço.

A fórmula que parece que todos adotaram é simples, o restaurante vai ter com o produtor, ou distribuidor (este segundo é preferível pois pode ter diferentes marcas e rótulos), pede para oferecer o vinho a troco de algumas refeições e tempo de antena, e dá-se inicio à coisa.

Estes jantares normalmente têm um menu cuidado e elaborado, depois de uma conversa entre o chefe e o produtor/enólogo e chega-se à harmonização correta (nem sempre é assim e por vezes as harmonizações são catastróficas, mas os restaurantes que organizam muitos destes eventos já os fazem quase de olhos fechados).

Antes do jantar faz-se uma pequena apresentação da escolha do menu e da paridade com os vinhos, e depois, prato a prato apresenta-se o(s) vinho(s) e as suas características técnicas, bem com a descrição de prova.

Goste-se ou desgoste-se, o que é certo é que este formato tornou-se muito popular e cada vez tem mais adeptos, e acima de tudo criou uma empatia e conhecimento por este meio como nunca houve, e aproximou de forma muito apaixonante o produtor/enólogo do consumidor final.

Posso garantir que depois destes jantares as pessoas chegam às grandes superfícies e já não olham só para o preço, mas sim conjugam o valor do vinho à sua qualidade, e às características da sua preferência.

Algumas recomendações para esta semana:

• Churchill’s Reserve Port

Este foi um vinho a que tive acesso há pouco tempo e achei muita piada por duas razões: primeiro porque é uma garrafa de 20cl e podemos pedir uma só para uma sobremesa, ou para o final da refeição.

Segundo porque é um Porto jovem de apenas quatro anos bastante aromático, com boa estrutura, produzido apenas dos melhores lotes de uvas (Letra A), resultando num vinho fácil de beber e fácil de se gostar.

• Loios Tinto 2010

Já começaram a aparecer bastantes vinhos da vindima do ano transato, e o J. Portugal Ramos não foi exceção e já meteu no mercado o seu Loios.

Produzido das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão resultou, como já tem vindo a ser habitual nos anos anteriores, num vinho muito aromático, com a fruta a assumir a sua predominância.

Muito fácil de beber e bastante gastronómico.

P.V.P €4,5

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Histórias do Azeite

Até há uma boa de dezena de anos, o simples ato de esticarmos o braço para pegar no galheteiro e retirarmos a garrafa de azeite para temperar o nosso prato era quase instintivo. Um curto comando cerebral que se refletia num movimento e num posterior aumento gustativo vegetal no prato. Agora, como no vinho, todos somos eruditos e questionamos antes de nos servir: “qual é a acidez deste azeite?”, “é virgem, ultra virgem ou pornograficamente refinado?”.

A origem da oliveira, segundo alguns cientistas, remonta à Era Terciária, mas a primeira aplicação que se conhece foi há mais de 6000 anos, quando então os guerreiros da Mesopotâmia se untavam para se proteger do frio. De acordo com a bíblia e alguns achados arqueológicos, as oliveiras já eram cultivadas em solo fértil desde o Século XXX a.C.. Mas foi apenas no século VII a.C. que os gregos e romanos começaram a utilizar este produto na sua dieta. Agora é tão comum que é impensável entrar numa cozinha sem uma garrafa de azeite.

Benéfico para a saúde, visto que reduz o risco de enfarte ou AVC – a sua grande quantidade de gordura monoinsaturada pode reduzir o mau colesterol (LDL), tornou-se o melhor aliado na cozinha. Na realidade, há alguns factores que são importantes na escolha do azeite, um dos principais é a acidez, quanto menor provavelmente melhor é. A luz é um dos piores inimigos: o contacto com esta acelera o processo de oxidação, logo a deterioração do mesmo.

O calor também não ajuda: evite os locais quentes, mas não guarde no frigorífico. Tenha também atenção aos períodos de validade, pois dificilmente podem durar mais do que um ano após a produção. E por último, é o ar. Recentemente, várias marcas introduziram os bicos doseadores, que são proporcionalmente negativos ao efeito prático, pois estes aceleram muito a oxidação.

Digamos que a garrafa ou embalagem ideal seria em vidro escuro temperado, ou mesmo tapado, ou uma embalagem em alumínio totalmente opaca, e o néctar teria de ter baixa acidez e ser bastante aromático para facilitar a sua vida.

Aqui vão algumas sugestões de alguns dos melhores que poderá encontrar no “mercado”:

• Acushla

É um azeite biológico certificado, extra virgem, DOP, com uma acidez inferior a 0,1% produzido pela Quinta do Prado em Vila Flor no Douro.

Além da sua imagem contemporânea, bonita, a embalagem foi desenhada e criada pensando nas questões ambientais, sendo totalmente reciclável.

Quanto às propriedades do produto, em copo próprio apresenta-se amarelo esverdeado, com aromas e sabores frutados, tendo uma longa persistência final com notas apimentadas.

(€9,90 - 500ml)
www.acushla.pt

• CARM

Tem uma gama muito extensa, desde a seleção CARM, Quinta do Bispado, do Côa, da Calábria e das Marvalhas todos com processo muito parecidos, no entanto de olivais distintos, de azeitonas de variedades diferentes, havendo espaço para cada um ter a sua identidade, mas a qualidade é comum a todas.

O Premium das Madural e Verdeal é talvez o mais expressivo, com aromas fortes e apaixonantes e apesar de uma acidez de 0,1% é bastante saboroso e encorpado na boca.

(€6,40 – 500ml)
www.carm.pt


• Gallo Azeite Novo

Extraído a frio de azeitonas que são colhidas entre os meses de Outubro a Dezembro, é o mais requintado de toda a gama Gallo.

O formato é tipicamente igual a quase todas as garrafas do mercado, mas esta tem a particularidade de ter um revestimento dourado que não só protege da oxidação como lhe confere um design distinto.

Já recebeu o primeiro prémio Mário Solinas, sendo considerado o melhor azeite do mundo.

Muito frutado, intenso e ligeiramente picante.

(€4,50 - 500ml)
www.gallo.pt


• Oliveira Ramos Premium

Produzido das azeitonas galega, cobrançosa e picual tem uma identidade muito própria e complexa.

A sua extração e conservação bastante técnica e cuidado permitem uma boa armazenagem de aromas e sabores resultando no azeite fresco e elegante, muito frutado, no entanto a revelar outros frutos como maçã, amêndoas e frutos secos.

É ligeiramente picante mas de forma graciosa e interessante.

Não há uma ciência para a utilização desde azeite, mas serve para temperar, cozinhar e guarnecer.

Muito boa proposta da João Portugal Ramos

(€8,90 - 500ml)
www.jportugalramos.com


• Quinta do Vale Meão


Curiosamente o nome já está bem conotado, pois o vinho é considerado um dos melhores de Portugal, o que pouca gente sabe é que o azeite também é excelente.

Azeitonas de Trás-os-Montes de um olival que foi plantado pela Dona Antónia Adelaide Ferreira, é produzido em modo de Agricultura biológica e atinge a acidez máxima de 0,2%.

Bom aroma herbáceo e fruta, ligeiramente especiado na boca. É mesmo uma agradável surpresa.

(€11,50 - 500ml)
www.quintadovalemeao.pt


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

A Festa de Babette

Em 1988 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nos EUA, decidiu justamente atribuir o Óscar na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro” ao filme dinamarquês “A Festa do Babette”. A história é sobre uma ex-cozinheira francesa que em 1871 decidiu fugir à repressão da “Comuna de Paris”, e exilou-se num pequeno vilarejo na Dinamarca. Surpreendentemente ganha a lotaria e decide dar uma festa, e convida todas os aldeões da pequena terriola costeira. Estes ao chegarem ficam surpreendidos pelo requinte e luxo que esta dedicou ao pequeno evento. O chefe Joachim Koerper e o restaurante Eleven pela segunda vez decidiram recriar a “festa” realizando um jantar sem precedentes. Caviar, animais exóticos (não em extinção), queijos e muitos mais sólidos, Jerez Amontillado, Champagne Veuve Cliquot, Clos de Vougeot , Porto Graham Vintage de 1999 fazem as honras no que respeita aos néctares.

O jantar vai ser já na próxima terça-feira, 5 de Abril e as reservas podem ser feitas através do telefone 21 386 22 11 (€100 PAX). www.restauranteleven.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Finalmente é sexta-feira

Esta foi a semana dedicada aos chefes, hotelaria e alimentação, pois no domingo teve inicio uma das maiores feiras do sector: A Alimentaria. Incompreensivelmente ninguém está contente, todos se queixavam que o mercado está mau, que as perspetivas são péssimas, que não sabem como é o dia de amanhã. Bem, se eu quero comprar alguma coisa e o vendedor está com ar de tragédia, eu faço questão de sair da loja. Sem esperança, boa disposição ou acreditar no que faz, como poderá convencer alguém a comprar? Ao mesmo tempo decorreu o primeiro congresso da Associação de Cozinheiros e Profissionais de Portugal, que se revelou interessante e com futuro. A classe dos cozinheiros anda preocupada, mas parece que procura as soluções, fugindo ao lamento desconcertante. Lembrando um pouco que é pelos clientes, principalmente dos que gostam de comer, que estas classes vivem, aqui vão as minhas recomendações para este fim-de-semana:

A Comidinha

Confesso que a primeira vez que lá fui estive quase para desistir, pois não é dos locais mais fáceis de descobrir, mas depois de experimentar é impossível não voltar.
A garrafeira é impressionante, havendo centos de rótulos diferentes, de todas as regiões de Portugal e a comida não fica atrás.
Aqui, além do peixe sempre fresco, recomenda-se tudo o que venha do tacho: Sopa Saloia, Ensopado de Borrego, Grão com Rabo de Boi, e a Feijoada de Búzios são autênticas odes à gastronomia tradicional.
Se tiver estômago passe uma vista de olhos, e quem sabe uma dentada pelas sobremesas.

Urbanização Torraltinha, Lote 5, Loja B, Lagos.
Tel: 282 782 857.
Preço médio €22

Adega Típica 25 de Abril

A primeira impressão é logo provocada pela atípica decoração, onde vários e enormes potes de barro podem ser encontrados pela sala, e depois pelas várias alfaias e utensílios agrícolas, criando um ambiente rústico e descontraído.
Depois há a paparoca, que é boa e recomenda-se.
Muita dela de influência alentejana, como não poderia deixar de ser: Açorda de bacalhau, carne alentejana grelhada, migas à alentejana, os secretos de porco preto e a Sericaia ou as Migas doces.
Bem poderia continuar a minha lista, mas o que é importante é que tudo é bom e com preços a que muitos citadinos já não estão habituados.

Rua da Moeda 23, Beja.
Tel: 284 325 960.
Preço médio €25

Great

Um dia, e depois de assistir a vários episódios do Hell’s Kitchen do chefe Gordon Ramsey, estava com vontade de comer o famoso bife do general Wellington, e como andava pela região do Porto, depois de várias tentativas frustradas, dei com este restaurante.
Não só o Wellington é bom como aproveitei para degustar outros pratos que se estabeleciam sempre por um nível bom de confeção e sabor.
A decoração e o ambiente urbano com caras bonitas também ajudou, e desde então ficou na minha curta lista de recomendáveis.

Estrada Exterior da Circunvalação 15960, Matosinhos.
Tel: 220 025 274.
Preço médio €25

São Gião

Este é provavelmente um dos melhores restaurantes de Portugal, e deve-o principalmente ao génio de Pedro Nunes, que domina de forma sublime a nossa cozinha tradicional, renovando com alguns pormenores de inovação, mas sempre respeitando o essencial: o sabor.
Da sua carta há duas sugestões que nunca me cansam, o peito de pato fumado e o pudim abade de Priscos, vá lá e perceba porquê.
De destacar também a decoração bonita e atual, a lareira no centro da sala e o excelente serviço de sala e vinhos.
Aqui tudo funciona.

Moreira de Cónegos, Guimarães.
Tel: 253 561 853.
Preço médio €35

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 01 de Abril de 2011