sexta-feira, 25 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

O tema mais quente da semana foi, garantidamente, a demissão do primeiro-ministro José Sócrates.
Assim, nos próximos dias, as reuniões secretas, as "conspirações" políticas e as decisões sobre o futuro do nosso país vão estar à mesa...
Pois é: muitas destas decisões são feitas em torno de uma boa refeição, naqueles que são os restaurantes favoritos dos políticos. Aqui vai uma lista dos possíveis restaurantes da "conspiração" em Lisboa.

Feitoria

É um espaço recente, mas já ganhou bastante notoriedade entre vários ministros e secretários de Estado do Governo demissionário.

A sua vista sobre o Tejo, a sua decoração onde as feitorias portuguesas são lembradas, bem como os tempos do Portugal conquistador e explorador, inspiram certamente aqueles que mais precisam de ideias e de lembrar como Portugal é grande.

A cozinha fica a cargo do chefe Cordeiro, que nunca desilude e lembra-se sempre dos mais esquecidos sabores tradicionais transmontanos.

Altis Belém Hotel & Spa,
Doca do Bom Sucesso.
Tel: 210 400 200.
Preço médio €40

Casa da Comida

Perto do Largo do Rato, pode-se imaginar quais os políticos que privilegiam este local para as suas refeições.

A escolha é perfeitamente justificável, não só pelo ambiente intimista e discreto, como pela decoração clássica e bonita, e claro, o fantástico jardim interior.

A cozinha ainda guarda na ementa alguns clássicos do Jorge do Vale, mas a assinatura das novas criações vem da mente brilhante do chefe Bertílio Gomes.

Travessa das Amoreiras, Nº 1.
Tel: 213 885 376.
Preço médio €45

A Confraria, York House

Escondido sobre uma intensa vegetação, com um pátio que nos dias de sol se torna num paraíso, é um dos palcos preferidos do presidente da Comissão Europeia: Durão Barroso.

Além de ser discreto, tem uma gastronomia muito interessante, levada a cabo pelo chefe Nuno Diniz.

York House, Rua das Janelas Verde 32,
Tel: 213 962 435.
Preço médio €35


Spazio Buondi Nobre

Esta é a nova casa da Justa Nobre, que depois dos tempos da Ajuda, onde deixou muitas saudades, ganhou muitos adeptos à sua cozinha.

Presidentes da República de Portugal e de outras nações frequentam e juntam-se à mesa deste espaço requintado e inspirador.

A sua sopa de santola ou o cabrito foram com certeza a inspiração de muitas boas ideias que os nossos governantes aplicaram no nosso país.

Avenida Sacadura Cabral 53-B.
Tel: 217 970 760.
Preço médio €30

Varanda do Ritz

O seu famoso buffet ao almoço é ponto de encontro de banqueiros, políticos e muitos, mas mesmo muitos empresários.

No Ritz não há espaço para a discrição visual, pois todos são vistos e reconhecidos, mas um simples acenar de cabeça é o cumprimento da casa, havendo sempre espaço para uma conversa reservada e privada.

Ao jantar, a cozinha do chefe Pascal Meynard também cativa e eleva a conversa, pois desvia um pouco do tema de chegada e, forçosamente, fala-se do prato que acabou de chegar à mesa.

Rua Rodrigo da Fonseca 88
(Ritz Four Seasons Hotel).
Tel: 213 811 400.
Preço médio €45

Cimas Restaurante

Já são várias gerações de políticos, empresários e até famílias reais que escolheram este espaço, tanto para uma excelente refeição de cozinha tradicional portuguesa (e alguma internacional), como para se encontrarem com os seus parceiros económicos ou políticos.

Quem lá vai raramente se esquece do gratinado de lagosta, os pratos de caça e os fantásticos crepes Suzette.

Avenida de Sabóia 9, Cascais.
Tel: 214 680 413.
Preço médio €50

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quinta de São Sebastião: Reserva Tinto 2008 - Da Arruda... do tinto

Por João Barbosa/VTC

Há produtores que conseguem furar a imagem que o público, ou só os enófilos, têm duma região. Se a moda passa pelo Douro e Alentejo, outras regiões vivem as amarguras causadas pela reputação, herança de muitos anos a produzir vinho de qualidade menor. Assim acontece com a Estremadura e com o Ribatejo, que, por esses motivos, alteraram a sua designação para Lisboa e Tejo, respectivamente.

A Quinta de São Sebastião, situada na Arruda dos Vinhos, é um desses casos em que a qualidade desfaz a fama e que luta contra o preconceito. De assinalar que não é caso único na região de Lisboa, mas a verdade é que as quintas mais badaladas se situam ao redor de Alenquer. Todavia, esta está na Arruda e é de lá que parte para a conquista dos consumidores.

Tiago Carvalho, o enólogo, assume o prazer do projecto e o desafio que é fazer um vinho numa terra pouco valorizada pelo consumidor. Conta que, quando foi convidado para assumir a enologia, lhe foi pedido um vinho que tivesse corpo, estrutura, mas também elegância. António Parente, homem da televisão e proprietário da quinta, mostrou-lhe o que pretendia, apresentando, em prova cega, dois vinhos. Da "junção" dos dois deveria sair o seu néctar.

O enólogo não se impressionou com o primeiro, mais novo, mas compreendeu a ideia. Espantou-se com o segundo. Poucos dias antes, bebera um Barca Velha de 1981 e tinha-o, por isso, bem presente na memória. Embora lhe fizesse lembrar essa mediática "pomada", o facto é que o servido "às escuras" mostrava qualidade idêntica ou superior. Revelado, era um vinho da Adega Cooperativa da Arruda dos Vinhos de 1968.

Com este exemplo, António Parente quis também sublinhar o potencial, em termos de qualidade, da zona da Arruda do Vinhos. Tiago Carvalho ficou convencido e jogou mãos à obra. Até agora, saíram um branco colheita e um tinto reserva, além da marca entrada de gama Mina Velha 2008 (tinto).

Para fruta escolheram um conjunto de castas nacionais e estrangeiras. As escolhas recaíram nas tintas francesas syrah e merlot, e nas portuguesas touriga nacional, tinta Roriz (aragonês). Nas brancas só foram plantadas as variedades nacionais arinto e cercial. As uvas são tratadas com "muito respeito e carinho", olhando o resultado final pretendido. Tiago Carvalho não hesita em mandar parar a apanha se tal se revelar benéfico. A primeira vindima efectuou-se em 2007, mas só a de 2008 seguiu para comercialização.

Em termos de ambiente, o que envolve a terra e as vinhas, dá-se uma fusão entre frescura e factores amenos. O ar marítimo vem de 20 quilómetros em linha recta, conferindo a frescura característica. Mas a montanha faz de biombo, o que amansa o vento.

Quanto à temperatura de serviço, o enólogo da Quinta de São Sebastião parte um pouco a ideia feita para um vinho tinto: entre os 18 e os 20 graus. Para o branco propõe as medidas clássicas.

O Quinta de São Sebastião Tinto Reserva 2008 mostra-se complexo no nariz e boca. Demonstra também uma belíssima evolução, com o tempo, no copo. É floral, onde se destacam as violetas, palha e fumo. No palato apresenta notas de chocolate e revela boa acidez, com boa estrutura e taninos elegantes.

Preço Tinto Reserva: 14,5€

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de tantas catástrofes, greves e crises financeiras, chega o fim-de-semana.
Temos que desligar um pouco destes problemas e dedicarmos um pouco do nosso tempo a actividades de lazer. As boas notícias chegam pelo Instituto de Meteorologia: subida de temperatura e sol radioso de norte a sul, sendo um excelente cenário para se meter num carro e passear por este país gastronómico. E porque o sol puxa pela bebida fresca, por uma esplanada e, quem sabe, um peixe acabado de pescar da nossa costa atlântica.

Arte Náutica

Confesso que não é a minha zona preferida do Algarve, mas depois de atravessar o aglomerado urbano e chegar à praia esqueço-me de todo o cimento e betão.

Uma vez lá dentro, vamos encontrar uma decoração bastante marítima, areia pela frente e o interminável Oceano.

As especialidades são várias e, como não podia deixar de ser, centra-se no peixe e marisco: amêijoas à bulhão pato, camarão frito com alho, arroz de lingueirão, são variantes ou complementos ao peixe de linha que está sempre a chegar.

Praia da Armação de Pêra, Algarve.
Tel: 282 314 875.
Preço médio €30.

Furnas do Guincho

Fica numa zona onde há vários restaurantes dentro do mesmo estilo e género, bom peixe e marisco e uma vista fantástica sobre o Oceano.

Entre o Porto de Santa Maria, o Mar do Inferno e o Monte Mar, tenho grande dificuldade em distinguir a qualidade gastronómica, pois todos eles são excelentes, mas as Furnas foram recentemente alvo de um processo redecorativo ganhando um novo encanto.

Quando lá for, não prescinda da santola recheada e da feijoada de marisco e, se pretende carne, o chateaubriand é excelente.

Estrada do Guincho, Cascais.
Tel: 214 869 243.
Preço médio €40.

Ababuja

Há 20 anos, quando Manuel Soares viu uma casa de pescadores abandonada, decidiu recuperá-la mantendo a traça e a história, criando um restaurante simpático e bastante descontraído.

Aqui o peixe é sempre fresco e está a vista de todos, é só olhar, escolher e toca a confeccionar. Além do peixe e marisco, o camarão frito com laranjas ou choco frito com amêijoas são verdadeiros acepipes da casa.

Rua da Ribeira, 11 - Montes de Alvor, Algarve.
Tel: 282 458 979.
Preço médio €32.

Arte e Sal

Fica na marginal de São Torpes, facilmente identificável, tendo uma localização privilegiada e uma vista de sonho. Aqui o ex-líbris é o grelhado no carvão.

Tudo o que lá vai parar chega à mesa com grande qualidade gastronómica, seja um peixe ou marisco fresco, ou um lombinho de porco preto. Confesso que nesta casa não dispenso o esparguete negro de chocos, mas se o quiser provar não se esqueça de reservar e encomendar a sua dose desta iguaria.

Praia de Morgavel.
Tel: 269 869 125.
Preço médio €25.

Shis

Esta é provavelmente uma das minhas esplanadas preferidas, pois estamos no meio de uma metrópole e ao mesmo tempo numa praia e nem um nem outro sobressaem, destaca-se sim o "shis".

Bom ambiente, bastante cosmopolita, boa cozinha executada pelo chefe António Vieira, garrafeira bem seleccionada e variada e um serviço de mesas adequado fazem deste restaurante um sucesso.

Na realidade, e apesar da carta ser bastante extensa e variada, sempre que lá vou rendo-me ao sushi sempre fresco e acabado de fazer, mas os crepes japoneses de camarão são residentes assíduos na minha mesa.

Praia do Ourigo - Esplanada do Castelo, Porto.
Tel: 226 189 593.
Preço médio €35.

Ribamar

O nome já é conhecido por muitas pessoas, mas provavelmente associado sempre a Sesimbra.

Na realidade não estão errados, o que aconteceu é que o chefe Hélder Chagas e a sua equipa duplicaram os esforços e dedicação ao abrir um irmão mais novo em Tróia.

A qualidade e os produtos são os mesmos: peixe fresco, sempre da melhor qualidade, e o marisco ainda vivo pronto para ser cozinhado ao nosso gosto, aliados a um serviço exemplar, uma decoração bonita e uma carta de vinhos memorável.

Se porventura tiver a sorte de chegar e haver pezinhos de burro, não deixe de provar esta iguaria quase desaparecida.

Alameda da Marina, Tróia.
Tel: 265 106 944.
Preço médio €32.

Neste texto quero ainda destacar o trabalho do jovem chefe Miguel Rocha Vieira, que, depois de passar por locais como "1 lombard street", em Liverpool street (*Michelin), Chateau de Divonne (*Michelin) e pela Maison Pic (***Michelin), e o Hacienda Benazuza, Sevilha (**Michelin) no famoso Hotel de El Bulli, foi chefiar o restaurante Costes em Budapeste.

Aqui, ganhou a sua primeira estrela a solo, bem como a primeira da Hungria.

Passou um ano desde que ganhou o galardão e sem grandes surpresas integrou novamente a lista dos melhores da Michelin. Parabéns Miguel!

Costes Restaurante, www.costes.hu
092 Budapest, Raday Ttca 4 - Hungria.
Tel: +36 1 219 0696.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 18 de Março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Miguel Vieira e Budapeste Mantêm a Estrela

O chefe português Miguel Vieira que o ano passado ganhou uma estrela michelin em Budapeste, a única e a primeira do país, manteve a distinção e parece que ganhou mais um vizinho na página do guia vermelho.

O fantástico trabalho que Miguel Vieira tem vindo a fazer no Costes, não passa despercebido, e desde então chovem convites para vir dar palestras, coordenar workshops e até chefiar cozinhas em Portugal e claro noutros países.

Parabéns Miguel e aqui vai um abraço de parabéns de Portugal.

Para quem nunca lá foi, surpreenda-se gastronómicamente, e depois visite uma das mais belas cidades da Europa :)

Aqui estão as coordenadas

http://www.costes.hu/
1092 budapest, raday utca 4 – Hungria
+36 1 219 0696 / +36 20 361 2885

E aqui uma receita do Chefe Miguel Vieira

Anuncio oficial da Michelin

O Sapo

Confesso que sou um pouco avesso a restaurantes enfarta brutos, porque normalmente com esse estereótipo tem uma cozinha de massas, salas gigantescas e um ambiente muito pouco intimista.

Mas, depois de várias recomendações, cedi, e quando fazia a estrada de Penafiel para Entre Rios, decidi fazer um pequeno desvio para visitar a pequena povoação de Irivo.

Pouco depois de entrar no aldeamento deparo com várias figuras de anfíbios verde e branco. Cheguei ao restaurante!

O Sapo é uma casa tipicamente familiar onde as receitas e conhecimentos foram passando de geração em geração, sem nunca cederem a novas tecnologias ou apresentações fascinantes. Aqui sai do tacho, vai para o barro, seguindo mais dois destinos: a mesa e a boca.

Divido por três salas adjacentes, todas elas sem grades atributos decorativos, canalizam a atenção para a confeção.

A ementa é bastante variada, mas assenta essencialmente nas carnes, e além do escrito da carta, há diariamente sugestões.

Não me aventurei muito e deixei-me levar pelos pratos da casa. Ainda nem tinha pedido nada quando chegou uma tábua de queijos e enchidos e, como sou fraco, nem hesitei em atirar-me aos petiscos.

Um queijo amanteigado, uma paiola e um presunto, juntamente com o pão da região fizeram as honras da casa e passaram com distinção.

Os bolinhos de bacalhau e as pataniscas surpreenderam-me bastante: esperava ver uma massa empapada em óleos, mole, sem interesse, mas foi totalmente o oposto. Crocantes, saborosos e principalmente secos de gorduras vegetais.

Avancei para a orelheira e uma saborosa salada de cebola (ou cebolo como é chamado pelos produtores da região) e pimento, que terminavam o rol das entradas(€6). Produtos de qualidade, com uma confeção segura, garantiram a minha satisfação na experiência.

Antes das tripas(€10), prato que seguramente dava para três pessoas que se alimentem bem, provei uma espécie de açorda à moda da casa, pão frito em azeite com ovos estrelado (1€ por ovo), estranhei um pouco, pois não era humedecida num caldo e sabia um pouco a fritos em demasia. Terminei os salgados com o anho à moda da casa (€12).

Assado no forno, juntamente com as batatas e um pouco de grelos, estava verdadeiramente fantástico, a carne desfazia-se e separava-se do osso sem qualquer esforço, as batatas novas de casca amarela estavam crocantes no exterior e tenras no seu interior, em suma, um prato muito bem executado.

Fui para os doces e o primeiro foi o pão-de-ló de ovos (€5), tipo Ovar, feito como
manda a regra, sem nada a apontar. As cavacas com moscatel (€5), doces e húmidas, também ganharam o meu voto e o bolo de gila (€5) estava bom, embora um pouco seco para o meu gosto.

Neste restaurante nada que saia da cozinha é negativo, mas como já referi no início, as doses são de partilha e para dar uma volta a carta, guarneça-se de três ou quatro amigos, para o ajudar.

Comida regional bem confecionada, vinhos da casa a preceito (€10 a garrafa), fazem-me terminar elogiando a casa com a música da Maria Armanda: "Eu vi um sapo com um guardanapo e estava a papar um bom jantar."


Detalhes

O Sapo
Lugar da Estrada, Penafiel
4560 - 173 Irivo
W 8º 19' 23'' N 41º 10' 27''
+351 255 752 326
Horário: Encerra às Segundas e feriados
Preço médio: €15 em partilha e sem bebidas
Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Março de 2011