sexta-feira, 18 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de tantas catástrofes, greves e crises financeiras, chega o fim-de-semana.
Temos que desligar um pouco destes problemas e dedicarmos um pouco do nosso tempo a actividades de lazer. As boas notícias chegam pelo Instituto de Meteorologia: subida de temperatura e sol radioso de norte a sul, sendo um excelente cenário para se meter num carro e passear por este país gastronómico. E porque o sol puxa pela bebida fresca, por uma esplanada e, quem sabe, um peixe acabado de pescar da nossa costa atlântica.

Arte Náutica

Confesso que não é a minha zona preferida do Algarve, mas depois de atravessar o aglomerado urbano e chegar à praia esqueço-me de todo o cimento e betão.

Uma vez lá dentro, vamos encontrar uma decoração bastante marítima, areia pela frente e o interminável Oceano.

As especialidades são várias e, como não podia deixar de ser, centra-se no peixe e marisco: amêijoas à bulhão pato, camarão frito com alho, arroz de lingueirão, são variantes ou complementos ao peixe de linha que está sempre a chegar.

Praia da Armação de Pêra, Algarve.
Tel: 282 314 875.
Preço médio €30.

Furnas do Guincho

Fica numa zona onde há vários restaurantes dentro do mesmo estilo e género, bom peixe e marisco e uma vista fantástica sobre o Oceano.

Entre o Porto de Santa Maria, o Mar do Inferno e o Monte Mar, tenho grande dificuldade em distinguir a qualidade gastronómica, pois todos eles são excelentes, mas as Furnas foram recentemente alvo de um processo redecorativo ganhando um novo encanto.

Quando lá for, não prescinda da santola recheada e da feijoada de marisco e, se pretende carne, o chateaubriand é excelente.

Estrada do Guincho, Cascais.
Tel: 214 869 243.
Preço médio €40.

Ababuja

Há 20 anos, quando Manuel Soares viu uma casa de pescadores abandonada, decidiu recuperá-la mantendo a traça e a história, criando um restaurante simpático e bastante descontraído.

Aqui o peixe é sempre fresco e está a vista de todos, é só olhar, escolher e toca a confeccionar. Além do peixe e marisco, o camarão frito com laranjas ou choco frito com amêijoas são verdadeiros acepipes da casa.

Rua da Ribeira, 11 - Montes de Alvor, Algarve.
Tel: 282 458 979.
Preço médio €32.

Arte e Sal

Fica na marginal de São Torpes, facilmente identificável, tendo uma localização privilegiada e uma vista de sonho. Aqui o ex-líbris é o grelhado no carvão.

Tudo o que lá vai parar chega à mesa com grande qualidade gastronómica, seja um peixe ou marisco fresco, ou um lombinho de porco preto. Confesso que nesta casa não dispenso o esparguete negro de chocos, mas se o quiser provar não se esqueça de reservar e encomendar a sua dose desta iguaria.

Praia de Morgavel.
Tel: 269 869 125.
Preço médio €25.

Shis

Esta é provavelmente uma das minhas esplanadas preferidas, pois estamos no meio de uma metrópole e ao mesmo tempo numa praia e nem um nem outro sobressaem, destaca-se sim o "shis".

Bom ambiente, bastante cosmopolita, boa cozinha executada pelo chefe António Vieira, garrafeira bem seleccionada e variada e um serviço de mesas adequado fazem deste restaurante um sucesso.

Na realidade, e apesar da carta ser bastante extensa e variada, sempre que lá vou rendo-me ao sushi sempre fresco e acabado de fazer, mas os crepes japoneses de camarão são residentes assíduos na minha mesa.

Praia do Ourigo - Esplanada do Castelo, Porto.
Tel: 226 189 593.
Preço médio €35.

Ribamar

O nome já é conhecido por muitas pessoas, mas provavelmente associado sempre a Sesimbra.

Na realidade não estão errados, o que aconteceu é que o chefe Hélder Chagas e a sua equipa duplicaram os esforços e dedicação ao abrir um irmão mais novo em Tróia.

A qualidade e os produtos são os mesmos: peixe fresco, sempre da melhor qualidade, e o marisco ainda vivo pronto para ser cozinhado ao nosso gosto, aliados a um serviço exemplar, uma decoração bonita e uma carta de vinhos memorável.

Se porventura tiver a sorte de chegar e haver pezinhos de burro, não deixe de provar esta iguaria quase desaparecida.

Alameda da Marina, Tróia.
Tel: 265 106 944.
Preço médio €32.

Neste texto quero ainda destacar o trabalho do jovem chefe Miguel Rocha Vieira, que, depois de passar por locais como "1 lombard street", em Liverpool street (*Michelin), Chateau de Divonne (*Michelin) e pela Maison Pic (***Michelin), e o Hacienda Benazuza, Sevilha (**Michelin) no famoso Hotel de El Bulli, foi chefiar o restaurante Costes em Budapeste.

Aqui, ganhou a sua primeira estrela a solo, bem como a primeira da Hungria.

Passou um ano desde que ganhou o galardão e sem grandes surpresas integrou novamente a lista dos melhores da Michelin. Parabéns Miguel!

Costes Restaurante, www.costes.hu
092 Budapest, Raday Ttca 4 - Hungria.
Tel: +36 1 219 0696.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 18 de Março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Miguel Vieira e Budapeste Mantêm a Estrela

O chefe português Miguel Vieira que o ano passado ganhou uma estrela michelin em Budapeste, a única e a primeira do país, manteve a distinção e parece que ganhou mais um vizinho na página do guia vermelho.

O fantástico trabalho que Miguel Vieira tem vindo a fazer no Costes, não passa despercebido, e desde então chovem convites para vir dar palestras, coordenar workshops e até chefiar cozinhas em Portugal e claro noutros países.

Parabéns Miguel e aqui vai um abraço de parabéns de Portugal.

Para quem nunca lá foi, surpreenda-se gastronómicamente, e depois visite uma das mais belas cidades da Europa :)

Aqui estão as coordenadas

http://www.costes.hu/
1092 budapest, raday utca 4 – Hungria
+36 1 219 0696 / +36 20 361 2885

E aqui uma receita do Chefe Miguel Vieira

Anuncio oficial da Michelin

O Sapo

Confesso que sou um pouco avesso a restaurantes enfarta brutos, porque normalmente com esse estereótipo tem uma cozinha de massas, salas gigantescas e um ambiente muito pouco intimista.

Mas, depois de várias recomendações, cedi, e quando fazia a estrada de Penafiel para Entre Rios, decidi fazer um pequeno desvio para visitar a pequena povoação de Irivo.

Pouco depois de entrar no aldeamento deparo com várias figuras de anfíbios verde e branco. Cheguei ao restaurante!

O Sapo é uma casa tipicamente familiar onde as receitas e conhecimentos foram passando de geração em geração, sem nunca cederem a novas tecnologias ou apresentações fascinantes. Aqui sai do tacho, vai para o barro, seguindo mais dois destinos: a mesa e a boca.

Divido por três salas adjacentes, todas elas sem grades atributos decorativos, canalizam a atenção para a confeção.

A ementa é bastante variada, mas assenta essencialmente nas carnes, e além do escrito da carta, há diariamente sugestões.

Não me aventurei muito e deixei-me levar pelos pratos da casa. Ainda nem tinha pedido nada quando chegou uma tábua de queijos e enchidos e, como sou fraco, nem hesitei em atirar-me aos petiscos.

Um queijo amanteigado, uma paiola e um presunto, juntamente com o pão da região fizeram as honras da casa e passaram com distinção.

Os bolinhos de bacalhau e as pataniscas surpreenderam-me bastante: esperava ver uma massa empapada em óleos, mole, sem interesse, mas foi totalmente o oposto. Crocantes, saborosos e principalmente secos de gorduras vegetais.

Avancei para a orelheira e uma saborosa salada de cebola (ou cebolo como é chamado pelos produtores da região) e pimento, que terminavam o rol das entradas(€6). Produtos de qualidade, com uma confeção segura, garantiram a minha satisfação na experiência.

Antes das tripas(€10), prato que seguramente dava para três pessoas que se alimentem bem, provei uma espécie de açorda à moda da casa, pão frito em azeite com ovos estrelado (1€ por ovo), estranhei um pouco, pois não era humedecida num caldo e sabia um pouco a fritos em demasia. Terminei os salgados com o anho à moda da casa (€12).

Assado no forno, juntamente com as batatas e um pouco de grelos, estava verdadeiramente fantástico, a carne desfazia-se e separava-se do osso sem qualquer esforço, as batatas novas de casca amarela estavam crocantes no exterior e tenras no seu interior, em suma, um prato muito bem executado.

Fui para os doces e o primeiro foi o pão-de-ló de ovos (€5), tipo Ovar, feito como
manda a regra, sem nada a apontar. As cavacas com moscatel (€5), doces e húmidas, também ganharam o meu voto e o bolo de gila (€5) estava bom, embora um pouco seco para o meu gosto.

Neste restaurante nada que saia da cozinha é negativo, mas como já referi no início, as doses são de partilha e para dar uma volta a carta, guarneça-se de três ou quatro amigos, para o ajudar.

Comida regional bem confecionada, vinhos da casa a preceito (€10 a garrafa), fazem-me terminar elogiando a casa com a música da Maria Armanda: "Eu vi um sapo com um guardanapo e estava a papar um bom jantar."


Detalhes

O Sapo
Lugar da Estrada, Penafiel
4560 - 173 Irivo
W 8º 19' 23'' N 41º 10' 27''
+351 255 752 326
Horário: Encerra às Segundas e feriados
Preço médio: €15 em partilha e sem bebidas
Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Ainda há uns dias estava no primeiro encontro gastronómico de Esposende, organizado pela escola profissional de Esposende, e um dos temas que se discutiu com muito entusiasmo foi o respeito pelo produto, a escolha de boa matéria-prima e o respeito pela receituário tradicional português.

Em muitos locais, os nomes utilizados para os pratos, bem como a a sua confecção não têm nada a ver com as receitas, que tão bem conhecemos do nosso dia a dia.

Assim, andei à procura, em Lisboa, de um restaurante que levasse todos estes pontos em conta e elevasse a nossa gastronomia de forma justa e autêntica.

E foi este o menu que degustei: Cogumelos selvagens com bacon porco preto (€6); alheira de caça (€12); polvo à lagareiro (€14,50); cabritinho do monte no carvão (€16,50); pão de rala(€4).

Sento-me a salivar no restaurante Solar dos Nunes, detentor de uma das melhores execuções da confecção tradicional portuguesa.

Foi em 1988 que a família Nunes deixou o Alentejo com destino a Lisboa para abrir esta casa, que desde o seu primeiro dia se rege sempre pela máxima: "Respeitar as raízes e as tradições da confecção da cozinha tradicional portuguesa".

Já em Cascais, uma das melhores experiências que posso ter é degustar uma boa refeição na praia. Bem, não na areia propriamente dita, mas sim a escassos metros da água.

Pois não há nada mais reconfortante do que num dia de sol, e depois de um mergulho no Atlântico, sentar-me à mesa, pedir uma cerveja e começar a comer uns petiscos. Esse local existe e não serve só hambúrgueres de qualidade discutível e umas sensaboronas e caras sanduíches de conteúdo irreconhecível.

Delicie-se com estes petiscos: Pastéis de bacalhau (€1,2), rissóis de camarão (€1,2), croquetes de alheira (€1), cascas de batatas com caviar e sour cream (€3,5) e ainda salada de crab cakes (€9,3), Mexilhão The Bay (€7,8), bem como os peixes do dia grelhados ou escalados (€9,5 a €10,5), Bife do lombo (€16,5) e Secretos de porco preto (€9,5).

Todas estas e muitas mais iguarias estão disponíveis de terça a domingo no restaurante The Bay, na praia da Conceição, em Cascais.

O restaurante não é muito grande, mas tem espaço suficiente para 30 pessoas.

Os seus sócios, que incluem o chefe David Igrejas, André Almeida e Zé Maria Trocado, já têm experiência na área de servir e tornaram este novo espaço num local apetecível e acolhedor.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Restaurante Solar dos Nunes
www.solardosnunes.com
Rua dos Lusíadas 68/72
1300-372 Lisboa
W 9º 10' 49,8'' N 38º 42' 19,4''
Tel. +351 213 631 631
solardosnunes@hotmail.com

Restaurante The Bay
www.thebay.pt
Praia da Conceição
2750-353 Cascais
W 8º 42' 44'' N 41º 11' 59''
Tel. (+351) 214 820 038
Email: geral@thebay.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

Na semana passada fui a um almoço de apresentação de um vinho que me trouxe dois sentimentos distintos. O primeiro muito positivo e verdadeiramente inesquecível, foi o lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial de 2003.

Um vinho singular, que só vem para o mercado quando está perfeito, tendo tempo para descansar, reflectir e ganhar a personalidade que o torna único. Partilha com o Barca Velha um aspecto delicioso, só é produzido em anos de excepção!

Com um nariz muito aromático, onde sobressai a fruta vermelha madura, bem como as suas notas especiadas, na boca revela uma extraordinária acidez, boa estrutura, taninos firmes e uma persistência longa e apaixonante.

O preço, esse não é para todos, a rondar os €50, não fica barato. Agora como prometido, o sentimento oposto!

Pois esta apresentação foi no restaurante Valle-Flôr em Lisboa, que desde que perdeu o chefe Aimé tem vindo a perder qualidades, mas o que eu comi neste almoço foi verdadeiramente decepcionante, comida sem paixão ou sabor.

Numa postura completamente diferente, onde nunca se deixa de comer bem, está a lista de recomendações que se segue:

DOP

O chefe Rui Paula continua a dar cartas sólidas, depois de uma incursão pelas terras gastronómicas de Girona, voltou com novas técnicas e ideias, havendo já na carta novos e deliciosos apontamentos que reflectem a viagem.

O espaço muito bonito, em que a decoração moderna vive em harmonia com a história do edifício, cria um ambiente sofisticado e intimista, onde se está bem e come-se ainda melhor.

São Domingos, 18 - Palácio das Artes
Tel: 222 014 313
Preço médio €45

Gemelli

Em Lisboa, o chefe milanês Augusto Gemelli convidou o chefe madeirense Octávio Freitas do grupo Four Views, e vão cozinhar a quatro mãos, na próxima terça dia 15.

Desta união vão resultar seis pratos, dos quais destaco o chambão de borrego com estufado de “saltimbocca” em longa cozedura, ligado com “risotto” de figo e lima, que me parece acusticamente delicioso, mas terça estarei lá para o comprovar.

Rua Nova da Piedade 99
Tel: 213 952 552
Preço €45




Feitoria

No próximo dia 16 de Março vai haver mais uma razão para visitar este restaurante, pois além de Master Class de Borgonhas, segue-se um jantar que vai ser provavelmente único, onde poderá degustar vinhos como Champagne André Clouet Grande Réserve, Puligny Montrachet 1er Cru Hameau de Blagny 2005, Chardonnay, Chambertin Clos de Bèze Grand Cru 2006, Pinot Noir e o Château Rayne-Vigneau 1er Cru Classé 2002.
E, não menos importante, uma ementa produzida pelo chefe Cordeiro.
O preço para a master class patrocinada pela Chanson Père & Fils é de €40, e o jantar €70, se for aos dois ainda poupa €5.
Vinhos de excepção, seguramente com um menu de eleição.

Altis Belém, Doca do Bom Sucesso – Lisboa.
Tel: 210 400 208

Arola

Em Sintra, num local muito bonito, com o arvoredo e o verdejante campo de golfe como pano de fundo, e uma decoração moderna e intimista como cenário, chegou o novo menu de tapas do mítico chefe catalão Sergi Arola.

Croquetes de presunto Ibérico fritos em azeite de oliva, batatas bravas recheadas com molho de tomate picante e ayoli e umas deliciosas “cocas” (espécie de pizas), bem como algumas mais substanciais como o Fideuà de lulas, mas igualmente partilháveis.

Estrada da Lagoa Azul (Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort)
Tel: 219249011
Preço médio para as tapas €25
tapas €25

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Março de 2011