sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Sempre que se aproxima a data de 14 de Fevereiro tenho uma espécie de calafrios, pois apesar de me considerar um romântico, ligo pouco a esta data. Diria mesmo que deveria haver 364 dias de romance e um dia para descansar, e a data proposta, bem... é fácil imaginar qual seria.

O que é certo é que é quase impossível esquivar-me a um rol de sugestões alimentares românticas para esta data. Os critérios são sempre os mesmos: local bonito, ambiente calmo e lamechas, bla bla bla, e mais um conjunto de parâmetros que nada tem a ver com a gastronomia. Mas, como já disse anteriormente, sou um romântico, por isso aqui vão as minhas sugestões. A única diferença é que são todos locais onde se come muito, com decorações rústicas e o único romantismo sério é a paixão que os cozinheiros têm pela profissão e principalmente para servir.

O Abocanhado

Longe de tudo e difícil de chegar, numa pequena aldeia chamada Brufe, vence por uma gastronomia de excepção, acompanhada por uma vista sobre a encosta do Gerês privilegiada.

O cabrito é um prato obrigatório, a carne barrosã, javali, veado e a pá de porco também merecem a sua atenção.

Termine com o requeijão com doce de abóbora e saia feliz.

Preço médio €25-30.
Lugar de Brufe, Terras de Brufe.
Tel: 253 335 944;

O Geadas

É um restaurante onde a cozinha transmontana é tratada por tu.

Aliás, é tão bem tratada, que se permite a fazer algumas fusões com pratos de outras regiões.

As especialidades começam pelos enchidos, passam pelos maravilhosos cuscuz com costeleta de porco bísaro e os cogumelos selvagens e termina nos pratos de caça.

Preço entre os €15 e €25.
Rua do Loureto 32, Bragança.
Tel: 271 324 413

O Sapo

Entre a estrada de Penafiel e Entre-Os-Rios, está a pequena povoação de Irivo e lá se situa esta mítica casa!

É um local onde não só como bem, como me divirto a pensar numa pessoa que entre lá sozinha pela primeira vez e peça entrada, prato principal e sobremesa para um, pois o mais certo é virem doses para três.

Não destaco nada, porque tudo se destaca, mas deixo aviso: vá com companhia.

Preço médio €15 a €20.
Lugar da estrada, Irivo.
Tel: 255 752 326;

Ribamar

Nunca me desiludiu, sempre que lá vou há sempre algo novo na ementa, um peixe, um marisco, uma confecção.

Aqui há espaço para o tradicional, para o básico e para criatividade, fruto da experiência do chefe Hélder Chagas.

A sopa rica ou o peixe ao vapor são alguns dos pratos que deve provar obrigatoriamente.
Quando lá estiver perca-se nas centenas de referências que a garrafeira alberga.

A vista para o mar até torna o espaço ligeiramente romântico, mas nada em exagero.

Preço médio entre os €30 e os €40, mas depende muito do marisco e vinho que pedir.
Av. dos Náufragos 29, Sesimbra.
Tel: 212 234 317

A Comidinha

Quem acha que Lagos é apenas para peixe e marisco, então tire o cavalinho da chuva e venha conhecer a casa do Pedro Glória.

Não é fácil lá chegar, mas depois de duas perguntas facilmente lá chega.

O ensopado de borrego, o grão com rabo de boi, feijoada de búzios e, claro, muito peixe fresco são as iguarias da casa.

A carta de vinhos é de sonho, havendo mais de 1000 referências.

Preço médio €25-30.
Urbanização Torraltinha, lote 5 - Lagos.
Tel: 282 782 857.

Noélia e Jerónimo

Situado na marginal de Cabanas de Tavira começou por ser uma pastelaria, mas depois de apresentar uma das suas primeiras confecções transformou-se rapidamente num restaurante que só peca pela sua enorme carta, pois são muitas as sugestões e o nosso estômago não dá para tudo.

Mas a frustração é rapidamente esquecida nas visitas seguintes.

Quando lá for prove as pataniscas, a ria alhada, o polvo.

Bem... tudo é bom.

Preço médio €20.
Av. Ria Formosa, Cabanas de Tavira.
Tel: 281 370 649

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Sabor de Cabanas

Eram 14h da passada sexta-feira e andava eu a conduzir pela Av. Ria Formosa em Cabanas à procura de um restaurante muito recomendado.

O nome escapava-me, a morada muito mais e decido ligar para uma pessoa que trata esta região por tu!

Coordenadas registadas e atravesso a renovada marginal que em muito embelezou esta pequena vila.

Estranho o facto de estar muito sol e os restaurantes estarem todos vazios, mas lembrando-me das horas é perfeitamente aceitável. Curioso foi, ao chegar à porta de Noélia, poucas mesas livres se viam, e o serviço não tinha direito ao descanso dos vizinhos.

Eram quase 14h30 e mesmo assim apressaram-se a responder positivamente ao pedido de mesa. Aliás, meia hora após a minha chegada ainda chegou um grupo de 3 que nem pediu, foram directamente para a mesa – eram certamente locais.

A sala é decorada sem grandes preceitos ou algo que se destaque, alguns quadros com fotografias do Ruy de Carvalho, um painel de azulejos... enfim, a minha primeira impressão é que tinha entrado mais numa cafetaria/pastelaria do que num restaurante.

Sentado na esplanada a apanhar sol, dou uma vista de olhos na carta: sugestões do dia eram 5 salgados e 6 doces. Na carta principal havia 11 entradas, 3 sopas, 4 mariscos, 5 omeletas, 3 massas, 14 saladas, 10 peixes, 5 carnes, e ainda 18 especialidades!

Para terminar ainda apresentam 20 sobremesas e 5 opções para fruta.

Rendo-me às especialidades, e para primeiro prato vêm umas tostas de tomate com biqueirão e regadas a azeite(€7), que para começar estava óptimo.

Seguiu-se a canja de amêijoas – 2PAX(€10), muito bem executada, cheia de sabor, apesar das amêijoas de viveiro, o arroz ainda um pouco al dente e os coentros a dar um equilíbrio muito interessante ao bivalve, lembrando muito o bulhão pato.

Fiquei com vontade de provar a muxama de atum com azeite e alho(€5) e a salada de atum(€8), mas fiquei-me por uma tosta com abacate, salsa, rucula, camarão e tomate que não me fascinou, pareceu-me até um pouco desequilibrada, precisando de um pouco mais de acidez.

Terminei os salgados com a raia alhada(€12)- percebi de imediato a alta recomendação para este prato, boa conjugação de todos os sabores e o peixe denunciava fresquidão com a sua carne suculenta e firme.

Havia ainda umas cataplanas e arrozes que pretendia provar, como o de lingueirão com batata doce-2pax(€25). O polvo trapalhão com batata doce-2pax(€20) também está bem referenciado, mas fica para uma próxima visita.

Nas sobremesas, apesar da vastíssima oferta, optei por um Dom Rodrigo(€3), mas havia opções como o mimo de amêndoa(€3), morgado de figo(€3), tarte de alfarroba(€3) entre outros.

A carta de vinhos não é grande espingarda, mesmo assim tem 5 verdes, 18 brancos, 2 rosés e 21 tintos, a preços muito apelativos – falta alguns vinhos com mais corpo, expressão e os rosés são escassos para um restaurante à beira “ria”.

Muito tinha ouvido falar no serviço, e nem a simpatia, nem a eficiência foram objecto de reparos, troco mesmo por elogios, nunca faltou comida no meu prato, bebida no meu copo, e o retirar do prato era sempre acompanhado da pergunta: “está tudo do seu agrado?”.

Em conversa apercebi-me que dentro de um ano mudam de casa e trocam a imagem de cafetaria para restaurante, mantendo sempre a mesma qualidade gastronómica, ainda não estão lá mas já digo: “bem hajam”.

Noélia há seis anos trocou as formas da pastelaria pelos tachos de cozinha, e bom para nós, pois temos mais um restaurante e mais uma cozinheira que merece referência.

Detalhes
Restaurante Noélia e Jerónimo
Avenida Ria Formosa - Edifício Cabanas-Mar
Cabanas de Tavira
8800-591 - Tavira
W 7º 35' 54'' N 37º 8' 8''
+351 281 370 649 / +351 968 534 971
Encerra Quarta-feira todo o dia
Horário: 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 22h00
Preço médio: €20
Tipo de Cozinha: Tradicional portuguesa
Cartões: Visa e MB

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 9 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Semana após semana, procuro, através desta pequena coluna, desenvolver um tema, divulgar restaurantes, indicar um vinho e por vezes recomendar uma leitura!

Pois esta semana vou fazer algo de novo: vou começar com boas notícias, falar de um tabu e terminar com tradições.

A boa notícia é que o presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia, José Bento dos Santos, foi eleito por unanimidade na passada quarta-feira como o novo presidente da Academia Internacional de Gastronomia. O tema do seu projecto de remodelação visa unir a temática da saúde à gastronomia e sabor.

Espero que este seja mais um passo, de forma a dar mais visibilidade internacional à nossa gastronomia, receituário e tradições!

Não sou grande fã de buffets, pois a maior parte que tenho comido são apenas uma tentativa vaga de apresentar dentro de um rechaud algo parecido com comida, mas nos últimos tempos tenho descoberto alguns locais em Lisboa onde o respeito pela qualidade se sobrepõe à quantidade.

Varanda do Hotel Ritz - talvez um dos melhores que já comi. Não é barato e dificilmente destaco uma especialidade, pois nada tem reparos. Funciona durante a semana aos almoços - €57 (águas incluídas).
Tel: 213 811 400

Cenário do Hotel VIP Grand - muita variedade e todos os dias muda a ementa, funciona de segunda à sexta ao almoço - €20 s/bebidas.
Tel: 210 435 000

L'Appart do Hotel Tiara Park Atlantic - aos domingos ao almoço serve cozido à portuguesa e durante o resto da semana é mais variado e cheio de boas opções - €24 (domingo).
Tel: 213 818 700

Terra - para os vegetarianos e vegans não deve haver melhor local, 90% dos produtos não tem matéria animal, e a comida é cheia de sabor. Servido aos jantares de terça a domingo e almoços de sábados, domingos e feriados - €15,90.
Tel: 707 108 108

Termino com uma referência ao excelente trabalho de pesquisa e divulgação que Catarina Portas tem feito sobre os produtos tradicionais portugueses.

Não é rara a vez que vejo boas ideias a ficarem pelo seu estado inicial - as palavras - e raramente se transformam em acção!

Os Quiosques do Refresco são caso raro dessas situações: foi em Abril de 2009 que abriram pela primeira vez ao público com o intuito de recriar as tradições que havia nestes pequenos pontos de venda - refrescos, ginjinha, vinho quente, e outras bebidas, bem como sanduíches e bolos são alguns dos produtos que aqui se podem encontrar.

Juntamente com o seu sócio João Regal, renovou o culto sobre os xaropes de groselha e capilé.

Felizmente, o produto tem muita qualidade e não é uma daquelas zurrapas sensaboronas, repletas de corantes artificiais e conservantes.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Barranco Longo, um projecto sólido

Quando, há sensivelmente quatro anos, fui ao Terreiro do Paço para um jantar vínico que apresentava vinhos do Algarve, vou ser sincero, fui sem grandes expectativas, pois já tinha provado bastantes néctares desta região e raramente me roubavam a atenção.

Foi ainda durante o welcome drink que percebi que algo diferente se passava, e que o que estava ali, não só merecia a atenção, como me obrigava a investigar e esgravatar um pouco mais.

Foi aí que conheci o proprietário e produtor Rui Virgínia, que juntamente com os seus vinhos cativaram o meu interesse e fascínio por esta região que estava a dar os primeiros passos a caminho da afirmação.

A Quinta do Barranco Longo, situada na freguesia de Alfoz, em Silves, com sensivelmente 15 hectares, tem um terroir único, pois o solo argilo-calcário está exposto a mais de 3.000 horas de sol, ou não estivéssemos nós a falar do Algarve.
Rui Virgínia é ambicioso e tem muitas razões para isso, porque rapidamente se afirmou num mercado onde os rótulos são mais que muitos e a qualidade também.

Assim, distingue-se em dois aspectos:
1) É um vinho do Algarve e são muitos os visitantes que frequentam esta região querendo provar os produtos locais - o Barranco Longo é um deles;
2) A empresa não aposta só na produção e comercialização, sendo também um produto de enoturismo e envolvendo-se muito nas acções do turismo do Algarve, não só para fomentar o vinho da região, como também a dinamização dos produtos regionais (sejam eles vinhos, gastronomia ou hotelaria).

A equipa é jovem e cheia de garra e rapidamente passaram da produção de poucos milhares para a centena e meia de milhar, o que revela uma grande aceitação do público.

Dos poucos rótulos, já são agora 13 e a tendência é não parar.

Barranco Longo OakedRose 2008

Produzido das castas Aragonês e Touriga Nacional, descansa em carvalho americano e francês durante 3 meses, tem uma cor rosada com laivos alaranjados.

Tem aroma a frutos vermelhos com aligeiradas notas de madeira a lembrar baunilha.

É complexo, cremoso, com bom equilíbrio da acidez revelando boa persistência.

Teor Alcoólico 13%.
PVP €10.

Barranco Longo Branco Grande Escolha 2009

Das castas Arinto e Chardonnay, estagia durante 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês.

Apresenta uma cor citrina dourada, com um aroma muito frutado a ananás e pêssego, revelando-se na boca muito complexo, encorpado e principalmente aromático.

Teor alcoólico 13%.
PVP €10.

Barranco Longo Tinto Touriga Nacional 2007

Produzido unicamente da casta mais lusa, a Touriga Nacional, tem uma cor rubi bonita, e revela um nariz intenso a lembrar flores como a violeta, cerejas e muitos frutos do bosque.

Na boca é muito amplo com boa estrutura de taninos, longos e principalmente elegantes.

Teor alcoólico 14%.
PVP €13,5.

O Algarve já tem muitos e bons vinhos e o Rui Virgínia com o Barranco Longo é um dos grandes responsáveis desta boa reputação.

Vá ao Algarve, coma os doces, mergulhe nas praias e saboreie os vinhos.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Fevereiro de 2011

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Muitas vezes, por questões de proximidade empresarial, centro-me nos restaurantes das principais avenidas e seus adjacentes, mas hoje troquei as modernas avenidas pelas ruas esconsas e mudei o posto de rádio das americanadas pelo fado.

Assim, a passear pela Sé de Lisboa, dei de caras com este menu: Chamuças de carne, legumes ou camarão; gambas à Coração da Sé; bife de atum à Madeira com milho frito; ovos enrolados com alheira de caça; bifinhos de veado com risotto de morangos; doce Moçambicano de mandioca e leite de côco.

Sentado numa das mesas corridas do restaurante Coração da Sé, estou a degustar a cozinha do chefe Jesus Barreto e a complementar a minha refeição ao som da melodia de uma guitarra.

Todas as sextas-feiras à noite a animação é muita - guitarra, viola e voz fazem o trio de fadistas que vão dar sonoridade à sua refeição.

E para que o seu almoço tenha só peso na boa dose que aqui é servida, leve a sua cópia do OJE ou o recorte do artigo e reduza o peso da conta com um desconto de 20% sobre a factura final, entre as 11h e as 15h30.

Sair da cidade do Porto e dar um pulinho a Leça da Palmeira é uma viagem que dura pouco mais de dez minutos, dependendo muito do ponto de partida, mas se for para procurar algo para comer, a dezena de minutos pode-se transformar em salivantes horas, quando nos deparamos com um menu destes: Folhados de alheira com molho agridoce; calamares; revueltos com setas e gambas; paella de marisco; bola de gelado de tangerina de Salero.

Sentado numa das mesas com vista para o mar, estou a comer uma das minhas paellas preferidas no restaurante Don Juan. Pedro Sá Pereira e o seu projecto de "tapas" e "arroceria" estão condenados ao sucesso: bons produtos, bom ambiente, colmatados com uma boa confecção.

Quando entrar não se esqueça de perder alguns segundos a olhar para a ardósia por trás do balcão e verificar quais são as "tapas" do dia, e quem sabe se não está também alguma sugestão de "arrozes" que lhe encha o olho... e estômago.

Quando lá estiver não se esqueça de apresentar a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo, no momento em que receber a conta, e receba um desconto de 10% no valor final da factura até ao dia 15 de Fevereiro.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Voucher

20% no valor da factura até 15 de Março
(das 11h às 15h30)
Restaurante Coração da Sé
Travessa do Almargem 4 A
1100-020 Lisboa
W 9º 7' 55.5'' N 38º 42' 33.6''
Tel. +351 218 867 248 / 961411702
coracaodase@gmail.com

10% no valor da factura até 15 Fevereiro
(excepto dia dos namorados)
Restaurante Don Juan-Taperia | Arroceria
www.donjuan.pt
Rua Helena Vieira da Silva 320
Paço da Boa Nova - 4450-329 Leça da Palmeira
W 8º 42' 44'' N 41º 11' 59''
Tel. (+351) 229 965 047
Email: geral@donjuan.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 1 de Fevereiro de 2011