quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comida que encanta

Portugal é grande demais para os segredos e tesouros que esconde, fazemos a mesma estrada vezes sem conta e transformamos uma aventura numa tarefa, e esquecemos a fantasia de olhar para uma porta e imaginar as histórias e vidas que ela esconde.

Na estrada que separa Belmonte de Manteigas, está a praça de Valhelhas, denunciada pelo pelourinho, a fonte e igreja, onde fui encontrar um dos tais segredos.

Na Praça Doutor José de Castro (antigo notável e benfeitor da freguesia), vai encontrar várias casas, mas é a de pedra e com a placa a dizer Vallécula (antigo nome romano da aldeia) que nos prende a atenção.

O interior é tão encantador como a sua fachada, paredes de xisto, longos barrotes de madeira, que diariamente são a residência de muitas galinhas e galos de madeira, ferro e porcelana, que além de habitantes fazem parte da decoração do restaurante.

São poucas as mesas, e com casa cheia só dá para sentar 32 pessoas. No fim-de-semana são sempre escassas para o número de comensais que procura o Vallécula. No meu caso, tive sorte e consegui marcar mesa apenas com uma hora de antecedência.

Luís Castro é o proprietário e anfitrião da casa, esboça um largo e acolhedor sorriso e simpaticamente nos encaminha à mesa. Já sentado, recebo novamente a companhia de Luís, que sugere algumas especialidades enquanto entrega a ementa manuscrita.

O pão, requeijão com pimenta e a mousse de grão-de-bico foram os primeiros a chegar, seguido da alheira de caça com açorda de enchidos.

Há pessoas que facilitam muito a tarefa de quem vai avaliar, e a Fernanda, cozinheira da casa, não se perde em aventuras e respeita o receituário sempre com os melhores produtos.

A alheira não era apenas de caça, era da casa e da Fernanda, e foi um abrir de refeição com chave de ouro.

Luís e Fernanda são os proprietários há mais de 10 anos, casados para lá dos vinte anos e dividem o trabalho da casa, ele na sala e ela na cozinha.

Boa gastronomia, poucos custos e contas pagas!

Voltando à mesa, e agora que chegaram as suculentas costeletinhas de borrego com puré de maçã e esparregado, muito bem grelhadas, com o sabor fumado a unir-se à qualidade da carne - nada a apontar, apenas um elogio.

Segue-se o prato da casa: galo no vinho com pleurotos. Para quem pensa que vai comer algo um pouco mais seco, tire da mente esse pensamento, pois o galo é bastante suculento, cheio de sabor e desfaz-se na boca, sendo uma harmonia entre produto, confecção, aroma e a nossa boca. Voltarei várias vezes para comer o galo.

É muito difícil de qualificar qual o prato melhor, ou mais bem confeccionado, e apesar de não ter provado toda a ementa, dava para ver pela cara de satisfação nas outras mesas que há muito mais por explorar, desde a truta salmonada recheada com presunto serrano, o bacalhau na tiborna, o coelho com castanhas, e nas sobremesas o pudim de requeijão ou as papas de carolo com mel de rosmaninho.

São todas opções que certamente não o vão desiludir.

Terminei com um cocktail de frutos secos com licor (da casa), figos, pinhões, amêndoas, uma rapsódia bem regada pelo licor doce que, apesar de não me encantar, estava com produtos frescos.

A selecção de vinhos é boa e a preços muito apelativos, havendo mais de 60 rótulos para escolher: Dão, Douro Superior e muitos das beiras, do qual destaco a Quinta dos Termos. No meu caso optei pelo vinho da casa (Beira) servido no decanter - uma excelente relação preço qualidade (€7,50).

Boa gastronomia, uma sala de encantar e um serviço muito simpático, fazem do Vallécula um segredo para alguns, destino obrigatório para muitos e um tesouro para mim.

Detalhes
Restaurante Vallécula
Praça Doutor José de Castro, 1
Valhelhas
6300-235 - Guarda
W 7º 24' 6'' N 40º 24' 23''
+351 275 487 123 / +351 962 778 111
Encerra ao Domingo ao Jantar e Segunda todo o dia
Horário: 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h30
Preço médio: €25
Tipo de Cozinha: Tradicional portuguesa
Cartões: Multibanco

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Com o frio cortante que temos sentido nos últimos dias em Portugal, os nossos ossos gelam, as orelhas sofrem e o nariz pinga.

Mezinhas e tratamentos há muitos e eu sinceramente não os conheço todos, mas há um que nunca falhou: uma boa e quente refeição.

Caso ainda tenha dúvida do que poderá ser o seu próximo almoço, veja bem este menu: Gambas salteadas com alho e azeite de pimentão (€9,70); sopa de legumes à Portuguesa (€5,50); bacalhau no forno à Mundial (€19,50); bife do lombo à Portuguesa (€23,50); crepes à mundial (€12,60).

Estes e outros pratos fazem parte da nova carta do restaurante Varanda de Lisboa no Hotel Mundial.

Uma vista de sonho sobre a cidade e o rio Tejo, acompanhado por uma bela e quente refeição é algo que vai fazer esquecer o frio e dar-lhe novas recordações gastronómicas.

A velha cozinha de sala aqui não foi esquecida, e é sempre bonito ver ser feito à nossa frente um bife do lombo, umas gambas flamejadas ou os doces crepes suzette.

E para que cresça ainda mais água na boca, leve a sua cópia do OJE ou o recorte do artigo e beneficie de um desconto de 10% sobre a factura final.

Tão perto de Lisboa, já não tanto do Porto, mas longe dos centros urbanos para poder relaxar antes de iniciar a sua refeição, ou refeições, está uma quinta recentemente aberta e remodelada e com a obra vieram também novos sabores com receitas tradicionais, ora leia: Mexilhões Marinados à Quinta de Stª Maria (€10); Creme de Legumes da Quinta de Stª Maria (€2); Balchão de Gambas (€15); Pernil de Porco no Forno com Batata Nova e Castanha (€16); Pudim de Ouro(€5); Leite-creme da Quinta de Stª Maria (€5).

Pode degustar estes pratos e muito mais no restaurante Sabores da Quinta, em Arruda dos Vinhos.

É uma quinta recentemente transformada em hotel rural e apesar de ter modernizado os seus quartos com as exigências de comodidade moderna, os sabores mantêm as tradições rústicas do receituário luso.

Assim, pode combinar a sua refeição com uma relaxante estadia.

E quando lá for não se esqueça de levar a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e apresentar no momento em que receber a conta, e receba um desconto de 10% no valor final da factura até ao dia 28 de Fevereiro.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Voucher
10% no no valor da factura
válido até 28 de Fevereiro
Restaurante Varanda de Lisboa - Hotel Mundial www.hotel-mundial.pt
Praça Martim Moniz 2, 1100-341 Lisboa, Portugal
W 9º 8' 15'' N 38º 42' 54''
Tel. +351 218 842 000
reservations@hotel-mundial.pt

10% no valor da factura
válido até 28 Fevereiro (excepto menu executivo)
Restaurante Sabores da Quinta- Quinta de Santa Maria www. quintadesantamaria.pt
Galinhatos - 2630-183 Arruda dos Vinhos
W 9º 4' 39'' N 38º 58' 59''
Tel. (+351) 263 975 528
Email: reservas@quintadesantamaria.pt

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Mais uma vez o mundo da gastronomia está envolto em polémica e incertezas: o chefe José Avillez inesperadamente sai do Tavares, o único restaurante em Lisboa que actualmente detém uma estrela Michelin.

Será este um dos primeiros dos “grandes” a levar a tal chicotada psicológica da crise?

O que é certo é que outros espaços estrelados como o Amadeus e o São Gabriel no Algarve (Almansil) fecharam para férias antes do Natal, e ainda não abriram e nem há data que estime a retoma da actividade.

Mas nem todas as novidades nos estrelados em Portugal ou portugueses são más notícias: o Chefe Nuno Mendes que chefia o restaurante Viajante em Londres, foi galardoado com a sua primeira estrela.

O restaurante, que foi inaugurado em Abril 2010, já tem uma lista de espera de mais de dois meses, por isso, se pretende degustar e comprovar a razão para tanto alarido faça já a sua reserva.
Patriot Square, Bethnal Green - London,
Tel: +44 (0) 20 7871 0461.
www.viajante.co.uk

À margem da crise está o Vila Joya de Dieter Koschina, situado no Algarve em Albufeira - é o único com duas estrelas Michelin em Portugal, abre a sua porta a outras dezenas e diariamente são servidos menus exuberantes, cheios de criatividade, ingredientes e técnica.

Este evento que se intitula Tribute to Claudia – International Gourmet Festival, termina na próxima segunda-feira e por lá já passaram chefes como Henrique Leis, Hans Neuner, Joachim Koerper, Vicent Farges, Albano Lourenço, entre outros que trabalham em território luso.

Santi Santamaria, Sven Elverfeld, Enrico & Roberto Cerea foram alguns dos três estrelas que também cozinharam. Hoje é o Kenneth Origenr que veio de Boston, amanhã Arnaud Donckele França, e domingo o Holandês Hans Van Wolden.

Os preços não são para todos, mas os €325 por cada lugar vão ser um investimento de que certamente não se irá esquecer,
Tel: 289 591 795.
www.tributetoclaudia.com

Desde Janeiro que começou uma das épocas mais desejadas pelos viajantes da cozinha, é pois aquela que é amada ou odiada, mas nunca indiferente, época da Lampreia.

Estes pequenos ciclóstomos de água doce, que em muito se assemelham às enguias na sua forma, mas muito diferentes no sabor, são pescados em rios e a sua confecção mais procurada é à Bordalesa (uma espécie de cabidela), mas também pode ser assada, escabeche, e outros.

Um dos seus comerciantes é o sr. Alberto Rodrigues do Barral de Cima – Torrão.

Os preços nesta altura ainda são muito altos, mas para meados de Fevereiro descem, sendo agora 1,5kg €45, e as mais pequenas €35.

Os meus locais preferidos para comer são:
restaurante Miradouro Entre-os-Rios. Tel: 255 613 422;
Mirante do Douro em Rio Mau, tel: 255 677 923
Pousada de Santa Maria do Bouro em Amares, Tel: 253 371 970.

Aproveite o fim-de-semana e parta numa aventura gastronómica.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 21 de Janeiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Sou um fã incondicional do programa de viagens e gastronomia "No Reservations", que passa na SIC Radical e é apresentado pelo americano Anthony Bourdain.

Divertido, a um ritmo intenso, desbocado e alucinado, tornou-se uma fórmula de sucesso mundial.

Pensando na oferta nacional, o mais aproximado é o não legendado programa do Chakall e Pulga, (que sinceramente não percebo metade), e depois há o Jamie Oliver e as suas electrizantes apresentações, sendo o do chefe Sá Pessoa o mais próximo, que mes
mo não tendo a animação do primeiro, tem a vantagem de saber cozinhar.

Outro fenómeno é a Nigella, que com decotes, a lamber colheres e sons suspeitos, lá vai cativando o público.

A versão portuguesa será a monocórdica Mafalda Pinto Leite. No que se refere a concursos gastronómicos há o Top Chef, e em Portugal temos... nada!

Com tantas casas de segredos, operações triunfo, ídolos e outros, não seremos capaz de produzir um concurso gastronómico televisivo?

Ou um programa que cative as pessoas, nesta que é uma das nossas mais importantes heranças?

Fica o desafio aos produtores nacionais.

Focando-me agora nas novidades:

Na Amadora, dois empresários abriram um novo espaço de restauração, o Tasca 11 Wine Lounge, que se pretende destacar pela mistura da cozinha tradicional portuguesa com influências da Guatemala e para tal contrataram um chefe desse país.

O espaço é moderno, pode levar até 40 pessoas e a ementa ao almoço tem sugestões rápidas e bastante económicas, mas se optar pela carta (entrada,
prato principal, sobremesa e vinho) dificilmente ultrapassará os €25.

Av.Fernando Valle, nº 11 Casal Vila Chã - Amadora. Tel: 212
444 813
www.tasca11.com

O Miguel Júdice e as suas ideias não têm fim e depois de inaugurar o Hotel da Estrela, em Lisboa, abre oficialmente as portas da "Cantina da Estrela", onde diariamente serve refeições num molde deveras original.

Você escolhe quanto quer pagar pelo seu prato, ou seja, a ementa tem um preço mínimo e máximo por cada prato e cada pessoa investe o valor que lhe apetece comer.

As sopas podem ir dos 2,5 € aos 5€, as entradas dos 5€ aos 14€, as massas e risottos dos 7€ aos 14€, os pratos de peixe e carne dos 6€ aos 16€, e as sobremesas dos 2€ aos 6€.
Rua Saraiva de Carvalho, 35. Tel: 211 900 100 www.hoteldaestrela.com

Ontem foi dia de festa e os Xutos e Pontapés comemoraram os se
us 32 anos de carreira no Porto com um concerto e o lançamento de um vinho.

O néctar "Xutos & Pontapés" foi produzido pela Casa Agrícola Alexandre Relvas, e o lote escolhido foi o Herdade de São Miguel Special Edition.

O Vinho de Tributo aos Xutos e Pontapés é vendido em caixas de duas garrafas por €35 e pode ser adquirido através do site www.herdadesaomiguel.co
m.

José Avillez, chefe do restaurante Tavares, que tem uma estrela Michelin, depois do sucesso do livro "Um chef em sua casa" com mais de 15.000 cópias vendidas, vai relançar o título mas agora num formato menor, numa edição de bolso.

Parafraseando a Maria de Lurdes Modesto no prefácio: "O livro destina-se a pessoas de bom gosto, iniciados ou conhecedores, que procuram no exercício de cozinhar, o prazer de fazer bem feito, seduzir, deslumbrar e sobretudo dar prazer aos outros".
PVP €14

Termino desejando um bom fim-de-semana cheio de aventuras eno-gastronómicas.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Na terra do Whisky

Das vezes que fui à Escócia, aterrei sempre no aeroporto de Aberdeen de noite, seguindo directamente para a região de Speyside para o hotel.

A única forma de me aperceber que estava num outro país foi, quando entrei no carro, ter pensado, num primeiro impulso, que o motorista estava louco, porque entrou na estrada fora de mão. Nada disso: estávamos no Reino Unido!

Mas a vantagem de chegar no breu nocturno é que temos o primeiro contacto com o verde pela manhã e, esteja chuva ou escasso sol, é sempre impressionante e cativante.
Tudo o que imaginou da Escócia é verdade: campos e bosques verdes a perder de vista, ovelhas, ovelhas e mais ovelhas, castelos impressionantes e muita, mas mesmo muita, cevada.

Na minha última viagem, tinha uma intenção: visitar a destilaria da Glenfiddich, perceber um pouco melhor como são feitos os whisky de malte e quais os programas gastronómicos e culturais desta zona.

Na manhã seguinte, faço a minha rotina de abrir a janela e contemplar a paisagem do último andar do Hotel The Dowans em Aberlour
www.dowanshotel.com.

Esqueça as tecnologias e modernidades. Quem vai para esta região do mundo, quer ir para uma antiga casa senhorial ou para um dos remodelados castelos, e este em Aberlour é um belo exemplo.

Aqui estamos a meros 20 minutos da destilaria e os 11km que separam ambos os pontos estão repletos de destilarias e tanoarias espalhadas pelas planícies e montanhas de Speyside.

Chegado à destilaria, está na hora de fazer a visita de "Connoisseurs", que tem obrigatoriamente de ser marcada com antecedência e custa €22.

Uns minutos antes da hora marcada para o início da visita, há uma espécie de "check-in" numa sala de projecção onde, durante 10 minutos, assistimos a um pequeno filme que resume o trajecto do clã Grant.

Finda a sessão, o grupo de "portugueses" é chamado por um rapaz chamado Bert - este vai ser o nosso guia durante as próximas duas horas e meia.

Como o processo do whisky, iniciamos este tour no "Malt Bar" onde é feita a maltagem - aqui prepara-se a cevada, transformando o amido em açúcar.

Saltamos para a moagem e maceração e aceleramos virtualmente três dias ao processo. Nestas salas trituram-se os grãos de cevada que depois são depositados num tanque com água quente e inicia-se o processo de extracção do açúcar, criando um líquido açucarado que se chama "wort".

Avançamos mais umas horas e chegamos à sala com os tanques de fermentação, onde se adicionam leveduras ao líquido açucarado e, miraculosamente, num processo natural, o açúcar transforma-se em álcool e numa espécie de cerveja também conhecida por "wash".

Segundo Bert, o guia, esta é a mais pura das cervejas que ele já bebeu. Quanto a mim, se viesse gelada era bem melhor!

Avançamos mais três e, umas salas depois, já num armazém diferente, dou de caras com um armazém repleto de alambiques de cobre, aqui apelidados de Wash Still.

Chegamos então à destilação!

Aquilo que, no tempo de Merlin, era considerado bruxaria, é simplesmente um processo onde se separam os alcoóis e os seus aromas das matérias indesejáveis, através do aquecimento.

Nesta sala, o "wash" vai para os alambiques, que são aquecidos por fogo de lenha, e onde, durante seis horas, é sujeito a temperaturas próximas do ponto de ebulição, criando a evaporação.

Os líquidos evaporados são recolhidos num pequeno depósito conhecido por "low wines receiver". Nesta fase, há um líquido com 21% de álcool que volta para os alambiques, estes mais pequenos, chamados de "spirit still".

Nesta fase da destilação, assim que os álcoois chegarem aos 70% a 65%, o whisky está pronto e segue para a fase final do processo: a maturação.

A visita está a chegar ao fim e, como é evidente, o processo também!

Agora o whisky vai para as barricas, onde descansa durante vários anos, e o papel do Malt Master é crucial para acompanhar e criar aromas ricos e intensos com os quais só contactamos depois de abrirmos a garrafa.

Aliás, falta aqui uma parte muito importante da visita - a prova! Estava a ver que, depois de duas horas a aprender tudo sobre o fabrico, ficava a seco.

A visita terminou com uma prova de algumas das variedades de Glenfiddich - 12, 15, 18 e 21 anos -, e agora despeço-me da destilaria passando pela gift shop para comprar alguns presentes para a família e, claro, umas garrafinhas para mim.

Ainda tenho umas horas, pelo que decido explorar um dos famosos castelos da região, o Ballindalloch Castle, em Banffshire.

Pertencente à família Macpherson-Grants desde 1546, ano em que foi construído, espelha bem o que era a vida na época. Muitas salas cheias de quadros com familiares, reis, príncipes e outros notáveis. Mobílias pesadas cheias de embutidos e brasões. Gostei especialmente das camas, que evidenciavam muito mais estilo e conforto do que as que vejo nas grandes superfícies comerciais.

Alguns dedos de conversa com a família que faz questão de receber todos os convidados, seja para dormir, jantar ou simplesmente visitar as paredes com cinco séculos de história.
www.ballindallochcastle.co.uk

Não parti da Escócia sem antes ter uma refeição excelente. Para falar com franqueza, tive de experimentar vários locais para poder finalmente recomendar um restaurante. No entanto este, após 675gr de carne, conquistou um grande adepto.

É em Craigellachie, mesmo no centro da vila, e serve desde os tradicionais "haggis" com o néctar da região, vieiras com o tradicional "black pudding", cogumelos selvagens, carnes e peixes frescos e fantásticos, um bife do lombo de carne local maturada com 225gr, verdadeiramente fantástico.


Além de restaurante, é um hotel e um bar onde poderá encontrar todos os whiskies possíveis, até japoneses!
www.whiskyinn.com

Ir à Escócia é uma experiência verde, onde as tradições ainda são vividas como antigamente.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Janeiro de 2011