sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Finalmente é sexta-feira

A AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal anunciou recentemente que fecharam mais dez mil restaurantes em 2010.

São números verdadeiramente significativos e assustadores, mas a realidade é que, em Portugal, sempre que se passa por uma situação de aperto, a resposta é simples: vamos abrir um restaurante!

Caros senhores, abrir um restaurante é um negócio sério que exige muita dedicação e esforço. E, acima de tudo, não é para "nós", é para o cliente.

Mas quem veio para ficar, e continuam a aparecer por todo o lado, são os "Sushis".

Na semana passada, anunciei a abertura do Sea Me, no Bairro Alto/Chiado, e esta semana tenho mais novidades.

Ainda no Chiado, no n.º 28 da rua da Trindade, vai encontrar o Koni Store!

No Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, o êxito foi tremendo. Em Lisboa, a história ainda é curta, mas já dá muito que falar.

Como o nome indica, o que se serve lá são konis, e não temakis.

A diferença entre um e outro, visto que são os dois cones de arroz, é que os ingredientes no koni ficam a "transbordar", acentuando os aromas.

www.konistore.pt - T: 213 462 426.

Outro que abriu recentemente em Lisboa, e tem mostrado que veio para ficar, é o Kampai.

Um conceito misto, pois é um japonês inspirado nos Açores - o peixe, o vinho, os sumos e chás vêm todos de lá.

Arrisco-me a dizer que é o japonês mais português que conheci e a fórmula resulta muito bem!

Calçada da Estrela 35 e 37.
www.kampai.pt - T: 213 971 214

Em Cascais, o Confraria, desde que abriu as portas, tem sido um sucesso, sendo provavelmente um dos locais onde é mais difícil marcar mesa ao fim-de-semana.

As criações arrojadas de sushi, temakis e outros ganharam boa fama, e são várias as pessoas que vêm de vários pontos do país para provar estas iguarias.

Ora aqui fica uma boa notícia: agora já há um Confraria em Lisboa!

Fica no recente e moderno Lx Boutique Hotel, na rua do Alecrim 12 A.

Mesma comida, mesmo ambiente, só que agora em Lisboa.

www.confrariasushi.com - T: 213 426 292

Já voltando à cozinha tradicional portuguesa, foi na passada terça que abriu o TOK, no Centro Hípico da Quinta da Beloura, em Sintra.

Gonçalo Diniz, que ganhou a sua notoriedade com o Sushimoto (curiosamente um sushi bar), juntou às suas apostas um espaço moderno com gastronomia lusa onde, depois das refeições, vem a animação musical pela noite fora.

T:219232364

Numa perspectiva mais cultural, fica aqui a recomendação para um livro: chama-se "Entre Coentros e Poejos", uma viagem pela cozinha de António Nobre.

Este chef alentejano, que, apesar do sucesso, nunca largou a região, estando a dirigir a cozinha dos hotéis M'ar de Ar em Évora, juntou todas as suas memórias do receituário e acabou em Livro.

São 69 receitas totalmente tangíveis, onde a aposta é nas ervas aromáticas e na cozinha de tacho.

Quem sabe se não encontra aqui uma ideia para o seu próximo jantar?

Custa 19,95€ e pode encontrá-lo nas principais livrarias.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 3 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Le Chef: Rabo de Boi

Por Joachim Koerper
Chef do Restaurante Eleven
Fotografia InterMagazine

São mais de vinte os tipos de corte usados no boi.
Normalmente, são classificados entre os de primeira e de segunda e, dependendo da sua localização, as carnes podem ser macias ou duras. As tipicamente macias são as que provêm do lombo traseiro. A razão e justificação é simples: como se mexem menos, têm menos nervos e gorduras. O lombo, costeleta, alcatra, chá de fora, ganso, rabo, são algumas dessas partes. As mais duras são naturalmente as dianteiras, pois são muito mais irrigadas, gordurosas e suculentas: acém, cachaço, pá, chambão, entre outras.
O Rabo é cada vez mais uma parte utilizada e requisitada pela alta cozinha, tendo, nos últimos anos, ganho bastante protagonismo, não só lá fora como em Portugal.
É tipicamente usado para fazer sopas e estufados em marinadas ricas, tornando--se uma carne macia e cheia de paladar.
O prato que se apresenta deixa o Rabo de Boi com osso numa panela a estufar em vinho tinto durante 8h, ponto no qual, naturalmente, se solta do osso e desfia-se sem qualquer tipo de intervenção. Uma verdadeira iguaria.


Rabo de Boi estufado em vinho da Malhadinha tinto com trufa preta
1 kg de Rabo de Boi com osso em 4 pedaços
200 gr de mirepoix (alho francês, cebola, salsa e cenoura)
2 lt de vinho tinto da Herdade da Malhadinha
Farinha
1 kg de batata
40 gr de trufa preta
1 molho de espinafres
20 cl de fundo de vitela
10 cl de leite
10 cl de natas
100 gr de manteiga
50 gr de açúcar
Azeite de trufa preta
1/4 lt de óleo de girassol
Noz-moscada
Azeite
Sal
Flor de sal

PREPARAÇÃO
Passar o Rabo de Boi por farinha e saltear em azeite.
No mesmo tacho, saltear
o mirepoix e acrescentar o vinho. Estufar lentamente durante 8 horas. Retirar do lume, deixar arrefecer e desfiar a carne.
Adicionar o fundo de vitela ao caldo de estufado e deixar reduzir até metade.
Passar no "chinês" e terminar com azeite, açúcar, 50gr de manteiga, sal e pimenta. Reservar.
Fazer o puré de batata com 30gr de manteiga, noz-moscada, leite, natas, sal, pimenta e 10gr de trufa picada. Reservar. Saltear os espinafres no resto da manteiga.
Laminar uma batata na mandolina em forma de gaufrette e fritar em óleo de girassol.
No mesmo óleo, fritar 4 folhas de espinafres.
Laminar as trufas restantes.
Reservar.

APRESENTAÇÃO
Enformar por camadas com a ajuda de um aro: primeiro o puré de batata trufado, a seguir o espinafre, depois o rabo de boi, de novo o espinafre, o Rabo de Boi e, por último, uma nova camada de puré de batata. Decorar com as lâminas de trufa e o crocante de espinafre. Dispor o molho ao lado. Finalizar com o azeite de trufa e flor de sal.

Sugestão de Vinho
Herdade da Malhadinha Nova
Malhadinha Tinto 2008


A escolha é óbvia, visto que será o mesmo vinho utilizado para estufar a carne. Cria-se, assim, uma harmonização perfeita.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Dia após dia, ouço as queixas dos meus leitores gastronómicos a exigirem mais respeito pelas tradições.

É cada vez mais frequente a falta de rigor das ementas e, por vezes, ao encontrar um prato que tanto nos apetece, assim que chega à nossa beira, transforma-se numa desilusão e numa indigestão prematura.

Este menu opõe-se à decepção e... bem, primeiro leia: Saladinha de porco preto (€5); farinheira ou cacholeira de Serpa (€5); cogumelos selvagens com bacon (€6); sopa rica de peixes 2PAX (€23,50); salmonetes no grill à Setubalense (€15); cabritinho do monte frito à alentejana (€16,50); perdiz frita à moda de Serpa (€14,50); sericaia d'Elvas com ameixa (€3,50).

Nunca me canso de sentar-me à mesa do Solar dos Nunes e degustar os pratos tradicionais e regionais que lá são confeccionados.

Ambiente caseiro e rústico, apelando ao interior alentejano e a decoração não foge ao lema da casa: Respeitar as tradições!

A família Nunes não se limitou a mudar do Alentejo para a capital, enriqueceu a cidade com as suas receitas e apreço pelos costumes.

A garrafeira é uma caixa de surpresas e, se procurar bem, poderá descobrir aquele néctar de que há anos andava à procura.

Gosto sempre de chegar a esta parte do texto e incentivar o sr. leitor a visitar o Solar dos Nunes e, para isso, o OJE junta, a este artigo, um voucher de 10% válido até 30 Dezembro (excluem-se grupos ou jantares especiais). Para usufruir, basta levar uma cópia do jornal ou recorte deste artigo.

Dos costumes e tradições alentejanas, parto à procura de novas técnicas e de novos sabores e, para grande surpresa minha, encontrei uma das mais interessantes cozinhas do país. Não acredita?

Então saboreie este menu: Lagostins crocantes com especiarias, seu aveludado com aromas campestres (€22,50); robalo de linha corado em azeite do Douro, migas de tomate e pequenos peixinhos da horta (€30); lombo de novilho salteado, miscelânea de legumes e redução de vinho do Porto (€22,50); toucinho-do-céu antigo e rabanada poveira (€15).

Estava sentado à mesa do Egoísta, na Póvoa de Varzim, e deslumbrado com a criatividade, técnica e paixão do chefe Hermínio Costa.

As obras de arte não se resumem apenas às que vêm para a mesa, pois as paredes estão repletas de artistas como Júlio Resende, Nikias Skapinakis, Rogério Ribeiro, Francisco Simões, Alberto Carneiro, Augusto Tomás, José Manuel Ciria e Moita Macedo.

Integrado no Casino da Póvoa, mas com um ambiente e uma decoração totalmente autónomos, os tons claros fazem contraste com a madeira e o granito, resultando num ambiente sofisticado e simpático.

Ao contrário das salas que antecedem o restaurante, aqui o risco é nulo e o prémio está sempre garantido.

E porque, garantidamente, nunca irá sair deste espaço infeliz, aqui damos mais uma razão para ficar feliz. Até ao dia 17 de Dezembro, usufrua de um desconto de 10% (exclui-se grupos), bastando, para tal, levar a cópia do OJE ou recorte deste artigo.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt


Voucher
10% na factura até dia 30 Dezembro
Restaurante Solar dos Nunes
www.solardosnunes.com
Rua dos Lusíadas 68/72 - 1300-372 Lisboa
W 9º 10' 49,8'' N 38º 42' 19,4''
Tel. (+351) 213 631 631
Email: solardosnunes@hotmail.com


10% na factura até dia 17 Dezembro
Restaurante Egoísta
www.casino-povoa.com
Edifício do Casino da Póvoa de Varzim | 4490-403 Povoa de Varzim
W 8º 45' 58'' N 41º 22' 42'
Tel. (+351) 252 690 888
Email: restaurante.egoista@estoril-sol.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 30 de Novembro de 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

Degustar Português em Nova Iorque

Desde que abriu na Primavera de 2009, o Aldea, do Chefe luso-descendente George Mendes tem recebido os mais altos elogios da imprensa local, principalmente dos exigentes críticos do New York magazine e do New York Times que não tiveram dúvidas em dar duas estrelas (Muito Bom) logo nos seus primeiros meses de abertura.

Daí para a frente foram vários, os críticos a entrar e sair satisfeitos com as criações de George Mendes. A GQ intitulou-o mesmo de “breakout chef of the year” – chefe Revelação do Ano!

O arroz de pato com azeitonas pretas, a linguiça e torresmo de pato crocante, posicionou-se no terceiro lugar das 10 melhores coisas para comer em Nova York segundo a Time Out.

Quando lá for ainda pode encontrar no menu pratos fantásticos como: Camarões ao alhinho com coentros e sumo do momento; Sanduíche aberto com cara de ouriço-do-mar, tomate e feijão mar; Brioche caramelizado com gel de laranja de sangue e sorvete de creme fraiche e pimenta-rosa e os nossos adorados sonhos versão Mendes.

Vários vinhos portugueses do Douro, do Porto e a nossa multi galardoada Super Bock são ponto assente na lista de bebidas.

Há um menu de três pratos ao almoço (com pratos da carta de jantar) custa US $20.09 e ao jantar o preço de 5 pratos é de US $85.

O espaço desenhado por Stephanie Goto (Morimoto, Corton) tem dois andares e é inspirado no ar e água, utilizando elementos naturais como madeira e cimento e a decoração reflecte a paleta de cores dos azulejos: azul e branco.

Esta é sem dúvida uma forma de comer bom Português na super gourmant cidade de New York.

Por aqui, em Portugal, o Aldea e Mendes ainda não são muito conhecidos, mas o anúncio no mês passado da atribuição de uma estrela Michelin fez com que esse cenário se alterasse por completo.

Os convites para vir a Portugal sucedem-se e segundo o mesmo está “ansioso e esperançoso” de vir à capital portuguesa para o evento gastronómico: Peixe em Lisboa 2011, que se realiza de 7 a 17 de Abril, no Páteo da Galé no Terreiro do Paço.

Restaurante Aldea
31 West 17th Street e, NY 10011
Tel.: (00) 1 212-675-7223.
www.aldearestaurant.com / info@aldearestaurant.com
Almoço de segunda a sexta das 11h30 às 14h. Jantar de segunda a quinta das 17h30 às 23h, Sexta e Sábado até às 24h.

BI de George Mendes

Faz parte da primeira geração de americanos filhos de um casal português e desde cedo aprendeu as tradições das festas e feriados à moda lusa.

Mudou-se para Danbury no Connecticut e em 1992 termina o curso no CIA - Culinary Institute of America. De imediato começa a trabalhar para aquele que se tornou o seu mentor: David Bouley.

No Bouley em Tribeca inicia a sua carreira como garde manger, entremetier and poissonie onde foi aperfeiçoando a sua técnica e evoluindo para posições de chefia.

Em 1996 assume a sua primeira chefia no Le Zoo, um pequeno Bistro em Greenwich Village. Dois anos depois ruma a Washington, D.C., para trabalhar com Sandro Gamba no Lespinasse (3 estrelas Michelin).

Até 2003 troca experiências e contactos com diversos chefes como o Alain Passard’s Arpege em Paris, Roger Vergé no Le Moulin de Mougins, Alain Ducasse no La Bastide de Moustiers regressando a Nova Iorque para ajudar o seu amigo Bouley e Kurt Gutenbrunner a abrir um restaurante austríaco: Wallsé.

Foi pela mão do grande chefe Martin Berasategui que Mendes volta para a Europa para integrar a equipa do restaurante três estrelas Michelin. Em San Sebastian aprende a respeitar as receitas tradicionais, sendo fiel aos ingredientes e dando um toque de actualidade.

Foi com esta filosofia que partiu para Nova York e abriu o Aldea.

Texto publicado originalmente na revista GO Magazine a 26 de Novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Em tempos de crise, como se pode imaginar, são mais fáceis de descobrir as notícias dos restaurantes que fecham do que os que abriram as portas.

Um caso muito recente é o mediático Unique da estilista Fátima Lopes, que, após seis meses da sua abertura, fechou oficialmente as portas - má gestão ou falta de clientes?

A cozinha do João Simões não foi certamente a responsável.

Mesmo ao lado deste espaço, também em Lisboa, na rua do Loreto n.º 21, junto ao largo de Camões, abriu um novo espaço: o Sea Me - Peixaria Moderna.

Conceito arrojado e provavelmente condenado ao sucesso, agradou-me bastante, pois pretende ser uma homenagem às peixarias, às marisqueiras, às cervejarias, aos sushi-bar, mas com um twist de contemporaneidade.

A fórmula passa por pesquisar os sabores e receituários do litoral português e seleccionar as melhores matérias-primas, tendo mesmo viveiros próprios.

Mais uma boa notícia!
Tel: 213 461 564.
www.peixariamoderna.com

Para quem gosta de comida exótica, ou melhor, nepalesa, Lisboa conta agora com um novo espaço, no 172A da Elias Garcia junto à Gulbenkian - a Casa Nepalesa.

O chefe e proprietário deste espaço, Giovanni, partilha o seu esforço de trabalho com o Come Prima (restaurante italiano) e, já como tinha feito com o outro espaço, dotou-o de uma boa gastronomia.

Aqui poderá comer as kukhura singada (chamuças à moda dos "himalayas"), patre Roti (pão folhado com manteiga), entre outras.

O meu conselho é escolher o thali vanchha ghar (menu de degustação) que dá para duas pessoas e custa €29,90.

Se, como eu, tiver dificuldade em arranjar lugar, estacione no parque Berna, que o restaurante oferece 2h aos clientes.

Tel: 217 979 797
www.casanepalesa.pt

Voltando às más notícias, o chefe francês Aimé Bayrroer, que tinha assumido a cozinha do restaurante Ipsylon do novo cinco estrelas de Cascais, The Oitavos, não teve tempo para mostrar a sua cozinha - pois ainda agora abriu a porta e já recebeu o salvo-conduto para procurar novo emprego - é a crise? Ou foi uma crise?

Dentro do grupo das boas novidades, está a mudança de local do Tomba Lobos, do chefe José Júlio Vintém, da remota terra de Pedra Basta para dentro de Portalegre.

Agora, pode e deve provar as iguarias deste talentoso cozinheiro na Av. Movimento das Forças Armadas em Portalegre.

Aproveite para ir nesta época e comer uma das suas fantásticas perdizes, acompanhada por um vinho alentejano cheio de fulgor.

Tel: 245 331 214

Termino com uma grande notícia: as equipas olímpicas de culinária trouxeram para Portugal duas medalhas.

A de ouro para a equipa júnior e a de prata para a equipa sénior!

É, mais uma vez, o reconhecimento internacional do valor da nossa gastronomia e dos nossos cozinheiros.

Parabéns às duas equipas e aos seus treinadores (Chefs Paulo Pinto, António Bóia e Celestino Grave ), que acabaram de chegar da ExpoGast que se realizou no Luxemburgo.

Visite e felicite as nossas equipas no blogue: equipasolimpicasdeculinaria.wordpress.com.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 26 de Novembro de 2010