terça-feira, 9 de novembro de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Procurar restaurantes no Porto é uma tarefa difícil pois é rara a porta que se passe e que:
1) o acolhimento seja mau;
2) a comida seja má;
3) os preços sejam disparatados.
Feita esta pré-análise e quase generalista resta-me descobrir os casos em que estes pontos não sejam apenas um cliché e do “não é mau” passe para “é muito bom”.

Esses mais escassos também se descobrem, em menor número é verdade, mas a queda do queixo não deixa de ser fantástica à mesma.

Não acredita? Então renda-se a esta ementa: …a sardinha assada em broa de Avintes com os nossos legumes avinagrados em conserva; ... o Lavagante azul, lombinhos e pinças em guacamole seu recheio num caneloni de beterraba, a vieira corada sobre creme de caril; Pistácios, num arroz doce e em creme, sorvete de cerejas.

O chefe chama-se Pedro Lemos e o restaurante roubou-lhe o nome.

Junto à foz, numa rua esconsa onde o carro se torna supérfluo temos no 974 um segredo que têm de ser desvendado: Duas salas, um esplanada, boa disposição, uma garrafeira composta e uma comida que deixarei para vós a adjectivação.

E porque os adjectivos não podem ficar em terra de ninguém pegue na sua cópia do hOJE ou recorte deste artigo, bata a porta do “Pedro Lemos”, usufrua de uma primorosa refeição e no fim entregue o seu voucher e ganhe um desconto de 10% sobre a factura final.

Já em terras do Sul, entrei no ferry em Setúbal e desembolsei €9 para entrar com o carro e passageiro e mais €2 para a minha companhia e naveguei com destino a Tróia.

Vinte minutos depois e já presas as amarras e baixada a ponte, precisei de mais dois minutos para chegar ao Tróia Design Hotel entregar o meu carro e dar de caras com este menu: Empada de galinhola com salada verde (€9); Carpaccio de vieiras com vinagrete de manga (€13); Salmonete de Setúbal com açorda de sapateira (€23); Naco de novilho, acelgas e migas de abóbora (€22).

Chama-se B & G e está integrada numa das mais modernas unidades hoteleiras do país.
A decoração é viva, onde as cores quentes proliferam e as peças de arte do Pedro Cabrita Reis enchem uma sala espaçosa e moderna.

A vista para a marinha e rio é praticamente toda uma parede, por isso sente-se onde sentar terá sempre acesso fácil a esta linda vista, não havendo espaço para o arrependimento.

A gastronomia apostando em alguns produtos locais está a cargo do chef João Vieira e apelida-se de regional alentejana contemporânea.

Ir a este restaurante é um pouco mais do que uma boa refeição, é entrar num hotel fantástico, é visitar uma reserva natural e principalmente é um excelente programa para se fazer acompanhado.

Até ao dia 9 de Dezembro, vá de carro, de barco ou no seu meio de transporte preferido até Troia e não se esqueça de levar a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo para usufruir da sempre apetitosa redução de 10% de desconto sobre a factura final do restaurante - não acumulável com outras promoções.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

VOUCHER
10% na factura até dia
Restaurante Pedro Lemos
www.pedrolemos.net
Rua do Padre Luis Cabral 974 4150-459 Porto
W 8º 40' 19'' N 41º 9' 0''
Tel. (+351) 220 115 986
Email: geral@pedrolemos.net

10% na factura até dia 9 Dezembro (não acumulável com outras promoções)
Restaurante B & G
www.troiadesignhotel.com
Tróia Design Hotel
Tróia Marina 7570-789 Carvalhal – Grândola
W 8° 54' 17.1" N 38° 29' 33.4''
Tel. (+351) 265 498 000
Email: info@troiadesignhotel.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Croácia - Paraíso gastronómico

Fotografias António Vale

Há destinos em que a curiosidade é tanta que, antes de lá chegar, já criamos tantas expectativas com as curtas histórias que ouvimos, corremos o risco de ficar desiludidos.

Assim, e porque não sou pessoa para criar grande suspense, anuncio já que a minha experiência pela Croácia foi verdadeiramente reveladora, inesquecível e fantástica.

Para nós, portugueses, viajar para esta zona da Europa é totalmente exótico e diferente, pois não é propriamente aqui ao lado e os vários anos de guerras por estes locais fazem-nos sempre ficar com um pé atrás.

Mais uma vez, e acabando com o suspense, em poucas linhas, a região que vou descrever - Istria não só foi marginal desde sempre às guerras, como durante anos foi um dos destinos preferidos dos alemães, austríacos, holandeses, suecos e mais alguns povos que conheciam bem esta pérola do Adriático.

Iniciei a minha viagem pelo norte, entrando pela fronteira da Eslovénia, poucos kilometros após a passagem pelo Trieste Transalpino, e a pouco mais de duas horas do aeroporto de Veneza (uma das opções de chegada).

Chegando a Umag, onde passamos a primeira noite, deu para visitar um pouco do local e apercebemos-nos que estávamos mesmo junto ao mar.

Aqui optamos por ficar no cinco estrelas Melia Coral Umag, renovado em 2008 e a 2 minutos a pé da costa.

Decorado de forma agradável, sem nunca esquecer as influencias da Art-Decó estilo croata, é provavelmente a melhor opção para dormir. Tem um bar muito agradável onde se pode beber uma Piva (cerveja local).

Ainda dentro desta unidade pode encontrar um Spa que mistura as influencias hindus e tailandesas.

Se pretender jantar aqui pode fazê-lo, mas eu aconselhava-o a explorar outros locais, a comida não é propriamente fantástica. www.melia-hotels.com.

O Dia seguinte foi para explorar a área de Motovun , Buje e Livade.

Iniciei o meu dia encontrando-me com um apanhador de trufas e os seus cães altamente treinados, e junto ao rio Mirna aventurei-me pelo o bosque, na demanda desta luxuosa iguaria.

Se vai com intenções de ir lá apanhar as trufas e trazer para Portugal, perca essa ideia pois é preciso uma licença especial.

Mas, voltando ao programa, o meu conselho é que leve roupa velha e umas galochas, e não use perfume pois os mosquitos lá não perdoam!

Foi um dia que começou bem, pois encontramos várias trufas brancas que mais tarde iriam ser o nosso almoço e jantar.

Agora já sem lama e a lamentar as picadelas dos mosquitos locais, é tempo para a história. Este fantástico bosque, além das trufas, cogumelos e mosquitos, foi o principal (se não único) fornecedor de madeira para os venezianos. Seria correcto dizer que Veneza está assente em madeira de Motovun.

Subir à pequena terra de Motovun é indispensável, e se puder pernoite por lá, pois a vista não pode ser mais fantástica.

A influência dos venezianos está presente em todos os cantos e recantos, sendo muito divertido perceber o que são os livros nas estátuas por toda a vila – vai ter que ir lá para saber.

O hotel Kastel Tem apenas três estrelas, mas muito glamour, todo o conforto de um hotel luxuoso e uma vista fantástica.
www.hotel-kastel-motovun.hr

É tempo de almoçar e dirigimo-nos para um dos diversos agro-turismos para juntar uns ovos mexidos às nossas trufas.

Um dos mais tradicionais da região é o do sr. Tikel que, além de uma cozinha tipicamente genuína, é um dos vários produtores de vinho da Croácia.

Nesta região a casta dominante é o Malvasia, e claro que o vinho predominante é branco.

Por isso, se quiser beber os melhores vai ter que, obrigatoriamente, optar por esta casta. Ligado aos vinhos e azeites, tem um excelente programa: a visita e as provas nas adegas e lagares locais.

O melhor local para se informar é no site www.istra.hr.

Depois de uma tarde dedicada às trufas, vinho, azeite e castanhas, parei uns escassos segundos para provar as grapas locais e voltei a dedicar- me à mesa.

Este é um daqueles locais que não pode deixar de visitar, rústico, barato e com todos os melhores produtos que a região pode oferecer.

Chama-se VRH e fica na terra com o mesmo nome do restaurante. Aqui pode provar as tradicionais massas com urtigas, as batatas assadas e coradas na gordura de enchidos e a famosa carne da Istria com trufas. www.vrh.hr.

Nesta época a visita à Croácia gourmet não pode ser melhor : as melhores e mais frescas trufas do ano, a época das castanhas, os cogumelos a brotar e um tempo ameno que só apetece lareira, comida e uma boa companhia.

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 08 de Novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Esta coluna é atípica, pois estou a escrever directamente da York House, em Lisboa, no decorrer de uma prova de vinhos, cujos resultados vão ser revelados no próximo dia, durante o evento anual da revista de vinhos.

O Encontro com os Vinhos e Encontro com os Sabores é uma feira que vai ter início hoje, no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL), às 18h, e prolonga-se até segunda-feira, sendo o último dia reservado a profissionais.

Durante quatro dias, poderá encontrar os principais distribuidores e produtores de vinho e fazer várias provas para aumentar a carta do seu negócio, ou simplesmente para escolher o vinho para o jantar nessa noite.

Haverá espaço para vários cursos vínicos, onde várias técnicas e segredos serão revelados.

Juntamente com estes, estarão também diversas empresas ligadas aos sólidos, nomeadamente os vendedores de presuntos e enchidos, queijos e muitas mais iguarias.
As entradas custam 10€ (50% desconto).

www.revistadevinhos.iol.pt

Nas minhas inúmeras viagens por este lindo país dei de caras com o chefe Helder Chagas, em Tróia.

Agora com mais um projecto, o Ribamar-Tróia, mesmo nome, mesmo chefe e, principalmente, a mesma qualidade.

Quando lá estive, experimentei os pés de burro, os choquinhos estufados, as vieiras e lavagante e terminei com as kokotchas. Fui recentemente e voltarei lá em breve para dar uma "volta" mais completa à carta.

É certamente um dos bons destinos para este fim-de-semana. Alameda da Marina - Tróia. T: 265106944.

Andei pelo Norte e fiquei surpreendido com o Lagar, um restaurante discreto, diria mesmo difícil de encontrar.

Depois de descobri-lo, entrei, pasmei-me e rendi-me.
Uma decoração simples, uma lareira agradável, sem grandes apontamentos despontantes, e depois um serviço de copos Ridel e ainda uma carta de vinhos, que...

Bem vou ter de investir mais do que uma linha neste tema. Primeiro, entregam um pequeno livro preto de apenas uma página, ou antes um pequeno computador (IPAD) onde podemos ver tudo sobre os vinhos que pretendemos beber: ficha técnica, preço, notas de prova de profissionais e amadores. Algo que adorei e de que fiquei fã.

Agora, só resta saber quais são os restaurantes aderentes. O Lagar e o seu fantástico cabrito são-no, e eu certamente recomendo uma visita.
Rua do Lagar em Escalhão.
T: 271346974. www.olagar.net

A caminho de Lisboa, ainda tive tempo para parar em Belmonte e experimentar os fresquíssimos cogumelos que o chef Valdir apanha todos os dias.

Até ao fim de Dezembro, poderá degustar, na Pousada do Convento de Belmonte, estas raras mas deliciosas iguarias.
T: 275910300.

Com estas opções todas vai ter, certamente, um fim-de-semana cheio de programas

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Séculos de tradição

Para falar na Família Roboredo Madeira (RM) é preciso fazer uma viagem ao passado e iniciar a história no séc. XVII, pois é desde essa época que a família RM começou a viver daquilo que a terra dá: azeite, vinho e amêndoas.

Foram estes que abriram portas a quatro séculos de agricultores do Douro Superior.
A viagem, que há poucos anos demorava um dia ou mais, é apenas de duas horas do Porto e pouco mais de três de Lisboa para chegar a Foz Côa.

Voltando ao passado, esta família de agricultores preparava o terreno, estimava a terra e produzia para vender. Foi assim durante séculos!

Foi há 10 anos que, depois da venda de algumas casas do Douro para grandes grupos económicos, Celso Madeira decidiu que iria juntar ao descanso da sua reforma a preocupação de transformar os seus produtos em algo novo.

Arregaçando as mangas iniciou-se nos azeites, produzindo o seu primeiro lote em 1999, ganhando o primeiro prémio num concurso de extra virgens em Vila Real.

O seu começo fantástico criou logo burburinho e uma fama de qualidade que até hoje não perdeu.

Mas foi em 2000 que, de uma adega em S. João da Pesqueira, saiu o primeiro rótulo de vinho com a imagem CARM.

Daí à construção da adega foi um salto curto, terminando a obra em 2004, saindo, nesse mesmo ano, o primeiro vinho produzido e vinificado pela família RM.

Estamos no ano de 2010 e já contam com sensivelmente 120 ha de vinha, 210 ha de olival, 40 ha de vinha nova plantada e mais outros centros de terrenos a explorar.
Filipe Madeira, responsável pela produção e distribuição, confessa que não faz vinho ou azeite para ser o melhor de Portugal, mas sim o melhor do Mundo.

A fasquia é alta e da produção de 400 000 garrafas de vinho de 2009, passaram a 750 000, praticamente duplicando a produção.

A gama começa nos CARM branco e tinto, que se podem encontrar abaixo dos €6, e o rosé abaixo dos €5 nas principais garrafeiras, passando pelos CARM Reserva branco e tinto que têm uma excelente relação preço-qualidade, estando situados nos €10.

O Grande Reserva custa €24, o CM €30, e consta que as próximas coqueluches serão o CM e Maria de Lurdes, que se situarão nos €25.

Agora a surpresa está no Touriga Nacional sem sulfuroso - o SO2 Free!

Do ano 2009 foram produzidas 5000 garrafas que abalaram por completo o mercado, pois é o primeiro vinho certificado DOC totalmente sem sulfitos.

É algo novo, bom e apetecível, tem um nariz muito aromático, onde as cerejas são as primeiras a aparecer. Na boca, é fresco e guloso e, com o tempo, evolui para um néctar chocante - morango com chocolate é a maneira mais simples de o explicar, mas se tentarmos explorar, então muito mais poderemos descobrir.

No El Corte Inglés pode comprar por €20 e, sinceramente, não vai arrepender-se, pois é surpreendentemente agradável.

O final de 2010 e o início de 2011 vão ser certamente anos de surpresas destes agricultores/produtores, pois já tive acesso às cubas e barricas e o que provei ainda é mais surpreendente que o ano transacto.

E se tentou comprar o SO2 Free e não conseguiu, não desespere, que daqui a uns meses vão engarrafar parte dos 40 000 litros e, em Abril terá uma nova oportunidade.

Vinhos, azeites e muitos produtos gourmet são alguns dos prazeres que esta família lhe pode proporcionar.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 03 de Novembro de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Energias recuperadas, graças aos três dias de descanso, é tempo de voltar ao trabalho.

As pastas acumulam-se e o tempo extra que nos foi oferecido é agora penalizado com muito mais coisas para fazer pela manhã.

Assim como eu, provavelmente só vai sair para almoçar muito mais tarde e precisa de soluções. Este menu poderá ser o seu almoço tardio para hoje: Robalo Marinado com Limão e Caviar de Avruga (€8,50); Feijoada de Camarão e Amêijoa (€12,50); Risotto de Espargos (€8,50); Francesinha bb com Linguiça de Porco Preto (€9,50); Pudim Abade de Priscos (€4,50).

Fica no Porto, na concorrida Av. da Boavista, e chama-se BB Gourmet Bull & Bear.
Este restaurante não se refugia apenas em duas refeições, tem menus para todos os gostos, horas e disposições.

Pode tomar o pequeno-almoço até ao meio dia, lanche das 16h30 às 18h30, brunchs aos sábados e domingos até às 16h e ainda almoços e jantares.

Boa gastronomia e um bom ambiente que transforma o BB Gourmet num local altamente recomendado para uma refeição a qualquer hora do dia... e noite.

Mais do que a minha palavra é a sua experiência e para que possa comprovar e experimentar a minha recomendação, leve o recorte deste artigo ou cópia do jornal de h(OJE) e usufrua de um desconto de 10%. Válido até ao dia 30 de Novembro.

Do Porto sigo para sul e albergo-me junto à água para poder aproveitar os sons um pouco mais zen para descontrair.

Mas da calma rumo para a mesa onde a animação é gastronómica. Ora veja: Gambas panadas com três molhos (€12); Enguias Fritas com Açorda de Ovas (€18); Bife Al Foz (Cerveja Preta) com Batata Rosty (€18); Garoupa à Al Foz (€20).
Debruçado sobre o rio, estou sentado junto à janela do Restaurante AlFoz a degustar uma dezena de iguarias.

Este é um local em que a visita pode preceder ou resultar de uma dormida no Hotel Alfoz, juntando a saída e visita à refeição e descanso.

A vista é boa e a paparoca não fica atrás, havendo muito mais para dizer do que eu resumo aqui.

Peixe e marisco frescos, há-os em abundância e disponíveis a peso, bastando optar pelo método preferido de confecção.

Diariamente tem as opções do chefe, todas dedicadas ao mar e aos produtos que ele oferece.

Tem aqui uma boa opção de fuga à cidade.

Até ao dia 24 de Novembro, vá até Alcochete e não se esqueça de levar a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo para usufruir da sempre apetitosa redução de 10% de desconto sobre a factura final do restaurante.


Voucher
10% na factura até dia 30 de Novembro
Restaurante BBGourmet Bull&Bear
www.bbgourmet.net
Av. da Boavista 3431 4149-017 Porto
W 8º 39' 49'' N 41º 9' 48''
Tel. (+351) 226 107 669
Email: bullandbear@bbgourmet.com


10% na factura até dia 24 Novembro
Restaurante AlFoz
www.alfoz.pt
Avenida D. Manuel I 2890-014 Alcochete
W 8º 58' 1'' N 38º 45' 7''
Tel. (+351) 212 341 179
Email: comercial@alfoz.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 02 de Novembro de 2010