sábado, 23 de outubro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Há restaurantes em Portugal que, por mais que passe o tempo ou a crise se agrave, parecem viver alheios a todos estes problemas ou períodos.

Fez alguns dias que fui jantar ao Olivier Café, onde a boa disposição da Natalie é contagiante e não há mesa que não esteja com um sorriso ou vontade de exprimir alegria.

Sejam pessoas reservadas ou os mais mediáticos colunáveis de Portugal, todos gostam de lá ir, principalmente para comer o Spaghetti de trufas com Kobe.

Se não acredita nas minhas palavras, vá até lá e veja com os seus próprios olhos.
Olivier Café.

T. 213422916 / 912571505.

Ainda em Lisboa e já fora do fim-de-semana, se não avisar hoje certamente não vai a tempo de poder reservar o seu lugar no fantástico jantar que vai decorrer no Sheraton de Lisboa, na terça-feira dia 26.

O chefe Leonel Pereira convida Torsten Schulz, chefe do restaurante com uma estrela Michelin, São Gabriel no Algarve.

Um menu com sete pratos diferentes, vinhos e uma vista de sonho, e o preço não me choca, pois são €69 de total prazer gustativo.

Reservas 213 120 000.

Fecho as minhas recomendações com um dos mais importantes eventos vínicos (diria mesmo enogastronómicos) que tem início hoje às 15h, em Beja no Parque de Feiras e Exposições: a Vinipax.

Durante três dias, os temas em redor do vinho, azeites e, claro, a gastronomia alentejana, serão o prato e copo da casa. São mais de 50 produtores alentejanos que, desta forma aberta, pretendem dar a provar as suas últimas propostas, bem como de uma forma mais descontraída dar visibilidade à marca Vinhos do Alentejo.

Em paralelo a este evento, está a decorrer a Olivipax, onde o líquido a provar e apresentar é mais espesso e verde, sendo igualmente um dos melhores companheiros à mesa. Falo, evidentemente, do azeite.

Durante estes três dias altamente recomendados, poderá ainda assistir a várias actividades, desde os interessantes debates e colóquios sobre o mundo do vinho, os showcookings de cozinha regional alentejana e um dos momentos mais interessantes do evento - os resultados do concurso "MELHOR VINHO / FIJEV / VINIPAX 2010".

Assim, e se quiser saber um pouco mais sobre os vinhos, azeites e gastronomia alentejana, junte a família, meta-se no carro e trace o destino para o Parque de Feiras e Exposições de Beja.

www.vinipax.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 22 de Outubro de 2010

2008 e os vintages da Fladgate

Como vem sendo habitual nesta época do ano, os vinhos do Porto começam a aparecer e os mais cobiçados têm o selo Vintage, caso tenha sido um ano fantástico e com características muito especiais.

A Fladgate não teve dúvidas de que 2008 foi um desses casos, engarrafando diferentes lotes das diversas quintas e marcas, garantindo o selo de Vintage - ano excepcional.

Um factor comum a todos os vinhos que vou descrever nas próximas linhas é que, apesar de serem uvas e quintas diferentes, todos eles receberam o mesmo tipo de tratamento: as uvas foram pisadas em lagares de granito, usando-se as técnicas de sempre, passadas de geração em geração.

A aguardente utilizada foi a mesma e a exposição meteorológica também: um pouco mais fresco que o habitual e Agosto também não escapou à regra.

Na vindima, as temperaturas mais altas, mas com as noites frescas, criaram boas condições para um bom final de maturação e, claro, para as fermentações.

A única coisa de que nos podemos queixar é que o rendimento da produção foi comparativamente menor que em 2007.

Começando pela Quinta da Roêda, a principal propriedade da Croft e, seguramente, uma das mais fantásticas propriedades do Douro, o Croft Quinta da Roêda 2008 Vintage Port apresenta-se no copo de cor púrpura escura e alguns laivos de violeta.

Notas aromáticas de eucalipto e framboesa em compota, no nariz, e a boca é gorda e volumosa, com taninos bastante sólidos para um jovem vintage.

Termina longo, persistindo a fruta de forma agradável e suave.

O Taylor Quinta da Vargelhas 2008 Vintage Port é outra supresa agradável, cor preta intensa também com laivos violeta, aromaticamente o cassis e os frutos do campo prevalecem, havendo espaço ainda para um pouco de melaço, tomilho e notas de madeiras exóticas.

A boca, ainda um pouco dura, é intensa mas ao mesmo tempo arredonda de forma inesperada, tornando os taninos subtis.

Já o Taylor Quinta de Terra Feita 2008 Vintage Port revela uma complexidade aromática extraordinária, onde as amoras, framboesas, toques vegetais e a menta saltam de forma intensa e poderosa. Este é um clássico: refinado e complexo. Os taninos densos, cheios de textura, revelam a fruta negra de forma subtil, terminando num muito longo final.

Os Fonsecas: Guimaraens e Quinta do Panascal, apesar de diferentes, são igualmente interessantes e reveladores de um bom ano de Vintage.

Ambos têm cor púrpura negra e opaca, revelando-se mais jovem o Quinta do Panascal, embora possuam narizes completamente distintos: o Guimaraens com amoras, morango, cassis, frutos do bosque, temperados pelo café e especiarias e finalizados com toques de menta; o Panascal com mais chocolate, muito chocolate e ainda com notas de cereja e ameixa, terminando ligeiramente especiado e com um pouco sabor a couro.

Ambos são intensos e persistentes na boca, terminando longos, doces e fantásticos - típico num bom Fonseca!

Mais uma vez, estamos perante um ano que vai dar-nos muitas alegrias, e seguramente que 2008 é um bom investimento para quem faz da guarda uma escolha.

Poderá encontrar estes néctares do Porto nas principais garrafeiras do país, a preços que rondam os €35.

Vá lá, beba um Porto!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Nós somos, e sempre seremos, um país de conquistadores e exploradores.

Há qualquer coisa na alma lusa que nos obriga a querer saber sempre mais e a querer ir até mais longe.

Apesar de as nossas conquistas serem cada vez mais escassas, até no hóquei em patins já não ganhamos nada desde 2003.

Mas a exploração continua, ainda que seja dentro do nosso país (pois ainda há muito para dar a conhecer).

Todos nós gostamos de explorar visualmente, mentalmente e gustativamente, e é essa a proposta que vos faço hoje: Creme de peixe e marisco com coentros (€5); Foie-gras de pato ao seu gosto... suficiente para dois! (€15); Espetada de polvo com manga e coentros servida com rosti de batata a murro (€18,5); Risotto de vieiras com cogumelos (€25,5); Costeletinhas de borrego grelhadas com arroz farsi (€19,5); Pudim abade de Priscos com sorvete de tangerina (€7).

Os sabores têm a assinatura exótica de Chakall e o restaurante chama-se Quinta dos Frades.

Este é um daqueles espaços em que tudo se explora, começando pelo misterioso bar dourado que, acompanhado pelos biombos e armários, esconde várias mesas discretas e românticas.

Depois, uma sala ampla e descontraída que revela ainda uma mezanine, paraíso dos fumadores.

Gastronomia criativa, exotismo e muito por descobrir fazem deste local uma visita obrigatória.

E porque é terça-feira, e neste dia gostamos de ajudá-lo a reduzir a despesa, aproveite o nosso voucher, bastando, para isso, levar uma cópia da edição de h(OJE) ou o recorte deste artigo e usufrua de um desconto de 10% na factura, válido até dia 31 de Outubro, excepto às sextas e sábados ao jantar.

Numa das zonas mais fantásticas de Portugal para fazer surf, onde ainda agora, no passado domingo, acabou o famoso campeonato do mundo do "World Best Male & Female Surfers", em Peniche.

Dou-lhe mais um pretexto para visitar esta vila piscatória, devanei-se mentalmente com estas iguarias gastronómicas: Creme de lagosta suada à moda de Peniche (€8); Arroz de cogumelos, espargos verdes, queijo da ilha e tomilho (€8,50); Abrotea em caldeirada de mexilhão (€13,5); Cachaço de porco preto guisado com castanhas (€12,5).

Na principal avenida de Peniche pode encontrar, atrás da fachada de madeira e de vidro, o Tempero de Mar.

É talvez o restaurante mais criativo da zona! É sempre bom comer um bom peixe ou marisco grelhado, talvez assado no Inverno, mas o chefe Ricardo Cera e a sua experiência trouxeram um tempero e uma animação gastronómica a esta zona, que bem merece.

Bons copos, mesas espaçosas, decoração moderna e um serviço simpático que colmatam numa magnifica refeição.

Mais do que uma refeição, mais do que uma viagem, é uma experiência e, mais tarde, uma recordação.

Até ao dia 31 de Outubro, não se esqueça de viajar com a sua cópia do OJE, ou recorte deste artigo, e usufrua de uma oferta extraordinária de 10% de desconto sobre a factura final do restaurante.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.


Voucher
10% na factura até dia 31 de Outubro
(excepto sexta e sábado ao jantar)
Restaurante Quinta dos Frades by Chakall
www.quintadosfrades.com
Rua Luis de Freitas Branco Nº5 D 1600-488 Lisboa
W 9º 9' 39.38'' N 38º 46' 13.15''
Tel. (+351) 217 598 980
Email: reservas@quintadosfrades.com


10% na factura até dia 31 Outubro
Tempero de Mar
Av. do Mar, 30-32 2520-205 Peniche
W 9º 22' 42.32'' N 39º 21' 22.82''
Tel. (+351) 262 185 545
Email: temperodc@gmail.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 19 de Outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Esta semana, a minha pesquisa foi muito extensa. Fui a tantos lugares, restaurantes, bares e apresentações, que certamente terei várias recomendações para muitos fins-de-semana.

Mas como não há espaço para tudo, vou seleccionar alguns que podem, certamente, ser um dos seus destinos e experiências para estes próximos dias.

Vou começar por aquele que foi mais inesperado: o Ad-Lib no Hotel Sofitel, em Lisboa. O seu mais recente chefe, Daniel Schlaipfer, assumiu, de forma segura e confiante, aquela que foi uma casa que andou perdida nos últimos tempos.

Algumas das suas criações, como o presunto pata negra com melão grelhado ou o salmão fumado, também ele com melão grelhado, são quase óbvias, mas discretamente diferentes.

As reservas podem ser feitas através do nº 213 228 350 ou no site www.restauranteadlib.pt.

E, à semelhança da semana passada, porque está a decorrer, desde ontem, o Portugal Fashion em paralelo com o Porto Restaurant Week, vou centrar as minhas sugestões na cidade invicta.

Foi ontem que começou a 3.ª Edição daquele que é um dos mais alargados e longos eventos ligados à gastronomia na cidade do Porto. São mais de trinta restaurantes que, até ao dia 27 de Outubro, vão servir menus de alta gastronomia a €20. É uma oportunidade única de visitar alguns dos restaurantes que normalmente são apelidados de inacessíveis, ou simplesmente caros, sem destruir o seu orçamento mensal.

A Cozinha do Manel e a sua cozinha tradicional, o Artemisia com a sua decoração um pouco étnica, o japonês GóShò, o mediático e fantástico Pedro Lemos, o sempre "in" Cafeína, entre outros, têm diariamente menus a €20 bastante acessíveis.

Ao optar por um destes restaurantes, não se esqueça de deixar o seu vale de 1€ e contribuir para as causas sociais sempre enquadradas nesta iniciativa, sendo, neste caso, a instituição Mulheres de Vermelho. Saiba quais os restaurantes aderentes e os seus menus no site oficial: www.porto-restaurantweek.com.

E, já que está no Porto, aproveite para ir às caves do mais famoso néctar do mundo, abertas diariamente e a servir provas para todos os gostos e preços. www.ivp.pt
Para a sua vida nocturna, não há nada como ir para a zona das galerias, onde a animação não pára e são vários os bares e espaços dançantes para escolher.

O mais conhecido e concorrido é o Twins que, nos próximos dias, irá ser o palco das grandes festas da moda.

Faça, assim, um programa diferente - vá para o Porto, durma num dos fantásticos hotéis de cinco estrelas que esta cidade oferece (Porto Palácio, Sheraton, Infante Sagres, Tiara Park, Ipanema Park, Pousada do Porto ou Yetatman), aproveite os menus do Porto Restaurant Week e termine numa das mais animadas noites de Portugal.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Le Chef: Peixe-galo

Por Alexandre Silva, Chefe executivo do restaurante Bocca

Veja a sugestão do chef...

Quem diria que este peixe já foi desconsiderado pela maioria das mesas na Europa! É curioso, no mínimo, tendo em conta que, hoje em dia, é um dos peixes de água salgada mais apreciado pelos comensais, o que faz dele um produto de grande valor gastronómico e comercial.

A sua apresentação varia entre o belo e o estranho, mas, por baixo dessa beleza, encontra-se uma carne delicada de cor branca e firme, com um sabor adocicado e baixo teor de gordura. Teor esse que poderá dificultar a sua confecção, ou seja, a linha entre o suculento e o seco é muito ténue, sendo necessário controlar a cozedura ao pormenor. A sua carne poderá ser utilizada em vários tipos de confecção, sendo que aconselho os seguintes: Escalfado, panado, salteado, e grelhado, mas nunca esquecendo o rigor na confecção.

A dieta deste nadador, pouco exímio, por sinal, é composta por pequenos peixes, crustáceos e alguns cefalópodes.

Ostenta, de cada lado, uma enorme mancha negra com forma arredondada que usa para quando se sente em perigo, colocando-se de lado para dar a sensação de que é um olho de um grande peixe.

O Peixe-Galo, a Cebola Roxa e a Raiz de Aipo
1 Peixe-galo de 2kg
3 Cebolas Roxas
1 Raiz de aipo
Azeite 0,5cl
Vinho do Porto 0,5lt
Açúcar 50gr
Flor de sal q.b.
Rebentos de Mostarda q.b.
Limão 1 unidade

Filetar o peixe-galo e dividir em 4 doses iguais, reserve.

Cortar a cebola em meias luas e cozer em lume brando com o vinho do Porto e açúcar até ficar com a textura da compota, reserve.

Cortar uma parte do aipo em chips e fritar em óleo, reserve.
Cortar a outra parte do aipo em fatias finas e bringi-los em água a ferver, arrefecer de imediato em água e gelo.

Ao servir, tempere o peixe com flor de sal
e sumo de limão e salteie em azeite.

Salteie o aipo em azeite, aqueça a compota
e sirva de imediato conforme a foto.


O vinho: Três Bagos
Vinho aconselhado para acompanhar o peixe-galo é o Lavradores de Feitoria Três Bagos Branco 2009 Douro DOC. Produzido das castas Viosinho, Boal e Malvasia Fina
é um vinho fresco e frutado com um ligeiro travo da madeira. Sirva de 11ºC a 12ºC e vai sentir uma acidez equilibrada que prolonga o final de forma consistente. PVP €5.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Outubro de 2010