quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Nós somos, e sempre seremos, um país de conquistadores e exploradores.

Há qualquer coisa na alma lusa que nos obriga a querer saber sempre mais e a querer ir até mais longe.

Apesar de as nossas conquistas serem cada vez mais escassas, até no hóquei em patins já não ganhamos nada desde 2003.

Mas a exploração continua, ainda que seja dentro do nosso país (pois ainda há muito para dar a conhecer).

Todos nós gostamos de explorar visualmente, mentalmente e gustativamente, e é essa a proposta que vos faço hoje: Creme de peixe e marisco com coentros (€5); Foie-gras de pato ao seu gosto... suficiente para dois! (€15); Espetada de polvo com manga e coentros servida com rosti de batata a murro (€18,5); Risotto de vieiras com cogumelos (€25,5); Costeletinhas de borrego grelhadas com arroz farsi (€19,5); Pudim abade de Priscos com sorvete de tangerina (€7).

Os sabores têm a assinatura exótica de Chakall e o restaurante chama-se Quinta dos Frades.

Este é um daqueles espaços em que tudo se explora, começando pelo misterioso bar dourado que, acompanhado pelos biombos e armários, esconde várias mesas discretas e românticas.

Depois, uma sala ampla e descontraída que revela ainda uma mezanine, paraíso dos fumadores.

Gastronomia criativa, exotismo e muito por descobrir fazem deste local uma visita obrigatória.

E porque é terça-feira, e neste dia gostamos de ajudá-lo a reduzir a despesa, aproveite o nosso voucher, bastando, para isso, levar uma cópia da edição de h(OJE) ou o recorte deste artigo e usufrua de um desconto de 10% na factura, válido até dia 31 de Outubro, excepto às sextas e sábados ao jantar.

Numa das zonas mais fantásticas de Portugal para fazer surf, onde ainda agora, no passado domingo, acabou o famoso campeonato do mundo do "World Best Male & Female Surfers", em Peniche.

Dou-lhe mais um pretexto para visitar esta vila piscatória, devanei-se mentalmente com estas iguarias gastronómicas: Creme de lagosta suada à moda de Peniche (€8); Arroz de cogumelos, espargos verdes, queijo da ilha e tomilho (€8,50); Abrotea em caldeirada de mexilhão (€13,5); Cachaço de porco preto guisado com castanhas (€12,5).

Na principal avenida de Peniche pode encontrar, atrás da fachada de madeira e de vidro, o Tempero de Mar.

É talvez o restaurante mais criativo da zona! É sempre bom comer um bom peixe ou marisco grelhado, talvez assado no Inverno, mas o chefe Ricardo Cera e a sua experiência trouxeram um tempero e uma animação gastronómica a esta zona, que bem merece.

Bons copos, mesas espaçosas, decoração moderna e um serviço simpático que colmatam numa magnifica refeição.

Mais do que uma refeição, mais do que uma viagem, é uma experiência e, mais tarde, uma recordação.

Até ao dia 31 de Outubro, não se esqueça de viajar com a sua cópia do OJE, ou recorte deste artigo, e usufrua de uma oferta extraordinária de 10% de desconto sobre a factura final do restaurante.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.


Voucher
10% na factura até dia 31 de Outubro
(excepto sexta e sábado ao jantar)
Restaurante Quinta dos Frades by Chakall
www.quintadosfrades.com
Rua Luis de Freitas Branco Nº5 D 1600-488 Lisboa
W 9º 9' 39.38'' N 38º 46' 13.15''
Tel. (+351) 217 598 980
Email: reservas@quintadosfrades.com


10% na factura até dia 31 Outubro
Tempero de Mar
Av. do Mar, 30-32 2520-205 Peniche
W 9º 22' 42.32'' N 39º 21' 22.82''
Tel. (+351) 262 185 545
Email: temperodc@gmail.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 19 de Outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Esta semana, a minha pesquisa foi muito extensa. Fui a tantos lugares, restaurantes, bares e apresentações, que certamente terei várias recomendações para muitos fins-de-semana.

Mas como não há espaço para tudo, vou seleccionar alguns que podem, certamente, ser um dos seus destinos e experiências para estes próximos dias.

Vou começar por aquele que foi mais inesperado: o Ad-Lib no Hotel Sofitel, em Lisboa. O seu mais recente chefe, Daniel Schlaipfer, assumiu, de forma segura e confiante, aquela que foi uma casa que andou perdida nos últimos tempos.

Algumas das suas criações, como o presunto pata negra com melão grelhado ou o salmão fumado, também ele com melão grelhado, são quase óbvias, mas discretamente diferentes.

As reservas podem ser feitas através do nº 213 228 350 ou no site www.restauranteadlib.pt.

E, à semelhança da semana passada, porque está a decorrer, desde ontem, o Portugal Fashion em paralelo com o Porto Restaurant Week, vou centrar as minhas sugestões na cidade invicta.

Foi ontem que começou a 3.ª Edição daquele que é um dos mais alargados e longos eventos ligados à gastronomia na cidade do Porto. São mais de trinta restaurantes que, até ao dia 27 de Outubro, vão servir menus de alta gastronomia a €20. É uma oportunidade única de visitar alguns dos restaurantes que normalmente são apelidados de inacessíveis, ou simplesmente caros, sem destruir o seu orçamento mensal.

A Cozinha do Manel e a sua cozinha tradicional, o Artemisia com a sua decoração um pouco étnica, o japonês GóShò, o mediático e fantástico Pedro Lemos, o sempre "in" Cafeína, entre outros, têm diariamente menus a €20 bastante acessíveis.

Ao optar por um destes restaurantes, não se esqueça de deixar o seu vale de 1€ e contribuir para as causas sociais sempre enquadradas nesta iniciativa, sendo, neste caso, a instituição Mulheres de Vermelho. Saiba quais os restaurantes aderentes e os seus menus no site oficial: www.porto-restaurantweek.com.

E, já que está no Porto, aproveite para ir às caves do mais famoso néctar do mundo, abertas diariamente e a servir provas para todos os gostos e preços. www.ivp.pt
Para a sua vida nocturna, não há nada como ir para a zona das galerias, onde a animação não pára e são vários os bares e espaços dançantes para escolher.

O mais conhecido e concorrido é o Twins que, nos próximos dias, irá ser o palco das grandes festas da moda.

Faça, assim, um programa diferente - vá para o Porto, durma num dos fantásticos hotéis de cinco estrelas que esta cidade oferece (Porto Palácio, Sheraton, Infante Sagres, Tiara Park, Ipanema Park, Pousada do Porto ou Yetatman), aproveite os menus do Porto Restaurant Week e termine numa das mais animadas noites de Portugal.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Le Chef: Peixe-galo

Por Alexandre Silva, Chefe executivo do restaurante Bocca

Veja a sugestão do chef...

Quem diria que este peixe já foi desconsiderado pela maioria das mesas na Europa! É curioso, no mínimo, tendo em conta que, hoje em dia, é um dos peixes de água salgada mais apreciado pelos comensais, o que faz dele um produto de grande valor gastronómico e comercial.

A sua apresentação varia entre o belo e o estranho, mas, por baixo dessa beleza, encontra-se uma carne delicada de cor branca e firme, com um sabor adocicado e baixo teor de gordura. Teor esse que poderá dificultar a sua confecção, ou seja, a linha entre o suculento e o seco é muito ténue, sendo necessário controlar a cozedura ao pormenor. A sua carne poderá ser utilizada em vários tipos de confecção, sendo que aconselho os seguintes: Escalfado, panado, salteado, e grelhado, mas nunca esquecendo o rigor na confecção.

A dieta deste nadador, pouco exímio, por sinal, é composta por pequenos peixes, crustáceos e alguns cefalópodes.

Ostenta, de cada lado, uma enorme mancha negra com forma arredondada que usa para quando se sente em perigo, colocando-se de lado para dar a sensação de que é um olho de um grande peixe.

O Peixe-Galo, a Cebola Roxa e a Raiz de Aipo
1 Peixe-galo de 2kg
3 Cebolas Roxas
1 Raiz de aipo
Azeite 0,5cl
Vinho do Porto 0,5lt
Açúcar 50gr
Flor de sal q.b.
Rebentos de Mostarda q.b.
Limão 1 unidade

Filetar o peixe-galo e dividir em 4 doses iguais, reserve.

Cortar a cebola em meias luas e cozer em lume brando com o vinho do Porto e açúcar até ficar com a textura da compota, reserve.

Cortar uma parte do aipo em chips e fritar em óleo, reserve.
Cortar a outra parte do aipo em fatias finas e bringi-los em água a ferver, arrefecer de imediato em água e gelo.

Ao servir, tempere o peixe com flor de sal
e sumo de limão e salteie em azeite.

Salteie o aipo em azeite, aqueça a compota
e sirva de imediato conforme a foto.


O vinho: Três Bagos
Vinho aconselhado para acompanhar o peixe-galo é o Lavradores de Feitoria Três Bagos Branco 2009 Douro DOC. Produzido das castas Viosinho, Boal e Malvasia Fina
é um vinho fresco e frutado com um ligeiro travo da madeira. Sirva de 11ºC a 12ºC e vai sentir uma acidez equilibrada que prolonga o final de forma consistente. PVP €5.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fortaleza dos sabores

Alguém me disse que não se deve voltar aos sítios onde já se foi feliz, pois o risco de desilusão é grande.

No meu caso, penso precisamente o oposto: evito os locais onde fui infeliz e retorno sempre à casa que mais felicidade me deu.

Neste caso, e só nas últimas semanas, fui lá quatro vezes, e não me arrependi de nenhuma visita.
Falo de uma das mais sólidas cozinhas de Portugal: a Fortaleza do Guincho.

Falar do chefe é difícil, pois, seja o consultor Antoine Westermann (3 estrelas Michelin), ou o executivo Vincent Fargés (uma estrela Michelin), ambos têm tantos galardões e menções pela sua técnica e criatividade que dispensam qualquer apresentação.

Entrando na sala de jantar, durante o dia, apaixonamo-nos pela vista sobre o oceano e a praia do guincho; à noite, as luzes artificiais iluminam uma sala romântica e com muita epopeia a revelar.
No meu imaginário ouço as pancadas de Molière, sobem-se os panos, baixam-se os olhos e apresenta-se a ementa: Os sabores do Outono.

Iniciei-me nesta graciosa tarefa degustando o Boudin Blanc de aves trufado, feijão verde e "pieds bleus".

A pequena salsicha branca ligeiramente trufada estava magnífica, suavemente aromatizada pelas trufas, o feijão verde ligeiramente al dente, e os pieds bleus soberbamente preparados sobre o seu suco, foram o golpe de misericórdia.

O espumante Rebouça Alvarinho reserva bruto de 2006 casou perfeitamente com este prato.
Seguiu-se o melhor da noite, simples mas objectivo - Peito de faisão assado, creme aveludado de castanhas - senti, literalmente, o Outono na boca.

O aveludado é suave, ligeiro e sabe verdadeiramente a castanhas, e o faisão pairava por lá como anjos pelo céu.

A moleja salteada com um refogado de cepes com presunto pata negra e foie gras de pato estava novamente num alto patamar de gastronomia.

Tudo funcionava: a torre que tinha por base pão torrado, a moleja, o foie, e no topo da torre o cepe.

Uma combinação de texturas acompanhada de uma pequena "brunoise" de legumes.

O palato rematava-se com um óleo de avelã, que lhe dava um ligeiro adocicado de frutos secos.

Passamos agora ao Quinta de Pinto viogner e arinto 2006, que foi um bom parceiro dos pratos que se seguiram.

Não é para todos, mas todos os que gostam iriam ficar de boca de lado com a iguaria que se seguiu: Fricassé de coxas de rã e girolles em lasanha e creme de cerefólio.

Não vou falar deste clássico pela combinação de sabores, pois os franceses não falham este tipo de pratos, mas o pormenor de desossar o pequeno anfíbio e deixar apenas um osso para se poder pegar com a mão e comer tudo num único remate - simplesmente delicioso.

Foram precisas duas experiências para me render ao "turbot"- o filete de pregado de linha salteado com trompettes e chanterelles ligeiramente trufados, e perceber que a qualidade dos produtos faz toda a diferença.

É importante referir que, nesta casa, há uma preocupação em fazer chegar, semanalmente ou diariamente (depende do caso), os melhores produtos. Independentemente da zona do globo, nada é impossível, o melhor é que é imprescindível.

Terminei o desfile dos quentes com aquele que menos me entusiasmou, pois estava perfeitamente clássico e não me trouxe tanta novidade - era o peito de pato selvagem, guisado de couve roxa com especiarias, "pieds de mouton" e marmelo confitado.

Nada a acrescentar, estava bom e não deixaria ninguém desiludido. De salientar o casamento perfeito com o novo tinto da família Roquette (Quinta do Crasto) - Roquette e Cazes 2006.

As sobremesas foram uma concha de merengue "Mont Blanc" com gelado de baunilha Bourbon, e um prato de frutos de Outono salteados com mel de Trás-os-Montes, strudel caramelizado e gelado de canela de Ceilão. Ambos foram acompanhados pelo Quinta da Bacalhoa moscatel roxo 1999.

É fantástico como estes chefes franceses se renderam aos produtos portugueses e "blendaram" com a cozinha francesa, é uma honra e um privilégio tê-los por cá e ao mais alto nível.

Westermann e Fargé são uma dupla imbatível e a Fortaleza do Guincho é provavelmente o melhor restaurante de cozinha francesa em Portugal!

Allez-y !

Detalhes
Restaurante da Fortaleza do Guincho
www.guinchotel.pt
Estrada do Guincho 2750-642 Cascais
W 9º 28' 34,2'' N 38º 43' 41,5''
+351 214 870 491/ restaurante@guinchotel.pt
Horário: Aberto das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h30.
Preço: €65
Tipo de Cozinha: Tradicional francesa criativa
Cartões: MB, Visa, AMEX, Maestro, Mastercard, Dinners

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

GIRO e Bom de Garfo!

Recentemente estive a gravar com a TV Record Internacional!

Se tudo correr bem, a partir de agora vou ser companhia regular aos sábados no GIRO, e o segmento vai se intitular: "Bom de Garfo".