domingo, 17 de outubro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Esta semana, a minha pesquisa foi muito extensa. Fui a tantos lugares, restaurantes, bares e apresentações, que certamente terei várias recomendações para muitos fins-de-semana.

Mas como não há espaço para tudo, vou seleccionar alguns que podem, certamente, ser um dos seus destinos e experiências para estes próximos dias.

Vou começar por aquele que foi mais inesperado: o Ad-Lib no Hotel Sofitel, em Lisboa. O seu mais recente chefe, Daniel Schlaipfer, assumiu, de forma segura e confiante, aquela que foi uma casa que andou perdida nos últimos tempos.

Algumas das suas criações, como o presunto pata negra com melão grelhado ou o salmão fumado, também ele com melão grelhado, são quase óbvias, mas discretamente diferentes.

As reservas podem ser feitas através do nº 213 228 350 ou no site www.restauranteadlib.pt.

E, à semelhança da semana passada, porque está a decorrer, desde ontem, o Portugal Fashion em paralelo com o Porto Restaurant Week, vou centrar as minhas sugestões na cidade invicta.

Foi ontem que começou a 3.ª Edição daquele que é um dos mais alargados e longos eventos ligados à gastronomia na cidade do Porto. São mais de trinta restaurantes que, até ao dia 27 de Outubro, vão servir menus de alta gastronomia a €20. É uma oportunidade única de visitar alguns dos restaurantes que normalmente são apelidados de inacessíveis, ou simplesmente caros, sem destruir o seu orçamento mensal.

A Cozinha do Manel e a sua cozinha tradicional, o Artemisia com a sua decoração um pouco étnica, o japonês GóShò, o mediático e fantástico Pedro Lemos, o sempre "in" Cafeína, entre outros, têm diariamente menus a €20 bastante acessíveis.

Ao optar por um destes restaurantes, não se esqueça de deixar o seu vale de 1€ e contribuir para as causas sociais sempre enquadradas nesta iniciativa, sendo, neste caso, a instituição Mulheres de Vermelho. Saiba quais os restaurantes aderentes e os seus menus no site oficial: www.porto-restaurantweek.com.

E, já que está no Porto, aproveite para ir às caves do mais famoso néctar do mundo, abertas diariamente e a servir provas para todos os gostos e preços. www.ivp.pt
Para a sua vida nocturna, não há nada como ir para a zona das galerias, onde a animação não pára e são vários os bares e espaços dançantes para escolher.

O mais conhecido e concorrido é o Twins que, nos próximos dias, irá ser o palco das grandes festas da moda.

Faça, assim, um programa diferente - vá para o Porto, durma num dos fantásticos hotéis de cinco estrelas que esta cidade oferece (Porto Palácio, Sheraton, Infante Sagres, Tiara Park, Ipanema Park, Pousada do Porto ou Yetatman), aproveite os menus do Porto Restaurant Week e termine numa das mais animadas noites de Portugal.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Le Chef: Peixe-galo

Por Alexandre Silva, Chefe executivo do restaurante Bocca

Veja a sugestão do chef...

Quem diria que este peixe já foi desconsiderado pela maioria das mesas na Europa! É curioso, no mínimo, tendo em conta que, hoje em dia, é um dos peixes de água salgada mais apreciado pelos comensais, o que faz dele um produto de grande valor gastronómico e comercial.

A sua apresentação varia entre o belo e o estranho, mas, por baixo dessa beleza, encontra-se uma carne delicada de cor branca e firme, com um sabor adocicado e baixo teor de gordura. Teor esse que poderá dificultar a sua confecção, ou seja, a linha entre o suculento e o seco é muito ténue, sendo necessário controlar a cozedura ao pormenor. A sua carne poderá ser utilizada em vários tipos de confecção, sendo que aconselho os seguintes: Escalfado, panado, salteado, e grelhado, mas nunca esquecendo o rigor na confecção.

A dieta deste nadador, pouco exímio, por sinal, é composta por pequenos peixes, crustáceos e alguns cefalópodes.

Ostenta, de cada lado, uma enorme mancha negra com forma arredondada que usa para quando se sente em perigo, colocando-se de lado para dar a sensação de que é um olho de um grande peixe.

O Peixe-Galo, a Cebola Roxa e a Raiz de Aipo
1 Peixe-galo de 2kg
3 Cebolas Roxas
1 Raiz de aipo
Azeite 0,5cl
Vinho do Porto 0,5lt
Açúcar 50gr
Flor de sal q.b.
Rebentos de Mostarda q.b.
Limão 1 unidade

Filetar o peixe-galo e dividir em 4 doses iguais, reserve.

Cortar a cebola em meias luas e cozer em lume brando com o vinho do Porto e açúcar até ficar com a textura da compota, reserve.

Cortar uma parte do aipo em chips e fritar em óleo, reserve.
Cortar a outra parte do aipo em fatias finas e bringi-los em água a ferver, arrefecer de imediato em água e gelo.

Ao servir, tempere o peixe com flor de sal
e sumo de limão e salteie em azeite.

Salteie o aipo em azeite, aqueça a compota
e sirva de imediato conforme a foto.


O vinho: Três Bagos
Vinho aconselhado para acompanhar o peixe-galo é o Lavradores de Feitoria Três Bagos Branco 2009 Douro DOC. Produzido das castas Viosinho, Boal e Malvasia Fina
é um vinho fresco e frutado com um ligeiro travo da madeira. Sirva de 11ºC a 12ºC e vai sentir uma acidez equilibrada que prolonga o final de forma consistente. PVP €5.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fortaleza dos sabores

Alguém me disse que não se deve voltar aos sítios onde já se foi feliz, pois o risco de desilusão é grande.

No meu caso, penso precisamente o oposto: evito os locais onde fui infeliz e retorno sempre à casa que mais felicidade me deu.

Neste caso, e só nas últimas semanas, fui lá quatro vezes, e não me arrependi de nenhuma visita.
Falo de uma das mais sólidas cozinhas de Portugal: a Fortaleza do Guincho.

Falar do chefe é difícil, pois, seja o consultor Antoine Westermann (3 estrelas Michelin), ou o executivo Vincent Fargés (uma estrela Michelin), ambos têm tantos galardões e menções pela sua técnica e criatividade que dispensam qualquer apresentação.

Entrando na sala de jantar, durante o dia, apaixonamo-nos pela vista sobre o oceano e a praia do guincho; à noite, as luzes artificiais iluminam uma sala romântica e com muita epopeia a revelar.
No meu imaginário ouço as pancadas de Molière, sobem-se os panos, baixam-se os olhos e apresenta-se a ementa: Os sabores do Outono.

Iniciei-me nesta graciosa tarefa degustando o Boudin Blanc de aves trufado, feijão verde e "pieds bleus".

A pequena salsicha branca ligeiramente trufada estava magnífica, suavemente aromatizada pelas trufas, o feijão verde ligeiramente al dente, e os pieds bleus soberbamente preparados sobre o seu suco, foram o golpe de misericórdia.

O espumante Rebouça Alvarinho reserva bruto de 2006 casou perfeitamente com este prato.
Seguiu-se o melhor da noite, simples mas objectivo - Peito de faisão assado, creme aveludado de castanhas - senti, literalmente, o Outono na boca.

O aveludado é suave, ligeiro e sabe verdadeiramente a castanhas, e o faisão pairava por lá como anjos pelo céu.

A moleja salteada com um refogado de cepes com presunto pata negra e foie gras de pato estava novamente num alto patamar de gastronomia.

Tudo funcionava: a torre que tinha por base pão torrado, a moleja, o foie, e no topo da torre o cepe.

Uma combinação de texturas acompanhada de uma pequena "brunoise" de legumes.

O palato rematava-se com um óleo de avelã, que lhe dava um ligeiro adocicado de frutos secos.

Passamos agora ao Quinta de Pinto viogner e arinto 2006, que foi um bom parceiro dos pratos que se seguiram.

Não é para todos, mas todos os que gostam iriam ficar de boca de lado com a iguaria que se seguiu: Fricassé de coxas de rã e girolles em lasanha e creme de cerefólio.

Não vou falar deste clássico pela combinação de sabores, pois os franceses não falham este tipo de pratos, mas o pormenor de desossar o pequeno anfíbio e deixar apenas um osso para se poder pegar com a mão e comer tudo num único remate - simplesmente delicioso.

Foram precisas duas experiências para me render ao "turbot"- o filete de pregado de linha salteado com trompettes e chanterelles ligeiramente trufados, e perceber que a qualidade dos produtos faz toda a diferença.

É importante referir que, nesta casa, há uma preocupação em fazer chegar, semanalmente ou diariamente (depende do caso), os melhores produtos. Independentemente da zona do globo, nada é impossível, o melhor é que é imprescindível.

Terminei o desfile dos quentes com aquele que menos me entusiasmou, pois estava perfeitamente clássico e não me trouxe tanta novidade - era o peito de pato selvagem, guisado de couve roxa com especiarias, "pieds de mouton" e marmelo confitado.

Nada a acrescentar, estava bom e não deixaria ninguém desiludido. De salientar o casamento perfeito com o novo tinto da família Roquette (Quinta do Crasto) - Roquette e Cazes 2006.

As sobremesas foram uma concha de merengue "Mont Blanc" com gelado de baunilha Bourbon, e um prato de frutos de Outono salteados com mel de Trás-os-Montes, strudel caramelizado e gelado de canela de Ceilão. Ambos foram acompanhados pelo Quinta da Bacalhoa moscatel roxo 1999.

É fantástico como estes chefes franceses se renderam aos produtos portugueses e "blendaram" com a cozinha francesa, é uma honra e um privilégio tê-los por cá e ao mais alto nível.

Westermann e Fargé são uma dupla imbatível e a Fortaleza do Guincho é provavelmente o melhor restaurante de cozinha francesa em Portugal!

Allez-y !

Detalhes
Restaurante da Fortaleza do Guincho
www.guinchotel.pt
Estrada do Guincho 2750-642 Cascais
W 9º 28' 34,2'' N 38º 43' 41,5''
+351 214 870 491/ restaurante@guinchotel.pt
Horário: Aberto das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h30.
Preço: €65
Tipo de Cozinha: Tradicional francesa criativa
Cartões: MB, Visa, AMEX, Maestro, Mastercard, Dinners

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

GIRO e Bom de Garfo!

Recentemente estive a gravar com a TV Record Internacional!

Se tudo correr bem, a partir de agora vou ser companhia regular aos sábados no GIRO, e o segmento vai se intitular: "Bom de Garfo".

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Branding aquático

O universo das águas...

Há uns anos, o acto de comprar uma garrafa ou garrafão de água estava associado a poucas acções e todas elas bem presentes na minha mente: a primeira, e mais comum, passava-se quando ia a um restaurante, pois era quase uma vergonha pedir um copo de água da torneira; a segundo, e também recorrente, era porque estava no Algarve e a água da torneira era "off limits"; terceira, e felizmente já não se pensa quase nela, era porque não havia água a sair das torneiras - ou um cano rebentava, ou não havia pressão, ou por uma outra razão provavelmente impensável nos dias de hoje.

Ganhei uns anos e uns quilos, e a vida e as vontades já não são as mesmas. Agora, a água já tem vários apelidos: suave, leve, delicada, gulosa, untuosa, DOP, da nascente, esquisit, gourmet e sei lá mais quantos.
Chegar a um local e pedir uma água e distinguirem apenas por fresca ou natural, ou com ou sem gás é cada vez mais um luxo.

Assim, e pesquisando o que o mercado actual tem para nos oferecer, fiquei maravilhado com o leque vastíssimo da oferta, não só pelo conteúdo líquido, como pela dedicação e empenho que se dá ao design das garrafas.

Em mais de 70% das garrafas deste segmento, o material usado é o vidro, outras quantas são em polímeros (vulgo plástico) e um número muito reduzido é de porcelana, metal e até cristal.

Os designs são tão distintos e personalizados que basta olharmos para a forma de uma garrafa que facilmente identificamos a marca.

Os casos mais conhecidos são os da Bling - esbeltas, altas e cravejadas de "diamantes" (cristais Swarovski), a Finé, desenhada pelo Karim Rashid, é outra que está longe de parecer uma garrafa de água, mas é facilmente reconhecida.

Curioso não?

A mais mediática e falada é a norueguesa VOSS e a sua garrafa cilíndrica é, nos testes de reconhecimento, aquela que recebe mais pontos.

Em Portugal, a febre das águas premium não passou ao lado e todas as unidades hoteleiras tentam destacar-se utilizando estas "garrafas design" como peça chave. Seja na decoração nos quartos ou como forma de criar status, simplesmente com uma água.

Ora vejamos. Os Hotéis Altis Castilho, em Lisboa, e o Porto Palácio, no Porto, têm sempre a Blue Kelt, água retirada de uma nascente em Yorkshire Wolds, a 1000 metros da superfície. Muito elegante e suave.

Os Hotéis Real Vila Itália, em Cascais, e Troia Resort apostaram mais na Solan de cabras (vidro nos quartos e restaurante, plástico no Spa e piscina). Esta, mais conhecida por causa do Real Madrid, é talvez a água com o maior crescimento em Portugal.

O luxuoso Vila Joya, no Algarve, onde integra o único restaurante com duas estrelas Michelin, optou pelas águas inglesas da Elsenham.

Além de uma água, é também uma verdadeira peça de design, tendo mesmo sido galardoada com a "Bottled Water World Design Award 2005".

O grupo hoteleiro Lágrimas preferiu as discretas Hildon, umas águas inglesas com baixa concentração de sódio e riquíssimas em cálcio. Boa para juntar a um whisky ou para acompanhar pratos de carne vermelha ou caça.

Em Évora, o Hotel M'ar de Ar apontou as suas baterias para a curiosa OGO.

Além de uma estética invulgar a lembrar uma bolha de oxigénio, leva 35 vezes mais oxigénio que as outras. Segundo estudos efectuados, o consumo desta água incrementa o nível de oxigenação do sangue logo após 15 minutos da ingestão.

Os restaurante também se renderam a esta nova tendência e já são vários os que criaram cartas apenas de águas.

Nomeadamente o Panorama do Hotel Sheraton e o Largo no Chiado, que tem como água de selecção a holandesa Sourcy.

O Tavares de José Avillez tem uma carta com várias opções, desde a exótica 420 Volcanic Water, proveniente dos antípodas na Nova Zelândia até à fantástica e única Pedras Salgadas.

O outro recém galardoado estrela Michelin, The Ocean, integrado no luxuoso Vila Vita, no Algarve, também tem várias opções, destacando-se a Blue Keld.

Encontrá-las fora destes locais também já foi mais difícil, havendo vários estabelecimentos onde podemos adquiri-las: Supermercados VIP em Cascais (214 821 911), na DeliDelux em Lisboa (218 862 070), GLS gourmet em Vila do Conde (252 099 145), Supermercados Apolónia no Algarve (289 351 440), www.saboresgourmet.pt via net, e nas lojas gourmet do grupo Auchan e do grupo Sonae.

A Fillico é talvez a mais cara, mas, mesmo assim, é a que mais rapidamente esgota nos supermercados e não são os €300 que impedem as pessoas de as comprarem.

Os dados de Outubro apontam para um crescimento de vendas na ordem dos 40% em relação ao ano homólogo.

Agora fica a questão, águas premium serão um luxo ou uma questão de gosto?

Águas são todas, agora depende do palato, do sentido estético e principalmente da carteira.
PVP: Fillico €300; Bling €30 a €2500; Finé 6€; Elsenham €10; 1 Litre €6; OGO €2,5; 420 Volcanic Water €5; Blue Keld €3; Voss €5,5; Hildon €2.