segunda-feira, 19 de julho de 2010

O meu menu: Pelos caminhos de Portugal

O Meu Menu: Restaurante Faz Figura
Por Vicente Themudo de Castro


Nas últimas semanas tenho me preocupado em encontrar esplanadas, seja à beira-mar ou beira-rio, qualquer uma serve desde que corresponda aos meus exigentes requisitos.

E nessa longa pesquisa encontrei um local que jamais poderia acreditar no potencial, até ter entrado. E não falo apenas nas suas qualidades de confecção, como também de localização.

Mas como não posso deixar que a paparoca deixe de ser a introdução inicial, aqui vai a minha sugestão:Camarão salteado com aromas de Verão - com gengibre fresco, limão e tomate (€9); trouxa de queijo de Serpa com azeitonas - com compota de pimentos (€9); risotto vegetariano - com legumes bebé ao pesto genovês (€15); polvo em crosta de milho - com vegetais salteados, vinagrete de cebola roxa, tomate e poejo frescos (€20); perdiz estufada ao Madeira - com arroz de frutos secos (€22); mousses de chocolate branco e negro - com pão de café e aguardente velha (€6).

Estou sentado na agradável esplanada do restaurante Faz Figura, junto à estação de Santa Apolónia.

A cozinha bem confeccionada, cheia de tradições e influências de diversas cozinhas regionais portuguesas, é uma agradável surpresa ao palato e nariz.

Desde que foi renovado em 2007, transformou o espaço num miradouro sobre Lisboa, onde o rio, os barcos e os edifícios escondem histórias e segredos que vão para além das nossas fantasias.

É um espaço que consegue acolher todo o tipo de pessoas, ambientes e vontades.



Uma sala privada para aqueles que precisam de um ambiente mais restrito, a sala principal para um jantar entre amigos, a sala miradouro, onde a mesa redonda usa o Tejo como cenário e a esplanada que nos dias mais amenos é a mais concorrida.

A boa comida, aliada à excelência do serviço, e à diversidade de ambientes, resulta num restaurante moderno de ambiente sofisticado.

E para quem pensa que ir para aquelas zonas é uma dor de cabeça para estacionar, use e abuse do serviço de vallet parking, e usufrua de uma refeição calma e deliciosa.


E porque eu, na voz do OJE, gostei muito deste espaço dedicado aos sabores e bom espírito, aqui vai a minha recomendação para uma visita deliciosa, aliada a um requintadíssimo desconto de 10%. A partir de hoje e até ao dia 31 de Julho leve a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e usufrua de um desconto numa refeição extraordinária.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Voucher
10% sobre a factura total até 31 de Julho
Restaurante Faz Figura
Rua do Paraíso, 15B, 1100-395 Lisboa
W 9º 7' 26,2'' N 38º 42' 51,1''
Tel. (+351) 218 868 991
Email: fazfigura@netcabo.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Julho de 2010

Sushi na Praia do PegoGourmet

O grupo lágrimas e o seu CEO Miguel Júdice não conhecem a palavra estar parado, e além de andarem desfamilarizados com a palavra, reconhecem bem o conceito de agradar o cliente com as exigências do mercado.

Assim, e para manterem-se dentro dos princípios que defendem, desafiaram o Chef Braz Brandão para integrar ao já excelente serviço de confecção do restaurante Praia do Peixe um novo conceito: Sushi.

O chefe apaixonado da cozinha japonesa, começou a fazer sushi em Portugal há mais de dez anos, sendo já um dos grandes especialistas neste tipo de cozinha a trabalhar no nosso país.

Entre os dez melhores do mundo no conceito Panasiático e premiado como Chef Revelação de Cozinha pela Associação da Restauração de Portugal, o Chef Braz Brandão é um dos responsáveis do Clube do Sushi.

Assim a partir do dia 16 de Julho, o restaurante Praia do Peixe oferece novas iguarias japonesas pela mão do Chef Braz Brandão. Aquele que já é conhecido por um dos locais onde o peixe e o marisco nunca deixaram um cliente desanimado pode contar com as surpreendentes sugestões de Sushi de Fusão.

O "Sushi na Praia do Peixe", vai estar disponível de terça-feira a domingo, e a par da outra cozinha, irá usar apenas os peixes mais frescos, que tanta fama e prestígio dão a este espaço à beira-mar. Para além dos combinados tradicionais, sushi e sashimis o Chef Braz Brandão, trará novidades e surpresas, que farão as delícias de todos os visitantes da Praia do Pego.

O bar da Praia do Pego passará também a oferecer uma temakaria com uma variedade de temakis e packs de sushi e sashimi para levar para a praia ou para casa, em serviço de take-away. Mas para provar e degustar, e comprovar a minha teoria terá que ir ao restaurante Praia do Peixe e deixar deliciar-se pelas iguarias do chefe.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 9 de Julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Maritávora, Quinta de Fidalgos e Poetas

Crítica do OJE:
Maritávora, Quinta de Fidalgos e Poetas

Por Vicente Themudo de Castro e João Barbosa


Não se chega a Freixo de Espada-à-Cinta facilmente.
Isto para quem vai do Porto ou de Lisboa.

Manuel Gomes Mota, proprietário da Quinta de Maritávora, diz mesmo que ninguém vai lá por engano, pois a vila não fica a caminho de nada, totalmente desviada das rotas principais. Aquela vila, que uns dizem ser transmontana e outros alto duriense (será um pouco das duas), é uma terra simpática.

Monumentos, há alguns e, pasme-se, manuelinos, tão típicos das cidades e vilas do litoral.

Outra das atracções é a torre da igreja maior, com sete lados.

Pouco mais haverá para ver. Já nos seus arredores há uma paisagem de montanha, de curvas e recantos, que vale a pena espreitar. Mas o que leva hoje a falar de Freixo é a Quinta de Maritávora, produtora de vinhos de calibre maior, que têm dado prestígio à localidade.
A quinta terá pertencido a uma senhora da família Távora, de nome Maria e apelido Lencastre.

Bolandas várias, desconhecidas por enquanto, a propriedade acabou por ser comprada, no século XIX pelo pai do poeta Abílio Guerra Junqueiro.

Desde então que está na mesma família. Manuel Gomes Mota é sobrinho bisneto do autor de "A velhice do padre eterno".

A família é importante na terra e possui diversas quintas. Divisões feitas, calhou a Manuel Gomes Mota a de Maritávora, onde começou a "brincadeira" de fazer vinho.

A produção acabou por ser demasiado para ser só brincadeira e da divisão com os amigos, cedo avançou para uma empresa. Hoje, a Maritávora produz dois reservas e duas colheitas (em ambos os casos branco e tinto).

Recente, muito recente, a produção de Vinho do Porto, em parceria com a Cristiano Van Zeller. O negócio passa-se assim: a quinta entrega vinho para os lotes e recebe vinho já pronto para comercializar a sua marca.

Para já, o Vinho do Porto da Maritávora é só para exportação.
Os nomes maiores são os reservas!

Porém, o Reserva Branco tem um mediatismo maior, colhendo maiores aplausos da crítica. Este vinho provém todo duma vinha centenária, onde muitas castas durienses se misturam, não se sabendo, ao certo, quantas lá estão nem todas as que por lá há.

É um talão pequeno, que gera entre as 2.000 e as 3.000 garrafas ano, e podem ser adquiridas nas principais garrafeiras a partir de 28€. Uvas doutros talhões ali não entram.

O que aquela terra dá é o que fica.

Provado o Maritávora Reserva Branco de 2009 nota-se o estilo da quinta e do seu enólogo, Jorge Serôdio Borges, nome sonante da enologia do Douro.

É um vinho mineral, que espelha bem as características do solo xisto abundante, cerrado e agreste.

No nariz e na boca vem muita frescura, boa acidez. No nariz é cítrico. Na boca é prazenteiro, com longo final.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 7 de Julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

O Meu Menu:
Restaurantes Vela Latina e Castas e Pratos

Por Vicente Themudo de Castro

Esplanadas fluviais, numa cidade como Lisboa são espaços que proliferam e normalmente são muito agradáveis.

O mais interessante é que pode estar à beira rio, ou no topo de um prédio de 20 andares no Saldanha, pois as famosas colinas de Olisipo mantêm alguns locais privilegiados com uma vista de tal forma desafogada que o rio parece estar sempre ao nosso lado.

Mas eu desci vários andares, aproximei-me do Tejo e Mar e mesmo no meio destes aromas descobri este menu: Raviolis de lagostins (€10); terrina de foie-gras do chefe (€17); bacalhau com migas de pão de milho (€20); mousse de chocolate valrhona (€5).

Na entrada de Lisboa, em Belém, estou sentado na esplanada do restaurante Vela Latina.
Um espaço clássico que não desilude os seus clientes, já que quem lá chega sabe ao que vai e nunca cai no engano.

Um átrio desafogado, um bar confortável, uma sala de janta espaçosa e uma esplanada cheia de vegetação e aromas da natureza. Preciso dizer mais?

Seja um almoço de negócios, um copo para fechar um contrato, um jantar para pedido de casamento, ou talvez um encontro de amigos, para o dia e para a noite, Belém tem a Vela Latina.

E porque HOJE é o dia de eu ser mão largas, até ao fim de Julho, leve o recorte deste artigo ou a sua cópia da edição do Oje (se chegar cedo pode tirar uma das que está em cima do balcão do bar), e usufrua de um belo desconto de 10%.

Das águas da capital, passo para os comboios, e sem nunca passar por uma carruagem encontrei um menu num local em que o vagão-restaurante pernoitou por diversas vezes.

De hotel de comboios passou para restaurante e encontrei estes petiscos: Sopa de tomate fria com anchovas e alcaparras (€4,6); sardinha marinada em tosta de broa azeiteira com juliana de pimentos (€6,2); Lombo de bacalhau em cama de grão-de-bico e couve portuguesa (€18,8); Azedo de Mirandela ao molho de tomate, pinhões e pasta de uva (€17,2); Semi-frio de vinho do Porto e gelado artesanal de chocolate negro (€5,6).

Criativo, mas sem nunca esquecer os sabores durienses, chama-se Castas e Pratos e apetrecha-se pelos melhores vinhos do país.

Já recebeu o "Best of Wine Tourism" em 2009, diploma de ouro da "Gastronomia com vinho do Porto", e a melhor carta de vinhos regional ficando mesmo em 1º lugar.

Junte-lhe os vinhos ao bom gosto e qualidade da confecção gastronómica, mais uns pozinhos da decoração e charme do local e tem um restaurante fantástico à sua disposição.

E porque eu na voz do OJE gostei muito deste espaço dedicado aos sabores e bom espírito, aqui vai a nossa recomendação para uma visita obrigatória, aliada a um fresquíssimo desconto de 10%.
A partir de hoje e até ao dia 31 de Julho leve a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e usufrua de um desconto numa refeição extraordinária.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.


Voucher
10% sobre a factura
Restaurante Vela Latina
www.velalatina.pt
Vela Latina Doca do Bom Sucesso, 1400-038 Lisboa - W 9º 12' 47'' N 48º 41' 34''
Tel. (+351) 213 017 518 - Email: reservas@velalatina.pt

10% sobre a factura
Restaurante Castas e Pratos
www.castasepratos.com
Rua José Vasques Osório, 5050-280 Peso da Régua - W 7º 47' 0'' N 41º 9' 29''
Tel. (+351) 254 323 290 - Email: info@castasepratos.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 5 de Julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?
Por Vicente Themudo de Castro
Fotografias cedidas pela Cooking.Lab
(Fotografa Rita Silva)

Muito se fala na cozinha molecular, da sua espectacularidade, dos malefícios que faz à saúde, mas no fundo muito se especula e pouco se sabe.

O problema é que a falta de conhecimento começa nos chefes, reflecte-se nos jornalistas, e acaba por chegar com várias imagens e interpretações ao público final.

Quanto a mim, já ouvi tantas histórias diferentes que decidi averiguar de forma intensa e profunda. Primeiro ponto, e que deve ser a reflexão deste texto: a cozinha molecular é o uso de novas e mais modernas técnicas, possibilitando um diferente manuseamento dos alimentos.

Depois temos a gastronomia molecular: ciência que estuda os processos e as mutações que ocorrem quando se cozinha, bem como novas técnicas científicas para melhorar essas condições.

Outro facto interessante é que a cozinha molecular já existe há vários anos, mas é nos anos 90, pela mão de Heston Blumenthal e Ferran Adrià, que ganha o seu maior protagonismo, principalmente com as criações "Avant Garde", naquela altura.

O azoto líquido, muito popular neste tipo de cozinha pela sua espectacularidade, e fortemente criticado pelo seu efeito nocivo à saúde, não é nada mais do que 78% de um elemento gasoso que todos nós conhecemos bem: o ar.

Isso mesmo, o ar que todos nós respiramos!

Este é utilizado no seu estado líquido a -198ºC, e faz uns gelados sobre um efeito de fumo que faz lembrar os vídeo clips dos anos 80, cheios de fumo e mistério.

Técnica moderna? Não me parece. No séc. XIX, Agnes Marshall já a utilizava e explicava nos seus livros de culinária. Quem mais os usa?

Toda a indústria alimentar, para congelar os alimentos de forma mais célere, e assim preservar melhor as suas características, diminuir a perda de água e, principalmente, para garantir a qualidade da congelação.

Mais complexo de executar, mas também fácil de explicar, são os destilados: uma água a saber a chocolate não é algo que as pessoas compreendam, mas se já beberam aguardentes ou whisky, não estranham.

O processo não é nada mais que um líquido aromatizado em malte, frutos, e outros. Aí já ninguém estranha.

De facto não é fácil fazer em casa, pois o aparelho mais habitual para este processo é um evaporador rotativo, que custa uma pipa de massa.

Poderá tentar com uma bomba de vácuo e material de vidro de laboratório, novamente difícil, mas um pouco mais económico que o anterior.

Resumindo, a destilação é um processo no qual várias substâncias são separadas através do aquecimento.

Agora vamos falar num palavrão: os hidrocolóides. Estes sim, revolucionaram a "cozinha molecular". São a origem do espanto e deslumbre quando são apresentados nos pratos.

Gelatinas quentes, espumas, ares, café sólido, esferificações e muitos outros são os resultados.

No fundo, a palavra resume-se a água (hidro) e substâncias semelhantes a cola (coloides).

Os dois elementos combinados ligam-se criando diferentes texturas de gelatinas ou gel (conforme a aplicação e preparação).

Os mais populares são o amido, as pectinas, o agar, os alginatos e o carraginatos (extraídos de algas), e se pensa que são produtos raros de encontrar, também se engana, pois poderá encontrá-los em diversos supermercados, mas normalmente têm os seus nomes técnicos.

"Que coisa horrível!" poderá pensar agora, mas na realidade são usados num produto muito popular que certamente já entrou em sua casa - as azeitonas recheadas com pimentos. O pimento, depois de preparado e cozinhado, recebe a mistura de um coloide.

Depois é criado um longo tubo, cortado de forma uniforme e introduzido como recheio na azeitona e em muitíssimos outros alimentos basta ler os rótulos.

Frequentemente, aqueles que são considerados produtos tabu, estão dentro das nossas casas há anos e nem damos por eles. Fica a pergunta: serão assim tão perigosos como as histórias que pintam?

A ciência e os cientistas só vieram para ajudar aquelas imperfeições e parâmetros que os chefes não entendiam, sendo uma cozinha simplesmente mais tecnológica e mais curiosa.

Se quiser distinguir uma cozinha, não a rotule de molecular ou natural, regional ou moderna, dê-lhe o apelido que ela merece: BOA ou MÁ!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 5 de Julho de 2010