segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?

Cozinha Molecular, gastronomia ou ciência?
Por Vicente Themudo de Castro
Fotografias cedidas pela Cooking.Lab
(Fotografa Rita Silva)

Muito se fala na cozinha molecular, da sua espectacularidade, dos malefícios que faz à saúde, mas no fundo muito se especula e pouco se sabe.

O problema é que a falta de conhecimento começa nos chefes, reflecte-se nos jornalistas, e acaba por chegar com várias imagens e interpretações ao público final.

Quanto a mim, já ouvi tantas histórias diferentes que decidi averiguar de forma intensa e profunda. Primeiro ponto, e que deve ser a reflexão deste texto: a cozinha molecular é o uso de novas e mais modernas técnicas, possibilitando um diferente manuseamento dos alimentos.

Depois temos a gastronomia molecular: ciência que estuda os processos e as mutações que ocorrem quando se cozinha, bem como novas técnicas científicas para melhorar essas condições.

Outro facto interessante é que a cozinha molecular já existe há vários anos, mas é nos anos 90, pela mão de Heston Blumenthal e Ferran Adrià, que ganha o seu maior protagonismo, principalmente com as criações "Avant Garde", naquela altura.

O azoto líquido, muito popular neste tipo de cozinha pela sua espectacularidade, e fortemente criticado pelo seu efeito nocivo à saúde, não é nada mais do que 78% de um elemento gasoso que todos nós conhecemos bem: o ar.

Isso mesmo, o ar que todos nós respiramos!

Este é utilizado no seu estado líquido a -198ºC, e faz uns gelados sobre um efeito de fumo que faz lembrar os vídeo clips dos anos 80, cheios de fumo e mistério.

Técnica moderna? Não me parece. No séc. XIX, Agnes Marshall já a utilizava e explicava nos seus livros de culinária. Quem mais os usa?

Toda a indústria alimentar, para congelar os alimentos de forma mais célere, e assim preservar melhor as suas características, diminuir a perda de água e, principalmente, para garantir a qualidade da congelação.

Mais complexo de executar, mas também fácil de explicar, são os destilados: uma água a saber a chocolate não é algo que as pessoas compreendam, mas se já beberam aguardentes ou whisky, não estranham.

O processo não é nada mais que um líquido aromatizado em malte, frutos, e outros. Aí já ninguém estranha.

De facto não é fácil fazer em casa, pois o aparelho mais habitual para este processo é um evaporador rotativo, que custa uma pipa de massa.

Poderá tentar com uma bomba de vácuo e material de vidro de laboratório, novamente difícil, mas um pouco mais económico que o anterior.

Resumindo, a destilação é um processo no qual várias substâncias são separadas através do aquecimento.

Agora vamos falar num palavrão: os hidrocolóides. Estes sim, revolucionaram a "cozinha molecular". São a origem do espanto e deslumbre quando são apresentados nos pratos.

Gelatinas quentes, espumas, ares, café sólido, esferificações e muitos outros são os resultados.

No fundo, a palavra resume-se a água (hidro) e substâncias semelhantes a cola (coloides).

Os dois elementos combinados ligam-se criando diferentes texturas de gelatinas ou gel (conforme a aplicação e preparação).

Os mais populares são o amido, as pectinas, o agar, os alginatos e o carraginatos (extraídos de algas), e se pensa que são produtos raros de encontrar, também se engana, pois poderá encontrá-los em diversos supermercados, mas normalmente têm os seus nomes técnicos.

"Que coisa horrível!" poderá pensar agora, mas na realidade são usados num produto muito popular que certamente já entrou em sua casa - as azeitonas recheadas com pimentos. O pimento, depois de preparado e cozinhado, recebe a mistura de um coloide.

Depois é criado um longo tubo, cortado de forma uniforme e introduzido como recheio na azeitona e em muitíssimos outros alimentos basta ler os rótulos.

Frequentemente, aqueles que são considerados produtos tabu, estão dentro das nossas casas há anos e nem damos por eles. Fica a pergunta: serão assim tão perigosos como as histórias que pintam?

A ciência e os cientistas só vieram para ajudar aquelas imperfeições e parâmetros que os chefes não entendiam, sendo uma cozinha simplesmente mais tecnológica e mais curiosa.

Se quiser distinguir uma cozinha, não a rotule de molecular ou natural, regional ou moderna, dê-lhe o apelido que ela merece: BOA ou MÁ!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 5 de Julho de 2010

Transformar a casa em restaurante

Transformar a casa em restaurante
Por Por Vicente Themudo de Castro

É cada vez mais uma tendência do mercado e das exigências dos portugueses, servir uma refeição em casa.

Deixou de ser apenas um conceito de ir às compras, chegar cedo, investir horas na cozinha, receber os convivas, mas sempre preocupado com o forno, e depois ficam pilhas de pratos e horas de limpeza pela frente.

É giro, todos nós gostamos de receber, mas é extremamente cansativo e extenuante.

Um dia procurei opções para tornar esse dia de festa mais ligeiro e falei com um chefe altamente recomendado, chamado José Serrano. O conceito era simples. Primeiro ele vem a casa fazer um reconhecimento do local, ver as cozinhas, o serviço de pratos, talheres, copos e outros. Depois, faz a sua avaliação e apresenta os menus. Com estes, além de deliciosos pratos, vêm as opções para uma apresentação mais cuidada e, se for o caso, ainda pode incluir talheres e copos.
De repente, e depois de ver os alimentos necessários para o menu, volta o stress.

Mas rapidamente somos acalmados, quando o chefe nos explica: "Faço as compras, cozinho, emprato, coordeno o serviço à mesa e depois trato da limpeza. E, em casos especiais poderei ajudar na decoração com a consultadoria de um decorador!"

Maravilha, depois desta frase nunca mais poderei pensar em dar um jantar sem pensar no trabalho que vou ter!

E, mais importante, vou poder estar à mesa a socializar com os meus convidados. Não é esse o ponto mais importante destes eventos?

A empresa de José Serrano chama-se The Personal Chef e, no seu site www.thepersonalchef.pt, explica tudo o que pode fazer.

Paulo Corte-Real cozinha na sua casa - é o lema deste chefe que diariamente é requisitado para servir caterings personalizados por todo o país.

Desde o mais romântico jantar para namorados, até uma festa personalizada para 20 pessoas, tudo é possível, dependendo apenas dos valores que se pretende gastar.

Há de 27€, 32€ e 37€ em tabela e por pessoa e ainda inclui a compra, preparação e limpeza!

Nunca utilizei o serviço deste chefe, mas várias pessoas já me privaram rasgados elogios. Poderá ser contactado através do site www.paulocortereal.com, ou pelo telefone 919 208 702.

Apenas há três anos em Portugal, o chefe Victor Felisberto chegou da Catalunha, em Espanha, onde regularmente visitava a casa dos melhores clientes dos restaurantes que chefiava no Grupo Travi, para preparar repastos de sonho.

Em Portugal, a procura não é a mesma, mas está sempre disponível para quem quiser alta gastronomia francesa em casa.

Já trabalhou com chefes como Marck Verat, Bernard Loiseau, e agora está disponível para fazer o seu jantar através do número 912 657 240.

Já no Porto, a empresa mais conhecida é a ConfortChef, um grupo de cozinheiros que se juntou para criar experiências únicas e desafiantes a todos os seus clientes: desde cozinhar em casa, a lições de cozinha (na preparação dessas mesmas refeições), consultadoria gastronómica - ajudando a preparar o melhor menu possível e adequado à ocasião.

Assim os chefes Gonçalo Costa e Rodrigo Garrett, entram pela sua casa e tornam os aromas mais interessantes e apelativos. Basta verificar no site www.confortchef.com, ou através do número 937 367 064.

Depois de ler isto tudo, cozinhar em casa é só para quem tempo e esse tempo só mesmo os chefes é que têm.

Torne o seu jantar com amigos numa experiência gastronómica de alto nível!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Julho de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

O Meu Menu: Restaurantes Yakuza by Olivier e Monte Mar
Por Vicente Themudo de Castro

A semana passada recomendei um menu de um restaurante do qual tinha feito a crítica recente, e claro que tinha gostado bastante.

Esta semana vou repetir a dose, pois acho que nem todas as pessoas têm a carteira preparada para algumas das minhas selecções.

Mas veja este repasto japonês: Três entradas do dia (surpresa da cozinha), um combinado de sushi e sashimi (entre 12 e 14 peças), uma dose de Gunka Olivier (bife de Kobe, foie gras e cebola caramelizada) e ainda um combinado de bacalhau preto marinado em miso e teriyaki ou uma gamba gigante salteada e flamejada em sake - menu Omakasse (€35).

Mais uma receita de sucesso do Olivier, e desta vez chama-se Yakuza.

A decoração, como não poderia deixar de ser, é da Sofia Costa, que transformou no que é habitualmente uma tendência de pretos e encarnados, e cores vivas e alegres. Cadeiras cómodas, muita luz e muito glamour são os restantes ingredientes que compõem o decor.

Olivier junta-se a Alexandre Maia Carvalho para transformar uma casa de quentes
em frios, mas com um ambiente muito caloroso.

E porque a fama não engana, Olivier cria espaços bonitos e caros, mas o OJE, até ao dia 15 de Julho, criou uma pequena parceria, oferecendo 20% de desconto nos menus de degustação, e para isso basta levar a sua cópia da edição de hOJE ou o recorte deste artigo, e usufrua de um belo desconto.

O calor veio para ficar e finalmente parece que com ele veio o sol e a vontade de procurar as esplanadas, os vinhos mais frescos, e o aroma dos grelhados do mar.

A minha sugestão não é nada mais do que uma casa debruçada sobre o mar, onde o peixe e o marisco parece que saltaram do oceano para a bancada. Vejam lá isto: Gambas ao natural (€52/kg); lagosta ao natural (€105/kg); sapateira recheada (€52/kg); peixe do dia assado à padeiro / grelhado ou ao sal (por consulta); gelados santini.

Na estrada do Guincho, debruçado sobre o Atlântico, delicio-me no restaurante Monte Mar.

A família Pinto Coelho já mais do que nos habitou a transformar tudo o que gere em espaços de qualidade e luxo, e o Monte Mar não foge à regra.

Com um serviço exemplar, onde todas as nossas mais difíceis exigências são respeitadas, as nossas vontades gastronómicas saciadas, e a sede refrescada, nada falha e tudo é excelente.

É um local que frequento pela comida, o ambiente, a vista, o serviço, e para me sentir bem!

E porque o OJE gostou muito deste restaurante, aqui vai a nossa recomendação para uma visita obrigatória, aliada a um delicioso desconto de 10%. A partir de hoje e até ao dia 31 de Julho leve a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e usufrua de uma refeição extraordinária.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Voucher:
20% sobre os menus de degustação
Restaurante Yakuza by Olivier
Edifício Tivoli Fórum - Av.da Liberdade 180, Loja F 1250-146 Lisboa
W 9º 8' 42'' N 38º 43' 13''
Tel. (+351) 213 571 502
10% sobre a factura
Restaurante Monte Mar
www.montemar.pt
Av. Nossa Senhora do Cabo, nº 2845 2750-374 Cascais
W 9º 28' 29,11'' N 38º 42' 4,78''
Tel. (+351) 214 869 270
Email: montemar@grupoonyria.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Junho de 2010

Finalmente sexta-feira

Finalmente sexta-feira
Por Vicente Themudo de Castro

Hoje é um dia diferente, todos acordamos a pensar na mesma coisa: é o dia do jogo Portugal x Brasil!

Assim, e de uma forma diferente, vou sugerir programas de fim-de-semana que começam às 15 horas de sexta-feira. Porque será?

Quanto a mim, combinei com um grupo de amigos almoçar tardiamente e folgar à tarde. Em Lisboa, as sugestões de almoços com projecção do jogo são várias: La Trattoria - Amoreiras (213 853 043), o Zeno - Liberdade (213 153 665), Nosolo Itália - Belém (213 015 969). No Porto, pode almoçar no Porto Beer - Av. Boavista (226 086 793), na Casa da Música - Boavista (220 107 160) sem perder a bola de vista.

Mas, saindo dos after-hours e voltando aos horários normais, há um grande conjunto de novidades que devem reter a sua atenção.

Em primeiro, tenho de falar da recente abertura do restaurante Assinatura (919 198 600) do chefe Henrique Mouro, que troca o código postal de trabalho e muda-se de Vila Franca para Lisboa. Agora na rua do Vale Pereiro, 19, na esquina com a Alexandre Herculano, podemos descobrir um espaço moderno, cheio de apontamentos alusivos à capital, e o que mais me fascinou, uma mesa do chefe, literalmente ligada à cozinha. Além de uma carta com várias entradas, peixes e carnes, são os menus de degustação de 5 ou 7 pratos que vão dar uma ideia mais concreta das criações de Henrique Mouro.

Ainda na onda dos Henriques, o Sá Pessoa tem uma nova ementa e cheia de novidades e criatividade. A reserva é difícil, mas aqui fica o número para não deixar de tentar (213 963 527).

O 100 Maneiras do chefe Ljubomir Stanisic também mudou a ementa e promete emoções gastronómicas ao mais alto nível. A surpresa é o ponto forte deste chefe bósnio, que transforma os seus menus (apenas de degustação) em verdadeiras viagens gustativas. Aqui a reserva é também difícil e altamente aconselhável (210 990 475).

Olivier abre novas portas, alargando os seus horizontes ao Oriente. O restaurante Yakuza é um japonês de fusão, aposta deste mediático empresário associado ao Alexandre Maia de Carvalho. E pelo número de pessoas que lá passaram a aposta parece ser certeira, mas se lá for não se esqueça que o preço não é para todos (213 571 502).

No Porto, o Shis continua a ser uma opção para todos os gostos e algumas carteiras. Da cozinha de autor aos pratos mais tradicionais, terminando no maravilhoso sushi, tudo é bom e bonito (226 189 593).

Ainda no Porto e com o tempo que o fim-de-semana promete, o restaurante Terra, do Vasco Mourão, é com certeza outra opção.

A sua varanda, a carta de vinhos extensa e a comida exótica, casam na perfeição com os dias mais quentes (226 177 339).

As novidades não param e para a semana há mais! A restauração e animação turística em Portugal estão ao rubro!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Junho de 2010

Dos bifes ao sushi

Dos bifes ao sushi
Por Vicente Themudo de Castro

Reza a história que os portugueses não gostam de fazer as suas refeições em centros comerciais ou hotéis, mas parece que o tempo faz esquecer os preconceitos.

Agora há mais centros comerciais que habitantes, e os hotéis passaram a ser locais cool.

Entrei no Tivoli Fórum em Lisboa e desci as escadas rolantes que levam à parte inferior do centro, e onde outrora era o Babá Ratón, está o mais recente espaço do Olivier: Yakuza.

A decoração foi realizada por Sofia Costa e o espaço está completamente diferente.

Os roxos, os verdes e o preto das ardósias foram trocados, por cores limpas: branco, dourado, prateado e muito cintilante.

Passa assim de trendy para chic, e das carnes cozinhadas para o peixe cru.

A degustação é o prato forte da casa, pois há para todos os gostos e preços, ora vejamos: Menu Tomodashi (€25) 3 entradas do dia, combinado de 12 peças de sushi e sashimi e um gunka olivier; Omakasse (€35), este combina o Tomodashi com um bacalhau preto marinado em miso e teriyaki ou um camarão gigante flambeado em saké; Yakuza (€50) combina novamente o Tomodashi com um gunka yakuza (niguiri com um mini hambúrguer de Kobe, mini trufa e mini ovo de codorniz), o camarão flambeado e Ususuki de Kobe com molhos ponzu e teriyaki.

A estes valores tem de acrescentar as bebidas e sobremesas.

Nas minhas visitas apercebi-me que as matérias-primas são de boa qualidade, como o toro de atum, a carne kobe (apesar de não ser da tajima-ushi japonesa é bastante saborosa e macia), o bacalhau preto bastante agradável e bem preparado com o miso.

Infelizmente não houve tempo para os abalones, mas certamente que não próxima visita não escapam.

Não fiquei fã do camarão, pois pareceu-me ligeiramente seco, quanto às entradas, nem sempre são as mesmas mas as que provei superaram a prova.

A carta conta ainda com uma grande variedade de sushi e sashimi, peixes e carnes marinados, ceviches, tempuras, tatakis e gyosas.

Sempre que visitei o espaço estava cheio por isso aconselho a reserva, ou acontece como eu ter que voltar noutro dia.

O nome Yakusa é normalmente dado à máfia japonesa, mas não me parece ter visto lá nenhum membro, apenas um sinal quando apareceu a conta.

Não é barato mas é apetecível.

Detalhes
Restaurante Yakuza by Olivier
Edifício Tivoli Fórum - Av.da Liberdade 180, Loja F 1250-146 Lisboa
W 9º 8' 42'' N 38º 43' 13''
+351 213 571 502
Horário: Encerram ao domingo e sábado ao almoço. Aberto 12h30 às 15h e das 20h às 23h.
Preço: €30 (sem bebidas)
Tipo de Cozinha: Japonês de fusão
Cartões: MB, VISA, MASTERCARD, AMEX,