domingo, 4 de julho de 2010

Ir para fora cá dentro

Ir para fora cá dentro
Por Vicente Themudo de Castro


Subir a rua Pau da Bandeira é uma viagem aos sonhos, pois são as casas onde todos ambicionávamos viver ou ter vivido, agora transformadas em Embaixadas, Fundações, Provedorias, algumas particulares e uma que todos podemos e devemos visitar: o Olissipo Lapa Palace.

A entrada é em calçada portuguesa, com uma trança azul a entrelaçar um sol “LAPA”, e protegida por um portão metálico, que em grades finas revela a fachada de um palácio do Séc. XIX.

Depois de uma história de tristezas entre pai e filhos, o Visconde de Porto Covo decidiu vender a sua casa ao Conde de Valenças em 1877, que transformou uma bela casa num esplendoroso palácio.

Com uma vista privilegiada sobre a cidade velha e o rio Tejo, tudo foi pensando nestes dois elementos como fundo, a decoração aristocrata e linda contou ainda com as pinturas de Rafael Bordalo Pinheiro e o seu irmão Columbano.

As salas repletas de azulejos, madeiras, pinturas e pormenores de encher o olho foram preservadas, e algumas das obras foram substituídas por cópias que nada ofendem a história ou a técnica.

Assim, e depois de entregar as chaves ao porteiro que prontamente tratou das minhas malas e arrumação do veiculo, iniciei a minha viagem pelas histórias que o palácio vai revelando.

O lobby de cor dourada, chão em mármore e tectos trabalhados, é o primeiro a revelar um segredo, pois foi por aqui que muitos aristocratas e nobres pessoas passaram para dar vida ao palácio.

Fico impressionado com a simplicidade luxuosa desta primeira sala.

A frente revela uma porta de vidro, onde um biombo protege e dá privacidade ao restaurante Lapa, a esquerda tem um longo corredor que vai até ao fim da ala nova construída em 2002.

A direita divide-se entre a sala do piano, transformada em bar, e a sala dos fumadores, com uma televisão para quem não gosta de perder os jogos do mundial.

Iniciei a minha viagem para o quarto, foi-me atribuído o 550, um piso acima do lobby. Uma sala e um quarto, e uma varanda que se estendia pelos dois. A vista não poderia ser melhor, abrangendo desde um bom bocado da esquerda do castelo, ao prolongamento dos estaleiros do grande Alfredo da Silva (antigo proprietário Lisnave).

Os quarto decorado de forma sóbria, com apontamentos de época e os luxos da era actual, era mais espaçoso que os standard, mas a decoração e luxos era igual para todos.

Assim, que pude dei um passeio pelos jardins, desci ao 4ª andar, e passando pelos corredores com algumas lojas, encontrei uma porta que me dava passagem para a varanda, mesmo abaixo do meu quarto.

É fantástico o facto de, no centro de Lisboa, haver um jardim tão bonito. Ultrapassada a varanda e descidas as escadas, encontro uma sorridente pata e a sua cria, que fizeram deste paraíso a sua casa temporária. O tempo não criou vontade de dar um mergulho na longa piscina, de qualquer forma não impediu os marrecos de lá se refrescarem.

O relvado e o perímetro do palácio ainda albergam um pequeno lago em forma de riacho, cheio de tartarugas e peixes laranjas.

Ainda é cedo, vou dar um mergulho na piscina interior e fazer uma massagem no SPA.
Agora no 3º andar dou dois passos de saída do elevador e entro no local onde o físico e o espírito são tratados e acarinhados de forma agradável.

Um ginásio, 3 salas de massagens, uma dupla e outra para shiatsu. Além destas ainda tem uma para tratamentos estéticos faciais e outra que alberga o Jet Wash, equipamento que permite fazer vários tratamentos com água, incluindo o tão Cobiçado duche vichy.

Está quase a chegar a hora de jantar, e a minha mulher ficou feliz de poder usar o cabeleireiro do hotel, nem sempre está lá, mas com um telefonema e uma reserva, a cabeleireira aparece, abre a porta e faz a sua magia.

A nossa mesa estava reservada, e era mesmo ao lado do biombo, metade em sofá, metade em cadeiras - optámos por sentar na metade com mais almofadas.

O restaurante Lapa tem uma carta que se divide em quatro especialidades mediterrânicas, 6 entradas, 6 sopas e pastas, 4 peixes, 4 carnes e uma grande variedade de sobremesas. A carta de vinhos é adequada, havendo respostas e harmonizações para todos os pratos.

Do que provei e degustei, rendi-me ao gaspacho do Lapa Palace com gambas (€16), muito suave e com uma acidez bem controlada; Sopa de ervilhas da época com lavagante (€16), esta quente mas igualmente suave e o lavagante fantástico, o lombo de borrego com abóbora e aroma de café (€27), verdadeiramente fantástico, e por fim o meu preferido, o atum fresco marinado com abacate picante, crocante, salada de ervas e clementina fresca (€14).
O jovem chefe Hélder Santos com a colaboração do chefe Pimenta estão de parabéns, e penso que uma vista a este restaurante só vai beneficiar e alargar os conhecimentos gastronómicos dos comensais nacionais e internacionais.

No dia seguinte e depois de uma fantástico dia na piscina, optei não almoçar no bar de apoio à piscina, e subir as escadas, para um novo e magnifico repasto na varanda do restaurante Lapa.

Repeti o gaspacho, e comi as gambas “al allijo” (€14), que novamente eram uma ode à boa gastronomia, terminei doce com um belo tiramisú, herança certamente do anterior chefe italiano.

Deu tempo para visitar mais uns quartos, e dos 109 que compõem o hotel, além do que fiquei, mais dois ficaram para a memória: o Royal Room e a famosa Tower Room. Ambos decorados com peças de época e diferentes estilos, desde o Sec XVIII, passando pela arte Deco, e algumas raras peças dos dias de hoje.

O primeiro praticamente todo em madeira e verdadeiramente espaçoso, retrata os encantos dos tempos palacianos, com os seus altos e trabalhados tectos. O segundo, mais romântico, com acesso directo ao torreão do palácio, onde a vista se confunde com os sonhos.

Fazer férias é uma opção, mas este hotel oferece muito mais, experimente dar um presente ao seu estado de espírito e reforce as suas energias, procurando algo mesmo ao lado de casa.

Porque mesmo dentro da cidade, está muito longe do stress que rotulamos numa capital.
Eu fui, descansei e sai reforçado, e a semana até foi mais fácil.

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Contactos:
Olissippo Lapa Palace
www.olissippohotels.com
Rua Pau de Bandeira, 4, 1249 - 021 Lisboa
W 9º 9' 52'' N 38º 42' 28''
Telf. Geral: (+351) 213 949 494
E-mail Geral: www.olissippohotels.com
E-mail Reservas: reservations@lapa-palace.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 21 de Junho de 2010

O Moscatel de Favaios

O Moscatel de Favaios

Por Vicente Themudo de Castro


Moscatel que viu a sua primeira produção na década de 50 na vila de Favaios, onde outrora foi a antiga povoação romana de Flávius, é hoje reconhecido como um dos mais bebidos no nosso país. A vila de Favaios, conta com uma história muito longa e rica, mas definitivamente o seu maior marco foi em 1952 foi o nascimento da Adega Cooperativa de Favaios.


A sua produção desde dos anos 50 evolui não só na quantidade, como no formato, pois a sua imagem de marca são as mini-garrafas de favaito, popularmente bebidas frescas, e muitas vezes com uma rodela de limão.


Eu no meu caso, gosto de beber muito gelado, mais precisamente a 8º, com um pouco de sumo de limão e água tónica. No verão é verdadeiramente refrescante. Nas grandes superfícies podemos encontrar 12 garrafas de 0,06Lt por €6.50, e no caso da garrafa de 0,75Lt os preços rondam os €5.


Mas a evolução fez com que além dos mais bebidos moscatéis de Portugal, alargasem a sua produção a Portos, vinhos de mesa e quem sabe o que vem num futuro próximo.

Voltando aos moscatéis, o seu melhor e mais nobre produto, tenho que destacar dois: A colheita de 1980, engarrafada em 2007 e o Favaios de 10 anos.


O primeiro de cor dourada e límpida, é rico em laranja, mel e passas, e bastante harmonioso na boca. Um final fresco com as nozes e o mel a prevalecerem.


Este é certamente um vinho para se beber fresco e de forma individual, ou a acompanhar uma sobremesa bastante doce. Poderá encontrar esta garrafa nas principais garrafeiras a 17€.


Quanto ao moscatel de 10 anos, a conversa é diferente. Com uma cor verdadeiramente real, ouro e muito brilhante, na boca sobressaem os frutos secos, o doce e a tangerina. Termina de forma longa, elegante e com acidez pronunciada.


No caso de harmonizações, poderá acompanhar bem doces alentejanos, mas a minha recomendação é de beber fresco e de forma degustativa, sem pratos ou doces.

O preço desta garrafa situa-se normalmente nos 14€.


Favaios é mais do que uma vila, é um local onde se produz um excelente Moscatel.


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O Vistas de Monte Rei

O Vistas de Monte Rei
Por Vicente Themudo de Castro


Tenho três vícios na minha vida: gastronomia, vinhos e Golf, e foi no passado fim-de-semana que consegui saciar num único local todos os meus caprichos.

A poucos minutos a norte de Vila Nova de Cacela, fui descobrir um dos mais belos campos de golfe. Repleto de lagos, árvores, animais

selvagens e dificuldades que deliciam todos os tipos de handicap, são 18 buracos verdadeiramente fascinantes.

Foi no último dos buracos, o 18, que dei de caras com uma fantástica varanda, que servia de aperitivo a uma sala que mais tarde fui conhecer.

Assim, e sem perder muito tempo depois do desporto, iniciei a incursão gastronómica. Trocando os tacos pelos talheres, iniciei-me no primeiro shot, era um snack: Um pequeno craker com parmesão e umas sardinhas marinadas com ovas. Curiosa e engraçada esta introdução que precede o amouse bouche à base de atum.

Depois de um copo de champagne e um mimo do chefe, dou de caras com o primeiro prato.

Creme de batata trufada, ravioli de gema de ovo e rebentos de cebola - bem apresentado, a batata cozinhada de forma exímia, evidenciado a qualidade do produto.

O ravioli era uma espécie de massa com gema de ovo, que depois de uma ligeira fritura, que torna a massa crocante, não coze a gema criando um efeito colorido no seu corte.

Um prato bom, muito ao estilo espanhol e bem executado.

Seguiu-se um bacalhau laminado, biscoito de azeitona preta, rúcula e molho de salmorejo, mais uma vez cozinhado de forma exímia, onde a técnica e a paixão se fundem.

Deixo duas notas: o fantástico salmorejo, e o bacalhau duro de aspecto e tenro de consistência.

Ainda na onda do mar provou-se a dourada selvagem sobre leito de espinafres frescos, sultanas, pinhão e beterraba - gostei e estava, novamente, bem executado. As cores do “leito” conferiam um aspecto visual muito saboroso. No entanto penso que havia demasiados elementos doces, gostaria de ver um elemento destabilizador e provocante – um pouco mais salgado.

A noite ganhou outro brilho quando chegaram as molejas de borrego fritas, salteado de feijão branco e tagliateli de choco, interessante e arrojada combinação entre o borrego e as lulas, que definitivamente foi o melhor. A fritura impecável das molejas, o choco macio, e uma combinação improvável, resultam num prato magnifico.

Como passagem para a sobremesa comeu-se um refrescante de fruta preparada com granizado. Terminei com o chocolate em diferentes texturas: Sorvete, mousse, crocante, biscoito e molho: doce, amargo, crocante, mousse, estavam lá todas as texturas e sabores em perfeita harmonia – temos chefe!


Acompanhou-se toda a refeição de forma equilibrada com uma garrafa de Quinta de Cidró, sauvignon blanc de 2008 (€25), excepto as molejas que tiveram direito a um copo de tinto: Chrysea 2006.

A sala de pé altíssimo, decorada com bom gosto e sem ostentações, e claro, com vista privilegiada para o buraco 18, faz diariamente vários hole-in-one na gastronomia.

A responsabilidade deste deslumbre recai sobre o Chefe Catalão Jaime Pérez, que desde 2006 se rendeu aos encantos do Algarve e mudou-se do Ritz Carlton Arts Hotel em Barcelona, onde esteve dois anos, para chefe executivo do Vistas.

Nos seus 36 anos de vida, já passou por locais como o Talaia Mar, onde trabalhou com Ferrán Adriá, e cruzou-se com Sérgi Arola, Oriol Balaguer (pasteleiro) e Arzark que também por lá deram os seus primeiros passos.

Foi sub-chefe no Bulli Catering, novamente com Adriá. Trabalhou com Pedro Subijana no seu restaurante de 3 estrelas Michelin, o Akelarré, em San Sebastian.

Criou assim um curriculum invejável e repleto de experiências, tornando-se um dos grandes chefes da actualidade.

O Vistas é, seguramente um dos melhores restaurantes onde eu comi em Portugal. Vá lá e comprove a minha teoria.

Detalhes
Restaurante Vistas
Monte Rei & Country Club – Sesmarias 8901-907 Vila Nova de Cacela
W 7º 33' 4,31'' N 37º 12' 16,75''
www.monte-rei.com
golf@monterei.com
+351 281 950 960

Horário: Aberto todos os dias das 19h30 às 22h30
Preço: €39,5 - 2 pratos; €48,50 - 3 pratos; €60 menu degustação + €25 sup. vinhos
Tipo de Cozinha: Contemporânea de Autor
Cartões: MB, VISA, MASTERCARD, AMEX, DINNERS

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 9 de Junho de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

O meu menu - Pelos caminhos de Portugal

Por Vicente Themudo de Castro

Portugal parou, literalmente, por quatro dias, com o Corpo de Deus, e esta semana prepara-se para mais uma semana útil de 4 dias, responsabilidade do 10 de Junho. O que nunca pára é a nossa fome e a vontade de comer bem. E para que esta seja saciada, aqui vai uma sugestão: Sopa de peixe (€4,50); Supremos de robalo (da nossa Costa) grelhado (€22); Bife à Estufa Real com arroz de espargos verdes (€18); Pastel de nata (€2); Delícia de chocolate Valhrona (€7).

Com uma vista fantástica sobre o Tejo e deslumbrado com o verde do Jardim Botânico da Ajuda, estou a almoçar no Estufa Real.

A cozinha está a cargo do chefe Jean Raymond Zaragoza, que além de ter a carta residente, gosta de passear pela horta e criar semanalmente novos pratos baseados nas ervas mais frescas e apelativas.

O local não pode ser mais simpático, cheio de árvores, plantas exóticas e vários pavões que por lá habitam, criando um ambiente fantástico e natural, ideal para um almoço requintado e recatado durante a semana de trabalho, e um mais familiar e recheado com o buffet de domingo.

E porque locais como este não têm visita obrigatória estampada, deixo aqui um mimo para incentivar a sua visita. Assim, basta levar uma cópia da edição de hOJE ou o recorte deste artigo e usufrua de um desconto de 10% na factura válido até dia 30 de Junho.

Como muitos portugueses, aproveitei o fim-de-semana para ir ao Algarve e, para fugir ao trânsito que pela certa iria acumular, decidi sair mais cedo e ir até à praia do Pego no Carvalhal.

Eis a minha surpresa quando dei de caras com estes petiscos: Saladinha de ovas (€4); saladinha de grão com bacalhau (€3); saladinha de porco de coentrada (€3); camarão à Praia do Peixe (€14); amêijoas à Bulhão Pato - 2 pessoas (€18); arroz de Polvo - 2 pessoas (€26); “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo” (€6).

Sobre a praia, com a brisa marítima sempre presente, fui almoçar na esplanada do restaurante Praia do Peixe.

Aberto a horas e desoras para o almoço, podemos encontrar a grelha acesa até perto das 16h, mas os petiscos esses não descansam, pois praticamente a qualquer hora se pode comer umas amêijoas, ou outra iguaria que nos apeteça e esteja na carta.

Da praia são precisos apenas alguns passos para deixar a toalha e encontrar uma cadeira à nossa espera, e uns segundos depois a sangria fresca e apetitosa já está na mesa.

Não há nada mais apetecível que um restaurante de praia no calor do verão.

E porque o OJE gostou muito deste restaurante, anexa à recomendação um apetitoso desconto de 10%. A partir de hoje e até ao dia 31 de Julho leve a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e usufrua desta oferta extraordinária.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

VOUCHER
10% sobre a factura (excepto carta de esplanada)
Restaurante Estufa Real
www.estufareal.com

Jardim Botânico da Ajuda, Calçada do Galvão 1400 Lisboa
W 9º 10’ 7’’ N 38º 42’ 22’’

Tel. (+351) 213 619 400
Email: geral@estufareal.mail.pt

10% sobre a factura
Restaurante Praia do Peixe

www.praiadopeixe.com

Praia do Pego, 7570-783 Carvalhal
W 8º 46’ 42’’ N 38º 17’ 31’’
Tel. (+351) 913 061 256
Email:
info@lagrimashotels.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 8 de Junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quinta dos Avidagos

OJE - Lifestyle - 2010.06.02

Conta com mais de 300 anos de história, e um número muito maior de gerações que, desde o séc XVII, associa a família Nunes de Matos à agricultura e vitivinicultura na região do Baixo Douro.

A Quinta da Varanda foi adquirida em 1665, sendo mesmo uma das mais antigas da região. Em 1730, fruto de um casamento dos filhos da casa, junta-se, em dote, a Quinta do Torrão e mais tarde, já em 1940, adquirem a Quinta da Fírvida e Além Tanha.

A mais recente é a Quinta dos Avidagos que, além de ser a mais conhecida, é agora a casa da família, lagar e a imagem de marca.

Apesar de não ser um dos vinhos do Douro mais mediáticos, algumas das quintas já vêm incluídas no mapa do país vinhateiro feito pelo Barão de Forrester no séc. XIX, o que demonstra uma tradição vinhateira com muita história e longevidade.

Neste momento, têm quatro quintas dedicadas à produção de vinho, acumulando sensivelmente 70 ha, que resultam em duas marcas distintas: Além Tanha e Avidagos.

Recentemente, tive acesso a alguns dos seus vinhos e noto claramente uma evolução positiva, não só a nível qualitativo como de preços, criando uma boa relação preço/qualidade.

A sua gama de entrada a preços entre os €3 a €4, sendo eles o Quinta dos Avidagos Tinto, Branco e Rosé, são equilibrados e aveludados, podem ser bebidos a qualquer refeição, não obrigando a grandes pensamentos.

São vinhos que se bebem bem a qualquer momento.

Mas os que me encheram verdadeiramente a boca foram os reservas. Ora vejamos:

O Avidagos Reserva Tinto 2007, pontuado recentemente pela revista Wine com 17 pontos, é produzido a partir de vinhas em xisto e grande exposição solar, que infere às castas tinta roriz, tinta barroca e touriga franca e touriga nacional características únicas.

De um vermelho profundo, aromas fortes de frutos vermelhos maturados e ameixa preta, revela-se intenso e aveludado na boca, terminando num final longo.

Um vinho interessante, cheio de personalidade, ideal para pratos de carne pouco aromáticos. Podemos encontrá-lo no Continente e garrafeiras a partir dos 9,50€.

Ainda na gama Avidagos, temos o Grande Reserva 2007 tinto que, apesar do seu preço mais alto, 32€, não desilude na relação preço/qualidade.

Que o diga o júri de uma das mais importantes provas de vinhos do mundo, Concours Mondial de Bruxelles, que não hesitou em atribuir-
-lhe a medalha de ouro. Apesar de estar pronto para se beber, poderá ficar mais um tempo na garrafa a ganhar novas e melhores características.

Apresenta-se muito elegante no nariz, sobressaindo as notas vegetais e o doce da framboesa, na boca sente-se, de forma agradável, o fumado da madeira, as frutas maduras e uns taninos equilibrados, terminando forte e prolongado.

Fantástico para pratos muito intensos, como um cabrito à minhota ou umas tripas à moda do Douro.

Por último, falo um pouco do meu preferido, o Além Tanha Grande Reserva 2007. Está quase a ser apresentado ao mercado, mas penso que ainda vamos ter que esperar umas duas semanas, mas o preço rondará os 23€ e o potencial é estrondoso.

Na sua maioria produzido a partir de vinhas velhas e com um estágio de 12 meses em carvalho, tornou-se um vinho intenso no nariz, muito frutado. A boca revela equilíbrio, potenciando os frutos silvestres através de uns taninos firmes, e um final longo e apaixonante.

Bom para apreciar depois de um longo dia de trabalho ou simplesmente para degustar e apreciar.

São vinhos a degustar, apreciar e guardar mas, acima de tudo, são vinhos para se beber.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Junho de 2010