quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quinta dos Avidagos

OJE - Lifestyle - 2010.06.02

Conta com mais de 300 anos de história, e um número muito maior de gerações que, desde o séc XVII, associa a família Nunes de Matos à agricultura e vitivinicultura na região do Baixo Douro.

A Quinta da Varanda foi adquirida em 1665, sendo mesmo uma das mais antigas da região. Em 1730, fruto de um casamento dos filhos da casa, junta-se, em dote, a Quinta do Torrão e mais tarde, já em 1940, adquirem a Quinta da Fírvida e Além Tanha.

A mais recente é a Quinta dos Avidagos que, além de ser a mais conhecida, é agora a casa da família, lagar e a imagem de marca.

Apesar de não ser um dos vinhos do Douro mais mediáticos, algumas das quintas já vêm incluídas no mapa do país vinhateiro feito pelo Barão de Forrester no séc. XIX, o que demonstra uma tradição vinhateira com muita história e longevidade.

Neste momento, têm quatro quintas dedicadas à produção de vinho, acumulando sensivelmente 70 ha, que resultam em duas marcas distintas: Além Tanha e Avidagos.

Recentemente, tive acesso a alguns dos seus vinhos e noto claramente uma evolução positiva, não só a nível qualitativo como de preços, criando uma boa relação preço/qualidade.

A sua gama de entrada a preços entre os €3 a €4, sendo eles o Quinta dos Avidagos Tinto, Branco e Rosé, são equilibrados e aveludados, podem ser bebidos a qualquer refeição, não obrigando a grandes pensamentos.

São vinhos que se bebem bem a qualquer momento.

Mas os que me encheram verdadeiramente a boca foram os reservas. Ora vejamos:

O Avidagos Reserva Tinto 2007, pontuado recentemente pela revista Wine com 17 pontos, é produzido a partir de vinhas em xisto e grande exposição solar, que infere às castas tinta roriz, tinta barroca e touriga franca e touriga nacional características únicas.

De um vermelho profundo, aromas fortes de frutos vermelhos maturados e ameixa preta, revela-se intenso e aveludado na boca, terminando num final longo.

Um vinho interessante, cheio de personalidade, ideal para pratos de carne pouco aromáticos. Podemos encontrá-lo no Continente e garrafeiras a partir dos 9,50€.

Ainda na gama Avidagos, temos o Grande Reserva 2007 tinto que, apesar do seu preço mais alto, 32€, não desilude na relação preço/qualidade.

Que o diga o júri de uma das mais importantes provas de vinhos do mundo, Concours Mondial de Bruxelles, que não hesitou em atribuir-
-lhe a medalha de ouro. Apesar de estar pronto para se beber, poderá ficar mais um tempo na garrafa a ganhar novas e melhores características.

Apresenta-se muito elegante no nariz, sobressaindo as notas vegetais e o doce da framboesa, na boca sente-se, de forma agradável, o fumado da madeira, as frutas maduras e uns taninos equilibrados, terminando forte e prolongado.

Fantástico para pratos muito intensos, como um cabrito à minhota ou umas tripas à moda do Douro.

Por último, falo um pouco do meu preferido, o Além Tanha Grande Reserva 2007. Está quase a ser apresentado ao mercado, mas penso que ainda vamos ter que esperar umas duas semanas, mas o preço rondará os 23€ e o potencial é estrondoso.

Na sua maioria produzido a partir de vinhas velhas e com um estágio de 12 meses em carvalho, tornou-se um vinho intenso no nariz, muito frutado. A boca revela equilíbrio, potenciando os frutos silvestres através de uns taninos firmes, e um final longo e apaixonante.

Bom para apreciar depois de um longo dia de trabalho ou simplesmente para degustar e apreciar.

São vinhos a degustar, apreciar e guardar mas, acima de tudo, são vinhos para se beber.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Junho de 2010

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

OJE - Lifestyle - 2010.06.01

Depois de vários dias dedicados à música internacional, seja no Rock In Rio ou na apresentação do hino da selecção nacional, em que os hambúrgueres, cachorros e muitos refrigerantes foram a companhia gastronómica, é tempo de limpar o pó e pensar em repastos mais elaborados.

Ora delicie-se com esta sugestão: Salada de manga, papaia e gambas com vinagrete de lima; espetada de polvo com grelos salteados e batata em azeite extra virgem do Douro e alho confitado; tosta de queijo da Serra sobre rúcula; mousse de nozes com sorvete de tangerina - menu de degustação Chef Hélio (€50).

Mesmo no centro do Porto, estou a almoçar no restaurante Salsa e Loureiro dentro do Hotel Porto Palácio.

O espaço fala por si, ou não fosse o seu chefe o criativo e mediático Hélio Loureiro.

O chefe combina a sua técnica e experiência com a decoração sóbria e elegante do restaurante, resultando num local onde a gastronomia e o bom gosto andam de braço dado.

A garrafeira é uma verdadeira referência, sendo o primeiro contacto estabelecido com os olhos que degustam visualmente os rótulos que as vitrinas ostentam, mas não se esqueça de que é a boca que faz o juízo final.

É um local onde olhamos, bebemos e comemos e, garantidamente, saímos satisfeitos.

E porque locais como este não podem deixar de ser visitados, aqui vai mais um estímulo, basta levar uma cópia da edição de hOJE ou o recorte deste artigo para usufruir de um desconto de 10% na factura válido até dia 31 de Julho, excepto para os menus do dia.

Os últimos anos foram muito simpáticos em termos de vias rodoviárias: o que na minha infância era uma viagem de um dia, é hoje um passeio de poucas horas.

Assim, sem gastar muita gasolina e tempo, descobri esta maravilha: Tártaro de polvo em salada de folhagem diversa (€12,5); bacalhau com migas de broa, grelos e feijão-frade, puré de batata amanteigado (€22); posta barrosã com arroz malandro de tomate e couve salteada ao alho (€22); mousse de chocolate branco apimentado (€7); pudim Abade de Priscos (€7).

Com vista para a serra do Gerês e rio Cávado, estou a jantar no belíssimo restaurante Splendid do Aquafalls Spa Hotel.

É uma espécie de segredo relaxante escondido no interior nortenho de Portugal.
A sua gastronomia pode dividir-se em três vertentes: a internacional, a tradicional regional e a mais eclética, apelidada de spa cusine.

Os sabores, os aromas e a apresentação são mais do que boas razões para esta incursão, mas junte a paisagem, a cascata e o som da natureza e fica criado um ambiente único e apaixonante, que provavelmente vai recordar para sempre.

E porque o OJE acha que você deve conhecer este restaurante, até ao dia 30 de Junho leve a sua cópia do OJE ou recorte deste artigo e usufrua de uma oferta extraordinária de 10% de desconto no restaurante, 20% no alojamento e 15% no Spa.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Voucher:
10% sobre a carta do restaurante até 31 de Julho (excepto menus do dia)
Restaurante Salsa e Loureiro
Hotel Porto Palácio - Av. da Boavista, n.º 1281 4100-130 Porto
W 8º 38' 19,6'' N 41º 9' 33,9''
Tel. (+351) 226 086 600
Email: reservaspph@sonae.pt

10% no restaurante, 20% no alojamento e 15% no SPA
Restaurante Splendid
www.aquafalls.pt
Lugar de S.Miguel-Caniçada 4850-503 Vieira do Minho
W 8° 12' 22.5" 41° 38' 53.3"
Tel. (+351) 253 649 00
Email: geral@aquafalls.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 1 de Junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu quero ir Jantar à Borla - Terceira Semana

Ninguém acreditava ou fazia fé, mas vamos saltar para a terceira ronda do jogo!

Depois do sucesso da primeira e da segunda semana, era impossível parar por aqui, por isso participem e divirtam-se.

As regras podem ser consultadas aqui.

Podem a partir de agora enviar as vossas propostas para o email euqueroirjantaraborla@live.com.pt até à Meia Noite do dia 6 de Junho de 2010!

Produtor Adega Mayor com os vinhos Monte Mayor e Reserva do Comendador
  • www.adegamayor.pt
  • Estes vinhos podem ser adquiridos em: ALMANCIL | Apolónia; COIMBRA | Garrafeira Caravela; FARO | Garrafeira Rui; FÁTIMA | Minimercado Eva; FIGUEIRÓ DOS VINHOS | Garrafeira Júlio; LISBOA | Wine O’clock - El corte Inglês - Deli Delux - Garrafeira Napoleão; LAGOA | LagoaSol; LAGOS | SuperEureca; PORTALEGRE | Garrafeira D. Júlio; PORTIMÃO | Minimercado Marina de Portimão; PRAIA DA LUZ | Supermercado Batista; VILA NOVA DE GAIA | El corte Inglês; PORTO | Imenso Requinte
Rótulos a Jogo:
  • Monte Mayor Tinto 2007
  • Monte Mayor Branco 2009
  • Monte Mayor Rosé 2009
  • Reserva do Comendador Tinto 2006
  • Reserva do Comendador Branco 2007
Restaurantes:

Restaurante O Comercial no Porto do Chefe e proprietário Nuno Inverneiro
Eleven em Lisboa, Chefe Joachim Korper

La Terraza do Hotel Grande Real Villa Itália em Cascais, Chefe Paulo Pinto
  • Cozinha de Autor
  • Hotel Grande Real Villa Itália
  • Rua Frei Nicolau de Oliveira, 100 2750-319 Cascais
  • +351 210 966 000
  • realvillaitalia@hoteisreal.com
  • Orçamento 50€
  • www.hoteisreal.com
  • Facebook
  • Ementa (Ementas)

Agora fico à espera das vossas propostas!

EuSouGourmet e tu?

Mais informações através do email euqueroirjantaraborla@live.com.pt

Alguns sites que poderão servir de referencia ou ajuda na vossa pesquisa:
http://www.copod3.blogspot.com/
http://joaoamesa.blogspot.com/
http://pingasnocopo.blogspot.com/
http://pingamor.blogspot.com/
http://ruifalcao.com/
http://pumadas.blogspot.com/
http://saca-a-rolha.blogspot.com/
http://www.novacritica-vinho.com/
http://www.mariajoaodealmeida.com/index.php
http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/
http://vinhosdasemana.blogspot.com/

domingo, 30 de maio de 2010

Resultados do Eu Quero Ir Jantar à Borla (1ª Semana)

Aqui estão os resultados da primeira semana do eu quero ir jantar à borla.

A todos os participantes que não venceram, agradeço o facto de acreditarem, e peço que não desistam pois na próxima semana a sorte poderá estar do seu lado.

HARMONIZAÇÕES VENCEDORAS:

Parabéns à Rute (A Mesa), ao Rui (Bocca) e à Rute (Tomba Lobos) que ganharam um jantar duplo, que pode ser resgatado nos próximos seis meses.

A Mesa no Porto do Chefe e proprietário Luís Américo,
  • Entrada: AVELUDADO DE PORCCINI com texturas de maçã verde - Vinho: Vinha do Alqueve Rosé
  • Prato Principal: VITELA DE COMER À COLHER sobre farrapo-velho de alheira - Vinho: Quinta do Alqueve Touriga Nacional
  • Sobremesa: FONDANT DE ABÓBORA com mousse de requeijão e amêndoas tostadas - Vinho: Quinta do Alqueve Colheita Tardia
  • Orçamento 40€ - Utilizado 31€
  • www.amesa.pt
  • Facebook

Bocca em Lisboa, Chefe Alexandre Silva e proprietário Pedro Aragão Freitas
  • Entrada: 3 Ostras do Sado - Vinho: Vinha do Alqueve Rosé
  • Prato Principal: O borrego e os figos secos - Vinho: Quinta do Alqueve Tradicional Tinto
  • Sobremesa: O tomate, as framboesas e o requeijão - Vinho: Quinta do Alqueve Colheita Tardia
  • Orçamento 50€
  • www.bocca.pt
  • Facebook

Tomba Lombos em Pedra Basta, Portalegre do Chefe e proprietário José Júlio Vintém
  • Entrada: Vieiras do Montado - Vinho: Quinta do Alqueve Chardonnay Branco
  • Prato: Queixadas de Vitela Estufadas com Vinho Tinto - Vinho: Quinta do Alqueve Tradicional Tinto
  • Sobremesa: Boleima de maçã com gelado de noz - Vinho: Quinta do Alqueve Colheita Tardia
  • Orçamento 40€ - Utilizado 32,5€
  • www.tombalobos.com
  • Facebook
Obrigado ao produtor Pinhal da Torre e seu proprietário Paulo Saturninho Cunha, aos proprietários e chefes dos restaurante Bocca, A Mesa e Tomba Lobos por aderirem à iniciativa, e aos 14.000 visitantes, principalmente aos 384 que enviaram propostas de harmonização.

E não se esqueçam amanhã há mais, e participar não custa nada!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Quinta gastronómica

OJE - Lifestyle - 2010.05.26

A Madeira é um daqueles locais que facilmente reconhecemos pelas suas qualidades turísticas, e as suas condições climatéricas tropicais transformam esta ilha num cenário predominantemente verdejante e exótico: muito colorido, com as flores a criar um aroma único e apaixonante.

O vinho da Madeira é também uma imagem de marca e ninguém lhe pode negar o seu valor, e, nos últimos tempos, podemos finalmente juntar um factor que tem evoluído positivamente: o gastronómico.

Numa das minhas visitas, saí um pouco do centro urbano do Funchal, e fui encontrar um espaço fantástico a poucos metros do Lido. Estou a falar da Quinta Casa Branca, membro da cadeia "Small Luxury Hotels of the World".

Dentro deste hotel de cinco estrelas encontrei o restaurante Casa da Quinta: um edifício dividido entre dois andares, várias salas e uma esplanada virada para a piscina e jardim e circundada por várias palmeiras, flores e plantas exóticas. Um verdadeiro regalo para os olhos.

Iniciei a minha viagem no bar do andar de cima. Decorado com vários escritos madeirenses e garrafas do néctar da terra. Após um Madeira e uns frutos secos, segui para a sala de jantar: decoração discreta, boa iluminação e mesas e cadeiras confortáveis q.b.

Aberto e provado o branco 3 Bagos Sauvignon Blanc dos Lavradores de Feitoria, dei início à degustação com um amouse: camarão enrolado em massa kadafi com chutney e um shot de ananás, citrinos e maracujá.

Comecei com a sinfonia de cogumelos selvagens, creme de alho doce e manteiga de trufa, um prato interessante muito equilibrado em que a trufa estava presente sem qualquer tipo de timidez. Começamos bem.

Segue-se um cannelloni de vieira, sapateira panada com broa de milho e emulsão de ouriço-do-mar, onde o sabor do mar estava radiante e as ondas do prazer varreram a minha boca. Estou a começar a ficar interessado neste jovem chefe.

Um pequeno limpa palato com um licor de creme de framboesas e licor de cassis, que fez o seu trabalho apesar de deixar uma pequena acidez incómoda na boca.

Abriu-se agora um Quinta de La Rosa Tinto de 2008, para acompanhar o magret de pato, com risoto de cereais, caju, uva, amendoins, alho francês, rosmaninho e espuma de amêndoa amarga não foi o meu favorito - o caju e o amendoim não casaram com a espuma e os cereais.

Chamar risoto de cereais a algo que não é risoto, também não me parece muito adequado.

Talvez tivesse elementos a mais, reduzindo uma coisa aqui outra ali, ficaria certamente mais equilibrado.

Agora chegou um Bual e um Malvasia, ambos com 10 anos, para harmonizar com um merengue de frutas e um coulant de chocolate.

Missão cumprida, as sobremesas estavam boas e os vinhos estavam adequados à parceria.

Fiquei surpreendido com este jovem chefe: Miguel Laffan. Pois no seu curriculum já tem experiências como a passagem pelo Hotel Fortaleza do Guincho (1 estrela Michelin) em Cascais, Le Clos de la Violette (2 estrelas Michelin) em Aix-en-Provence, Estalagem Casa Velha do Palheiro e o Restaurante "O Molhe", ambos na Madeira.

Penso que, nos próximos anos, vou estar atento a esta jovem estrela, pois cozinha maravilhosamente e é bastante criativo.

Certamente que o restaurante Casa Branca é uma vista obrigatória na Madeira, principalmente para quem gosta de comer bem e dos prazeres da cozinha, e não se esqueça de falar com o chefe e renda-se à sua cozinha e simpatia.

Detalhes:
Restaurante Casa da Quinta
Quinta da Casa Branca - Rua da Casa Branca,7 Funchal
W 16º 55' 38'' N 32º 38' 25''
www.hotelquintadacasabranca.com
estalagem@quintacasabranca.pt
+351 291 700 770
Horário: Aberto todos os dias das 19h às 22h
Preço Médio: €55 (3 pratos e vinho)
Tipo de Cozinha: Mediterrânico e Contemporânea de Autor
Cartões: MB, VISA, MASTERCARD, AMEX, DINNERS

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 26 de Maio de 2010