terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde param as Estrelas

OJE - Lifestyle - 2010.04.19

A importância dos guias e roteiros, sejam eles de gastronomia, hotéis e viagens, é cada vez maior, certo que os há para todos os gostos, feitios e carteiras, uns mais populares que outros.

Mas há algo que caracteriza verdadeiramente um guia: ser uma máquina de sonhos. Há um que todos os anos provoca calafrios aos chefes, surpresas aos leitores, mas principalmente cria o sonho.

Estou a falar do guia Michelin e das suas estrelas.

Certo que, quando os chefes não as têm, diz-se frequentemente que não é importante, mas depois de ganharem uma, a opinião muda.

Pois, além de ser uma forma de reconhecimento internacional, é um importante factor económico.

Quando ninguém conhece a cidade e os seus restaurantes, este é o mais popular entre os bons garfos e, em Portugal, já há vários por onde escolher.

Começando de norte para sul, vamos encontrar o restaurante Largo do Paço na Casa da Calçada em Amarante, um lugar fantástico onde, escondido entre jardins e fontes, vamos encontrar uma casa e um restaurante que, apesar de recentemente ter perdido o seu chefe, continua a servir uma ementa de luxo e de uma qualidade superior.

Curioso o facto de esta casa ter alcançado recentemente a estrela que tinha perdido após a partida do chefe Cordeiro.

Descendo um pouco mais e chegando a Coimbra, entrando na Quinta das Lágrimas, somos logo cativados por um espaço que guarda a história de Pedro e Inês. Aqui, apesar de também já ter feito história, ainda tem muitas linhas para acrescentar no que diz respeito ao capítulo da gastronomia. Falo do modesto e talentoso chefe Albano Lourenço que, no restaurante Arcadas, continua a criar a sua cozinha de mercado de autor.

Agora, para descobrir a próxima estrela, temos de descer a A1 em direcção à capital onde vamos encontrar uma das mais recentes entradas no grupo dos galardoados que, curiosamente, é o restaurante mais antigo de Portugal e um dos mais antigos do mundo. A chefiar a cozinha está uma das nossas grandes promessas gastronómicas lusas. Jovem e cheio de garra, o Chefe José Avillez já tem fama internacional.

No Tavares, Avillez faz uma cozinha única onde mistura os seus conhecimentos técnicos, adquiridos pricipalmente pelo grande mestre Ferran Adrià, fundindo com os produtos e sabores lusos.

Ainda em Lisboa podemos encontrar, no topo do Parque Eduardo VII, o esplendoroso Eleven, oferecendo aos seus visitantes uma panorâmica de Lisboa e do Tejo verdadeiramente única e deslumbrante.

No comando da gastronomia praticada nesta casa está o austríaco Joachim Koerper que, depois de passar por várias casas de renome internacional, uma das quais chegou mesmo a obter duas estrelas em Valência, assenta arraiais em Portugal, e ainda bem para os amantes da boa cozinha internacional e mediterrânica de autor.

De volta à estrada, e agora em direcção àquela que é a região que concentra mais estrelas no nosso país, chegamos ao Algarve e às seis estrelas distribuídas por cinco restaurantes.

Começando por aquele que reúne mais dos famosos "macarrons", situado na Guia - Albufeira está um dos mais fantásticos hotéis e restaurantes de Portugal: o Vila Joya. Debruçado sobre o mar, a varanda do restaurante só tem um fiel competidor na sua estrondosa vista quando vê chegar as magníficas e criativas produções culinárias do Chef Dieter Koschina.

Mesmo perto, já em Alporchinhos - Porches, podemos encontrar novamente uma das mais recentes estrelas, o restaurante The Ocean, também este virado para o mar, com uma vista fantástica e uma decoração de muito bom gosto. Aqui a cozinha volta a ser comandada por um jovem, mas cheio de talento e noção de espectáculo, o chefe Hans Neuner. Os seus menus de degustação são, mais do que uma viagem aos sabores, uma viagem às várias regiões de Portugal, de onde vêm os únicos produtos com que este chefe trabalha.

Já chegando a Vilamoura, um pouco mais escondido, perto do golfe do pinhal, está um homem que não só ostenta uma estrela, como foi o primeiro chefe a ser estrelado no Algarve, o alemão Willie Wurger.

Decorado de forma discreta e com uma esplanada rodeada de pinheiros, este local dá-lhe sempre a garantia de uma excelente refeição. Uma cozinha tradicional, mas muito consistente.

Já em Almansil, as estrelas são três.

Do Maranhão, veio para Portugal abrir uma casa com o seu nome, Henrique Leis, e não foi preciso muito tempo para os inspectores da Michelin atribuírem-lhe a estrela.

A sua cozinha criativa e exótica faz as delícias dos visitantes e o charme do local ocupa-se do resto das boas-vindas.

O Amadeus, sob a tutela do chefe Siegfried Danler-Heinemann, ostenta orgulhosamente a sua estrela desde 2006.

Um restaurante dentro de uma pequena "Vila", com uma entrada muito florida e acolhedora, uma sala confortável e uma esplanada que fazem o Verão parecer melhor, e depois vêm as suas criações únicas e ricas na imaginação e paladar.

Mesmo perto ainda vamos encontrar o São Gabriel que, apesar de ter perdido o seu chefe, não perdeu a estrela e, graças ao seu novo chefe Torsten Schulz, manteve o galardão, recriando uma cozinha de valores mais simples, mas de grande complexidade técnica.

Saindo do continente, no Funchal vamos encontrar o francês Benoit Sinthon que, de forma soberba, chefia a cozinha do Il Gallo D'Oro, integrado dentro do belíssimo hotel The Cliff Bay.

Apesar do nome aparentar um estilo de cozinha italiano, aqui os sabores são internacionais, com uma forte componente mediterrânica, espantando em cada criação que é exposta à mesa.

Por enquanto, são onze as estrelas mas, viajando pelo nosso país e vendo o que de bom se tem feito, os senhores do guia vermelho vão ter de comprar um pack de viagens para Portugal, pois este é um destino a degustar!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 19 de Abril de 2010

Tapas, Pintxos y Petiscos

OJE - Lifestyle - 2010.04.19

Um dia o Rei de Espanha Alfonso XIII parou para descansar e beber um cálice de Jerez numa casa de pasto à beira mar.

Ao levantar-se uma brisa de vento, o empregado tapou o cálice real com uma fatia de presunto e explicou ao rei que o fazia para proteger que a areia estragasse o vinho. O rei depois bebeu o vinho, comeu o presunto e repetiu.

Foi nesse dia que nasceu a tapa, apelidada em algumas regiões ibéricas de pintxos, mas por aqui nós chamamos mesmo de petiscos.

Tapas, Pintxos e Petiscos é a mais recente proposta gastronómica dos hotéis do grupo Starwood, que advém do resultado da união de 14 Chefes de 14 hotéis de Portugal e Espanha com um único objectivo: dar a conhecer a cultura da tapa em todo o mundo.

Assim, e durante dois dias, os criativos da culinária partilharam receitas e experiências resultando numa carta requintada, e a preços convidativos, que estará presente na zona de bar de todos os hotéis desta cadeia para todos os clientes.

Foram desenvolvidas 14 tapas, pintxos e petiscos desde: sardinhas de escabeche, canelones de chocolate, melão com presunto, chupa-chupas de atum e gengibre, brownies com laranjas caramelizadas, pudins de morcela e maçã, salmorejo e outras que prometem deliciar os gostos dos mais exigentes e requintados.

Esta é uma excelente forma de cativar as pessoas a frequentarem mais os hotéis e de se desmistificar a imagem de local apenas para pernoitar, mostrando a sua vertente de lazer e social.

Agora, após uma longa reunião, um momento de lazer, ou mesmo para saciar a sua fome, tem locais emblemáticos como o bar do panorama no Sheraton de Lisboa, situado no último andar do edifício com uma vista única sobre a capital portuguesa, a emblemática esplanada do wine bar do Marquês de Riscal, o pátio interior do histórico hotel Alfonso XII em Sevilha.

Esta é uma oportunidade única de descontrair e usufruir dos criativos e deliciosos petiscos de alguns dos mais conceituados chefes de Portugal e Espanha.

Para mais informações, pode consultar o site geral de todo o grupo: www.starwoodhotels.com, ou Porto: www.sheratonporto.com; Lisboa: www.sheratonlisboa.com; Algarve: www.sheratonalgarve.com, www.lemeridienpenina.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 19 de Abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Arola - Um restaurante para o dia e noite!

OJE - Lifestyle - 2010.04.14

Desde os meus tempos de infância que vou à Penha Longa, ainda antes de ser campo de golfe, hotel, já lá estava o palácio, a igreja, mosteiro e algumas casas que criavam uma aparência de que havia vida no meio daquele paraíso escondido pelo arvoredo.

Ainda esta semana, e depois de um período de quase uma ano sem fazer uma visita, finalmente conheci o restaurante Arola à luz do dia.

Não perde nada para a decoração e ambiente nocturno, pois as cores metálicas a contrastar com as transparências ficam em segundo plano, a luz da varanda e o verde brilhante provocado pelo campo de golfe e suas árvores são o que cativa a atenção.

O serviço em nada muda, pois a simpatia e a prontidão estão presentes seja qual for a hora do dia, a mudança é apenas na carta: ao almoço baseia-se mais em snacks rápidos e descontraídos, fruto de ser o restaurante de apoio ao Golfe; ao jantar a carta é mais selecta e criativa, mostrando toda a elegância da cozinha do multi-premiado chefe espanhol Sergi Arola.

Depois de bebida uma imperial, obrigatória quando olhamos para o buraco 18, mesmo quando não jogamos, começaram a chegar os couverts. Um pão tostado, uns tomates cherry e uns dentes de alho: o primeiro trabalho é retirado à cozinha e dado ao cliente, é uma boa maneira de interagir.

Barra-se o tomate e o alho no pão, e para quem gosta há um pouco de sal e azeite - muito bom.

A opção recaiu sobre o menu degustação Sergi Arola (39): Entradas frias, outras quentes, um quase prato e sobremesa especial.

Os primeiros a chegar foram umas sardinhas alimadas com salmonejo, que faziam grandes e agradáveis contrastes de acidez entre os cítricos das sardinhas, e o "molho" de tomate novo. As lascas de cachaço de porco bísaro e queijo da ilha, que neste caso foi substituído pelo parmesão e com certeza ganhou com isso, pois os sabores estavam todos em harmonia.

De realçar o crocante do pistacho e a acidez doce da maçã que timidamente se espalhava pelo prato. A salada de caranguejo real e sapateira foram os últimos dos frios, e o que dava menos espectáculo, pois faltava-lhe um pouco de sabor a mar e o picante estava meio tímido.

Dos quentes chegam as famosas e fantásticas Batatas Bravas com molho aioli e uns soberbos raviolis de rabo de boi com um "jus" muito bem conseguido, fazendo uma relação terra-mar muito elegante.

Dos quase pratos, apesar de ser apenas um dado como opção, degustei os dois - teimosia de quem estava contente com o que comia.

O primeiro foi um peixe galo com boletus e rabo de boi: muito bem executado, peixe duro e suave, pele crocante, os boletus a trazerem a harmonia de terra e o rabo de boi a fortalecer os sabores.

Depois veio o lombo de borrego com puré de aipo e ragout de Castanhas, um pouco de azar no ponto mas, depois de trocado, o sangue saía da carne juntando-se a um dos vencedores do dia - carne tenra e saborosa, um puré ligeiro que fazia sobressair um molho de carne bastante bem executado, de notar a ligeira doçura provocada pelas castanhas.

Termino com o momento doce Arola que consiste em "3" pêras bêbadas em forma de bola, do tamanho de um tomate cherry, e um molho onde prevalecia o maracujá - uma combinação fresca, e interessante. Talvez um pouco diferente do que estamos habituados, mas vale a pena arriscar.

A carta de vinhos está bastante completa e com boas opções para cada prato.

Gostei de ver a descida de preços em relação à minha última visita, pois o vinho é para se beber e não para ostentar em preços altos.

O menu da noite traz mais pratos além dos que comi, e uma outra alma, mas o dia favorece o espaço em contacto com a natureza, sendo um local perfeito para um almoço de negócios, de romance, e até de família.

Da noite para o dia, fiquei a conhecer o Arola.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Detalhes
Restaurante Arola
Penha Longa Hotel, SPA & Golf Resort - Estrada da Lagoa Azul 2714-511 Sintra
W 09º 23' 45'' N 38º 46' 03''
www.penhalonga.com
resort@penhalonga.com
+351 219 249 028
Horário: Aberto de segunda a domingo das 12h00 às 19h, Quarta a domingo 19h30 às 24h.
Preço Médio: Almoço: €25, Degustação €39. Jantar: €55, Degustação €33/€45
Tipo de Cozinha: Autor
Cartões: MB, VISA, MASTERCARD, AMEX, DINNERS
Notas: Estacionamento fácil

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

2º Edição da prova do Pastel de Nata

É com grande orgulho que anuncio que o sucesso da segunda edição da Prova do Pastel de Nata, que decorreu hoje durante o Peixe em Lisboa foi novamente um sucesso.

Dos 14 candidatos, 12 foram degustados pelo júri composto por: Virgílio Gomes (Presidente do júri) gastrónomo e autor de várias crónicas sobre gastronomia, Chefes Vítor Sobral e José Avillez, o somellier Manuel Moreira e o gastrónomo Miguel Pires.

Os resultados deste ano foram:
1) Pastelaria Suíça
2) A Casinha do Pão

3) Hotel Altis

4)..... Ficaram todos os outros
Hotel Palácio
Hotel Real Parque
Hotel Ritz
Padeira de Carnaxide
Pastelaria Aloma
Pastelaria Califa
Pastelaria Chique de Belém
Pastelaria Cristal
Pastelaria Garret
Pastelaria Versailles
Prisão do Linhó

Em nome da Confraria do Pastel de Nata, quero agradecer a todos os participantes, aos visitantes que acorreram em massas ao pavilhão de Portugal.

Um obrigado sentido ao júri pelo seu trabalho árduo, e à organização do evento Peixe em Lisboa, realçando um abraço especial ao Duarte Calvão por acreditar nesta prova e continuar a incentivar que a mesma se realize todos os anos.

Os meus sinceros parabéns aos vencedores desta prova e não se esqueçam que para o ano à mais!

O Peixe já está em Lisboa

OJE - Lifestyle - 2010.04.13

Foi no passado sábado que teve início a 3ª edição do evento Peixe em Lisboa. As honras de abertura foram atribuídas ao Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que ao chegar e acompanhado pelo director do evento, Duarte Calvão, não dispensaram a visita completa a todo o espaço cumprimentando e felicitando todos os expositores.

A ideia desta festa da gastronomia é simples. Ao adquirir a entrada (€15) tem direito a um copo de vinho "tescoma" e ainda a uma ou duas senhas de degustação consoante a hora ou dia.

Inicie o seu percurso numa prova de vinhos, e daqui pode seguir para os restaurantes para acamar o estômago. Mas a tentação do corredor seguinte é forte, primeiro dá de caras com a Açucena e o seu peixe e marisco sempre frescos, depois pode perder-se no meio dos presuntos, queijos, azeites, doçaria nacional, utensílios de cozinha e uns fantásticos chocolates da NewTree que fazem as delícias dos mais gulosos.


Seguem-se os primeiros restaurantes e chefes: Spazio Buondi/Nobre da Justa Nobre, o Tavares de José Avillez que não pára de espantar, o Ramiro e as suas fantásticas gambas à la guillo, a York House e o Nuno Diniz com uns espantosos pastéis de lampreia, a Tasca da Esquina de Vítor Sobral e uns cuscuz fantásticos, a Fortaleza do Guincho de Vicent Fargés a apresentar um cheviche de sonho, terminando a ronda com o Eleven e o Joachim Koerper que têm um risotto de vieiras de chorar por mais.


Os preços das degustações começam em €5, e terminam nos €8, e as senhas podem ser compradas em diversos pontos do evento.


Segue-se caminho e enche-se o copo de vinho no José Maria da Fonseca. Aqui a gama está toda presente e o preço começa nos €1,50 podendo aumentar com as reservas e espirituosos.

Depois de degustar e beber um vinho, ou mais, é tempo de mudar de piso. Subindo e depois de passar pelas águas das pedras e algumas cervejas dá de caras com o Paulo Morais e o seu novo restaurante UMAI, que promete abrir portas no dia 23.

Segue-se o mercado de Santa Clara, o Panorama do Sheraton e Leonel Pereira com uma moqueca de cortar a respiração, o Ribamar do Helder Chagas e as suas criações do mar e, por fim, um espaço rotativo entre A Travessa, Padaria e Altis Belém.

Ao canto avistamos o espectáculo dos cocktails: garrafas, copos e shakers pelo ar, muita animação e cor e um dos mais fantásticos cocktails de todo o país.

Quanto a workshops, já por lá passaram vários e outros virão, o chefe Claude Troisgros já encheu o auditório, mas também outros fizeram furor: António Nobre, Rui Paula, e outros como Alex Atala, Bel Coelho, Hans Neuner prometem dar espectáculo.

Hoje pode contar com as apresentações dos chefes Miguel Castro e Silva (18h), e Bel Coelho (19h30), Aulas de cozinha asiática com o Paulo Morais e ainda outras actividades.

Não fique em casa e vá ao peixe. Para motivá-lo a ir, os primeiros 20 e-mails que chegarem à caixa postal gourmet@live.com.pt, recebem uma entrada dupla gratuita, bastando para isso que o o titulo diga: "Eu Quero Ir ao Peixe em Lisboa". (atenção já foram todas atribuídas!)

PASTÉIS DE NATA
Amanhã é dia da prova do Pastel de Nata. São 14 os pasteleiros que apresentam e sujeitam à apreciação centenas de pastéis de nata ao público presente, e para isso basta estar por lá às 15h. Vêm da Casa Suíça, Cristal, Chique de Belém, Versailles, Hotéis Altis, Ritz e Palácio, Prisão do Linhó e muito mais.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Abril de 2010