sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Pastel de Nata é o melhor Embaixador de Portugal

Diário Noticias - Dois cafés e a conta - 2009.11.22
Reportagem Jorge Fiel
Fotografia Carlos Manuel Marques


O pastel de nata deve falar connosco. Pegue num, resista à tentação de dar logo uma dentada, vire-o, aproxime-o da orelha e aperte-o delicadamente com os dedos. Se ele ronronar um ligeiro crrec crrec está tirada a prova dos nove. Temos pastel de nata!

Esta foi uma das revelações feitas ao almoço por Vicente Themudo de Castro, 37 anos, um dos dois confrades honorários do Pastel de Nata, que andou 14 anos perdido no mundo das finanças até que, há dois anos, deu o seu grito do Ipiranga e dedicou-se à gastronomia (é crítico profissional e autor amador), a sua grande paixão desde os seis anos, idade em que em vez de jogar ao pião preferiu iniciar-se no segredo dos fios de ovos com o cozinheiro francês da tia bisavó.

A Pastelaria Cristal foi uma escolha óbvia, já que o seu pastel de nata foi eleito o melhor do mundo, na prova realizada em Abril, no Pavilhão de Portugal, por um júri constituído pelo advogado José António Sousa (o outro confrade honorário), o enólogo Domingos Soares Franco e os chefs Vítor Sobral e David Pasternack (nomeado o melhor chef de Nova Iorque), que redigiram notas de prova levando em conta seis critérios: frescura, qualidade da massa, teor de açúcar, cozedura, aspecto e sabor.

Apesar de relativamente acanhado (quatro mesas, oito cadeiras), a Cristal é muito concorrida por clientela habitual do bairro que se despacha ao balcão. Durante a semana vende, em média, 150 natas por dia. Mas ao fim de semana marcham 500 por dia e há fila. “Já vi dois Ferraris estacionados à porta ao mesmo tempo”, conta Herculano Marques, 65 anos, que depois de correr mundo a gerir marisqueiras (das quais a mais célebre foi a Napolitano, na ilha de Luanda), optou por, há 14 anos, mudar para o ramo da pastelaria e deitar âncora na Lapa.

Como vinha de uma prova de Barcas Velhas, tinha um lanche na Penha Longa e um jantar em Beja, Vicente não acabou o croquete e o esplêndido rissol de leitão, empurrados com uma Sagres, antes de se concentrar no pastel de nata.

“Desde que não se peça Coca Cola…” foi a resposta quando lhe perguntamos qual a bebida adequada para acompanhar a nata. “Como não é um pastel muito doce, harmoniza muito bem com um vinho generoso seco, um Moscatel, Madeira ou Porto rubi”, explica Vicente, acrescentando que a combinação mais usual é o café/nata, o invariável almoço do professor Marcelo quando estava ali ao lado a tentar gerir o PSD.

“O pastel de Belém é um pastel de nata com marca registada”. Uma frase chegou para arrumar este assunto melindroso, antes de detalhar as diferenças: “O folhado é mais amanteigado, mais à francesa do que este”, refere, enquanto pega na nata da Cristal e a vira-a ao contrário. “Está a ver? Não cai nada. Já não arriscaria fazer isto com um pastel de Belém que tem um creme muito mais líquido”. Por estas razões, a nata de Belém tem um prazo mais validade muitíssimo mais curto (duas/três horas) do que a generalidade das outras, que aguentam até ao dia seguinte.

A rede social The Star Tracker, que reúne mais de 20 mil quadros portugueses espalhados pelo mundo, foi a barriga onde se deu a gestação da Confraria. Nas conversas na rede, Vicente constatou que não é fácil por os portugueses de acordo. O Ronaldo nunca rende na Selecção e o vinho do Porto não seduz os abstémios. Apenas o pastel de nata reunia o consenso e gerava a unanimidade.”É o melhor embaixador de Portugal”, concluiu.

Um dia ao fim da tarde, na Versalhes, Vicente e José António Sousa comentavam como a nata se tornara o mais vigoroso símbolo internacional da portugalidade, quando decidiram fundar a confraria – uma estrutura leve, sem trajes nem presidentes, apenas confrades (263), dos quais dois honorários, que são os porta vozes – que decidiu proclamar o dia da sua fundação (1 de Julho) como o Dia Mundial do Pastel de Nata. E para o ano, para comemorar o seu 2º segundo aniversário, vai expedir, em aviões da TAP, meio milhão de natas para serem gratuitamente distribuídos nas empresas em que trabalham portugueses, em destinos tão variados como Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro, Luanda, Paris, Joanesburgo, Bruxelas, São Paulo, Luxemburgo ou Maputo.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias (22.11.2009)

Menu
Pastelaria Cristal
R. Buenos Aires 25 A, Lisboa

2 rissóis de leitão… 2,60 euros
2 croquetes … 1,80
1 Sagres … 1,10
1 Super Bock… 1,10
1 Moscatel Favaios … 1,00
3 pastéis de nata … 2,70
2 cafés … 1,10

O senhor Marques não nos deixou pagar o almoço

Troia Design Hotel - Glamour na península e um bom restaurante

OJE - Lifestyle - 2009.11.27

Situado no meio da natureza da península de Tróia, fica a mais recente unidade hoteleira do Grupo Amorim Turismo: O Troia Design Hotel.

As primeiras palavras que me saem ao chegar ao hotel são: luxo, design e bom gosto.

Detentor de 5 estrelas, o edifício de 14 andares tem 61 quartos de luxo e 144 suites. As vistas variam entre o rio, o mar e a magnifica Serra da Arrábida.

Os quartos, todos eles com varanda, têm áreas entre os 42m2 dos Deluxe Room e os 298m2 da Grand Suite.

Os estúdios e suites estão todos equipados com kitchenettes desenhadas pela SMEG, e no caso das suites, ainda pode contar com uma confortável sala de jantar.

As peças de design são evidentes em todos os quartos, podendo, em detalhe, encontrar marcas como: Carl Hansen, Flos, Liv'ít, Driad, Vitra, entre outras.

O relaxante SPA Blue & Green estende-se por 1.200m2 no primeiro piso, e conta com 15 salas para todos os gostos e tratamentos. Desde as tradicionais massagens relaxantes, aos tratamentos de assinatura que são exclusivos da casa, alguns destes para serem aplicados em casais, são exemplos do que podemos encontrar na extensa lista de mais de 70 diferentes.

Subo dois andares e visito as piscinas, uma interior e duas exteriores.

Entro numa longa varanda em madeira corrida, repleta de espreguiçadeiras viradas para a serra da Arrábida. Este espaço, devidamente apoiado por um bar, é certamente um dos pontos de relaxe e descontracção desta unidade.

Aqui também há espaço para os mais pequenos. Junto à piscina exclusiva para este grupo etário está o Koala Kids Club, que é um espaço aberto a crianças dos 3 aos 12 anos, com actividades indoor e outdoor, onde o lema é diversão com qualidade e criatividade em segurança.

Além do Paprika Pool Bar esta unidade providencia dois restaurantes com estilos diferentes: a Brasserie Salinas e o Restaurante B&G.

A Brasserie, uma sala com 220 lugares, tem uma decoração simples, baseada no contraste de tons claros com uns mais escuros. Aqui é o local onde, além de podermos tomar o pequeno-almoço, podemos também organizar os almoços e jantares para grupos.

Um pouco mais requintado, o restaurante B&G alberga até 120 comensais que, além da vista para a marina e uma decoração muito Blue e Green, podemos assistir a uma exposição do artista Pedro Cabrita Reis.

A cozinha tem a assinatura do chef João Vieira e sua equipa, que providenciam uma cozinha regional alentejana contemporânea. Aconselho vivamente os leitores a provar os croquetes de touro.

Incluído dentro desta unidade está o centro de conferências, a apenas alguns passos do lobby do hotel. Este espaço tem capacidade para reunir cerca de 1.000 pessoas.

Com um salão de gala com 1.000m2, que recebe até 900 pessoas e que se pode dividir em quatro. Oito salas de reuniões, de 30m2 a 160m2, que podem receber de 2 até 60 pessoas.

Já está prevista a abertura para breve de um centro de espectáculos, com uma sala que poderá levar até 900 pessoas, onde a programação cultural já inclui os espectáculos de teatro, música e dança.

O Casino também é um projecto em carteira já iniciado e que deverá estar finalizado em 2011.

Os programas para empresas, as actividades para crianças, o SPA para relaxar, e a vista romântica, fazem desta unidade um destino ideal para todos os públicos.

Como chegar:
Se pretende ir de carro, o ideal é seguir pela A2 sair na saída 8 - Alcácer do Sal, em direcção a Grândola, e ao encontrar o desvio Comporta Tróia segue as placas até ao resort
Se não enjoa e pretende levar o carro então, apanhe o Ferry Porto de Setúbal e meia hora depois está no hotel. Mas se é mesmo para descontrair, deixe o carro no porto de Setúbal e siga viagem no catamaran e um quarto de hora depois faça o check-in.

Detalhes
Blue & Green Tróia Design Hotel
www.troiadesignhotel.com
Em frente à Marina de Tróia.
7570-789 Carvalhal - Grândola
Telf. Geral: (+351) 265 498 000
E-mail Geral: info@troiadesignhotel.com
E-mail Reservas: reservas@troiadesignhotel.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Novembro de 2009

Sopa de Camarão

Fotografia Nicolas Lemonnier
http://www.lemonnierfoto.com/

Ingredientes:
1kg camarão
Uma courgette não muito grande
Uma cenoura
2 dentes de alho
Uma cebola
2 tomates maduros
1/2dl de azeite + uma colher
Sal e pimenta
Coentros picados

Preparação:
Ponha o azeite num tacho, leve ao lume juntamente com os legumes cortados aos cubos e deixe refogar um pouco.
Acrescente cerca de um litro de água a ferver e coza o tempo necessário para os legumes ficarem tenros.
Descasque os camarões em cru e coza as cascas num pouco de água a ferver com uma colher de azeite, passe-as pelo passevite e deite o liquido na sopa. Tempere com sal e pimenta e deixe apurar em lume brando durante alguns minutos.
Triture tudo com a varinha mágica.
Quase no fim junte os camarões descascados e continue a cozer por 3 a 4 minutos.
Sirva a sopa enfeitando os pratos com alguns camarões inteiros e os coentros picados.

Sugestão de vinho:
Por António Coelho, Enólogo.

Esporão Reserva Branco 2008
Alentejo DOC
Cor amarela cristalina. Aroma citrino intenso acompanhado de alguma baunilha. Na boca revela ligeira untuosidade com bom conjunto entre frescura e estrutura. Final persistente e limonado. Tudo em harmonia.
Temperatura de serviço: 10-12ºC

Caso tenha dúvidas estarei pronto para o ajudar (gourmet@live.com.pt) - a fotografia é apenas uma sugestão de apresentação.

Boa sorte e bom gourmet

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet

VINHOS DO PORTO E DOC DOURO,GOURMET, CHEFES DE COZINHA E RESTAURANTES

Este sábado e domingo, 28 e 29 de Novembro, o Convento do Beato, em Lisboa, acolhe a quarta edição do Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet, evento organizado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e Essência do Vinho.

Cerca de 70 expositores estarão presentes nesta iniciativa que também contará um programa paralelo de acções que inclui Provas Comentadas de Vinhos do Porto Vintage 2007 e DOC Douro orientadas por especialistas, sessões de Show Cooking com os chefes de cozinha João Antunes (restaurante Vin Rouge) e Rui Paula (D.O.C.), Harmonizações entre vinhos e gastronomia e um espaço de degustação gastronómica, com a presença dos restaurantes lisboetas Eleven e Quinta dos Frades.

Entre as 15h e as 21h, os visitantes poderão ainda apreciar Cocktails à base de Vinho do Porto, relacionar vinhos do Porto e café no lounge-bar Nespresso, conferir propostas de programas turísticos do Douro e contemplar as sempre admiráveis motos Harley Davidson.

PROVAS COMENTADAS
28 NOV SÁBADO
16h GRANDE PROVA VINHO DO PORTO VINTAGE 2007
Rui Falcão (Crítico de vinhos WINE – A Essência do Vinho)
Fernando Melo (Crítico de vinhos e gastronomia WINE – A Essência do Vinho
Bento Amaral (Chefe da Câmara de Provadores IVDP)

29 NOV DOMINGO
16h GRANDES TINTOS DO DOURO 2007 - Fernando Melo (Crítico de vinhos e gastronomia WINE – A Essência do Vinho)

SHOW COOKING
28 NOV SÁBADO
17h30 Show Cooking - Chefe Rui Paula (restaurante DOC)

29 NOV DOMINGO
17h30 Show Cooking - Chefe João Antunes (restaurante Vin Rouge)

HARMONIZAÇÕES
28 NOV SÁBADO
19h Harmonizações com vinhos do Douro - Chefe José Júlio Vintém (restaurante Tomba Lobos) e Bento Amaral (Chefe da Câmara de Provadores IVDP)

29 NOV DOMINGO
19h Harmonizações com Vinhos do Porto - Chefe Miguel Castro e Silva (restaurante De Castro Elias) e Manuel Moreira (Crítico de Vinhos WINE – A Essência do Vinho)

WINE TALK
28 NOV SÁBADO
17h Tipos de Vinho do Porto - Manuel Moreira (Crítico de vinhos WINE – A Essência do Vinho)
19h30 Brancos do Douro para o dia-a-dia - Fernando Melo (Crítico de vinhos WINE – A Essência do Vinho)

29 NOV Domingo
17h Vinho do Porto Rosé - Manuel Moreira (Crítico de vinhos WINE – A Essência do Vinho)
19h30 Vinhos para a ceia de Natal - Fernando Melo (Crítico de vinhos WINE – A Essência do Vinho)

RESTAURANTE SHOW
Restaurante Eleven (Chefe Joachim Koerper, 1 Estrela Michelin)
Quinta dos Frades (Chefes Chakall e Igor Martinho – Chefe Cozinheiro do Ano 2009)

Condições de Acesso Ingresso: 5€
Provas Comentadas: 10€
Show Cooking: 5€
Harmonizações: 10€

SITE OFICIAL www.portodourowineshow.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Herdade da Malhadinha Nova: Imagem e perfil do novo mundo

OJE - Lifestyle - 2009.11.23

Fica em Albernoa, Beja, e é o exemplo perfeito de como rústico e modernidade podem andar de mãos dadas.

Foi um feliz acaso que me levou a visitar a Herdade da Malhadinha Nova, e assim conhecer um dos melhores projectos turísticos de Portugal. Começo por descrever o que eu intitulo de amor à primeira vista.

Depois de uma pequena viagem entre sobreiros, oliveiras e vinha, isolo-me o suficiente para achar que vou ter paz, e ao passar os muros da herdade, aproximo-me das primeiras casas.

"O Hotel é ainda mais à frente, no topo do vale", fui informado. Mais uns segundos na estrada para subir até ao que se apresenta uma típica casa rural alentejana.

Só precisei de mais um minuto para me aperceber que tudo o que eu idealizava num projecto de turismo, estava aqui presente.

Apenas 10 quartos (7 standard, 1 júnior suite e 2 suites) muito espaçosos e todos decorados magistralmente e de forma individual, onde o luxo é patente no conforto e detalhe.

A mobília dos quartos é toda comprada em antiquários, recuperada e pintada de uma forma rústica e visualmente interessante; as camas Dux que para mim são como cair numa nuvem e dormir no céu, o IPOD, as casas de banho Duravit Philippe Starck complementadas com produtos Bulgari... bem, poderia continuar a descrever detalhes, mas o resumo é: tudo passa despercebido e sem pretensão, mas tudo se enquadra na perfeição do projecto.

Saí do quarto em direcção à sala, onde a lareira estava a ser acesa - estava um pouco fresco na rua, e esta não só aquece a sala como a enche de romance.

Dei um look geral e gosto do que vejo: a fazer companhia à lareira há cadeiras do Charles & Ray Eames, um espantoso candeeiro que faz lembrar os holofotes de Hollywood, transformando a decoração repleta de pormenores de design, que no entanto é sóbria e despretensiosa. Num outro canto da sala avisto, por detrás de um balcão de bar, várias prateleiras onde os néctares produzidos estão todos em destaque, num reconhecido orgulho na produção da casa.

Não eram horas, nem a temperatura apelava ao mergulho, mas a piscina e o seu jardim são tão convidativos que não hesitei em mergulhar num dos maravilhosos puffs Fatboy espalhados pelo relvado.

A noite estava a cair e apresentava-se estrelada, a lua quase não se reconhecia, mas o cenário não poderia ser mais perfeito. Mais um par de horas e dirigi-me ao restaurante Gourmet.

Este é mesmo casa metade com a adega, relativamente perto das cavalariças, e mesmo ao lado da casa dos mentores deste projecto: a Família Soares.

O restaurante, dirigido pela mão do jovem e talentoso chef Vitor Claro, divide-se em duas salas, e em ambas a presença dos vinhos da Malhadinha e Peceguina é visível em todos os cantos e recantos - são muitas, mas discretamente tornam-se parte da decoração.

As mesas e seus atoalhados brancos, as cadeiras do Vincent Shepard e Vernon Panton, o serviço da Vista Alegre, talheres da Cutipol e copos da Riedel, eram o prenúncio de que a refeição iria ser ao mais alto nível.

Caros leitores, em três palavras descrevo a cozinha do chefe: Gastronomia regional contemporânea! E acrescento mais duas: clara e exemplar.

Um pequeno resumo da minha incursão gastronómica: Papada de porco preto com ovas de salmão com vinagrete e Malhadinha Branco; pezinhos em ravioli de queijo e coentros e o Rosé da Peceguina.

Entre vários pratos e vinhos degustados estava um belíssimo entrecosto de porco preto, couve rouxa e creme de aipo, servido com o Peceguina tinto 2008, que foi um dos meus preferidos.

Um facto importante e distintivo deste restaurante é que, além de se comer bem, bebe-se divinalmente duma carta em que só as marcas da casa são apresentadas aos clientes: Malhadinha e Peceguina!

Acordei com uma alma nova e preparado para mais algumas aventuras.

"Bom dia", disse o chef Vitor Claro, "O que pretendem para o pequeno-almoço?".

Mais um detalhe delicioso. Fico com a certeza que este projecto é o inverso de tudo o que vi até agora. É transformar uma empresa rentável, de sucesso e exemplar, num negócio de família e, principalmente, familiar.

Preparo-me para visitar a herdade, um serviço oferecido a todos os hóspedes, quando avisto ao longe dois cavaleiros num galope gracioso, sobre umas belas montadas.

Eram os irmãos Soares, que fazem questão, sempre que podem, de dar os bons dias a todos os hóspedes. Simpáticos e afáveis, explicam e apresentam o projecto com um orgulho e um brilho nos olhos, que só quem corre por gosto, pode ostentar.

"Vinha agora a confessar ao meu irmão Paulo: montar os nossos cavalos na nossa herdade, onde produzimos o nosso vinho, é um sonho tornado realidade", confessa João Soares.

Segue-se o passeio de Jeep pela herdade com o Francisco, um dos muitos jovens que integram a equipa deste projecto.

A média de idades do pessoal é abaixo dos 30 anos, sendo a formação um ponto imprescindível. Será esta a fórmula do sucesso?

A lista de serviços disponíveis para os hóspedes é tão variada e extensa, que podemos fazer um pouco de tudo: Visitar a adega, passear a pé, a cavalo ou de mota, fazer uma massagem ou tomar um banho de pétalas, ou dar um simples passeio de balão.

O aperto no coração começa a ser mais forte, aproxima-se a hora de partir, e não quero ir.

Assim de um feliz acaso ganham um cliente satisfeito, e conquistam um amigo.

A ADEGA
A Herdade da Malhadinha é um projecto iniciado em 1998, com a aquisição de 200ha de terra abandonada e sem tradição de vinha. Em 2000 iniciam a plantação de 20ha de vinha. Em 2003 constroem a adega e fazem a primeira vindima e uns anos depois iniciam a comercialização do vinho. Em 2006 planta, mais 7ha de vinha. As castas são variadas e viradas para o novo mundo: Antão Vaz, viognier, aragonês, alicante bouschet, trincadeira, syrah, touriga nacional e outras. Produzem 200.000 litros e já são uma referência nacional e internacional.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Detalhes

Herdade da Malhadina Nova
Country House & SPA
7600-601 Albernoa- Beja - Portugal
Tel: +351 284 965 432
Adega Tel:+351 284 965 210
Restaurante Tel:+351 284 965 211
www.malhadinhanova.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 23 de Novembro de 2009