sábado, 1 de agosto de 2009

QB Essence e chef Paulo Morais

www.qb-aulasdecozinha.com
Rua Dr. José da Cunha 24ª, Fórum Oeiras - Oeiras
Tel.: 214 413 068

Se procura o melhor que se faz na cozinha asiática, deixe a procura de lado e anote este nome: Chef Paulo Morais.

Referência segura a tudo que se faz de bom neste campo da gastronomia, comprovada pelo sucesso do seu percurso. Ora vejamos: Furosato no Estoril, Midori no Hotel da Penha Longa em Sintra, Bica do Sapato em Lisboa, e actualmente partilha a consultadoria que faz no Góshò, no Hotel Porto Palácio com o QB Essence onde é o chef executivo.

É neste último que eu vou focar a minha análise e relato de visita.

Como não poderia deixar de ser começo por explicar a primeira imagem ao entrar: na direita e a poucos centímetros da minha pessoa, está uma pequena sala de espera com uma estante carregada de máquinas de café (antiga loja?), e outra com livros e acessórios. No meio dos livros podemos encontrar um postigo para a cozinha, dando um ar de proximidade ao chef enquanto esperamos pela nossa mesa.

A sala é ampla e com um grande pé direito. A decoração é simples, baseada em tons de madeira e escuros, e encontramos no chão cimentado um conjunto de receitas e notas sobre alimentos muito interessante. A cozinha está a um nível abaixo da sala e separada por um balcão, onde nos podemos sentar e assistir ao tão espectacular show cooking do chef.

Na outra ponta da sala, podemos encontrar uma mesa ampla e umas cadeiras que a rodeiam, onde trabalha o sushi-man durante as refeições, e onde se dão as famosas aulas de cozinha nos ”entretantos”.

Não há nada como multifacetar o espaço em prol da excelência de serviços ao cliente.
Sentado numas cadeiras bonitas mas não inteiramente confortáveis, olho para o tampo de mesa negro onde o espectáculo vai ter lugar.
A degustação foi:
Cestinhos de won ton com salada de manga, cebola roxa, coentros, lima e molho de peixe;
Cornucópia de sésamo receheada com caranguejo real, molho yuzu;
Ususu Kuri;
Vieiras coradas com espuma de caril indiano de iogurte e frutas secas;
Tempura de camarão e amêndoas laminadas;
Polvo assado com molho holsin e salada de melão e uvas;
House maki – amêndoas, tartaro de atum picante peixe branco e pepino;
Pato essence com pão paratha;
Menage à trois de chocolate.

Tudo fresco e muito bem confeccionado. Destaco alguns pratos: os cestinhos de won-ton foram um patamar alto para iniciar – fresco, doce, exótico, estaladiço, trouxe-me uma viagem pelo mundo à boca e nem saí da cadeira; a cornucópia, além de bonita aos olhos era perfeita no sabor, um prato fresco e doce que combina na perfeição com o verão; o ponto mais alto foi quando chegaram as vieiras sobre o caril, excelentemente cozinhadas, nem cruas nem queimadas, marcadas com uma manteiga de cacau e com um caril que foi dos melhores que comi nos últimos anos, que trazem a novidade com simplicidade!

Saí com o palato enriquecido e com a cultura asiática alargada. Longe vão os tempos em que asiático é sushi.

Às quintas-feiras é dia de mercado, e pode degustar 28 iguarias a 25€, e ainda tem direito a uma sobremesa. Mais uma boa razão para visitar este espaço.

Certo que não erro ao afirmar que a cozinha asiática está dignamente representada no QB essence.

Preço médio – 25€

Serviço: 3+, Decoração: 3, Menu: 4+, Carta de Vinhos: 3, Preço: 4

Nota Final (0-5) : 4 / Muito Bom

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Restaurante Bocca

http://www.bocca.pt/
Rua Rodrigo da Fonseca 87D – Lisboa
Tel. 213 808 383

Onde há arte e criatividade, bom senso e destreza, nunca se desce à banalidade ou mediocridade, e o Bocca é prova disso.

Há uns tempos, ainda no ano passado, tive curiosidade e vim visitar este espaço. Gostei e fiquei adepto. Soube da mudança da carta, e despertou-me a curiosidade de voltar e confirmar se mantinha os parâmetros anteriores.

Não vou dizer que superou, pois estando no patamar que já lhe conhecia, ir para cima era rachar o céu. Mas mesmo assim os apontamentos criativos, juntando-se o conhecimento da confecção, fazem deste chef Alexandre Silva uma pessoa a seguir atentamente.

A entrada no Bocca é precedida da incógnita e do fascínio de se conseguir ver a sala, mas não o suficiente para entrar no contexto.

Ao primeiro passo após a porta, vem o sempre simpático chef de sala oferecer os préstimos e boas vindas. Da entrada ficamos logo com a sensação que a garrafeira promete um bom casamento, seja qual for o prato que se escolha.

Já sentado tenho a obrigação de ser fiscal do chef e sua equipa, pois só um vidro separa a cozinha da sala, o quente não se sente, mas o espírito fica-nos na mente.

Copos, toalhas, guardanapos, serviço e pessoal são um regalo aos olhos, tudo peças bonitas que se enquadram que nem uma luva no espaço.

Começam os trabalhos: devoro o pão ainda morno com o azeite servido no couvert, ao qual não dedico muito tempo, pois começo a deliciar-me com um creme de espargos e pó de presunto, servido como amouse bouche.

O escalopes de foie gras salteados, tatin de manga, caviar de cacau e redução de ginga d’Óbidos trazem o doce e amargo e o ligeiro frutado ao foie, um prato cheio de requinte e personalidade. O Quinta do Alqueve colheita tardia 2007 acompanha e casa bem com este prato.

Salada de salmão curado à nossa maneira, gelatina de espinafres e creme de manga para beber, acompanhou-se de um Vale Pradinhos 2005 branco.

A minha selecção foi para o gigante que se seguiu: Lombo de borrego “Donald Russel” salteado e envolto em ervas finas, cebolinhas confitadas, chutney de alperce e crocantes de batata. O doce das cebolinhas acalma os fortes aromas da gordura do borrego, e as ervas trazem o equilíbrio sem destoar entre a carne, a fruta e o doce da cebola, uma combinação no mínimo arrojada e bem executada

A escolha vínica recaiu no Quinta do Passadouro tinto 2006. Como o prato que se seguia era novamente rico em sabor, pedi para a garrafa ficar e acompanhar as espetadas de peitos de codorniz grelhada em pau de alecrim, canelonis de beringela com couscous de ratatouille e cenourinhas salteadas em molho de sésamo.

Seguiram-se duas sobremesas: Coulant de chocolate negro com sorbet de framboesa, e um gelado de duas bolas. Casaram-se com duas criações da Filipa Pato , FP late harvest 2005, e FP 3B baga e bical espumante rosé.

Da sobremesa, só aviso os amantes do chocolate que têm uma árdua (pela quantidade) e facilitada (pela qualidade) tarefa pela frente.

Um jantar, uma refeição e uma experiencia que dificilmente irei esquecer!

O bocca é o ponto de partida para a viagem dos sabores, mas o nome é escasso para todos os sentidos que ganham vida nesta casa.


Foto 1 - Escalopes de foie gras salteados
Foto 2 - Salada de salmão curado à nossa maneira
Foto 3 - Lombo de borrego “Donald Russel”
Foto 4 - Espetadas de peitos de codorniz grelhada em pau de alecrim
Foto 5 - Coulant de chocolate negro com sorbet de framboesa

terça-feira, 28 de julho de 2009

Jantando com o Tejo

OJE - Lifestyle - 2009.07.28
Por Vicente Themudo de Castro


A mais alta criatividade é transformar o impossível em real. O Grupo K tem essa fama, mas desta vez conseguiu superar-se a si próprio, quando transforma um local sem história ou menos aprazível, ainda que com uma vista fantástica, num espaço único e surpreendente.

A decoração é um convite a desfrutar a época estival: muito branco, várias camas sobre areia espalhadas pelo perímetro do espaço, os bares dispersos pela pista, a sala de jantar protegida por um tecto e vários vidros (nenhum local é privado da vista para o Tejo e do Cristo Rei).

Cheguei cedo, e rapidamente me apercebo que o K Urban Beach (KUB) é eleito por muitos como um local de relaxe, e também como ponto de encontro da última reunião do dia.

Não há nada como fechar um negócio, acordar uma venda, ou anunciar a tão prometida promoção, tendo como cenário o esplendor do Tejo e brindando o acto com uma caipirinha.

Nem só de negócios se fala na KUB, pois até o Prince foi lá com a Ana Moura à procura de espaços diferentes e inovadores, e leva agora a boa recordação para contar aos seus amigos. Assim, quem sabe se no dia em que lá for não encontra o Eric Clapton, a Madonna ou a Angelina Jolie.

Pois se pensa que só as bebidas, os artistas e o Tejo são habituais, venha a surpresa: um conjunto de tapas é servido à tarde em todas as mesas, não vá a fome apertar. Umas tostas com tomate marinado em azeite e pimenta e depois levadas ao forno. Fresco e exactamente como apetece no verão.

Mais uma caipirinha para a mesa e a conversa começa a animar. A linha de água acalma, o sol já se põe e as luzes começam a acender. Rendo-me definitivamente. A luz azul e violeta que é emitida pelos vários cubos que fazem parte da mobília, cria uma atmosfera quase mística.

O copo de caipirinha é trocado pela sangria de espumante, e desloco-me da pequena praia fluvial, para a sala de jantar.

Os menus têm dois preços diferentes, 30€ e 35€ sem bebidas, e em ambos os casos dá direito a couvert, entradas (Gaspacho e mozzarela e tomate com molho pesto), prato principal (Novilho na chapa:30€; 35€:novilho na chapa com camarões e cataplana de camarão, lulas e vieiras) e acompanhamentos (Fruta, batata frita, arroz e molhos), e sobremesas (Fofinho de chocolate com gelado, panacota em semi-frio e gelados).

Do novilho só posso gabar o bom aspecto, pois a minha opção recaiu sobre a maravilhosa cataplana. Estava céptico em relação ao resultado das vieiras e lulas, pois os pontos de cozedura são diferentes. Ocorreu-me que algum deles pudesse vir cru ou muito cozido. Enganei-me, a confecção está muito bem conseguida.

Para a sobremesa não fui criativo, optando por um dos muitos gelados que a casa oferecia.

Quanto aos vinhos há 10 brancos, 11 tintos, 2 rosés, 1 espumante e 6 champagnes desde os 12€ do Alandra Branco aos 470€ do Cristal Louis Roederer.

Café bebido, já na pista e no primeiro bar que deparei, peço um whisky – ainda não paguei nada, passo o cartão que me deram na entrada, e vai acumulando. O Pagamento é só efectuado à saída. Prático e eficaz.

Ao longe vislumbro uma sala, que até então me tinha passado despercebida, e ao investigar descubro que além de tudo o que descrevo até então, há que adicionar uma pista interior, iluminação ténue e lasers para uma batida muito actual.

Uma bebida, um jantar agradável, música e muita alegria fazem deste um local imprevisível e inovador. A capital tem agora uma praia, e não vão faltar os mergulhos à animação.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

CONTACTOS:
K Urban Beach
www.grupo-k.pt
Cais da Viscondessa, Santos - Lisboa
T. 961 312 742/746

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE em 28 Julho 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sangria

Fotografia Nicolas Lemonnier
http://www.lemonnierfoto.com/

Ingredientes:
Uma garrafa de vinho tinto
1dl Aguardente velha
1dl Licor de laranja
Uma toranja
Um pêssego
2 Alperces
2 Cravinhos
Um pau de canela
Uma lata de 7up ou semelhante
Açucar a gosto

Preparação:
Lave os frutos, corte a toranja em fatias e os outros aos cubos.
Deite o vinho num jarro, junte o licor de laranja, a aguardente velha, os cravinhos, o pau de canela e o refrigerante.
Mexa muito bem e adicione açucar a gosto.
Acrescente os frutos, isole com pelicula aderente e leve ao frigorifico até ficar bem fria.

Caso tenha dúvidas estarei pronto para o ajudar (gourmet@live.com.pt) - a fotografia é apenas uma sugestão de apresentação.

Boa sorte e bom gourmet

sábado, 25 de julho de 2009

Torradinhas com mousse de fígado de aves

Fotografia Nicolas Lemonnier
http://www.lemonnierfoto.com/


Ingredientes:
50gr Manteiga
1 Cebola picada
400gr Fígados de frango (limpos)
1dl Moscatel
Uma colher de alcaparras
4 Filetes de anchova
1 Pão de baguete grande
Rabanetes para enfeitar
Sal e pimenta

Preparação:
Derreta a manteiga num tacho com a cebola picada, deixe alourar e junte os figados de frango cortados aos bocados. Junte sal e pimenta a gosto.
Deixe apurar um pouco, deite o moscatel e continue a cozinhar mexendo de tempo a tempo até os fígados ficarem cozidos.
Junte as alcaparras e as anchovas ligeiramente picadas.
Mexa muito bem e triture tudo no mixer ou robot de cozinha.
Corte a baguete às fatias e torre-as levemente.
Barre as torradinhas com a mousse e enfeite com alcaparras e rabanetes.

Sugestão de vinho:
Por António Coelho, Enólogo.


Harmony Natur Tinto 2007
Vinho Regional Ribatejano

Cor vermelha intensa. Aroma de bagas vermelhas, ligeiro floral, com tosta e cacau no meio. Na boca aparece cheio de equilíbrio, com bons taninos e de estrutura aveludada. Final intenso, elegante e com suaves especiarias. Um vinho preocupado com a natureza e bastante harmonyoso.
Temperatura de serviço: 16º-18ºC

Caso tenha dúvidas estarei pronto para o ajudar (gourmet@live.com.pt) - a fotografia é apenas uma sugestão de apresentação.

Boa sorte e bom gourmet