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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

E agora o que devo guardar?

Recentemente, colocaram-me uma pergunta muito interessante: se eu tivesse de escolher um vinho que me fascinasse, um outro que tivesse boa relação preço-qualidade e ainda um de guarda, quais seriam?

E, para complicar as coisas, a questão aplicava-se a um branco e outro tinto.

Quanto às duas primeiras selecções, não tive dúvidas e as respostas estavam na ponta da língua. Mas, de facto, os vinhos de guarda obrigaram-me a parar e a pensar.

Hoje em dia, é raro escrever sobre esses vinhos - acaba por ser muito mais fácil falar daqueles que se apresentam no mercado prontos a beber - um ano ou alguns meses de estágio em garrafa aceita-se, mas mais do que isso, o mercado tende a esquecer.

Não sei porquê, mas a tendência é a de não comprar vinhos com mais de três ou quatro anos. Fica a pergunta: quais são as garrafas que eu posso comprar hoje que poderei beber daqui a três anos e ficar mais feliz do que na prova de hoje?

Ficam aqui algumas sugestões:

Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2007

É garantidamente um dos melhores vinhos de 2007 produzidos em Portugal.
As uvas são provenientes de uma vinha velha com mais de 90 anos, sendo impossível identificar todas as castas.
A sua cor é escura com alguns laivos violetas, revelando uma intensidade e complexidade aromática elegante.
Chocolate e frutos vermelhos são os primeiros a revelar-se no nariz e depois na boca.

Termina longo, persistente e cativante.
Nas garrafeiras o preço está pelos €105.

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2008

Uma mistura entre as castas Syrah e Touriga Nacional, que resultam num vinho robusto, mas, ao mesmo tempo, suave.
A sua cor escura quase opaca revela notas de chocolate, café, os típicos frutos vermelhos e umas subtis, mas muito agradáveis, notas florais.
Acaba num final longo ainda um pouco agressivo.
Daqui a quatro anos, os taninos vão arredondar de forma agradável, tornando-se um vinho bom para acompanhar
um belo ensopado de borrego.
O preço ronda os €16.

Lagar de Darei Grande Escolha Tinto 2004

Um vinho do Dão que mistura as uvas das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz e resulta num vinho de guarda exuberante.
Os seus taninos ro
bustos e elegantes, e a sua acidez controlada e apaixonante vão perdurar e evoluir para um néctar que certamente vai cativar o palato daqui a dois anos.
Este vai ser uma surpresa e poderá acompanhar qualquer prato desde que tenha aromas fumados.
Preço nas garrafeiras €17,50.

Monte Cascas Colares Branco 2008

Não é a escolha óbvia, pois ninguém gosta de brancos com mais de dois anos, mas a Malvasia de Colares vai, com certeza, provocar algumas felicidades daqui a dois anos.
Apresenta uma cor citrina, revelando um nariz com as mesmas características, juntando-se aromas como a maçã, a tropicalidade, mineralidade e algumas notas de baunilha.
A boca é gulosa e reveladora de um final intenso e muito agradável, revelando a sua boa acidez.
Pode adquirir nas principais garrafeiras por €33,50.

Agora faça as suas escolhas e, daqui a três anos, voltamos a falar sobre estas sugestões!


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 24 de Novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

CARM Reserva é o 9º vinho mais excitante de 2010

Há duas semanas escrevi um artigo a falar e elogiar o trabalho da família Madeira na área dos vinhos.

O que eu disse e escrevi não era surpresa para ninguém, pois quem prova estes néctares sabe que a qualidade é forte e depois é tudo uma questão de gosto.

Pelos vistos o painel da Wine Spectator tem um gosto parecido com o meu e elegeu o CARM Reserva Tinto de 2007 para a lista dos “most exciting wines of 2010”, e deu-lhe a nona posição.

Este tipo de acções para os eruditos e os incrédulos não tem muito valor, mas na realidade este tipo de notícia fez com que o pouco stock que os distribuidores tinham, seja fortemente requisitado.

Não acredita, então tente comprar uma caixa? Mas se encontrar o preço recomendado é de menos de €10 por garrafa.

CARM Reserva Tinto 2007, proveniente do Douro Superior , é resultante da selecção, das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, envelhecida em carvalho francês e americano, e que resulta num vinho de vermelho elegante e poderoso, com aromas intensos e sabores de bagas vermelhas, fumo, framboesa e especiarias que são suportadas por taninos bem integrados - notas de prova definidas pela Wine Spectator.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vega Sicila Unico 1989

Esta foi uma das melhores pomadas que passou pela minha goela nos últimos dias, pena que só tenham sido dois copos - a recordação vai ser certamente eterna.

As castas são 80% Tempranillo e 20% Cabernet Sauvignon.

A cor concentrada e escura revela um nariz doce e frutado com ligeiras notas da madeira.

Depois a boca elegante e graciosa tem muita estrutura enchendo toda a boca, terminando num final longo e intenso.

Está fantástico, mas com alguns anos em cima vai certamente melhorar!

O problema é arranjar garrafas destas, já são raras e quem as detém, não vai certamente ceder.

Um pomadão!

sábado, 30 de outubro de 2010

SCION

Se há coisas que eu gosto na minha profissão é quando me surpreendem com algo que eu não pensava existir ou ser possível de fazer.

Tive a feliz oportunidade de provar por duas vezes o que eu penso ser um dos melhores néctares que tive acesso em toda a minha curta vida, e aqui digo curta pois tenho uma diferença que ultrapassa os cem anos à idade deste vinho.

Já experimentei vários Madeira com uma certa idade, mas Porto foi a primeira vez que o meu palato teve acesso a tão elevado grau de envelhecimento.

Chama-se SCION foi vindimado no século XIX durante o período pré-filoxérico, e teve 155 anos a descansar em cascos. O facto mais extraordinário é estar em perfeitas condições, diga-se mesmo em soberbas e únicas condições!

Em 2008 David Guimaraens, enólogo da Taylor’s, provou este vinho que repousava num armazém de uma distinta família do Douro que o mantinha como reserva privada, com a excepção de um casco que dizem ter sido adquirido por Winston Churchill.

Em 2009, o único descendente directo da família morreu sem deixar filhos, tendo os seus herdeiros decidido vender o vinho.

Foi aí que a Taylor's adquiriu amostras dos dois cascos e constatou que as quinze décadas de envelhecimento em madeira tinham-no concentrado e conferido uma complexidade mágica.

Ainda vamos ter que esperar mais um mês antes de o podermos comprar nas principais garrafeiras. Mas ponha já de lado €2,500 se pretende ser uma das poucas e raras pessoas a adquirir um dos mais exclusivos Portos de sempre!

Notas de Prova: De cor mogno profundo apresenta uma auréola âmbar pálida com subtis reflexos azeitona. O vinho envolve o nariz com uma sublime e arrebatadora fusão de opulentos e sedutores aromas. Intenso perfume de melaço e figo envolvido por complexas notas de café torrado, folha de charuto, pimenta preta e cedro combinadas num arrebatador mas discreto odor de madeira de carvalho. Concentrado a uma quinta-essência mágica, o vinho envolve o palato com opulentos e deliciosos sabores, entrelaçados com uma acidez vibrante. Ricos e suaves sabores de uma intensidade surpreendente persistem num fim de boca interminável.

Porquê o Nome SCION: A palavra Scion tem dois significados: o descendente ou herdeiro de uma família nobre e garfo de uma planta, especialmente utilizado para a enxertia.

Sobre a Filoxera: A Filoxera é um insecto originário da América, introduzido na Europa na segunda metade do séc. XIX, ao qual as videiras europeias não são resistentes. Em 1870, já a Região Demarcada do Douro se encontrava seriamente afectada pela praga e, na década de 1891-1900, todo o país estava invadido, assim como, toda a Europa. A solução encontrada foi a introdução da enxertia de castas nacionais sobre porta-enxertos americanos que são resistentes a este insecto, transformando indelevelmente a vitivinicultura europeia.


Mais informações em www.scionport.pt

sábado, 23 de outubro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Há restaurantes em Portugal que, por mais que passe o tempo ou a crise se agrave, parecem viver alheios a todos estes problemas ou períodos.

Fez alguns dias que fui jantar ao Olivier Café, onde a boa disposição da Natalie é contagiante e não há mesa que não esteja com um sorriso ou vontade de exprimir alegria.

Sejam pessoas reservadas ou os mais mediáticos colunáveis de Portugal, todos gostam de lá ir, principalmente para comer o Spaghetti de trufas com Kobe.

Se não acredita nas minhas palavras, vá até lá e veja com os seus próprios olhos.
Olivier Café.

T. 213422916 / 912571505.

Ainda em Lisboa e já fora do fim-de-semana, se não avisar hoje certamente não vai a tempo de poder reservar o seu lugar no fantástico jantar que vai decorrer no Sheraton de Lisboa, na terça-feira dia 26.

O chefe Leonel Pereira convida Torsten Schulz, chefe do restaurante com uma estrela Michelin, São Gabriel no Algarve.

Um menu com sete pratos diferentes, vinhos e uma vista de sonho, e o preço não me choca, pois são €69 de total prazer gustativo.

Reservas 213 120 000.

Fecho as minhas recomendações com um dos mais importantes eventos vínicos (diria mesmo enogastronómicos) que tem início hoje às 15h, em Beja no Parque de Feiras e Exposições: a Vinipax.

Durante três dias, os temas em redor do vinho, azeites e, claro, a gastronomia alentejana, serão o prato e copo da casa. São mais de 50 produtores alentejanos que, desta forma aberta, pretendem dar a provar as suas últimas propostas, bem como de uma forma mais descontraída dar visibilidade à marca Vinhos do Alentejo.

Em paralelo a este evento, está a decorrer a Olivipax, onde o líquido a provar e apresentar é mais espesso e verde, sendo igualmente um dos melhores companheiros à mesa. Falo, evidentemente, do azeite.

Durante estes três dias altamente recomendados, poderá ainda assistir a várias actividades, desde os interessantes debates e colóquios sobre o mundo do vinho, os showcookings de cozinha regional alentejana e um dos momentos mais interessantes do evento - os resultados do concurso "MELHOR VINHO / FIJEV / VINIPAX 2010".

Assim, e se quiser saber um pouco mais sobre os vinhos, azeites e gastronomia alentejana, junte a família, meta-se no carro e trace o destino para o Parque de Feiras e Exposições de Beja.

www.vinipax.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 22 de Outubro de 2010

2008 e os vintages da Fladgate

Como vem sendo habitual nesta época do ano, os vinhos do Porto começam a aparecer e os mais cobiçados têm o selo Vintage, caso tenha sido um ano fantástico e com características muito especiais.

A Fladgate não teve dúvidas de que 2008 foi um desses casos, engarrafando diferentes lotes das diversas quintas e marcas, garantindo o selo de Vintage - ano excepcional.

Um factor comum a todos os vinhos que vou descrever nas próximas linhas é que, apesar de serem uvas e quintas diferentes, todos eles receberam o mesmo tipo de tratamento: as uvas foram pisadas em lagares de granito, usando-se as técnicas de sempre, passadas de geração em geração.

A aguardente utilizada foi a mesma e a exposição meteorológica também: um pouco mais fresco que o habitual e Agosto também não escapou à regra.

Na vindima, as temperaturas mais altas, mas com as noites frescas, criaram boas condições para um bom final de maturação e, claro, para as fermentações.

A única coisa de que nos podemos queixar é que o rendimento da produção foi comparativamente menor que em 2007.

Começando pela Quinta da Roêda, a principal propriedade da Croft e, seguramente, uma das mais fantásticas propriedades do Douro, o Croft Quinta da Roêda 2008 Vintage Port apresenta-se no copo de cor púrpura escura e alguns laivos de violeta.

Notas aromáticas de eucalipto e framboesa em compota, no nariz, e a boca é gorda e volumosa, com taninos bastante sólidos para um jovem vintage.

Termina longo, persistindo a fruta de forma agradável e suave.

O Taylor Quinta da Vargelhas 2008 Vintage Port é outra supresa agradável, cor preta intensa também com laivos violeta, aromaticamente o cassis e os frutos do campo prevalecem, havendo espaço ainda para um pouco de melaço, tomilho e notas de madeiras exóticas.

A boca, ainda um pouco dura, é intensa mas ao mesmo tempo arredonda de forma inesperada, tornando os taninos subtis.

Já o Taylor Quinta de Terra Feita 2008 Vintage Port revela uma complexidade aromática extraordinária, onde as amoras, framboesas, toques vegetais e a menta saltam de forma intensa e poderosa. Este é um clássico: refinado e complexo. Os taninos densos, cheios de textura, revelam a fruta negra de forma subtil, terminando num muito longo final.

Os Fonsecas: Guimaraens e Quinta do Panascal, apesar de diferentes, são igualmente interessantes e reveladores de um bom ano de Vintage.

Ambos têm cor púrpura negra e opaca, revelando-se mais jovem o Quinta do Panascal, embora possuam narizes completamente distintos: o Guimaraens com amoras, morango, cassis, frutos do bosque, temperados pelo café e especiarias e finalizados com toques de menta; o Panascal com mais chocolate, muito chocolate e ainda com notas de cereja e ameixa, terminando ligeiramente especiado e com um pouco sabor a couro.

Ambos são intensos e persistentes na boca, terminando longos, doces e fantásticos - típico num bom Fonseca!

Mais uma vez, estamos perante um ano que vai dar-nos muitas alegrias, e seguramente que 2008 é um bom investimento para quem faz da guarda uma escolha.

Poderá encontrar estes néctares do Porto nas principais garrafeiras do país, a preços que rondam os €35.

Vá lá, beba um Porto!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Vencer no Algarve conquistar no Alentejo

Foi em terras algarvias, dirigindo o negócio Garrafeira Soares, que esta família se apresentou e afirmou no mundo dos vinhos.

Alguns anos após se iniciarem na distribuição, apaixonaram-se por um terreno em Albernoa, no baixo Alentejo, e investiram em 200 hectares de terreno quase baldio.

Seguiram-se os investimentos na vinha, nas árvores, na adega, na casa e até num hotel, e é em 2003 que fazem a primeira vindima, começando logo da melhor forma.
O Malhadinha tinto, na sua primeira aparição ao público, conquistou três importantes prémios na International Wine Challenge, em Londres.

A partir desse momento, vivem todos os dias sobre a motivação de fazerem mais: mais quantidade, mais variedade e mais qualidade.

Pois assim, das poucas castas que constituíram as primeiras vindimas dos 20 ha de vinha, juntaram-se mais 7 ha em 2006, havendo agora um conjunto muito alargado de castas: Antão Vaz, viognier, aragonês, alicante bouschet, trincadeira, syrah, touriga nacional e outras.

Hoje vou falar dos últimos a que tive acesso, começando por aquele que mais me espantou: O Malhadinha Branco 2009.
Foram 7936 garrafas produzidas das castas Arinto (50%), Viognier (35%) e Chardonnay (15%) que resultaram num elegante e moderno vinho.

Com aromas primaveris discretamente florais e vegetais, revela-se na boca muito intenso, fresco e frutado e com uma acidez graciosamente controlada.
A influência da madeira faz o seu final longo e persistente.

Via este vinho a acompanhar um robalo com ervas aromáticas ou marisco frito. Servia a 11ºC. PVP €18.

Ainda nos brancos, outro interessante e de uma complexidade mais graciosa é o Antão Vaz, que infelizmente já está esgotado, mas podemos encontrar uma das 4223 garrafas de 2009 nos mais perspicazes restaurantes.

Mineral, frutado e ligeiramente fumado nos seus aromas, revela a mesma potencialidade na boca, juntando-se uma acidez equilibrada.
É o parceiro ideal para peixes assados ou cozidos (com molhos).
Sirva entre os 9-10ºC. PVP €9,50.

O apogeu foi ao degustar o Marias 2007! O blend das castas Aragonês (60%), Alicante Bouschet (20%) e Cabernet Sauvignon (20%) só peca pela quantidade: 6200 - quantos por este mundo fora irão ser privados deste néctar dos Deuses?

A cor encarnada escura carregada, quase negra, revela inúmeros aromas elegantes onde os frutos vermelhos sobressaem, juntando-se elegantemente ao aroma de frutos secos torrados, revelando ainda notas especiadas e um pouco de tabaco.

A boca elegante e rica em sabores demarca-se pela sua estrutura de taninos muito robusta e polida, tornando o vinho macio e muito guloso.

O final é muito longo e graciosamente persistente, sendo um vinho que casa bem com pratos fortes e aromáticos.
Sirva entre os 16-18ºC, mas guarde algumas garrafas para provar daqui um par de anos ou mais.
PVP €60.

Parabéns ao enólogo Luís Duarte e à sua equipa, pois aqui só a excelência é que vai para os mercados

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 5 de Outubro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Finalmente é sexta-feira

Desde que conheci a cozinha do chefe Ljubomir Stanisic que me rendi aos encantos da sua técnica e criatividade, e nada me faz mais feliz do que anunciar que o seu novo projecto já abriu portas: Bistro 100 Maneiras.

Pelo que sei, abriu para servir os menus do Lisbon Restaurant Week até dia 2 de Outubro, e só depois introduzem o menu da casa.

A garrafeira, apesar de climatizada, ainda não está atestada; o serviço da Vista Alegre ainda só conhece as oito opções do LRW, mas o espírito já lá está.

Exemplo disso é o saco de serapilheira com o pão, a manteiga de cabra servida numa espécie de caixa de graxa e um conjunto delicioso de detalhes espalhados pela "mercearia".

Tem 70 lugares divididos em dois pisos, zonas para fumadores e puristas, uma sala privada, bar de cocktail e petiscos, e animação que só termina às 2 da manhã.

Ainda está na fase de recém-nascido, mas já tem alma de um graúdo, muito cool e muito trendy (Largo da Trindade 9, Chiado - Lisboa, tel: 910307575).

Dos sabores criativos passo para os picantes da Tailândia, pois foi ontem que começou, no restaurante Sandalwood Café Spa Cuisine, no Banyan Tree SPA Estoril, a primeira semana dedicada à gastronomia deste país exótico.

Este evento vai durar até ao dia 3 de Outubro e é promovido no âmbito das celebrações dos 500 anos de relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia, integrado numa série de acções que incluem exposição de fotografias, degustação de pratos típicos tailandeses, massagens tailandesas e demontrações de carving.

Os almoços, servidos até às 16 horas, são supervisionados pela chef tailandesa Preeya Prangthong e combinam o exotismo da cultura oriental com uma dieta saudável e apropriada a quem procura o bem-estar do corpo e da mente.

Passando dos sólidos para os líquidos, começa hoje às 16 horas, na LX FACTORY - Sala das Colunas, o evento Vinhos do Alentejo em Lisboa, que reúne mais de 60 produtores que pretendem dar a conhecer as suas mais recentes criações vínicas.

Amanhã abrem as portas às 15h e, tal como hoje, encerram às 22h, num evento que, além dos vinhos, irá ter um chefe convidado e muita música a criar um ambiente sofisticado e cool.

Já começou, nas 31 lojas do grupo Auchan, a feira dos vinhos que dura até ao dia 10 de Outubro: mais de 230 rótulos irão estar a preços mais atractivos e sujeitos à campanha pague 5 leve 6.

Na lista vai encontrar 35 vinhos premiados, entre medalhas de ouro, prata e diplomas de prestígio do Concurso Nacional de Vinhos.

Se não sabe de qual gosta mais, então aproveite as 80 degustações que vão decorrer nas lojas e, depois de provar, saberá qual quer levar.

Começou hoje, no Pavilhão do Atlântico, um evento dedicado à gastronomia e os seus produtos: o Mercado dos Sabores. Durante três dias poderá assistir a show cookings, aprender bastante sobre produtos, as suas regiões, técnicas e características.

Os mais novos podem, na Quinta da Leopoldina, aprender a fazer pão e até a ordenhar uma vaca. O preço da entrada é de 3 euros.

Termino relembrado que, até dia 2 de Outubro, está a decorrer o Lisbon Restaurant Week com mais de 50 restaurantes aderentes onde pode degustar menus a 20€ (www.lisboa-restaurantweek.com).

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 22 de Setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Alentejanos para todos os gostos

Foi há poucos meses que tive a oportunidade de visitar a Herdade de São Miguel na companhia do Alexandre Relvas (filho), passear pela vinha e adega e provar muitos dos néctares que foram engarrafados recentemente.

E foi há poucos dias que, durante uma prova organizada pelo Alexandre Relvas e o Nuno Franco, provei oficialmente os néctares já engarrafados.

Fiquei extremamente contente por sentir que grande parte das amostras de cascos evoluiu favoravelmente para alguns dos vinhos que, certamente, alegraram o palato de muitos apreciadores.

Dos 175 ha que compõem a herdade situada no Redondo, 35 são de vinhas plantadas entre 2001 e 2003, das quais se transformam anualmente 1 000 000 kg de uvas na adega em seis gamas e dezenas de blends e monocastas.

Começando pelo Herdade de São Miguel (HSM) Branco 2009, produzido das castas Antão Vaz, Verdelho e Viognier: ao olho apresenta cor citrina clara, e ao nariz aromas tropicais e florais. Na boca, revela-se fresco e mineral, terminando longo e persistente.

Não foi certamente o meu preferido, mas é um vinho equilibrado que poderá acompanhar peixes ou mariscos grelhados, ou carnes brancas leves.

Nos monocastas, destaco o HSM Merlot 2009, muito interessante e equilibrado, revelando do seu líquido escuro e opaco um aroma forte a frutos do bosque, chocolate e especiado.

A boca é forte em fruta e especiada, com boa estrutura de taninos. Termina persistente. A minha recomendação é servir a 18ºC com um risoto de trufas ou cogumelos selvagens.

O HSM Reserva 2007 é, também ele uma surpresa muito agradável: a madeira do seu estágio de 13 meses está totalmente integrada e aveludada, e os taninos estão vivos e firmes.

De cor escura e fortemente aromático, desde o café, baunilha, amoras, ameixas e ligeira mineralidade, revela uma boca fresca, também ela complexa nos aromas. Sirva a 18ºC com pratos fortes e temperados.

Termino com o HSM Private Collection 2007, produzido das castas de Alicante Bouschet, Aragonês e Touriga Nacional: resulta num vinho encorpado e do estilo Novo Mundo.

A cor é opaca, escura, o nariz é interessante, revelando notas diferentes como compotas de fruta madura, chocolate e especiarias.

A boca é longa e persistente com taninos aveludados, terminando elegante, poderoso e muito apimentado. Pode beber hoje ou daqui alguns anos e vai certamente notar uma evolução graciosa.

Dos vários vinhos a que tive acesso, como o Tinto Cão, Touriga Franca, Alfrocheiro e o tinto 2009, nada de muito negativo poderei divulgar, ficando com a sensação que a HSM faz muito, mas tem a preocupação de fazer bem.


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Detalhes:
Os vinhos deste produtor podem ser adquiridos no site www.herdadesaomiguel.com na área loja, sendo os preços aproximados de:
HSM Branco 2009 - €5; HSM Monocastas 2009 - €10, HSM Reserva 2007 - €15,5; HSM Private Collection 2007 - €31,5

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 22 de Setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Redoma 17 anos de história

Desde que degustei pela primeira vez um Redoma, que entrou nos meus vinhos de selecção.

Tem todas as características que aprecio num vinho: novidade, irreverência, além de ser um vinho altamente gastronómico.

É importante frisar que, como não poderia deixar de ser, iniciei a minha relação pelos tintos, depois os brancos, terminando nos rosés.

Desde esse primeiro contacto que todos os anos faço a mesma pergunta: será possível manter a qualidade e talvez superar um pouco?

A resposta é sim!

Pois faz menos de uma semana que tive acesso às mais recentes novidades e nenhuma delas me desiludiu, até pelo contrário, o Redoma Branco 2009 é um néctar bastante surpreendente.

Começo por falar um pouco do mais clássico: o Redoma Tinto 2008. Já são 17 anos de história desde a sua primeira colheita na Quinta do Carril em 1991, mas não é pelo tempo de experiência que Dirk Niepoort baixa os braços ao progresso, e este ano voltou a demonstrar que tudo o que faz é para ser bom e contemporâneo.

O Batuta tinto é produzido de vinhas velhas entre os 60 a 120 anos, sendo um blend entre as castas Tinta Amarela, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, e outras, resultando no engarrafamento de 13.847 garrafas.

Em 2008, a sua apresentação é escura e intensa, evidenciando notas de ameixa, pimenta e vegetais.

A boca é suave, muito frutada e mineral, com taninos e acidez muito equilibrados, terminando intenso e persistente. Recomendo servido a 18ºC com um bom bife grelhado ou frito e molho forte e especiado. PVP 29€.

Falando do Redoma Branco 2009, a história reza ao ano de 1995, sendo produzido principalmente das castas Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, revelando-se em 26.560 garrafas de um branco fantástico.

Limpo e cristalino, revela no nariz notas cítricas, minerais, um pouco de alperce e pêssego e uma ligeira tosta, e na boca essas mesmas notas revelam-se de forma fresca e elegante, de final complexo. Ideal para peixes assados, mariscos cozidos.

Sirva a 8-10ºC e o preço recomendado é de 14,70€.

Termino com o arrojado Redoma Branco Reserva 2009, também ele muito equilibrado e, principalmente, interessante.

Também ele é produzido das castas Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho, Arinto e outras, dando lugar a mais de dez mil garrafas.

Envelhecido durante nove meses em cascos de carvalho francês, que lhe dão uma característica única e singular, este vinho é extremamente fresco e mineral e de uma complexidade apaixonante, com um subtil aroma a fumado.

A boca é um pouco ácida, mas mesmo assim equilibrada, passando para os sabores das frutas e minerais. Tem um bom potencial para envelhecimento. Sirva entre os 10-12ºC e o PVP situa-se nos 30€.

Dirk Niepoort não faz vinhos a pensar no seu ego, faz sim muitos vinhos de forma intensa e apaixonada, mas sempre a pensar que quem bebe os seus vinhos também tem uma palavra válida nas suas criações.

Os Redomas são vinhos para beber, degustar e, principalmente, apreciar.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 8 de Setembro de 2010

É tempo das vindimas

Ano após ano, inovam-se técnicas, agilizam-se os processos, sabe-se mais do clima e do solo, mas apesar de todas as evoluções e conhecimento, os produtores de vinho entram sempre expectantes no início da vindima.

Durante vários meses as vinhas foram seguidas, fertilizadas e mais um punhado de acções, para estarem no seu melhor, numa acção que dura pouco mais de uma semana (dependendo sempre do tamanho da vinha): A apanha da uva!

O processo é muito delicado e tem de ser muito bem iniciado, pois antes de tempo a uva não está certamente no seu equilíbrio perfeito, tornando o vinho desinteressante, sem concentração de açúcar e, por sua vez, sem álcool.

Tarde demais o vinho é rico em açucares, muito alcoólico, normalmente de baixa acidez e extremamente adocicado.

Cada variedade tem o seu ponto óptimo de maturação e, consequentemente, uma data.

Escolhida a data, há vários factores a ter em conta antes de se iniciar o esmagamento. Um dos mais importantes é a selecção da uva, sendo a primeira fase ainda no local da apanha, tendo normalmente uma segunda selecção antes da entrada na adega.

Outro ponto essencial é a temperatura, pois sendo ela demasiado alta corre-se o risco de iniciar a fermentação prematuramente.

Seleccionada e com a temperatura controlada, a uva é posta em tanques/ lagares para ser pisada – muitos produtores continuam a usar o processo tradicional, em que são os homens e mulheres a esmagar com os pés, mas a grande maioria tem sistemas mecânicos que substituem o processo “pedonal”.

Deste processo resulta um suco chamado de mosto, que já está preparado para uma nova etapa: A fermentação.

A fermentação inicia-se de forma lenta com um aumento subtil da temperatura e a libertação de gás carbónico - fermentação tumultuosa, e segue-se para a fermentação lenta - dia após dia, a presença de açúcares vai diminuindo, o líquido separa-se do bagaço e das cascas, e a glucose e frutose (açúcares) transformam-se em álcool, mutando de mosto para vinho.

Agora é tempo de estagiar e para alguns vinhos a sua nova casa são os cascos de carvalho, onde permanecem vários meses a envelhecer e a criar características únicas, e outros vão para as cubas para estagiar até estarem prontos a engarrafar.
Alguns meses depois, saem dos mimos dos produtos e chegam às nossas mesas, onde os meses de preparação, vindima, estágio e engarrafamento são transformados em segundos de prazer e degustação, que na mente podem durar uma eternidade.

A festa pré-vindimas

Mas nem tudo é stress, alguns produtores fazem uma festa antes de começarem a vindimar, onde combinam três factores muito interessantes: a apresentação dos novos engarrafamentos e vinhos prontos a consumir, um jantar onde se pode fazer a combinação eno-gastronómica, e uma festa pela noite dentro com muito vinho do Porto para desanuviar os pensamentos. E, por umas escassas horas, divertem-se antes de passarem para a dureza da vindima.

Estou a falar de cinco produtores do Douro que se uniram não só para criar um grupo sólido de amizades, mas principalmente para divulgar os vinhos de mesa do Douro e os nossos muito apreciados Portos por este mundo fora: Os Douro Boys.
São eles o Dirk Niepoort da Niepoort, Francisco Olazabal da Quinta do Vale Meão , Cristiano van Zeller da Quinta do Vale Dona Maria, Tomás Roquette da Quinta do Crasto e Francisco Ferreira da Quinta do Vallado.

Este ano evidenciaram os lançamentos de: Brancos - Quinta do Crasto (Crasto), Van Zellers e VZ Douro (Van Zeller), Tiara, Redoma e Redoma Reserva (Niepoort) e Reserva, Valado e Moscatel Galego (Vallado). Tintos - Douro 2009, Vinhas Velhas 2008 e Superior 2007 e 2008 (Crasto), Van Zellers Rufo 2008, Quinta Vale D. Maria 2008 e Curriculum Vitae 2008 (Van Zeller), Redoma 2008, Batuta 2008 e Charme 2008 (Niepoort), Douro 2008, Reserva Field Blend 2008 e Touriga Nacional 2008 (Vallado), Meandro 2008 e Quinta do Vale Meão 2008.

Durante a apresentação ainda deu para provar grandes Portos: Crasto LBV 2006, Niepoort Vintage Pisca 2007, Crasto Vintage 2008, Vale Meão Vintage 2008, Vallado Tawny 10 anos, Quinta do Vale D. Maria VZ Tawny 10 Anos.
Quero realçar que ainda se provaram o Van Zellers Reserva 2008, Vertente 2008, Sousão e Adelaide 2008 do Vallado e um fantástico Porto Niepoort Colheita 2001.
Todos estes vinhos, depois da prova, tiveram direito à companhia das criativas e regionais obras do Chefe Rui Paula, que deram uma perspectiva gastronómica a uma degustação que jamais será esquecida.

Aguardamos agora os relatórios das vindimas, as novas amostras, e um excelente ano de vinho. E para o ano há mais!

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 6 de Setembro de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Finalmente sexta-feira

A parte que eu mais gosto da minha profissão é a descoberta, todas as semanas viajo de um lado para outro na demanda das melhores refeições, dos mais fabulosos vinhos e, acima de tudo, procuro o que é diferente.

Assim, e porque tenho esta missão, junta-se uma outra tão mais importante, que é a da partilha.

Ora, para que serviria procurar tanto se não pudesse contar a todos o que vi, comi ou bebi?

Começando pelo Norte, junta-se o útil ao agradável: o restaurante BB Gourmet Bull&Bear e o produtor prepararam para si um menu especial, onde poderá degustar um risotto de sapateira com o complexo e aromático Maritávora Reserva Branco, ou uma dourada tépida em Porto e Soja com o fresquíssimo e jovial Maritávora Branco 2008.

O preço do menu é de 25€, e 12€ para o suplemento de vinhos. Marcações e reservas através do 226 107 669 - www.bbgourmet.net .

Já o Ribatejo, região que até há poucos anos tinha sido esquecida pelos cronistas de vinhos, agora está em grande!


Ora recorde-se que até a grande medalha de ouro do prestigiadíssimo Concours Mondial de 2010 para um rosé foi para um produtor ribatejano.

Falo do Casal da Coelheira Rosé 2009.

A partir das castas Syrah e Touriga Nacional nasceu um vinho intenso, concentrado e fresco, fantástico para acompanhar um bom marisco.

Poderá encontrar a 4€ nas principais garrafeiras - www.casaldacoelheira.pt.

Chegando a Cascais, as novidades nunca desiludem.

Desta vez quem surpreende é o Chefe Paulo Pinto, que finalmente abriu as portas do Belvedere.

O restaurante mais cuidado do Grande Real Villa Itália, onde o chefe alarga a sua criatividade, utiliza os melhores produtos a que tem acesso e deslumbra em todas as suas obras.

Curiosa a inclusão dos pratos premiados dos chefes da equipa olímpica que preside, (Carlos Gonçalves e Celso Padeiro, Luís Sousa, Rui Fernandes, Anderson Terra).

Os menus de degustação ficam entre 70€ - 5 pratos, 85€ - 7 pratos (sem bebidas), e às quartas-feiras há o menu de degustação do Chef Paulo Pinto com 4 pratos apenas a 30€.

Pode também, aos domingos, optar pela Barbecue Cool Party: grelhados, Dj's, e muita boa disposição junto à piscina, entre as 18h30 e as 23h, e o preço é de 39€ PAX.

Reservas através 210 966 000 - www.granderealvillaitaliahotel.com.

Termino no Algarve, e num dos meus restaurantes preferidos desta região: O Pequeno Mundo! Cozinha francesa despretensiosa, ao seu melhor estilo e qualidade.

O Chef chama-se Guy Doré, e desde que chegou ao Algarve nunca mais largou esta nossa fantástica região - melhor para nós.

Agora e no Verão, ambas as esplanadas estão abertas, e não há nada melhor que uma noite amena, com uma fantástica companhia, uma refeição inesquecível, vinhos aromáticos para acompanhar e uma decoração cheia de buganvílias e romance no ar.

A sala é presidida pelo sócio do Chef, Joaquim Vilela, que de forma eficiente traduz na prática as nossas exigências e vontades.

Reservas através do 289 399 866 - www.restaurantepequenomundo.com

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 23 de Julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Brancos para o Verão

Crítica do OJE: Brancos para o Verão
Por Vicente Themudo de Castro


Aumenta a temperatura e gradualmente cresce a procura dos vinhos brancos.

E dentro dessa tendência a exigência é cada vez maior, não só da parte dos consumidores, bem como da parte dos produtores. Os brancos deixaram de ser um nicho de mercado e são, seguramente agora, uma das fortes fontes de rendimento.

Castas há muito esquecidas, algumas das quais quase extintas, passaram a ser rainhas; outras que eram consideradas menores passaram a ser princesas e os brancos em Portugal são agora opção fiável e procurada.

Dentro das centenas de opções válidas e refrescantes, decidi seleccionar e destacar algumas que nos últimos tempos provei e gostei.

Quinta do Ameal Loureiro - Vinho Verde DOC, 100% Loureiro

Notas de prova: Límpido com cor citrina.
Aromas frutados e florais muito equilibrados, típico na casta Loureiro.
É um vinho macio cheio de frescura, revelando um final longo, frutado e persistente.
Servir a 10ºC.
Excelente para aperitivo ou acompanhar peixes grelhados.

PVP - €6

Herdade de São Miguel Colheita Seleccionada Branco 2009 - Regional Alentejano, Antão Vaz, Verdelho e Viognier

Notas de prova: Tem uma cor citrina muito clara e revela-se floral e tropical no nariz.
Na boca apresenta uma certa doçura inicial, revelando de imediato a frescura e mineralidade.
O final é longo e elegante.
Servir a 10-12ºC.
Bom para acompanhar peixes grelhados ou assados e sushi.

PVP - €5

Crasto Branco 2009 - Douro DOC, Gouveio, Roupeiro, Cercial e Rabigato

Notas de prova: Apresenta-se com uma cor citrina límpida.
O nariz é muito tropical, revelando também uma boa combinação com notas minerais.
Inicia-se fresco na boca, muito elegante e equilibrado, terminando com uma excelente frescura persistente.
Servir a 10-12ºC.
Bom para acompanhar um bom marisco ou peixe grelhado e saladas mediterrânicas.
PVP - €9,89

Quinta do Barranco Longo Branco Grande Escolha 2009 - Algarve, Arinto e Chardonnay

Notas de prova: Cor citrina com laivos esverdeados e muito cristalino.
O nariz é fortemente aromático, revelando uma grande abundância aromática muito frutada.
A boca é equilibrada e estruturada revelando de forma discreta a madeira e frutas, terminando muito fresco e muito sedutor. Servir a 10-12ºC.
Bom para acompanhar peixes grelhados ou assados.

PVP - €10

Churchill Estates Branco 2009 - Douro DOC, 70% Rabigato; 30% Viosinho

Notas de prova: Apresenta cor verde lima.
O nariz é mineral e cítrico muito elegante.
Na boca revela frescura
e complexidade, terminando muito vivo e longo.
Servir a 10-12ºC.
Bom para acompanhar um bom marisco ou peixe grelhado.

PVP - €8

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 21 de Julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Maritávora, Quinta de Fidalgos e Poetas

Crítica do OJE:
Maritávora, Quinta de Fidalgos e Poetas

Por Vicente Themudo de Castro e João Barbosa


Não se chega a Freixo de Espada-à-Cinta facilmente.
Isto para quem vai do Porto ou de Lisboa.

Manuel Gomes Mota, proprietário da Quinta de Maritávora, diz mesmo que ninguém vai lá por engano, pois a vila não fica a caminho de nada, totalmente desviada das rotas principais. Aquela vila, que uns dizem ser transmontana e outros alto duriense (será um pouco das duas), é uma terra simpática.

Monumentos, há alguns e, pasme-se, manuelinos, tão típicos das cidades e vilas do litoral.

Outra das atracções é a torre da igreja maior, com sete lados.

Pouco mais haverá para ver. Já nos seus arredores há uma paisagem de montanha, de curvas e recantos, que vale a pena espreitar. Mas o que leva hoje a falar de Freixo é a Quinta de Maritávora, produtora de vinhos de calibre maior, que têm dado prestígio à localidade.
A quinta terá pertencido a uma senhora da família Távora, de nome Maria e apelido Lencastre.

Bolandas várias, desconhecidas por enquanto, a propriedade acabou por ser comprada, no século XIX pelo pai do poeta Abílio Guerra Junqueiro.

Desde então que está na mesma família. Manuel Gomes Mota é sobrinho bisneto do autor de "A velhice do padre eterno".

A família é importante na terra e possui diversas quintas. Divisões feitas, calhou a Manuel Gomes Mota a de Maritávora, onde começou a "brincadeira" de fazer vinho.

A produção acabou por ser demasiado para ser só brincadeira e da divisão com os amigos, cedo avançou para uma empresa. Hoje, a Maritávora produz dois reservas e duas colheitas (em ambos os casos branco e tinto).

Recente, muito recente, a produção de Vinho do Porto, em parceria com a Cristiano Van Zeller. O negócio passa-se assim: a quinta entrega vinho para os lotes e recebe vinho já pronto para comercializar a sua marca.

Para já, o Vinho do Porto da Maritávora é só para exportação.
Os nomes maiores são os reservas!

Porém, o Reserva Branco tem um mediatismo maior, colhendo maiores aplausos da crítica. Este vinho provém todo duma vinha centenária, onde muitas castas durienses se misturam, não se sabendo, ao certo, quantas lá estão nem todas as que por lá há.

É um talão pequeno, que gera entre as 2.000 e as 3.000 garrafas ano, e podem ser adquiridas nas principais garrafeiras a partir de 28€. Uvas doutros talhões ali não entram.

O que aquela terra dá é o que fica.

Provado o Maritávora Reserva Branco de 2009 nota-se o estilo da quinta e do seu enólogo, Jorge Serôdio Borges, nome sonante da enologia do Douro.

É um vinho mineral, que espelha bem as características do solo xisto abundante, cerrado e agreste.

No nariz e na boca vem muita frescura, boa acidez. No nariz é cítrico. Na boca é prazenteiro, com longo final.

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 7 de Julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

O Moscatel de Favaios

O Moscatel de Favaios

Por Vicente Themudo de Castro


Moscatel que viu a sua primeira produção na década de 50 na vila de Favaios, onde outrora foi a antiga povoação romana de Flávius, é hoje reconhecido como um dos mais bebidos no nosso país. A vila de Favaios, conta com uma história muito longa e rica, mas definitivamente o seu maior marco foi em 1952 foi o nascimento da Adega Cooperativa de Favaios.


A sua produção desde dos anos 50 evolui não só na quantidade, como no formato, pois a sua imagem de marca são as mini-garrafas de favaito, popularmente bebidas frescas, e muitas vezes com uma rodela de limão.


Eu no meu caso, gosto de beber muito gelado, mais precisamente a 8º, com um pouco de sumo de limão e água tónica. No verão é verdadeiramente refrescante. Nas grandes superfícies podemos encontrar 12 garrafas de 0,06Lt por €6.50, e no caso da garrafa de 0,75Lt os preços rondam os €5.


Mas a evolução fez com que além dos mais bebidos moscatéis de Portugal, alargasem a sua produção a Portos, vinhos de mesa e quem sabe o que vem num futuro próximo.

Voltando aos moscatéis, o seu melhor e mais nobre produto, tenho que destacar dois: A colheita de 1980, engarrafada em 2007 e o Favaios de 10 anos.


O primeiro de cor dourada e límpida, é rico em laranja, mel e passas, e bastante harmonioso na boca. Um final fresco com as nozes e o mel a prevalecerem.


Este é certamente um vinho para se beber fresco e de forma individual, ou a acompanhar uma sobremesa bastante doce. Poderá encontrar esta garrafa nas principais garrafeiras a 17€.


Quanto ao moscatel de 10 anos, a conversa é diferente. Com uma cor verdadeiramente real, ouro e muito brilhante, na boca sobressaem os frutos secos, o doce e a tangerina. Termina de forma longa, elegante e com acidez pronunciada.


No caso de harmonizações, poderá acompanhar bem doces alentejanos, mas a minha recomendação é de beber fresco e de forma degustativa, sem pratos ou doces.

O preço desta garrafa situa-se normalmente nos 14€.


Favaios é mais do que uma vila, é um local onde se produz um excelente Moscatel.


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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quinta dos Avidagos

OJE - Lifestyle - 2010.06.02

Conta com mais de 300 anos de história, e um número muito maior de gerações que, desde o séc XVII, associa a família Nunes de Matos à agricultura e vitivinicultura na região do Baixo Douro.

A Quinta da Varanda foi adquirida em 1665, sendo mesmo uma das mais antigas da região. Em 1730, fruto de um casamento dos filhos da casa, junta-se, em dote, a Quinta do Torrão e mais tarde, já em 1940, adquirem a Quinta da Fírvida e Além Tanha.

A mais recente é a Quinta dos Avidagos que, além de ser a mais conhecida, é agora a casa da família, lagar e a imagem de marca.

Apesar de não ser um dos vinhos do Douro mais mediáticos, algumas das quintas já vêm incluídas no mapa do país vinhateiro feito pelo Barão de Forrester no séc. XIX, o que demonstra uma tradição vinhateira com muita história e longevidade.

Neste momento, têm quatro quintas dedicadas à produção de vinho, acumulando sensivelmente 70 ha, que resultam em duas marcas distintas: Além Tanha e Avidagos.

Recentemente, tive acesso a alguns dos seus vinhos e noto claramente uma evolução positiva, não só a nível qualitativo como de preços, criando uma boa relação preço/qualidade.

A sua gama de entrada a preços entre os €3 a €4, sendo eles o Quinta dos Avidagos Tinto, Branco e Rosé, são equilibrados e aveludados, podem ser bebidos a qualquer refeição, não obrigando a grandes pensamentos.

São vinhos que se bebem bem a qualquer momento.

Mas os que me encheram verdadeiramente a boca foram os reservas. Ora vejamos:

O Avidagos Reserva Tinto 2007, pontuado recentemente pela revista Wine com 17 pontos, é produzido a partir de vinhas em xisto e grande exposição solar, que infere às castas tinta roriz, tinta barroca e touriga franca e touriga nacional características únicas.

De um vermelho profundo, aromas fortes de frutos vermelhos maturados e ameixa preta, revela-se intenso e aveludado na boca, terminando num final longo.

Um vinho interessante, cheio de personalidade, ideal para pratos de carne pouco aromáticos. Podemos encontrá-lo no Continente e garrafeiras a partir dos 9,50€.

Ainda na gama Avidagos, temos o Grande Reserva 2007 tinto que, apesar do seu preço mais alto, 32€, não desilude na relação preço/qualidade.

Que o diga o júri de uma das mais importantes provas de vinhos do mundo, Concours Mondial de Bruxelles, que não hesitou em atribuir-
-lhe a medalha de ouro. Apesar de estar pronto para se beber, poderá ficar mais um tempo na garrafa a ganhar novas e melhores características.

Apresenta-se muito elegante no nariz, sobressaindo as notas vegetais e o doce da framboesa, na boca sente-se, de forma agradável, o fumado da madeira, as frutas maduras e uns taninos equilibrados, terminando forte e prolongado.

Fantástico para pratos muito intensos, como um cabrito à minhota ou umas tripas à moda do Douro.

Por último, falo um pouco do meu preferido, o Além Tanha Grande Reserva 2007. Está quase a ser apresentado ao mercado, mas penso que ainda vamos ter que esperar umas duas semanas, mas o preço rondará os 23€ e o potencial é estrondoso.

Na sua maioria produzido a partir de vinhas velhas e com um estágio de 12 meses em carvalho, tornou-se um vinho intenso no nariz, muito frutado. A boca revela equilíbrio, potenciando os frutos silvestres através de uns taninos firmes, e um final longo e apaixonante.

Bom para apreciar depois de um longo dia de trabalho ou simplesmente para degustar e apreciar.

São vinhos a degustar, apreciar e guardar mas, acima de tudo, são vinhos para se beber.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Junho de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pinhal da Torre - Hand Crafted Portuguese Wines

OJE - Lifestyle - 2010.04.21

São 55 hectares de vinha distribuídos em duas quintas: Alqueve e São João. Estou a falar do Pinhal da Torre, sediado em Alpiarça, e que produz mais de 12 diferentes rótulos, divididos na entrada de gama com a "Vinha do Alqueve", a gama média "Quinta do Alqueve", as superiores a "Prestige" e a top dos tops "Premium".

As castas dividem-se por muito mais do que os rótulos e combinam o melhor das vinhas nacionais, com a necessidade emergente de trazer o cheirinho internacional, como o syrah nos tintos ou o chardonnay nos brancos.

A vinha, essa é situada mesmo no centro do Ribatejo, agora dominada região Tejo, que sempre foi um pouco desconhecida em termos vínicos no mercado português, e agora com a alteração de nome e região ainda se tornou um pouco mais confusa.

Mas Paulo Saturnino Cunha ignora a alcunha do desconhecido e promove aquilo que deve ser fomentado, a boa qualidade e a originalidade do solo e vinha desta região.

É ponto assente e obrigação a produção de vinhos com qualidade e apresenta alguns rótulos de vinho tinto que devem receber uma merecida atenção.

São eles o Quinta de São João e o 2 Worlds, ambos de 2004. O primeiro é um conjunto de três castas: Touriga nacional, touriga franca e tinta roriz, e apesar dos seis anos, três dos quais em garrafa, apresenta uma cor rubi com laivos violetas, mostrando uma jovialidade aromática e uma elegância na boca muito boas.

O seu carácter frutado, onde os frutos maturados do bosque sobressaem, e o estágio de 12 meses em barricas, conferem uma característica complexa e de final rico na boca. Curiosamente por cada hora que passa e se não exagerar vai assistir a uma evolução crescente do vinho, e no meu caso quatro horas após a abertura conheci da mesma garrafa um novo e mais interessante nectar.

Uma escolha adequada para combinar com grelhados de carnes de porco e vaca.

Quanto ao segundo, o 2 Worlds, para o qual recaiu a minha preferência, as castas são touriga nacional e cabernet sauvignon. A sua harmonização de forma singular revela um vinho muito gastronómico e aveludado.

O estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês deu uma complexidade e uma persistência bastante agradável, terminando de forma longa, enchendo a boca com os seus taninos muito seguros e redondos.

Termino ainda com uma referência especial ao Quinta do Alqueve Colheita Tardia 2005, feito 100% com uvas da casta Fernão Pires.

De cor dourada brilhante onde o seu carácter único e frutado, especialmente a maçã reineta, harmoniza de forma adequada com o doce suave do melaço caramelizado. Torna-se assim um vinho muito interessante para acompanhar sobremesas, e alguns queijos, como o da serra.

São vinhos para beber, apreciar e criar ambiente, transformando o néctar de Baco num prazer que deve ser partilhado.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Detalhes:
Pode encontrar em vários restaurantes e garrafeiras especializadas, sendo o contacto do produtor:
Pinhal da Torre
Quinta de São João - 2090 Alpiarça
Tel: (+351) 243 559700
www.pinhaldatorre.com
E-mail: geral@pinhaldatorre.com


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 21 de Abril de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Bipartido - Uma nova forma de beber vinho

Aqui está mais uma boa ideia no mundo dos vinho, e tem sido mesmo uma companhia assídua nos meus jantares.

O bipartido é um bag-in-box (BIB) que tem duas castas em doseadores diferentes: Uma é Castelão e a outra é Touriga Nacional.

Assim, um dia podemos beber uma casta, outro dia outra, ou então fazemos o nosso próprio blend, uma forma educativa e divertida de sermos uma espécie de enólogos.

Aliado a esta forma criativa de beber vinho, há um "Passatempo Bipartido" - Descubra o enólogo que há em si.

Basta visitar o blog do produto e fazer o download da "Ficha de Prova" e quando encontrar a combinação perfeita, preenche a ficha e envia-a por email para casamentos@gmail.com, habilitando-se a ser destingindo com uma misteriosa surpresa.

Para mais informações basta clicar neste link.

Pode encontrar este BIB nos supermercados do grupo Auchan.