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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Novidades do José Avillez

Para aqueles que já há varios meses queixavam-se que comida do José Avillez, só do catering ou de uma das suas lojas de comida pronta, preparem-se não para apenas uma, mas duas novidades e ambas na zona do Chiado em Lisboa.

Primeiro e na toada que já temos assistido em vários chefes, vai abrir um restaurante em Setembro que se chamará Cantinho do Avillez.

A ideia é criar um espaço simples, descomplexado com uma cozinha simples, no entanto sofisticada

A outra abertura está agendada para o incicio de Outono, onde o chefe Avillez irá tomar conta de um dos restaurantes mais emblemáticos de Lisboa, o Belcanto.

Aqui a cozinha irá ser certamente mais sofisticada e criativa (para alguns como eu, esperamos que os ovos à professor se mantenham na carta), se é para lutar por uma estrela ainda é cedo para o dizer!

Depois do silencio, certamente que há muito para falar e escrever sobre este jovem chefe nos proximos meses.

Cantinho do Avillez
Rua dos Duques de Bragança, 7
Lisboa

Belcanto
Largo de S. Carlos, 10
Lisboa

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Finalmente é sexta-feira

O Verão este ano anda a trocar as voltas a muitos portugueses, pois, quando se esperava que o sol abundasse e o vento amainasse, só tivemos direito a metade, dado que horas de sol, todos tiveram, mas debaixo de algum frio e de um vento deveras irritante!

O prognóstico para os próximos dias é de melhoria, aliás, é de muito calor, seja dia ou seja noite. Por isso, a vontade vai ser de muita praia durante o dia, petiscos e um bom branco no fim da tarde, jantares em esplanadas no início da noite e, quem sabe, um pé de dança antes de ir para a cama. Mas afinal onde podemos fazer todos estes programas? Provavelmente, em locais diferentes e, como nem sempre são fáceis de encontrar, andei a pesquisar alguns dos "spots" de Verão.

  • Purpura Beach & Brahmi

    Aqui está uma combinação pouco habitual, mas fadada ao sucesso: juntar alguns dos melhores terapeutas de medicinas orientais e transformar uma das praias mais fantásticas de Portugal, em Tróia, num enorme e relaxante SPA. Quem não conhece esta praia deveria conhecer, pois, além de uma areia branca e limpa e uma água e paisagem convidativa, tem, até ao dia 15 de Agosto, a presença diária, entre as 12h e as 19h, dos massagistas do Brahmi Oriental Wellness. E se na noite anterior a festa durou mais horas, recupere-as em apenas 30 a 60 minutos com a massagem relaxante da Brahmi

    (30 minutos: 45€, 60 minutos: 65€).

  • Side Bar (Hotel Tivoli Marina)

    Para quem gosta de um almoço, jantar ou simplesmente um snack ligeiro ao fim da tarde, não precisa de procurar mais - este é o local certo. Fica no deck suspenso do Hotel Tivoli Marina, com vista sobre os fantásticos veleiros e iates que pernoitam no porto seguro da Marina de Vilamoura. Hambúrgueres, saladas e muitas outras opções que podem ser acompanhadas de uns divertidos e saborosos cocktails como o "Lilly Ice Tea", o "Mojito on the side" ou o "Spicy bloody Mary". A noite e o jantar têm uma carta mais elaborada a cargo dos chefes da casa. Vá lá dar um saltinho, coma um petisco e veja o pôr-do-sol ao som do DJ da casa.

    Marina Vilamoura - Algarve.
    T: 289 303 303.
    www.tivolihotels.com
  • Pousadas de Portugal

    Esta é sempre uma boa combinação da oferta gastronómica com a oferta de locais únicos históricos, em contacto com natureza e perto de muitas praias, sejam elas marítimas ou fluviais. A par desta recomendação, vem uma campanha bastante apetecível até dia 15 de Setembro, de preços a partir dos €85 por quarto, desde que pernoite de 3 a 5 noites, e, para juntar a estes preços bastante mais económicos, oferece-se a estadia aos seus filhos (até duas crianças com um máximo de 12 anos de idade), bem como descontos que vão proporcionar umas férias em família bastante mais em conta.

    T: 218 442 001.
    www.pousadas.pt
  • Restaurante Eleven no T-Clube

    Aqui está uma combinação de que ninguém estava à espera: a união de um dos mais conceituados restaurantes de Lisboa com uma das mais animadas discotecas do Algarve. A Quinta do Lago ganha, assim, um dos mais prestigiados chefes mundiais, Joachim Koerper, que promete ser o primeiro animador de uma noite que pode ser extensa e muito divertida, mas a sua animação vai certamente provocar mais ênfase ao palato. O serviço funciona em buffet todas as noites até ao fim de Agosto.

    C. C. Buganvilla Plaza, Quinta do Lago - Algarve.
    T: 289 396 751.
    www.tclube.com
  • Terra a Terra Reserva 2010

    Produzido das castas Gouveio, Viosinho e Rabigato, fermentou e estagiou em cubas de inox inicialmente, passando depois para barricas usadas. O vinho é bastante fresco, muito aromático, revelando uma boa acidez, sendo um vinho que vai acompanhar não só o calor do Verão, mas também pratos que habitualmente são preferidos durante esta estação, como os peixes e mariscos grelhados.

    Teor Alcoólico 13,76%.
    Sirva entre os 12ºC e os 13ºC.
    PVP: €10,00.
Esteja quase no fim, a meio, a iniciar ou de volta ao trabalho, tenha um bom Agosto, pois as minhas crónicas e o OJE vão de férias. Em Setembro, cá estaremos para o informar e acompanhar no seu dia-a-dia

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Julho de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um segredo a desvendar

Foi em 1999, há precisamente uma dúzia de anos, que a dupla Guy Doré e Joaquim Vilela abriu a porta do sonho já há muito tempo idealizado: O Pequeno Mundo.

Amigos e parceiros de trabalho de longa data decidiram arriscar num restaurante seu e, desde o primeiro cliente até aos que saíram de lá ontem, houve sempre algo em comum: a satisfação de um momento bem passado e uma refeição de proporções épicas.

Nunca escrevi sobre este local com medo de me tornar parcial, pois nunca aqui tomei uma má refeição, mas, com o passar dos tempos, e ouvindo os elogios de quem foi ao Pequeno Mundo, percebi que é tempo de alertar para a existência deste local e descrever a minha última (mas a repetir) refeição.

Atravessar os portões que separam a casa e o estacionamento do mundo é, por si só, uma experiência, pois as longas e coloridas buganvílias, as alfarrobeiras e outras plantas e árvores escondem surpresas de encantar.

O primeiro a aparecer é o pátio, as mesas e cadeiras de palha debaixo do céu estrelado e o simpático Joaquim Vilela, que nos dá as boas vindas e simpaticamente nos encaminha à mesa.

As salas, nobremente decoradas, separam-se da principal, discreta e mais escolhida nos dias de Inverno, a da lareira com um longo banco, ideal para uma bebida quente nos dias frios, mas, atravessando esta e o bar, temos novamente uma esplanada, onde a companhia das alfarrobas e buganvílias mantêm-se, e aqui é um champagne, gin ou imperial que fazem as honras nos dias de calor.

Por aqui bebo um copo, antes de atravessar todas as salas, para voltar à esplanada inicial, na companhia da noite, da fonte e da minha família.

Chegam as entradas e temos direito a umas tostas de brioche e uma pequena terrina de foie, pães da casa e uma manteiga juntaram-se a estes, mas só mesmo para enfeitar, pois a terrina estava soberba.

Fui para a sugestão do dia - o folhado de foie gras com vinho da Madeira. Parece excessivo pedir "dois do mesmo", mas a realidade é que o primeiro era de galinha e o seguinte de pato. Folhado estaladiço e com a gordura a aguentar-se bem à do fígado, e o adocicado bem como a acidez do molho a enaltecerem e equilibrarem as gorduras.

Ainda houve tempo para dar uma dentada no estaladiço de camarão, salada e molho de iogurte, que nunca desilude e tem sempre algo da estação - neste caso, foram uns maduríssimos figos.

No principal, partilhámos a sugestão do dia, era uma dose para dois: Pato lacado e assado com batatas fritas, salada, legumes e um molho de carne e vinho simplesmente fantástico.

O ponto da carne exactamente como foi pedido, e tudo funcionava. Parcial? Talvez, mas não vi nenhuma das mesas a privar-se dos elogios.

Com tanta fartura, não consegui arriscar numa sobremesa. No entanto, o chefe enviou um pré-desert, um crumble com panacota e fruta de Verão, que também cumpriu o seu papel de excelência.

Boa carta de vinhos, uma sommelier que sabe o que diz, um serviço de sala sempre atento e simpático, boa cozinha e disposição é tudo aquilo de que um restaurante precisa, nada mais!

Fico espantado sempre que lá vou porque, tirando as pessoas que ali trabalham, só mesmo eu e as minhas companhias é que falam português. Será este um segredo escondido dos portugueses? Ou simplesmente não têm conhecimento?

Fica aqui o relato de, provavelmente, um dos mais fantásticos restaurantes de cozinha francesa simples e saborosa, onde a paixão por servir aparece em cada prato do chefe Guy Doré.

Detalhes

Restaurante Pequeno Mundo
Caminho de Pereiras
8135-022 Almancil - Pereiras
N 37.09096º, W 8.03090º
+351 289 399 866
www.restaurantepequenomundo.com / info@restaurantepequenomundo.com
Horário: Encerra aos domingos. Aberto das 19h00
às 22h00 (das 19h30 às 22h00 no Verão)
Preço médio: €60
Tipo de Cozinha: Francesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Finalmente é Sexta-feira

Estava muito céptico em relação à versão portuguesa do programa de gastronomia Masterchef, mas a inclusão no júri da Justa Nobre ou do conceituadíssimo chefe Cordeiro, deram-me logo um certo alento. Na sua primeira emissão assisti do princípio ao fim sem dar pelo tempo passar, e até bastante animado com o desenvolvimento.

Depois pensei quais foram os pratos confeccionados e as suas receitas, e aí nada me vem à memória! Digamos que é mais uma versão de entretenimento do que de gastronomia, mas a televisão é isso mesmo.

Amanhã há mais a partir das 21h30 na RTP1, e muitas sacas de cebola irão trazer lágrimas e risos aos Masterchefs.

Largo agora um pouco o mundo televisivo para abordar as minhas sugestões para esta semana, onde destaco três restaurantes, um vinho e um livro:

Restaurante EMO

Fica integrado na luxuosa e fantástica unidade de cinco estrelas do Tivoli Victoria, em Vilamoura no Algarve, a região preferida de férias dos portugueses.

Tive a oportunidade de ir experimentar a nova carta do chefe Bruno e fiquei deveras impressionado: uma cozinha consistente, onde podemos perceber bem não só por onde este chefe andou pelo mundo, como a sua grande qualidade técnica e, acima de tudo, uma criatividade ponderada, onde o importante é a opinião do cliente.

Na sua visita recomendo que escolha uma mesa na varanda e experimente as “Vieiras e wasabi, sapateira e arroz de sushi” ou o “Filete de pregado em pele de pão, arbóreo de lima, alho selvagem” ou qualquer uma das saborosas sobremesas.

T. 289 317 000
www.tivolihotels.com

Restaurante Clube dos Jornalistas

Foi uma das minhas visitas desta semana e desde já revelo que também ela muito positiva.

Não é muito normal, mas é uma agencia de Brand Culturing™ (transformar negócios em fenómenos culturais) que explora o espaço: Norma Jean.

Mas o importante é a escolha do chefe Ivan e da sua cozinha de expressionismo sentimental, que ainda não são marca, mas é uma cozinha acima de tudo saborosa.

O risoto de moqueca está lá para o provar!

Rua das Trinas 129, Lisboa
T. 213 977 138

Restaurante Yo! Sushi

Fica situado no Fórum Sintra, e quem me conhece sabe bem que não sou adepto de centros comerciais, principalmente dos restaurantes no seu interior, pois há uma associação rápida a comida de plástico, mas neste caso tenho de me render às evidencias.

Primeiro porque o Yo! Sushi consegue criar um ambiente próprio dentro de um ambiente comercial, e segundo porque a comida é bastante boa e a preços verdadeiramente convidativos (pratos de €1,5 a €5).

Um dos responsáveis é o SushiMan Miguel Oliveira, que já passou por locais como o AYA ou o Go Natural.

Ao almoço há um menu Super! Sumo onde come o que quiser por apenas €12,90, com as bebidas à parte.

Quando lá for não se esqueça de tocar nas campainhas à mesa e espere pelo “japonês”.

T. 935 705 730

Herdade das Servas Branco 2010

É o primeiro ano que esta herdade lança um branco vinificado através das castas roupeiro, verdelho e viognier, de vinhas plantadas em Estremoz.

Curioso é que uma das vinhas, a da Judia, tem mais de 60 anos, imprimindo características singulares a este néctar já vencedor de prémios.

O vinho é bastante agradável, revelando boa estrutura e complexidade, e principalmente um simpático equilíbrio da acidez dando-lhe frescura.

Sirva entre os 13ºC e os 14ºC.
PVP: €8,75

Justa Nobre, Paixão pela Cozinha

Já não era sem tempo!

Finalmente podemos ter acesso à vida e receitas desta simpática e talentosa cozinheira e chefe, que há mais de 30 anos nos encanta com a sua cozinha tradicional portuguesa.

São cerca de 240 páginas com histórias, aromas, receitas e acima de tudo uma experiência de vida que mostra bem o que é a “paixão pela cozinha” da Justa Nobre.

O livro custa €35 e conta com prefácios do cineasta José Fonseca e Costa e o jornalista António Salvador.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vítor Sobral abre "Tasca da Esquina" no Brasil

Vítor Sobral acaba de inaugurar a “Tasca da Esquina” na cidade de São Paulo, no Brasil. Mantém a mesma filofia do espaço de Lisboa: fazer com que todos os visitantes se sintam em casa. O menu será muito idêntico ao português e, como tal, será um desafio para Vitor Sobral que introduz produtos que não se comem no Brasil, como por exemplo a farinheira.

«Alegria, dinamismo, energia, calor humano e um despertar de sentidos, assim é São Paulo, dinâmica! Esta é a grande afinidade da cidade com o conceito da Tasca da Esquina, ambas sempre abertas a ideias cedentes à criatividade, cultura e ao novo, respeitando sempre as raízes», afirma o Chef Vitor Sobral a propósito da escolha da cidade de São Paulo para acolher a sua Tasca.

Vitor Sobral irá apresentar a São Paulo e ao Brasil a actualidade gastronómica de Portugal, através da sua cozinha de autor. A Tasca da Esquina de São Paulo irá dar a conhecer novos produtos e paladares aos brasileiros e, simultaneamente, acrescentará a riqueza dos produtos brasileiros às raízes de pratos portugueses. Na elaboração do cardápio não foi colocado de parte o respeito pelos produtos nativos, regionais e costumes dos brasileiros, e uma houve uma atenção especial à exigência do público paulistano.

Aliás, o chefe chega mesmo a afirmar que «se fizer uma retrospectiva das minhas criações, facilmente consigo perceber que fui influenciado pela gastronomia do Brasil. Comecei a utilizar fruta nas guarnições, confecções, ligação dos molhos e suas composições, de uma forma constante, com produtos que conheci no Brasil. A Tasca da Esquina em São Paulo é o reflexo de toda a minha experiência como cozinheiro».

Em São Paulo, a Tasca da Esquina será uma casa e não a esquina de um edíficio. Toda a arquitectura e decoração do espaço é assinada pela arquitecta Paula Moura. O restaurante irá manter a mesma contemporaneidade, descontração, conforto e um design moderno e arrojado, tal como em Lisboa.

«O prolongamento da Tasca da Esquina de Lisboa para a cidade de São Paulo é a mistura do que há de melhor das duas culturas e dar a conhecer um Portugal actual» finaliza o chef.

Tasca da Esquina de SP.

Horário de Funcionamento:
De Terça a Sábado das 12 horas às 15 horas e das 19 horas às 24 horas.
Domingo das 12 horas às 16 horas.

Morada:
Alameda Itu, 225 – São Paulo.

Reservas:
+5511 3262-0033/ +5511 3141-1149 / (11) 3141-1149

Press release Integral, fonte: GRUPO MULTICOM

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Elevar a tradição inovando a gastronomia

Em Maio do ano passado nesta mesma coluna fiz um aviso sério sobre uma experiência gastronómica na Madeira. Estava eu então à mesa no Funchal no Restaurante Casa da Quinta, magistralmente chefiado pelo talentoso e jovem Miguel Laffan.

Na semana passada em passeios por terras alentejanas fui deparar com o chefe Cascaense em Montemoro-O-Novo num dos mais recentes e inovador projecto imobiliário: o L’And Vineyards.

Ainda está no inicio mas fiquei fascinado com a ideia do projecto, criar uma espécie de micro adega ligada um hotel, onde os hospedes além de poderem ter as regalias e luxos associados à etiqueta Small Luxury Hotels of the World, podem participar na vindima e vinificação do néctar da casa, e produzir um vinho personalizado.

Neste momento a assessoria é feita pelo Enólogo Paulo Laureano e das recentes vinha, só ainda foi engarrafada o L’and Vineyard Reserva de 2009, que apesar de jovem é bastante agradável e fácil de beber, aliás foi a minha companhia para a refeição que mais à frente vou descrever.

O restaurante está decorado de forma agradável com linhas contemporâneas minimalistas, sendo a sala rectangular espaçosa, e cheia de luz.

Três janelas são as culpadas do efeito luminoso, uma virada para a paisagem alentejana, onde se destaca um grande lago, e outras duas que dão passagem a duas esplanadas, uma das quais destaca-se pela lareira que ilumina a noite e aquece nos dias mais frescos (presumo, uma vez que estive lá para almoço e debaixo de calor intenso).

Há mesa, os pratos, copos, bem como as toalhas e guardanapos de linho de qualidade, demonstram cuidado e são o prognostico de uma boa refeição.

Destaque para o couvert que foge às tradicionais entradinhas alentejanas, e num prato rectangular apresenta um queijo amanteigado, alguns enchidos, pimentos assados e uma manteiga, acompanhados por uma boa variedade de pães, onde sobressai naturalmente o bolo do caco – certamente influencias dos tempos do chefe na madeira.

Depois da surpresa do chefe (figos em duas texturas, presunto, rucula, amêndoas e laminas de queijo), inicio a minha experiencia: Cabeça de xara… croquete de pezinhos salada de alfaces silvestres com uma coentrada.

– os sabores estavam bons, ligeiros, mas com uma ausência dos aromas e sabores do coentro.

Gostei, mas daria um nome diferente, pois é uma interpretação muito própria de um prato com uma personalidade muito intensa em sabores, aromas e principalmente texturas.

Seguiram-se os lagostins, com caldo de marisco, algas e bivalves, tanto os lagostins como os bivalves, estavam muito bem cozinhados e bem temperados por um caldo verdadeiramente apetitoso, saindo um pouco do Alentejo, mas ganhando na diversidade.

Depois veio uma Raia, mais uma vez no bom ponto de cocção, servida com um gaspacho com boa acidez, não se sobrepondo ao peixe, e alguns legumes salteados.

Terminei os salgados com um prato com muitas influências marroquinas, lombo de borrego merino assado, tagine de legumes primaveris e moleja, puré de batata-doce de Aljezur, bom ponto da carne, rosada como mandam as regras, os legumes e as batatas eram bons, mas havia um pouco de hortelã da ribeira a mais, o que por vezes sobrepunha aos sabores adocicados do caldo e carne.

Depois de uma oferta do pasteleiro, terminei com a abundante floresta negra (A minha floresta negra com cerejas da época, gelado de nata e geleia de quirche), que apesar de se notar grande trabalho e qualidade dos produtos, de realçar a qualidade do chocolate, estava um pouco seca, e faltavam os sabores compotados das cerejas.

Em suma, voltei a ficar impressionado de forma positiva com o chefe Miguel Laffan, que consegui transformar algumas receitas tradicionais e apresentações interessantes e aromas e paladares de grande categoria.

Volto a realçar, temos chefe com raça e agora no Alentejo!

Detalhes
Restaurante L’And
Estrada Nacional 4
Herdade das Valadas
7050-031 Montemor-o-Novo
N 38º 38' 44", W 8º 14' 50"
+351 266 242 400
www.l-andvineyards.com / info@l-andvineyards.com
Horário: Aberto todos os dias das 12h30 às 14h30 e das 19h30 às 22h00 (às segundas apenas serve o menu de cafetaria)
Preço médio: €45 (Menu de degustação s/ bebidas: €75)
Tipo de Cozinha: Alentejana Contemporânea de Autor
Cartões: Todos


Surpesa do Chefe


Lagostim com bivalves


Raia com gaspacho e legumes salteados

A minha floresta negra com cerejas da época, gelado de nata e geleia de quirche

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de assistir a vários e animados debates na Assembleia da República, denotei uma tendência clara em utilizar os dados estatísticos, então dei por mim a fazer pesquisas e deparei com estes números: as receitas brutas no negócio directo no turismo em 2010 foram de 7.631,2 mil milhões de euros, bastante acima dos 10% do PIB. Acho que está na altura de criar um Ministério do Turismo, as receitas já o merecem.
Já no que respeita a novidades gastronómicas há muito para falar, não no que respeita a novas aberturas, mas cartas e caras novas.

Panorama

Com nova carta e uma criatividade sem limites está o novo menu do restaurante Panorama do Hotel Sheraton de Lisboa. Afirmo com segurança que o chefe Leonel Pereira é provavelmente o melhor chefe português da actualidade, e para sustentar a minha afirmação está a "capoeira".

Uma interpretação muito singular da canja, onde os sabores estão lá todos, e o pormenor do ovo em crescimento.

Bem, é melhor passar por lá para compreender o que eu digo. Este chefe algarvio cheio de memórias gustativas, consegue transpor para os seus pratos os valores e sabores dos pratos tradicionais portugueses, de uma forma criativa, palativa e muito visual.

T: +351 21 3120000
www.sheratonlisboa.com

Bairro Alto Hotel e o restaurante Flores em Lisboa

O Bairro Alto Hotel e o restaurante Flores em Lisboa apostaram no chefe Vasco Lello para reestruturar a carta e dinamizar gastronomicamente o restaurante.

Ponto positivo para o esforço, e depois de duas visitas, uma para o almoço e outra para o jantar, destaco pratos como o bacalhau confitado com "ras-el-hanout", grão, harira, briouat e óleo de argan com muitas influências marroquinas e asiáticas, e a sela de coelho braseada e recheada com os "miúdos", a perna assada e desfiada com tomate, azeitonas e manjerona.

Apesar da forte influência na sua cozinha de um dos seus mentores, Aimé Barroyer, já dá para notar alguns traços da sua personalidade.

É certamente uma experiência a repetir.

T: +351 21 3408252
www.bairroaltohotel.com

KOI Sushi

Em Portugal, o Sushi veio e tende a ficar e um dos exemplos mais fulgurantes é o Restaurante KOI Sushi, que no próximo dia 15 de Julho celebra o seu aniversário.

O chefe e sushiman Japonês Kazunori, preparou para este dia várias supresas que vão muito além das suas iguarias!

Entre as 18h e as 20h do dia 15 vai haver muita música na esplanada com um DJ, um concurso de Cosplay (máscaras de super heróis de Manga Japonesa), escrita no nome em Kanji (caracteres Japoneses), prova de sakê, prova de cerveja japonesa Kirin e uma prova de Sushi.

T: +351 21 3640391
www.koilisboa.com

Hard Rock Café

Termino com uma sugestão diferente: uma visita ao Hard Rock Café!

Para quem não sabe, esta casa mítica já festejou os seus 40 anos de idade, e oito em Portugal.

Em Lisboa é um espaço fantástico, repleto de verdadeiras peças de culto, como o Caddilac colado no tecto, as guitarras e fatos de vários famosos como Elton John , Xutos e Pontapés e dezenas de outros.

É um local que tanto dá para uma refeição divertida em família, um encontro de empresários, ou simplesmente um jantar a degustar o fantástico HRC Legendary burger!

T:+351-21 3245280
http:// www.hardrock.com

Para comentar este artigo ou sugerir temas, contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 08 de Julho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Saborear as tradições algarvias

Sempre que pensamos em Algarve, vem-nos à memória as praias, o sol, as bebidas frescas e, para quem vai em Agosto, um irritante e desconcertante trânsito veraneante.

Mas a verdade é que a costa é apenas parte de uma região imensa em que há mais terra que areia, e é pelo interior que andei a passear na demanda dos sabores regionais.

Lanço-me à estrada e, depois de alguns quilómetros da "125", apanho a já chamada estrada antiga para Lisboa. Depois de passar a bomba de gasolina da BP, na saudosa estrada nacional, (bomba que, para muitos da minha geração, era o prelúdio de mais alguns minutos para chegar ao "Algarve das praias"), viro no cruzamento que indica Messines e, ao chegar à rotunda que tem Messines à direita, viro à esquerda e ,alguns centos de metros após, vejo a placa que anuncia: Restaurante Mussiene.

Parque privativo com sombra debaixo da latada, esplanada montada, mas a minha opção recai no interior - o calor do dia obriga ao aconchego fresco do ar condicionado, mas, com o fresco das estrelas, este promete ser um local mais apetecível e romântico.

Lá dentro, a decoração simples, mas não chocante, é acolhedora, com alguns pormenores interessantes, como a garrafeira que ocupa a parede de fundo, um bar com várias garrafas expostas e uma sazonal exposição fotográfica. Hoje a artista era da terra e o tema são imagens locais.

Sento-me à mesa e inicio logo os meus trabalhos com uns carapaus alimados sobre umas migas, tapenade de azeitonas e tomate - boa combinação, apenas uma pequena distracção no alho, que por vezes se sobrepunha aos outros sabores.

A seguir, a espetada de polvo com batata de Aljezur - mais uma vez, tudo bem confecionado, havendo uma boa combinação entre o doce da batata e o salgado do polvo, dispensava a pimenta rosa fresca, mas acredito que muita gente gostará.

Numa combinação mais séria, veio o robalo com espargos verdes e batata sauté. Quando os produtos são bons, dificilmente se consegue estragar e, neste caso, até enalteceu as qualidades frescas do robalo à linha.

Ainda houve espaço para umas costeletas de borrego (carré) com um ratatui de legumes da região e fundo de carne! Carne rosada, saborosa e exactamente no ponto em que foi pedida - nada a apontar, a não ser uma salva de palmas.

Não sei como, mas ainda dei umas dentadas nas bochechas de porco preto com puré de batata e brócolos, carne macia bem confecionada, mais uma vez, sem remates negativos - talvez fosse importante cuidar um pouco mais a apresentação deste prato.

Terminei com duas sobremesas: um bolo quente de chocolate com gelado e coulis de frutos silvestres e uma pêra bêbada com cama de baunilha.

O primeiro estava demasiado doce e o chocolate era banal, não elevando nada para as memórias; a segunda já era o oposto: a pêra estava bem cozinhada os sabores fortes do vinho e da canela não abafavam o "doce" da pêra - pelo contrário, harmonizavam muito bem e a baunilha dava um toque exótico ao prato.

Fiquei fascinado com a cozinha simples do chefe David Coelho: sem grandes pretensões, honesta nos produtos, simples na apresentação (por vezes demasiado simples) e forte em tradições e aromas.

O Algarve e o seu interior ganham por ter locais como estes e, quem por lá passa, ganha uma recordação do que melhor a região tem para oferecer.

A boa comida por um bom preço, nunca se nega uma visita.

Detalhes
Restaurante Mussiene
Monte de São José
8375-052
São Bartolomeu de Messines
N 37º14'52.9, W 8º17'04.98
+351 282 339 357 / 918 831 456
mussiene.restaurante@gmail.com
Horário: Terça a Domingo 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 22h30 Preço médio: €25 Tipo de Cozinha: Regional Algarvia Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Segredos Algarvios

Quem não arrisca não petisca!"

Este é o meu lema de vida, pois só assim posso fazer novas e interessantes descobertas por este país fora e o mais extraordinário é que muitos desses segredos são destino comum de vários "internacionais". Nós, quando não queremos ir, temos sempre o cliché "Isso é um sítio só para estrangeiros".

Pois foi por curiosidade, e ultrapassada a barreira do cliché, que decidi conhecer o Monte do Casal e o seu restaurante, um pequeno boutique hotel escondido sobre uma intensa e belíssima vegetação na estrada que separa Estoi de Moncarapacho, mais precisamente no Cerro do Lobo.

Depois de uma pequena visita ao jardim, paisagisticamente preenchido com árvores exóticas, lagos, quedas de água, repuxos, rãs, sapos, carpas koi e até um coelho, decido ficar para comer uma salada.

Ao chegar ao restaurante, não tenho dúvidas em optar pela esplanada virada para o relvado e a riqueza de sons e cores já descritos anteriormente.

Uma salada era a minha intenção, mas rapidamente rendi-me à carta e decidi pegar nos talheres, encher os copos e partir para a aventura.

Como cortesia, o chefe enviou o seu amuse bouche, um pequeno shot de gaspacho, muito suave, devidamente condimentado e suficientemente fresco para ser um bom prognóstico de uma bela refeição.

Para entrada chegou um belíssimo e apelativo parfait de fígado de galinha ao Porto, com geleias de figo e tostas quentes - notei alguma semelhança com um já provado em Londres no restaurante do Heston Blumenthal (The Fat Duck), e a curiosidade levou-me a perguntar.

Para surpresa minha, o chefe George Tanock trabalhou por lá durante dois anos e nota-se muito a influência da sua passagem por um dos locais considerado, por muitos, o melhor restaurante do mundo.

Sem desrespeitar a receita original, deu a este prato um toque pessoal estilo "Tanock", tornando-o fantástico: o parfait a lembrar um pouco uma mousse, bastante cremoso, as geleias com toques doces, o Porto ligeiro, mas presente, e outros elementos que, parecendo muitos, combinavam, no seu todo, de forma harmónica e viciante.

Para principal, pediu-se o camarão tigre salteado com risotto de ervilhas e barriga de porco preto confitada, tudo muito bem confeccionado, revelando boa técnica.

No entanto, o risotto estava um bocado sensaborão, precisando de uma revisão, ao invés da barriga de porco que estava macia, saborosa, levando certamente várias horas de cozedura para poder atingir tal macieza.

Terminei com um doce: ananás caramelizado, merengue e gelado de lima. Confesso que não sou apaixonado por esta área gastronómica, mas soube-me bem.

A textura do ananás ficou mais macia no seu interior e crocante no exterior com a caramelização, e o gelado de lima cortava o excesso de doce da fruta e do merengue.

Este chefe tem apenas 30 anos, mas já demonstra muita segurança na arte dos tachos e panelas e, para rematar, estamos a falar de um local lindo com uma paisagem apaixonante.

Aqui está um bom exemplo de que "quem não arrisca não petisca!"

Detalhes
Restaurante do Monte do Casal
Monte do Casal, Cerro do Lobo, Estoi
8005-436 Faro (Algarve)
07° 52' 19.7" W, 37° 05' 04.1" N
Telefone: +351 289 990 140
www.montedocasal.com / reservations@montedocasal.pt
Horário: Aberto todos os dias das 12h30 às 15h00
e das 19h30 às 23h00
Preço médio: €35 (€54 Degustação, €79 com vinhos)
Tipo de Cozinha: Internacional Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O novo Paradigma de Cascais

Não é minha politica visitar os restaurantes logo na sua abertura, pois normalmente ainda estão em fase de ajustes, não só a nível gastronómico, mas também em relação ao serviço.

Mas na realidade, uma vez que estão abertas as portas, qualquer restaurante está sujeito a críticas e opiniões.

Na passada segunda-feira quando subia a D. Carlos I em direcção à Cidadela de Cascais, ainda inebriado pela fantástica vista da baía, deparo com algumas pessoas sentadas à mesa nas varandas do primeiro piso do número 48, e pensei, porque não aclamar esta vista por um pouco mais tempo.

Este é um daqueles espaços que tem tudo para funcionar, pela sua localização privilegiada não só pela vista, mas também pelo vasto numero de passantes que diariamente vagueiam ofuscados pela beleza desta Riviera lusa.

O seu interior é parcialmente denunciado pelas longas janelas envidraçadas (normalmente abertas) que revelam uma decoração despretensiosa, moderna e um bar bonito e chamativo.

As cores escuras e a decoração formam uma simbiose entre o clássico e o moderno calmo, criando um ambiente urbano cool, suficiente moderno para a camada jovem e sobriamente clássico para os menos jovens.

Ao subir para o primeiro piso, apressado para garantir a mesa que namorei da rua, deparo com um belíssimo candeeiro preto sobre o bar, creio que vai ser referencia forte para futuros artigos sobre o espaço.

Já sentado, analiso a lista: para quem abriu no mês passado não está nada mau, uma dúzia de entradas, cinco peixes, nove carnes e sete sobremesas.

Já no que respeita a vinhos a escolha é mais pobre e um pouco confusa, precisando de um pouco mais cuidado.

Além da possibilidade à la carte, há ainda um menu do dia ao almoço, composto por um prato (carne, peixe ou salada), uma bebida, uma sobremesa em shot e um café por apenas €9,50.

No meu caso, e depois de um couvert com várias manteigas, optei pelo creme de espargos, bastante cremoso, com alguns pedaços de presunto para salgar, era boa, mas penso que faltava o efeito explosivo, talvez pudessem desidratar o presunto, dando um efeito crocante e salgado mais acentuado.

Como era segunda, dispensei o peixe e saltei logo para a carne: Vazia charolesa com oito cepes flamejados, seguido do rosbife à inglesa com oito pimentas - em ambos os casos a carne era de bastante qualidade e as guarnições muito idênticas com batata “a murro”.

No primeiro caso a carne vinha ligeiramente acima do ponto.

Terminou-se com a trouxa de arroz doce com gelado de canela e mel: aqui o arroz vinha também ele ligeiramente acima do ponto de cozedura, nada de grave, mas a parelha com o gelado tornava a sobremesa muito interessante, leve, fresca e nada enjoativa.

Alguns apontamentos técnicos a corrigir na confecção, mas o serviço foi sempre atencioso e correcto, o que demonstra uma gerência com algum know-how.

Depois do jantar, e como já era habitual no anterior espaço (Foral da Vila), a noite prolonga-se ao som de new jazz e aos diferentes sabores dos cocktails coloridos até às duas da manhã, não sendo obrigatório acabar a refeição e seguir directo para casa, ou mudar de local para um pouco de animação.

Resta-me agora esperar que o “Paradigma” seja sempre a subir e que Cascais ganhe um pouco mais de vida com este espaço.

Detalhes
Restaurante Paradigma
Avenida D. Carlos I, 48
2750-310 Cascais
09° 25' 13" W, 38° 41' 46" N
+351 214 822 265
www.restauranteparadigma.com
Horário: Encerra ao domingo, Aberto das 12h30 às 15h00 e das 08h00 às 02h00 (cozinha fecha às 11h00)
Preço médio: €25 (sem vinhos)
Tipo de Cozinha: Contemporânea
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 1 de Junho de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Budapeste, do comunismo ao capitalismo

Longe vão os tempos que, para chegar a Budapeste, teríamos que fazer uma viagem sem fim, com escalas, e perdia-se um dia inteiro entre aeroportos e aviões.

Hoje a TAP já tem voos directos para a Hungria praticamente todos os dias, sendo agora apenas uma viagem de três horas e meia.

Depois de chegar a esta linda cidade, andar por cá é bastante fácil, pois cada bairro tem um número e as moradas evidenciam sempre essa catalogação.

A rede de transportes interna também é bastante simples e muito boa, desde os eléctricos que percorrerem a cidade em linhas rectas, os autocarros (um pouco envelhecidos), ao metro, e se não quer mesmo nada andar a pé, pode sempre optar pelos táxis (evite apanhar os de rua, peça sempre para chamar do hotel ou restaurante, sai sempre mais em conta).

Lá estou eu a falar em passear e ainda não disse onde dormir, na realidade aqui a oferta é muito vasta havendo alguns 5 estrelas e muitos de 4 com qualidade, o importante é que estejam o mais possível perto do centro.

Uma das avenidas mais populares e centrais é a Erzsébet, e aqui a opção mais sólida é o Corinthia Hotel Budapest, com 414 quartos, 31 suites e ainda vários apartamentos para quem pretende ficar um pouco mais tempo, ou então mais reservado.

Este hotel, que abriu em 1896 como Grand Hotel Royal, sobre muito luxo, foi sempre considerado um emblema da cidade. Depois de esquecido e quase a cair, este grupo em 2003 voltou a recriar o charme que sempre lhe foi gabado.

Alem dos vários quartos, este hotel tem um SPA com uma piscina fantástica, um piso executivo (com internet, jornais, salas de reunião e snacks, tudo oferta para os empresários), vários restaurantes, onde se destaca o asiático Rickshaw e a famosa pastelaria e casa de marcipan: Szamos Marcipan Café.

Corinthia Hotel Budapest
Erzsébet körút 43-49 Budapest H-1073.
Tel: +36 1 479 4000.
www.corinthia.com

Noutra zona, um pouco mais afastado do centro, mas suficientemente perto para se demorar apenas 5 minutos até chegar a um ponto de visita importante, está um dos mais bonitos hotéis da cadeia da Four Seasons - o Gresham Palace.

Com uma arquitectura Art Noveau, combina a excelência de um serviço de cinco estrelas com uma decoração e arquitectura únicos e uma vista de sonho sobre o Danúbio e a zona de Buda. Mesmo que não se pernoite aqui, vale a pena visitar não só o lobby e o seu bar, como experimentar o restaurante com porta para a rua e muito bem conduzido pelo chefe italiano Simone Cerea, e por fim terminar relaxado no fantástico SPA.

Four Seasons Hotel Gresham Palace,
Roosevelt tér 5-6, 1051 Budapest.
Tel: +36 1 268 6000.
www.fourseasons.com/budapest

Saindo agora do espectro da dormida, vou retomar ao passeio, pois esta cidade tem tantos locais para visitar que não há tempo para ficar no quarto a fazer ronha.

A basílica de San Stefano (Szent István-bazilika), terminada em 1905 e dedicada ao primeiro rei da Hungria, Szent István(975–1038), é baseada no estilo neoclássico.

Os museus também são muito interessantes, havendo de todos os estilos, de arte, de história da guerra, etc. Dos que visitei, o Museu Nacional Húngaro foi o que revelou as mais interessantes peças da história deste país, remontando mesmo a vários séculos a.C.

É comum, para quem anda a passear pela rua, encontrar em todos os cantos e recantos vários prédios com fachadas lindas, muitos jardins no meio da cidade, e um longo Danúbio que, não só embeleza Budapeste, como tem um conjunto de histórias românticas, dramáticas e de outros géneros sem fim.

Muito importante é o espírito de aventura, e sempre que há uma entrada para o interior de um prédio, não deixe de entrar, pois nunca se sabe o que este pode esconder: uma loja de bugigangas, um café romântico, um antiquário, há sempre algo novo para explorar.

Outro ponto interessante é o bairro judeu e a sua sinagoga: a segurança é apertada, como não poderia deixar de ser, mas o seu interior é fascinante e bastante revelador da história deste povo.

Todos os dias entre as 18h e as 19h, os locais juntam-se no Centro Cultural de Erzsebet e pelo jardim há vários músicos a tocar os seus instrumentos juntos ou isolados, e a estilos diferentes, o que demonstra bem a herança musical que este povo já nos deixou.

Muito populares e já com longa fama, são os famosos banhos e aqui poderá optar pelos do Gellert ou do Rudash mas aviso desde já que são mais interessantes no inverno, mas é algo a não perder.

Termino com alguns locais para jantar: para se comer a típica comida húngara é imprescindível ir ao Bock Bisztró na rua Erzsébet, mesmo junto ao Corinthia.

Aliás, partilham paredes. Aqui poderá passear por toda a Hungria sentado à mesa, não é um restaurante rústico como os do interior, mas o sabor está lá todo.

Bock Bisztró
1073 Budapest, Erzsébet körút 43, Hungary.
Tel: +36 1 321 0340.

Popular nesta zona é o caviar, e para experimentar o melhor que nesta terra se faz não há nada como ir ao Arany Kaviár Étterem, cozinha russa, muitos blinis e caviar ao melhor preço.

1015 Budapest, Ostrom utca 19.
Tel: (+361) 201 6737.
www.aranykaviar.hu

Mas a paragem obrigatória é no restaurante Costes na Raday, uma das mais animadas ruas de Budapeste, pois no número 4 vai encontrar nada menos, nada mais do que o português Miguel Rocha Vieira, que desde 2008 está a chefiar este restaurante, tendo já valido uma estrela Michelin e muitas louvas de todos os seus clientes.

É um espaço que não pode perder, e não se esqueça de dizer em português “Posso falar com o Chefe?”, pois ele concerteza vai ficar feliz de o receber.

Costes Restaurant
1092 Budapest, Ráday utca 4.
Tel: +36 1 219 0696.
www.costes.hu

Agradecimento a TAP (Transportadora Aérea Portuguesa), pela colaboração na reportagem.

www.flytap.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Finalmente é sexta-feira

Nas últimas semanas, tenho andado num virote, saltando de país em país que nem caixeiro-viajante, não estando assim apto para falar das mais recentes novidades no que respeita a aberturas de restaurantes em Portugal. Assim, e para não deixar o senhor leitor desamparado, vou sugerir alguns espaços que devem ser fantásticos para os dias de sol que o fim-de-semana tem para oferecer (isto segundo o Instituto de Meteorologia). Deixe-se guiar...

Praia do Peixe

Fica na praia do Pego, perto do Carvalhal e da Comporta, na região onde para mim começam as melhores praias de Portugal.
Fica debruçado sobre o areal, por isso a vista não pode ser melhor, e depois da cozinha vêm várias iguarias totalmente irrecusáveis.
É claro que a proximidade ao mar e o nome evidenciam o produto nobre da casa: o peixe!
Mas o marisco também ganha destaque e os arrozes têm lugar especial na ementa.

Praia do Pego
7570-783 Carvalhal
Tel.: +351 913 061 256
www.praiadopeixe.com

Pico do Refúgio

Este é um local lindo na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde outrora foi uma casa do século xvii, bem como uma fábrica de chá, transformada e remodelada nas Casas de Campo. Um verdadeiro refúgio das pressões citadinas e apenas a 15 minutos do aeroporto de Ponta Delgada.
Além dos 8 partamentos/lofts decorados de forma agradável e confortável, todos com kitchenette, há um relvado imenso em redor da casa onde as mesas de pedra são o local ideal para uma longa e animada refeição sob o céu estrelado dos Açores.

Roda do Pico 5, Rabo de Peixe
Ribeira Grande, São Miguel
Tel.: +351 296 491 062

UVA, Divine dinning

Confesso que não é um hotel (The Vine) de que tenha ficado fã, pois fica no centro do Funchal, ou, segundo os próprios, por cima de um centro comercial e a vista de grande parte dos quartos é para o vizinho da frente.
Na Madeira queremos ver mar ou serra, janelas nunca! Mas um facto inegável é a vista única e fantástica do terraço deste hotel, e é neste andar que encontra um bar, uma piscina e o restaurante UVA. A cozinha é assinada pelo chefe francês e detentor de 3 estrelas Michelin Anthoine Westermann, o que dá uma sólida garantia gastronómica. A garrafeira também é excelente, por isso deixe-se levar pelas sugestões do chefe e sommelier.

Rua dos Aranhas, 27, Funchal
Tel.: +351 291 009 000
www.hotelthevine.com

Cais da Vila

Este é daqueles locais por que qualquer pessoa se apaixona à primeira vista.
Primeiro, pelo facto de ter sido a antiga estação de comboios de Vila Real, e eu não conheço ninguém que não goste de comboios e das suas estações, há algo de melancólico e ao mesmo tempo romântico nestes locais.
Segundo, está principescamente recuperada num wine bar, restaurante de tapas, esplanada e restaurante de fine dinning, havendo um pouco de tudo para cada gosto ou carteira.
Para petiscar, comer um prato principal ou simplesmente um branco para a noite mais quente.

Rua Monsenhor Jerónimo do Amaral (Estação de Comboios Vila Real)
Tel.: +351 259 351 209
www.caisdavilla.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

E agora com uma nova Alma

Há vícios que, por mais que passem os anos, nunca conseguimos largar, e um dos meus é, enquanto desço a Calçada Marquês de Abrantes, estar que nem lince à espera de um movimento suspeito de outro automóvel, e assim que sentir movimento, saltar com as garras afiadas para o lugar que vagou.

Agora já há por aqui vários parques (largo Vitorino Damásio), mas vícios não se largam.

O destino é o restaurante Alma de Henrique Sá Pessoa, para verificar a evolução da sua ementa, carreira e criatividade.

Desde Maio de 2009 que não visitava esta casa a não ser para apresentações de vinhos, e como sabia que havia carta nova dou por mim a bater à porta do número 92.

Confesso que este é um espaço que sempre me fascinou, pois a sua decoração “clean” onde o branco prevalece, não só nas paredes como nas mesas, cadeiras, serviço, ementas e até no fantástico candeeiro de algodão que paira pela sala, dá uma sensação de limpeza que me dá confiança.

Pormenores como o facto de podermos ver a traça da parede antiga nos pontos de luz e o pequeno vidro ao nível dos olhos que nos permite verificar os trabalhos que se efectuam na cozinha, são muito interessantes.

Não me vou perder em grandes pormenores técnicos pois a comida que o chefe Henrique Sá Pessoa prepara, é simples sem ser banal, fácil de provar e principalmente é uma comida com sabor e requinte.

As opções são várias, com uma carta bastante interessante e variada, só peca pela pouca variedade de sobremesas, mas porque um prato não chega para avaliar o trabalho deste chefe, optei pelo menu de degustação (€39).

Como é habitual neste tipo de restaurantes, comecei com a surpresa do chefe, servido numa chávena de café vinha um cappucino de espargos muito suave, um bom mote para o inicio do que se revelou uma bela refeição.

As vieiras sobre uma cama de couve-flor em puré e ovas de salmão, também se revelaram muito felizes, estando muito bem cozinhado e as ovas deram-lhe uma textura de explosão à boca, bastante relevante.

A cavala em água de tomate era interessante, diferenciador jogando muito bem a acidez deste vegetal com o peixe (por muitos considerado menor, mas nesta combinação ganho o estatuto de rei).

O camarão, as ervilhas (puré e grão) e a gema de ovo a baixa temperatura, foi o que se seguiu, respeitoso e interessante, mas foi o atum com a água de galinha (caldo) com os cogumelos shitaki e enoki que me deixou completamente rendido.

O caldo da galinha cozido com vegetais e os cogumelos não era demasiado gorduroso e enaltecia a graciosidade do atum, é nestes momentos que diferenciamos um bom chefe com técnica e conhecimento, daqueles que simplesmente copiam.

A procissão não ficou por aqui, e ainda houve tempo para o lombo de novilho com macarrão recheado com requeijão de Seia e pesto, acompanhado por tomate cherry confitado, confesso que não foi o meu preferido, pois não achei grande graça ao macarrão, mas no entanto notava-se que havia técnica e o prato estava bem pensado no que respeita ao sabor e texturas.

Terminei com um sopa de frutos silvestres e gelado de balsâmico envelhecido, novamente um prato interessante e irreverente, mostrando que o chefe Sá Pessoa trabalha bem diversos produtos.

O serviço foi sempre correcto e atencioso, fazendo do Alma um local onde se está bem, e a graciosidade da cozinha do chefe Henrique é a mais-valia de uma casa que merece ser visitada.

Detalhes
Alma de Henrique Sá Pessoa
Calçada Marquês de Abrantes, 92 – 94
1200 Lisboa (Santos-o-Velho)
09° 09' 18" W, 38° 42' 28" N
+351 213 963 527 / +351 910 535 610
www.alma.co.pt
Horário: Encerra ao domingo e segunda aos jantares, Aberto das 19h30 às 23h00
Preço médio: €45
Tipo de Cozinha: Autor
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Maio de 2011