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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Compre o que é nosso: Salicórnia

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
Há centenas de produtos que nascem por todo o país, que para muitos são considerados pragas, e para quem dá um pouco mais de atenção, descobre que está sobre uma verdadeira pérola.

A salicórnia, também conhecida por sal verde ou espargos do mar, é uma erva halófita que cresce normalmente nos sapais (salinas), sendo altamente tolerante ao sal, e com uma particularidade e singularidade única: é salgada.

Para muitos é uma desconhecida, e quem a vê associa mais rapidamente a uma erva daninha, ou uma erva para as larvas, antes de pensar em apanhá-la e levar para casa para a utilizar na sua cozinha.

O que é certo é que esta erva suculenta, verde e pequena tem uma textura intrigante e um sabor a sal curioso, sendo mesmo utilizado como substituo do cloreto de sódio (sal) em saladas, ou mesmo em pratos mais complexos.

Segundo alguns médicos, a salicónia além de ser abundante em vitaminas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é altamente aconselhada para os hipertensos, uma vez que pode ser um substituto do sal na cozinha.

Apesar do desconhecimento na cozinha dos portugueses, não passou despercebida aos grandes chefes de cozinha que adoram criar pratos utilizando este produto, principalmente como um substituto salgado, mas também pela sua curiosa aparência e textura.

Salina Figueira Foz, Eiras Largas
A Salicórnia é apanhada fresca entre Março e Agosto, (às vezes aparece em Fevereiro ou estende-se até Setembro) e após Setembro até Outubro é apanhada seca e triturada para se vender em pó. Curiosamente, é o Brasil que fica com grande fatia desta variante.

O José João da Casa do Sal, proprietário da Salina Figueira Foz, Eiras Largas – Margem sul da Figueira na zona da Gala, além dos cristais, apanha regularmente esta erva, e distribui e vende para vários pontos do país a €20 o quilo, e também pode ser comprada através do site www.casadosal.pt.

O meu conselho é que arrisque na sua saúde e acredite que é luso e é bom. 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Finalmente é Sexta-feira

Em Portugal, há um grande estigma quando se fala de restaurantes de hotéis.
 

Na realidade, há muita tinta que se pode gastar falando negativamente destes espaços, mas a verdade é que também há muita para gastar para realçar as qualidades gastronómicas dos mesmos.
 

Além de cozinha de hotel, os restaurantes têm agora uma nova nuance: a cozinha de autor, ou a cozinha de chefe, perdendo-se assim muita daquela que era a cozinha clássica destes espaços, os cabritos, os bifes tártaros, as grandes costeletas, os flamejados, entre outros.
 

Mas a verdade é que ainda há muito espaço onde podemos gabar essa cozinha, e aqui destaco alguns que, nos últimos tempos, visitei, onde comi, e adorei.

A Viscondessa (Palácio da Lousã)

 
Fica no fantástico palácio da Viscondessa do Espinhal, do séc. XVII, com uma decoração clássica e bonita. Na cozinha, é o clássico que novamente vem à memória, revelando muitos dos sabores da cozinha regional, oferecendo uma gastronomia com produtos da mais alta qualidade, resultando em pratos como: Creme de Castanhas, Cabrito assado no forno, o Bife do lombo com murrilhas e o delicioso Pudim maravilha.
 

Largo Viscondessa do Espinhal, Lousã
T: 239 990 800
www.palaciodalousa.com


Dona Belinha (Hotel Meira)



Infelizmente, a dona Felisbela (Belinha) já cá não está para cozinhar, mas a sua herança ficou e o rigor da altíssima gastronomia rústica ainda por lá está. Se tem dúvidas, prove a Torta de camarão, Sardinhas de rabo ao alto ou o Peru estufado e recheado, e depois renda-se às evidências. 

Rua 5 de Outubro 56,
Vila Praia de Âncora
T: 258 911 111
www.hotelmeira.com

Aviz (Hotel Aviz Lisboa)
 

O famoso flambeado do Aviz
Já andou a passear por Lisboa, e até fora dela, mas agora assentou arraiais junto ao Marquês e não se esqueceu de nenhuma das receitas. 

A Santola recheada à Aviz, o Bacalhau à Aviz,
as coxas de rã, a perdiz à Convento de Alcântara e os crepes flambeados Aviz são verdadeiros deleites gastronómicos.
 

R. Duque de Palmela 32, Lisboa
T: 210 402 000
www.hotelaviz.com

Reserva Online (gratuito)

Grill D. Fernando (Hotel Altis - Castilho)
 

A cozinha de sala do Altis
Fica escondido no último andar do Hotel Altis, mas quem lá vai não se esconde à cidade de Lisboa, pois a vista é verdadeiramente impressionante, e a comida não lhe fica atrás. 

Da carta destacam-se o Creme Frio Aveludado de Agriões com Amêndoa Torrada, o Bisque de Lagosta traçado com Ginja de Óbidos, o Tornedó da Casa, o Bife Tártaro e o fantástico Flamejado de Ananás ao Cognac... 

....e nunca esquecer o Pastel de Nata!
 

Rua Castilho 11, Lisboa
T: 213 544 735
www.hotel-altis.pt

Reserva Online (gratuito)

Gourmet (Pousada do Convento de Belmonte)
 

O Creme Brûlée servido numa pedra trabalhada
É um espaço lindíssimo na Serra da Esperança e, da sala de jantar, a vista é de cortar a respiração. Da cozinha saem verdadeiros acepipes, numa mistura entre o clássico, o rústico, mas com uma apresentação contemporânea. 
O chefe Valdir Lubeck tem no sangue uma grande mescla de nações e continentes, mas adaptou-se perfeitamente ao local, trazendo à mesa os mais nobres produtos da região, onde se inclui o cogumelo, que já tem direito a festival. 
Quando visitar, perca-se primeiro no Capuccino de cogumelos, o Aveludado de ervilhas e não deixe de provar o Creme Brûlée servido num "prato" muito singular.
 

Serra da Esperança, Belmonte
T: 275 910 300
http://www.conventodebelmonte.pt/

Salsa & Loureiro (Hotel Porto Palácio)
 

Tem a assinatura do chefe Hélio Loureiro, mas a tónica não está na criatividade, mas sim na simplicidade. 
Aqui, a ordem da casa é respeitar o receituário tradicional e elevar a nossa gastronomia através do orgulho de fazer bem o que é bom. 
Arroz de polvo no forno com filetes, um Bacalhau com migas de broa e grelos e uns belos Rojões à moda do Minho com papas de sarrabulho fazem parte daqueles de que não prescindo.
 

Av. da Boavista 1277, piso -1, Porto 
T: 226 086 704
www.hotelportopalacio.com
 

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Essência do Gourmet de volta à Bolsa

É já na próxima sexta-feira, dia 16, que a Essência do Gourmet volta a animar os bonitos salões do Palácio da Bolsa no Porto, desta feita na quinta edição e com um programa fortíssimo, onde, durante três dias, há de tudo um pouco e um pouco de tudo para toda a gente.

Os números impressionam: se formos a contas simples, há 50 cursos de culinária diários, um mercado gourmet com mais de 300 produtos à prova e venda, mais de 20 dos mais conceituados chefes de cozinha a trabalhar em Portugal, cursos para crianças, provas de vinhos, workshops, tapas e muita, mas mesmo muita animação.
 

E, à semelhança dos anos anteriores, este divide-se entre o evento principal, no Palácio da Bolsa, no Porto, e o Wine & Tapas Experience, nas Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia, onde tapas e música não faltam, e as provas passam pelos vinhos lusos até aos internacionais, todos produzidos pela Sogrape.
 

Dentro do extenso programa, há que destacar as dez cozinhas temáticas que diariamente terão chefes como Vítor Sobral, Rui Paula, Hermínio Costa, Luís Américo, António Vieira entre outros, a dar aulas de cozinha ao vivo e de forma interactiva. 

Numa perspectiva um pouco mais extensa e técnica, também haverá, no Salão Árabe, apresentações de chefes como Pedro Lemos, Nuno Diniz, Filipa Vacondeus, Justa Nobre, Henrique Sá Pessoa, entre outros, que confeccionarão alguns dos seus pratos-assinatura, revelando os seus segredos na cozinha.

Henrique Sá Pessoa dirige-se à plateia
As crianças também terão o seu espaço todos os dias, começando às 15 horas, bastando, para isso, inscrever--se no acto de entrada no recinto.

O vinho é sempre figura presente, havendo, para o efeito, cursos, provas, masterclasses, onde os temas variam entre "Boas compras para o dia a dia", "Como e quando decantar vinhos", "Tudo sobre espumantes", "Como fazer uma garrafeira" ou "Como provar como um profissional".

Além do já anunciado mercado gourmet com mais de 300 produtos à prova e venda, poderá ainda deliciar-se com os sabores das iguarias dos quatro restaurantes residentes: Don Juan, Ferrugem, GóShò e Quarenta e quatro, com um custo adicional de €5, €7 ou €14, conforme a confecção e tamanho da dose.


Vá e divirta-se, aprendendo e conhecendo mais da nossa gastronomia e vinhos, na Essência do Gourmet.


Aulas para as crianças
Detalhes
 
Essência do Gourmet
16 de Setembro, sexta-feira, das 15h00 às 21h00
17 e 18 de Setembro, sábado e domingo, das 11h00 às 20h00
Entradas: 15€-Pax/ dia, 30€ pax./dia (Confere acesso à Wine & Tapas Experience, incluindo transfere por mini bus entre o Palácio da Bolsa e as Caves Ferreira).
Quem se deslocar no Metro, e apresentar o respectivo comprovativo, beneficia de um desconto de 2€ no valor da entrada.
 
Wine & Tapas Experience 15, 16 e 17 de Setembro, das 19h00 às 23h00
Entrada: 20€ - pax./dia, 30€ pax./dia (Confere acesso à Wine & Tapas Experience, incluindo transfere por mini bus entre as Caves Ferreira e o Palácio da Bolsa).
 
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Setembro de 2011
 

Do mar ao prato, com rigor e excelência

Reza a história que o topónimo Cascais deriva do plural de cascal (monte de cascas), que se relacionava com a abundância de moluscos marinhos aí existentes.

Vila situada a ocidente do estuário do Tejo, entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, o espaço ocupado pelo Concelho é limitado, a norte, pelo Concelho de Sintra, a sul e a ocidente pelo Oceano e a oriente pelo Concelho de Oeiras. Com mais de 200 000 habitantes, já podia adquirir o estatuto de cidade, mas é como vila que se quer manter, apostando seriamente no turismo e na cultura. Um desses pontos de interesse já conta quase com 65 anos, e opera na estrada do Guincho, em frente à praia da Cresmina. Falo no já mítico restaurante Porto de Santa Maria.

Os anos conferiram-lhe várias distinções pela sua localização, rigor do serviço, qualidade de confecção e, principalmente, pela excelência da matéria-prima, e por tão próximo do mar estar, o peixe e o marisco são as matérias nobres da casa.

Recentemente, foi alvo de mudança de gerência, cabendo a empresários locais o novo rumo do Porto de Santa Maria. As mudanças são ténues, no entanto, para o mais atento, distinguem-se bem.
Primeiro, a indumentária da casa foi aprimorada e, dos coletes e camisas esgarçadas, passou-se para camisas brancas de gola francesa e aventais pretos com o logo da casa; o exterior ganhou um gigante toldo, faltando apenas o pano para finalmente haver uma esplanada para os mais encalorados; e, por último, a carta também ganhou novas linhas!
A decoração não foi tocada, mantendo-se sóbria, discreta e acolhedora, quanto às mesas ganharam novos e merecidos copos da Schott e Riedel, aumentando a qualidade de serviço, e dignificando os fantásticos néctares que residem na espantosa garrafeira da casa.
Mas é na carta e nos novos pratos que se centrou a minha atenção!
Depois das nunca recusadas entradas (queijos frescos, rissóis de camarão e pataniscas), passei para as novidades, e iniciei-me na sopa fria de lagosta. 

Apreensivo com o que viria, uma vez que a primeira associação é a um creme de marisco, que frio se tornaria pesado e grosso, chegou-me algo completamente diferente: textura aveludada, sabor rico ao crustáceo e com pequenos lombos que criavam textura e fascínio ao prato - seguramente, um dos pratos mais interessantes que provei nos últimos tempos. 
Seguiu-se o carpaccio do mesmo crustáceo que, apesar de não espantar como o anterior, não desiludiu. 
Já no campo da internacional estava o fettucine de lavagante, uma massa fresca al dente muito bem confeccionada, um molho de cogumelos e natas equilibrado e uma grande e voluptuosa dose de lavagante, mais uma boa aposta.
Terminei os salgados com o surf and turf (bife do lombo com lagosta grelhada), carne do lombo super macia, lagosta fresca, tudo num ponto excelente, acompanhado por uma salada, arroz e batatas fritas, um verdadeiro regalo ao palato.
Da carta nova, provei praticamente todas as novidades e com todas elas me deliciei; em dias anteriores, provei as que transitaram e nada negativo posso apontar - apenas que, com matéria-prima assim, só falha quem não sabe, e o cozinheiro de serviço, o Carlos, não está ali para desiludir ninguém.
Há que destacar também a longa e apaixonante carta de vinhos, apesar de precisar de uma organização no papel pois, com tantos rótulos datados em diversos anos, é difícil uma escolha rápida, pois lembrar das diferenças entre os Reserva Ferreirinha Especial (84 a 01), os Barca Velha (83 a 00), Maria Teresa (05 a 07), Colares Viúva Gomes (65 a 87), Mouchão Tonel 3-4 (99 a 03) não é fácil. Nos Porto, a lista é ainda mais viciante, Vintages Barros (70, 80, 94), Borges (58 a 94), Burmester (63 a 95), Ferreira (60 a 03).
Seja qual for o rótulo, há a possibilidade de o beber no restaurante ou metê-lo numa caixa e levar para casa, pois a garrafeira do Porto de Santa Maria é tão extensa que criaram uma Enoteca para os clientes levarem os seus néctares preferidos para casa, e a preços bastante interessantes.

Não é um restaurante moderno, não é um restaurante ultrapassado, é um local onde as tradições se mantém e, com um serviço correcto e exemplar, proporcionam uma refeição de alta qualidade.

Para comentar este artigo ou sugerir temas, contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Detalhes
Restaurante Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho
2750-640 Cascais
N 38º43'28,1'', W 9º28'31''
+351 214 879 450
www.portosantamaria.com
Horário: Encerra às segundas. Aberto das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
Preço médio: €65
Tipo de Cozinha: Internacional à base
de Marisco e Peixe
Cartões: Todos
Reserva Online

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 14 de Setembro de 2011

Le Chef: O Lavagante

Por Paulo Pinto - Chefe executivo do Grand Hotel Villa Itália

Para muitos é considerado o rei dos mariscos. Parecido com a lagosta, distingue-se notoriamente pelas suas pinças invés das patas, antenas mais curtas e, claro, a sua cor azul-escura. O seu crescimento é muito lento e o alto preço é um bom reflexo da sua escassez e qualidades gustativas. 

A sua forma mais interessante e purista de degustar é cozido e acompanhado de uma simples salada, mas, bem confeccionado e trabalhado, proporciona pratos bonitos e altamente gustativos.

O nosso lavagante da costa, sendo um produto nobre para a nossa escolha de confecção, é, sem dúvida, uma mais-valia da costa portuguesa. 


Lavagante escalfado com vieira braseada, num puré cremoso de ervilhas, com toucinho fumado, crocante de tramezzini e naco de tofú marinado e assado com soja


Ingredientes
Lavagante 80 gramas
Azeite qb
Sal fino qb
Pimenta preta moída qb
Puré de ervilhas com toucinho 80 gr
Tramezzini 1 fatia
Tofu 25 gr
Molho de soja 20 ml


Lavagante escalfado
Cozinhar a vapor 80oC durante 12 minutos, arrefecer em água e gelo, descascar e cortar a gosto.
Numa frigideira com azeite, corar as vieiras temperadas de sal e pimenta.
Puré ervilhas com toucinho fumado
Cozer as ervilhas, fazer um puré e envolvê-lo com toucinho fumado picado.
Crocante de Pão tramezzini
Esticar o pão com rolo da massa e fazer uns orifícios; levar ao forno a uma temperatura baixa até ficarem crocantes.
Naco de tofú marinado em soja e assado com soja.


Sugestão de vinho
O vinho Chiado Arinto 2010, do enólogo Nuno Cancela de Abreu, é uma homenagem à cidade de Lisboa. O vinho espelha toda a alegria da cidade com a sua cor citrina, os aromas a fruta verde fresca e uma grande mineralidade. Na boca, mostra a frescura da sua acidez, os sabores citrinos que se sentem por longos momentos. Deve beber-se a 8-10ºC, como aperitivo ou a acompanhar mariscos e peixes frescos que podem ser grelhados ou cozidos, para não tirarem o seu sabor natural.



Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 13 de Setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Os últimos anos têm sido definitivamente os da viragem gastronómica em Portugal.

Primeiro, os restaurantes deixaram apenas de ter um prato referência para passarem a ter uma fama; depois, o nome não chegava e passaram a ser o restaurante com a assinatura de um chefe; e, mais recentemente, muito à custa da diminuição do poder de compra, passámos a ter tascos e cantinas "gourmet" assinadas pelos chefes mais mediáticos.

Tendência ou simplesmente adaptação, é indiferente - quem ganha é o comensal, que paga menos por melhores refeições.

Eis aqui as mais recentes novidades, no campo gastronómico, de refeições de alta qualidade a baixo custo.

Cantinho Avillez


Depois de ter ganho a tão cobiçada estrela Michelin no restaurante Tavares, o Chefe José Avillez sai e abraça dois novos projectos: o Belcanto, que vai ser o seu restaurante mais criativo e mais cuidadoso, com abertura prevista para breve, e o Cantinho Avillez, onde abraça a tendência mais descontraída e muito procurada pelo público português.
Petiscos, pregos, entradas, pratos e sobremesas, com uma forte influência nacional, e, claro, as suas diversas viagens fazem parte de um menu que, segundo o chefe, é "uma cozinha simples, sofisticada, que nos faz querer voltar muitas e muitas vezes".

Rua dos Duques de Bragança 7, Lisboa
T: 211 992 369
Bistro 100 Maneiras

Muitos poderão achar que me baralhei neste momento e que, por aqui, não há novidades, mas o certo é que o Chefe Ljubomir Stanicic está sempre irrequieto e a palavra "parado" não consta do seu dicionário.
De Cascais passou para o Bairro Alto, e depois do primeiro veio o segundo, com o segundo veio a sua participação no programa Masterchef, e não parou!
Agora abriu uma "padaria" de rua ao lado do seu Bistro, onde, além de pão, poderá comprar umas deliciosas sanduíches; arranjou um espaço de catering e contratou o Chefe João Simões para liderar as suas cozinhas.
Assim, de cozinheiro passou a chefe, e agora troca os tachos pela folha de Excel, tornando-se um Chefe Cozinheiro Empresário.

Largo da Trindade 9, Lisboa
T: 910 307 575

Buhle

É um dos espaços mais bonitos do Porto, na sofisticada avenida Montevideu!
Conhecido pela sua cozinha Noveau Gastronomic, também aqui se adaptaram às novas tendências, praticando uma cozinha mais na forma de tapas, petiscos e um pouco de oriental com sushi.

Av. Montevideu 810, Porto
T: 220 109 929

Sommer

É um espaço fantástico, situado no bairro de São Paulo, em Lisboa, recentemente alterou a sua cozinha e disposição para uma confecção mais descontraída, mas sem nunca descurar o principal: a qualidade gastronómica.
O Chef Pedro Sommer percebeu que, sempre que criava pratos num estilo mais "tapas" e "petiscos", tinha mais adesão, e, na altura, chamava-os de "petit sommers".
Agora, os "petit sommers" passaram a ser a ementa, e os preços baixaram, as porções também diminuiram um pouco, a qualidade mantém-se e a vontade de visitar o espaço aumentou.

Rua da Moeda 1K, Lisboa
T: 213 905 558

Prego Gourmet

É uma das mais recentes novidades de Lisboa e, pela afluência que tem tido, parece-me condenado ao sucesso.
A ideia é simples: criar pregos simples, com boa carne ou peixe, e, principalmente, apetitosos.
Não é fast food, apesar de se prestar a ares disso, é simplesmente mais uma forma dinâmica e saborosa de transformar um prato banal numa boa e rápida refeição.

Amoreiras Plaza loja 8, Lisboa
T: 213 879 004

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Setembro de 2011

Petiscos A Portuguesa -


Ano da Edição: 2007
Editora: CASA DAS LETRAS
Autor: João Carlos Rodrigues
Prefácio: David Lopes Ramos
PVP: €8

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da uva ao vinho

A família Marcolino Sebo há mais de trinta anos que se dedica à viticultura, remontando ao ano de 75, onde tudo o que produziam era entregue à Adega Cooperativa de Borba, mas desde sempre que o sonho era criar a sua própria adega e vinificar o seu próprio vinho.

A ambição era grande e, para suportar esta frase, estão os mais de 130 ha que, durante quase quatro dezenas de anos, acumularam em terrenos entre Borba a Estremoz, com vinhas plantadas em terrenos que se caracterizam pelo seu solos argilo-xistosos e argilo-calcários.

Mas foi apenas em 2000 que o sonho se transformou em realidade e, com a adega edificada, começaram a produzir a sua própria marca que, no ano de 2001, é selada com o seu primeiro rótulo: Visconde de Borba.

Houve mesmo um pequeno conflito de nobreza, ou antes de marcas, mas depois de sanado, o título é menor em linhagem nobiliárquica, mas a qualidade dos néctares manteve-se.
Rapidamente este pequena empresa familiar transforma-se numa grande empresa. No entanto, o familiar não é deixado e são os filhos que se juntam ao pai (Marcolino Sebo), apaixonando-se também eles pelo "métier", e garantindo o presente, o futuro e o sonho de Marcolino Sebo.

As uvas chegam de sete propriedades distintas: a Herdade da Pinheira, na freguesia dos Arcos - Estremoz e onde reside a Adega, com Verdelho e Syrah; Monte da Vaqueira, na freguesia da Matriz - Borba, que foi a primeira propriedade adquirida pela família, e com as castas Touriga Nacional e Tinta Caiada; Monte do Estevalinho, na freguesia de Rio de Moinhos - Borba, sendo esta a propriedade de maior dimensão, alvo de um micro clima específico, com um terroir único na Serra D'Ossa, e alberga as casta Roupeiro, Tamarês e Trincadeira; além destas propriedades, conta ainda com mais quatro herdades, onde tem vinhas com as castas Antão Vaz, Chardonnay, Aragonês e Alicante Bouschet.

Além da já referida família, a ajuda externa especializada é bem-vinda e, para o controlo da enologia, contrataram o engenheiro Jorge Santos, que, além de se preocupar com o trabalho das vinhas, tem a árdua tarefa de manter, ou mesmo elevar, a qualidade dos néctares que aqui se produzem.

Da adega, saem os seguintes rótulos: D.O.C. Alentejo (cerca de 65% da produção), dividido em três marcas: o Visconde de Borba (Garrafeira, Reserva, Tinto, Rosé e Branco), o Quinta da Pinheira Tinto, e ainda as Monocastas Marcolino Sebo Aragonês, Castelão e Trincadeira. No que respeita aos Regional Alentejanos, há uma marca única, o Monte da Vaqueira, com um tinto e um branco.

Assim, a família Marcolino Sebo conseguiu realizar um sonho e construir um projecto sólido, onde os néctares produzidos acompanham a dimensão do protagonizado, havendo vinhos para todas as carteiras, gostos e, acima de tudo, um produto de qualidade.

Aqui ficam algumas fichas técnicas daqueles que destaco:
Quinta da Pinheira Colheita Seleccionada - Produzido das castas Tricadeira, Aragonês e Castelão, estagia em barricas de carvalho francês e americano durante seis meses, seguindo-se de oito meses em garrafa. Deve ser servido a 17ºC e acompanha pratos de caça. PVP 9€
Visconde de Borba Garrafeira - Vinificado das castas Castelão e Alicante Bouschet, estagia durante 12 meses em barrica de carvalho francês e depois fica 14 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Servir a 18ºC ou 19ºC a acompanhar pratos complexos de carne. PVP 20,00 €
Visconde de Borba Reserva - Produzido das castas Castelão, Aragonêz e Alicante Bouschet e produzido em processo tradicional de pisa em lagar. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais tarde descansa em garrafa durante pelo menos 12 meses, e só após este período está pronto para encher as prateleiras da sua garrafeira. Servir entre os 18ºC e os 19ºC. PVP 11€

Preços dos restantes Visconde de Borba
Visconde de Borba Tinto - 4€
Visconde de Borba Branco - 2,90€
Visconde de Borba Rosé - 2,95€

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Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Setembro de 2011

Compre o que é nosso: Uvas sem grainha

Sempre que viajo pelo nosso país descubro produtos, gentes e empresas de um valor tal que tenho a certeza que, devidamente apoiados e divulgados, poderão ajudar a tirar Portugal desta desesperante crise que enfrentamos.

O produto que vou destacar no meu primeiro artigo dedicado a esta matéria vem do Alentejo e além de chegar diariamente à mesa de milhares de portugueses, está garantidamente na mesa de muitos europeus, principalmente dos ingleses, que através de empresas como a Harrods ou a Marks & Spencer, provam e apreciam as famosas Uvas Sem Grainha da Herdade Vale da Rosa.

São 230 hectares de área dedicada às uvas de qualidade e, apesar da sua dimensão, os projectos futuros são para ampliar e crescer, não só na área de plantação e produção, como na descoberta de novos e mais amplos mercados, sendo ainda de forma reduzida uma das empresas portuguesas que contribui para o mercado interno e, responsavelmente, equilibra a balança comercial no que respeita a exportações.

Aqui se produzem 13 variedades de uvas, das quais seis são sem grainha, dividindo-se equitativamente entre brancas e tintas e, apesar de haver algumas diferenças entre cada uma destas variedades, há pontos comuns a todas: os bagos são de pele espessa (quase crocante), são doces e de baixa acidez, tornando-se num produto irresistível e viciante.

Em Portugal podemos descobrir em praticamente todas as grandes superfícies.

Além da rosa que distingue visualmente o produto, há várias bandeiras vermelhas e verdes, bem como a palavra Portugal escrita em diversos locais. Como há algumas dezenas de anos se ouvia numa campanha fabril: "O que é nacional é bom!"

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Setembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de um mês de interregno, esta coluna com as minhas sugestões volta às rotativas e, apesar de o Verão se aproximar do fim, vou voltar a um local onde esta estação perdura praticamente pelo ano inteiro: o Algarve.

Começou na passada quarta mais um evento gastronómico associado ao programa de animação Allgarve, o Cataplana Experience, que tem como um dos principais objectivos incentivar e demonstrar o potencial das confecções utilizando este tão conhecido utensílio de cozinha. Até dia 3 de Setembro, poderá assistir, na Marina de Vilamoura, junto ao Hotel Tivoli Marina, a show cookings de vários chefes de renome como Guy Doré do Restaurante Pequeno Mundo em Almancil, Luís Américo do restaurante A Mesa no Porto, Henrique Sá Pessoa do restaurante Alma em Lisboa e Luís Baena do restaurante Manifesto, também na capital portuguesa.

Além das apresentações dos chefes, que começam diariamente às 18h, a animação perdura até às 23h, com um mercado gourmet e degustações de vinhos e das 40 cataplanas que foram a concurso. Assim, e como recomendação para esta semana, ficam os espaços que se destacaram no concurso de restaurantes e receberam a Cataplana de Ouro.

B & G (Vilalara Thalasse Resort)

Fica num dos mais luxuosos e espectaculares resorts do Algarve e, além da excelente cataplana, que mereceu a distinção dos jurados, tem uma vista de cortar a respiração.

Curiosamente, "A Cataplana, o Algarve e a Inspiração", nome atribuído ao prato, é uma sobremesa, sendo algo único e diferenciador.

Praia das Gaivotas, Porches
T: 282 320 000
Preço €9,90 por pessoa

Menta (Hotel Tivoli Marina Vilamoura)

Informal ou casual é como se gosta
de afirmar este restaurante e, apesar de integrado num luxuoso cinco estrelas, é com este espírito que entrámos, comemos e saímos deste agradável restaurante.

O chefe arriscou e percorreu a costa num prato onde o Algarve está bem representado: "Cataplana de Carabineiro e Cherne com Cebolada em Aroma de Laranja e Tomilho sobre Conquilhas da Ria Formosa".

Marina de Vilamoura
T: 289 303 303
€30 para duas pessoas

Takô Sushi


Não é a nossa mais rápida associação
a uma cataplana, mas a globalização tem destas curiosidades e criou a sua própria versão com uma visão um pouco insólita: "Cataplana do Oriente".

Ed. Marina Garden
Loja C/D, Vilamoura.
T: 289 312 885
€29,90 para duas pessoas

Chá com Água Salg
ada

"Carabineiros em Vapor de Poejo e Salicórnia, Contemplado com Flor de Sal, Envolto na Cataplana" - foi com esta deliciosa criação que este bonito restaurante e com uma fantástica esplanada levou o diploma para Casa.

Praia da Manta Rota,
Vila Nova de Cacela
T: 281 952 856
€26 por pessoa

Moiras En
cantadas

Aqui está um espaço diferente. Fica no interior algarvio e distingue-se pela sua decoração rústica e pela sua gastronomia regional.

Rogélio apelidou o seu prato de "Pargo Capatão, Tamboril, Lavagante e Verduras da Horta" e ganhou muitos elogios dos vários comensais.

Rua Miguel Bombarda 2, Paderne
T: 239 368 797
PVP €62 para duas pessoas

Maris
cada

Mesmo na marina de Vilamoura com vista para os fantásticos veleiros e iates que pernoitam neste abrigo, também ele se distinguiu com os "Frutos do Mar (Vieiras, Amêijoas, Carabineiros, Patas de Caranguejo Real e Lagostins) ".

Marina Plaza Loja 83, Vilamoura
T: 289 092 619.
€110 para duas pessoas

O Jacinto


É provavelmente a marisqueira mais conhecida do Algarve.

Quem por lá passa não se farta em elogios, e também eles trouxeram para casa não um, mas dois diplomas pois além do Ouro, receberam também a preferência do público com a "Cataplana de Tamboril".

Av. Dr. Francisco Sá Carneiro,
Ed. Costa Mar Lt 2, Quarteira
T: 289 301 887
€29,90 para duas pessoas

Vistas (Monte Rei Golf & Country Blub)

Sob a tutela do magistral Jaime Perez, que em tempos integrou a equipa do El Bulli de Ferran Adriá, a criação está ao nível da sua fama.

"Bochechas de Porco Preto com Lavagante, Espuma de Manga, Legumes e Tapenade de Azeitona Preta" foi a cataplana que mereceu tal distinção, e pode degustá-la tendo como cenário um dos mais fantásticos campos de golfe do mundo.

Vila Nova de Cacela
T: 281 950 950
€28 para duas pessoas

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 02 de Setembro de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Finalmente é sexta-feira

O Verão este ano anda a trocar as voltas a muitos portugueses, pois, quando se esperava que o sol abundasse e o vento amainasse, só tivemos direito a metade, dado que horas de sol, todos tiveram, mas debaixo de algum frio e de um vento deveras irritante!

O prognóstico para os próximos dias é de melhoria, aliás, é de muito calor, seja dia ou seja noite. Por isso, a vontade vai ser de muita praia durante o dia, petiscos e um bom branco no fim da tarde, jantares em esplanadas no início da noite e, quem sabe, um pé de dança antes de ir para a cama. Mas afinal onde podemos fazer todos estes programas? Provavelmente, em locais diferentes e, como nem sempre são fáceis de encontrar, andei a pesquisar alguns dos "spots" de Verão.

  • Purpura Beach & Brahmi

    Aqui está uma combinação pouco habitual, mas fadada ao sucesso: juntar alguns dos melhores terapeutas de medicinas orientais e transformar uma das praias mais fantásticas de Portugal, em Tróia, num enorme e relaxante SPA. Quem não conhece esta praia deveria conhecer, pois, além de uma areia branca e limpa e uma água e paisagem convidativa, tem, até ao dia 15 de Agosto, a presença diária, entre as 12h e as 19h, dos massagistas do Brahmi Oriental Wellness. E se na noite anterior a festa durou mais horas, recupere-as em apenas 30 a 60 minutos com a massagem relaxante da Brahmi

    (30 minutos: 45€, 60 minutos: 65€).

  • Side Bar (Hotel Tivoli Marina)

    Para quem gosta de um almoço, jantar ou simplesmente um snack ligeiro ao fim da tarde, não precisa de procurar mais - este é o local certo. Fica no deck suspenso do Hotel Tivoli Marina, com vista sobre os fantásticos veleiros e iates que pernoitam no porto seguro da Marina de Vilamoura. Hambúrgueres, saladas e muitas outras opções que podem ser acompanhadas de uns divertidos e saborosos cocktails como o "Lilly Ice Tea", o "Mojito on the side" ou o "Spicy bloody Mary". A noite e o jantar têm uma carta mais elaborada a cargo dos chefes da casa. Vá lá dar um saltinho, coma um petisco e veja o pôr-do-sol ao som do DJ da casa.

    Marina Vilamoura - Algarve.
    T: 289 303 303.
    www.tivolihotels.com
  • Pousadas de Portugal

    Esta é sempre uma boa combinação da oferta gastronómica com a oferta de locais únicos históricos, em contacto com natureza e perto de muitas praias, sejam elas marítimas ou fluviais. A par desta recomendação, vem uma campanha bastante apetecível até dia 15 de Setembro, de preços a partir dos €85 por quarto, desde que pernoite de 3 a 5 noites, e, para juntar a estes preços bastante mais económicos, oferece-se a estadia aos seus filhos (até duas crianças com um máximo de 12 anos de idade), bem como descontos que vão proporcionar umas férias em família bastante mais em conta.

    T: 218 442 001.
    www.pousadas.pt
  • Restaurante Eleven no T-Clube

    Aqui está uma combinação de que ninguém estava à espera: a união de um dos mais conceituados restaurantes de Lisboa com uma das mais animadas discotecas do Algarve. A Quinta do Lago ganha, assim, um dos mais prestigiados chefes mundiais, Joachim Koerper, que promete ser o primeiro animador de uma noite que pode ser extensa e muito divertida, mas a sua animação vai certamente provocar mais ênfase ao palato. O serviço funciona em buffet todas as noites até ao fim de Agosto.

    C. C. Buganvilla Plaza, Quinta do Lago - Algarve.
    T: 289 396 751.
    www.tclube.com
  • Terra a Terra Reserva 2010

    Produzido das castas Gouveio, Viosinho e Rabigato, fermentou e estagiou em cubas de inox inicialmente, passando depois para barricas usadas. O vinho é bastante fresco, muito aromático, revelando uma boa acidez, sendo um vinho que vai acompanhar não só o calor do Verão, mas também pratos que habitualmente são preferidos durante esta estação, como os peixes e mariscos grelhados.

    Teor Alcoólico 13,76%.
    Sirva entre os 12ºC e os 13ºC.
    PVP: €10,00.
Esteja quase no fim, a meio, a iniciar ou de volta ao trabalho, tenha um bom Agosto, pois as minhas crónicas e o OJE vão de férias. Em Setembro, cá estaremos para o informar e acompanhar no seu dia-a-dia

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 29 de Julho de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um segredo a desvendar

Foi em 1999, há precisamente uma dúzia de anos, que a dupla Guy Doré e Joaquim Vilela abriu a porta do sonho já há muito tempo idealizado: O Pequeno Mundo.

Amigos e parceiros de trabalho de longa data decidiram arriscar num restaurante seu e, desde o primeiro cliente até aos que saíram de lá ontem, houve sempre algo em comum: a satisfação de um momento bem passado e uma refeição de proporções épicas.

Nunca escrevi sobre este local com medo de me tornar parcial, pois nunca aqui tomei uma má refeição, mas, com o passar dos tempos, e ouvindo os elogios de quem foi ao Pequeno Mundo, percebi que é tempo de alertar para a existência deste local e descrever a minha última (mas a repetir) refeição.

Atravessar os portões que separam a casa e o estacionamento do mundo é, por si só, uma experiência, pois as longas e coloridas buganvílias, as alfarrobeiras e outras plantas e árvores escondem surpresas de encantar.

O primeiro a aparecer é o pátio, as mesas e cadeiras de palha debaixo do céu estrelado e o simpático Joaquim Vilela, que nos dá as boas vindas e simpaticamente nos encaminha à mesa.

As salas, nobremente decoradas, separam-se da principal, discreta e mais escolhida nos dias de Inverno, a da lareira com um longo banco, ideal para uma bebida quente nos dias frios, mas, atravessando esta e o bar, temos novamente uma esplanada, onde a companhia das alfarrobas e buganvílias mantêm-se, e aqui é um champagne, gin ou imperial que fazem as honras nos dias de calor.

Por aqui bebo um copo, antes de atravessar todas as salas, para voltar à esplanada inicial, na companhia da noite, da fonte e da minha família.

Chegam as entradas e temos direito a umas tostas de brioche e uma pequena terrina de foie, pães da casa e uma manteiga juntaram-se a estes, mas só mesmo para enfeitar, pois a terrina estava soberba.

Fui para a sugestão do dia - o folhado de foie gras com vinho da Madeira. Parece excessivo pedir "dois do mesmo", mas a realidade é que o primeiro era de galinha e o seguinte de pato. Folhado estaladiço e com a gordura a aguentar-se bem à do fígado, e o adocicado bem como a acidez do molho a enaltecerem e equilibrarem as gorduras.

Ainda houve tempo para dar uma dentada no estaladiço de camarão, salada e molho de iogurte, que nunca desilude e tem sempre algo da estação - neste caso, foram uns maduríssimos figos.

No principal, partilhámos a sugestão do dia, era uma dose para dois: Pato lacado e assado com batatas fritas, salada, legumes e um molho de carne e vinho simplesmente fantástico.

O ponto da carne exactamente como foi pedido, e tudo funcionava. Parcial? Talvez, mas não vi nenhuma das mesas a privar-se dos elogios.

Com tanta fartura, não consegui arriscar numa sobremesa. No entanto, o chefe enviou um pré-desert, um crumble com panacota e fruta de Verão, que também cumpriu o seu papel de excelência.

Boa carta de vinhos, uma sommelier que sabe o que diz, um serviço de sala sempre atento e simpático, boa cozinha e disposição é tudo aquilo de que um restaurante precisa, nada mais!

Fico espantado sempre que lá vou porque, tirando as pessoas que ali trabalham, só mesmo eu e as minhas companhias é que falam português. Será este um segredo escondido dos portugueses? Ou simplesmente não têm conhecimento?

Fica aqui o relato de, provavelmente, um dos mais fantásticos restaurantes de cozinha francesa simples e saborosa, onde a paixão por servir aparece em cada prato do chefe Guy Doré.

Detalhes

Restaurante Pequeno Mundo
Caminho de Pereiras
8135-022 Almancil - Pereiras
N 37.09096º, W 8.03090º
+351 289 399 866
www.restaurantepequenomundo.com / info@restaurantepequenomundo.com
Horário: Encerra aos domingos. Aberto das 19h00
às 22h00 (das 19h30 às 22h00 no Verão)
Preço médio: €60
Tipo de Cozinha: Francesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 27 de Julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Em modo biológico

Cada dia que passa, o "movimento" biológico ganha mais adeptos.

Coloquei os parêntesis porque não é nada organizado - as pessoas têm cada vez mais preocupações, usando a palavra biológico como mote.

Há quem defenda que a redução de processos químicos faz, paralelamente, com que os produtos tenham um sabor mais orgânico (menos químico) e, ao mesmo tempo, não destrói de forma agressiva os solos e os terrenos onde são cultivados e produzidos.

Na minha opinião, há ainda muitos mais factores a acrescentar a esta reduzida lista, mas o principal é fundamentar o equilíbrio entre o homem e a natureza, e reduzir a influência nociva dos processos químicos no meio ambiente.

Uma das empresas que faz deste movimento um porta-estandarte é a Casa Agrícola Reboredo Madeira (CARM). Há muito tempo que esta empresa familiar, situada no Alto Douro vinhateiro, fez com que os seus 130 hectares(ha) de vinha, 220ha de olival e 60ha de amendoais estejam em modo biológico, ajudando a preservar de forma sustentável a fauna e a flora.

Animais em extinção como a águia-real, a águia pesqueira, o grifo e a perdiz selvagem, ou plantas como a esteva, zimbro, funcho, rosmaninho, azedas e muitas outras são avessas ao processo químico e, não sustentando este, as plantas florescem, os animais ficam e o Douro ganha em diversidade.

Nos lagares, que, segundo a história, já produzem desde o século XVII, houve inovações, tendo sido construída uma nova unidade de produção, mas mantendo as tradições. Foi em 1999 que edificaram o novo lagar, com a particularidade de manterem o moinho de pedra tradicional, fazendo com que o processo de moer a azeitona seja de um modo mais natural e suave.

Os rótulos variam entre os CARM (Clássico, Grande Escolha e Premium), os da Quinta das Marvalhas e o da Quinta do Bispado. Mudam as marcas e os rótulos, mas a qualidade é sempre assumida, fazendo mesmo parte dos melhores azeites do mundo, e a corroborá-lo estão as várias medalhas de ouro e os centos de menções que os vários especialistas nacionais e estrangeiros lhe atribuíram.

Nos vinhos, também foram pioneiros e não se contentaram em ser biológicos no campo, criando o rótulo SO2, um vinho tinto da casta Touriga Nacional sem qualquer adição de enxofres. Este químico, dióxido de enxofre (vulgo sulfuroso), é quase sempre usado pelos produtores na vinificação pela suas propriedades anti-oxidantes ou de desinfectante, daí ser comum ver impresso nos rótulos "contém sulfitos".

Assim, o CARM Touriga Nacional SO2 é um caso de sucesso recente, mas ainda com alguns descrentes, principalmente no que toca a longevidade. No entanto, o certo é que, ainda há poucos dias, abri uma garrafa de 2009 e estava excelente.

Da sua prova, destaco o nariz muito aromático, onde as cerejas são as primeiras a aparecer, mas que depois evolui para fruta mais maturada, e na boca é fresco e guloso com notas de morangos, chocolate e especiaria e com um final persistente, longo e muito interessante, pois a fruta perdura num sabor muito orgânico.

Se a família Reboredo Madeira consegue viver em harmonia e sustentabilidade com o ambiente, em harmonia e sustentabilidade na gestão, é porque o modo biológico funciona, é rentável e, principalmente, é amigo do nosso ambiente.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Finalmente é Sexta-feira

Estava muito céptico em relação à versão portuguesa do programa de gastronomia Masterchef, mas a inclusão no júri da Justa Nobre ou do conceituadíssimo chefe Cordeiro, deram-me logo um certo alento. Na sua primeira emissão assisti do princípio ao fim sem dar pelo tempo passar, e até bastante animado com o desenvolvimento.

Depois pensei quais foram os pratos confeccionados e as suas receitas, e aí nada me vem à memória! Digamos que é mais uma versão de entretenimento do que de gastronomia, mas a televisão é isso mesmo.

Amanhã há mais a partir das 21h30 na RTP1, e muitas sacas de cebola irão trazer lágrimas e risos aos Masterchefs.

Largo agora um pouco o mundo televisivo para abordar as minhas sugestões para esta semana, onde destaco três restaurantes, um vinho e um livro:

Restaurante EMO

Fica integrado na luxuosa e fantástica unidade de cinco estrelas do Tivoli Victoria, em Vilamoura no Algarve, a região preferida de férias dos portugueses.

Tive a oportunidade de ir experimentar a nova carta do chefe Bruno e fiquei deveras impressionado: uma cozinha consistente, onde podemos perceber bem não só por onde este chefe andou pelo mundo, como a sua grande qualidade técnica e, acima de tudo, uma criatividade ponderada, onde o importante é a opinião do cliente.

Na sua visita recomendo que escolha uma mesa na varanda e experimente as “Vieiras e wasabi, sapateira e arroz de sushi” ou o “Filete de pregado em pele de pão, arbóreo de lima, alho selvagem” ou qualquer uma das saborosas sobremesas.

T. 289 317 000
www.tivolihotels.com

Restaurante Clube dos Jornalistas

Foi uma das minhas visitas desta semana e desde já revelo que também ela muito positiva.

Não é muito normal, mas é uma agencia de Brand Culturing™ (transformar negócios em fenómenos culturais) que explora o espaço: Norma Jean.

Mas o importante é a escolha do chefe Ivan e da sua cozinha de expressionismo sentimental, que ainda não são marca, mas é uma cozinha acima de tudo saborosa.

O risoto de moqueca está lá para o provar!

Rua das Trinas 129, Lisboa
T. 213 977 138

Restaurante Yo! Sushi

Fica situado no Fórum Sintra, e quem me conhece sabe bem que não sou adepto de centros comerciais, principalmente dos restaurantes no seu interior, pois há uma associação rápida a comida de plástico, mas neste caso tenho de me render às evidencias.

Primeiro porque o Yo! Sushi consegue criar um ambiente próprio dentro de um ambiente comercial, e segundo porque a comida é bastante boa e a preços verdadeiramente convidativos (pratos de €1,5 a €5).

Um dos responsáveis é o SushiMan Miguel Oliveira, que já passou por locais como o AYA ou o Go Natural.

Ao almoço há um menu Super! Sumo onde come o que quiser por apenas €12,90, com as bebidas à parte.

Quando lá for não se esqueça de tocar nas campainhas à mesa e espere pelo “japonês”.

T. 935 705 730

Herdade das Servas Branco 2010

É o primeiro ano que esta herdade lança um branco vinificado através das castas roupeiro, verdelho e viognier, de vinhas plantadas em Estremoz.

Curioso é que uma das vinhas, a da Judia, tem mais de 60 anos, imprimindo características singulares a este néctar já vencedor de prémios.

O vinho é bastante agradável, revelando boa estrutura e complexidade, e principalmente um simpático equilíbrio da acidez dando-lhe frescura.

Sirva entre os 13ºC e os 14ºC.
PVP: €8,75

Justa Nobre, Paixão pela Cozinha

Já não era sem tempo!

Finalmente podemos ter acesso à vida e receitas desta simpática e talentosa cozinheira e chefe, que há mais de 30 anos nos encanta com a sua cozinha tradicional portuguesa.

São cerca de 240 páginas com histórias, aromas, receitas e acima de tudo uma experiência de vida que mostra bem o que é a “paixão pela cozinha” da Justa Nobre.

O livro custa €35 e conta com prefácios do cineasta José Fonseca e Costa e o jornalista António Salvador.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 20 de Julho de 2011