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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Festival do Peixe anima Lisboa


Três anos depois do primeiro Peixe em Lisboa, o evento volta ao Pateo da Galé no Terreiro do Paço, devolvendo a aristocracia ao local, agora não por monarcas, mas pelos produtos-rei do Mar.

As portas abrem hoje, às 18 horas, numa cerimónia apadrinhada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, estando reservado para este primeiro dia apenas a abertura dos 13 restaurantes: 100 Maneiras, Arola, Assinatura, Eleven, Fortaleza do Guincho, José Avillez, Manifesto, Ribamar, Spazio Buondi, Sol e Pesca, Tasca do Joel, Umai e a York House.

Diariamente, os espaços de restauração vão estar abertos e a servir menus dedicados ao peixe e ao marisco, com preços entre os €5 aos €8.

Integrado no festival, que dura até ao dia 17 de Abril, ainda há várias apresentações de chefes, que são 23 este ano, e na longa lista destacam-se nomes como os multi-estrelados Michelin Sergio Arola e Gennaro Esposito, como os luso-descendentes George Mendes, Nuno Mendes e Serge Vieira.

No programa ainda há outras pérolas, como a 3ª edição do concurso “Melhor Pastel de Nata” no dia 13 às 15h e “A Grande Caldeirada” reservada para o almoço do ultimo dia.

Para aqueles que ainda estão chocados com as constantes mutações das “estrelas”, podem assistir ao debate com o diretor do Guia Michelin para Espanha e Portugal, Fernando Rubiato, que poderá esclarecer quais os critérios utilizados para a atribuição dos tão cobiçados galardões.

Para finalizar, pode ainda contar com vários cursos de harmonizações enogastronómicas, cursos de culinária, provas temáticas com especialista, área gourmet com vários produtos a serem apresentados e comercializados, sessões de sensibilização com crianças, animação e música ao vivo.

Os preços das entradas variam entre os €15 durante a semana e os €25 no fim-de-semana (De segunda a sexta, entre as 12h às 15h, oferta de duas degustações de 5; ao jantar e ao fim-de-semana inclui uma degustação de 5€), há preços especiais para grupos e de ingressos para 5 ou 11 dias. O horário é das 12h às 24h, com exceção no dia 17 que encerra às 16h.

Para mais informações pode consultar o site www.peixemlisboa.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Jantares Vínicos

Todos os dias, quando ligo o computador, sou confrontado com diversos correios eletrónicos de jantares vínicos, encontros de Baco e uma grande panóplia de acontecimentos em torno do vinho.

As ofertas são de tudo um pouco, havendo uma grande escolha: tradicionais, contemporâneos, italianos, franceses, etc… e como os restaurantes, também eles chegam de destinos diferentes, sendo os mais comuns, claro, os portugueses, mas os italianos e franceses também têm o seu espaço.

A fórmula que parece que todos adotaram é simples, o restaurante vai ter com o produtor, ou distribuidor (este segundo é preferível pois pode ter diferentes marcas e rótulos), pede para oferecer o vinho a troco de algumas refeições e tempo de antena, e dá-se inicio à coisa.

Estes jantares normalmente têm um menu cuidado e elaborado, depois de uma conversa entre o chefe e o produtor/enólogo e chega-se à harmonização correta (nem sempre é assim e por vezes as harmonizações são catastróficas, mas os restaurantes que organizam muitos destes eventos já os fazem quase de olhos fechados).

Antes do jantar faz-se uma pequena apresentação da escolha do menu e da paridade com os vinhos, e depois, prato a prato apresenta-se o(s) vinho(s) e as suas características técnicas, bem com a descrição de prova.

Goste-se ou desgoste-se, o que é certo é que este formato tornou-se muito popular e cada vez tem mais adeptos, e acima de tudo criou uma empatia e conhecimento por este meio como nunca houve, e aproximou de forma muito apaixonante o produtor/enólogo do consumidor final.

Posso garantir que depois destes jantares as pessoas chegam às grandes superfícies e já não olham só para o preço, mas sim conjugam o valor do vinho à sua qualidade, e às características da sua preferência.

Algumas recomendações para esta semana:

• Churchill’s Reserve Port

Este foi um vinho a que tive acesso há pouco tempo e achei muita piada por duas razões: primeiro porque é uma garrafa de 20cl e podemos pedir uma só para uma sobremesa, ou para o final da refeição.

Segundo porque é um Porto jovem de apenas quatro anos bastante aromático, com boa estrutura, produzido apenas dos melhores lotes de uvas (Letra A), resultando num vinho fácil de beber e fácil de se gostar.

• Loios Tinto 2010

Já começaram a aparecer bastantes vinhos da vindima do ano transato, e o J. Portugal Ramos não foi exceção e já meteu no mercado o seu Loios.

Produzido das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão resultou, como já tem vindo a ser habitual nos anos anteriores, num vinho muito aromático, com a fruta a assumir a sua predominância.

Muito fácil de beber e bastante gastronómico.

P.V.P €4,5

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Histórias do Azeite

Até há uma boa de dezena de anos, o simples ato de esticarmos o braço para pegar no galheteiro e retirarmos a garrafa de azeite para temperar o nosso prato era quase instintivo. Um curto comando cerebral que se refletia num movimento e num posterior aumento gustativo vegetal no prato. Agora, como no vinho, todos somos eruditos e questionamos antes de nos servir: “qual é a acidez deste azeite?”, “é virgem, ultra virgem ou pornograficamente refinado?”.

A origem da oliveira, segundo alguns cientistas, remonta à Era Terciária, mas a primeira aplicação que se conhece foi há mais de 6000 anos, quando então os guerreiros da Mesopotâmia se untavam para se proteger do frio. De acordo com a bíblia e alguns achados arqueológicos, as oliveiras já eram cultivadas em solo fértil desde o Século XXX a.C.. Mas foi apenas no século VII a.C. que os gregos e romanos começaram a utilizar este produto na sua dieta. Agora é tão comum que é impensável entrar numa cozinha sem uma garrafa de azeite.

Benéfico para a saúde, visto que reduz o risco de enfarte ou AVC – a sua grande quantidade de gordura monoinsaturada pode reduzir o mau colesterol (LDL), tornou-se o melhor aliado na cozinha. Na realidade, há alguns factores que são importantes na escolha do azeite, um dos principais é a acidez, quanto menor provavelmente melhor é. A luz é um dos piores inimigos: o contacto com esta acelera o processo de oxidação, logo a deterioração do mesmo.

O calor também não ajuda: evite os locais quentes, mas não guarde no frigorífico. Tenha também atenção aos períodos de validade, pois dificilmente podem durar mais do que um ano após a produção. E por último, é o ar. Recentemente, várias marcas introduziram os bicos doseadores, que são proporcionalmente negativos ao efeito prático, pois estes aceleram muito a oxidação.

Digamos que a garrafa ou embalagem ideal seria em vidro escuro temperado, ou mesmo tapado, ou uma embalagem em alumínio totalmente opaca, e o néctar teria de ter baixa acidez e ser bastante aromático para facilitar a sua vida.

Aqui vão algumas sugestões de alguns dos melhores que poderá encontrar no “mercado”:

• Acushla

É um azeite biológico certificado, extra virgem, DOP, com uma acidez inferior a 0,1% produzido pela Quinta do Prado em Vila Flor no Douro.

Além da sua imagem contemporânea, bonita, a embalagem foi desenhada e criada pensando nas questões ambientais, sendo totalmente reciclável.

Quanto às propriedades do produto, em copo próprio apresenta-se amarelo esverdeado, com aromas e sabores frutados, tendo uma longa persistência final com notas apimentadas.

(€9,90 - 500ml)
www.acushla.pt

• CARM

Tem uma gama muito extensa, desde a seleção CARM, Quinta do Bispado, do Côa, da Calábria e das Marvalhas todos com processo muito parecidos, no entanto de olivais distintos, de azeitonas de variedades diferentes, havendo espaço para cada um ter a sua identidade, mas a qualidade é comum a todas.

O Premium das Madural e Verdeal é talvez o mais expressivo, com aromas fortes e apaixonantes e apesar de uma acidez de 0,1% é bastante saboroso e encorpado na boca.

(€6,40 – 500ml)
www.carm.pt


• Gallo Azeite Novo

Extraído a frio de azeitonas que são colhidas entre os meses de Outubro a Dezembro, é o mais requintado de toda a gama Gallo.

O formato é tipicamente igual a quase todas as garrafas do mercado, mas esta tem a particularidade de ter um revestimento dourado que não só protege da oxidação como lhe confere um design distinto.

Já recebeu o primeiro prémio Mário Solinas, sendo considerado o melhor azeite do mundo.

Muito frutado, intenso e ligeiramente picante.

(€4,50 - 500ml)
www.gallo.pt


• Oliveira Ramos Premium

Produzido das azeitonas galega, cobrançosa e picual tem uma identidade muito própria e complexa.

A sua extração e conservação bastante técnica e cuidado permitem uma boa armazenagem de aromas e sabores resultando no azeite fresco e elegante, muito frutado, no entanto a revelar outros frutos como maçã, amêndoas e frutos secos.

É ligeiramente picante mas de forma graciosa e interessante.

Não há uma ciência para a utilização desde azeite, mas serve para temperar, cozinhar e guarnecer.

Muito boa proposta da João Portugal Ramos

(€8,90 - 500ml)
www.jportugalramos.com


• Quinta do Vale Meão


Curiosamente o nome já está bem conotado, pois o vinho é considerado um dos melhores de Portugal, o que pouca gente sabe é que o azeite também é excelente.

Azeitonas de Trás-os-Montes de um olival que foi plantado pela Dona Antónia Adelaide Ferreira, é produzido em modo de Agricultura biológica e atinge a acidez máxima de 0,2%.

Bom aroma herbáceo e fruta, ligeiramente especiado na boca. É mesmo uma agradável surpresa.

(€11,50 - 500ml)
www.quintadovalemeao.pt


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Finalmente é sexta-feira

Esta foi a semana dedicada aos chefes, hotelaria e alimentação, pois no domingo teve inicio uma das maiores feiras do sector: A Alimentaria. Incompreensivelmente ninguém está contente, todos se queixavam que o mercado está mau, que as perspetivas são péssimas, que não sabem como é o dia de amanhã. Bem, se eu quero comprar alguma coisa e o vendedor está com ar de tragédia, eu faço questão de sair da loja. Sem esperança, boa disposição ou acreditar no que faz, como poderá convencer alguém a comprar? Ao mesmo tempo decorreu o primeiro congresso da Associação de Cozinheiros e Profissionais de Portugal, que se revelou interessante e com futuro. A classe dos cozinheiros anda preocupada, mas parece que procura as soluções, fugindo ao lamento desconcertante. Lembrando um pouco que é pelos clientes, principalmente dos que gostam de comer, que estas classes vivem, aqui vão as minhas recomendações para este fim-de-semana:

A Comidinha

Confesso que a primeira vez que lá fui estive quase para desistir, pois não é dos locais mais fáceis de descobrir, mas depois de experimentar é impossível não voltar.
A garrafeira é impressionante, havendo centos de rótulos diferentes, de todas as regiões de Portugal e a comida não fica atrás.
Aqui, além do peixe sempre fresco, recomenda-se tudo o que venha do tacho: Sopa Saloia, Ensopado de Borrego, Grão com Rabo de Boi, e a Feijoada de Búzios são autênticas odes à gastronomia tradicional.
Se tiver estômago passe uma vista de olhos, e quem sabe uma dentada pelas sobremesas.

Urbanização Torraltinha, Lote 5, Loja B, Lagos.
Tel: 282 782 857.
Preço médio €22

Adega Típica 25 de Abril

A primeira impressão é logo provocada pela atípica decoração, onde vários e enormes potes de barro podem ser encontrados pela sala, e depois pelas várias alfaias e utensílios agrícolas, criando um ambiente rústico e descontraído.
Depois há a paparoca, que é boa e recomenda-se.
Muita dela de influência alentejana, como não poderia deixar de ser: Açorda de bacalhau, carne alentejana grelhada, migas à alentejana, os secretos de porco preto e a Sericaia ou as Migas doces.
Bem poderia continuar a minha lista, mas o que é importante é que tudo é bom e com preços a que muitos citadinos já não estão habituados.

Rua da Moeda 23, Beja.
Tel: 284 325 960.
Preço médio €25

Great

Um dia, e depois de assistir a vários episódios do Hell’s Kitchen do chefe Gordon Ramsey, estava com vontade de comer o famoso bife do general Wellington, e como andava pela região do Porto, depois de várias tentativas frustradas, dei com este restaurante.
Não só o Wellington é bom como aproveitei para degustar outros pratos que se estabeleciam sempre por um nível bom de confeção e sabor.
A decoração e o ambiente urbano com caras bonitas também ajudou, e desde então ficou na minha curta lista de recomendáveis.

Estrada Exterior da Circunvalação 15960, Matosinhos.
Tel: 220 025 274.
Preço médio €25

São Gião

Este é provavelmente um dos melhores restaurantes de Portugal, e deve-o principalmente ao génio de Pedro Nunes, que domina de forma sublime a nossa cozinha tradicional, renovando com alguns pormenores de inovação, mas sempre respeitando o essencial: o sabor.
Da sua carta há duas sugestões que nunca me cansam, o peito de pato fumado e o pudim abade de Priscos, vá lá e perceba porquê.
De destacar também a decoração bonita e atual, a lareira no centro da sala e o excelente serviço de sala e vinhos.
Aqui tudo funciona.

Moreira de Cónegos, Guimarães.
Tel: 253 561 853.
Preço médio €35

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 01 de Abril de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Reviver Sintra na Gastronomia

Desde os meus tempos de infância que tenho uma imagem de Sintra igual à que tenho quando entro num museu, tudo é frágil, bonito e para se absorver.

Museus, palácios, castelos, casas e até alguma doçaria, como as queijadas da Sapa, ou os travesseiros da Piriquita, que eram sempre boas razões para visitar esta vila.

Mas quando chegava a hora da refeição, fazíamos-nos à estrada, que a oferta nunca me cativou.

Durante anos foi assim até que, há sensivelmente um ano, mudei drasticamente de opinião. Os chefes João Sá e André Simões, dois jovens criativos, juntaram-se à experiência do sommelier Manuel Moreira e abraçaram o projeto gastronómico do GSpot.

Tenho que admitir que este nome dá para conjugar de forma maliciosa em vários trocadilhos, ou talvez em perguntas inconvenientes, mas felizmente que eu não fui lá para ler, mas sim para comer... e beber.

O restaurante fica na zona conhecida pela Estefânia pelos sintrenses, mesmo ao lado da Biblioteca, onde à noite podemos ver, debaixo de uma iluminação fantástica, alguns dos pratos especiais da vila: Palácio da Vila e suas grandes chaminés, o maravilhoso Palácio da Pena e o intrigante Castelo dos Mouros.

O interior, discreto e acolhedor, tem 20 cadeiras, mesas aprumadas, serviço capaz e uma boa disposição que paira no ar.

Da cozinha, pouco escondida, somos recebidos com um bom dia, boa noite ou um sincero abanar de cabeça, pois aqui não há espaço para esconder "emoções".

A ementa residente é novidade, pois aqui eram conhecidos pelos menus que mudavam semanalmente, mas nem por isso perdeu criatividade, apenas ganhou estabilidade.

Não liguei muito aos couverts, onde um cesto de pão e azeite foram servidos e concentrei-me nos substanciais.

Decidi-me pelo menu de degustação com quatro pratos apenas por €27.

Primeiro foi a surpresa do chefe, um pequeno caldo de corvina com mexilhão, bons sabores, bem temperado e as texturas do peixe adequadas, nada esponjosas ou moles, típico destes caldos.

Depois o brulée de aneto, camarão salteado e crocante de bacon, muito interessante, onde os dois crocantes, do queimado do brulée e do bacon, criaram duas formas de trincar distintas, harmonizando bem com o camarão.

Curioso o sabor do aneto combinado com um salteado.

Seguiu-se uma simpática raia corada com crosta de citrinos e soja salteada, no meu entender um pouco cozinhada de mais, mas bem conjugada com as ervilhas de wasabi e as sojas cozinhadas num belíssimo ponto.

O cachaço de porco estufado, tatin de tomate e puré de azeitona Gordal foi o vencedor da noite, bem estufado, com a carne ainda a manter as texturas e integridade, sem se desfazer ou desfiar de forma precoce.

O tomate relembrava as linhas doces, e o puré estabilizava a guarnição, resultando numa combinação apaixonante ao palato.

Mais desinteressante e desinspirada foi a sobremesa: coalhada de leite cabra com morangos, manjericão e crumble de aveia.

Muitos sabores a sobreporem-se, sem harmonizar, e a introdução do gelado tipo after eight foi totalmente desastrosa.

Sobremesa facilmente esquecida pela qualidade da confeção e produtos anteriores.

O serviço foi sempre correto, atencioso e competente, fazendo sugestões e resolvendo rapidamente as exigências.

Além do branco de colares (€4) servido em bons copos e temperatura correta e um Porto branco para entrada (€3), juntei mais três que levei para o GSpot, pagando apenas a taxa de rolha (BYOB) de €5.

Fiquei com vontade de voltar e, apesar de apenas um pequeno desaire, tenho a certeza que este é um espaço para ficar, visitar e apreciar.


Detalhes
GSpot
Alameda dos Combatentes da Grande Guerra, 12 A/B
Portela (junto à biblioteca)
2710-426 Sintra
W 09º 15' 08'' N 38º 45' 28''
+351 927 508 027
www.g-spot-gastronomia.com / geral.gspot@gmail.com
Horário: Encerra ao domingo e segunda aos jantares, Aberto todos os dias das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
Preço médio: €30
Tipo de Cozinha: Autor
Cartões: Todos


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 30 de Março de 2011

(fotografias Fabrice Demoulin)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quinta de São Sebastião: Reserva Tinto 2008 - Da Arruda... do tinto

Por João Barbosa/VTC

Há produtores que conseguem furar a imagem que o público, ou só os enófilos, têm duma região. Se a moda passa pelo Douro e Alentejo, outras regiões vivem as amarguras causadas pela reputação, herança de muitos anos a produzir vinho de qualidade menor. Assim acontece com a Estremadura e com o Ribatejo, que, por esses motivos, alteraram a sua designação para Lisboa e Tejo, respectivamente.

A Quinta de São Sebastião, situada na Arruda dos Vinhos, é um desses casos em que a qualidade desfaz a fama e que luta contra o preconceito. De assinalar que não é caso único na região de Lisboa, mas a verdade é que as quintas mais badaladas se situam ao redor de Alenquer. Todavia, esta está na Arruda e é de lá que parte para a conquista dos consumidores.

Tiago Carvalho, o enólogo, assume o prazer do projecto e o desafio que é fazer um vinho numa terra pouco valorizada pelo consumidor. Conta que, quando foi convidado para assumir a enologia, lhe foi pedido um vinho que tivesse corpo, estrutura, mas também elegância. António Parente, homem da televisão e proprietário da quinta, mostrou-lhe o que pretendia, apresentando, em prova cega, dois vinhos. Da "junção" dos dois deveria sair o seu néctar.

O enólogo não se impressionou com o primeiro, mais novo, mas compreendeu a ideia. Espantou-se com o segundo. Poucos dias antes, bebera um Barca Velha de 1981 e tinha-o, por isso, bem presente na memória. Embora lhe fizesse lembrar essa mediática "pomada", o facto é que o servido "às escuras" mostrava qualidade idêntica ou superior. Revelado, era um vinho da Adega Cooperativa da Arruda dos Vinhos de 1968.

Com este exemplo, António Parente quis também sublinhar o potencial, em termos de qualidade, da zona da Arruda do Vinhos. Tiago Carvalho ficou convencido e jogou mãos à obra. Até agora, saíram um branco colheita e um tinto reserva, além da marca entrada de gama Mina Velha 2008 (tinto).

Para fruta escolheram um conjunto de castas nacionais e estrangeiras. As escolhas recaíram nas tintas francesas syrah e merlot, e nas portuguesas touriga nacional, tinta Roriz (aragonês). Nas brancas só foram plantadas as variedades nacionais arinto e cercial. As uvas são tratadas com "muito respeito e carinho", olhando o resultado final pretendido. Tiago Carvalho não hesita em mandar parar a apanha se tal se revelar benéfico. A primeira vindima efectuou-se em 2007, mas só a de 2008 seguiu para comercialização.

Em termos de ambiente, o que envolve a terra e as vinhas, dá-se uma fusão entre frescura e factores amenos. O ar marítimo vem de 20 quilómetros em linha recta, conferindo a frescura característica. Mas a montanha faz de biombo, o que amansa o vento.

Quanto à temperatura de serviço, o enólogo da Quinta de São Sebastião parte um pouco a ideia feita para um vinho tinto: entre os 18 e os 20 graus. Para o branco propõe as medidas clássicas.

O Quinta de São Sebastião Tinto Reserva 2008 mostra-se complexo no nariz e boca. Demonstra também uma belíssima evolução, com o tempo, no copo. É floral, onde se destacam as violetas, palha e fumo. No palato apresenta notas de chocolate e revela boa acidez, com boa estrutura e taninos elegantes.

Preço Tinto Reserva: 14,5€

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

Depois de tantas catástrofes, greves e crises financeiras, chega o fim-de-semana.
Temos que desligar um pouco destes problemas e dedicarmos um pouco do nosso tempo a actividades de lazer. As boas notícias chegam pelo Instituto de Meteorologia: subida de temperatura e sol radioso de norte a sul, sendo um excelente cenário para se meter num carro e passear por este país gastronómico. E porque o sol puxa pela bebida fresca, por uma esplanada e, quem sabe, um peixe acabado de pescar da nossa costa atlântica.

Arte Náutica

Confesso que não é a minha zona preferida do Algarve, mas depois de atravessar o aglomerado urbano e chegar à praia esqueço-me de todo o cimento e betão.

Uma vez lá dentro, vamos encontrar uma decoração bastante marítima, areia pela frente e o interminável Oceano.

As especialidades são várias e, como não podia deixar de ser, centra-se no peixe e marisco: amêijoas à bulhão pato, camarão frito com alho, arroz de lingueirão, são variantes ou complementos ao peixe de linha que está sempre a chegar.

Praia da Armação de Pêra, Algarve.
Tel: 282 314 875.
Preço médio €30.

Furnas do Guincho

Fica numa zona onde há vários restaurantes dentro do mesmo estilo e género, bom peixe e marisco e uma vista fantástica sobre o Oceano.

Entre o Porto de Santa Maria, o Mar do Inferno e o Monte Mar, tenho grande dificuldade em distinguir a qualidade gastronómica, pois todos eles são excelentes, mas as Furnas foram recentemente alvo de um processo redecorativo ganhando um novo encanto.

Quando lá for, não prescinda da santola recheada e da feijoada de marisco e, se pretende carne, o chateaubriand é excelente.

Estrada do Guincho, Cascais.
Tel: 214 869 243.
Preço médio €40.

Ababuja

Há 20 anos, quando Manuel Soares viu uma casa de pescadores abandonada, decidiu recuperá-la mantendo a traça e a história, criando um restaurante simpático e bastante descontraído.

Aqui o peixe é sempre fresco e está a vista de todos, é só olhar, escolher e toca a confeccionar. Além do peixe e marisco, o camarão frito com laranjas ou choco frito com amêijoas são verdadeiros acepipes da casa.

Rua da Ribeira, 11 - Montes de Alvor, Algarve.
Tel: 282 458 979.
Preço médio €32.

Arte e Sal

Fica na marginal de São Torpes, facilmente identificável, tendo uma localização privilegiada e uma vista de sonho. Aqui o ex-líbris é o grelhado no carvão.

Tudo o que lá vai parar chega à mesa com grande qualidade gastronómica, seja um peixe ou marisco fresco, ou um lombinho de porco preto. Confesso que nesta casa não dispenso o esparguete negro de chocos, mas se o quiser provar não se esqueça de reservar e encomendar a sua dose desta iguaria.

Praia de Morgavel.
Tel: 269 869 125.
Preço médio €25.

Shis

Esta é provavelmente uma das minhas esplanadas preferidas, pois estamos no meio de uma metrópole e ao mesmo tempo numa praia e nem um nem outro sobressaem, destaca-se sim o "shis".

Bom ambiente, bastante cosmopolita, boa cozinha executada pelo chefe António Vieira, garrafeira bem seleccionada e variada e um serviço de mesas adequado fazem deste restaurante um sucesso.

Na realidade, e apesar da carta ser bastante extensa e variada, sempre que lá vou rendo-me ao sushi sempre fresco e acabado de fazer, mas os crepes japoneses de camarão são residentes assíduos na minha mesa.

Praia do Ourigo - Esplanada do Castelo, Porto.
Tel: 226 189 593.
Preço médio €35.

Ribamar

O nome já é conhecido por muitas pessoas, mas provavelmente associado sempre a Sesimbra.

Na realidade não estão errados, o que aconteceu é que o chefe Hélder Chagas e a sua equipa duplicaram os esforços e dedicação ao abrir um irmão mais novo em Tróia.

A qualidade e os produtos são os mesmos: peixe fresco, sempre da melhor qualidade, e o marisco ainda vivo pronto para ser cozinhado ao nosso gosto, aliados a um serviço exemplar, uma decoração bonita e uma carta de vinhos memorável.

Se porventura tiver a sorte de chegar e haver pezinhos de burro, não deixe de provar esta iguaria quase desaparecida.

Alameda da Marina, Tróia.
Tel: 265 106 944.
Preço médio €32.

Neste texto quero ainda destacar o trabalho do jovem chefe Miguel Rocha Vieira, que, depois de passar por locais como "1 lombard street", em Liverpool street (*Michelin), Chateau de Divonne (*Michelin) e pela Maison Pic (***Michelin), e o Hacienda Benazuza, Sevilha (**Michelin) no famoso Hotel de El Bulli, foi chefiar o restaurante Costes em Budapeste.

Aqui, ganhou a sua primeira estrela a solo, bem como a primeira da Hungria.

Passou um ano desde que ganhou o galardão e sem grandes surpresas integrou novamente a lista dos melhores da Michelin. Parabéns Miguel!

Costes Restaurante, www.costes.hu
092 Budapest, Raday Ttca 4 - Hungria.
Tel: +36 1 219 0696.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 18 de Março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Sapo

Confesso que sou um pouco avesso a restaurantes enfarta brutos, porque normalmente com esse estereótipo tem uma cozinha de massas, salas gigantescas e um ambiente muito pouco intimista.

Mas, depois de várias recomendações, cedi, e quando fazia a estrada de Penafiel para Entre Rios, decidi fazer um pequeno desvio para visitar a pequena povoação de Irivo.

Pouco depois de entrar no aldeamento deparo com várias figuras de anfíbios verde e branco. Cheguei ao restaurante!

O Sapo é uma casa tipicamente familiar onde as receitas e conhecimentos foram passando de geração em geração, sem nunca cederem a novas tecnologias ou apresentações fascinantes. Aqui sai do tacho, vai para o barro, seguindo mais dois destinos: a mesa e a boca.

Divido por três salas adjacentes, todas elas sem grades atributos decorativos, canalizam a atenção para a confeção.

A ementa é bastante variada, mas assenta essencialmente nas carnes, e além do escrito da carta, há diariamente sugestões.

Não me aventurei muito e deixei-me levar pelos pratos da casa. Ainda nem tinha pedido nada quando chegou uma tábua de queijos e enchidos e, como sou fraco, nem hesitei em atirar-me aos petiscos.

Um queijo amanteigado, uma paiola e um presunto, juntamente com o pão da região fizeram as honras da casa e passaram com distinção.

Os bolinhos de bacalhau e as pataniscas surpreenderam-me bastante: esperava ver uma massa empapada em óleos, mole, sem interesse, mas foi totalmente o oposto. Crocantes, saborosos e principalmente secos de gorduras vegetais.

Avancei para a orelheira e uma saborosa salada de cebola (ou cebolo como é chamado pelos produtores da região) e pimento, que terminavam o rol das entradas(€6). Produtos de qualidade, com uma confeção segura, garantiram a minha satisfação na experiência.

Antes das tripas(€10), prato que seguramente dava para três pessoas que se alimentem bem, provei uma espécie de açorda à moda da casa, pão frito em azeite com ovos estrelado (1€ por ovo), estranhei um pouco, pois não era humedecida num caldo e sabia um pouco a fritos em demasia. Terminei os salgados com o anho à moda da casa (€12).

Assado no forno, juntamente com as batatas e um pouco de grelos, estava verdadeiramente fantástico, a carne desfazia-se e separava-se do osso sem qualquer esforço, as batatas novas de casca amarela estavam crocantes no exterior e tenras no seu interior, em suma, um prato muito bem executado.

Fui para os doces e o primeiro foi o pão-de-ló de ovos (€5), tipo Ovar, feito como
manda a regra, sem nada a apontar. As cavacas com moscatel (€5), doces e húmidas, também ganharam o meu voto e o bolo de gila (€5) estava bom, embora um pouco seco para o meu gosto.

Neste restaurante nada que saia da cozinha é negativo, mas como já referi no início, as doses são de partilha e para dar uma volta a carta, guarneça-se de três ou quatro amigos, para o ajudar.

Comida regional bem confecionada, vinhos da casa a preceito (€10 a garrafa), fazem-me terminar elogiando a casa com a música da Maria Armanda: "Eu vi um sapo com um guardanapo e estava a papar um bom jantar."


Detalhes

O Sapo
Lugar da Estrada, Penafiel
4560 - 173 Irivo
W 8º 19' 23'' N 41º 10' 27''
+351 255 752 326
Horário: Encerra às Segundas e feriados
Preço médio: €15 em partilha e sem bebidas
Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa
Cartões: Todos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

O meu menu : Pelos Caminhos de Portugal

Ainda há uns dias estava no primeiro encontro gastronómico de Esposende, organizado pela escola profissional de Esposende, e um dos temas que se discutiu com muito entusiasmo foi o respeito pelo produto, a escolha de boa matéria-prima e o respeito pela receituário tradicional português.

Em muitos locais, os nomes utilizados para os pratos, bem como a a sua confecção não têm nada a ver com as receitas, que tão bem conhecemos do nosso dia a dia.

Assim, andei à procura, em Lisboa, de um restaurante que levasse todos estes pontos em conta e elevasse a nossa gastronomia de forma justa e autêntica.

E foi este o menu que degustei: Cogumelos selvagens com bacon porco preto (€6); alheira de caça (€12); polvo à lagareiro (€14,50); cabritinho do monte no carvão (€16,50); pão de rala(€4).

Sento-me a salivar no restaurante Solar dos Nunes, detentor de uma das melhores execuções da confecção tradicional portuguesa.

Foi em 1988 que a família Nunes deixou o Alentejo com destino a Lisboa para abrir esta casa, que desde o seu primeiro dia se rege sempre pela máxima: "Respeitar as raízes e as tradições da confecção da cozinha tradicional portuguesa".

Já em Cascais, uma das melhores experiências que posso ter é degustar uma boa refeição na praia. Bem, não na areia propriamente dita, mas sim a escassos metros da água.

Pois não há nada mais reconfortante do que num dia de sol, e depois de um mergulho no Atlântico, sentar-me à mesa, pedir uma cerveja e começar a comer uns petiscos. Esse local existe e não serve só hambúrgueres de qualidade discutível e umas sensaboronas e caras sanduíches de conteúdo irreconhecível.

Delicie-se com estes petiscos: Pastéis de bacalhau (€1,2), rissóis de camarão (€1,2), croquetes de alheira (€1), cascas de batatas com caviar e sour cream (€3,5) e ainda salada de crab cakes (€9,3), Mexilhão The Bay (€7,8), bem como os peixes do dia grelhados ou escalados (€9,5 a €10,5), Bife do lombo (€16,5) e Secretos de porco preto (€9,5).

Todas estas e muitas mais iguarias estão disponíveis de terça a domingo no restaurante The Bay, na praia da Conceição, em Cascais.

O restaurante não é muito grande, mas tem espaço suficiente para 30 pessoas.

Os seus sócios, que incluem o chefe David Igrejas, André Almeida e Zé Maria Trocado, já têm experiência na área de servir e tornaram este novo espaço num local apetecível e acolhedor.

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Restaurante Solar dos Nunes
www.solardosnunes.com
Rua dos Lusíadas 68/72
1300-372 Lisboa
W 9º 10' 49,8'' N 38º 42' 19,4''
Tel. +351 213 631 631
solardosnunes@hotmail.com

Restaurante The Bay
www.thebay.pt
Praia da Conceição
2750-353 Cascais
W 8º 42' 44'' N 41º 11' 59''
Tel. (+351) 214 820 038
Email: geral@thebay.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

Na semana passada fui a um almoço de apresentação de um vinho que me trouxe dois sentimentos distintos. O primeiro muito positivo e verdadeiramente inesquecível, foi o lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial de 2003.

Um vinho singular, que só vem para o mercado quando está perfeito, tendo tempo para descansar, reflectir e ganhar a personalidade que o torna único. Partilha com o Barca Velha um aspecto delicioso, só é produzido em anos de excepção!

Com um nariz muito aromático, onde sobressai a fruta vermelha madura, bem como as suas notas especiadas, na boca revela uma extraordinária acidez, boa estrutura, taninos firmes e uma persistência longa e apaixonante.

O preço, esse não é para todos, a rondar os €50, não fica barato. Agora como prometido, o sentimento oposto!

Pois esta apresentação foi no restaurante Valle-Flôr em Lisboa, que desde que perdeu o chefe Aimé tem vindo a perder qualidades, mas o que eu comi neste almoço foi verdadeiramente decepcionante, comida sem paixão ou sabor.

Numa postura completamente diferente, onde nunca se deixa de comer bem, está a lista de recomendações que se segue:

DOP

O chefe Rui Paula continua a dar cartas sólidas, depois de uma incursão pelas terras gastronómicas de Girona, voltou com novas técnicas e ideias, havendo já na carta novos e deliciosos apontamentos que reflectem a viagem.

O espaço muito bonito, em que a decoração moderna vive em harmonia com a história do edifício, cria um ambiente sofisticado e intimista, onde se está bem e come-se ainda melhor.

São Domingos, 18 - Palácio das Artes
Tel: 222 014 313
Preço médio €45

Gemelli

Em Lisboa, o chefe milanês Augusto Gemelli convidou o chefe madeirense Octávio Freitas do grupo Four Views, e vão cozinhar a quatro mãos, na próxima terça dia 15.

Desta união vão resultar seis pratos, dos quais destaco o chambão de borrego com estufado de “saltimbocca” em longa cozedura, ligado com “risotto” de figo e lima, que me parece acusticamente delicioso, mas terça estarei lá para o comprovar.

Rua Nova da Piedade 99
Tel: 213 952 552
Preço €45




Feitoria

No próximo dia 16 de Março vai haver mais uma razão para visitar este restaurante, pois além de Master Class de Borgonhas, segue-se um jantar que vai ser provavelmente único, onde poderá degustar vinhos como Champagne André Clouet Grande Réserve, Puligny Montrachet 1er Cru Hameau de Blagny 2005, Chardonnay, Chambertin Clos de Bèze Grand Cru 2006, Pinot Noir e o Château Rayne-Vigneau 1er Cru Classé 2002.
E, não menos importante, uma ementa produzida pelo chefe Cordeiro.
O preço para a master class patrocinada pela Chanson Père & Fils é de €40, e o jantar €70, se for aos dois ainda poupa €5.
Vinhos de excepção, seguramente com um menu de eleição.

Altis Belém, Doca do Bom Sucesso – Lisboa.
Tel: 210 400 208

Arola

Em Sintra, num local muito bonito, com o arvoredo e o verdejante campo de golfe como pano de fundo, e uma decoração moderna e intimista como cenário, chegou o novo menu de tapas do mítico chefe catalão Sergi Arola.

Croquetes de presunto Ibérico fritos em azeite de oliva, batatas bravas recheadas com molho de tomate picante e ayoli e umas deliciosas “cocas” (espécie de pizas), bem como algumas mais substanciais como o Fideuà de lulas, mas igualmente partilháveis.

Estrada da Lagoa Azul (Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort)
Tel: 219249011
Preço médio para as tapas €25
tapas €25

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 11 de Março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Finalmente é sexta-feira

As novidades gastronómicas não param de acontecer. Alguém me disse que as trocas dos chefes de restaurantes em muito se assemelham às transferências dos clubes de futebol.

Poderia acabar com uma graçola do tipo "só falta receberem o mesmo", mas a verdade é que os "chefes" mais conceituados já recebem ordenados bastante chorudos.

Depois da saída do chefe José Avillez do Restaurante Tavares, é a vez do chefe Aimé Barroyer tomar a dianteira deste projecto.

Este francês, que já está em Portugal há vários anos, destacou-se no Restaurante Valle Flor pela introdução de vários produtos lusos que tinham caído no esquecimento ou dos que não eram usados por serem considerados menores.

Foi mentor de vários nomes que se destacaram no panorama nacional, como os chefes Pedro Lemos e Henrique Mouro, e influenciou, de maneira irrepreensível, a cozinha contemporânea portuguesa.

Curiosamente, lançou ontem o seu novo livro, "Sabor A Mar", com fotografias de Mário Cerdeira, textos de Fortunato da Câmara e cujo o tema é o peixe português.

Sem entrar em complexidades, explica um pouco de tudo, desde a fauna até à arte de cozinhá-los, contando com 53 receitas dedicadas à sua execução.

Ainda dentro das trocas, o Restaurante Buhle, no Porto, contratou um novo chefe que veio do Hotel Mandarim, em Barcelona, com uma estrela Michelin, e que tem a assessoria da três estrelas Michelin Carme Ruscalleda e a pasteleira Leonor Sousa Bastos, do Flagrante Delicia.

Será que, com estas mudanças, o Pedro Sá Pereira está definitivamente na corrida das estrelas? Este fim-de-semana, o destino é o Porto e, o local, o Palácio da Bolsa onde está a decorrer a oitava edição do evento Essência do Vinho.

Começou ontem e vai durar até domingo, aquela que já é apelidada de "a principal experiência do vinho em Portugal".

Este ano, conta com 350 produtores nacionais e estrangeiros, mais de três mil vinhos em prova, e cerca de 50 acções temáticas, nas quais se incluem várias provas comentadas.

Para assinalar os 200 anos do nascimento de D. Antónia, serão dados a provar vinhos do século XIX que marcaram o percurso da Ferreirinha no Douro, como também haverá provas de vinhos do Porto, Madeira e Setúbal raros e uma prova vertical de Portos colheita Andersen, desde 1900.

Os chefes Luis Américo, José Avillez, Pedro Lemos, Vítor Matos e Vítor Sobral também irão marcar presença, juntando-se também ao programa a chefe galega Beatriz Sotelo, uma estrela Michelin.

As entradas têm o valor a partir de 12€ para um dia, com a oferta de copo de prova; até 50€ - entrada VIP para um dia, oferta de um copo, com parque de estacionamento e Prova Comentada Premium.

(Quem se deslocar no Metro do Porto até ao Palácio da Bolsa e, na bilheteira, apresentar o respectivo comprovativo de viagem, beneficia de um desconto de 2€ no valor do ingresso de entrada).

Nesta edição, o Essência do Vinho - Porto assume uma responsabilidade social com a Associação Bagos d'Ouro, de apoio às crianças desfavorecidas do Alto Douro vinhateiro.

Assim, por cada entrada adquirida, o valor de 1,50€ reverterá a favor daquela instituição.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Douro Ilustrado

Uma das obras mais interessantes e trabalhosas que se conhece sobre o Douro, foi o famoso mapa do Rio Douro elaborado pelo Barão de Forrester, publicado em 1848, tendo sido mesmo até hoje o mais importante registo desta zona vinhateira. David Eley, inspirado no anterior trabalho, criou uma aguarela que representa o Novo Mapa Ilustrado do Douro, composto por 130 ilustrações e medindo três metros.

A ideia é mostrar de uma forma bonita e bastante explicita o Douro do século XXI, representado pelas principais quintas de vinho do Porto e vinhos de mesa. Fico muito feliz com a finalização deste trabalho, pois acho que já era tempo de alguém fazer uma obra interessante e informativa que explanasse bem a beleza da região.

Ainda no Douro, mas agora já falando no produto final, o Esporão lançou recentemente para o mercado os seus novos vinhos, mas desta vez não são alentejanos e sim durienses.

A Quinta dos Murças, perto da aldeia de Covelinhas, com 156 hectares, 60 dos quais com vinha, é o mais recente projecto desta empresa, e estes são os néctares que produzem.

Assobio 2009 Douro

Produzido das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca de vinhas com sensivelmente 15 anos, cerca de 20% do lote estagia seis meses em barricas novas e usadas de carvalho americano e francês.

O vinho, sendo jovem, apresenta uma cor rubi com laivos violetas, e um nariz onde se destacam frutas vermelhas e notas especiadas.

A boca é fresca e elegante, com taninos leves.

Sirva a 16ºC.
Teor alcoólico 13,5%.
P.V.P. €8


Quinta das Murças Reserva 2008 Douro

Produzido de vinhas velhas com 40 anos e de castas como a Tinta Roriz,Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Miúda, Touriga Nacional, Touriga Francesa e Sousão, estagia em carvalho francês.

O vinho é bastante complexo, apresentando muitos aromas, com alguma predominância nos frutos vermelhos.

Já na boca apresenta uma estrutura e equilíbrio muito bons.

Diria que este néctar acompanharia bem pratos elegantes mas ricos, como um bife do lombo.

Sirva a 16ºC.
Teor alcoólico 14,1%.
P.V.P. €22

Quinta das Murças Porto 10 anos Tawny

Das castas Tinta Amarela, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão de vinhas com uma média de 20 anos, e com um descanso de 10 anos em pipas usadas.

O nariz elaborado com nozes, figos, baunilha e outros frutos secos, contrasta com a boca muito fresca, elegante e persistente.

Diria que casaria bem com um foie-gras ou queijos muito fortes.

Sirva a 15ºC.
Teor alcoólico 19,5%.
P.V.P. €20

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 2 de Março de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Finalmente é sexta-feira

A sustentabilidade é um tema que agora está na moda.

Usa-se e abusa-se da palavra, mas, na realidade, poucos fazem algo para poder ter direito ao uso da mesma. Recentemente, assisti em Girona, Espanha, a um alerta do chefe catalão Sergi Arola sobre os perigos da pesca do arrasto e da extinção do atum cinzento. A verdade é que a moda do sushi aumentou drasticamente a procura deste peixe, bem como fez disparar o preço.

Das três milhões de toneladas anuais passou-se a pescar 60 e, segundo os cientistas, acima de 10 caminha-se para a extinção. Agora, com estes números, não caminhamos, corremos rapidamente para a extinção do atum.

Será este o caminho que queremos?
Fica aqui algo para pensar.

Na Costa Brava, Catalunha, há actualmente 20 estrelas Michelin, e eu tive a oportunidade de visitar alguns. Aqui está a lista dos que mais me impressionaram.

Ca L'Arpa

Em Banyoles, a cerca de 20 minutos de Girona, tem uma cozinha criativa usando os produtos locais.

Uma decoração moderna, mesas espaçosas, e de alguns pontos da sala podemos ver o chefe a preparar as suas criações.

Quando lá for, recomendo que faça uma degustação dos "snacks", e obrigue o chefe a servir o hamburguer de pato com foie-gras.

Preço médio €60.
Pg. de la Industria, 5.
Tel: 972 572 353.
www.eirebostdenpere.com

El Celler San Roca

Aqui podemos ver a cozinha criativa e singular de Joan e Jordi Roca.

Usando técnicas modernas e apresentações singulares, vence por dois lados: no visual e no palato.

Foi dos melhores sítios onde comi e as três estrelas Michelin estão totalmente justificadas.

O menu de degustação consiste em 20 pratos e 20 vinhos seleccionados pelo outro Roca, Joseph.

Não prescinda do "turron de foie" ou o bombom Bellini, que são autênticas peças de arte gastronómica.

Preço médio €90, menu de degustação €115.
C. de Can Sunyer 48,Girona
Tel: 972 222 157
www.cellercanroca.com

Els Tinars

Muito perto de Girona, escondido no meio de um arvoredo, fica esta casa térrea, com uma decoração muito descontraída e, apesar dos seus 120 lugares, consegue através de várias salas criar um ambiente calmo e agradável.

A cozinha é tipicamente regional da Catalunha, respeitando seu receituário e produtos, mas dando um twist de contemporaneidade.

Preço médio €55
Ctra. De Saint Feliu a Girona, Llagostera
Tel: 972 830 626
www.elstinars.com

El Bulli

Considerado por muitos o melhor restaurante do mundo, fica na bela povoação de Roses, junto ao mar.

Ferran Adrià é talvez o mais criativo chefe da actualidade e o espaço, além de lindo, tem uma vista singular.

Na mesa, a experiência gastronómica é única e inesquecível, pois o menu composto por 40 pratos deslumbra qualquer pessoa.

Dou-lhe a garantia que não sai de lá cheio, o problema é conseguir uma reserva, e se quiser despache-se porque o El Bulli vai fechar durante três anos a partir de 31 de Julho.

Menu €200.
Cala Montjoi, Roses
Tel: 972 150 457
www.elbulli.com

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 25 de Fevereiro de 2011