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domingo, 18 de dezembro de 2011

Finalmente é Sexta-feira


Dar um pulinho à outra margem, aprender a cozinhar de uma forma divertida, ouvir um concerto exclusivo do Tiago Bettencourt num hotel de charme, diversificar o cozinheiro amador que está dentro de si ou apreciar um fantástico tinto, são algumas das minhas sugestões para este fim-de-semana.

Niguém pára o Chefe Cordeiro


Depois do sucesso do Masterchef, onde foi o presidente do júri, e de ter recebido uma estrela Michelin para o restaurante Feitoria em Lisboa (sendo a segunda vez que é distinguido com este galardão), é agora tempo de publicar o seu livro de receitas. 

Querendo distinguir-se um pouco do que já se vê muito pelas livrarias, a proposta é simples, mas inovadora: receitas para os cozinheiros amadores. "O meu livro nasce da vontade de partilhar um pouco do que sei, mas, sobretudo, o que me delicia na cozinha. Sendo transmontano, sou naturalmente um bom garfo com especial apreço pelo que é português", esclarece Cordeiro que, depois de estar diariamente a gravar com vários cozinheiros amadores no Masterchef, inspirou-se, fazendo um livro para aqueles que adoram cozinhar e têm paixão pela cozinha, os quais apelida de cozinheiros amadores.
 

PVP: €19,90
 

Restaurante Atira-te ao Rio
 

Há restaurantes no nosso país que são verdadeiramente fascinantes, e o "Atira-te" é um desses fenómenos! 

No Cais do Gingal, sentado na esplanada ao som do rio "mixado" com os ritmos alegres do Brasil, a vista sobre a cidade de Lisboa é verdadeiramente apaixonante. 

Na mesa, os sabores têm uma forte veia canarinha e, para quem gosta de uma boa feijoada à brasileira, aos sábados há sempre muita e boa, e só param de servir quando estiver satisfeito. 

Mas, para quem prefere outros sabores, a carta oferece muita variedade, desde os bolinhos de bacalhau ou aos mexilhões à la moqueca, passando pelos compostos pratos de peixe e carne com um gostinho ao Brasil.
 

Cais do Ginjal 69/70, Almada
T: 212 751 380
www.atirateaorio.pt
Preço médio €23

Convento do Espinheiro e a Tasca do Chefe
 

Não há nada como simplificar e voltar às origens de uma forma educativa, e foi isso mesmo que aconteceu em Évora, no Covento do Espinheiro. 

A formula é simples e bastante atraente: convidar os cliente a petiscar os sabores do Alentejo, cozinhando com o chefe Mourão. 

O forno é de lenha, a mesa corrida de madeira, o ambiente é informal, e todos podem cozinhar uns ovos mexidos com farinheira, uns cogumelos salteados com ervas, muita caça, sempre a conversar e aprender como fazer na companhia do chefe. 

Para tal, quando chegar ao hotel ou na altura da reserva, mencione a tasca do chefe e divirta-se a comer e a aprender.
 

Convento do Espinheiro Hotel & SPA 
7002-502 Évora
T: 266 788 200
www.conventodoespinheiro.com

Abandonado 2005
 

Produzido das castas Tinta Amarela, Touriga Franca, Tinta Nacional, outras de vinhas com mais de 80 anos, é um vinho único e verdadeiramente extraordinário. 

Estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho português e francês, seguido de um estágio em garrafa de 12 meses, tendo um potencial de envelhecimento de mais de 20 anos. Poderia estar aqui a falar de aromas, persistência ou outras notas técnicas, mas vou resumir tudo a um parágrafo. 

É um vinho macio, elegante e apaixonante, sendo excelente hoje, amanhã ou daqui a vários anos, estando pronto para beber, seja para apreciar de forma isolada ou a acompanhar pratos robustos de carne ou de caça. 

Sirva entre os 17ºC e os 18ºC e decantado pelo menos com uma hora de antecedência.
PVP: €45,00

Unique Stays e Tiago Bettencourt
 

Aqui está uma ideia diferente, onde se combina uma escapada, um jantar, um serão com concerto e ainda o contributo para uma campanha de beneficência Ajudar a Ajudar. 
Os hotéis escolhidos são a Quinta da Palmeira, em Arganil; o Imani Country House, em Évora; e Memmo Balieira, em Sagres, todos com um programa de estadia, jantar e um concerto do Tiago Bettencourt exclusivo, onde o músico vai apresentar o seu novo trabalho. 
Trata--se de um livro e CD lançado pela primeira vez numa forma original em três pequenos hotéis de charme. 
Os preços variam entre os €102 e os €197, dependendo de se pretende só jantar e serão, ou alojamento e serão ou o mais completo alojamento, jantar e serão.
 

As reservas podem ser feitas através do site www.uniquestays.pt/concertos-unicos

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 16 de Dezembro de 2011 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Compre o que é nosso: Banana da Madeira

 Há muitos anos que, quando chegamos a uma mercearia, supermercado ou grande superfície, não temos dúvidas em identificar a Banana da Madeira. O seu tamanho um pouco mais reduzido quando comparado com outras variedades é bastante identificativo, ainda no campo visual a banana enquanto verde é bastante verde, e amarela quando madura, ganhando umas manchas pretas quando está no seu ponto “rebuçado”.
Desde o século XVI que tem sido um produto de excelência desta ilha, muito utilizada não só para se comer num acto isolado, como também é um alimento característico da gastronomia madeirense. Quem lá vai não prescinde de comer um outro ex-libris da Madeira: O peixe-espada com a banana utilizada como guarnição, e como duas não passa sem três, junta-se um copo de vinho da Madeira e temos um casamento perfeito.
Mas é quando amadurecida que a banana da madeira se revela como um fruto completo - de digestão fácil e muito nutritiva, é igualmente muito aromática, transferindo facilmente o seu aroma para outros alimentos.
É no século passado, XX, que ganha o seu maior esplendor mediático, quando começa a ser comercializada e exportada para o continente, e apesar de ainda não chegar com frequência aos mercados internacionais, já representa uma produção de 15.000 toneladas por ano, onde 20% são para consumo interno, e os restantes 80% são vendidos em Portugal Continental.
Neste momento, o consumo de banana no mercado nacional é de 150.000 toneladas, ou seja, se nós somos 10.000.000 de habitantes quer dizer que em média cada português consome 15Kg de banana, sendo apenas 10% da Madeira. Mesmo com um crescimento de 7,6% ao ano, há que pensar em nacional, pois só assim elevaremos não só um excelente produto alimentar como a nossa economia interna.
E para o convencer, aqui estão alguns factores que poderão ajudar na sua decisão: A banana é um fruto bastante nutritivo e energético que contem minerais, ferro, potássio e as vitaminas A, C, B1, B2 e B5.
Apesar deste fruto atingir o ponto máximo de produção entre os meses de Maio a Outubro, ela pode ser encontrada durante todo o ano, sendo um produto português para se consumir todos os dias, e porque é nacional e porque é bom!
Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 06 de Dezembro de 2011 
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Brancos no inverno?

Chegou o frio e a chuva, típicos da estação do Inverno, e os brancos e os rosés tornam-se material estacionário das prateleiras.
Há uma forte resistência em consumir este tipo de vinhos fora do Verão, certamente por se beberem frescos e, nas alturas de maior desconforto térmico, opta-se por aquele que se adequa melhor às condições: tintos para aquecer, brancos e rosés para refrescar. Este é um pensamento que acredito ser desadequado e inapropriado, pois durante o calor, refrescam-se as casas, e, quando está frio, há o aquecimento, havendo, dentro das casas, uma temperatura quase constante durante o ano inteiro. Perante estes factos, porquê a resistência? Há que largar os estereótipos, combater a resistência e, de uma vez por todas, alargar de forma regular o consumo dos brancos e rosés ao longo do ano. Se os espumantes não se confinam às estações, por que razão havemos de beber os brancos e rosés apenas nos dias solarengos? Eis aqui um conjunto de brancos que recentemente provei, gostei e sei que se podem beber nos diferentes 365 dias do ano.
 

Vila Santa Reserva Branco 2010 

Vinificado das castas Antão Vaz, Arinto e Verdelho, fermenta parcialmente em barricas novas de carvalho francês e o restante em cubas de aço inox, resultando num vinho de cor esverdeada, com aromas citrinos, alguma fruta tropical e umas ténues notas de especiarias.
Boa estrutura, onde o equilíbrio da madeira é revelador de uma grande elegância.
Correndo o risco de me repetir, este é o tipo de vinho que casa bem com um bom peixe grelhado ou frito.
 

Teor Alcoólico 13,5%. PVP €9,99


Quinta do Vallado Moscatel Galego Douro Branco 2010
 

Produzido apenas da casta Moscatel Galego, cuja grande distinção está em ter 50% das uvas de vinhas velhas com mais de 30 anos e os restantes 50% provenientes de vinhas com cerca de 13 anos. 
Não é o típico moscatel doce, antes pelo contrário, é seco e bastante floral. Na boca, dominam novamente os sabores florais, terminando com uma frescura intensa e prolongada. 
Diria que poderá acompanhar algum tipo de gastronomia específica, mas o meu conselho é que o beba como aperitivo a acompanhar os petiscos que precedem a refeição.
 

Teor Alcoólico 12%. PVP €8
 


Quinta do Alqueve Fernão Pires Branco 2010 


Produzido 100% da casta Fernão Pires, que tem demonstrado dar-se bem pelos terrenos arenosos e argilosos do Ribatejo, apresenta-se, à semelhança dos anos anteriores, com uma cor amarela citrina no interior e com um exterior muito diferente. 
Os rótulos mudaram, sendo mais modernos e apelativos, mas o conteúdo mantém-se positivo e inalterado ao nível da qualidade. 
Nariz delicado, revelando flor de tangerineira, alguma hortelã, terminando equilibrado e com boa acidez. Ideal para acompanhar pratos de peixe ou marisco grelhado.
 

Teor Alcoólico 12,5%. PVP €6,5
 


Quinta das Apegadas Branco 2010


Vinificado das castas Viosinho, Rabigato, Malvasia Fina e Gouveio, resulta num branco de cor citrina brilhante. 

É um vinho que revela um nariz muito jovem e expressivo, no entanto bastante elegante. Fruta tropical, lima, limão, e alguma mineralidade, combinados com toques florais são os aromas mais expressivos. 

Já na boca, é fresco, longo e refinado. 
Além das sugestões evidentes, como peixes e marisco, algumas carnes brancas serão certamente bom casamento para o Quinta das Apegadas.
 

Teor Alcoólico 13%. PVP €6,5
 


Cabriz Encruzado Dão D.O.C. Branco 2010

 
Produzido 100% da casta Encruzado, sendo a sua fermentação iniciada após a decantação pelo frio, terminando em barricas de carvalho francês, onde é realizada battonage, permanecendo durante vários meses até ao seu engarrafamento. 

O resultado é um nariz muito aromático, mineral, com algumas notas de toranja. A madeira casou bem com o néctar, dando-lhe um bom volume sem roubar a acidez. 
Termina longo e equilibrado. Já o bebi a acompanhar os mais diversos pratos, desde um ravioli de vitela com molho trufado a um peixe assado no forno, sendo um vinho bastante gastronómico.
 

Teor Alcoólico 13,5%. PVP €7

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 30 de Novembro de 2011 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Uma varanda para a cidade

Quando alguém me envia para um restaurante e eu vejo, na morada, que é num sétimo andar, associo logo o espaço a um hotel, pois é comum estes aproveitarem os últimos pisos, principalmente se for em Lisboa, para assim poderem usufruir de uma vista sobre a cidade.

Cheguei e fui logo recebido por um senhor que se encarregou de encaminhar-me, a mim e ao meu carro, para o estacionamento reservado ao "União", na rua Castilho. À hora do almoço, este tipo de iniciativa é sempre bem-vinda.
 

Uma subida de alguns segundos até ao topo do edifício, alguns metros de corredor e entro na sala de jantar.
 

A vista não podia ser melhor, o Castelo de São Jorge como pano de fundo, a cidade de Lisboa a completar o cenário e uma cara sorridente a dar as boas-vindas. Cara essa que pertence ao proprietário Antero Jacinto, homem com muita sabedoria no métier, depois de vários anos no mítico e já saudoso Bachus (agora Bistro 100 Maneiras), o grandioso Alfa (agora Hotel Corinthia), que já conta com quase 13 anos no Varanda de União.
 

No Varanda, o estilo que Antero sempre abraçou foi a cozinha tradicional portuguesa de sabor e rigor, e, quem lá vai, sabe bem o que procura e sai sempre com as expectativas cumpridas.
 

Sentei-me à mesa perto da janela (que mais parece um miradouro) e iniciei a minha degustação. O primeiro a chegar foi um prato que muito nome deu a várias casas de Lisboa: Ovos à professor.
 

Rigor e consistência saltaram-me logo à memória! Ovos no ponto, enchidos a enriquecer o sabor, o suficiente para agradar o mais exigente dos gastrónomos. O que é bom normalmente é simples e eficaz.
 

Apesar de a carta ter muitos clássicos da nossa gastronomia, como Sapateira Recheada, o Bacalhau à Varanda, os Filetes de Linguado à Castilho e, nas carnes, Arroz de Pato à Antiga, Rim de Vitela com molho de mostarda ou os Nacos de Vitela com Lagosta à Varanda, optei pelos pratos do dia.

Primeiro, chegaram os filetes de polvo, acompanhados por um arroz guarnecido com o próprio molusco. Tenros, com um polme adequado às expectativas e um arroz quase malandrinho, em perfeita harmonia com o prato.
 

De seguida, veio o cabrito com batatas em cebolada e arroz de miúdos, mais uma vez a respeitar as tradições, bem temperado, carne macia e o arroz de miúdos muito aromático - um regalo ao palato.
 

E porque tanta comida não poderia dispensar um vinho, escolhi de uma carta interessante, onde os Douros e Alentejanos estão em maior quantidade e diversidade perante as restantes regiões. A escolha recaiu num Douro, o Maritávora Tinto, que se fez acompanhar bem durante toda a refeição.
Para as sobremesas, as opções eram entre o Papão de anjo, um bolo de chocolate, uma salada de frutas, tarte de limão merengada e um toucinho-do-céu. Optei pelo último, e não me arrependi!
 

Ministros, advogados e diplomatas eram vários ao almoço. Segundo me apercebi, é costume aparecerem por lá, e é fácil perceber por quê.
 

Lisboa tem muitas preciosidades gastronómicas e a Varanda da União é certamente uma das que merece ser a sua próxima visita.
Detalhes

Restaurante Varanda da União
Rua Castilho, 14 - C 7.º
1250-066 Lisboa
N 38º43'13'', W 9º08'58''
+351 213 141 045
varandadauniao@sapo.pt
Horário: Encerra aos domingos o dia todo e Sábados e Feriados ao almoço. Aberto das 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 23h30
Preço médio: €30
Tipo de Cozinha: Tradicional
Cartões: Todos


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 23 de Novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Portugal é um grande país! 

Podem vir crises, sejam elas económicas, políticas ou desportivas que, por piores que sejam, damos sempre a volta por cima.

Eu tenho orgulho em ser português e não renego as minhas origens. 
Poderão estar a pensar a razão desta introdução, mas, a menos de uma semana da saída do tão cobiçado guia Michelin 2012 para Portugal e Espanha, sei que, qualquer que seja a decisão, devemos sair sempre de cabeça erguida.

Depois do desaire do ano passado, em que perdemos um dos nossos estrelados e não ganhámos nada em troca, este tem de ser o ano da reviravolta.
Acredito que, este ano, anunciem a perda de uma estrela, dois restaurantes ganhem uma, e dois dos estrelados poderão e têm qualidade para receber a segunda.

Em forma de sugestão, aqui ficam os restaurantes que merecem a atenção do senhor leitor e do guia Michelin. Faça o seu próprio juízo de estrelas.

Panorama (Lisboa)

Ninguém tem dúvidas de que, no último andar do Hotel Sheraton de Lisboa, reside o mais provável candidato a uma estrela do guia vermelho. 
O chefe Leonel Pereira e o seu gastronómico Panorama há anos que trouxeram, à capital, a criatividade e a alta gastronomia, sempre com um twist de influências algarvias. 
Nas suas recentes criações está uma canja de galinha de chorar por mais. 
Em tudo o que cria há sempre um pouco da sua infância
e origens espelhadas nos pratos.

Rua Latino Coelho 1 1069-025 Lisboa
T: 213 120 000
www.sheratonlisboa.com
Yeatman (Vila Nova de Gaia)


Desde que abriu o seu primeiro projecto hoteleiro, a companhia de vinhos do Porto Fladgate nunca escondeu as suas ambições de sere a referência hoteleira e eno-gastronómica do Norte. 
Para consolidar o projecto, foram buscar o já estrelado chefe Ricardo Costa à Casa da Calçada e, juntos, abraçaram esta causa ambiciosa. 
Uma sala bonita com um serviço exemplar, uma cozinha de excepção que poderá ter o seu único handicap na rudeza da sommelier da casa.

Rua do Choupelo (Sta. Marinha), 4400-088 Vila Nova de Gaia, Porto
T: 220 133 199
www.the-yeatman-hotel.com

Fortaleza do Guincho (Guincho-Cascais)

Há quem apelide este local de clássico, e não há nada de mal nessa observação. 
Este restaurante é um verdadeiro clássico da cozinha francesa e, apesar de ter a colaboração do três estrelas Michelin Antoine Westerman, a responsabilidade máxima deste feito cabe ao chefe Vincent Farges, que diariamente comanda a cozinha que deslumbra o nosso palato. 
Para acentuar o facto de grandeza, temos de incluir o exemplar serviço de mesa, uma das mais diversificadas cartas de vinhos em Portugal e uma vista sobre o Oceano de cortar a respiração. 
Muitos clássicos franceses, mas muito produto da nossa costa - uma simbiose perfeita. 
Venha lá essa segunda estrela.

Estrada do Guincho
2750-642 Cascais
T: 214 870 491
www.guinchohotel.pt

Ocean (Porches-Algarve)

Já começam a faltar-me adjectivos para descrever não só o restaurante como o seu serviço de sala, de loiça e de copos, a fantástica carta de vinhos, a forma exemplar de como os néctares são tratados e servidos e, claro, a admirável cozinha do chefe Hans Neuner. 
Aqui não há espaço para errar, pois tudo é pensado, executado de forma repetitiva até chegar ao padrão mínimo: a perfeição! 
Não tenho dúvidas em apontar o Ocean como o mais forte candidato à segunda estrela Michelin.

Rua Anneliese Pohl, Alporchinhos   8400 - 450 Porches
T: 282 310 100
www.vilavitaparc.com
 
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 18 de Novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Compre o que é nosso: Pêra Rocha

A Pêra Rocha ou a Pêra de Portugal, como é conhecida pelo mundo fora, deve o seu nome e existência à gabarolice e vaidade de uma pessoa. 

Estávamos no ano de 1836, em Sintra, quando o senhor Rocha ostentava aos seus amigos e vizinhos um fruto tão delicioso e crocante que todos se apaixonavam. Não tardou que a inveja levasse não só ao roubo de tão deliciosa pêra como a pequenos ramos da pereira para depois ser enxertada nas árvores nos quintais dos rapinadores, e foi assim que ela cresceu na área plantada. Quanto ao nome, sempre que alguém provava o fruto de outro pomar, perguntava sempre "O que é isto?", a resposta era contundente "É a pêra do senhor Rocha". Com os tempos perde o "do" e o "senhor" e acaba por ficar apenas Pêra Rocha".
 

O seu crescimento foi de tal forma que o seu consumo é de sensivelmente sete quilos por pessoa, havendo uma área plantada de 10 000 ha, para uma produção total de 200 000 toneladas, sendo mesmo o único fruto que é mais exportado do que importado, com Portugal como o quinto maior produtor do mundo.
 

Nasceu em Sintra, mas é o Oeste que lhe dá fama, e, em visita à Fábrica Frutos no Cercal (Oeste), percebo agora o porquê de haver sempre pêra fresca 12 meses por ano. É que, depois de apanhada, a que não vai directamente para embalamento ou venda directa, é guardada numas grandes arcas frigoríficas, com uma temperatura constante de 1ºC, e nas quais é retirado grande parte do oxigénio, levando as pêras a hibernar. Assim, por cada mês, só envelhecem entre seis a sete horas.
 

Um dos grandes compradores é a Sumol-Compal, em Almeirim, que faz o único sumo de Pêra Rocha do mundo, comprando, anualmente, entre 5000 a 6000 toneladas de fruta exclusivamente portuguesa, para produzir a gama Clássica (1l, 330ml e 200ml) e a Essencial (110ml).
 

Em ambos os casos, não há adição de açúcar e, no caso do Essencial, a sua dose é o equivalente nutricional ao consumo da pêra inteira.
 

Sendo este um produto de excelência, e principalmente um produto de Portugal, não perca escolhendo algo menor e compre o que é nosso.
 

Para comentar este artigo ou sugerir temas contacte o autor por gourmet@live.com.pt.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 15 de Novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Douros que encantam

Do Douro vêm sempre surpresas interessantes, seja pela sua paisagem, a sua gastronomia, as suas gentes, ou principalmente pelos seus arrojados e apaixonantes néctares.
Três produtores completamente distintos apresentaram as suas novas colheitas e histórias, e cada uma reza a sua narrativa.
Da encosta de Adorigo, no concelho de Tabuaço, chegam-nos os "Pôpa": Um touriga nacional - TN tinto 2008, um tinta roriz - TR tinto 2008, um blend de vinhas velhas VV tinto 2008 e um doce - Vinho Doce tinto 2010. E a diferença e curiosidade é que são produzidos por um dos mais conhecidos e reconhecidos enólogos de Portugal, mas da região da Bairrada, o Luís Pato. Muda a região, mantém o seu perfil e, acima de tudo, a qualidade.
Já de uma quinta em que a história não precisa de relato, a Casa Burmester, também chegaram várias novidades, que começam nos vinhos tranquilos produzidos pelo enólogo Francisco Gonçalves, como o Casa Burmester Touriga Nacional 2009, e o Porto Vintage 2009 Burmester Quinta do Arnozelo produzido pelo enólogo Pedro Sá.
Termino com o sempre apaixonado João Brito e Cunha, que depois da sua passagem por várias casas e projectos, lusos e não só, decidiu apostar na sua própria marca, criando não só vinhos tranquilos, como um Porto Vintage com muito caracter. A referenciar as etiquetas Ázeo branco 2010, os Quinta de São José (tinto 2009, reserva 2009 e grande reserva 2009), bem como a sua recente proposta de Porto Quinta de São José Vintage 2009. 

Passo agora a destacar os que mais gostei nas várias provas:


Pôpa TR 2008 

Vinificado e produzido exclusivamente da casta Tinta Roriz, teve um estágio diferente, em pipas de primeiro ano de 650L durante seis meses, que devido ao seu grau de maturação apresenta uma cor vermelha bastante carregada. 

No nariz, bastante carregado e complexo, apresenta notas de chocolate, e na boca mantém a sua complexidade, bastante encorpado, no entanto de taninos macios. 

O final é bastante prolongado e diria mesmo apaixonante. 

Experimentei-o em harmonia com um lombo de bacalhau escalfado, suas línguas e batata olho de perdiz em puré. 

Foi um casamento perfeito e uma boa sugestão para a sua refeição. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP: 19€.
 


Burmester Quinta do Arnozelo Porto Vintage 2009 

Quando se fala de um Porto é difícil identificar todas as castas, mas neste caso apercebemo-nos da predominância da touriga nacional, sendo que o blend é feito de castas de vinhas velhas com mais de 50 anos. 

O perfil é um pouco diferente de um vintage clássico, estando pronto para beber ou, para quem prefere, aguardar uns anos por uma evolução, que certamente beneficiará o seu caracter. 

A sua cor violeta opaca combina com um nariz exuberante, onde sobressai a fruta negra do bosque. 

Já a boca é gulosa e redonda, terminando longo e frutado. 

Teor Alcoólico 20%. 
PVP: 42€.
 

Quinta de S. José Reserva 200

Produzido da casta touriga nacional (45%), juntamente com uvas de vinhas velhas (55%), situadas no Cima Corgo, estagiou em barricas de carvalho francês usadas de 225L e 400L. 

O resultado foi um vinho de cor purpura carregado, com aromas muito complexos, onde a predominância é de fruta madura, algumas flores e especiarias. 

Já na boca, a exuberância é fantástica mostrando frescura e elegância, com uns taninos que lhe conferem um fantástico e longo final de boca. 

Este é um vinho que certamente daqui uns anos beneficiará do estágio em garrafa. 

Teor Alcoólico 14,5%. 
PVP: 23€.

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 09 de Novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Flavours alentejanos

Há já vários anos que acompanho o progresso e evolução do produtor alentejano de Arraiolos Monte da Ravasqueira.

Quem só apenas conhece a marca, provavelmente não associa o produtor a uma das famílias mais influentes de Portugal, os Mello!
 

Conhecidos por negócios como a CUF, Brisa, José de Mello Saúde e Imobiliária, EDP e a Efacec, dedicam o seu tempo e paixão ao vinho, onde garantidamente não há tanto retorno financeiro, apenas o orgulho de fazer algo que dá prazer.
 

O Monte, que já está ligado à família há vários anos, só em 2001 é que viu os seus investimentos enológicos a dar frutos, tendo sido este o ano da sua primeira vindima.
Curiosas são as condições climáticas desta região.
 

No Verão, e durante a luz do dia, as temperaturas podem ser abrasadoras e insuperáveis, enquanto ao escurecer, o calor esvanece.
 

O capote alentejano poderá ser um amigo nestas alturas. No Inverno chega a registar por várias vezes e por dias consecutivos temperaturas negativas, imprimindo a este Monte um terroir diferente e uma identidade única.
 

Com o passar dos anos, além dos mais conhecidos Monte da Ravasqueira (Tinto, Branco e Rosé), Fonte da Serrana (Tinto e Branco) e Calântica (Branco e Tinto), lançou em 2007 o Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Tinto 2005, apostando num vinho mais fino, requintado e alargando a sua carteira para os clientes mais exigentes.
 

A crítica aceitou e gostou bastante do que provou, dando-lhe várias medalhas, e não foi com o sucesso que a sua equipa baixou os braços à novidade, desafiando a dupla de enologia que conta com os enólogos Paulo Peças (residente) e o Rui Reguinga (consultor) a criar uma nova gama, e assim nasceram os Flavours!
 

Neste momento há dois no mercado, um rosé de Touriga nacional e um tinto Petit Verdot, e dentro de dias e apenas nas lojas do El Corte Inglès (exclusivos da linha Flavours) irá aparecer uma referência branca, desta feita produzida da casta Viognier.
 

Na minha última visita a este monte, ainda tive a oportunidade de provar algumas castas supresa para os próximos lotes ou mono castas. Entre estas conta-se a Marsanne, a Nerro d'Avola e a Sangiovese, sendo as duas últimas em blend. 

Mas essas ficam para se falar mais para a frente, agora ficam as notas de prova da linha Flavours:

MR Flavours Touriga Nacional 2010


Produzido e vinificado exclusivamente da casta Touriga Nacional.

Este é um vinho diferente do habitual, pois é ligeiramente mais escuro, com uma estrutura mais pesada, sendo mais um parceiro da gastronomia do que um dia de calor, mas serve bem os dois cenários. 

Tem aromas a fruta madura, cerejas no nariz e na boca revela corpo, algum açúcar, enche a boca e termina com alguma persistência. Provavelmente um bom companheiro de saladas ricas e carnes brancas com relativo tempero como a galinha. 

Teor Alcoólico 13%. 
PVP ainda por estabelecer.

MR Flavours Viognier 2010


Vinificado daquela que tem sido a casta que nos últimos tempos tenho visto ser adoptada por vários produtores alentejanos, a viognier, e fermentou na totalidade em barricas novas de carvalho francês, dando um carácter especial ao néctar. 

Com uma cor límpida, num amarelo palha, revela um nariz bastante intenso e deveras complexo com diversos tipos de fruta, desde as de Verão às tropicais, resultando certamente do contacto com a barrica. 

A boca é também ela complexa, bastante volumosa e encorpada e com uma acidez bastante equilibrada, casando bem com a madeira, terminando fresco e persistente. 

Acompanha pratos de peixe com sabores suaves e tostados e com legumes salteados (gordura). 

Teor Alcoólico 13,2%. 
PVP €17

MR Flavours Petit Verdot 2008


Como os outros anteriores, este vinho é vinificado apenas de uma casta e, como o nome indica, é o Petit Verdot. Faz um estágio de 16 meses em barrica de carvalho francês, resultando num vinho fino de cor granada. 

No nariz revela grande complexidade, com notas de frutas vermelhas e pretas como as cerejas. 

Depois na boca revela frescura, uma boa estrutura com taninos suaves e polidos e com boa persistência. Bom para acompanhar grandes assados e estufados, com carnes gordas e pratos com alguma acidez. 

Teor Alcoólico 14%. 
PVP €38

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 02 de Novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Finalmente é sexta-feira


Nos últimos dias tenho andado pelo Oriente, mais precisamente em Macau e Hong Kong, para assistir ao bom trabalho que os nossos produtores de vinho têm feito nesta região do globo.

Macau até se pode imaginar como um mercado fácil para os portugueses, mas a realidade é que não o é, e Hong Kong, sendo uma porta para o Oriente, ainda mais difícil se supõe.

O que é certo é que o sucesso é muito e os compradores de vinhos de todo o mundo provam desconfiados e saem maravilhados!

Já em Portugal, há muito para fazer este fim-de-semana, e para que seja em grande aqui estão algumas sugestões...

Concurso Gastronomia com Vinho do Porto

É já a sétima edição e conta com 100 restaurantes participantes das várias regiões do país. 

A organização é da responsabilidade do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e da Inter Magazine e pretende divulgar os vinhos daquelas regiões com o melhor que se faz na gastronomia nacional.

Assim, os restaurantes participantes têm de elaborar um menu com entrada, prato principal e sobremesa e "casar" com os vinhos. Entretanto, os menus estão disponíveis ao público durante, pelo menos, o tempo em que decorrem as avaliações do júri, que terminam a 9 de Novembro, havendo alguns que se prolongam por todo o ano.
A entrega de prémios será no dia 26 de Novembro, no Convento do Beato em Lisboa, onde se esperam muitas e fortes emoções. 
Preços das ementas entre os €22 e os €80, já com vinhos incluídos.

Para mais informações www.gastronomiacomvinhodoporto.com

31º Festival Nacional de Gastronomia (Santarém)

Começou há já alguns dias e termina no próximo domingo, 6 de Novembro, na Casa do Campino, em Santarém.

É o maior festival gastronómico de Portugal e reúne à mesma mesa várias iguarias de todo o país, sendo uma viagem aos sabores e aromas de Norte a Sul, ilhas e ainda com um cheirinho da Galiza.

Além dos vários restaurantes e casas de petiscos que estão residentes, hoje a região é a da Serra da Estrela.

Amanhã, sábado, chegam à mesa as iguarias do Algarve e no domingo é a cozinha duriense que vai brilhar.

Campo Infante da Câmara, Casa do Campino, Santarém. www.festivalnacionaldegastronomia.com. Entrada €2,50.

Cozinha com Ciência e Arte
 
Para quem considera que a Gastronomia Molecular é um bicho de sete cabeças, tem agora uma oportunidade única de aprender várias técnicas de vanguarda de uma forma (quase) fácil e divertida.

Esta edição, publicada pela Bertrand, da autora Joana Moura, além de explicar algumas das técnicas, mostra passo a passo a forma de executar várias receitas "moleculares", e com o livro vem um kit com vários utensílios indispensáveis para a correcta execução das várias receitas.

Agora já pode surpreender os seus convidados fazendo algo como uma cereja de foie, uns caviares de azeite ou um esparguete de fruta.

168 páginas
PVP €24,95

Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 04 de Novembro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Douro Boys mostram-se em Lisboa

O mercado dos vinhos em Portugal pode ser bastante assustador para os produtores, pois além de criarem um bom vinho, precisam de criar marca, notoriedade, meios de distribuição e de controlo de qualidade, tendo sempre a preocupação de apresentarem um vinho excelente.


Foi assim que cinco produtores do Douro decidiram unir-se com uma missão: pôr o Douro no mapa mundi. Foram eles a Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta do Vale D. Maria, Quinta do Vale Meão e a casa de vinhos do Porto, Niepoort.


Pode parecer estranha esta conversa, mas a realidade é que o Douro é mais conhecido pelos vinhos do Porto, e os "Douro Boys" pretendem estender a notoriedade aos vinhos não licorosos desta região.


O projecto já conta com oito anos de vida, e com muitos sucessos, pois além de conseguirem sem grande dificuldade meter o Douro no mapa, criaram uma fama invejável por muitas e importantes regiões vitivinícolas do mundo. Certo que o trabalho não foi só deles, mas são também uns dos grandes responsáveis por este feito. 


Uma das datas mais esperadas pelos críticos, restauradores, garrafeiras e concorrência, é o jantar dos "Douro Boys", que anualmente se reúnem para apresentar as suas novidades. Este ano foi no Pestana Palace em Lisboa e estas são algumas das novidades que gostaria de destacar.
 

Crasto Superior 2009
 
Produzido de uvas de vinhas velhas e de várias castas como Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Souzão, entre outras, provenientes do Douro Superior da Quinta da Cabreira, resultando num vinho fino e fresco. 


Estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês, originando um nariz aromático e expressivo de frutas silvestres e especiarias. 

Na boca é fresco, muito volumoso e com taninos maduros e elegantes, terminando agradável e com boa persistência.
 






  

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2009
 

Mais uma vez é difícil descrever todas as castas utilizadas para vinificar este vinho, mas a idade destas é certamente superior a 70 anos. 

O resultado é fascinante. Estagiou em barricas de carvalho francês (85%) e carvalho americano (15%), durante 16 meses. 

O resultado é um nariz forte em notas de frutos silvestres, especiaria e esteva, colmatando numa boca fresca, com taninos extremamente elegantes, e um final complexo e uma persistência acentuada.
 









Meandro 2009
 

Confesso que este é um vinho que sempre me encantou desde a minha primeira prova deste néctar. Os anos passam e o feitiço permanece. 

Produzido das castas 35% Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 25% de Tinta Roriz, 5% de Tinta Barroca e 5% de Sousão, estagia em barricas de primeiro e segundo ano. 

A madeira integra-se perfeitamente no néctar, que apresenta um nariz encorpado de frutas vermelhas maduras, depois na boca tem bom volume e estrutura, sendo um excelente companheiro para pratos de caça estufados.
 







 
Robustus 2007
 

Salto de um grande néctar para um outro poderosíssimo, mais um grande trabalho da casa Niepoort! 

A inspiração do Robustus 2007 veio dos grandes vinhos velhos em que a ideia é prolongar o estágio em madeira para suavizar os taninos, criar grande estrutura, e fazer um vinho encorpado. 

Assim ficou em estágio em tonéis durante 4 anos, criando um néctar singular, onde a fruta preta e vermelha casam com notas de café e algum tabaco. 

A boca é apaixonante e vibrante, terminando longo e persistente. Para guardar ou beber já, eu optei pela segunda!
 

  


Quinta do Vale Meão 2009
 

Um verdadeiro colosso produzido das castas 57% Touriga Nacional, 35% Touriga Franca, 5% Tinta Barroca e 5 % Tinta Roriz, estagiando em barricas (80% novas e 20% de 2º ano) de 225 litros de carvalho francês (Allier) e engarrafado no passado mês de Agosto. 

Ainda está novo e um pouco duro para se beber, por isso o potencial de guarda é altíssimo, onde certamente daqui a dois anos mostrará a sua exuberância de frutas silvestres e grande frescura típica deste grande néctar.
 









Quinta do Vallado Adelaide Douro 2009
 

É um vinho que dispensa apresentações, pois a sua exuberância e qualidade reservam-lhe o apelido de "uma pomada". 

As vinhas têm mais de 90 anos e as castas seleccionadas são várias, e entre elas está a Tinta Roriz, Tinta Amarela e a Touriga Franca. 

O resultado é um vinho muito concentrado, com notas de madeira, tabaco, e ameixas, já na boca é bastante encorpado e maduro, com taninos muito amaciados. 

Já o final é bastante complexo, persistente e fino.
 




 
VZ 2010 Douro Branco
 

Confesso que a primeira vez que o provei não fiquei convencido, mas numa segunda tentativa, com mais alguns dias de garrafa, mostrou um potencial diferente. 

Produzido das castas Viosinho, Rabigato, Codega e Gouveio, misturadas ainda durante a vindima, de vinhas com idades entre os 20 e os 50. Estagiou em barricas de carvalho francês durante 9 meses, resultando num branco encorpado, com boa estrutura. 

Penso que é um vinho que vai envelhecer bem em garrafa, mas que já está bom para se beber.






Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Ferrugem que Encanta

Fachada do Restaurante Ferrugem
Depois de duas tentativas falhadas, a primeira pela minha fraca capacidade de me desenrascar sem GPS e a segunda por um infortúnio pessoal, finalmente, e quando menos esperava, fui visitar aquele de que já tantas elogios mereciam dos seus visitantes. E apesar de já conhecer a comida (em feiras e congressos), os proprietários e cozinheiros, nunca os tinha visto a trabalhar no seu habitat natural.

Eram sensivelmente dez horas da noite quando olhei pela primeira vez para o edifício (antigo estábulo do inicio do sec XVIII), suspense quebrado, expectativas consolidadas, pois era exactamente o que eu imaginava, uma fantástica e bem executada recuperação de um edifício em ruínas, traduzindo-se num palco único e perfeito para a arte da gastronomia.

Ultrapassadas as portas de vidro, regozijo os meus olhos com o espaço: um pé-direito altíssimo, paredes de pedra, apenas escondidas por alguns quadros, uma garrafeira repleta de néctares (lusos), uma lareira que nos dias frios deve ser o alvo das reservas, e um tecto em madeira cativante.

Dei inicio ao meu trabalho de investigação gastronómica, as opções dividiam-se em três momentos: o primeiro mais inspirado nas entradas, o segundo nos principais e o terceiro nos que adoçam a boca. 

Assim, pode-se escolher o menu de Outono (€28), optando por um prato por momento, degustação em 4 momentos (€32) e em 6 momentos (€40), com o complemento de vinhos sendo €15 e €20 respectivamente.

Dispensei o pastel de nata de bacalhau que tanta fama dá à casa, pois apesar de gostar e achar incrível, é tempo de ver o que mais se confenciona na cozinha da Dalila e do Renato.

O primeiro a chegar foi o cumprimento do chefe, composto por um caldo verde e a broa de milho tostada com azeite. Bom, mas era apenas para abrir o palato, mantenho a ânsia por algo mais interessante. 

Chega então o Crocante de alheira de caça, puré de maçã reineta e compota agridoce de tomate-cereja, um best-seller segundo a casa. 

Compreendo, pois tem tudo o que é necessário para agradar, a crocancia da massa, os sabores fortes do enchido, o ácido da maçã e o adocicado da compota. Gostei!

Caso sério foram as Lascas de bacalhau com azeite transmontano e coral de azeitona, legumes salteados e crocante de pão com chouriço, que além de aromas fortes e atractivos, tinha uma apresentaçao que apelava ao uso do garfo. O nível aumentou e a vontade de continuar também.

Chega agora à mesa a Cabidela de polvo, basicamente é o polvo acompanhado por um arroz feito na tinta de choco, dando ares visuais a cabidela. Neste, o octópode estava tenro e saboroso e a mistura invulgar do arroz pintado dava um gosto único.

Ainda houve tempo para um lombo de veado, terra de cogumelos, puré de frutos, flores e frutos silvestres, apelidado internamente de Floresta de Outono. Gostei, carne no ponto correcto, texturas diferentes que elevavam o nível sensorial e uma mistura de sabores a terra, e agridoces diferentes e bem conjugados.

Terminei com dois doces, a Pêra rocha do oeste em geleia de porto vintage sobre tarte de queijo fresco e o Tributo ao “abade de priscos” numa mousse de Outono, ambos na toada dos anteriores, boa execução técnica, alma e inovação.

Os vinhos foram todos a copo e estavam todos disponíveis na carta: comecei no Afros Vinhão, passei pelo Soalheiro Alvarinho e Cottas Reserva e terminei com o Porto Andresen Branco 20 anos e o DSF Colecção Privada Moscatel Roxo 2001 para os doces.

Referencie-se que a carta é bem elaborada, bem dotada e a preços adequados, longe da exploração que vemos por este país fora.

Fiquei apaixonado pela cozinha da Dalila e do Renato, que conseguiram em 2006 realizar o sonho de abrir o “Ferrugem”, e que certamente vão ser os responsáveis de muitos e agradáveis sonhos gastronómicos de quem visita a sua casa.

Aqui transpira carinho, paixão e o saber, e sai-se com o estômago cheio, a alma contente e a pensar já na próxima visita.

Detalhes
Restaurante Ferrugem
Rua das Pedrinhas, 32
4770-379 Portela - Vila Nova de Famalicão
N 41º27’41,8’’, W 8º26’53,6’’
+351 252 911 700
www.ferrugem.pt
Horário: Encerra aos domingos ao jantar e segundas o dia todo. Aberto das 12h00 às 14h30 e das 20h00 às 22h30
Preço médio: €35
Tipo de Cozinha: Criativa portuguesa contemporânea
Cartões: Todos

Lascas de Bacalhau com azeite transmontano
Pêra Rocha do Oeste em geleia de porto vintage
Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 12 de Outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Finalmente é sexta-feira

Desde há uns dias que tenho estado em Espanha na região da Cantábria a procurar e experimentar restaurantes e ontem,  depois de vários restaurantes sofisticados e outros mais tradicionais, decidi dar um passeio nocturno em Santander, onde guarneci o meu já penado estômago com um "picoteio".
É uma tradição que em Portugal se perdeu (mantém-se ainda nas feiras) e em Espanha se cultiva: saltar de porta em porta, comer pequenas tapas, pedir um vinho ou uma imperial e depois seguir para a freguesia seguinte. Divertido, económico e um evento social.
 

 
Mas, voltando a Portugal, este fim-de-semana a festa está programada para Beja, com o evento da Vinipax e Olivipax, que começa já hoje, pelas 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. 

Além de se poder fazer várias provas de inúmeros produtores de vinhos e azeites nacionais, este ano conta também com o Beja Gourmet, Kids e Brava com várias degustações de restaurantes e wine bars (bom para o "picoteio"), espectáculos e animação para crianças e muitas actividades ligadas à tauromaquia. Certamente que vai ser um programa para famílias, ou para os apaixonados do vinho e gastronomia. Este evento, que termina apenas no domingo,  conta ainda com espectáculos musicais e actuações dos Sonido Andaluz e do fadista  Marco Rodrigues.
 

Já se pretende ficar por Lisboa ou Porto, aqui estão duas novidades fresquíssimas e bastante apetitosas.
 

Restaurante Book (Porto)
 

Fica na rua de Aviz, precisamente na antiga livraria com o mesmo nome, sendo a mais recente aposta do grupo Lágrimas. O espaço é descontraído, bem como a sua ementa, oferecendo uma comida de conforto, onde se destacam as criações do chefe Pedro Mendes, como o Creme de ervilhas com almôndegas de morcela ou o Bife de vitela Arouquesa com molho de vinho da Casa de Eça. A acompanhar a refeição tem sempre a companhia do DJ residente, que nos dias mais movimentados se prolonga pela noite fora, e depois poderá continuar a noite nas "Galerias" do Porto.
 

Rua de Aviz, 10
T: 917 953 387
 

Pizzaria Passaparola (Lisboa)
 

É um dos mais recentes espaços das Docas (Alcântara) e da família Moia, que pretende trazer à cidade um espaço moderno, inspirado nos sabores de Itália, descontraído, despretensioso e, acima de tudo, a preço justo. O ex-líbris da casa é a variedade de massas para pizzas, onde em muitos casos pode optar entre a fina, crocante, normal e integral. O espaço, além do edifício de dois pisos bastante desafogado, conta ainda com uma esplanada (vista Tejo e Ponte 25 de Abril) e um parque infantil, ideal para famílias.
 

Doca de Santo Amaro Armazém 8
T: 218 232 470


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 07 de Outubro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

200 anos de história(s)

Eram seis da manhã de sexta-feira e alterei a minha rotina habitual, acordando ligeiramente mais cedo para fazer uma viagem de mais de 300 quilómetros, que separam a minha casa de Gaia.
 

Mas a ânsia de chegar ao destino traduziu o esforço em prazer, pois era para fazer uma das provas vínicas mais fantásticas da minha vida.
 

Os quilómetros da estrada eram poucos, tendo em consideração os anos de história que iria ter o prazer de conhecer. 

A festa era de dois séculos e, para celebrar, foram abertos seis vintages muito especiais, colmatando com um tinto comemorativo do bicentenário: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008.
 

Mas voltando aos vintages, coube ao enólogo da casa, Luís Sottomayor, abrir e comentar a prova, começando nada mais nada menos do que com o Ferreirinha 1851.
 

O 1851 era um verdadeiro estrondo no nariz e cor, revelando, apesar dos 160 anos, um aroma intenso, muito complexo, e um ligeiro vinagre habitual neste tipo de vinhos. 

As supresas não pararam por aqui, pois a boca era marcada pelos taninos e uma acidez apaixonante, terminando muito intenso, longuíssimo e, acima de tudo, em grande! 

Confesso que este foi o meu preferido.

Seguiram-se os de 1847 e 1840, não sei se foi porque ainda estava deslumbrado pelo primeiro, mas estes foram os que menos me fascinaram, não que os tenha considerado maus, simplesmente não foram tão arrebatadores. 

 
O primeiro era um pouco mais doce, com notas de baunilha e especiaria, e, no ano do seu lançamento, foi considerado um dos melhores. 

O segundo, muito complexo e intenso, revelou notas de figos e alguns frutos secos, mas o final era muito persistente e um pouco forte para o meu gosto.
 

Ainda houve tempo para provar alguns dos anos trinta, ora foram os anos 1834 e 1830 que tive o privilégio de levar ao nariz e boca, e ainda apaixonarem os meus olhos com as suas cores vivas douradas, duas verdadeiras pérolas. 

Em 34, o resultado foi um vinho muito apaixonante, com notas fortes de madeira, frutos secos e algumas notas ligeiras de especiarias, boa acidez e frescura, terminando muito longo. 

Já o 30, manteve a toada do 34, com alguma complexidade e um nariz rico em notas aromáticas, destacando-se a fruta seca, especialmente pinhões, na boca revelando boa acidez, frescura, muito equilíbrio e paixão.
 

Se pensarmos em Portos, raramente pensamos em mais de 40 anos, e muito menos acima dos 100 anos, mas pensar próximo dos duzentos é que é verdadeiramente único, e foi assim que pensei antes de me iniciar no verdadeiro ex-líbris da prova, o Ferreirinha Vintage de 1815!
 

São tantos os factos históricos a que este vinho pôde assistir, que não há linhas suficientes para o resumir, mas um sobressai: a Dona Antónia Ferreira tinha apenas 4 anos de idade quando este vinho veio ao mundo.
 

É o famoso Vintage de Waterloo, com aromas ricos e intensos a madeiras exóticas, especiarias de todos os tipos, cera, e um conjunto de mais centos de aromas apaixonantes e fruto de um envelhecimento contínuo. 

A boca revela uma frescura fantástica, viva, apaixonante, com uma acidez equilibrada pelo seu perfil único. E, rematando com as palavras do enólogo Luís Sottomayor, "Um vinho apaixonante".
 

Foram seis provas inesquecíveis, infelizmente apenas partilháveis pelas palavras, pois a escassa quantidade não permite que estes se comercializem. 

Do Vintage 1815, apenas ficaram 50 garrafas para história, havendo a possibilidade de alguns privilegiados acompanharem a biografia da sua evolução. Espero ser um deles.
 

Mas como nem tudo ficou apenas resumido a estas linhas, volto ao início e ao vinho da comemoração: o Antónia Adelaide Ferreira Douro 2008, que vai ser comercializado já a partir de Novembro, e quem quiser comprar uma (ou mais) das 3500 garrafas produzidas, terá de guardar pelo menos €45. 

As uvas foram seleccionadas das melhores barricas de cada uma das várias quintas do produtor, representando o Douro nas suas diferentes regiões, altitudes e exposições.


Texto publicado originalmente no Lifestyle do diário OJE a 28 de Setembro de 2011